O MÊS, SEMANA A SEMANA, À LUZ DA FÉ E DA TEOLOGIA DE JESUS

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Esta pasta contém Acontecimentos comentados à luz da Fé de Jesus, a única que não é religiosa, mas Política; e à luz da sua Teologia, a única que não é idolátrica, mas Maiêutica.

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Edição 142 Novembro 2018

Ainda os cem anos do Armistício de 1918

A SENHORA DE FÁTIMA MENTIU?

O guião das “seis aparições” de 1917 em Fátima garante taxativamente, na última, em Outubro, 'A Guerra acaba hoje!'. Refere-se, obviamente, à Primeira Grande Guerra Mundial, então em curso, e com muitos soldados portugueses a participar e a morrer nela como tordos. Alguns dos quais vizinhos e familiares das três crianças que o clero do Patriarcado de Lisboa, com destaque para o de Ourém – Leiria à época não é diocese – criminosa e impunemente, utiliza como pequenos actores. Lúcia, a única actriz daquele estúpido teatrinho ensaiada para, de joelhos, fazer perguntas de viva voz na direcção da azinheira, sempre que posteriormente se vê assediada com perguntas sobre o que lhe é dito na “aparição” de Outubro, repete, 'A Guerra acaba hoje!'. E Jacinta, sua prima, quando também interrogada, afina sempre pelo mesmo diapasão de Lúcia e garante, 'A Guerra acaba hoje!'. A verdade dos factos, porém, é outra. É a que reza o Armistício de 1918. A Guerra não acabou em Outubro de 1917, sim mais de um ano depois.

Não se pense, porém, que a senhora de fátima mentiu. Não mentiu. Pela simples razão de que a senhora de fátima nunca existiu. Tão pouco se pense que mentem as duas primitas, utilizadas pelo clero naquele teatrinho de mau gosto. Não mentem. Quem mente e com todos os dentes que tem na boca é o autor do guião, o Cónego Formigão, do Seminário de Santarém, na altura, o padre do Patriarcado mais viajado pelas paróquias católicas de Portugal e o que goza de maior ascendente junto dos respectivos párocos, na guerra de bastidores que todos em conjunto mantêm contra a República. Sobretudo, contra a Lei de 1911, de Separação entre a igreja e o estado português. É o seu guião que põe a pequenita Lúcia a dizer, 'A Guerra acaba hoje!'. Tanto que, na inocência dela, é esse o famigerado“grande milagre” anunciado para Outubro. Não o do sol a bailar, como refere dias depois a anedótica manchete de O SÉCULO. Um frete do repórter ao Cónego Formigão, com o firme propósito de fazer esquecer a mentira do guião. E a verdade é que, para vergonha da igreja católica e do país, o nojento objectivo é conseguido!

Para cúmulo, cem anos depois, até o papa Francisco “peregrina” a Fátima, com o declarado propósito de celebrar os cem anos das “aparições de Fátima”!!! E, como se este disparate não bastasse, ainda lhe acrescenta outro, concretamente, a canonização dos dois desgraçados irmãos Francico e Jacinta, primos de Lúcia, mortos, respectivamente, em 1919 e 1920, pela pneumónica. O que, no seu todo, perfaz um pecado sem perdão, porque naga a Verdade conhecida como tal. Para além de constituir um insulto à inteligência humana e à ciência. Ao rumar até Fátima, o papa deveria ter fechado de vez aquele inferno de dores e de horrores a céu aberto que Portugal insiste em mostrar ao mundo, todo ele possesso por ancestrais medos que o fazem regredir até às mais primitivas crendices, quanto mais estapafúrdias, mais clientes garantidos têm. Em vez disso e como um mal nunca vem só, eis que, deslumbrado que fica com o tratamento Vip que recebe, nomeadamente, com o Presidente da República como seu sacristão de Estado, e com todo o dinheiro que o santuário de Fátima garante, ano após ano, à Cúria Romana, ainda o vemos, semanas depois do regresso à sua Roma imperial, recompensar o bispo de Leiria-Fátima, seu anfitrião, com a dignidade de Cardeal!!!

Já dos cem anos do Armistício de 1918, o papa não quer saber. Nem sequer com uma pomposa e cínica liturgia pelos 10 milhões de mortos deixados pela Guerra, um evento em que o Estado do Vaticano, pai todos os outros, é perito. E é em Paris que os chefes de estado do mundo se juntam numa liturgia laica destinada a esconder a 3ª Guerra Mundial, agora financeira, em que todos estão envolvidos. Fica, assim, claro que a única paz que a igreja católica imperial conhece é a “Pax romana”. Com a senhora de fátima a branquear os seus sujos negócios e o domínio das mentes-consciências dos povos das nações.

A pergunta-luz que faísca no 'Caso Tancos'

FORÇAS ARMADAS PARA QUÊ?

Vivemos num tipo de mundo tão estúpido e tão deprimente, mas surpreendentemente conduzido e governado por sucessivas elites tidas pelos demais como das mais ilustradas, que não chegamos a ver quanto ele é efectivamente estúpido e deprimente. Mas que ele é estúpido e deprimente, é. Quem se atreve a desmentir-me? Basta atentarmos no famigerado “Caso Tancos” em Portugal. É um 'mosquito' que entretanto nos impede de ver o 'camelo' que este tipo de mundo é. Nascemos e crescemos nele e achamos que é o único tipo de mundo possível. Aliás, tudo o que é universidade e religião diz-nos que este é o menos mau de todos os tipos de mundo. E como a vida de cada uma, cada um de nós é arreliadoramente breve comparada com a idade que o mundo já soma, acabamos, a maior parte de nós, por fazer nossa a regra de todos os insensatos, Carpe diem = Goza a vida!. Só que a vida humana é um todo-com-a-natureza e para poder haver tu e eu, vós e nós, elas e eles, tem de haver este todo.

O mais estúpido e deprimente neste tipo de mundo é admitirmos que ele tem de ser constituído por nações e estados, onde as Forças Armadas são absolutamente indispensáveis. Já é estúpido e deprimente admiti-lo. Mais estúpido e deprimente é passar a vias de facto e criar Forças Armadas. Para cúmulo, cada nação, cada estado com as suas. Ora, não há Forças Armadas sem armas. E as armas não são forças de levantar caídos e animar desfalecidos. De levar conforto e bem-estar à totalidade das populações e dos povos. São forças de matar e de destruir. E num tempo como o nosso, com o desenvolvimento tecnológico em galopante e sofisticadíssimo crescimento, o estúpido e o deprimente alcançam dimensões incontroláveis, com o fabrico de armas cada vez mais automáticas, que podem disparar quando menos esperamos. Por agora, não são em quantidade e potência bastantes para com elas destruírmos o cosmos em fase de expansão. Mas, com as que já existem, podemos destruir várias vezes o planeta Terra que nos serve de berço e de casa comum. E não só. Também a vida-consciência que somos. O que perfaz o cúmulo da estupidez e do deprimente.

A dinâmica da Evolução é sempre do menos para o mais. Não só em quantidade. Também em qualidade. Nesta altura, quantas, quantos nos autodesignamos humanos constituímos o que de melhor a Evolução já produziu. Só que há um princípio sempre esquecido pelo tipo de mundo estúpido e deprimente que teimamos em ignorar e que diz, A corrupção do óptimo é o péssimo. Estamos, porém, já tão viciados no estúpido e no deprimente, que, em vez de mudarmos de tipo de mundo, teimamos em mantê-lo a ferro e fogo. Fazemos pior. Tornamos, cada dia que passa, este tipo mundo cada vez mais estúpido e deprimente. Nesta altura, encontramo-nos já tão enredados e apanhados por ele, que começamos a não ter sequer capacidade para parar e arrepiar caiminho. E o que nos espera, a breve prazo, é acabarmos engolidos por ele.

O pior de tudo é termos um dia admitido que sem Forças Armadas não sobreviveríamos. Que seríamos a pior das selvas. E nem agora que com elas nos tornamos a pior de todas as selvas temos a coragem e a lucidez de parar e mudar de rumo. Mas a verdade é que outro tipo de mundo é possível. Um tipo de mundo sem armas, sem Forças Armadas. E, porque é possível, torna-se eticamente imperioso edificá-lo, já. E quem diz um mundo sem armas e sem Forças Armadas, diz também um mundo sem estados, sem religiões, sem igrejas. Numa palavra, sem nenhum dos inúmeros institucionais de Poder.

O 'Caso Tancos', na sua pequenez de 'mosquito' é a Luz que politicamente nos ilumina e mobiliza. E ao mundo. Somos essa Luz feita prática política, ou acabamos engolidos pelo 'camelo” que é este tipo de mundo estúpido e deprimente.

Todos os anos no início de Novembro

MORRER: O FIM OU A PLENITUDE DA VIDA?

Todos os anos, no início de Novembro, os cemitérios enchem-se de gente de preto vestida, ar compungido, e de flores, muitas e caras flores, numa espécie de orgia sexual a céu aberto. Que a morte e o sexo são inseparáveis. Há sexo, porque há morte. Mas no demente dizer dos clérigos, os dias são dos “santos” e dos “defuntos”. E as pessoas são tantas no primeiro dos dois, que quase se atropelam umas às outras. É ver para crer, toda aquela feira de vaidades, de lágrimas-faz-de-conta, de pai-nossos-e-avé-marias papagueados pelas “almas” dos mortos. Num automatismo despersonalizador e triste.

O mais desconcertante é que não está ninguém nos cemitérios, à excepção das pessoas que, por razões de ofício, de vício, ou para evitar as críticas de vizinhos-linguareiros, lá entram com mais ou menos frequência. E não há igrejas nem universidades que esclareçam as pessoas. Nos cemitérios estão apenas os jazigos de família. Mas dentro deles não está ninguém. Pelo que é um disparate de todo o tamanho construir jazigos de família e, para cúmulo, ocupar-se deles. Como se eles fossem a última morada dos que morrem, quando não há última morada para ninguém.

A mim, ninguém me lá vê. Nem no início de cada mês de Novembro, nem nos outros dias do ano. Ocupo-me dos vivos que vejo e não dos mortos que, depois dos respectivos cadáveres serem cremados ou sepultados, não vejo. Aliás, os cadáveres dos que morrem são apenas isso, cadáveres. E quem diz cadáveres, diz coisas. Enterrar os cadáveres dos que morrem é um serviço que cada família deve assumir por inteiro. Em vez de o entregar a estranhos, a troco de dinheiro. Como são todos os funcinários das agências funerárias e os párocos ou pastores das religiões. Quem cuida dos seus familiares doentes ou acidentados, idosos ou não, deve também cuidar dos cadáveres que todos deixam, ao morrer. Cientes, porém, de que os cadáveres já não são mais as pessoas que antes cuidamos. São apenas coisas definitivamente desprovidas do sopro irrepetível e único que cada uma, cada um de nós é na história. Rapidamente viodegradáveis e destinados à terra, no seu sentido mais amplo, Terra-chão, terra-rio, terra-mar ou terra-montanha.

Nem párocos, nem pastores de religiões, nem agências funerárias devem fazer o que, por direito e dever, cabe aos familiares e amigos dos que morrem fazer. O Mercado tudo faz para se apoderar de nós, enquanto vivemos na história e muito mais quando morremos. Cumpre-nos resistir-lhe. Só assim somos. Ninguém melhor do que os nossos familiares e amigos sabe como há-de lidar com os cadáveres que deixamos, quando entregamos ao mundo o nosso derradeiro Sopro. A vida não pára, só porque um familiar ou amigo nosso morre. Pelo contrário, a vida aumenta de intensidade e de qualidade. Porque, quando entregamos o nosso derradeiro Sopro tornamo-nos Corpo-Sopro, por isso, definitivamente invisível. A morte não é o fim da vida. É a sua plenitude. Por isso, mais do que o parto de uma criança, havemos de viver intensamente a morte de cada familiar e cada amigo nosso. É o momento em que cada um de nós chega à plenitude da vida.

Igrejas e religiões, com suas ideologias-teologias, comuns às do Sistema de Poder, é que nos levam a olhar para a morte como o fim da vida, quando ela é a sua plenitude. Como o rio que chega ao mar e se funde com ele. Sem jamais perder a sua identidade. O Eu-sou que cada uma, cada um de nós é, atinge a sua plenitude no momento de morrer. Ao passar da condição de visibilidade para a de invisibilidade, não deixamos de ser quem somos. Prosseguimos, mas invisíveis aos olhos, como tudo o que é essencial. Ousemos, pois, encarar a morte como a plenitude do nossso ser-viver na história. Se o fizermos, vivemos cada dia a crescer de dentro para fora, não em Ter, mas em Ser. Porque este alcança sua plenitude, quando morremos. Daí que quem vive para crescer em Ter é insensato.

N. D.

Congratulem-se com o JF, que há razões para isso. A CARTA ABERTA de Pe. Hérmino Ferreira, Diocese de Bragança-Miranda, divulgada como DESTAQUE, da Edição 141, na última semana de Outubro 2018, e, três dias depois, também no Blog A VIAGEM DOS ARGONANUTAS, como Texto Fraternizar, surtiu o desejado efeito. Menos de uma semana depois, na tarde do dia 31 de Outubro, o Bispo D. José Cordeiro, acompanhado pelo seu secretário particular, dirigiu-se pessoalmente à casa onde Pe. Hérmino reside com uma irmã de sangue, para se encontrar cara a cara com ele. Na conversa referiu-se expressamente à Carta Aberta, divulgada pelo JF e pediu-lhe que apresente uma proposta concreta de actividade pastoral na diocese, que ele com gosto o nomeará oficialmente. Cabe agora ao Pe. Hérmino a liberdade de escolher que actividade pastoral quer assumir e realizar, de acordo com a sua própria consciência. Pessoalmente, congratulo-me com este resultado, prova provada de que outra coisa não quero, como presbítero-jornalista da Igreja do Porto, senão que seja feita justiça a quem na igreja como na sociedade se sente injustiçado. Quanto a mim, estou bem com a minha condição de presbítero-jornalista da Igreja do Porto, mesmo sem nomeação diocesana, uma vez que não é a nomeação episcopal que me faz ser o que sou por vocação, desde o ventre de minha mãe, Ti Maria do Grilo, jornaleira. Congratulem-se, pois, comigo, com o Pe. Hérmino e com o JF. Entretanto, há ainda uma grave situação, referida na Carta Aberta, que continua por esclarecer. Concretamente, O que é feito dos mais de dois milhões de euro da Caritas diocesana?!

Edição141 Outubro 2018

'Eupossoeuquero!' ser feliz e santo

E ÁS ESCOLAS CATÓLICAS QUEM AS QUER?

“O principal objetivo é rezar, rezarmos com Maria, pedindo ajuda. O tema da santidade inspira-nos e vimos todos também aprender a sermos mais felizes e mais santos”. Isto diz o secretário-geral da Associação Portuguesa de Escolas Católicas (APEC), que organizou o encontro em Fátima, em parceria com o Secretariado Nacional da Educação Cristã (SNEC). Ao todo, apenas 25 escolas católicas participantes, das cerca de 150 que há no país e menos de três mil alunos, mais elas do que eles, dos mais de 73 mil no país. Perante números tão baixos, anível nacional, cabe perguntar, E às escolas católicas quem as quer? Se lhes retirarmos os apoios do Estado constitucionalmente laico que os bispos católicos tanto reclamam, quantas se manterão abertas e activas? Entretanto, é bom que se saiba que não há outra catolicidade que não a da Humanidade. A das religiões e das igrejas é falsa. Umas e outras são seitas, partes do todo e, para cúmulo, à parte do todo. Uma esquizofrenia que, felizmente, está já a ser superada. Porque só a Secularidade e a Laicidade são saudáveis. Dos guetos, religiosos e laicos, havemos de fugir a sete pés. Nada mais saudável do que viver à intempérie. Longe dos abrigos. Onde germina, calada, a corrupção e a podridão.

É por demais manifesto que as igrejas deste milénio não sabem lidar com as crianças, adolescentes e jovens. Nos dois milénios anteriores foram a sua grande clientela. Não são mais. O terceiro milénio cada vez mais científico e secular, brinda-nos com crianças, adolescentes e jovens outros, muito mais lúcidos, hiper-dotados, ágeis, críticos e autónomos que nos garantem um amanhã outro, bem mais nosso, bem mais humano e religado entre si e ao universo. O Mercado bem tenta seduzi-los, mas eles usam-no, sem se deixarem comprar por ele. E quem diz Mercado, diz as igrejas e as religiões. Casas de negócio, covis de ladrões, chama-lhes Jesus Nazaré, o filho de Maria, a primeira criança-adolescente-jovem que, quando adulto, dissente do judaísmo em que nasce e apresenta-se-lhe como a alternativa a ele e a todos os que se lhe assemelhem. Porque o mataram, puderam fazer destes dois mil anos de judeo-cristianismo, com as suas variantes católica, islâmica e protestante, dois mil anos de Treva e de Aborto do Humano. Não podem mais. O terceiro milénio é da Ciência, de mão dada com a Fé de Jesus e a sua Teologia.

Podem as Escolas católicas criar e difundir slogans, como o que a sua peregrinação nacional foi tentar gritar em Fátima e ao seu nauseabundo santuário, sem dúvida, o exemplo mais acabado de estultícia e de beatice, de desumanidade e de senil prepotência clerical, que o país como um todo nem chega sequer a saber deles e muito menos quer ser. Os últimos papas, por sinal, todos fatimistas, parecem agora apostados em transformar a Cúria romana e o Vaticano numa gigantesca fábrica de produção de santos e santas. De tão cegos e desorientados que andam, nem se dão conta de que, com esta sua fábrica, estão a colocar nos seus desgraçados altares precisamente os mais corruptos. S. José Maria Escrivá de Balaguer e S. João Paulo II dão cartas neste capítulo. De resto, a Corrupção sempre foi a sua especialidade, como igreja imperial que é. Todos os altares são idolatria. E a idolatria é a negação dos seres humanos e dos povos.

A peregrinação nacional ocorre com o Sínodo dos Bispos católicos sobre os jovens em fase de conclusão. Não para os escutar e seguir, sim para os formatar. Felizmente, todos estes eventos eclesiásticos já lhes passam totalmente ao lado. Com os jovens terceiro milénio, a Ciência e a Fé de Jesus vêem chegada a sua hora. E os povos das nações, ainda mergulhados em muitas dores que serão cada vez mais de parto de uma Terra outra, vão ter, também eles, de nascer de novo, do Vento, do Feminino. Chegam assim ao fim os messias que os últimos dois mil anos nos impuseram. Esta é a hora dos jovens e dos povos vestidos de secularidade e de laicidade.Guiados pela Ciência e a Fé de Jesus.

D Manuel Linda, Bispo do Porto e das FA

REVOLUCIONÁRIO OU EVOLUCIONÁRIO?

Pode um bispo das Forças Armadas (FA) ser revolucionário? Ou tem de limitar-se a ser evolucionário?! Ninguém lhe perguntou, mas D. Manuel Linda, bispo residencial do Porto e simultaneamente Adminstrador da diocese das Forças Armadas e de Segurança, sentiu necessidade de vir a terreiro num artigo de opinião demarcar-se habilmente de um outro bispo, seu antípoda, Óscar Romero, de seu nome. Assassinado por militares em 24 de Março de 1980. Enquanto celebrava a Eucaristia numa singela capelinha de um hospital de freiras da capital de San Salvador.

E tudo isto porquê? Porque o actual papa Francisco, também ele visceralmente incomodado com as radicais práticas político-teológicas protogonizadas por D. Romero, sob o regime da ditadura militar e da oligarquia das 14 famílias mais ricas do pais, não descansou enquanto o não matou de vez e à sua memória politicamente subversiva. Já que, enquanto Superior provincial dos jesuítas na Argentina, sob o regime do ditador Videla, ao contrário de Óscar Romero, meteu-se a negociar-cooperar com o ditador. E, agora que é o bispo de Roma e papa, também graças a essa postura de então, decidiu canonizar no domingo 14 de Outubro 2018, o Bispo seu antípoda. Para assim o matar em definitivo e à sua memória politicamente subversiva. Uma vez que com a canonização conseguiu reduzi-lo a um caricato boneco de altar. Que, para cúmulo, ainda passa a dar muito dinheiro a ganhar à igreja.

É sabido que também o papa João Paulo II, já canonizado por Bento XVI, para com isso fazer esquecer os muitos crimes que cometeu a favor da igreja católica imperial de Roma, infernizou o mais que pôde a vida do bispo Óscar Romero. Nomeadamente, a partir do momento em que ele se converte em definitivo aos pobres. Quando militares da ditadura mlitar impunemente lhe matam o Pe. Rutílio Grande e os muitos camponeses que celebravam com ele a eucaristia dominical. De bispo conservador e frequentador das casas dos ricos latifundiários e dos palácios de oficiais militares de alta patente que era, passou a bispo de todos, a começar pelos mais pobres dos pobres, concretamente, os camponeses do seu país. Uma conversão que a Roma imperial dos papas viu e vê como alta traição.

É no decurso do funeral de todos os massacrados, que o bispo Romero, interiormente abalado, vê, com merediana nitidez, o Mal estrutural que é o latifúndio-em-acção no seu país, sempre, mas sempre, protegido pelos militares armados, na altura, da ditadura militar. Chora inconsolável e muda radicalmente de ser e de Deus. Uma radical conversão ao Evangelho de Jesus, crucificado pelo império de Roma, hoje a dos papas, que teima em estar com os latifúndios-em-acção e todos os grandes ricos e poderosos do mundo. De modo que, entre o bispo-papa da Roma imperial e o bispo dos camponeses pobres, vítimas do latifúndio-em-acção e dos poderosos militares, há um abismo intransponível. A comprovar o dito de Jesus, Ninguém pode servir a Deus e ao Dinheiro.

Não está só o bispo D. Manuiel Linda na sua obtusa postura de evolucionário. Até prova em contrário, todos os bispos residenciais são como ele. A Revolução antropológica-teológica de Jesus que o Bispo Óscar Romero vem a coroporizar continua a não ter lugar nas mentes formatadas dos bispos-poder monárquico e sagrado. São frequentadores dos ricos, que dão algumas migalhas aos pobres. Pior, quando se é o bispo das Forças Armadas e de Segurança. Na sua cátedra, todos eles se pensam “sinal do Cristo cabeça, sacerdote e mestre”, no demencial dizer do Bispo de Bragança-Miranda, no aniversário 2018 da dedicação da sua catedral diocesana. E isto, porque, neste seu demencial dizer “a séde deve manifestar essa união entre cabeça e corpo, entre Cristo e a Igreja, entre o presidente e a assembleia.” Alerta, irmãs, irmãos em Humanidade! Eles não mordem, mas violam, roubam e matam. Em nome de deus. O do papa da Roma imperial. E do Dinheiro.

Francisco e Bento XVI juntos nos jardins do Vaticano

QUEM PODE MAIS, O PAPA OU O DIABO?

O papa Francisco não faz por menos. Convenceu o seu imediato antecessor, agora papa emérito, a juntar-se a ele nos luxuosos jardins do Vaticano. Sob os holofotes da grande comunicação social. E Bento XVI não se fez rogado e lá saiu do seu remanso no palácio-convento que destinou para ele próprio, quando ainda em exercício. Que o momento eclesiástico católico, pelos vistos, é muito grave.

E que foram fazer os dois papas aos luxuosos jardins do Vaticano? Ora o que havia de ser. No beato entender do papa Francisco, o diabo está apostado em destruir a igreja católoca imperial, cujos alicerces o imperador Constantino lançou no séc. IV, quer através da construção de basílicas, entre as quais, a de S. Pedro, e outras sumptuosas igrejas, quer, sobretudo, com o famoso Credo de Niceia-Constantinopla que fez os bispos aprovar em dois Concílios, sob a sua presidência e a custas do seu império E que, logo depois, impôs a todos os seus súbditos até hoje! Apesar disto, no beato entender do papa Francisco, os ataques do diabo são mais do que muitos. E a prova é que até os horrendos crimes de pedofilia dos clérigos acabam por ser obra do diabo, não dos clérigos. Não fosse o diabo e os horrendos crimes de pedofilia dos clérigos não teriam ocorrido. Pasme-se!!!

Consequente com esta sua mais do que demencial visão das coisas, o papa Francisco não hesitou em mandar construir uma monumental estátua do arcanjo s. miguel destinada a proteger do diabo a sua igreja católica imperial. Construída a estátua e colocada no lugar que lhe estava destinada, os dois papas foram inaugurá-la e benzê-la. Na verdade, só o papa Francisco o fez. Mas a silenciosa e orante presença do papa emérito, só por si, assusta o diabo. Se, em pleno exercício de funções como Prefeito para a Congregação da Doutrina da Fé, primeiro e durante muitos anos, e, depois, como papa, assustou e castigou exemplarmente os teólogos da teologia da libertação e justificou teologicamente a crassa demência que é o texto do chamado terceiro segredo de fátima, é óbvio que também assusta o diabo, porventura, mais ainda do que o próprio s. miguel arcanjo, que não passa de um velho mito que o cristianismo integrou e que só mentes perturbadas e possessas de medo, como a do beato papa Francisco, tomam como um ser real.

Não se ficou por aqui o papa Francisco. Apanhado pelo medo do diabo, aproveitou o evento nos jardins do Vaticano para lançar dali um apelo a toda a igreja e ao mundo, para que, pelo menos, neste mês de outubro, redobre as suas orações contra os ataques do diabo. Concretamente, que as pessoas rezem o terço todos os dias e lhe juntem a famosa oração a s. miguel arcanjo, inventada pelo papa Leão XIII, após ter tido um pesadelo numa noite em que viu o diabo com todo o seu exército infernal a atacar e destruir a igreja. Quando acordou, apesar de ver intacto o seu imponente palácio, foi a correr escrever a mágica fórmula que, recitada diariamente, garante à igreja – palavra de papa infalível – a protecção dos ataques do diabo. Ei-la, 'São Miguel Arcanjo, defendei-nos neste combate. Sede o nosso refúgio contra as maldades e ciladas do demónio. Que Deus manifeste sobre ele o seu poder, é esta a nossa humilde súplica. E vós, Príncipe da Milícia Celeste, com o poder que Deus vos conferiu, precipitai no inferno a Satanás e a todos os espíritos malignos, que vagueiam pelo mundo para perdição das almas. Amen'.

É público que o Concílio Vaticano II, envergonhado com tamanha crendice nos poderes de s.miguel arcanjo, aboliu a reza desta fórmula que eu próprio, quando puto de 8-9 anitos, já ajudante de missa em latim, repetia com o meu pároco, e que tinha de ser recitada de joelhos pelos padres nos degraus do altar, no final de cada missa rezada de pé por eles em latim. O facto de terem de o fazer de joelhos, levava os devotos a pensar que aquela fórmula era mais poderosa que a própria missa. Talvez por isso, o beato papa Francisco, à revelia do Vaticano II, tenha querido trazê-la de volta, neste milénio da revolução tecnológica! É caso para perguntar, Afinal quem pode mais, o papa ou o diabo?

IGREJA COM E PARA JOVENS? NEM PENSAR!

O que pretende deles o Sínodo dos bispos?

Já está a decorrer em Roma e prolonga-se até 28 de Outubro 2018 o Sínodo dos Bispos. Temática em debate, “Os jovens, a Fé e o discernimento vocacional”. Como se vê, uma estopada de todo o tamanho para os jovens século XXI, mergulhados num mundo saudavelmente secular, arreligioso, agnóstico ou ateu, pós-cristão e pós-igreja clerical e eclesiástica que eles desconhecem de todo, ou da qual, depois do crisma imposto pelos pais, fogem a sete pés, como se foge de um ladrão que nos salta ao caminho para nos espancar, roubar e deixar abandonados na berma da estrada. Como sucede ao homem sem nome da parábola anti-sacerdotes contada por Jesus, o do Evangelho de Lucas. É manifestamente uma temática congeminada e proposta, não pelos jovens aos bispos, mas por cardeais e bispos que nunca foram jovens, nem sequer quando tinham idade para o serem. Porque o seminário tridentino cedo os arrancou às suas famílias e aos companheiros de infância. E, pior ainda, formatou-lhes as mentes-consciências para, de filhos de mulher ao nascer, se tornarem clérigos e eclesiásticos celibatários, mercenários contratados em exclusivo ao serviço do império papal sediado em Roma. Cujo sonho é vir a ocupar e dominar as mentes-consciências de todos os povos da terra.

O Texto-base que serve de ponto de partida e que eu tive o cuidado de previamente conhecer para poder aqui pronunciar-me sobre este Sínodo dos Bispos, sob a presidência do papa Francisco, jesuíta dos quatro costados, beato até dizer chega – os seus posts diários no Twitter não enganam – não tem ponta por onde se lhe pegue. Dificilmente se encontrará um jovem, mesmo entre aqueles poucos que ainda se não libertaram de vez das paróquias ou de outras corporações eclesiásticas ditas laicais, que consiga lê-lo todo do princípio ao fim. E, se por dever de ofício de líderes do grupo ou corporação, o lerem, não haverá um que entenda o muito que lá se escreve. Pela simples razão de que eles, como todos os seus iguais em idade, são jovens século XXI, não século IV, o do Credo de Niceia-Constantinopla que continua a ser mecanicamente recitado nas missas de domingo, logo a seguir a homilias sem graça e sem verdade, sem sal e sem Causas pelas quais valha a pena entregar-se até dar a própria vida. Tudo é assim a modos de nem frio nem quente, que os jovens século XXI depressa vomitam, como diz de Deus que nunca ninguém viu, o ainda não compreendido, muito menos praticado, Livro do Apocalipse.

Os números das pessoas presentes e intervenientes no Sínodo dos bispos sobre os jovens, a Fé e o discernimento vocacional, falam por si. São 267 padres sinodais (= bispos), 23 especialistas e 34 auditores jovens de 18 a 29 anos de idade. Os bispos são esmagadoramente quem mais ordena no Sínodo. O que nem é de estranhar, uma vez que o Sínodo é deles, bispos, não é dos jovens. Não são os jovens do mundo que organizam um Sínodo e convidam os bispos. É o Bispo de Roma, papa monarca absoluto e infalível, que convida 34 auditores jovens. Não há, pois, volta a dar-lhe. E com mais uma agravante de peso – O Sínodo é um órgão da Cúria do Estado do Vaticano, cujos participantes debatem o documento-base, fazem as alterações que entenderem, mas o seu voto final é apenas consultivo, não deliberativo. O documento que vier a ser publicado posteriormente pelo papa é da sua exclusiva responsabilidade, mas vale para toda a igreja. Até para a da China comunista que, pela primeira vez, tem dois bispos presentes!

Perante estes dados objectivos, resta aos jovens século XXI fazer como Deus que nunca ninguém viu, o do Apocalipse, faz – vomitem este tipo de igreja clerical e eclesiástica e fujam dela a sete pés. Integrá-la, nem pensar. Seria regredirem ao século IV, à fé proclamada pelo Credo de Niceia-Constantinopla, onde não se encontra uma única proposta capaz de transformar este tipo de mundo do sistema de Poder num mundo humano jovem, a respirar liberdade, saúde e comensalidade por todos os poros. E que os jovens terceiro milénio, não os bispos, têm todas as possibilidades científicas para o fazer.

Edição 140, Setembro 2018

A CHINA NO PAPO DO PAPA

Não há crimes de pedofilia dos clérigos que detenham as ambições do Vaticano

Com o acordo agora alcançado entre o Vaticano do papa Francisco e a China de Xi Jinping, bem se pode dizer que a Besta do Apocalipse que é a igreja cristã católica imperial de Roma continua a levar por diante a sua insaciável fome de domínio das mentes-consciências dos povos todos do planeta. Foi preciso chegar ao início do terceiro milénio do cristianismo imperial católico, para vermos um clérigo nascido e criado na Argentina, filho do famigerado Inácio de Loyola (séc. XVI), eleito papa de Roma. E deste modo conseguir que a distante e inacessível China comunista abrisse as suas portas a um acordo entre os dois Estados. Fica assim claro que nem a China comunista resiste a entregar de bandeja as mentes-consciências dos seus múltiplos povos à civilização ocidental cristã, constituída por umas quantas elites privilegiadas, chamadas a controlar-dominar de modo científico multidões e multidões empobrecidas, escravizadas, alienadas.

A partir deste acordo, todos os bispos católicos da China – até agora, fiéis ao regime do Estado chinês, uns, e fiéis ao regime do Estado do Vaticano, outros – são igualmente bispos legítimos, reconhecidos pelos dois Estados. Com uma impensável cláusula exclusiva do Estado Vaticano: apenas o papa de Roma fica com direito de veto sobre as futuras escolhas dos clérigos católicos propostos a bispo. Pelo que, nesta matéria de estrutural importância, a China reconhece a hegemonia do Vaticano que passa a ter a última e decisiva palavra sobre os novos bispos a ordenar. Quer isto dizer que no futuro não há mais nenhum bispo católico na China que não tenha o aval do Vaticano. O império cristão de Constantino dá assim mais um dos seus passos de gigante no domínio das mentes das populações do mundo.

Como se vê, não há crimes de pedofilia dos clérigos que detenham as desmedidas ambições do jesuíta Francisco. Populista até dizer chega, depressa ganhou a admiração até de ateus e agnósticos. Apresenta-se como o grande reformador da empresa igreja católica S.A., uma espécie de Lutero séc. XXI. Mais não é do que um reciclado Inácio de Loyola, apostado em levar a fé cristã católica e o satânico domínio ideológico-teológico da Besta imperial da Roma papal até aos confins do mundo. Bem pode o papa chorar em público lágrimas de crocodilo pelas inúmeras vítimas dos crimes de pedofilia dos clérigos e pedir-lhes perdão vezes sem conta. Tudo não passa de um hábil desvio das atenções para o que, na sombra, a diplomacia do Vaticano continua a fazer para se expandir mais e mais. Pelo que as vítimas dos crimes dos clérigos bem podem esperar sentadas.

Quem como eu acompanha com olhos de ver os posts diários do papa Francisco no Twitter bem vê de quão beato ele lá se mascara. Chega a dar náuseas, de tão rasca e popularucho que se mostra. Só mesmo um jesuíta com esta variedade de máscaras, podia ser eleito papa e depressa granjear popularidade q.b. Tanto entre as elites dos privilégios, como entre as multidões miseráveis, ávidas de salvadores e de milagres do céu. Ao mesmo tempo que dá cobertura ideológico-teológica aos mais nefandos crimes em que é perita a diplomacia do Estado do Vaticano e do seu Banco, referências máximas da despótica civilização ocidental.

O cristianismo imperial católico regressa assim em força à China, onde chegou pela primeira vez em 1552, através de Francisco Xavier, enviado pelo seu amigo e companheiro Inácio de Loyola, o fundador da Companhia de Jesus. O mais eficiente exército de clérigos, altamente preparado e apetrechado para formatar as mentes-consciências das crianças e dos jovens estudantes que frequentem os seus inúmeros colégios e as suas múltiplas iniciativas nas mais diversas áreas. Que a tanto os obriga o incondicional voto de obediência ao papa. São tidos como heróis e santos. Não passam de eruditos formatados que formatam mentes de crianças-jovens em série!

OS HORRENDOS CRIMES DE PEDOFILIA DOS CLÉRIGOS

O princípio do fim deste tipo de igreja e do cristianismo

Ninguém no-lo diz. Todos no-lo escondem. Até os principais cronistas clérigos da nossa praça – Frei Bento Domingues, no PÚBLICO, Pe. Anselmo Borges, no DN – estão neste caso a prestar um relevante serviço ao papa de Roma e ao sistema eclesiástico, por isso, um péssimo serviço às muitas vítimas da pedofilia dos clérigos e a todas as demais vítimas da história. Horrendos crimes que Roma e os clérigos têm silenciado para salvaguardar o bom nome da instituição igreja católica romana e do cristianismo. Sem se aperceberem que por mais lágrimas de crocodilo que derramem pelas vítimas da pedofilia dos clérigos, estão a desvalorizar criminosamente os gritos delas. Não vêem – não querem ver, porque são parte na causa, têm privilégios e um (bom) nome a defender nesta nossa sociedade de matriz cristã-católica – que os horrendos crimes de pedofilia dos clérigos são o princípio do fim deste tipo de igreja católica e do próprio cristianismo. E ai da Humanidade, se assim não for! Porque então, o Mal estrutural que o cristianismo é acaba por devorar-nos definitivamente a alma.

Posso ser uma voz presbiteral isolada nesta selva clerical e eclesiástica, mas sei que nunca a quantidade foi sinónimo de verdade e de razão. Pelo menos, à luz da Fé e da Teologia de Jesus. Só mesmo para os clérigos e o cristianismo a quantidade vale. Precisamente porque eles e ele são o mal mascarado de bem. As grandes maiorias vêem as máscaras e gostam do que vêem. Porque confundem-nas com a realidade. E confiam tanto dos clérigos, que continuam a entregar-lhes as filhas, os filhos. Inclusive, a levá-los ao baptismo e às catequeses. Nem mesmo depois dos horrendos crimes da pedofilia dos clérigos e do cristianismo, elas acordam. Chegam a pôr em dúvida se são factos reais. Invenção dos 'inimigos' da igreja, dos seus clérigos e do cristianismo. As mentes-consciências delas estão tão formatadas pelos clérigos, que vêem neles exemplos de virtude e de dedicação. Não vêem que tanta virtude e tanta dedicação resultam em mais e mais influência e domínio das mentes delas. E em mais lucros financeiros e mais prestígio para as igrejas-empresas deles, os clérigos. Cujo chefe-mor é o papa. E, abaixo dele, como seus braços compridos, os bispos e os párocos. Auto-designados 'hierarquia' ou poder sagrado. Por isso, acima de qualquer suspeita. O que perfaz um horror.

Os teólogos cristãos, católicos ou protestantes, são todos peritos em cristologia, Cristo e cristianismo, o pai de todos os males, o pior dos quais é o poder financeiro. Não são nem querem ser peritos em Jesus histórico, o de antes do cristianismo. Nem em Maiêutica, nem em Humanidade sororal, vasos-comunicantes. Vão ao ponto de confundir-identificar o Cristo do cristianismo com Jesus histórico, o de antes do cristianismo. Recusam-se a reconhecer que Jesus nunca foi cristão. E que entre Jesus e o Cristo-da-fé deles, há um abismo intransponível. Como há um abismo intransponível entre Deus, o de Jesus, o filho de Maria, e Deus, o de Cristo, o filho de David. O Deus de Jesus dá-se a conhecer nos seres humanos, em especial, nas inúmeras vítimas da história, com as quais se identifica. O Deus de Cristo, pelo contrário, dá-se exclusivamente a conhecer nos agentes históricos do Poder, o primeiro dos quais é o papa de Roma, sucessor de Constantino, o do império romano, o mesmo que crucificou Jesus histórico, a exigências dos clérigos de então!!!

Felizmente, o terceiro milénio já é pós-cristão. A geração terceiro milénio já nasce fora das igrejas cristãs e recusa-se a dar-lhes corpo. Ainda não é (pro)seguidora de Jesus e do seu Projecto político maiêutico. Nem sequer os conhece. Serão as inúmeras vítimas deste tipo de mundo do sistema de poder, abençoado pelos clérigos, a conduzi-la até eles. Para tanto, a geração terceiro milénio tem de ser-viver organicamente com as vítimas. Para que elas se levantem da prostração em que jazem há séculos e séculos e constituam-se um organismo vivo à escala planetária, gerador de um mundo nos antípodas do mundo do sistema de poder, gerado pelos clérigos e justificado pelos seus livros sagrados.

PARTIDO COMUNISTA PORTUGUÊS

PARA QUANDO UMA MULHER NA LIDERANÇA?

A propósito da Festa do Avante 2018, escrevi no dia seguinte ao seu encerramento um twitter a dizer o óbvio: Jerónimo de Sousa discursou a abrir e a encerrar a Festa. E do muito que falou nos dois discursos, disse nada. Nada de substancialmente novo, concluiria, no contexto, qualquer bom entendedor. Só que ao escrever assim, sem mais, para poupar caracteres e “puxar” pela mente das leitoras, dos leitores, eu próprio intuía que iria ter dezenas de inscritos e votantes no PCP à perna a “malhar-me”, implacáveis. E não me enganei. Não pude, contudo, deixar de sorrir, por me ver, uma vez mais, confirmado como Sinal de contradição, a revelar os pensamentos escondidos de muitos.

Fica deste modo mais do que provado que não é só ao nível das privilegiadas cúpulas clericais da igreja católica e de muitos católicos súbditos delas, que sou tido como persona non grata, padre subversivo, ateu, até terrorista. De resto, já em seu sinistro tempo, a Pide/DGS me olhou e tratou como um perigoso comunista infiltrado na igreja católica. O próprio bispo D. António Ferreira Gomes terá pensado o mesmo, quando, menos de um mês depois da minha segunda prisão em Caxias, vê ser editado um novo Livro meu, CHICOTE NO TEMPLO, Edições Afrontamento, 1973. Tudo tratado antes, sem que a Pide/DGS desse por tal. De que tipo de organização disporia eu, pensa o bispo?!

Felizmente, o meu advogado de defesa, Dr. José da Silva, nos dois julgamentos a que fui sujeito no Tribunal Plenário do Porto, foi capaz de ver bem mais fundo do que o próprio bispo. Por isso soube resistir à tentação de fazer dos meus julgamentos, um caso político, como então todos os advogados de defesa faziam com os seus clientes presos políticos. Teve a audácia de nunca se desviar do âmbito que me é específico: o do Evangelho de Jesus que, como presbítero da igreja ao serviço da Humanidade, não apenas da igreja, me cumpre praticar-anunciar a tempo e fora de tempo. Ficou assim claro para todo o sempre que sou incómodo, caluniado, rejeitado, odiado e, por fim, até simbolicamente crucificado, apenas por ser um presbítero que pratica-anuncia o Evangelho de Jesus. Não me perdoam que viva neste tipo de mundo-Sistema de Poder sem jamais ser dele.

Mas o meu twitter dizia mais. Melhor, perguntava: Para quando uma mulher na liderança do PCP? Sucede que o fanatismo ideológico dos que me comentaram não os deixou sequer dar por esta minha oportuna pergunta. E a prova é que a esmagadora maioria nem sequer deu por ela. Mas era aí que eu pretendia chegar. Porque, neste tipo de mundo-Sistema de Poder, os Partidos políticos são oportunos, mas apenas como partidos-parteira, por isso, especialistas na Arte de cuidar da vida, das pessoas, da Terra. Uma Arte própria do Feminino. De contrário, não passam de peças na engrenagem do Sistema de Poder, o mesmo que progressivamente rouba a voz e a vez às populações e as condena à condição de meros votantes. Resultado: Crescem as minorias dirigentes e as populações diminuem. Uma situação que raia o sadomasoquismo político.

Aliás, este ano, os discursos do secretário geral do PCP ficaram completamente esvaziados de interesse político, uma vez que a Festa do Avante foi precedida por uma entrevista de Jerónimo de Sousa à RTP, precedida, por sua vez, de um breve mas revelador vídeo gravado com ele na sede nacional do Partido. Sem que as câmaras da RTP pudessem mostrar o seu próprio gabinete de trabalho! Acontece que este vídeo divulga conversas que deixam (quase) nu o misterioso PCP. E quem não deve ter gostado nada do que ouviu Jerónimo dizer na entrevista sobre o OE2019, foram os líderes da CGTP e seus Sindicatos, com destaque para o da Fenprof. Ao separar, e bem, as reivindicações deles das negociações para o OE2019, Jerónimo esvaziou de uma penada as lutas e as greves já anunciadas por eles e cujas reivindicações, legítimas, só são concretizáveis num tipo de mundo outro, que não este do Sistema de Poder. Mas quantos inclusive de Esquerda estão dispostos a dar-lhe corpo nos próprios corpos?!

EXORCISMOS

Bispo D. José Cordeiro: Possesso do demónio?!

Falar de exorcismos neste início do terceiro milénio, como fez um destes dias à Agência Lusa o bispo de Bragança-Miranda, é coisa que não lembra ao diabo. Bem se pode então perguntar se o bispo D. José Cordeiro não está possesso do demónio. Escrevo com Humor teológico e à luz da Fé de Jesus, o filho de Maria. Não de Cristo, o filho de David, que, ao contrário de Jesus, o de antes do cristianismo, tem muitos seguidores. Só que é de Jesus que os povos do terceiro milénio mais precisam. Não de Cristo, puro mito, que historicamente adquire máscara humana em cada um dos agentes do Poder religioso, político ou económico-financeiro. É por isso que o menos humano de todos os agentes de Poder é o bispo de Roma e papa da igreja católica. O único que detém os três poderes em simultâneo. Por isso, o mais possesso da ideologia (= demónio) do Poder.

Saibam que todo o Religioso é um demónio. Inimigo dos seres humanos. 'Deisidaimonia', dizem, logo no início, as, os de Jesus e do seu Movimento político, acerca do Religioso e dos seus contemporâneos possessos ou possuídos por ele. O Religioso tem trazido subjugados os povos, desde o início da Humanidade. 'Deisidaimonia', em bom português, significa “medo dos deuses”. E, consequentemente, “culto dos deuses”. Quem vai pelo Religioso vive possesso ou possuído do demónio, uma vez que o medo dos deuses leva as pessoas nas quais se aloja a viver mentalmente de rastos, mesmo que vistam de bispo de Bragança-Miranda, de cardeal e de papa. Ou de Putin, Trump, Macron, Netanyahu... Quanto mais Poder(osos), mais possessos de medo, por isso, mais mentalmente de rastos. Armados até aos dentes. E cercados de seguranças por todos os lados.

Eu sei que nos Evangelhos Sinópticos se fala com frequência de possessos do demónio e de expulsão de demónios. O próprio Jesus Nazaré é apresentado com frequência a expulsar demónios. Por isso, a fazer exorcismos. Mas também sei que estamos perante Escritos, histórica e culturalmente, datados. Quando não havia outra explicação para certas manifestações paranormais e doenças do foro psiquiátrico. Como, então, todas essas manifestações e doenças eram experimentadas pelos conterrâneos de Jesus como um Mal, estes atribuíam tudo ao demónio, o nome mítico do Mal. Não é o caso deste nosso tempo da Ciência, também neurológica, que se dá muito bem com a Fé de Jesus, intrinsecamente, anti-religioso, anti-medo, anti-culto dos deuses, anti-poder. E este é o tempo o bispo de Bragança-Miranda e nosso. Pelo que meter-se a falar de Exorcismos, hoje, como se ainda fôssemos do tempo histórico-cultural de Jesus, é insistir em humilhar-aterrorizar as populações. Imperdoável, portanto.

Para cúmulo, as declarações de D. José Cordeiro à Agência Lusa são proferidas, pouco tempo depois do escândalo do 'Exorcista de Fátima', o famigerado Pe. Gama, 79 anos, natural de Murça, acusado à Polícia por uma sua cliente de ter abusado sexualmente dela, a pretexto de que o demónio se aloja preferencialmente na vagina das mulheres. Não esclareceu aos jornalistas que o entrevistaram se nos homens o demónio se aloja preferencialmente no anus de cada um. O que levou de imediato certas pessoas a interrogar-se com fina ironia-e-malícia onde é que o bispo de Bragança-Miranda, auto-promovido a Exorcista-mor cá do reino, quer meter as suas sagradas mãos episcopais.

Falar de pessoas mentalmente perturbadas que hoje estão a recorrer mais aos exorcismos dos clérigos raia o absurdo. Revela que nem o próprio bispo se apercebe que os principais responsáveis por esse aumento são precisamente os clérigos católicos e os pastores de igrejas, com faro para o negócio e para a promoção-culto do Medo. Porque só populações mentalmente possessas de Medo dos deuses (= demónios) são capazes de rastejar em tudo quanto é sítio. De preferência, nos grandes santuários e nos grandes palácios do Poder. Quo vadis, Bispo D. José Cordeiro?

CLÉRIGOS

CASTIGÁ-LOS OU EXTINGUI-LOS?!

Os abusos dos clérigos são mais do que muitos. E não só a pedofilia. A simples existência de clérigos, só por si, é uma agressão e um insulto aos próprios, enquanto filhos de mulher. Ninguém nasce clérigo. Como ninguém nasce cristão, católico, protestante, islâmico. Nascemos humanos. E de mulher. Dentro do Sistema de poder que é intrinsecamente mau. Religioso ou laico, tanto faz. Criado e organizado só para matar, roubar, destruir, mentir, corromper, perverter. Todas, todos nascemos no Sistema. Não para sermos dele, sim para acabarmos de vez com ele. Só que, mal nascemos, somos logo “apanhados” por ele e educados-estimulados a fazermos tudo por tudo para lhe cairmos em graça e integrarmos as várias minorias que o servem. Quando tal acontece, somos até capazes de dar a própria vida por ele. Sem nunca percebermos que deixamos de ser filhas, filhos de mulher e passamos a ser filhas, filhos do Sistema. Incondicionais servidores seus, num dos múltiplos lugares de que ele dispõe e dá a quem lhe aprouver. Na condição de ser um incondicional seu.

Entre os muitos filhos do Sistema de poder, os clérigos foram nos séculos da Cristandade os mais influentes. Hoje, são cada vez mais substituídos por clérigos laicos-ateus colocados à frente dos grandes grupos financeiros, grandes bancos e grandes Estados. Sempre com uma constante: organizados em pirâmide. A horizontalidade é específica dos Seres Humanos religados uns aos outros e ao Cosmos. A verticalidade é específica do Sistema de poder. No topo dos topos da pirâmide, está sempre (um conceito de) deus-demónio que tudo justifica. O pai do Sistema de poder que, como já sublinhei, é intrinsecamente mau. Na linguagem mítico-cultural dos povos, recebeu o nome de deus e/ou satanás. Este último, precisamente, o nome que Jesus, o filho de Maria, não do Sistema de poder, chama a Simão, filho ou discípulo de João, quando ele se lhe coloca na frente, a tentar impedi-lo, no início do ano 30, de subir a Jerusalém, determinado a desmascarar o Sistema de poder, como o pai do Mal, em vez de determinado a tomar o poder. 'Vai-te da minha frente, Satanás, porque os teus pensamentos não são os de Deus, mas os dos homens do Sistema de poder' (Mc 8, 33). Isto, depois de, tempos antes, ter começado por o cognominar de Cefas-Pedra-Pedro. No registo de Marcos (3, 16), esta mudança de nome de Simão para Pedro, acontece quando Jesus decide constituir o grupo do Doze Enviados. No registo de João (1, 42), sucede logo no momento em que Simão é apresentado a Jesus por André, seu irmão.

Ao reclamarem-se “'sucessores dos Doze”, os clérigos-bispos separam-se definitivamente dos seres humanos e constituem-se agentes-mor do Sistema de poder, no caso, sacerdotal-eclesiástico. São clérigos de proa, ainda que sob o controlo do bispo de Roma, o papa. Servidos por outros clérigos-sacerdotes, quase todos párocos. Corrompidos-que-corrompem, já que é da natureza do Sistema de poder corromper. E se absoluto-infalível, corrompe absolutamente. As populações não enxergam tamanha monstruosidade, porque o Sistema de poder sempre lhes apresenta os clérigos como exemplos de dedicação e de entrega. Inclusive, celibatários por imposição de uma lei eclesiástica, já de séculos. Pretender que destes desviados do Humano saiam frutos bons é como pretender colher uvas dos espinheiros e figos dos abrolhos. Tudo o que eles tocam fica inquinado-envenenado. Só não vemos, porque somos levados a confundir a realidade com a máscara que lhes serve de rosto.

O pior de todos os clérigos-bispos é o de Roma. Reclama-se demencialmente 'sucessor de Pedro-Satanás'. Seja qual for o nome com que se mascare, é sempre Satanás, no sábio e lúcido dizer de Jesus, o filho de Maria. Tudo o que faz e diz é Mal, ainda que pareça que é Bem. A esta espécie de 'demónios' - clérigos eclesiásticos ou laicos-ateus - não basta castigá-los por todo o Mal que fazem aos povos. Urge extingui-los. Para sermos, finalmente, comunidades de seres humanos religados uns aos outros e ao Cosmos.

Edição 139, Junho 2018

Fátima S.A. segundo o Pe. José Tolentino Mendonça

'O LUGAR DA LENTIDÃO E DO INÚTIL'

Quando eu próprio já pensava que estava tudo dito sobre a mentira e o crime que são Fátima I (1917-1930) e Fátima 2 (a das “memórias da irmã Lúcia”, 1935-até aos nossos dias), com cem anos de disparates de toda a ordem, de lavagem de dinheiro sujo e humilhações sobre humilhações; de joelhos esfarrapados e de velas compradas-queimadas-recicladas, de novo compradas-queimadas-recicladas; de milhões e milhões de euro isentos de impostos que ninguém sabe o que é feito de grande parte deles; de auto-flagelações populares provocadas por ancestrais medos e culpas de pecados que as populações mais empobrecidas e fragilizadas nunca cometeram e dos quais são, até, as suas maiores vítimas, eis que chega, por fim, o padre poeta José Tolentino Mendonça a ensinar, na sua qualidade de vice-reitor da Universidade Católica Portuguesa, que o Santuário de Fátima S.A., o lugar de turismo religioso mais visitado do mundo, logo a seguir à Basílica do satânico S. Pedro em Roma (cf. Marcos 8,32-33). é “o lugar da lentidão e do inútil”. Profere esta enormidade poético-cristã no decurso de um evento pomposamente chamado “Simpósio Teológico-Pastoral” recém-realizado no Auditório Paulo VI, propriedade daquela multinacional católica.

Os grandes media portugueses não quiseram saber desse Simpósio para nada, nem sequer para o poderem criticar. Se há coisa que os grandes media não querem, é criar conflitos com a igreja católica, até porque a Concordata de Salazar (1940) obriga ao respeito entre os Estados que a assinaram e mantêm em vigor. Não procede assim a Agéncia Ecclesia, criada pelos bispos católicos precisamente para colmatar essas propositadas falhas dos media. E, embora a Agência tenha deixado de enviar para o meu correio electrónico de presbítero-jornalista a informação das principais notícias de cada dia, nem por isso deixo de manter-me atento ao que ela divulga, sem que os seus responsáveis tenham como impedir o meu acesso ao respectivo site. Sei perfeitamente que são conteúdos eclesiásticos coisa-nenhuma, por isso, sem qualquer interesse para o dia a dia dos povos do país e do mundo, mas faço questão de manter-me a par do que dizem-fazem os principais clérigos e paraclérigos católicos e suas igrejas satélites.

Depois que o papa Francisco convidou Tolentino Mendonça para pregar o retiro da quaresma, e ele passou 5 dias no Vaticano a falar – vejam só! – sobre o valor poético e cristão da “Sede”, é mais do que óbvio que deixou de ser um padre poeta qualquer, para passar ser um padre poeta superstar. E, verdade seja dita, o próprio tem sabido tirar proveito disso como ninguém. Esta sua prestação teológico-pastoral no Simpósio promovido pelo Santuário de Fátima S.A. é mais um contributo poético e cristão que ele habilmente dá para uma carreira eclesiástica fulgurante. E não é que José Tolentino Mendonça acaba de ser inesperadamente nomeado pelo papa Francisco para arquivista e bibliotecário da santa sé, um cargo que implica a sua elevação a arcebispo titular de Suava, uma antiga diocese mais do que extinta no norte de África?! Até a CEP, apanhada de surpresa, está boquiaberta e sem fala. Só que tudo isto representa o definitivo assassinato do ser humano José Tolentino Mendonça e a afirmação, nele, do mítico divino. Uma satânica transubstanciação em que o cristianismo é perito, dentro do qual, por isso, não há salvação.

Aliás, só mesmo por José Tolentino Mendonça ser cada vez mais mais mítico divino do que ser humano, é que consegue ver na multinacional Fátima S.A. “o lugar da lentidão e do inútil”. Sem nunca, na sua cegueira clerical privilegiada, poder perceber que as multidões que para lá peregrinam, como eternos pagadores de promessas, são as mesmas que, entre uma peregrinação e outra, vêem-se condenadas a ter de recorrer aos humilhantes cabazes do Banco Alimentar contra a Fome, das Misericórdias, das IPPS e dos Centros Sociais Paroquiais. Cujos gestores passam por benfeitores, quando estão criminosamente a enriquecer à custa da sua imerecida pobreza. O que há de mais imperdoável!

Ordenado diácono “em ordem ao sacerdócio”

SACERDOTE OU PRESBÍTERO, D. JOSÉ CORDEIRO?

A vítima deste anunciado assassinato eclesiástico incruento é um jovem de 24 anos. De seu nome completo, Jorge Miguel Afonso Pinto. A sua ordenação de diácono “em ordem ao sacerdócio” só é notícia, porque o que, outrora, nos terríveis séculos da Cristandade, era encarado como uma saída para os filhos de famílias numerosas e empobrecidas do interior, hoje, terceiro milénio, é de todo anormal e são muito poucos os que enveredam por esse caminho. Quase sempre por ingenuidade. Ilustrada que se diga, mas ingenuidade. São poucos os que hoje caem neste engodo e menos ainda os que nele persistem. Pelo que temos de nos interrogar: O que leva um jovem de 24 anos a aceitar ser reduzido a clérigo-funcionário do religioso-eclesiástico, quando o enveredar por este caminho equivale a ser assassinado como ser humano, filho de mulher, para acabar como um dos mais perigosos filhos do Poder, ao modo do próprio D. José Cordeiro?

Ninguém nasce para ser sacerdote, clérigo, separado dos demais. Como ninguém nasce para ser Poder, por mais sedutor que este se nos apresente e mentirosamente nos diga que tudo nos dará, se, prostrados, o adorarmos. Nascemos de mulher para sermos e crescermos de dentro para fora em sabedoria, religados uns aos outros, cada vez mais peritos na Arte de Cuidarmos uns dos outros e do cosmos, com destaque para o planeta Terra, nossa casa comum. Este é, deverá ser, o primeiro princípio de todos os primeiros princípios que, como tais, não carecem de ser provados. Só não é assim, porque, logo no começo da Humanidade, minorias espertalhonas o negam-assassinam em proveito próprio e, desde então, têm-se mantido, impunemente, como guias e messias dos demais. No início, auto-designam-se sacerdotes e assim se mantêm séculos e séculos. Neste que é o tempo do Secular, estão em franco declínio. Não as minorias espertalhonas, mas as designações “sacerdote” ou “pastor”. Que aquelas nunca o foram tanto como hoje. Só elas são. Tudo e todos os mais não passam de paisagem.

Acontece que o bispo da diocese de Bragança-Miranda sabe-a toda no que toca a manipular, conduzir e dominar as mentes-consciências das populações que residem no território. Ao contrário de Jesus, o do Evangelho de João, D. José Cordeiro está aí a mudar sistematicamente o vinho em água, entenda-se a corromper quantos vão-dizem com ele. O que o move é o oposto do que move Jesus Nazaré, o filho de Maria. É, porventura, o bispo residencial mais mafioso, nestes nossos dias, em Portugal. Tem a escola toda do Estado do Vaticano que, por sua vez, tem a escola toda do império romano. As máscaras que usa são as mesmas dos cardeais da Cúria romana, à beira dos quais o de Lisboa, é quase um cordeiro eclesiástico. Avança sobre toda a folha, quero-posso-e-mando, sempre lá do alto do seu trono, com as populações como figurantes e escabelo dos seus pés. Que o digam as vítimas das suas ambições, já de olhos abertos. Importa que estas falem, já que verdade não é para ser proclamada aos povos.

Ao jovem de 24 anos, que vai ser ordenado diácono para depois ser sacerdote, em lugar de Presbítero, como reza o próprio Ritual da ordenação, “Presbiterorum Ordo” (Ordem dos Presbíteros), um ministério ou serviço totalmente secular a favor de toda a Humanidade, não de nenhuma corporação, a pior das quais é a igreja católica romana, sugiro-lhe daqui que procure o Pe. Hérmino, hoje cego, em consequência da diabetes e outros graves problemas de saúde. Meu caro, vai ao encontro dele e escuta a sua história de vida, com destaque para estes anos com D. José Cordeiro ao comando da diocese. Ficas a conhecer o que, nos teus 24 anos anos, nem te passa pela cabeça. Sabe – permite-me que to lembre – que a Fé e a Teologia de Jesus chamam-nos a Cuidarmos uns dos outros e da Terra, não dos templos nem dos altares, todos covis de ladrões, no dizer do próprio Jesus. Escuta-o e depois decide com o que te ditar a consciência.

Paredes de Viadores. E já lá vão 50 anos!

O MEU PRIMEIRO AMOR PAROQUIAL

O meu primeiro amor paroquial que poderia ter sido para toda a vida dura apenas 14 meses. Até ao dia em que o administrador apostólico da diocese do Porto. D. Florentino de Andrade e Silva, o mesmo que em 1968 – e vão 50 anos! – me nomeia pároco de Paredes de Viadores, Marco de Canaveses, me dá apenas 24 horas para abandonar de vez aquela missão pastoral. Uma decisão com tudo de cruel, mas que conta com a cobertura do Código de Direito Canónico, inspirado, como se sabe, no do antigo império romano. Um Código que tem o terrível condão de converter os seres humanos, nascidos de mulher, que o reconhecem, em clérigos. Uma elite no topo – os bispos titulares de cada diocese e respectivos párocos, todos homens, e homens celibatários, nenhuma mulher – e milhões e milhões de outros em paraclérigos na base, os chamados leigos, aqui sim, mais mulheres do que homens. Uma enormidade absolutamente intolerável que entra terceiro milénio adiante, só porque sempre se apresenta como o que há de melhor à face a Terra, quando é o que há de pior.

A minha inesperada nomeação para pároco de Paredes de Viadores acontece semanas depois de me ver expulso de capelão militar, em consequência de um conluio entre o bispo castrense, D. António dos Reis Rodrigues e o Quartel General do Exército. Já a minha exoneração de pároco resulta de um decreto de exoneração que não me foi entregue, apenas lido presencialmente pelo Vigário da Vara da altura e que não consta no espólio da Cúria da diocese do Porto. Nesse espólio, apenas constará uma Carta que o bispo castrense me garante ter escrito e enviado ao administrador apostólico, na qual me classifica de “padre irrecuperável”. No ideológico entender dele, o pior que se pode dizer de um padre. No meu, de Presbítero-menino que tudo dá de graça, o que de melhor se pode dizer de alguém que nem sequer o Sistema eclesiástico consegue corromper, já que me mantenho fiel, vida fora, à minha matriz original de filho de Ti Maria do Grilo, jornaleira, padre pobre por opção e no celibato também por opção livre e alegre.

Uma Caminhada, realizada domingo 10 de Junho 2018, a primeira organizada na freguesia de Paredes de Viadores, hoje alargada a Manhuncelos, leva-me até lá com mais companheiras, companheiros da ACR FORMIGAS DE MACIEIRA-BARRACÃO DE CULTURA. São quase três horas, sob leve chuva, por caminhos e carreiros nunca andados nem por mim nem pela maior parte da população lá residente. Piso aquele chão num misto de emoção, alegria, júbilo, canto interior e, sobretudo, muita escuta. Os 14 meses que há 50 anos vivo lá, mais nas casas e nos campos então duramente trabalhados pelos caseiros da Fidalga residente na Casa de igreja, do que no templo e na residência paroquiais, acompanham-me nesta Caminhada sem qualquer solução de continuidade. Deste modo, aquele chão e o seu povo voltam a sentir o meu calor e a receber de forma mais palpável o meu Sopro de Presbítero-menino, agora, já com 81 anos de idade e alguns meses.

Após o almoço compartilhado ao modo de grande Comensalidade, num parque gerido pela Junta, é-me dada a palavra para apresentar o meu Livro 48, EVANGELHO NO PRETÓRIO. Emocionam-se, quando lhes digo que o meu primeiro Livro – EVANGELIZAR OS POBRES – publicado em 1969, sucessivas edições e hoje esgotadíssimo, é todo escrito lá durante aqueles 14 meses. Contém os textos de todas as homilias dominicais que lá escuto-escrevo-anuncio. A prova provada, por um lado, da minha séria dedicação-entrega presbiteral, e, por outro lado, do cinismo e da hipocrisia do Sistema eclesiástico católico romano e todos os outros, conluiados entre si, os maiores corruptos e corruptores dos seres humanos e dos povos que demencialmente lhes dizem amen e os servem, em em vez de serem orgânicos com as populações condenadas à miséria-pobreza imposta.

P.S.

Para melhor poderem perceber os mecanismos que o sistema eclesiástico utiliza para tentar corromper, quase sempre com sucesso, os seres humanos, em especial aqueles que um dia ordena presbíteros, têm mesmo de ler o meu Livro aqui referido, EVANGELHO NO PRETÓRIO, Uma Espécie de Autobiografia com Humor e Amor, Seda Publicações 2018. Caso o não encontrem, poderei enviá-lo por correio postal. Só preciso de saber o endereço postal.

A força libertadora e reveladora de 1 twitter

QUE DIRÁ JERÓNIMO DE SOUSA, MEU AMIGO E IRMÃO?

Depois do rasgado elogio ao “humanismo” do PCP que o novo cardeal, D. António Marto, faz na entrevista ao Expresso, por o Partido ter votado NÃO ao lado do CDS aos projectos-Lei de despenalização da eutanásia, quando, há anos, votou SIM à Lei de despenalização do aborto, hoje pacificamente em vigor no nosso país, achei por bem referir o facto ao meu jeito, sempre com Humor e Amor, no twitter que escrevo cada manhã. Saiu-me assim: "Quando até o banqueiro de FÁTIMA $.A. e agora cardeal D. António Marto elogia o PCP pelo seu NÃO à Lei de despenalização da eutanásia, deveria tocar a rebate no partido de Jerónimo de Sousa. Aparentemente opostos são afinal irmãos. A Cúria romana de um é o Comité central do outro."

Imaginava que poderia surpreender, despertar até um complacente sorriso nos lábios de muitos, mas nunca que um tão simples twitter desencadearia uma chuva de comentários, insultos e enorme debandada de “amigos” Fb, definitivamente decepcionados comigo. Aqui d'el rei – salvo seja! – que eu não podia comparar o Comité Central do PCP à Cúria romana que manda no cardeal banqueiro da diocese de Leiria-Fátima. Não podia? Mas então não é público e notório que, desde 1962, quando sou ordenado presbítero da igreja ao serviço da Humanidade, sempre tenho praticado o meu direito à liberdade de expressão, inclusive nos tenebrosos tempos da ditadura salazarista e sua censura e do Index da igreja católica romana? Pago caro, mas jamais abdico de praticar a liberdade, também a de expressão, sob pena de deixar de ser Eu-sou para ser coisa, pau-mandado.

Esta facto fez-me viajar até aos anos 1970-71 e 1973-74, quando, como pároco de Macieira da Lixa, sou preso político duas vezes em Caxias. Depois de um tempo de isolamento, sou finalmente colocado numa cela com mais 7 ou 8 companheiros e digo-lhes à entrada que sou o padre Mário. Constato que todos me olham de soslaio e quase não me falam. São comunistas ou dissidentes ainda mais à esquerda do PCP, então na clandestinidade. Aos olhos ideológicos deles, eu, como padre, só podia ser um “infiltrado” ao serviço da Pide. Foram momentos tensos de solidão e de ostracismo até à hora das visitas, no dia seguinte, quando eles regressam eufóricos e me abraçam efusivamente, ao mesmo tempo que me pedem desculpa pelo ostracismo a que me votaram. Os familiares sossegaram-nos, ao dizer-lhes que eu, padre e pároco de Macieira da Lixa, era politicamente mais perigoso para o regime fascista do que qualquer um deles. Porque padre pobre por opção, por isso, livre, pároco por nomeação episcopal, mas com um viver todo de anti-pároco, incondicionalmente ao serviço da Humanidade, a partir dos mais pobres, das vítimas, dos Ninguém. No sistema, mas sem ser do sistema. Por isso muito mais radical do que eles. E tudo, não em nome de uma Ideologia, como a maior parte deles, mas por fidelidade ao Evangelho-Projecto político de Jesus que pratico-anuncio.

Semanas depois, num dos muitos debates políticos que fazíamos na cela, deparo com espanto no sistemático dogmatismo ideológico de uns contra outros que chega quase a vias de facto. Na minha simplicidade de presbítero menino digo-lhes que essa postura deles me fazia lembrar o dogmatismo dos clérigos católicos fiéis à Cúria romana e ao Código de Direito Canónico. O que eu fui dizer! A cela quase vinha abaixo com o trovejar das palavras de todos contra mim. Embora só, não retirei o que disse e são eles que acabam por reconhecer que tenho razão. Nunca lhes tinha passado pela cabeça, mas na verdade o dogmatismo partidário é em tudo igual ao dos clérigos de topo, porque todo o Poder ou candidato ao Poder é dogmático e unívoco. Quem dissente é excluído. A paz volta então a reinar na cela. E, poucos dias depois do 25 de Abril 74, é uma parte do PCP ainda clandestino que chega a sondar-me para o integrar, o que recuso em nome da universalidade do meu ministério presbiteral. Compreenderam. E passam até a olhar-me como um ”amigo do Partido”. Tanto que, por várias vezes tive entrada gratuita em Festas do Avante, para participar com livros meus em sessões de autógrafos na respectiva Feira do Livro. E numa dessas vezes, vi-me ao lado de José Saramago, já Nobel da Literatura, e do meu amigo Urbano Tavares Rodrigues.

Mas só agora me dei conta da Força libertadora e reveladora que pode ter 1 simples twitter. Como um sinal vivo de contradição que procuro ser, o que faço, digo, escrevo, revela os pensamentos escondidos de muitos. E, por vezes, é muito feio, até inumano, o que revela. Pergunto: Que dirá a tudo isto Jerónimo de Sousa, meu amigo e irmão?!

Dia mundial da criança

PORQUE, SENHORES, DAIS ÀS CRIANÇAS TANTAS DORES?!

Existe cada ano o dia mundial da criança, mas a criança não existe. Existem crianças, aos milhões em cada continente, milhares de milhões no planeta terra. A maioria delas, filhas de Ninguém. Elas próprias, Ninguém. Logo apanhadas e formatadas pelo Poder financeiro, o pai dos outros dois, o religioso-eclesiástico e o político. Depressa, carne para canhão, raptadas, vendidas para a prostituição e assassinadas para o Mercado de tráfico de órgãos. Mão de obra barata, milhões e milhões delas condenadas a ter de trabalhar por conta de outrem, quando deveriam brincar e crescer como crescem as árvores.

Hoje, quase já não há crianças a crescer de dentro para fora em sabedoria e em religação aos demais seres humanos e à natureza, como de Jesus, o filho de Maria, se diz que cresce. Mais do que filhas, filhos dos seus pais, as crianças são filhas do Mercado, o criador do dia mundial da criança. Odeia-as e a prova é que até cria o dia mundial da criança só para mais eficazmente as matar. Infiltra-se nas suas mentes e formata-as à sua imagem e semelhança, para que sejam exclusivamente dele e o sirvam. E, para cúmulo, ainda conta neste seu infanticídio com a entusiástica colaboração dos pais biológicos, avós, avôs, tias, tios e amigas, amigos da família. Empanturram-nas com prendas de todo o tipo, sem perceberem que,com isso, destroem a sua imensa capacidade de criar e toda a relação com os demais, com a natureza, numa palavra, com o real. As gerações destes últimos 5-10 anos desconhecem quase por completo a realidade real. Conhecem apenas a realidade virtual. São órfãos de mãe e de pai. E, para cúmulo. filhas, filhos únicos, com uma variada gama de jogos electrónicos, em vez de irmãos.

Os três poderes como um só apoderam-se, quase ao nascer, das suas mentes e formatam-nas como melhor lhes convém, a pretexto de que estão a formá-las e a prepará-las para a vida. Estão a prepará-las para o Mercado. Infantários, escolas do básico e do secundário, universidades, catequeses cristãs e religiosas, tudo está aí hoje a difundir-impor de fora para dentro a ideologia-teologia dos três poderes. E os pais ainda pagam e ficam, até, muito orgulhosos, quando, mais tarde, a sua filha, o seu filho é distinguido por algum desses poderes e colocado num lugar de destaque, ao exclusivo serviço dos seus interesses, que não dos interesses e anseios dos seres humanos e dos povos. E a verdade é que todos, elas e eles, acabam uns estranhos para os próprios pais. Porque filhas, filhos do Poder nos três poderes, mais do que filhas, filhos deles.

Também o crime da pedofilia prossegue aí de vento em popa e impune. Fala-se muito da pedofilia dos clérigos e com razão. Mas não é a única. Fosse, e estaria hoje em vias de acabar, porque as crianças terceiro milénio já são na sua maioria pós-cristãs e pós-religiosas. O que deveria constituir um passo qualitativo em frente. Não constitui. Porque, em seu lugar, cresce a religião secular e laica que cultua o deus Dinheiro. E as crianças terceiro milénio é o único deus que conhecem e cultuam. Sem nenhum lugar para os outros-como-nós e para a Arte de Cuidar da vida e do planeta. É quase só para o culto do deus Dinheiro que as mães, os pais de hoje dão à luz filhas, filhos. Entregam-nos de imediato ao deus Dinheiro. A pior das pedofilias. Sistematicamente violados por ele, mentiroso e pai de mentira, ladrão e assassino, genocida e ecocida. Acabam por isso iguais a ele: sem afectos, sem ternura, sem mãos, sem pés, sem olhos para os demais. Uns robots de carne e osso, carregados de inteligência artificial, (quase) nenhuma cordial.

As crianças que, dois mil anos depois de Jesus, continuamos a chamar à vida deveriam crescer como ele em idade, sabedoria e religação a todos os demais seres. E, quando adultos, deveriam ser outros Jesus, séc. XXI. Não é o que se vê. Porque o cristianismo financeiro, ladrão e assassino, só lhes garante solidão, abandono e dores, muitas dores.

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Edição 138, Maio 2018

Quem ainda diz que o papa Francisco é diferente?

DO BANQUEIRO DE FÁTIMA, ELE O FEZ CARDEAL!

Um ano depois do centenário das “aparições” de Fátima, o papa Francisco que por então se pavoneou sobre aquele chão encharcado de idolatria e de gente humilhada, houve por bem nomear cardeal de Fátima $.A. o respectivo banqueiro, bispo D. António Marto. O papa sabe que Fátima é hoje o local mais preferido da multinacional Turismo Religioso mundial, logo a seguir ao Vaticano, que é o primeiro. Só que esta sua nomeação vem pôr ainda mais a nu o que verdadeiramente é a igreja católica romana e o que são os seus clérigos celibatários. O Dinheiro é o deus dela e deles. E por um e por outra, os clérigos estão prontos a sacrificar a própria vida. São, no lúcido e sábio dizer de Jesus, “eunucos que o Poder faz tais”. Nascem de mulher, mas depressa acabam filhos do Poder. Um exército de espinheiros em forma humana que só produzem espinhos e abrolhos. Como tal, incapazes de alimentarem em qualidade e em quantidade a Vida. Uma vez que até a sua caridadezinha mata quantas, quantos aceitarem comer desse seu pão-veneno.

Desde que se vê bispo, o clérigo António Marto, oriundo de Chaves, sonha cada vez mais alto. Começa por auxiliar de Braga, até ser nomeado titular de Viseu. Coisa pouca, para tanta ambição. Mete-se então a escrever-publicar uns textos sobre Maria, não a mãe de Jesus, mulher de carne e osso como todas as mães humanas, mas a mítica “virgem maria” do Credo de Niceia-Constantinopla. Sem esquecer, de passagem, a “virgem de fátima”, assim em minúsculas. Os textos são postos a circular pelas dioceses e até pela Universidade Católica onde, antes de ser bispo, chega a ser professor. Resultado: dois anos depois de ser titular de Viseu, o papa de então entrega-lhe de bandeja a diocese de Leiria-Fátima. Um bispo que tece loas à mítica “virgem maria”, é também capaz de tornar-se no grande banqueiro de Fátima. Fica agora mais do que provado que Bento XVI, o teólogo alemão que, uma vez cardeal e papa, matou a Lumen Gentium não se enganou. Com a sua gestão, o Banco FÁTIMA $.A. vai de vento em popa, como o centenário das “aparições” de 1917 veio provar. “Conseguiste”, diz-lhe o papa Francisco, à despedida. A recompensa chega agora. Perante isto, quem ainda diz que o papa Francisco é diferente?

D. António Marto que antes já levitava sobre aquele chão de ouro, corre agora o risco, como cardeal de Fátima, de rebentar de vaidade. Confessa que chorou, ao saber do facto. Chorasse de vergonha, e ainda poderia regressar a filho de mulher e crescer de dentro para fora em humano. Mas não. As suas, são lágrimas de satisfação. É o cardeal português mais famoso do mundo que bate de longe o de Lisboa, que quase ninguém conhece. Para cúmulo, uns restos de ética que ainda permanecem na sua consciência não o deixam ser frio ou quente. É assim como uma lesma, morno, nem frio nem quente. Erudito, inclusive, Prémio Pessoa 2009, mas um quotidiano de apagada e vil tristeza.

Quem rejubila com este novo cardeal português são os chefes máximos dos chamados Órgãos de Soberania, com destaque para o catolicão Marcelo, Presidente da República e o ateu António Costa, Chefe do Governo. Eles bem sabem que o Estado português é laico, por força da Constituição. Mas sabem também que, desde 1940, existe uma Concordata entre os dois Estados, o do Vaticano e o de Portugal. E que esta se sobrepõe àquela. É por isso que os dois, mais os restantes membros dos órgãos de soberania, deputados e juízes, andam sempre com os bispos e os párocos nas palminhas das mãos.

Quem fica a olhar para tudo isto como boi para um palácio são os milhões de cidadãos do país, elas e eles, crentes e ateus tanto faz, porque todos adoradores – as excepções, se as houver, só confirmam a regra – do deus Dinheiro, por isso, a sonharem ser cardeais, se não no eclesiástico, no secular-laico. E se banqueiros como o agora cardeal de Fátima, D. António Marto, tanto melhor. Valha-nos o papa argentino são francisco!...

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A despenalização da eutanásia e a hierarquia católica

É LÍCITO MATAR UM SALUTAR DEBATE COM SLOGANS ?

O debate sempre salutar, quando realizado com honestidade intelectual, sobre a despenalização da eutanásia está na ordem do dia. Pela mão dos partidos políticos com assento parlamentar. Só que a mais do que previsível entrada de rompante no debate por parte da hierarquia católica e de alguns leigos católicos ricos levanta uma outra questão, qual é a de saber se é lícito matar um salutar debate como este com slogans, como ela e eles, em coro, estão a fazer por estes dias. Perante o que nos é dado ler, ver e ouvir, tenho que afirmar aqui que semelhante postura eclesiástica é moral e eticamente insustentável, embora rotineira nos países onde a igreja católica de Roma é estatisticamente maioritária, como é o caso de Portugal. Escrevo, Estatisticamente maioritária, já que, na prática de todos os dias, a esmagadora maioria da população portuguesa é o que com propriedade se pode chamar católica agnóstica ou ateia, uma espécie de pesado lastro sócio-cultural rasca que impede a sociedade de se desenvolver de dentro para fora em humano relacional, até se assumir e aos seus destinos com a saudável maturidade que só mesmo a liberdade promove, garante e alimenta.

Felizmente, a maioria dos deputados da AR já não respira os necrófilos ambientes das sacristias e dos templos, espaços de crime mental organizado, onde as populações, nos séculos de Cristandade, conheceram e ainda conhecem sucessivas lavagens ao cérebro, via baptismo imposto pouco depois de se nascer, catequeses e missas de crianças, de jovens e de famílias, totalmente despojadas de ciência e de bom-senso, de estética e de ética. Tudo nesse universo clerical e eclesiástico está exclusivamente em função de um conceito de deus distante dos seres humanos, intermediado pelos respectivos clérigos e sacerdotes, numa cadeia de poder onde não cabem os seres humanos com voz e vez, tratados todos como menores, eternos pagadores de promessas e portadores de endémicos medos que remontam aos primórdios da Humanidade.

Despenalizar a eutanásia. O objectivo da Lei em debate que se deseja ver aprovada e promulgada é extraordinariamente humanizador, já que se apresenta enriquecido de múltiplos dados científicos, os grandes aliados da Fé de Jesus, a única que nos dignifica, pois nos potencia, de dentro para fora, para vivermos na história como se Deus não existisse. O mesmo é dizer, Tudo o que tem a ver com o ser-viver humano na história é da nossa inteira e exclusiva responsabilidade. Pelo que invocar deus, por tudo e por nada, como faz por exemplo o papa Francisco nos seus twitter diários é ofender-nos a nós próprios e uns aos outros. Também no relacionado com a despenalização da eutanásia. Como já sucedeu, há não muitos anos, com a despenalização do aborto.

Uma coisa fica clara em todos os projectos que estão para debate na AR: a Lei que, no final, vier a ser aprovada por maioria não permite, muito menos manda matar as pessoas doentes em fase terminal, como sugerem os milhares de panfletos-slogans católicos espalhados pelo país. De resto, a decisão de recorrer à chamada morte assistida cabe exclusivamente a cada pessoa doente em fase terminal. Não se trata, obviamente, de uma lei fomentadora do suicídio. O que se pretende é que os clínicos que, a pedido da pessoa doente em fase terminal e clinicamente irreversível, se disponham a ajudá-la a bem morrer, não venham a ser depois penalizados pelos tribunais.

Entretanto, toda a nossa prática política há-de visar bons viveres históricos para todos, de modo que sejam viveres de qualidade e em abundância. Porque a dor e o sofrimento são sempre males a combater. E quando há bons viveres, morrer é tão natural como nascer, já que da arte de bem viver brota, como fruto maduro, a arte de bem morrer. Por isso, canto: E a Morte quando chegar /é bem-vinda. Sou Rio que chega ao Mar /Coisa linda!

De Dezembro, passou para Maio

O MERCADO GLOBAL QUER MATAR AS MÃES!

Ainda o Mercado não era global, e o dia 8 de dezembro de cada ano, o da demencial festa católica da “imaculada conceição de maria” que, absurdamente, dá direito a feriado nacional, era simultaneamente o “Dia da Mãe”. Não das mães. Da Mãe. Um mito, mais. Mães, são seres humanos de carne e osso, com os seus quotidianos. Mãe, é puro mito. Sem carne nem sangue. Sem história. De mitos, estão as religiões e as igrejas cristãs cheias. Totalmente vazias de realidade histórica. Por isso, inimigas dos seres humanos.

Desde que se tornou global, o Mercado decidiu transferir o “Dia da Mãe” para maio, primeiro domingo. Distante, por isso, do natal em que ele faz abarrotar de euro os seus estúpidos cofres, com prendas e mais prendas que vende até à náusea. Com o “Dia da Mãe” em maio, o Mercado global pretende acabar de vez com as mães e, com elas, toda a vida humana, ao empanturrá-las com prendas e mais prendas. Acontece que a data escolhida e imposta por ele coincide com a da proximidade do fim do campeonato do seu futebol dos milhões. Pelo que o seu macabro objectivo de matar as mães e a vida humana atinge o paroxismo do perverso, uma vez que com as mães, mata também os milhões de fãs das SADs que em cada ano e país se sagram campeões

Contra toda esta demência cultural e política, escrevi há anos um Texto-Poema que veio a ser publicado, depois, na pouco conhecida Antologia, AURORA DE POETAS, compilada e editada, na altura, em prol do Barracão de Cultura que, hoje, felizmente, já se encontra em plena actividade cultural nesta aldeia de Macieira da Lixa, onde resido por opção. É esse Texto que aqui partilho convosco. Eis.

MÃE

Mãe. São duas as coisas bem difíceis

para uma mãe: Saber desaparecer a

tempo da vida das filhas e dos filhos para

se poder manter mulher a vida toda; e ter

a audácia de passar de mãe a discípula

dos filhos e das filhas para poder viver o

seu Hoje sob o fecundo sopro do Amanhã.


Também tive mãe. Ti Maria do Grilo nunca

frequentou a escola mas quis que os seus

três filhos a frequentássemos. E fôssemos

de olhos bem abertos. Cultos e sobretudo

sábios. Ela sabia que só os sábios como

Jesus poderão manter-se pobres a vida

inteira e tornar-se um dom para os demais.


Cresci à sombra dela até aos 13 anos e

aprendi da sua pobreza a ser autónomo e

senhor do meu próprio destino como se ela

não existisse. E quando me tornei presbítero

da Igreja do Porto tive a alegria de a ver seguir

o caminho libertador que o Sopro de Jesus

em mim me tem levado a abrir na História.


De mãe que era passou depressa a minha

irmã mais velha e a companheira de jornada.

Nunca a vi interferir no meu viver de homem-

-para-os-demais nem nos inevitáveis conflitos

daí decorrentes. E quando os sinistros agentes

da Pide me prenderam e levaram ao Plenário

do Porto logo ela me seguiu em dor e alegria.


A Missão de Evangelizar os pobres em que

um dia fui investido como presbítero da Igreja

levou-me a viver quase sempre longe do seu

quotidiano. Nunca da sua boca ouvi um reparo

ou repreensão. Tudo compreendia e guardava

no seu coração. Para isso havia sido a minha

mãe. Para me perder e encontrar nos demais.


A notícia da sua agonia alcançou-me em

plena Missão. Era a hora dela partir deste

mundo para o Pai/Mãe em quem todas/todos

somos. A Paz cresceu misteriosamente em

mim. Voei até junto à cabeceira do seu leito.

Desfiz-me em gestos e palavras de ternura e

gratidão. E comunguei o seu Sopro de Mulher.


As lágrimas correram-me espontâneas pela

face. Lágrimas de Paz e de Eucaristia. Havia

aprendido com ela que viver é descer até nos

tornarmos a alavanca em que os últimos dos

últimos se poderão apoiar para chegarem a ser

alguém. E tornarmo-nos Pão e Vinho que dêem

corpo a mulheres/homens livres para a liberdade.


Não esperem ver-me neste dia tecer loas

à mãe de Jesus, o de Nazaré. Com ele aprendi

que a grandeza dela não esteve em ter sido a

sua mãe carnal. Nunca Maria, a de Jesus foi tão

grande como quando se fez discípula do filho e

com ele foi capaz de passar do Testamento da Lei

para o do Vento. Porque só o Vento nos faz livres.

Tudo o que é politicamente decisivo para os povos passa-lhes ao lado

COM QUE SE OCUPAM OS BISPOS CATÓLICOS?

Chega a meter dó, quando abrimos a agência Ecclesia e vemos os títulos das notícias que nos remetem para as principais actividades dos bispos, a começar pelo de Roma, o papa Francisco. De cada vez que o faço, por dever de ofício, cai-me o coração aos pés. A julgar pelos títulos das notícias, os bispos da igreja são os mais frustrados dos filhos de mulher. Vivem na história, mas é como se não vivessem. Tudo o que é politicamente decisivo para os povos de cada uma das nações e do mundo no seu todo passa-lhes completamente ao lado. A eles e aos seus clérigos párocos, carregados de paróquias, nenhum tempo para as pessoas, nem sequer para eles próprios; nenhum tempo para a escuta dos sinais dos tempos e da mensagem de que eles andam grávidos; nenhum tempo para o silêncio e para a fecunda contemplação; nenhum tempo para a Ruah ou Sopro de Liberdade que nos faz plena e integralmente humanos, nos antípodas dos funcionários-mercenários que todos eles são.

E quando calha de os bispos serem notícia noutros media é pelas piores razões. Esta semana, por exemplo, o cardeal patriarca de Lisboa e presidente da CEP é notícia, porque vai presidir à mais do que deprimente e alienadora festa do senhor santo cristo dos açores, assim mesmo, em minúsculas, como minúscula é a importância do evento. Onde a única coisa que conta é o escandaloso tesouro em ouro, a contrastar com a pobreza das populações. São tradições populares, eu sei. Mas até a origem desta festa, perdida nos séculos, é uma vergonha, pelo menos para quem hoje já é terceiro milénio. Um bispo como o da igreja que está em Lisboa e, para cúmulo, Presidente da CEP, deveria perturbar-se perante tradições deste jaez. Não canonizá-las. Ninguém é ordenado bispo da igreja movimento de Jesus para alimentar tradições, nomeadamente, quando estas são manifestamente incompatíveis com o Evangelho de Jesus. E se há evento mais incompatível com a Fé, a Teologia e o Evangelho de Jesus, é esta festa do senhor santo cristo dos açores. O culto do ouro. Do dinheiro. Do sofrimento. Da autoflagelação.

Outro bispo que aparece com bastante frequência nas notícias é o de Bragança-Miranda. E sempre pelas piores razões. Tudo em D. José Cordeiro é oco, encenação. A sua formação em Liturgia poderia-deveria fazer dele um despertador junto das populações de Bragança-Miranda para as causas da Cultura, da Arte e também da Escuta das profundas dores, fomes e sedes das maiorias empobrecidas daquele distrito. Mas não é o que se vê. O que mais brilha no bispo que veio de Roma e vive manifestamente casado com os senhores do avental e do poder do distrito, é o ouro com que se apresenta perante os seus súbditos, mascarado de anel, cruz peitoral, báculo, mitra e pesada capa bordada. O que deixa as populações empobrecidas ainda mais ofuscadas e encandeadas, em lugar de olhos da mente abertos e politicamente activas. Semelhante agir episcopal constitui um crime de lesa-humanidade, engana-povos-tira-lhes tudo, até o pouco que têm. Só não vê quem não queira ver.

Pela mesma via está a ir o novo bispo do Porto. Os seus primeiros dias na diocese são de visita às entidades do distrito, numa retribuição dos cumprimentos recebidos no dia da sua entrada solene no Porto. É bem o bispo do Porto. Não o Bispo da igreja movimento de Jesus que está no Porto. Não pensem que são sinónimos. São antónimos. E o mais trágico é que, para o serem, todas estas entidades eclesiásticas, chamadas bispos residenciais, têm de renegar da sua humana condição de filhos de mulher, quando aceitam a função por nomeação papal. A partir daí deixam de ser filhos de mulher, para serem filhos da puta, que são, teologicamente, todos os agentes do Poder. É por isso que o quotidiano dos povos das nações nunca mais lhes interessa. Só o meramente eclesiástico – espaços sagrados, ritos religiosos, missas, rituais, tudo coisa nenhuma!

Edição 137, Abril 2018

O que (não) são Maio 68 e Abril 74?

URGE DESCRUCIFICAR E PROSSEGUIR A REVOLUÇÃO OUTRA DE JESUS

Nem maio 68, nem abril 74 são verdadeiras revoluções. Aos Sistemas de Poder e seus agentes de turno convém chamar-lhes assim, para manterem submissos, sem grandes custos, os seres humanos e os povos. Não há revoluções, por mais que a história escrita pelos respectivos vencedores insista em chamar-lhes assim. Este seu falar é mentira. Com ele enganam e mantêm cativos os povos na injustiça. A verdadeira Revolução acontece uma única vez na história. É desarmada e tem nome de ser humano. O nome do ser humano, filho de mulher, que pela primeira e última vez na história plenamente a pratica e no-la dá a conhecer. Com duas dimensões: antropológica e teológica. É praticada-anunciada por Jesus, o filho de Maria, entre meados do ano 28 e abril do ano 30. E logo crucificada. Por isso, muito dificilmente prosseguida por outros seres humanos.

Todas as revoluções armadas são a negação da verdadeira Revolução. Muito festejadas pelos vencedores e pela multidão dos seus súbditos. O vencedor é o rei, o chefe, o cristo = ungido para exercer o Poder sobre os que o aclamam, lhe obedecem e lhe dão as filhas, os filhos. Até que surja um outro mais poderoso do que ele, o derrube e se faça logo aclamar rei ou chefe. Todo o vencedor é um opressor em potência. Entre um vencedor de turno e o outro que se lhe segue, o Poder sai cada vez mais refinado, enquanto os seres humanos e os povos ficam cada vez mais sem vez e sem voz. Por muito que se se manifestem livremente nas ruas e gritem cobras e lagartos nas praças.

Os seres humanos e os povos do terceiro milénio temos o imperativo ético de deixarmos cair dos olhos das nossas mentes-consciências as escamas ideológicas e teológicas com que o Poder e seus agentes de turno insistem em manter-nos cegos. Sempre somos levados a ver nos vencedores de turno os nossos libertadores. São os nossos novos tiranos, ditadores. Hoje, mascarados de democratas e de bens-fazeres. Como vencedores, roubam-nos a voz e a vez. E aos intelectualmente mais desenvolvidos corrompem-nos com lugares de topo e compram-lhes o silêncio e a cooperação com os privilégios que lhes dão. Acontece que só a base da pirâmide é o único chão que os seres humanos nascidos de mulher pisam e respiram. Quem deixa a base é sempre um traidor. O Poder chama-lhe promoção, porque é intrinsecamente mentiroso e pai de mentira.

Maio 68 e Abril 74 não são mais do que dois exemplos de falsas revoluções. Derrubam muros e ameias, mas não são capazes de prosseguir a Revolução Crucificada de Jesus, o filho de Maria, de resto, de todo desconhecida nas escolas e universidades, quanto mais confessionais, pior. A única com nome de ser humano, o nome daquele que a pratica-anuncia e por isso acaba historicamente crucificado e abandonado por todos. À excepção de algumas mulheres que vêem nele o antípoda do imperador e dos sacerdotes de turno. O único que faz rebentar dentro delas e sair cá para fora tudo o que elas são e têm de melhor, ao ponto delas se tornarem mulheres-para-os-demais-e-com-os-demais, ao modo dos vasos comunicantes, de cada uma, cada um segundo as suas capacidades, a cada uma, cada um segundo as suas necessidades. Sem nenhum tipo de intermediários, porque todas, todos com voz e vez, sujeitos e protagonistas na história.

É por aqui que, desde o meu natal, procuro ser-ir. Na peugada de Jesus, o filho de Maria, a Revolução outra que só se dá a conhecer em seres-viveres clandestinos. Vivo por isso para descrucificar os seres humanos e os povos, meus irmãos. Recuso o Poder e suas mordomias. Recuso sair da base, mesmo que os do Poder me tenham por maldito, louco ou na conta de não-existente. Como canta, acertadamente, o Texto-poema que escutei nos meus 80 anos, Já fui explosão, big-bang / já fui bebé de embalar/ já fui homem, já sou Vento / e também estrela polar / Tenho sol e tenho água / E toda a Terra p'ra Cuidar.

D. Manuel Linda, Bispo do Porto

PELA ARAGEM VÊ-SE QUEM VAI NA CARRUAGEM

O provérbio popular não engana. Como não engana estoutra afirmação, nele inspirada, Pela solene entrada na diocese, vê-se quem é o novo bispo do Porto. D. Manuel Linda é simplesmente mais do mesmo. Sem tirar nem pôr. Ei-lo, preocupado com os pobres, mas de imediato entronizado no palácio episcopal e na medieva catedral do Porto, com todos os outros poderes autárquicos e militares da região a seus pés. Impensável que assim não fosse. Bispo morto, bispo posto. Desde 1143 que é assim. Nem a República de 1910, nem o 25 de abril 74 alteraram este fado: a multidão do povo na base, as elites dos privilégios sobre ela e, no topo, o bispo, alter ego no Porto do papa em Roma. Muda o agente episcopal de turno, mantém-se o sistema cristão-católico romano, estruturalmente violento, hipócrita, mentiroso, populista.

A entrada é solene. Numa reprodução, à escala diocesana, do universo imperial de Roma, a de Constantino e, hoje, a do papa Francisco, o mesmo que escolheu, nomeou e impôs à diocese D. Manuel Linda. Sem que as populações do território fossem tidas ou achadas. Nem sequer os clérigos que estoicamente aguentam até à morte as paróquias que lhes são impostas. Nas quais muitos enriquecem, sem entretanto, chegarem a saber o que é a felicidade, a alegria, a paz. Muito menos, o que é a política praticada. São eunucos ocupados com míticos ritos e rituais, sempre os mesmos. O que perfaz uma sarcástica modalidade do velho suplício de Tântalo. Uma profissão sem futuro, já que as novas gerações preferem o desemprego a uma tal profissão clerical celibatária que um qualquer robot com inteligência artificial pode desempenhar ainda melhor. É coisa de robots, não de seres humanos. Mas nem os clérigos se apercebem, de tão castrados que são-vivem!

O novo bispo, 62 anos de idade, vem das Forças Armadas e de Segurança. Uma diocese não-territorial criada na sequência do Vicariato Castrense, de má memória, uma vez que nasceu no contexto da criminosa Guerra Colonial em África, para, desse modo, garantir um padre capelão militar a cada Batalhão dos três ramos das Forças Armadas. Já não bastava a Concordata de 1940. Ainda se lhe junta em 1967 o Vicariato Castrense. A simples criação de uma diocese castrense já é uma perversão. Aceitar ser um dos seus bispos titulares é o cume da perversão. Padre Manuel Linda aceitou. E mesmo agora, como bispo residencial do Porto, mantém-se administrador da anterior diocese. Numa acumulação de poderes que diz bem quanto ele e o papa que o nomeia são a negação de Jesus Nazaré e a afirmação histórica do mítico Cristo-poder invicto.

Pelas entrevistas já dadas, percebe-se-lhe uma enorme vontade de ser menos clerical no falar. No universo dos actuais bispos portugueses é o que se pode chamar um bispo jovem. Quer dar-se ares de “juventude”, mas apresenta-se sempre de col(eira)larinho branco ao pescoço. À semelhança do papa Francisco que até cativa ateus cristãos, só porque se dá ares de um “tipo porreiro” que nunca larga a batina branca. O problema é que é com tipos porreiros como o papa jesuíta Francisco e o novo bispo do Porto, D. Manuel Linda, que os grandes poderes financeiros que dominam os povos e os comem vivos melhor se entendem. Uma vez que as suas práticas e discursos são estéreis. Pior, confrangedoramente prejudiciais, porque cheios de ingredientes sonantes, mas vazios de Ruah, ou Sopro Feminino, o único Sopro politicamente mobilizador de todas as vítimas.

Ninguém me viu na entrada solene do novo bispo do Porto. A fazer lembrar a entrada de Pilatos, em abril do ano 30, em Jerusalém. Cujo, dias depois, é intimado pelos sumos-sacerdotes a ter de julgar e condenar no seu Pretório Jesus Nazaré e a executá-lo na cruz do império. Como presbítero da Igreja de Jesus jamais vou por aí. Tão pouco me limito a falar dos pobres. Sou eu próprio padre pobre por opção. Contra a pobreza e as causas estruturais que a produzem.

13 outubro 1917 diz uma coisa, Batalha de La Lys, abril 1918, diz outra

QUEM SE ENGANOU: LÚCIA OU O GUIÃO DO TEATRINHO?!

“A guerra acaba ainda hoje; esperem cá pelos seus militares muito em breve”. Assim reza o Documento 6, Volume I, referente à sexta aparição, 13 outubro 1917. O documento é atribuído ao pároco de Fátima da altura, mas a verdade é que desses primeiros 6 documentos da Documentação Crítica de Fátima (DCF), um por cada “aparição”, de maio a outubro, nunca se encontrou o original! O que se conhece é uma cópia feita pelo Pe. Lacerda, fundador de “O Mensageiro”, com o propósito de impor Fátima ao país e ao mundo. É sobre essa cópia que toda a DCF assenta!!! Tudo obra de alguns clérigos de Ourém, comandados pelo Cónego Formigão (Visconde de Montelo, para o público em geral e para os primeiros livros que publica a propósito), autor do Guião do teatrinho em 6 sessões. Daí a inevitável pergunta, Quem se enganou: Lúcia, a actriz principal do teatrinho, ou o Guião do Cón. Formigão que Lúcia se limita a reproduzir naquela sessão?

A pergunta impõe-se, porque a Guerra não só não acabou naquele 13 outubro 1917, nem os soldados regressaram por esses dias, como, ainda por cima, cerca de 6 meses depois, eles vêm a sofrer o pior dos ataques, na chamada Batalha de La Lys, em 9 de Abril de 1918, na qual, em apenas 8 horas, são mortos pelas bem apetrechadas tropas alemãs 400 soldados, literalmente entregues à sua sorte, esfarrapados, sem munições, sem preparação militar, o que se pode dizer com toda a propriedade, carne-para-canhão. O facto, porém, não impede que o papa Francisco, nos cem anos deste teatrinho dos clérigos de Ourém/ Cón. Formigão, venha a Fátima canonizar os irmãos Francisco e Jacinta, então de 8 e 7 anitos respectivamente, vítimas da pneumónica e dos clérigos que fizeram deles actores juntamente com a prima Lúcia, 10 anitos, que resistiu à pneumónica, porque não foi na cantiga deles, dos “sacrifícios pela conversão dos pecadores”. Enquanto ela comia e bebia, os primos até da água e do lanche que levam como precoces guardadores de rebanhos se privam (Mas às crianças, senhores, por que lhes dais tantas dores?!). Mal chega a pneumónica,“leva-os para o céu”: Francisco em 1919; Jacinta em 1920. Sem que os mesmos clérigos quisessem saber deles para nada.

Percebe-se agora melhor por que, de então para cá, os clérigos passam o tempo a falar do “Milagre do sol” e nunca desta garantia dada a Lúcia pela “aparição” supostamente pousada na carrasqueira, “A guerra acaba ainda hoje”. O próprio Cón. Formigão, chamado pelo bispo a escrever o famigerado “Relatório da Comissão Canónica” atrasa-se que se farta, porque vê-se e deseja-se para arranjar uma interpretação plausível para aquela categórica afirmação de Lúcia, na qual hoje é, manifestamente, hoje”. O Volume II da DCF, pgs 223-228, avança 6 interpretações possíveis, qual delas a mais estapafúrdia e absurda. Como bem explica o meu Livro FÁTIMA $. A., Seda Publicações, maio 2015.

E não é também que, cem anos depois, os 400 soldados massacrados, literalmente carne-para-.canhão, acabam de ser proclamados “heróis” da pátria, a mesma que os abandona à sua sorte e faz deles carne-para-canhão? Os solenes “festejos” acontecem em França, no mesmo local onde se dá o massacre dos 400 soldados e que o Estado francês converteu em cemitério de todos os 1800 portugueses mortos em combate. A presidir a todo este cerimonial branqueador do crime pátrio de há cem anos, os presidentes Macron e Marcelo, acolitados pelo primeiro-ministro António Costa. Crianças foram chamadas a participar. E nem pejo houve em pô-las a cantar a plenos pulmões, “Às armas, às armas / sobre a terra sobre o mar / Às armas, às armas / contra os canhões marchar, marchar”. Sem nunca pararem para atentar no que vomitam, boca fora. Foi por marcharem contra os canhões que os 400 soldados portugueses foram massacrados. Bem sei que as palavras são o refrão do Hino nacional. Mas, à luz deste massacre, não deixam de ser um vómito! O mais execrável dos vómitos!

EVANGELHO NO PRETÓRIO

Uma Espécie de Autobiografia Com Humor e Amor

Seda Publicações, Março 2018

A primeira surpresa que qualquer leitora-leitor deste meu novo Livro tem, é descobrir, logo no primeiro capítulo, que o seu título principal – EVANGELHO NO PRETÓRIO – não é meu. É do bispo D. António Ferreira Gomes. Sugerido por ele, não a mim, mas ao meu Advogado, Dr. José da Silva, precisamente no final do dia em que pela primeira vez saio absolvido do Tribunal Plenário do Porto. Tão pouco, é sugerido para um Livro meu, muito menos este, na altura, nem sequer sonhado por mim. É para um Livro que, no entender do Bispo, o Dr. José da Silva deveria escrever-publicar com as principais peças do Processo que a Pide/DGS organiza contra mim, a acusar-me de subversão política, no exercício das minhas actividades pastorais enquanto pároco de Macieira da Lixa. Uma acusação feita em termos tais, que nem sequer admite caução. E que o Colectivo de Juízes do Tribunal Plenário do Porto, por maioria de dois terços, não só não dá como provada, no decurso das sessões, como vai ao ponto de escrever na sentença que o que ficou provado é que a minha actividade pastoral naquela paróquia é manifestamente exemplar.

O título sugerido pelo Bispo não foi totalmente aceite pelo Advogado. Haveria Livro, sim, mas com um título interrogativo, SUBVERSÃO OU EVANGELHO? Contudo, o título sugerido pelo Bispo fica gravado a fogo na minha mente-consciência de presbítero-menino, então com 33 anos de idade e 8 de presbítero praticante. A paróquia de Macieira da Lixa é a minha segunda e última paróquia. E a nomeação é do próprio D. António, pouco tempo depois do seu regresso do “exílio” dourado de 10 anos – uma eternidade! – que não o chega bem a ser, senão no dizer das organizações políticas clandestinas e dos jornais opositores ao regime de Salazar-Marcelo Caetano. Nem ele nem eu sonhamos então que algum dia haveria eu de sentir o imperativo ético de escrever esta espécie de Autobiografia com Humor e Amor, cujo título principal só pode ser exactamente aquele que D. António Ferreira Gomes, em Fevereiro de 1971, sugere ao meu Advogado.

Sem o risco de errar, posso afirmar que quase ninguém verdadeiramente me conhece. As pessoas pensam que sabem tudo a meu respeito. Ignoram quase tudo. Incluídas as pessoas amigas e mais próximas, entre as quais incluo os condiscípulos que durante 12 anos lectivos, de outubro 1950 até 5 de agosto 1962, frequentamos o seminário tridentino do Porto e fomos ordenados presbíteros pelo Administrador Apostólico com todos os poderes de bispo titular, D. Florentino de Andrade e Silva. Também por isso tive de conceber este Livro e dá-lo agora à luz nestes dias ditos de páscoa judeo-cristã. Malhas que a igreja cristã católica romana e imperial e suas muitas siamesas protestantes tecem. Sem que as populações, vítimas delas, se apercebam de nada, tão peritas elas são em encenações litúrgicas, sempre as mesmas. Cujas chegam a causar náuseas. Sem que as próprias igrejas se apercebam, de tão cegas e autistas.

O Livro (188 pgs) aqui está. Não é fácil encontrá-lo nos escaparates das grandes multinacionais livreiras. Nem ele com tudo de clandestino e de intimidade se sentiria bem nesses espaços, todos tão cristãos, tão poderosos, tão financeiros, tão do único deus que hoje se conhece e cultua, o Dinheiro. Se dúvidas houvesse, aí prosseguem, lúcidas e actuais, as palavras de Jesus Nazaré, não do mítico Cristo ou Jesuscristo, “Não podeis servir a Deus [ = aos seres humanos e povos] e ao Dinheiro”. Têm de o adquirir e ler, para saberem do que é capaz de fazer o Poder eclesiástico para aniquilar e fazer desaparecer os presbíteros ordenados por ela e que depois lhe resistem a ser convertidos em sacerdotes. São pormenores que nunca antes dei a conhecer. Mas é chegada a hora – e é já – de o fazer. Corram, pois, por ele. Ou enviem-me por email (padremario@sapo.pt) ou sms (96 80 78 122) o vosso endereço postal.

P.S.

Desta vez, o Livro apresenta-se com uma Introdução da responsabilidade do Editor, Jorge Castelo Branco. Termina assim: “Proporciono agora aos teus leitores e ao público em geral a oportunidade para te dares a conhecer, a vida de um homem tão injustamente acusado, maldosamente ostracizado ou desgraçadamente incompreendido. (…) Justo agradecer-te o facto de me teres aproximado mais de Jesus do que muitos antes tentaram. Creio agora que o segredo foi por pouco tentares e tanto me mostrares, e isso devo-te em eterna gratidão, mais humano, mais liberto.”

Edição 136, Março 2018

D. Manuel Linda já decidiu

ENTRADA NO PORTO É SOLENE E JÁ DIA 15 DE ABRIL

Cansado de não ter nada para fazer entre militares dos três ramos das Forças Armadas e de Segurança, dos quais tem sido bispo desde 2013, eis que D. Manuel Linda acaba de anunciar ao país e à urbe ou cidade que a sua entrada no Porto é solene e já dia 15 de abril, o mesmo em que completa 62 anos de idade. A diocese, através do seu Administrador, D. António Taipa, já lhe declarou pública obediência filial, tão órfã de pai se tem sentido. Que o paço episcopal, a catedral e VP estão órfãos, é por demais manifesto. Que o Administrador está mortinho por entregar o fardo que, inopinadamente, lhe caiu em cima dos ombros, quando já está à beira de se tornar bispo emérito, é também por demais manifesto. Tanto que até determinou há meses que nas missas celebradas na diocese se pedisse a deus – o dos clérigos – que se despachasse a dar ao Porto um bispo à altura dos tempos e dos desafios! Mesmo assim, demorou 6 meses e 4 dias. Já quanto aos clérigos párocos e aos poucos “fiéis” leigos que ainda frequentam os templos paroquiais, não sei como é que ele soube que eles estão assim tão ansiosos por um novo pai tirano, ainda que mascarado de amigo dos pobres, como já fez questão de publicar.

Escrevo com Humor e Amor, os outros dois nomes de Deus que nunca ninguém viu. Só que o Poder, todo o Poder, e os seus agentes de turno, sobretudo se clérigos, não gostam nada nem de Humor nem de Amor. Quando muito, gostam de dizer-se amigos dos pobres, mas não de trabalhar afincadamente para erradicar as causas que produzem pobres e pobreza em massa. Porque semelhante postura política é martirial e paga-se caro. Muito caro. Uma postura política que o novo bispo do Porto, como o seu imediato antecessor manifestamente não tem. Se tivesse, não falava em “Entrada solene”, a fazer lembrar a entrada triunfal dos antigos e novos imperadores. Chegava discretamente e só se saberia, quando os poderes da cidade se apercebessem de que algo de politicamente subversivo estava a acontecer sem que eles soubessem quem era o portador de semelhante Sopro ou Ruah. Ao ponto de terem de pôr as Forças de Segurança, ainda sem bispo nomeado que as tutele e mantenha domesticadas, a investigar e a agir em conformidade. O que seria difícil de concretizar, já que um bispo vestido como os demais e sem sinais exteriores de riqueza e de poder, seria sempre um bispo clandestino.

De resto, é assim que paradigmaticamente faz Jesus, quando inicia a sua missão de Evangelizar os pobres e os povos, em meados do ano 28, na Galileia, então ocupada militarmente pelos exércitos do império de Roma. Só que, em consequência deste seu modo de ser e de agir político, de dia em público, de noite em clandestinidade, apenas dois anos depois, em abril do ano 30, vê-se traído pelo grupo dos Doze que ele próprio havia escolhido como Sinal do seu Projecto político desarmado, o mesmo de seu Deus Abba-Mãe que nunca ninguém viu, e logo preso político, sumariamente julgado pelo Sinédrio dos sacerdotes e pelo Pretório de Pilatos, condenado à morte pelos dois tribunais, e morto na cruz do império de Roma, a mesma cidade-capital, hoje sede da igreja católica, a do papa Francisco imperador, precisamente o mesmo que acaba de escolher D. Manuel Linda como seu alter ego na diocese do Porto.

É então fácil de prever que, com todo este seu modo de ser-agir político, cheio de pompa e circunstância, escudado pelos militares e polícias do país, dos quais foi o bispo titular, nunca o bispo D. Manuel Linda terá disponibilidade nem vontade de receber o meu abraço de presbítero-jornalista, sem templo nem altar, tal como Jesus, o camponês-artesão de Nazaré, o filho de Maria. Apesar de o Evangelho de Jesus advertir os seus alter-ego de todos os tempos e lugares: Sabeis que os grandes das nações guerreiam entre si pelo domínio absoluto dos povos e do mundo. Entre vós não deve ser assim. Pelo contrário, o maior entre vós é sempre o servo de todos.” Quem puder entender, entenda!

P.S.
Este é o último Texto Fraternizar de Março. Regresso depois de uma semana de pausa.

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D. Manuel Linda e D. José Cordeiro

E O PORTO AQUI TÃO PERTO, diz um,
E EU A VER O PORTO POR UM CANUDO, diz o outro

Sem que ninguém estivesse à espera, depois de seis meses de “seca”, eis que o super-papa Francisco – nunca outro o foi tanto antes dele, porque ele é o primeiro papa jesuíta, a quem todos os demais chefes de estado devem obediência e reverência e têm de beijar o anel – acaba de nomear D. Manuel Linda, bispo titular das Forças Armadas e de Segurança, para bispo titular do Porto. São assim os desígnios de deus, o do poder religioso que nos quer a todos super-infantis, sempre às suas ordens, dadas através dos seus representantes na terra, os poderosos, não as suas vítimas. O próprio, ao saber-se o escolhido por deus, o do papa de Roma, como bom militar bispo que é, não refilou nem contra-argumentou. E disse, Eis-me aqui, envia-me. E de imediato faz publicar no site da sua nova empresa, a diocese do Porto, uma mensagem de saudação aos seus súbditos, em 10 pontos. Onde não podia faltar a referência aos pobres e excluídos que, no seu escrever, serão objecto dos seus cuidados. Sem nunca deixarem de ser pobres, obviamente. Que seria dos clérigos graúdos e miúdos se não houvesse pobres para eles se lhes referirem, não propriamente para evangelizarem-libertarem-tirarem da sua pobreza imerecida e cientificamente produzida por uma teologia que empobrece e mata?!

Deste modo, D. Manuel Linda pode desde agora dizer urbi et orbi, E o Porto aqui tão perto! Ao contrário de D. José Cordeiro, bispo de Bragança-Miranda, que, nesta altura, sonhava passar pelo Porto a caminho do Patriarcado de Lisboa, onde seria elevado a cardeal e, sabe-se lá, a papa de Roma depois, e que agora tem de dizer, no meio da depressão e frustração em que de repente se vê caído, E eu a ver o Porto por um canudo! Se bem que, esta referência à expressão popular portuguesa, “ver por um canudo”, lhe dê ainda alguma esperança de saltar de Bragança para Braga– ver Braga por um canudo! – cujo arcebispo está quase na idade de se tornar emérito, ao contrário dele, que está aí para durar, durar, como as pilhas duracel. Mas nunca se sabe os desígnios do deus do papa de Roma, para mais, jesuíta, alérgico a cardeais que não alinhem com ele e insistam no fausto e nas orgias de toda a ordem. Sem perceberem que não é por essa via que se ganha a admiração e o aplauso das multidões e até dos grandes grupos financeiros mundiais, todos crentes praticantes do seu deus, o Poder magno, simbolizado no Dinheiro, que tem todos os outros poderes menores ao seu incondicional serviço.

Entretanto, nem o novo bispo do Porto sabe o que o espera, ao aceitar trocar o remanso e o nada-que-fazer da diocese dos militares e dos polícias, para lá das anuais peregrinações a Fátima e a Lurdes, pelo saco de lacraus que vem encontrar à chegada. É certo que aqui tem mais oportunidade de brilhar, de viajar pelo território que é a empresa diocese do Porto, mas não tem praticamente clérigos à altura dos desafios deste início do terceiro milénio e os que tem não têm mãos a medir, não tanto com as actividades pastorais, mas com os seus muitos outros afazeres festivaleiros, próprios de solteirões sem Causas e sem Projectos, nenhuma espiritualidade. E depois aquele montão de dívidas que o seu antecessor, abruptamente, roubado para o céu pela ciumenta senhora de fátima, à qual ele levou a diocese a ajoelhar-se diante da sua imagem cega, surda e muda, deixou a quem lhe sucedesse. Nem o novo bispo sonha. Mas também não é isso que lhe vai tirar o sono, porque conta com a “obediência filial” até dos seus bispos auxiliares, que o aguardam com ansiedade, de tão órfãos que se têm sentido.

Meu caro Manuel Linda, Bispo. Tens-me aqui de braços e coração abertos. Quero encontrar em ti o Bispo da Igreja que está no Porto. Tenho de reconhecer que começas mal. Não me revejo na tua mensagem. Tens por isso de cair na conta de que a fé cristã-religiosa e o seu deus, são inimigos da Fé e do Deus de Jesus. Não me revejo na tua mensagem. Ou te descobres, aos 61 anos, bispo da Igreja-Movimento de Jesus que está no Porto, ou continuas caído na idolatria, a distribuir ópio e encenações às multidões oprimidas e cativas na injustiça. E, neste caso, melhor fora que não tivesses nascido.

8 de março de cada ano

DIA MUNDIAL DA MULHER OU DO FEMININO?

Desde que iniciamos os tempos do Grande Mercado, passou a haver dias para tudo e mais alguma coisa. E entre este tudo e mais alguma coisa, há também O Dia Mundial da Mulher, no singular, como a sugerir que se trata de mais um, entre muitos outros objectos, de mais uma, entre as muitas peças da engrenagem social. Não há obviamente o Dia Mundial do Homem, porque no reino do patriarcado-Mercado, todos os dias são dele. Dia da Mulher, incluído. Pelo que a ter de haver um dia especial que nos diga igualmente respeito, às mulheres e aos homens, deveria chamar-se – é uma proposta que aqui sugiro – Dia Mundial do Feminino, sem dúvida, o grande desconhecido, desde que há animais racionais. O Faz-nos mais falta do que o pão para a boca, mas nunca demos por isso, porque o deus macho e todos os seus sistemas de Poder são a negação do Feminino e também os seus assassinos, sempre que ele, inopinadamente, acontece aqui e ali.

Com o reino do Dinheiro-e-do-Mercado que é hoje o nosso mundo, até o Dia Mundial da Mulher acaba subrepticiamente por contribuir – e de que maneira! – para a mais completa descriação das mulheres e dos homens. Já que o mais que as mulheres são estimuladas a fazer é imitar-reproduzir, ao seu modo, o deus macho, o Poder, e logo no mês de Março ou Marte, o deus da Guerra, coisa exclusiva de macho, no império romano. Por este andar mais do que desgraçado, até já se começa a falar hoje num tempo pós-Humano, quando nem sequer descolamos da condição de animais racionais. Desconhecemos por completo que o Feminino, ou a Arte de Cuidar de si, dos demais seres humanos e da Terra, nossa casa comum, é a essência dos seres humanos que nos faz qualitativamente distintos dos animais racionais. E porque estamos hoje acriticamente cada vez mais embarcados na onda da inovação tecnológica a qualquer preço, acabaremos, a breve prazo, reduzidos a menos do que as sofisticadas máquinas dotadas de inteligência artificial, devoradoras de tudo o que é vida, sobretudo, a Vida Humana Consciência.

No princípio, foi o matriarcado. Não o Feminino, que só se manifesta na Fragilidade vivida em reciprocidade maiêutica, assumida como a mais-valia da Vida, quando esta alcança o patamar da Consciência, inevitavelmente orientada pelo mais belo princípio a que é capaz de chegar a Evolução iniciada no big-bang, De cada uma, cada um segundo as suas capacidades, a cada uma, cada um segundo as suas necessidades. O matriarcado mais não foi do que o patriarcado assumido por mulheres mães, detentoras do Poder. Fosse o Feminino e não haveria Poder, não haveria domínio das mães sobre os pais. Haveria Fecundidade, Fragilidade-em-reciprocidade, Vida Consciência. Mas então só com as mães era possível constituir genealogias, uma sofisticada forma de poder, de domínio, já que predominava o regime de acasalamento generalizado e indiferenciado. E uma vez que cada fêmea poderia acasalar com diversos machos, sabia-se, de certeza, quem era a mãe – é das mães que nascemos – não se sabia quem era o pai.

Porém, com a chegada do sistema poligâmico, um homem com muitas mulheres, à semelhança de um deus com muitos súbditos, o patriarcado destrona o matriarcado. Todos os nascidos das mulheres de um homem são filhos dele. Até as religiões-fés religiosas tornam-se patriarcais, adoradoras de um só deus todo-poderoso. E com a chegada dos Livros sagrados, nunca mais as mulheres e mesmo a generalidade dos homens têm voz e vez. Só as elites do Poder. O macho. Primeiro, com os sacerdotes ao comando. Hoje, com o Grande Mercado e seu deus todo-poderoso, o Dinheiro.

Ou somos intrinsecamente Feminino, Fragilidade Humana, Arte de Cuidar de nós, uns dos outros, fecundo útero gerador de Seres Humanos-Consciência, a meta final da Evolução, ou acabamos escravos, comandados por robots dotados de super-inteligência artificial.

27 de Fevereiro de 380-27 de Fevereiro 2018

OU CRISTÃOS CATÓLICOS, OU DEMENTES E LOUCOS

O Édito do imperador Teodósio I é taxativo: Ou Cristãos católicos, ou dementes e loucos. É assim desde 27 de Fevereiro de 380 (há 1638 anos). “Ordenamos – reza a lei imperial – que tenham o nome de cristãos católicos quantos sigam esta norma, enquanto os demais os julgamos dementes e loucos sobre os quais pesará a infâmia da heresia. Os seus locais de reunião não receberão o nome de igrejas e serão objeto, primeiro da vingança divina, depois castigados por iniciativas concretas que adoptaremos seguindo a vontade celestial.” Até ao Concílio Vaticano II (1962-1965), é assim que o Ocidente, com a sua Cristandade, pensa-vive-age. E impõe aos demais povos, lá onde quer que chega com a missão de dilatar a fé e o império. Quantos resistem a fazer-se cristãos católicos romanos são logo tratados como dementes e loucos. Objecto de perseguição e de excomunhão. E tudo sem quaisquer remorsos, porque feito em nome de deus, o do império de Roma. Hoje, o do império do Dinheiro, convertido no único deus de crentes e não-crentes.


Este nosso hoje é o tempo da Ciência. Não mais o tempo da(s) Crendice(s), em todas as suas modalidades. Mas não é ainda, como já deveria ser, o tempo dos seres humanos e dos povos. Terá de o ser e quanto antes, ou simplesmente não será. Porém, nunca choraremos bastante os incontáveis crimes cometidos em nome da chamada fé cristã católica romana e demais fés religiosas, com destaque para as dos chamados Livros Sagrados, nomeadamente, a Bíblia judeo-cristã e o Alcorão. Segundo eles, quem não for cristão católico romano, cristão protestante, muçulmano, é demente e louco. Infiel. Como tal, tem de ser abatido, nem que seja apenas de forma simbólica, não-cruenta. É o que determina, actualizado em cada geração, o Édito do imperador Teodósio I, de Roma.


Reza a História que o Império romano caiu. Mentira. Uma vez fundado, o império nunca cai. Recria-se, sempre que é derrubado por outro mais forte e mais actualizado. O velho dá lugar ao novo. Ainda que não pareça, é sempre o mesmo império. Mudam as máscaras, os nomes dos mandantes, não muda o império. Prossegue sob outros disfarces, outros nomes, outros métodos mais refinados. Por isso, cada vez mais império. Cada vez mais invencível. De império romano, passa a igreja cristã católica romana. Por decisão do imperador Teodósio. É o primeiro a dar-se conta de que, para prosseguir, tem que ceder o trono a outro tipo de imperador e de império, o Papado. Os papas são depois dele os novos imperadores de Roma. E quem não for cristão católico, súbdito deles, é demente e louco. Objecto de desprezo. Espoliado dos bens. Da honra. Do bom nome. E, se dissente dele e lhe resiste activamente, é queimado-crucificado nas praças públicas, para servir de exemplo aos demais. Como sucede no ano 30 com Jesus, o filho de Maria.


São assim os tenebrosos séculos da Cristandade, de má memória. E ainda os dias, anos que vivemos, neste início do terceiro milénio. Os papas de Roma, embora agonizantes, continuam a dar algum jeito ao império e ao seu deus, o Dinheiro. São, até, os seus maiores figurantes. Dizem muito, mas não fazem o que dizem. E tudo o que dizem e fazem é inócuo, venenoso, até, como inócuas, venenosas são as grandes manchetes que os grandes media mundiais fazem com o que eles dizem e fazem. São o combustível envenenado de que o império cristão católico, hoje, laico – o Dinheiro – necessita para poder prosseguir a destruição em massa das mentes humanas e do planeta. Sem sequer ter de recorrer às pesadas armas nucleares. A não ser pontualmente, como por estes dias está a fazer-se às escâncaras na Síria do ditador Assad. Deste modo, e ainda que não pareça, continua aí em vigor o Édito do imperador Teodósio I – Quem não é cristão católico (= quem não é adorador do Dinheiro), é demente e louco. Pelo que o mais cristão católico hoje (= o mais servidor do Dinheiro) é o papa Francisco. Louvado por crentes e não-crentes. Enquanto quem ousa ser simplesmente Humano, é demente e louco!

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Edição 135, Fev.º 2018

Paulo VI na grelha de partida para os altares católicos

FRANCISCO JESUITA É O PRÓXIMO PAPA SANTO?!

Foi preciso ser entronizado papa de Roma um jesuíta argentino, para os povos do terceiro milénio finalmente perceberem que o Papado e a Cristandade a que ele deu origem são o que há de mais absurdo. Consciente desta realidade, a postura menos obscena que, neste início do terceiro milénio, resta ao papa Francisco é fazer-lhes o funeral. Com toda a pompa fúnebre que é devida. É essa pompa que a canonização de Paulo VI irá ter, já que ninguém de bons princípios seria capaz alguma vez de tão absurda decisão.

O sádico fundador dos jesuítas, Inácio de Loyola, condenou todos os seus seguidores ao voto de obediência, como um cadáver, ao papa de turno. Francisco, jesuíta, sabe-se por isso obrigado a obedecer, como um cadáver, a si próprio, já que é ele o papa de turno. Só que tanta obediência junta dita irremediavelmente o fim do papado e do seu império católico – a Besta, no lúcido dizer do Apocalipse – reiteradamente apresentado ao mundo como o império do Bem, quando é o império do Mal. Ou, em palavras teológicas de JESUS SEGUNDO JOÃO, “o Pecado do Mundo”. Por isso, o pai de todos os males, de todos os pecados, cometidos sob a bênção do deus todo-poderoso, o do Credo de Niceia-Constantinopla e da sua famigerada Cristandade

A anunciada canonização do papa Paulo VI em 2018 é, pois, a pompa mais fúnebre que o seu sucessor jesuíta encontrou para enterrar a Cristandade e o papado que a fundou. Bastará lembrarmo-nos que Paulo VI é o papa da pornográfica Encíclica “Humanae Vitae” que provocou o público repúdio de muitos bispos residenciais e teólogos de Teologia Moral. E deixou estupefacta e envergonhada a comunidade científica que vê – e bem – no consciente uso da pílula uma boa maneira dos casais poderem assumir maternidades e paternidades programadas e responsáveis. Uma realidade hoje não só desejável, mas possível.

Felizmente, o desenvolvimento da Ciência e da Consciência no mundo é imparável. Perante uma e outra, fogem a sete pés o Obscurantismo e os “milagres” de que a Cristandade sempre se orgulhou e com os quais se impôs tiranicamente aos povos tolhidos de Medo. Coisa própria de um deus sádico e cruel, já que, a troco de umas quantas rezas, peregrinações e, sobretudo, chorudas ofertas em ouro ou em dinheiro aos clérigos, é posto a curar uma ou outra doente entre milhões que continuam aí a penar.

São também deste teor rasca os “milagres” atribuídos ao papa Paulo VI, o da anti-pílula. Para ser beatificado, em 2010, atribuem-lhe a cura de um feto, supostamente, doente, ocorrida em 2001 nos EUA . E, agora, para poder ser canonizado, o semanário “La Voce del Popolo” da diocese de Bréscia apressa-se a divulgar a cura “milagrosa” de uma bebé, ainda no ventre da sua mãe, cuja corria o risco de abortar devido a uma patologia!!! A grávida meteu-se – vejam só – a peregrinar a um santuário da terra natal de Paulo VI, e a bebé nasceu sem problemas a 25 de dezembro de 2014.

Só um papa que não suporta o bom e o belo que é para os casais conscientes a vivência da sexualidade, na sua plena dimensão de conjugalidade, livre de gravidezes não programadas, por isso, não-desejadas em determinados períodos das suas vidas, é que pôde decidir contra o uso da pílula, exactamente o contrário da recomendação que lhe foi sugerida pela Comissão de peritos que ele próprio nomeou para esse fim. Ter, em 2018, como prémio, a subida aos altares católicos do mundo pela mão do papa Francisco jesuíta, é o fim da Cristandade e do Papado. Pelo que, a partir de agora só fica a faltar que o próximo papa santo seja o próprio Francisco, o jesuíta argentino que não se atreve a visitar o seu país natal. Porque os argentinos vítimas do ditador Videla têm memória e não lhe perdoam o seu cúmplice silêncio, a troco de certas benesses que recebeu dele!

Jogos Olímpicos de Inverno

COREIA DO SUL ENGOLIDA PELA COREIA DO NORTE?

O líder da Coreia do Sul convidou, e o líder da Coreia do Norte, surpreendentemente aceitou. Mais surpreendentemente ainda, fez-se representar nos Jogos Olímpicos de Inverno, um evento que mobiliza multidões e televisões, pela sua própria irmã. A bandeira das duas Coreias unificadas encabeça o desfile na Sessão de inauguração transmitida urbi et orbi. Na véspera, o mesmo líder avança com um desfile do seu potencial militar e dos seus soldados quase robots, de tão perfilados e sincronizados que se apresentam ao mundo. As imagens falam. As datas são milimetricamente escolhidas. E mediaticamente divulgadas. Para bons entendedores, estas decisões do líder da Coreia do Norte bastam para gritar o que está na mente dele, onde não cabem os escrúpulos. Ah! E não esquecer que a irmã do líder, uma simpatia de mulher robotizada, foi portadora de uma mensagem manusescrita do seu pai e líder a convidar o líder da Coreia do Sul a visitar a Coreia do Norte. Tudo isto, na era de Trump nos EUA, de Putin na Rússia, de Xi Jinping na China, de Benjamin Netanyahu em Israel, de Guterrez na ONU e do papa Francisco em Roma. Todos estes pormenores apresentam-se, por isso, objectivamente carregados de assustadoras revelações.

Revelam, entre outras coisas, que as populações dos Estados do terceiro milénio são, na sua esmagadora maioria, populações pós-religiosas, pós-cristãs, pós-islâmicas. Ainda que as estatísticas de praticantes pareçam gritar o contrário. Não gritam. Aliás, as multidões e as estatísticas nunca gritam. São apenas multidões, estatísticas. E quando as multidões não aceitam a mera condição de estatística, são reduzidas a carne-para-canhão. Voz e vez nunca as multidões tiveram, nem quando ainda havia alguns escrúpulos de ordem moral nos sistemas de Poder, porque de ordem ética nunca houve. Existem só para que as elites do Poder brilhem. E orgulhosamente prontas a dar a própria vida, se os divinos líderes – Cristos – lho proporcionarem. Numa auto-imolação que os faz mártires!!!

É este o tipo de mundo que somos e temos. E sempre será assim, enquanto a Ideologia-teologia do Poder não for decapitada na mente das populações. Mas como o há-de ser, se os chefes das religiões e de todas as escolas-universidades do mundo trabalham dia e noite para as manter cativas na sua ignóbil condição? Sem esta decapitação nas mentes das populações e das elites dos privilégios, o tipo de mundo de amanhã é ainda pior do que o de hoje e assim sucessivamente até à planetária destruição da vida. Sem qualquer sobrevivente para contar como que era antes. Ficará então apenas o vazio e o silêncio. Até um inesperado terceiro dia, porventura, milhares de anos depois.

Os jogos olímpicos de inverno deste ano na Coreia do Sul apresentam-se tremendamente engatilhados. Para cúmulo, no contexto da destruição em massa da Síria, cada vez mais reduzida a escombros e a valas comuns abertas pelos sucessivos rebentamentos de potentes bombas, lançadas pelos aviões dos diversos Estados envolvidos. Tudo nos grita que a diplomacia morreu, que a ONU morreu e que até o papa de Roma, jesuíta q.b., o mais que pode fazer é presidir ao seu pomposo funeral, ao som do Requiem de Mozart.

É manifesto que o líder da Coreia do Norte, hoje uma pequena potência nuclear, está prestes a engolir o líder da Coreia do Sul e assim unificar as duas Coreias. Nenhuma potência o travará. Não tem potencial nuclear bastante para destruir o planeta. Mas tem o bastante para pôr todos os outros líderes mais nuclearmente poderosos a fazê-lo. A menos que as minorias dos privilégios se convertam em minorias orgânicas com as populações e as façam crescer de dentro para fora em voz e em vez. De modo que passem de populações-estatísticas a populações-sujeito dos próprios destinos e dos destinos do planeta. É por aqui que vai a via política de Jesus. Mas quem a pratica?!...

O absurdo Calendário gregoriano e litúrgico

PRATICAR A QUARESMA É PECADO!

Praticar a Quaresma imposta pelo calendário gregoriano e litúrgico é pecado. Semelhante prática não vem de Jesus Nazaré. É típica do cristianismo, nomeadamente, depois que se torna imperial, adorador da cruz, o magno instrumento de tortura em que Jesus Nazaré é crucificado e o seu cadáver é de imediato lançado à vala comum. Sem sacerdotes a presidir, atarefados que estão na altura com a celebração da sua páscoa, a daquele ano 30. A maior fonte de receita anual para eles que, juntamente com as receitas dos sacrifícios de animais 24 horas sobre 24 horas, lhes garante vida faustosa. Tudo em nome de deus, o de Moisés e da casa real de David-Salomão, o pai da Bíblia escrita em hebraico, a pequena-grande biblioteca mais perversa do mundo, traduzida em quase todas as línguas faladas, cujos livros mostram como o Poder consegue ter a mente dos povos nas mãos e fazer deles gato-sapato. Uma vigarice de todo o tamanho que o Ocidente, na sua ambição de ganhar o mundo inteiro, transformou em arma, a mais mortífera de todas, porque mais do que matar os corpos das populações, mata-lhes a alma, a identidade, o Eu-sou que cada uma, cada um de nós é, desde a conceIção no útero materno. Conseguido este objectivo, tudo o mais vem por acréscimo. Sem que as populações tenham capacidade de reagir, muito menos de se aperceber do crime dos crimes que tudo isto é. Um crime totalmente impune e até estimulado-financiado.

É como lhes digo-escrevo: Praticar a quaresma é pecado. Não ofende Deus que nunca ninguém viu, mas os seres humanos e os povos das nações que o cristianismo e seus agentes de proa estão sempre a ver, sem ver, porque só os vêem como outros tantos alvos a abater. ou objectos de usar-e-deitar-fora como coisas. E é pecado porque é anti-natura. Nascemos e viemos ao mundo, não para penar e sofrer, como diz a quaresma, mas para crescermos de dentro para fora em vida de qualidade e em abundância, numa planetária Comensalidade, onde cada qual é activo-criativo segundo as suas capacidades e recebe-beneficia de tudo segundo as suas reais necessidades. Somos até este momento – vejam só! – o fruto mais conseguido da ruah-sopro maiêutico emitido pelo big-bang, há 13 mil e 750 milhões de anos. Porque somos corpos viventes Consciência que faz de cada uma, cada um de nós, Eu-sou único e irrepetível e do conjunto de todas, todos, Nós-somos-em-relação, ao modo dos vasos comunicantes. Em nós, o instinto cede o lugar à Consciência crítica, o determinismo cede o lugar à Liberdade, o medo cede o lugar à Autonomia e o gregarismo cede o lugar à Cooperação maiêutica, fora da qual é o inferno histórico. Cabe-nos, por isso, a sublime responsabilidade ética de cuidarmos de nós, uns dos outros, do próprio planeta Terra e até do Cosmos ainda em expansão!

Os dois mil anos de cristianismo são a negação de toda esta beleza e a afirmação do inferno histórico. Dizer cristianismo é dizer império, domínio, latrocínio, assassínio. Vejam que ele faz da cruz – o instrumento máximo de tortura do império – o seu símbolo máximo, o seu ADN. Porque, no seu dizer teológico, é do Sofrimento que vem a redenção. O próprio conceito de Redenção já é perverso, porque inumano. Só indivíduos e povos já assassinados nas suas mentes-consciências, podem ver com bons olhos um sistema de Poder que não olha a meios para alcançar os fins que se propõe: roubar, matar e destruir. Quando, à luz da Fé e da Teologia de Jesus, somos contínua Criação, não Repetição. Fazemos novas e boas todas coisas, não novos instrumentos de tortura.

Praticar a quaresma é pecado. É insistir no Medo e cultuar os deuses que ele cria-alimenta. No caso da quaresma, é cultuar o deus etrusco da morte e da purificação, de seu nome, Fébruo, que o império romano, o Medo institucionalizado, incluiu no seu Panteão, juntamente com todos os outros e ao qual, em cada aproximação da Primavera, oferecia sacrifícios de animais. A quaresma faz pior: sacrifica a deus as próprias pessoas!

Minorias orgânicas maiêuticas precisam-se

SEM POLÍTICA PRATICADA NÃO HÁ SALVAÇÃO

Para fazermos pão, não basta termos massa. A massa precisa de fermento misturado com ela, a modos de clandestinidade. Depois de pronta, vê-se a massa. Não se vê o fermento. Mas é o fermento que faz levedar a massa e esta, levedada, vai ao forno e torna-se pão nosso de cada dia. De igual modo, para edificarmos uma sociedade qualitativamente alternativa à presente gerada e alimentada pelo judeo-cristianismo, cujo deus é o Dinheiro-Poder financeiro alojado nas mentes dos agentes de turno dos Estados e dos seus sistemas, as populações, os povos carecem de minorias orgânicas maiêuticas que, como o fermento na massa, vivam discreta e humildemente religadas a elas, a eles, a “puxar” por elas, por eles, de dentro para fora, para que cresçam em sabedoria e reciprocidade afectiva, voz e vez, liberdade e autonomia, consciência crítica e ciência, ao modo dos vasos comunicantes, de cada um segundo as suas capacidades, a cada um segundo as suas reais necessidades. Só assim conseguimos sair dos actuais sistemas de Poder – o religioso, o político e o económico-financeiro – e somos progressivamente Política praticada. Sem a qual e fora da qual não há salvação.

Esta é uma via “porta estreita”, invulgarmente simples, por isso, invulgarmente difícil, como tudo o que é simples. São poucas as mulheres, poucos os homens que, em cada geração, se dispõem a fazê-la sua e a praticá-la, vida fora, num estilo de vida reduzido ao essencial, apenas com o indispensável para cada dia. O Poder sabe disso e trabalha dia e noite para atrair a ele todos os nascidos de mulher mais capacitados e com mais oportunidades para se desenvolverem. São múltiplos e cada vez mais refinados e sofisticados os meios que o Poder e seus sistemas dispõem para conseguir este objectivo, junto de cada geração que vem a este mundo. A própria lei do menor esforço, típica do viver das multidões, é por aí que vai. E a generalidade das populações, dos povos, é também por ela que maioritariamente se rege no seu dia a dia. O Poder sabe disso e porque é intrinsecamente perverso, consegue nefastos êxitos, como a nossa actualidade no-lo grita a todo o instante. Quantas, quantos poderiam-deveriam ser minorias orgânicas maiêuticas entre e com as populações, os povos, mas acabam por integrar as minorias privilegiadas ao serviço do Poder e seus sistemas. Sem quaisquer remorsos, apesar de objectivamente serem minorias traidoras às populações, aos povos.

Três mil anos de judaísmo e dois mil anos de judeo-cristianismo-islamismo trouxeram-nos a este tipo de mundo-inferno que hoje vivemos. Para cúmulo, as religiões, igrejas cristãs, mesquitas e grandes media – todos propriedade do Poder e ao seu serviço – servem-nos, minuto a minuto, overdoses de Publicidade e de Banalidades, de modo a reduzir as populações e os povos das nações a meros consumidores, com horários de trabalho forçado, seguido de compulsivas diversões, as mais alienadoras, que lhes matam a fome de Cultura, de Poemas, de Comidas-partilhadas-com-debates. Para que não cheguem nunca a ser populações e povos com Consciência crítica, sujeitos dos seus próprios destinos. Apenas coisas-que-mexem, robots, assalariados, mercenários, assassinos.

A primeira e única vez na História em que populações e povos conhecem um ser humano minoria orgânica maiêutica, é entre meados do ano 28 e abril do ano 30, na Galileia, primeiro, depois em Jerusalém, onde acaba crucificado pelos agentes de turno dos sistemas de Poder, o religioso, o político e o económico-financeiro. O seu nome é Jesus, o filho de Maria. Um nome maldito, por isso impronunciável desde então. O grande desconhecido, até nas escolas-universidades do mundo. A fragilidade humana, nos antípodas do mítico Cristo ou Jesuscristo, o filho de David, o Poder no seu grau máximo. Ele e só ele é o alfa e o ómega das minorias orgânicas maiêuticas, por isso, o Caminho, a Verdade e a Vida que, praticado em cada geração, nos faz dar corpo a uma sociedade totalmente outra. Humana e sororal. Quem hoje se atreve a dar-lhe corpo?!

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Edição 134, Janeiro 2018

América Latina sangra e grita contra Francisco

A MAIS DESASTROSA VIAGEM DO PAPA

Foi preciso chegar a bispo de Roma e papa da igreja católica um cardeal argentino para fazer sangrar e gritar ainda mais o já sofrido e empobrecido Continente Latino-americano. A sua primeira viagem ao Chile e ao Peru é, sem dúvida, a mais desastrosa deste papa. Fica provado perante o mundo que Francisco, como desde o princípio tenho afirmado, não é excepção à regra. Tal como os seus antecessores, dá mais crédito à palavra de um dos seus bispos de topo, do que à gritante e dolorosa palavra das vítimas da pedofilia dos clérigos. Sabemos todos que há pedófilos que não são clérigos. Os pedófilos clérigos só são mais notícia, porque sempre nos quiseram convencer da santidade de todos eles. Os factos sempre nos gritam o contrário, mas são sistematicamente escondidos, silenciados. Aquelas vestes com que todos se mascaram ajudam a encobrir muita podridão. Fazem deles seres à parte, acima de qualquer suspeita. Todos são nascidos de mulher, mas quando fazem deles clérigos, arrancam-lhes o ADN de seres humanos e substituem-no pelo de mercenários ao serviço do Poder monárquico absoluto, o papa de Roma, o mercenário-mor. Sangra-me o coração, ao escrever isto, mas alguém tem de o dizer. E aqui fica dito, para que ousemos todos regressar quanto antes ao ADN humano.

Não ignoro que os clérigos católicos não são os únicos nascidos de mulher aos quais arrancam o ADN humano. Eles próprios, com o tempo, têm gerado outros semelhantes a eles, clérigos também, mas laicos. Todo o que aceita ser poder, aceita que lhe arranquem o ADN humano. Os povos das nações ficam privados de voz e vez, porque levados a delegá-las noutros, olhados por eles como mais capazes de o fazerem. Não são. Só a Propaganda diz que são. Vivem a tempo integral para aquilo. Tanto que alguns passam de servidores do poder, a poder. Religados entre si, não pelo ADN humano, mas pelo do mercenário. Esses estão aí só para roubar, matar e destruir. São clérigos laicos. Move-os o mesmo o ADN. Ao fim e ao cabo, são todos mercenários ao serviço do Poder monárquico absoluto, o papa de Roma. Até o poder financeiro. De modo que o poder financeiro é o papa de Roma e o papa de Roma é o poder financeiro. Tudo o que nos é mostrado a nós, os povos, é Propaganda, Encenação. Que tomamos por realidade.

Hoje, o tipo de mundo que cada uma, cada um de nós conhece, quando nasce, é já um mundo assim. Ao qual foi arrancado o ADN humano e substituído pelo do mercenário. Onde tudo está organizado para que os nascidos de mulher não sejam seres humanos vasos comunicantes, mas mercenários religados uns aos outros ao serviço do Poder monárquico absoluto, o papa de Roma, o Dinheiro, ainda que hoje se nos apresente mascarado de Francisco. Tudo está cientificamente organizado para produzir muito poucos cada vez mais ricos e multidões de muito pobres cada vez mais pobres. Embora a Publicidade diga que produz riqueza. Produzisse riqueza e seria repartida por todos os povos segundo as suas reais necessidades. Nunca monopólio de poucos muito ricos.

À beira deste crime de lesa-humanidade, lesa-povos e lesa-planeta, os crimes de pedofilia dos clérigos católicos só são notícia destacada nos grandes media, porque até eles ajudam a desviar as atenções do crime maior que é a produção de poucos muito ricos e de muitos muito pobres. Com o papa de Roma, poder monárquico absoluto, hoje, poder financeiro ao leme. Graças a ele, este tipo de mundo intrinsecamente inumano avança, impune, com os melhores cérebros ao seu serviço. Mercenários, todos. É por isso um mundo sem amanhã. A menos que ousemos regressar ao ADN humano, o dos nascidos de mulher, plena e integralmente presente e activo em Jesus, o filho de Maria. Gerador de um mundo onde todos temos voz e vez, produzimos riqueza segundo as nossas capacidades e recebemos dessa mesma riqueza segundo as nossas reais necessidades.

Agora, mulheres e homens “dão missa” aos domingos!

SERÁ QUE JÁ NEM FREI BENTO DOMINGUES SE APROVEITA?

Constato que Frei Bento Domingues, meu amigo, anda muito preocupado com a não existência na igreja católica de mulheres sacerdotes (cf. PÚBLICO 14JAN2018). Por mim, duvido que, neste terceiro milénio, ainda haja mulheres que queiram semelhante castração clerical-sacerdotal, quando é manifesto que já nem os homens querem ser clérigos ordenados. O papel que lhes continua a ser atribuído na sociedade é tão caricato e estéril que não é mais uma ocupação que se recomende a ninguém, muito menos a mulheres que se prezem da sua condição feminina e da sua vida erótica sexual genital, da qual pode resultar uma gravidez ou várias, sempre bem-vindas, se desejadas e programadas. Esta postura pública do meu amigo dominicano leva-me a perguntar com humor teológico, Será que já nem Frei Bento Domingues se aproveita na igreja católica?

Preocupa-me sobretudo que ele se não tenha ainda libertado, nem um bocadinho, da Cristologia em que foi formado, pior, formatado em universidades católicas no estrangeiro, logo nos primeiros anos após a sua ordenação de presbítero, não de sacerdote. Digo “formatado”, porque como ele próprio hoje sabe, porventura, melhor do que eu, muita e variada tem sido, nestes últimos 30-40 anos, a investigação histórico-científica sobre Jesus histórico, o de antes do Cristianismo e sobre as origens deste, no início, uma corrente mais, dentro do Judaísmo oficial do século I, chamada Judeo-cristianismo, e só mais tarde, totalmente independente dele e até abertamente contra ele.

Sabemos, de fonte segura, que Jesus, o camponês-artesão de Nazaré, o filho de Maria (Mc 6,3), nunca foi sacerdote e acaba condenado à morte pelos sumos-sacerdotes do país e executado, em Abril do ano 30, na cruz do império romano, como maldito segundo a Bíblia, a exigências dos mesmos, junto de Pôncio Pilatos. Sabemos também que Jesus sempre recusa ser cristão/ cristo e que o judeo-cristianismo aparece só depois da sua morte na cruz. Fundado na sala de Cima do cenáculo do Templo de Jerusalém por Simão Pedro, o chefe dos Doze, e por Tiago, um dos irmãos de Jesus (At 1, 12-14). Só que Pedro é o mesmo a quem Jesus histórico garantidamente chama “Satanás” ou seu Opositor-mor (Mc 8, 33; Mt 16, 22-23) e o mesmo que, por fim, renega Jesus três vezes (Mc 14, 66-72; Mt 26, 69-75; Lc 22, 54-61; Jo 18, 15-18.25-27).Por sua vez, Tiago é o mesmo que nunca acompanha Jesus histórico, chega tê-lo, até, por “louco” e quer a todo o custo “ter mão nele”, isto é, prendê-lo (Mc 3, 21.31-35).

A sobrevivência desta corrente judeo-cristã, anti-Jesus Nazaré, fica a dever-se sobretudo a Saulo, um judeu fariseu nascido na diáspora, cidade de Tarso, e cidadão romano, que começa por persegui-la e acaba por lhe dar a sua adesão, ao ponto de se tornar um fanático difusor dela nas principais cidades gregas do império romano e, por fim, em Roma, onde é muito mal recebido e abandonado (At 28, 16-29). Até que no século IV, já liberto do judaísmo, o cristianismo é convertido em religião oficial e única do império romano por Constantino, o mesmo que convoca os concílios de Niceia e Constantinopla, nos quais faz aprovar o Credo imposto a ferro e fogo até ao presente, ao ponto de ainda hoje ser recitado nas liturgias. E do qual só o mítico Cristo davídico ou Jesuscristo, guindado à categoria de sumo-sacerdote e de divino todo-poderoso é lá referido, não Jesus Nazaré, o alfa e o ómega da Humanidade, porque o Ser humano pleno e integral!

Felizmente, somos hoje sociedades pós-cristãs. E o que ainda resta do catolicismo constantiniano e tridentino, já nem clérigos sacerdotes suficientes tem que dêem-vendam missa aos domingos. À falta deles, já há mulheres e homens que, sem saberem o que fazem, aceitam “dar missa”! O trágico em tudo isto é que, 2 000 anos depois, continuamos sem conhecer Jesus histórico e sem conhecer-praticar o seu Projecto político maiêutico!

O maior embuste nestes 18 anos do terceiro milénio

PAPA FRANCISCO: PERSEGUIDO OU PERSEGUIDOR?

Querem convencer-nos que o papa Francisco tem a sua vida em risco. Teólogos cristãos, filósofos e ateus progressistas, todos farinha do mesmo saco, andam a dizer-nos isto desde o início. Parece que querem fazer dele um mártir. Referem-se-lhe como vindo “do fim do mundo”, só porque é argentino, um motivo mais, no entender deles, para ser perseguido pelos cardeais da Cúria romana. Como se alguma vez a Ordem dos Jesuítas, cujo superior geral é conhecido como “o papa negro”, deixasse algum dos seus antigos provinciais correr riscos, precisamente, quando, pela primeira vez na história do papado, um dos seus cardeais consegue a proeza de concentrar em si o pleno do Poder monárquico papal-absoluto. E o mais espantoso é que todos eles acham que Francisco tem um grande plano de reforma da Cúria romana e da igreja católica, esquecidos de que uma e outra prosseguem o império romano e são hoje muito mais perversas do que ele, graças aos meios sofisticadíssimos de que dispõem. O que faz com que vão sempre à frente, não em humanidade, como nos querem fazer crer, mas em tudo o que é técnica de domínio-manipulação das mentes-consciências dos seres humanos e dos povos.

Só mesmo a ingenuidade ilustrada das elites ateias e crentes cristãs, quanto mais progressistas pior, porque totalmente vazias de lucidez e de sabedoria, duas realidades de todo impossíveis de acontecer nas universidades do Saber – e, se confessionais, pior – as leva a escrever e a afirmar-garantir que Francisco é um papa perseguido. Quando a realidade é exactamente o inverso: o papa Francisco é o perseguidor-mor dos seres humanos que o são de dentro para fora e, como Jesus Nazaré, o ser humano pleno e integral, prosseguem, em cada tempo e lugar, as suas mesmas práticas políticas maiêuticas, nos antípodas das práticas do Poder político-religioso. O muito Saber dos intelectuais progressistas, crentes e ateus, não os deixa ver a realidade mais real, que só os pequeninos vêem. E porque não vêem, são os escolhidos para dirigir as grandes cátedras de filosofia e de teologia, de literatura e de história, de matemática e de Ciência das religiões. Do alto das quais, ensinam que Francisco – dois-papas, o negro e o branco, num-só – é perseguido, quando na verdade é o perseguidor-mor!!!

Tudo no Papado é obsceno, qualquer que seja o papa de turno. É a parte de leão do Pecado do mundo, no teológico dizer de JESUS SEGUNDO JOÃO. A Besta, no teológico dizer do Apocalipse. Tanto assim que, logo no início do seu pontificado, Francisco esclarece, numa entrevista concedida ao Director de uma famosa revista italiana, que se lhe mostra intrigado por o ouvir falar tanto em S. Paulo e praticamente silenciar Inácio de Loyola, o fundador dos Jesuítas, “É que sem S. Paulo – responde – não haveria cristianismo.” Com esta resposta, sibilinarmente jesuítica, Francisco revela-se o potente holofote que deixa totalmente cego o seu interlocutor. Não fosse assim e, como entrevistador, o ateu Director da revista teria logo ripostado ao seu entrevistado, Mas então o que fizeram o cristianismo petrino-paulino-imperial e suas igrejas cristãs todas de Jesus histórico?! Esta é a grande questão silenciada nestes dois mil anos!

É bom de ver que nestes séculos de Cristandade, a basílica e a praça de S. Pedro sempre foram o grande holofote com que cada papa de turno cega e mantém cegas as populações crentes e não crentes. Como é bom de ver também que todas as fés religiosas e cristãs, como os ateísmos ilustrados são cegos e guias cegos. E que só mesmo a Fé e a Teologia de Jesus que rebentam no mais fundo de cada uma, cada um de nós nos fazem seres humanos religados uns aos outros, em estado de saúde-salvação. Enquanto as fés cristãs-e-ateísmos ilustrados, porque actuam de fora para dentro de nós, nos deixam na mais sádica das alienações.

Serão os discursos de paz geradores de guerras?

A PAZ SEGUNDO OS PAPAS E JESUS NAZARÉ

Cada primeiro dia de um novo ano é desde 1968, O Dia Mundial da Paz. Não por decisão dos povos do mundo, mas por decisão do papa Paulo VI. Não têm conta desde então os discursos e as mensagens de paz dos papas, dos bispos residenciais e das inúmeras Comissões de Justiça e Paz do mundo católico. Como não têm conta, desde então, novas e cada vez mais mortíferas guerras no mundo, a sugerir que os discursos papais de paz têm o perverso condão de gerar mais e mais guerras, quando a expectativa é que eles lhes ponham fim. Não põem. Pelo contrário, estimulam o rebentamento de novas e cada vez mais mortíferas guerras. Inclusive, o rebentamento da primeira grande guerra financeira mundial que cresce de ano para ano, sem que nada, ninguém a detenha. Somos, pois, politicamente ingénuos, criminosos, até, se continuamos a não querer ver que os pais de todas as guerras no mundo são os sucessivos papas de Roma, ou não sejam eles o adúltero fruto da união literalmente abençoada pela Bíblia sagrada e o seu Deus, entre o judeo-cristianismo davídico-petrino e o Império romano, selada no séc. IV por Constantino, cujo mais recente sucessor é o actual papa Francisco.

A decisão do papa Paulo VI apanha-me então com 30 anos de idade, 5 anos de presbítero, a viver inesperadamente há dois meses em Mansoa, a 60 kms da capital da Guiné-Bissau, uma das três antigas Colónias de Portugal em luta armada pela sua autonomia e independência. Estou lá como capelão militar, por indicação do então Administrador Apostólico da Diocese do Porto, D. Florentino de Andrade e Silva, e a consequente convocatória do QG, de Lisboa, ao abrigo de um espúrio Acordo entre o Estado do Vaticano e o Estado português, que conta com a inominável cooperação da hierarquia católica portuguesa em bloco, destinado a garantir um capelão militar por cada Batalhão que parte para a Guerra Colonial. Em 1967, o ano da entrada em vigor deste Vicariato, não tenho como escapar a um obrigatório Curso de Capelães militares numa Academia Militar em Lisboa e embarcar, no final, no paquete Uíge rumo a Bissau e, daí, escoltado num jipe até Mansoa, onde me aguarda o Batalhão de Caçadores 1912.

Ao dar comigo no coração desta estúpida e macabra Guerra Colonial, poderia fazer de conta e tirar até proveito material dela, como manifestamente fazem, então, a generalidade dos militares profissionais dos três ramos das Forças Armadas, dos Oficiais milicianos e também a totalidade dos capelães militares graduados em oficiais superiores integrantes dos quadros do Vicariato Castrense. Poderia. E essa é a grande tentação com que, de repente, me vejo confrontado. Só que eu, na peugada de Jesus, o filho de Maria, decido colocar-me de corpo e alma do lado das vítimas e não do lado dos verdugos institucionais. E as vítimas, ali, são indubitavelmente as populações e os povos de África, apanhadas, apanhados entre dois fogos cruzados, o dos guerrilheiros, seus filhos e irmãos, e os soldados e oficiais dos três ramos das FA do Portugal colonial. Tanto assim, que com apenas dois meses de activa e incansável presença entre os homens do meu Batalhão e as populações residentes para lá do arame farpado a isolar o Batalhão, dou comigo a defender nesse Primeiro Dia Mundial da Paz o direito dos povos colonizados à sua autonomia e independência política, como condição sine qua non para a paz.

Sou desde então e por isso um “padre irrecuperável”. Porque vejo-conheço o Mal estrutural, o Pecado do mundo. E vejo-conheço que os pais dele são os papas de Roma e os bispos residenciais. Tanto que a criação pelo papa Paulo VI de O Dia Mundial da Paz tem o perverso condão de converter em cruzadas e em santas todas as guerras, a mais mortífera das quais é, hoje, a guerra financeira mundial em curso e já alojada na mente-consciência das populações, sobretudo, na das elites dos privilégios. Sem nenhum lugar para Jesus neste tipo de mundo do Templo e do Império nem para a Paz desarmada que Jesus é.

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Edição 133, Dezembro 2017

Aqui nos trouxe o cristianismo petrino e paulino

PARA QUANDO O FIM DO NATAL DOS MENINOS-JESUS DE CACO?

Sei que a pergunta em título é chocante, mas nem por isso deixo de a formular. A velha cristandade de 16 séculos que o Concílio Vaticano II (1962-1965) quer encerrar, para poder entrar no Terceiro Milénio já como Igreja-Movimento político de Jesus, não chega sequer a sair dos documentos debatidos e aprovados pela esmagadora maioria dos bispos de todo o mundo presentes e activos na magna aula conciliar. Os papas que lhe sucedem, João Paulo II, à cabeça, abortam logo toda a esperança suscitada por ele, com medo de lhe perderem o controlo. Inevitável, mas para bem da igreja e, sobretudo, para bem dos seres humanos e dos povos, entre e com os quais a igreja-movimento de Jesus há-de ser o fermento que tudo transforma sem se ver. Vê-se apenas a Humanidade!

A traição que o papa polaco protagoniza no seu longuíssimo pontificado não tem perdão. Só a canonização, ocorrida em tempo recorde sem respeito pelas regras que regem estas coisas eclesiásticas carregadas de idolatria, pode ter contribuído para branquear a sua imagem ad intra, mas suja-a ainda mais ad extra. Porque os seres humanos e os povos terceiro milénio não são mais os dos16 séculos de Cristandade ocidental, com Santo Agostinho a disparatar teologicamente em todas as direcções, a partir da sádica criação do pecado original que só existe na sua perturbada e atribulada mente, essa mesma que se espelha nas suas tristemente famosas CONFISSÕES, um dos mais tenebrosos livros editados sobre a terra, se lidas, como deve ser, à luz de Freud e seus prosseguidores.

É por causa deste pseudo-pecado que se impôs o cristianismo, com o natal do seu Cristo Invicto, em criminosa substituição do natal do Solis Invictus que os povos celebram, desde 300 anos antes da presente era comum. Numa engenhosa operação protagonizada por Constantino, o primeiro imperador do império romano a fazer-se cristão. Percebe, cedo, que entre o Solis Invictus dos cultos das religiões politeístas e o Christus Invictus do judeo-cristianismo, sobretudo, de S. Paulo, o seu poder imperial só tem a ganhar, se adopta o da religião cristã. Que já dispõe de numerosa e bem organizada igreja implantada no seu império. O Christus Invictus e o deus todo-poderoso do Credo estão necessitados de um só imperador igualmente todo-poderoso. E se bem o pensa, melhor o faz. Nasce assim o Christus Invictus imperial, perseguidor de todos os outros christus menores e subalternos, reprimidos e, até, oficialmente extintos.

Com Francisco de Assis, século XIII, nasce o presépio, tosco no início, refinadíssimo, hoje, bem ao gosto do grande Mercado que tudo decide e controla para populações cada vez mais robotizadas consumirem. Ao fazer-se pobre por opção, o objectivo do filho único do maior empresário têxtil de Assis, é contribuir para transformar a opulenta igreja papal e episcopal imperial numa igreja pobre, prosseguidora, de forma reiteradamente actualizada, de Jesus, o camponês-artesão de Nazaré, crucificado em Abril do ano 30 pelos ricos e poderosos, fabricadores de pobres e de pobreza em massa. Só que, desta sua prática, bem fundamentada no Evangelho de Jesus, não no de S. Paulo, não resta praticamente nada hoje na igreja católica romana nem na sua hierarquia. Tão pouco nos frades que obscenamente continuam a reclamar-se do seu nome. Menos ainda no papa super-star que se faz chamar Francisco, só para melhor encobrir o jesuíta que é.

Pelo que à igreja cristã católica século XXI só resta continuar a orientar-sr pelo obsceno Calendário litúrgico que obriga o seu Christus Invictus a nascer e a morrer todos os anos na cruz. E de Jesus, o filho de Maria, mai-lo seu Evangelho, já pouco mais resta do que os inúmeros meninos-jesus de caco, pau, prata ou ouro. À mistura com os “pais natais” que o Grande Mercado, o filho unigénito do deus todo-poderoso cristão, impõe a todos os seus consumidores. Para vergonha e humilhação dos seres humanos e dos povos.

N.E.

Fecha com este texto a Edição 133, Dezº 2017. Contamos regressar dia 5 de Janº com a Edição 134, a 1.ª de 2018.

Os 5 novos diáconos de Bragança em reportagem SIC

O QUE PRETENDE ESCONDER D. JOSÉ CORDEIRO?

A minha surpresa é total. O Jornal da Noite de domingo 10 de Dezembro, da SIC, antes de “A Opinião que conta”, sem nada de relevante para contar, a não ser a morte lenta do PPD-PSD, impinge-nos, sem mais aquelas, uma mini-reportagem sobre os 5 novos diáconos permanentes da diocese de Bragança-Miranda e o seu bispo residencial. Sempre em bicos de pés perante os seus pares praticamente inexistentes, de tão envergonhados que se sentem, por ainda continuarem bispos residenciais (quase) sem párocos e sem clientes nos rotineiros e sonolentos cultos de cada domingo. De fiéis seus, estão a “virar” todos infiéis. Preferem os Shoppings, cheios de cores vivas e temperaturas superconfortáveis, onde o Mercado é rei e vende – parece dar, mas vende! – a toda a hora, música ambiente e uma multiplicidade de “prendas” natalícias que fazem esquecer os presépios dos muitos meninos-jesus de caco nas palhinhas deitados, a tiritarem de frio. Sem que os pobres coitados, velhos de muitos séculos, sequer protestem.

O que pretende esconder D. José Cordeiro com esta curta, mas bem programada reportagem, conseguida não se sabe a troco de quê e de quem!? É que o facto da diocese de Bragança ter ordenado 5 novos diáconos permanentes não justifica, só por si, uma reportagem, para mais, realizada a posteriori, em que o protagonismo vai inteiro para o bispo ainda mais aperaltado que o papa de Roma. E a questão que se me levanta é: Por que teve o bispo D. José Cordeiro de conseguir a toda a pressa esta reportagem no JN do domingo, da SIC, 10 de Dezembro, quando, a ter-se realizado, deveria ter sido no Jornal da Noite de domingo 26 de Novembro, quando aconteceu a referida ordenação?! Este desfasamento de datas entre o evento e a sua divulgação 15 dias depois leva qualquer pessoa mais atenta ao porquê das coisas, como devem ser os presbíteros-jornalistas profissionais, como eu a ficar com a pulga atrás da orelha e logo concluir, como eu concluo, Aqui há gato! E gato escondido com rabo de fora! A conclusão a que chego é: Esta reportagem só pode ser um “frete” da SIC ao bispo de Bragança e ao staff clerical e laico todo-poderoso que o rodeia. Cabe-lhes provar que não.

A haver reportagem sobre o assunto, deveria ser sobre os viveres históricos escondidos de cada um dos 5 diáconos permanentes recém-ordenados. Tanto mais quanto é público e notório que Bragança e a própria diocese de Bragança-Miranda são terreno fértil para os homens do avental, não da cozinha onde se lavam pratos e panelas, mas da cozinha do muito Dinheiro sujo das Misericórdias, Centros Paroquiais Sociais, IPSS e outros antros da Caridadezinha financeira e eclesiástica. Sim, porque as Lojas maçónicas e clericais e os seus maiorais sabem bem o que fazem. O que mostram e dizem à comunicação social é apenas o folclore. Como as viagens pastorais do papa de Roma servem para desviar as atenções do que de Perverso se passa nas catacumbas da Cúria Romana, cujos cardeais de vermelho vestidos, são todo olhos e mãos para os negócios e para dispendiosas orgias, ao modo do velho império romano. Nada melhor então do que o bispo beneficiado mascarar de diácono permanente os 5 homens que escolheu, em detrimento de outros com iguais ou até superiores habilitações curriculares.

Só não sei é como ainda há mulheres casadas que aceitam assinar uma Declaração a autorizar os respectivos maridos a serem ordenados diáconos, quando o normal seria haver casais diáconos. Mas isto é coisa só de homens. E, se do avental ou coisa parecida, tanto melhor. Nem se dão conta os clérigos que assim, lá se vai aquele solene mandato proferido a concluir o rito do casamento canónico, “Não separe o homem o que deus uniu”! Porque já não se pode falar de casamento, quando o homem deixa de o ser para a ser clérigo ordenado.

O que há então de muito sujo nos viveres destes 5 novos diáconos, para que até as suas esposas aceitem que o bispo lhes roube os maridos?!

Mário Centeno ao comando do Euro

FIM DA GERINGONÇA OU O SEU REFORÇO?

O ministro português das Finanças do Governo PS, Mário Centeno, acaba de ser o escolhido pelo senhor Dinheiro para presidir ao reforço do Euro, sobre o qual as quatro grandes Economias da UE, França, Alemanha, Itália e Espanha, estão apostadas em erguer uma Europa forte, capaz de fazer frente e bater o pé às economias dos EUA de Trump, da Rússia de Putin, da China de Xi Jinping, da Coreia do Norte, de Kim Jong-un. Qual deles o mais demente e politicamente analfabeto, cujos discursos e twitters são disparados por um sopro com tudo de bomba nuclear, porventura, mais perigoso que a bomba nuclear propriamente dita. Incendeiam todos os dias e a todas as horas os povos seus súbditos criminosamente formatados, e eles ficam politicamente tolhidos e entretidos nos futebóis dos milhões, incapazes de Política praticada maiêutica. Da qual andamos necessitados. Tanto ou mais do que de pão para a boca. Até sermos povos sujeitos dos nossos próprios destinos, nunca mais súbditos dos poderes e seus agentes de turno.

Não vejo, no país, ninguém dar sinais de perceber o que significa esta escolha por parte das quatro grandes economias da UE. Pelo contrário, vejo os dirigentes do PS abrir garrafas de champanhe e festejar; os deputados dos outros três Partidos da Geringonça – BE, PCP, PEV – amuar e ficar com cara de caso, como quem parece dizer, sem dizer, Mas onde tínhamos nós a cabeça, quando há uns dois anos nos metemos nesta engenhoca de “Esquerda”? Até os deputados do PSD e do CDS, assim como o seu Presidente da República e comentador político a todas as horas e minutos, Marcelo Rebelo de Sousa, mostram-se com cara de caso, ainda mais do que os da “Esquerda”. Sem saberem o que dizer e o que fazer. Não, obviamente, por causa do reforço do Euro e consequente criação da Europa forte, fundada sobre ele, mas porque deveriam ser eles, como cristãos e devotos da senhora de Fátima, os escolhidos para esse papel ao serviço do seu deus, o Dinheiro. O “mérito – para eles, é mérito – vai inteirinho para o socialista Mário Centeno que eles, na sua óptica financeira, têm na conta de nem sequer ser digno de desatar a correia das sandálias da sua antiga ministra das finanças, Maria Luís Albuquerque, ou da Presidente do CDS, Assunção Cristas, candidata não a ministro das Finanças, mas a primeiro-ministro. Como de resto ela faz questão de anunciar-gritar.

Fim da Geringonça, ou o seu reforço? A questão é pertinente, para quantas, quantos, à Esquerda e à Direita, têm cadeira reservada no Parlamento português e no Parlamento europeu. Todos à uma são igualmente deputados ao serviço do Dinheiro, o deus das religiões, das igrejas cristãs, dos ateus, dos agnósticos e dos agentes do Poder. Apenas mudam os falares e o tipo de reivindicações, não muda a substância. O senhor Dinheiro sai sempre a ganhar, tanto com deputados do PEV, do PCP, do BE, do PS, como do PSD e do CDS. Precisa de todos por igual. Por isso paga-lhes, segundo a regra democrática, Para trabalho igual, salário e mordomias iguais. Ironicamente, os que se perfilam mais à Esquerda no Parlamento são, porventura, os mais úteis ao senhor Dinheiro. Ajudam a dar ao Dinheiro um ar de democracia, bondade, liberdade. Todos, cada qual ao seu modo, estão aí a contribuir para formatar-dominar as mentes e as consciências das populações. Como fazem, por distintas vias, todos os clérigos e pastores das igrejas cristãs.

Deste modo, BE, PCP e PEV, por mais que se mostrem perturbados para votantes verem, sabem bem que, se quiserem continuar a ter lugar à mesa dos privilégios que o senhor Dinheiro lhes garante, acabam por reconhecer, pelo menos à porta fechada, que a eleição de Mário Centeno é o maná que lhes faltava para reforçar a Geringonça que integram. E ficam-lhe reconhecidos, ainda que nunca o felicitem. Quem sai a perder são os seres humanos e os povos. Porque numa UE forte, fundada sobre o Euro forte, ficam ainda mais condenados às migalhas e aos ossos que caem das mesas dos privilégios de todos eles.

Mianmar e Bangladesh

O QUE FAZ CORRER O PAPA JESUÍTA?

14 horas de voo. Destino: Mianmar e Bangladesh. Na Ásia. Dos 51 milhões de habitantes de Mianmar, maioria budista, apenas 700 mil são católicos. Dos 163 milhões de habitantes de Bangladesh, 85% são muçulmanos e o islamismo é a religião oficial do Estado, enquanto os cristãos integram os 0,3% do grupo, “Outras crenças”. Não são, pois, os católicos de um e outro país, cujas populações sobrevivem em chocante pobreza-miséria que move o papa jesuíta. É a Ásia, no seu todo, onde o império de Roma tem tido grande dificuldade em instalar-se nas mentes das populações, ocupadas por outras religiões. Em flagrante contraste com a Europa e com o continente latino-americano, onde todos os Estados são seus braços seculares, sempre que necessário. Inquisição “dixit”.

Consciente de que a sede do seu império já domina as mentes das populações da Europa e dos países que as descobertas e conquistas, com a cruz numa mão, a espada na outra e a Bíblia na sacola, lhe acrescentaram, o papa jesuíta, vestido de dominicano e com nome franciscano sabe bem que, para ser o senhor do mundo, tem de rasgar novos caminhos, se quer instalar-se também nas mentes dos povos asiáticos. O Ocidente já está garantido, e, hoje, na forma mais devastadora que é a versão laica pós-cristã e ateia, adorador do único deus todo-poderoso, o Dinheiro. É imperioso, pois, instalar-se nas mentes dos povos da Ásia. Com múltiplas acções de bem-fazer e escolas com a marca da cruz e a ideologia-teologia da Bíblia. Para que haja um só rebanho e um só pastor, não na maiêutica linha política de Jesus Nazaré, mas na do invicto Cristo bíblico-financeiro.

Por coincidência, a Argentina, país natal do papa jesuíta, está em lágrimas, com aquele submarino desaparecido, desde 15 de Novembro. Dentro, 44 seres humanos que, nesta altura, é suposto estarem todos mortos. Mas a agenda papal não previu este grave acidente e é para estes dois países com mais de 200 milhões de habitantes, no seu conjunto, ligados entre si também por fronteira terrestre, que o papa jesuíta argentino teve de ir. Cumpriu-se a agenda, arrancada a ferros. Quem ainda não é súbdito de Roma, mas de outras crenças, também elas conquistadoras das mentes das populações, resiste o mais que pode a fazer-se cristão católico romano. Adoradores do mesmo deus, o todo-poderoso Dinheiro, mascarado de outros nomes, já são. Mas súbditos do papa de Roma ainda não. E isso faz toda a diferença para as ambições de Roma. É para pôr fim a esta substantiva diferença, que o papa jesuíta argentino se multiplica em viagens. É isto que o move. É sempre bem recebido, porque todos Estados do mundo sabem que o mais sofisticado e mais letal armamento está nas mãos dos Estados que já são súbditos dele. E isso pesa tanto, que qualquer outro Estado tem de agendar a visita sugerida por Roma.

Só tresloucados fanáticos ousariam atentar contra o papa de Roma. Pelo que todo o investimento que cada Estado tem de fazer para assegurar a sua integridade durante a visita é feito a pensar nesses que todas as fés religiosas têm, ou elas próprias não fossem as suas mães. Fossem só os graúdos dos Estados a ver-receber o papa de Roma e não seria necessário o chocante investimento que cada viagem papal exige. Mas o papa imperador de Roma não prescinde dos banhos de multidão. E cada Estado, budista, hindú, islamita, protestante ou ateu, capricha no recurso ao protocolo imperial. Até porque, depois do regresso do papa a Roma, são eles que ficam no terreno, com as populações ainda mais conformadas com a miséria em que vegetam. Viram de fugida o papa de Roma e a ostentação das suas missas e depressa concluem que nasceram para ser o que são – miseráveis, analfabetos, carne-para-canhão. Como exige o todo-poderoso deus Dinheiro. O de todas as fés religiosas, inclusive, do ateísmo. Resta-lhes por isso conformar-se com os restos que caem da mesa dos palácios dos respectivos chefes, com os quais o papa de Roma, seu potencial imperador, se encontrou, abençoou e negociou.

Edição 132 Novembro 2017

Diáconos casados

O REFORÇO DA IGREJA CLERICAL OU O SEU FIM?

Até agora irredutível na abolição da abominável Lei do celibato dos padres, a igreja pós-Vaticano II instituiu, a medo, consciente, certamente, do ridículo em que caía perante as populações mais ilustradas, os diáconos casados e já com filhos. A prova provada de que não são homossexuais. Quando muito, bissexuais, que a existência de filhos dá para encobrir aos olhos do grande público. Como também o facto de se ser católico e notório amigo dos clérigos graúdos de cada região do país ajuda e muito a esconder as vidas duplas e corruptas que uns e outros possam levar. Que isto de clérigos graúdos tem o que se lhe diga. Tudo lhes é permitido, contanto que não haja escândalo. Acham-se acima da lei, pelo que para eles os fins justificam os meios. Sobretudo, quando dão muito dinheiro a ganhar à sua diocese e à Cúria romana. Dão até direito à beatificação-canonização, após a morte. Como os recentes exemplos de João Paulo II e dos desgraçados irmãos Jacinta e Francisco, de Fátima, mais a do cónego Formigão que já vem a caminho no-lo gritam a todo o momento.

A grande questão eclesial e social é que, neste início do terceiro milénio, nem os clérigos padres celibatários, nem os clérigos diáconos casados trazem quaisquer benefícios à sociedade civil e à Humanidade, no seu todo. Pelo contrário. Ocupam-se todos de coisas que nunca deviam ter sido instituídas e que, hoje deviam até ser proibidas e punidas por lei, uma vez que só servem para infantilizar as populações e impedi-las de crescer de dentro para fora em protagonismo eclesial, social e político.

Aos diáconos casados cabe apenas fazer mais do mesmo que já é feito pelos clérigos celibatários. Só não podem presidir às missas, confessar-absolver os que infantilmente ainda se confessam, nem administrar o sacramento conhecido por extrema unção. Mas, como, por regra, depois de ordenados pelos bispos diocesanos, os diáconos casados são nomeados para paróquias grandes e dos grandes centros urbanos, acabam por fazer apenas aquilo que os clérigos párocos lhes dizem para fazer. O que redunda numa enorme frustração pessoal. Compensada, entretanto, pelo que o estatuto clerical de diácono casado lhes permite fazer de hediondo, sem que ninguém alguma vez suspeite. Não fosse isso e nenhum dos grandes figurões católicos seria sequer católico, muito menos clérigo diácono casado. Um estatuto que indignifica todo o nascido de mulher, a mulher com quem o próprio está casado e respectivas filhas, filhos. Por isso, a pergunta: A ordenação de clérigos diáconos casados é um reforço da igreja clerical ou o seu fim?

Bragança é uma das dioceses que, neste domingo 26 de Novembro, o Dia de Cristo Rei e Senhor do Universo – a negação absoluta de Jesus Nazaré e do seu Evangelho – ordena cinco novos diáconos casados. Deles, garante o bispo ordenante, D. José Cordeiro: “Após 5 anos de formação, através do IDEP - Instituto Diocesano de Estudos Pastorais, Amílcar Pires (Unidade Pastoral Santa Maria do Sabor), Henrique Fernandes (Unidade Pastoral Santa Maria do Sabor), Joaquim Queirós (Unidade Pastoral de S. Bento), José Fernandes (Unidade Pastoral de S. Bento) e José Fonseca (Unidade Pastoral de Ansiães), foram admitidos às Ordens Sacras, no passado domingo, dia 12 de novembro. São casados e têm tido um papel activo nas ações pastorais da Igreja Diocesana, sobretudo através das suas Unidades Pastorais, movimentos e secretariados.”.

Palavra de bispo. Por isso, incontestada. Gritassem as pedras e as paredes de certas salas tudo o que sabem do bispo ordenante e dos seus 5 escolhidos, e muito teriam a contar. Sabe o bispo que os escolhe e ordena na Sé Catedral de Bragança, a mãe de todas as prostituições. A pior das quais é a do Dinheiro, a única que verdadeiramente prostitui quem a pratica. E neste particular pode algum dos 5 novos diáconos casados atirar a primeira pedra?!

E ainda vem agora o papa Francisco com o seu “Dia dos pobres”!

PARÓQUIAS OU OUTRAS TANTAS FÁBRICAS DA IGREJA CATÓLICA?!

A esmagadora maioria dos chamados “fiéis leigos” - até esta designação canónica é cretina – desconhece que cada paróquia católica é uma dos milhões de fábricas da igreja católica espalhadas pelo mundo ocidental e outras partes do mundo, Ásia incluída, graças sobretudo ao trabalho-escravo dos chamados “missionários”, elas e eles, enviados por ela aos “pagãos”, entenda-se os não-cristãos católicos. Daí as históricas guerras fratricidas entre igrejas cristãs e religiões, uma vez que a igreja católica tem-se como a única igreja verdadeira e todas as outras, meras associações religiosas. Muçulmanos que sejam. Se estes quiserem salvar-se, têm de trocar o Alcorão pela Bíblia, o mitificado Maomé pelo mítico Jesuscristo, Alá por Deus-pai todo-poderoso, o do Credo de Niceia-Constantinopla!

Dois mil anos de cristianismo católico são dois mil anos de menoridade das populações, cujas mentes-consciências são formatadas para obedecer aos clérigos-sacerdotes e, em última instância, ao papa de Roma, o sucessor de Pedro, traidor e negador de Jesus e do seu Projecto político de sociedade; e, a partir do século IV, também e sobretudo sucessor do imperador de Roma. Ou “outro Cristo”, no dizer ainda mais demencial de uma certa teologia com tudo de papolatria. O cúmulo da indignidade humana que converte sucessivos nascidos de mulher em filhos do Poder. No caso, poder monárquico absoluto e infalível, com a missão-ambição de dominar as mentes-consciências todos os povos do mundo, apoderar-se deles, das suas filhas, dos seus filhos, e também dos seus bens, objectivo último da transnacional igreja católica. Cujo Deus é o Dinheiro, mascarado de bem-fazer e de rezas litúrgicas ou privadas, locais sagrados, absolutamente incapaz de fazer o bem, concretamente, abrir os olhos das mentes das multidões e levantá-las da prostração-alienação sócio-política que nem as deixa distinguir entre direita e esquerda políticas, muito menos, as estimula a serem elas próprias, cada dia, Política Praticada.

É bom que se saiba que o fundamental de cada paróquia e diocese territorial da igreja católica é a chamada Fábrica da igreja ou Comissão fabriqueira. Cabe-lhes fazer crescer os bens eclesiásticos e geri-los com sucesso. Os párocos são sempre os presidentes das Fábricas. Os outros membros leigos, apenas seus conselheiros, já que o poder de decidir é apenas dos párocos. As populações são instigadas a financiar com o seu dinheiro a construção de igrejas, capelas, residências paroquiais, Centros Sociais Paroquiais, IPSSs e outros edifícios, mas tudo é depois propriedade da igreja-transnacional católica, cuja sede está em Roma. Até os dinheiros recolhidos periodicamente por voluntários junto de cada família residente nas paróquias, para financiar a construção de novos edifícios, podem muito bem ser desviados depois pelos respectivos párocos para fins totalmente diferentes. Inclusive, para proveito dos próprios párocos. Sem que as populações possam reclamar num tribunal civil. Só no tribunal eclesiástico, cujo juiz presidente é o próprio bispo titular ou quem temporariamente o substitui. Por isso sem pés para andar.

Nunca isto é dito dos altares para baixo. Porque o silêncio dos clérigos é a alma do negócio. Quem sai sempre a perder é quem se deixa levar pelas falinhas mansas ou bravas dos clérigos-lobos mascarados de sacerdotes e abre os cordões à bolsa. As Fábricas da igreja agradecem e, em troca, prometem-lhes o céu após a morte! Não há igreja-movimento de Jesus. Há a transnacional igreja católica que dispõe de milhões de fábricas a produzir imóveis, dinheiro e populações possessas de Medo. Em Portugal, ainda mais, porque todo este negócio é isento de impostos, graças à Concordata de 1940, ainda em vigor. Tudo para maior glória de Deus-pai todo-poderoso, o Dinheiro. E ainda vem agora o seu clérigo-mor, o papa Francisco, criar “O Dia mundial dos pobres”! É preciso ter lata! Primeiro, fabrica os pobres e, depois, cria o Dia mundial dos pobres! “Raça de víboras!”, grita Jesus, o de Nazaré (Cf Mateus 23, 33)

Actos terroristas e fogos florestais

SERÁ QUE VIERAM PARA FICAR?!

Bem se pode afirmar que os actos terroristas que hoje já quase não são notícia vieram para ficar. Como os fogos florestais. Não são uma fatalidade, mas dois dos piores frutos da opção política e económico-financeira e, até, antropológica-teológica que está na origem deste nosso tipo de mundo. Digo mais. Frutos, sobretudo, na ordem do ser, da opção antropológica-teológica que é a mãe de todas as outras. Uma vez que, por trás de toda e qualquer opção política e económico-financeira, está sempre uma antropologia e uma teologia. Não damos por elas, porque já nascemos, crescemos, morremos num tipo de mundo que temos como natural, quando é cientificamente teológico e ideológico.

Desde que os nossos antepassados mais primitivos, possessos de Medo, formularam a hipótese “Deus”, deram início a um tipo de mundo onde o Medo veio a tornar-se quase congénito. Somos concebidos e gerados no Medo. Nascemos e crescemos no Medo. Somos educados e morremos no Medo. Há milénios e milénios que é assim. De modo cada vez mais refinado. Vemo-nos hoje mergulhados num dos picos mais altos do Medo. Quase sem oportunidade para parar, reflectir e encontrarmos a porta estreita de saída do Medo. E como as anteriores gerações, insistimos na fuga para a frente. Sem vermos que nos espera o abismo nuclear. Quando o imperativo ético nos exige parar e inverter a marcha. Até regressarmos aos primitivos Humanos, para abdicarmos, em definitivo, da hipótese “deus” que eles, possessos de Medo, demencialmente formularam.

Até os filósofos e cientistas nossos contemporâneos – os mais possessos de Medo – vivem obcecados em viajar para trás no tempo, mas não em busca dos primitivos Humanos que formularam a hipótese “deus”, para dela abdicarem, sim em busca do que chamam, “partícula de deus”. A obsessão é tão forte que até os cientistas auto-declarados ateus estão também apostados nela. Convictos, certamente, de que a partícula de deus não existe e verem assim mais do que justificado o seu auto-declarado ateísmo. Insensatos que somos, os auto-declarados crentes e ateus. Mais ainda os crentes. Porque se hoje cresce de dia para dia o número dos auto-declarados ateus, isso deve-se sobretudo aos auto-declarados crentes. Cujo ser-viver na história não é um ser-viver que se apresente. Até o Concílio Vaticano II o diz. Mas, também por isso, continua metido na gaveta, como, cem anos depois da revolução russa, o chamado socialismo-comunismo.

Urge regressarmos aos primitivos Humanos que, possessos de Medo, formularam a hipótese “deus”. Não para a reformularmos. Sim, para abdicarmos dela liminarmente. Porque o imperativo ético é, em cada tempo e lugar, olharmos-nos nos olhos uns dos outros e reconhecermos, com imensa alegria, irmã gémea da Verdade, que somos os mais frágeis dos seres vivos e, sabiamente, religarmo-nos para sempre uns aos outros, numa unidade indissolúvel, a ser reforçada e melhorada por cada nova geração que vem ao mundo. Sem nunca mais formularmos a hipótese “deus”, sem dúvida a maior tentação que reiteradamente nos bate à porta.

Porque só na religação uns aos outros, ao modo dos vasos comunicantes – é assim o organismo vivo de cada uma, cada um de nós – e a cuidarmos com crescente alegria uns dos outros e da Terra que dança ininterruptamente à volta de si mesma e ao mesmo tempo à volta do Sol, acabamos, mais cedo do que tarde, por darmos conta do Sopro outro que gratuitamente nos habita e faz ser irrepetíveis e únicos , desde o instante da nossa conceição no útero materno. Sem nenhum lugar para o Medo e o tipo de mundo por ele gerado, que só sabe roubar, matar, destruir. No qual os actos de terrorismo e os incêndios florestais, cientificamente programados, vieram para ficar e levar tudo e todos.

Novembro, castanhas e vinho

MORTOS E SANTOS PARA QUE VOS QUERO?!

É preciso muito mau gosto cristão católico e ter um viver aterrorizado desde a infância perante a Morte, nossa irmã gémea, para, logo no início do mês dos magustos e da prova do vinho novo, impor aos seus castigados súbditos o dia de todos-os-santos e o dia da invasão aos mortos nos cemitérios. Só mesmo de clérigos celibatários à força, carregados de privilégios castradores, com viveres amargurados, tecidos de esterilidade e de solidão. Não suportam ver os seus súbditos “perder-se” nas festas das castanhas e do vinho novo, para cúmulo, apadrinhadas por um tal de s. martinho que, depois de ter repartido o manto pelo mendigo nu, nunca mais teve emenda, ao ponto de acabar padrinho de todas elas. Nem sei como os clérigos do topo da pirâmide eclesiástica ainda não retiraram o nome dele do catálogo dos santos, cada qual com a sua especialidade, por sinal, todas prejudiciais. É tempo de gritar a uma só voz, Mortos e santos, para que vos quero?!

Devo reconhecer que não há fim mais desgraçado e absurdo do que alguém acabar um dia reduzido a santo-de-altar. Ou a morto cultuado num cemitério. Vejam só. Vai já para 20 séculos que s.pedro-e-s.paulo, por exemplo, permanecem naquela mesma posição de santo de altar. Um de chaves-na-mão e o outro de-espada-em-punho. O mesmo se diga dos mortos dos jazigos condenados a ter de apanhar todos os sábados com carradas de flores, as mais caras do mercado e com todas aquelas hipócritas lágrimas dos familiares e pseudo-amigos que, no primeiro dia do mês de novembro transformam os cemitérios num mar-de-vaidades e de desavergonhados desfile-de-modas. Onde se combinam encontros proibidos a desoras, nos quais o sexo é furiosamente praticado, numa desesperada tentativa de afugentar o medo da Morte. Sem perceberem que desse modo mais não fazem do que gritá-lo aos quatro ventos! Porque tudo é feito sem um pingo de ternura, arte de cuidar e amor recíproco, sem dúvida as três expressões maiores da Vida humana. Quando, afinal, a Morte é a irmã gémea que leva a vida de cada qual à plenitude.

Chegados ao terceiro milénio cristão, cumpre-nos reconhecer que o cristianismo, nas suas múltiplas igrejas, é o pior que, como Humanidade, nos aconteceu. Com ele, até as mais fascinantes obras de arte, nos múltiplos ramos em que ela se diz-revela – música, arquitectura, pintura, escultura, teatro, literatura – são portadoras de um sopro que envenena-acorrenta as mente-consciências e as mata. Ficamos deslumbrados perante elas, mas sempre e cada vez mais sem vez nem voz. Como bois a olhar para os palácios. Artistas houve que tentaram fintar os grandes eclesiásticos-mecenas, mas porque não cortaram o cordão umbilical que os ligava a a eles, acabaram pior que eles. Tudo o que criaram para eles foi logo utilizado por eles para manterem as populações e os povos acorrentados, infantilizados, tolhidos, submissos. Ao ponto de nascerem, crescerem, viverem e morrerem reféns deles. Como o dia de todos os santos e o dia dos mortos – dois no calendário, na verdade, dois-em-um – aí estão ainda a gritar, por mais laica, agnóstica, ateia que a nossa sociedade hoje se diga. Mantém-se demencialmente cristã.

Nem Lutero, há 500 anos, com o seu grito do Ipiranga contra o centralismo papal e o seu poder monárquico absoluto, conseguiu mudar as coisas na raiz. Pelo contrário, acabou por dar ao cristianismo popular o rosto elitista e erudito que lhe faltava, ao apostar forte e feio na Bíblia, com destaque para o Evangelho de S. Paulo que atira para a vala comum o Evangelho de Jesus, este sim, todo pró-seres humanos e povos maieuticamente religados entre si, sem deuses nem chefes, progressivamente sujeitos dos seus próprios destinos. Excomungado pelo papa de então, está em vias de canonização pelo de hoje. Francisco sabe, como jesuíta, que, com a unidade dos cristianismos e a Bíblia, o monárquico e infalível Poder papal é absoluto. Com os seres humanos e os povos reduzidos a robots!

Edição 131 Outubro 2017

Ainda o polémico Acórdão da Relação do Porto

O JUIZ QUE MAIS FEZ PELA DIGNIDADE DAS MULHERES

Anda toda a gente, a começar por tudo quanto é organização de defesa de mulheres vítimas de violência doméstica, a gritar nas tvs e redes sociais contra o juiz Joaquim Neto de Moura do Tribunal da Relação do Porto, só porque ele acaba de escrever, num Acórdão que assina em parceria com uma juíza do mesmo Tribunal, o pior que se pode dizer das mulheres casadas que praticam adultério. Acho que fazem mal. Deviam era agradecer-lhe. É que ele, sem querer, acaba de fazer mais pela dignidade das mulheres casadas que praticam adultério e pela indignidade dos homens que também o praticam e, ao contrário delas, são até elogiados pelos juízes, do que todas essas organizações juntas. Vejam que ele chega a citar a Bíblia judeo-cristã-islâmica, para fundamentar o seu aberrante Acórdão. Ao ponto de obrigar os bispos a vir a terreiro defendê-la. Não com base nela, sim com base em Jesus, o do Evangelho de João. Só que - azar deles - Jesus Nazaré é o primeiro ser humano a pô-la em questão e, nela, todos os livros ditos sagrados!!!

Escrevo obviamente em chave de humor, a única em que esta inqualificável aberração do juiz pode ser abordada com dignidade. Não entendo que se levantem só contra ele, quando o que é eticamente imperioso e urgente é levantarmo-nos contra os dois mil anos de cristianismo-islamismo e os três mil anos de judaísmo, filhos da Bíblia judeo-cristã-islâmica, bem como contra os milhares de milhões de livros de todas as bibliotecas do mundo ocidental, cujos autores, na esteira dela, sempre viram e vêem as mulheres como propriedade do pai, enquanto solteiras e, depois de casadas, como propriedade do marido, no mesmo nível do boi, da vaca, do jumento e da casa. E como mera barriga de aluguer onde o seu dono-marido e senhor deposita o sémen que, depois, graças aos nutrientes fornecidos por ela, se tornam filhas, filhos exclusivamente dele, paridos por ela entre lancinantes gritos de dor. Os quais são logo convertidos em mão de obra barata dele, quando a riqueza é o latifúndio, e das multinacionais de hoje que fazem da maioria dos nascidos de mulher seus escravos, quer nas horas de trabalho forçado, quer nas horas das múltiplas e ruidosas diversões que o seu Mercado global lhes vende.

Afinal, o juiz Joaquim Neto de Moura, já com 28 anos de actividade, mais não faz do que aplicar a doutrina que a esmagadora maioria das mulheres e dos homens trazemos alojada nas nossas mentes, como um demónio, mascarado de teologia dogmática e moral do judeo-cristianismo-islamísmo, suas sinagogas, igrejas e mesquitas. Somos cegas, cegos, se corremos a atirar pedras ao juiz e deixamos intacta a demoníaca teologia do judeo-cristianismo-islamismo, de que ele é uma das vítimas e simultaneamente um dos seus agentes laicos de topo. A verdade que teimamos em não querer ver que ainda não somos nascidos e já essa demoníaca teologia é alojada nas nossas mentes. As mães, os pais têm sido, ao longo dos séculos, os seus principais difusores. Nem os ateus o são verdadeiramente. Deixam de frequentar os locais de culto, mas continuam a cumprir e a fazer cumprir as fundamentais leis do Poder. Filtram mosquitos e engolem camelos.

Todas as civilizações do passado e do presente, também a nossa civilização ocidental de raízes cristãs, estão edificadas sobre as demoníacas teologias dos chamados livros sagrados, com destaque para a Bíblia e o Alcorão, dentro das quais nos sentimos a jeito, porque achamos natural que seja o princípio masculino, gerador do Poder que conquista, domina, rouba, mata, destrói, a estar ao comando do mundo, quando só o princípio feminino (Jesus) é gerador da Arte de Cuidar da vida, dos seres humanos, dos povos e do universo. Ou nascemos de novo, à revelia das civilizações fundadas nos livros sagrados, e em sintonia com o princípio feminino, ou não chegamos sequer a ser mulheres-homens. Apenas coisas, mercadorias. Alguns no topo da pirâmide, a esmagadora maioria na base.

Mais um santo português

O PAPA FRANCISCO ENLOUQUECEU?!

Quando Portugal ainda estava a arder, inclusive, Outono adentro, e os fogos florestais, criminosamente incontroláveis, continuavam a matar concidadãs, concidadãos nossos, eis que o papa Francisco, domingo 15 de Outubro, em Roma, mete-se a declarar e a definir, numa liturgia cheia de pompa e circunstância imperiais, que Ambrósio Francisco Ferro, padre português assassinado há 372 anos (1645) no Brasil por 200 soldados calvinistas holandeses , passa, agora, a ser santo, juntamente com outros 29 católicos que nesse mesmo dia assistiam à sua missa dominical. O país real a arder nas suas entranhas, nem sequer deu por nada, pelo que a grande pergunta que se impõe, pelo menos, a mim, como presbítero-jornalista, só pode ser esta, O papa Francisco enlouqueceu?!

Calma! Não venham já a correr dizer que quem enlouqueceu fui eu, porque um louco não é capaz de formular a grande pergunta que eu acabo de formular. Só alguém que, na sua fragilidade humana, se atreve a encarar este nosso hoje-e-aqui nacional, europeu e mundial à luz da Fé e da Teologia de Jesus é capaz de ver a realidade-verdade que as encenações ideológicas e religiosas, em que são peritos todos os papas, Francisco incluído, e todos os clérigos do topo à base, sistematicamente escondem. Não vá acontecer que os povos escutem o imperativo ético que nos intima a passar de cristãos e religiosos a humanos, e o queiram praticar. E bem, porque só o Humano é o nosso único denominador comum, como povos, na belíssima variedade de cores, falares e nações.

Embora me repugne, não posso deixar de reproduzir aqui a fórmula da canonização, para que muitas, muitos mais juntem ao meu o seu escândalo. Tudo nesta fórmula de fazer santos é obsceno. Só mesmo de quem enlouqueceu e por isso já não sabe sequer o que está a dizer. Para mais, dita em latim, como faz o papa Francisco desta vez, a fórmula é ainda mais de estarrecer. O surpreendente é que a intelectualidade ilustrada que por aí se pavoneia neste nosso mundo ocidental, incluída a que se diz ateia, assista a todas estas demências papais e cristãs e se cale. Sinal de que, mesmo secular, agnóstica ou ateia, continua aí corporativamente cristã, em vez de humana. Ou o deus todo-poderoso de que fala o Credo de Niceia-Constantinopla não seja efectivamente o Dinheiro. É. E deste, quem se confessa ateu? Ei-la, pois, aqui, para que possamos avaliá-la e reconhecer que quem tais coisas diz neste início do terceiro milénio só pode estar enlouquecido:

Em honra da Santíssima Trindade, para exaltação da fé católica e incremento da vida cristã, com a autoridade de nosso Senhor Jesus Cristo, dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo e Nossa (sic, com maiúscula, no original), depois de termos longamente reflectido, implorado várias vezes o auxílio divino e ouvido o parecer de muitos Irmãos nossos no Episcopado (sic, com maiúsculas, no original), declaramos e definimos como Santos os Beatos (aqui o papa pronunciou os nomes dos candidatos) e inscrevemo-los no Catálogo dos Santos, estabelecendo que, em toda a Igreja, sejam devotamente honrados entre os Santos. Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo”.

Resta saber, por fim, o que vai fazer o papa com os 200 soldados holandeses, aos quais a sua empresa multinacional fica a dever a graça de poder contar com mais 30 novos santos, a atrair muito dinheiro para ela. Porque se eles os não tivessem assassinado, tão pouco ele podia agora declará-los e defini-los santos, com culto público nos altares, sagrados sorvedoiros do dinheiro de milhões de fiéis criminosamente mantidos no infantil e no medo, que os condena a um humilhante ser-viver de joelhos, quando o que eles mais precisam é fazer das tripas coração, até serem donos dos seus próprios destinos. Num saudável ser-viver sem deuses, nem chefes! Simplesmente humano e sororal!

Carta Aberta, com amor e humor teológico

De bispo de Bragança, a bispo e papa de Roma?

Meu caro D. José Cordeiro

Sei que o teu sonho não é continuar a ser bispo de Bragança e Miranda. És pequeno de estatura, como Zaqueu, o do Evangelho de Lucas, que tem de trepar às árvores para ver Jesus, mas és grande em desejo. Não, como ele, em desejo de conhecer Jesus, porque então terias de te dispor a dar metade dos teus bens aos pobres e a restituir quatro vezes mais a quem roubaste. Ainda que sempre possas dizer que nunca roubaste nada a ninguém, como, de resto, também Zaqueu podia, mas não é o que ele diz a Jesus, porque, quando o acolhe em sua casa, sente-se completamente desnudado perante aquele o olhar dele e não se atreve a continuar a fazer de conta, como insistem em fazer de conta todos os bispos residenciais e párocos clérigos católicos e pastores protestantes. Outros o fazem para ti. Para todos vós. Como, em seu tempo, outros o fazem para Zaqueu, uma vez que ele, tal como tu, todos vós, é chefe de cobradores de impostos ou publicanos. O fausto que vives em permanentes céus forrados a ouro, onde até a fé religiosa que te anima tem o brilho do ouro – as inúmeras fotos que exibes no Fb não enganam! – já tem muito de papa de Roma. Mas não é Roma. É Bragança e Miranda. Coisa pouca para ambição tão grande quanto a tua. É por demais manifesto que só aceitaste Bragança, como primeiro degrau para o Patriarcado de Lisboa, onde serás garantidamente elevado a cardeal. Um dos eleitores do papa e simultaneamente papável. E até já te estás a ver a mudar de bispo de Bragança, para bispo e papa de Roma.

Há várias dioceses do país à espera de bispo titular. Das vacantes, a do Porto é, certamente, a mais cobiçada. A morte repentina do seu titular, D. António Francisco, que deixou às pressas a de Aveiro em troca pela do Porto, de poucos anos lhe valeu. Que a senhora de fátima é assim. Aos seus mais fiéis e generosos devotos, como os irmãos Francisco e Jacinta, de 1917, gosta de os levar para o céu, onde ela não tem nada para fazer, nem sequer bordar toalhas de altar, porque lá já está tudo feito e bordado a ouro, ou o deus do céu, de que falam tanto as igrejas e as religiões, não seja o Senhor todo-poderoso Dinheiro que tudo compra e corrompe, a começar pelas mentes-consciências dos papas, bispos residenciais, clérigos, pastores e demais agentes do Poder político e económico. E não fosse ele, como é, o único senhor do mundo, ao qual todas as igrejas cristãs e religiões servem, assim como os bancos e os governos das nações.

Será que desta vez, o papa e o seu núncio em Lisboa já estão a deparar com falta de vocações para bispo residencial? A falta de clérigos em idade bispável é cada vez maior e os novos clérigos não chegam para as encomendas. De resto, sabem melhor do que ninguém que, nas actuais circunstâncias, ser bispo residencial é ser general sem tropas no terreno, o mesmo é dizer, sem cobradores de impostos e de misseiros que lhes façam chegar todo o dinheiro que uma cúria diocesana necessita para se manter na ostentação, indispensável para continuar a merecer a reverência dos autarcas e dos grandes financeiros, todos organizados em sociedades anónimas e em sociedades secretas.

Estou com curiosidade em ver se o escolhido para o Porto és tu, meu caro D. José Cordeiro. O Porto não te garante o cardinalato, eu sei. Mas é um degrau bem mais perto do patriarcado. E tens o exemplo do actual cardeal de Lisboa que começou por desistir de bispo auxiliar do patriarcado para ser bispo do Porto, e daqui poder saltar novamente para Lisboa, então como seu titular, não mais como seu auxiliar. Porque se há institucional onde nenhum dos membros de topo pode alguma vez passar de cavalo para burro, é o institucional eclesiástico católico. Todos são hierarquia, poder sagrado, celibatários, frequentadores dos lugares sagrados. Os mais desgraçados dos nascidos de mulher!

Macieira da Lixa, 13 Outubro 2017.

Autárquicas 2017

E AGORA, DUPLA PP-PC E SEUS CLÉRIGOS CATÓLICOS?

Depois destas eleições autárquicas 2017 que varreram definitivamente da cena do poder político a dupla PauloPortas-PassosCoelho (PP-PC) , como ficam os bispos residenciais e a generalidade dos clérigos-párocos que gostavam tanto deles e do seu Aníbal? Assunção Cristas, indigitada pelo próprio PP para lhe suceder à frente do CDS-PP, acaba de o engolir vivo, qual gibóia política que depressa veio a revelar-se. Aquela sua máscara permanentemente sorridente revela uma ambição de domínio político do tamanho do catolicismo que a própria faz questão de exibir a propósito de tudo e de nada. Não hesitou em dar um pontapé nos filhos e no marido, ainda que continue oficialmente casada, segundo os cânones da igreja católica que ajudam a encobrir o que de ambição de poder anda dentro daquela sua cabeça. Com os meteóricos resultados que acaba de alcançar em Lisboa, quando, agora, se vê ao espelho, vê-se Macron, travestida de mulher-gibóia. Nem o CDS-PP consegue ter mais mão nela. A partir de agora, tão pouco ela quer saber do humilhado PassosCoelho de quem foi ministra, o qual, para não ser esmagado por um dos muitos barões PSD, já decidiu afastar-se da presidência do partido pelo próprio pé.

Desde que a Geringonça – um título depreciativamente criado por PP, hoje afastado dos holofotes do poder político e todo mergulhado nos negócios, não dos submarinos, mas da Mota-Engil e do petróleo – está ao leme do país, em detrimento das próprias populações politicamente organizadas ao modo dos vasos-comunicantes, até os ventos do Poder financeiro voltaram a soprar mais fortes neste chão à beira mar plantado. Com o agrado das populações que insistem em gostar de sucessivos messias salvadores, sem nunca chegarem a perceber que das bandas do Poder financeiro nunca vem nada de bom. Ainda que possa parecer. Sempre que o sopro dele se instala nas mentes das populações e dos povos, faz delas, deles, gato-sapato. E os frutos estão aí de novo bem à vista: ele é futebol dos milhões a rodos, ele é senhoras-de-fátima e quejandas a rodos, ele é festivais de música até às tantas, com drogas e cerveja a rodos; mas Cultura, Recreação saudável, Poemas, Livros, bibliotecas com autores dentro, zero. E até o pouco que nestas áreas ele promove, anestesia as consciências, mais do que as desperta, e jamais chega a levantar das margens os milhões de caídas, caídos produzidos por ele.

Desde que o Poder financeiro está crescentemente ao comando do mundo, em lugar dos povos, tudo corre a favor de mais e mais Obscurantismo, de mais e mais Egoísmo corporativo. Até as Greves, instrumento de último recurso nas lutas sindicais, é hoje o primeiro a que os Sindicatos – organizações corporativas, enquadrados por partidos políticos, também eles corporativos – deitam mão. Mesmo que, como no caso das greves dos médicos e dos enfermeiros, em Portugal, estejam em jogo milhares de vidas humanas, que, assim, acabam reduzidas a mera moeda de troca para obtenção de privilégios de casta, que não de direitos. Os direitos são universais. Por isso, comuns a todos nós, seres humanos e povos. Já os privilégios são reivindicações desta ou daquela corporação em prol dos seus associados, sem quererem saber das maiorias.

Haja, pois, deontologia profissional, quando se recorre à greve. O egoísmo corporativo é assassino, ainda que, depois, vista aqui e ali de Madre Teresa de Calcutá. Em áreas tão sensíveis como a saúde e a justiça, há meios de luta bem mais eficientes do que a greve. Imaginação e dedicação profissionais precisam-se. Posturas corporativas, à Salazar, só reforçam o Poder financeiro. Contarão certamente com o silêncio cúmplice dos bispos e dos clérigos-párocos da igreja católica, a maior e a pior corporação religiosa do país e do mundo ocidental. Só que o grande imperativo ético que nos cabe como seres humanos e povos, é decapitar o Poder financeiro, mediante a Política praticada. Nunca reforçá-lo.

De um restaurante à beira-rio Douro a um Concerto Clandestino no BC

MAS QUE SÁBADO ESTE, 23 SETº 2017!

Para quem, como eu, vive atento aos sinais dos tempos e à escuta do Vento-Sopro-Ruah, que não sabemos de onde vem nem para onde vai, os espaços profanos são os mais saudáveis para a minha mente cordial de presbítero-jornalista. Fujo dos templos e dos lugares sagrados, o mais que posso. Mesmo nos anos que, por inerência das funções paroquiais que então me são confiadas, tenho de os frequentar, já há em mim o cuidado de os converter em espaços profanos, onde quem entra não tem de deixar à porta a voz e a vez, pelo contrário, entra inteiro, com todas as suas capacidades. Todos os espaços ditos sagrados são doentios e fonte de doença. Perturbam e atrofiam a mente consciência de quantas, quantos lá entram, a começar pela dos clérigos-chefes, impostos de cima para baixo às populações, por isso, os mais estranhos dos seres e os mais amargurados. Sem o Vento da liberdade e da criatividade, apenas o sopro do funcionário e mercenário.

Vem todo este intróito a propósito de uma das experiências mais plenamente humanas que me é dado viver no sábado, 23 de Setembro 2017. Convidado por um amigo assumidamente ateu a estar presente e a dar sentido teológico outro, ao almoço-diamante dos sessenta anos de casados dos seus pais, Genuína e Álvaro (1957-2017) e, simultaneamente, almoço do 19º aniversário natalício de Inês, já a frequentar o primeiro ano da Faculdade de Sociologia no Porto, neta do casal-diamante e filha do meu amigo ateu, deixo à hora marcada a casinha arrendada onde vivo aqui em Macieira da Lixa e aí vou eu, ininterruptamente habitado, por isso, nunca só, no velhinho Clio, mergulhar em cheio naquela festa da Vida, em dois dos seus momentos mais belos e pujantes, cujos protagonistas ainda não conheço nem sequer fotograficamente. Inês, nos seus 19 anos, corpo alto e belo, recém-chegada à maioridade legal, uma flor humana única e irrepetível que, só ao contemplá-la, logo nos abençoa e liberta para a liberdade. O Casal Genuína e Álvaro, já na casa dos 80 anos, ela recém-chegada, e ele já à beira de os deixar, vestidos ambos com a beleza que só frutos maduros e genuínos como eles nos podem dar.

À chegada, percebo que sou para a generalidade das pessoas a grande surpresa do dia, que já conhecem das redes sociais, das intervenções nas tvs e do canal Youtube e que, para espanto de bastantes, afinal sou de carne-e-osso, não apenas virtual. Fazem por isso questão de me beijar e abraçar, como companheiro de jornada, cuja palavra e cujo sopro continua por aí à solta a libertar as mentes-consciências de muitas, muitos, dos grilhões das religiões, seus moralismos e seus mitos, e também dos grilhões do Dinheiro, sem dúvida, o mais macabro dos deuses que, infelizmente, quase não conhece ateus, quase só adoradores religiosos e laicos. A minha simples presença no almoço de festa é, só por si, fecundamente teológica e maiêutica. Até que chega o momento de se tornar também palavra e canto. Nesse momento, todo eu sou Vento, com tudo de brisa ao modo de meninas, meninos, e tudo de vendaval, quando tenho de denunciar o Inimigo n.º 1 do Humano, o Poder financeiro, o mais macabro filho primogénito das três religiões do Livro.

Pouco depois das 17 horas, e sem necessidade de me despedir das pessoas, porque, como lhes digo, continuo com elas ao modo do Vento, regresso a Macieira da Lixa onde me espera, pelas 21 horas, o meu 1.º Concerto Clandestino – 9 Cantos + 1 – interpretado só com a minha voz. Um vibrante Silêncio cresce então no interior do BC, à medida que a mente-consciência de cada pessoa presente é inundada pela Luz-Ruah que atravessa cada Canto e as fecunda, liberta, cura. E a prova provada de que neste tipo de mundo do Poder só na Clandestinidade somos, é que as pessoas presentes no Concerto não arredam pé, tão animada é a Conversa partilhada que se lhe segue. Ao ponto de ter de ser eu a perguntar, Já viram as horas que são?! Mas que sábado este, de 23 Setº 2017!

Edição 130 Setembro 2017

D. António Francisco dos Santos, Bispo do Porto

A QUE SE DEVE A SUA MORTE REPENTINA?

11 de Setembro 2017, 9,30 horas da manhã. O bispo do Porto, D. António Francisco dos Santos, morre repentinamente. Chamado o INEM ao paço episcopal, de nada valeu. O seu coração parou sem apelo nem agravo, conta ele 69 anos de idade. Longe ainda dos 75 anos, a altura para formular o pedido de resignação ao papa, o único bispo que não tem ninguém acima dele a quem apresentar o seu pedido de resignação e por isso pode até ser eleito bispo de Roma, já depois de ter completado os 75 anos de idade. Não fosse esta de todo inesperada morte e, até aos seus 75 anos de idade, a diocese do Porto poderia continuar a contar com toda a piedade mariana e fatimista, em que, para vergonha e esterilidade pastoral deles, todos os bispos titulares católicos do país estão atolados. Desconhece-se, por enquanto, quem é o bispo que se segue, porque também neste tipo de igreja, vale o provérbio, Bispo morto, bispo posto. Para já, o colectivo dos cónegos da catedral do Porto escolheu D. António Taipa, um dos bispos auxiliares, para Administrador da diocese. É um curto interregno, mas o bastante, para, neste período, o nome dele entrar nas preces de cada uma das missas que se celebrar no território diocesano, não vá Deus esquecer-se dele e ele ficar desprotegido não se sabe de quê.

A verdade é que todas essas rezas pelo bispo D. António Francisco, nas milhares de missas celebradas, desde que ele, em 2014, foi nomeado bispo do Porto pelo papa, não impediram esta morte repentina. Para cúmulo – ironia das coincidências! – 11 de Setembro é o primeiro dia após o seu regresso da “Peregrinação diocesana a Fátima”, para onde o próprio não teve qualquer pejo em arrastar mais de oito centenas de milhar de pessoas, entre as quais, 250 presbíteros, párocos na sua maioria, mais de 600 acólitos e fiéis leigos das 22 vigararias e das 477 paróquias da diocese. Numa inequívoca prova de que a igreja católica em Portugal, a começar pelos respectivos bispos titulares, faz gala de ser fundamentalmente mariana e fatimista, em total detrimento do Evangelho de Deus que nunca ninguém viu e se nos dá a conhecer em Jesus, o filho de Maria, não em Maria sua mãe, que, por sinal, nunca se faz sua discípula praticante, pelo contrário, chega até, juntamente, com outros familiares, a tentar “ter mão nele”, porque o têm por “louco”(cf Marcos 3, 20-21; 31-35). Uma classificação que então desacredita por completo Jesus e o Deus que nunca ninguém viu e nele se nos revela.

Com isso, ela ajuda a abrir por completo as portas ao judeo-cristianismo, criado pelo grupo dos Doze, logo que se vêem livres de Jesus, morto na cruz, e, a partir do imperador Constantino, também aos cultos pagãos do império romano. Um sistema religioso todo veneno ideológico-teológico atrofiador das mentes humanas que se deixem apanhar por ele. E não só. Também o mais furioso perseguidor de Jesus e da sua Igreja-Movimento/ Vento, a única que é o sal da terra, a luz do mundo, o fermento na humanidade, a sentinela dos povos em cada uma das nações.

É por demais manifesto que a senhora de Fátima alimenta-se de gente crédula e tolhida de medos de toda a espécie, a começar pelo medo do inferno e do purgatório. Como, de resto, logo no início, fica bem claro pela forma como ela trata os dois irmãos do teatrinho das “aparições”. E que posteriormente a Documentação Crítica de Fátima, numa desesperada tentativa de evitar o escândalo popular, não hesita em pôr na boca da “aparição” que “em breve os vai levar para o céu”, só porque Francisco morre logo em 1919 e Jacinta em 1920. O mesmo sucede agora com o bispo fatimista do Porto, D. António Francisco. A senhora de Fátima “leva-o para o céu”, logo na manhã do dia seguinte à sua chegada da grande “peregrinação diocesana a Fátima”, e dois dias depois da festa litúrgica da “Dedicação da Igreja Catedral do Porto”, que tem por padroeira a Senhora da Assunção, a cuja missa solene ele presidiu. É mesmo de loucos!

P.S. Devo esclarecer que, nos anos em que o bispo agora falecido, esteve à frente da diocese, partilhei com ele, via email, quase todas as semanas, um Texto Fraternizar, sem alguma vez ter obtido qualquer reacção dele ou do seu secretário. E, em Agosto último, premonitoriamente – sei-o agora – escrevi-lhe e ao bispo D. António Taipa, meu amigo pessoal, um email que guardei e que agora aqui divulgo. Para que conste. Eis:

“O meu abraço de irmão, queridos Bispos, António Francisco e António Taipa

Vejo, pela agência Ecclesia, que andaram por estas terras da Lixa e Felgueiras.

Juntamente com os outros dois irmãos bispos, João Miranda e Pio.

A homenagem do Município ao bispo João (as eleições são já no dia 1 de Outubro!) e o restauro da igreja românica de Vila Verde a tanto obrigou. Mas logo 4 bispos, é manifestamente demais para tão pequeno e inócuo evento.

Vivo aqui perto dos locais por onde andaram. Esta não é casa paroquial, nem templo paroquial, nem igreja românica. É simplesmente uma casinha arrendada que, antes, foi um anexo da casa do meu senhorio. Infelizmente, Vós não tivestes tempo, nem disposição para me aparecer com o vosso abraço de irmãos. Uma indisponibilidade que - podeis crer - deixou as pedras da calçada a gritar.

Concluo que para Vós os seres humanos, mesmo que presbíteros já definitivamente libertos como eu de todos os ofícios e privilégios canónicos simplesmente não existem. E é pena. Porque, então, tão-pouco Jesus, o filho de Maria, existe para Vós.

Que me dizeis? E achais que fora do HUMANO há saúde-salvação?

Renovo o meu abraço de irmão. E deixo-Vos com a minha paz.

Macieira da Lixa, 14AGOSTO2017

Mário, presbítero-jornalista

Quando ventos ciclónicos, sismos e fogos nas florestas andam aí à solta

QUE ESPIRITUALIDADE NOS MOVE?

Que espiritualidade nos move? A pergunta, mais do que oportuna, quase nunca é verbalizada. Ao Poder não interessa que a pergunta se formule, porque, para ele, só há uma espiritualidade. A que o move a ele. De modo que sejamos levados a pensar que fora dele é o nada. Nem sequer o caos. Simplesmente o nada. É bom termos presente que quem diz espiritualidade, diz espírito. Quem diz espírito, diz vento. Quem diz vento, diz ruah, um substantivo feminino, em hebraico bíblico. Convém também termos presente que sem vento ninguém vive. Até a matéria, toda a matéria, é animada. Desde o big-bang, o vento está presente no tempo. Nada do que existe é sem ele. E sem ele nada do que existe existiria.

Que espiritualidade nos move? As igrejas preferem religião a espiritualidade. Todas se auto-apresentam e fazem questão de serem apresentadas às populações e aos povos como religiões. E aquelas e estes é assim que as vêem. São muitas e quase sempre em guerra, muitas vezes até armada. O que leva, inclusive, um famoso teólogo europeu, de renome mundial, assumidamente cristão católico, Hans Küng, a defender a tese, “Não há paz entre as nações, enquanto não houver paz entre as religiões”. Estranhamente, esta tese não tem muitos seguidores nas múltiplas igrejas cristãs, a começar pela católica. Nem entre judeus e muçulmanos, no conjunto, as chamadas “três religiões do Livro”. Só que, apesar de todo o erudito saber de Küng, ou por causa dele, nem ele próprio consegue ver que as religiões são intrinsecamente más e fonte de guerras, pelo que, quando as promovem não fazem mais do que aquilo que está no seu ADN. A espiritualidade que as move é exactamente a mesma do Poder. Religiões e Poder são farinha do mesmo saco. Apenas se apresentam aos povos em diferentes máscaras.

Que espiritualidade nos move? São os frutos religiosos, académicos, económicos, políticos, culturais, sociais que produzimos, dia após dia, que dizem que tipo de espiritualidade nos move, como pessoas, povos e institucionais criados por nós. Os frutos, não os discursos. Os discursos também, mas muito menos. Ora, os frutos dos milhares de anos de presença do Homo sapiens que somos – mais demens do que sapiens – e de todos os institucionais a que demos progressivamente origem não abonam nada a nosso favor. E os dos três últimos milénios judeo-cristãos-islâmicos muito menos. São, indiscutivelmente, os frutos mais sanguinários e cruéis, graças sobretudo, ao progressivo desenvolvimento tecnológico e militar inventado pelo tipo de espiritualidade que tem movido as suas elites. Só porque, quando, no início, tomamos consciência de nós, formulámos demencialmente a hipótese “deus”, em vez de, como fragilidades que somos, nos religarmos sapientemente uns aos outros e ao cosmos que nos gerou.

Que espiritualidade nos move? Quando há dois mil anos o homo sapiens esperava a chegada do Poder invicto (= messias-cristo), eis que pelo ano 6-5 antes desta nossa era comum, acontece Jesus, o filho de Maria, concebido pela ruah, sopro feminino, todo fecundidade e cuidado. E, quando adulto, em vez da hipótese “deus”, como fazem todos antes dele, Jesus experimenta-se plena e integralmente habitado pela ruah-maiêutica que o leva a religar-se não a deus, mas a cada um dos outros iguais a ele, também habitados como ele, e a todos os demais seres que nos precedem no decurso da Evolução, sem os quais simplesmente não somos. Enquanto não acolhermos Jesus Nazaré e a sua Espiritualidade, mai-la sua Fé e o seu Deus Abba-Mãe, continuamos a auto-destruir-nos e uns aos outros e à Terra, nossa casa comum. Como os ventos ciclónicos, os sismos de grau máximo na escala científica e os incontroláveis fogos florestais estão aí hoje a gritá-lo. Quem tiver olhos para ver, que veja. Quem tiver ouvidos para ouvir, que oiça!

SÓ A CLANDESTINIDADE NOS SALVARÁ E AO MUNDO

Só a Clandestinidade nos salvará e ao mundo. O grande Mercado sabe disso e como hoje as populações deste nosso Ocidente ladrão e assassino, de raízes judeo-cristãs, são cada vez menos iletradas, mas não necessariamente mais cultas, não há semana de verão que ele não disponibilize overdoses de festivais de música com dezenas e dezenas de concertos a acontecer ao mesmo tempo e nos mesmos espaços físicos. Onde o barulho instrumental e a cerveja são as principais comidas e bebidas, noite adiante, num ritmo alucinante que muitas vezes termina tragicamente nas estradas, hoje, mais de morte do que meios de ligação entre as diversas localidades. Já nos meses de inverno, ele aposta tudo nos grandes estádios de futebol dos milhões com os seus craques comprados a peso de oiro e dirigidos-controlados, como outras tantas máfias, por poderosas SADs, sempre em guerra umas com as outras, mas só guerras-faz-de-conta. Consegue, deste modo, desviar de si mesmas e umas das outras sobretudo as gerações mais jovens e mais escolarizadas, às quais rouba a alma-mente cordial e o silêncio de que todas, todos, em qualquer idade, tanto necessitamos para sermos progressivamente fecundos e geradores de vida de qualidade e de felicidade.

Só a Clandestinidade nos salvará e ao mundo. Nos tenebrosos tempos dos fascismos de direita e de esquerda, houve, é verdade, muitas pessoas que já a praticaram. Uma clandestinidade que fundamentalmente visava o derrube dos regimes instalados, para os substituir por outros com rótulos e máscaras mais atraentes. Tiveram o seu mérito, há que reconhecê-lo, mas até esse tipo de Clandestinidade o grande Mercado integrou e utilizou para derrubar retrógrados regimes que lhe foram úteis por um tempo, mas que já estavam a transformar-se num empecilho. E se há coisa que o grande Mercado não suporta são agentes seus que insistem em perpetuar-se na função, sem perceberem a tempo que já estão a ser um peso, não uma mais-valia. É por isso o primeiro a estimular a criação de partidos e a financiá-los, de mil e uma maneiras, com o objectivo de, através deles, derrubar os velhos regimes e implantar outros mais ágeis, mais apresentáveis. Tanto assim é que, depois de tantas revoluções vencedoras, o grande Mercado está aí hoje mais poderoso e mortífero do que nunca. Com os melhores cérebros ao seu serviço.

Só a Clandestinidade nos salvará e ao mundo. Mas uma Clandestinidade outra, própria de quem vive no grande Mercado mas não é dele. Para quem antes a morte que tal sorte. Uma Clandestinidade praticada por minorias opcionalmente pobres e conscientes de que o poder, qualquer poder, não nos salva nem ao mundo. Deixa-nos mais e mais mentalmente doentes, porventura, muito frenéticos, mas doentes. Minorias que não têm como objectivo substituir os velhos sistemas de poder por novos. Apenas o objectivo de ajudarem maieuticamente a mudar as mentes-consciências das pessoas, das populações, dos povos. É uma Clandestinidade, tecida se intimidade, que se alimenta de mesas partilhadas, afectos, cantos-poema, partilhas de vida. Não sabe de poder, nem de técnicas de tomar o poder. Sabe de cultura, de sabedoria, de maiêutica, essa sublime arte de puxar pelo que há de melhor dentro de cada pessoa, nem ela é sabedora. Uma Clandestinidade exclusiva de minorias misteriosamente habitadas pelo Vento-Ruah, por isso, cultas, sábias, mesmo que iletradas. Capazes de ler-interpretar os Sinais dos tempos, ao ponto de serem guias fiáveis entre e com os demais, ocupadas a tempo integral a alertar os povos para a presença do abismo que o grande Mercado está ininterruptamente a escavar para nos engolir, se nos deixamos levar pela sua publicidade.

Só a Clandestinidade nos salvará e ao mundo. A Clandestinidade exclusiva de seres humanos que, como Jesus Nazaré, crescem de dentro para fora em sabedoria e em graça-entrega de si aos demais e cujas mentes vêem a realidade para lá da encenação.

Depois de cem anos de Fátima

AS NOSSAS SENHORAS ANDAM TODAS LOUCAS E OS SEUS CLÉRIGOS TAMBÉM

Bem se pode dizer, com humor e amor, que depois de cem anos de Fátima, as nossas senhoras andam todas loucas e os clérigos responsáveis pelo rendoso negócio dos respectivos santuários, também. Basta ver o que aconteceu neste mês de agosto com a nossa senhora do monte, no Funchal, e com a nossa senhora da aparecida, em Lousada.

Fosse apenas isso e já seria mau de mais neste início de terceiro milénio. Mas não é apenas isso. Porque com as nossas senhoras loucas e os seus clérigos loucos, também as populações que teimam em frequentar todas essas festas sem festa e todos esses eventos prenhes de demência, acabam cada vez mais tolhidas de medo, por isso, incapazes de gerir as suas próprias vidas. O que perfaz um crime de lesa-humanidade que nenhuma universidade se atreve a denunciar como tal e, consequentemente, a trabalhar com inteligência cordial para lhe pôr fim.

Mas não só. A juntar às nossas senhoras loucas e aos seus clérigos loucos, neste ano centenário das “aparições-visões” de Fátima, ainda tivemos a mais que previsível tragédia dos incêndios florestais de verão, com o de Pedrógão Grande no topo da lista da nossa vergonha e demência. Foi preciso chegar ao ano centenário daquele tosco teatrinho de 1917, para que a tragédia dos incêndios florestais neste país da senhora de fátima atingisse dimensões nunca antes vistas. As alterações climáticas e a concentração das populações nas grandes cidades do litoral, com a consequente desertificação do interior, tudo coisas da nossa exclusiva responsabilidade, não de Deus, deixam a Terra sem os cuidados que só populações religadas entre si por afectos são capazes de lhe garantir.

Mas como sermos hoje populações religadas umas com as outras pelos afectos, se os dois mil anos de cristianismo sempre nos quiseram de joelhos e de mãos postas, religados a míticas nossas senhoras e a míticos nossos senhores? É certo que hoje já nos vemos cada vez mais longe destes tenebrosos tempos medievos, mas não podemos dizer que somos mais autónomos e mais sujeitos dos nossos destinos. De modo algum.

Os dois mil anos de cristianismo continuam aí em força. A sua ideologia e teologia, veiculadas pela Bíblia, mantêm-se em força nas escolas, nas universidades e nos grandes media. Mudou a roupagem, não mudou o essencial dos conteúdos. O Religioso veste hoje cada vez mais de Laico. As igrejas cederam o espaço público aos partidos políticos. Os púlpitos cederam o lugar aos grandes media e às redes sociais. A própria teologia prossegue. apenas teve de trocar as deusas, os deuses e respectivos santuários pelo deus Dinheiro e pelos bancos. E até as Bolsas do Mercado são hoje as novas formas de rezar. Os próprios grandes santuários das religiões é já por esta nova forma de rezar que alinham. Os grandes heróis da sociedade não são mais as santas, os santos das igrejas-religiões, mas as grandes marcas que triunfam no Mercado, como a marca CR7. O próprio santuário de fátima é hoje a principal marca do turismo religioso que Portugal tem no Mercado global. E bem se pode dizer que rende que se farta.

Dois mil anos de cristianismo, imposto de fora para dentro às populações trouxeram-nos e ao nosso mundo a este beco sem saída. E se algum bem se pode dizer que os cem anos da senhora de fátima nos trouxeram foi percebermos melhor que só nos resta uma saída com dignidade: – termos a humildade bastante para mudarmos radicalmente de ser e de Deus. Sermos seres humanos e povos interiormente habitados e religados uns com os outros, ao modo dos vasos comunicantes e a crescer continuamente de dentro para fora em sabedoria, cultura, amor recíproco, como se Deus não existisse.

Edição 129 Junho 2017

Mas haverá mulheres que queiram ser sacerdotes?

DA INDIGNIDADE DE SE SER CRISTÃO!

Nas suas crónicas semanais ao domingo no PÚBLICO, o meu amigo Frei Bento Domingues, volta e meia, regressa ao tema do sacerdócio das mulheres. Até parece que pelo menos algumas das muitas mulheres que, ao longo da sua vida de frade dominicano, têm privado com ele, querem realmente ser sacerdotes. Se for este o caso – e tudo leva a crer que sim – haveria de se lhes dizer o que Jesus, o dos Sinópticos, diz aos dois irmãos, Tiago e João, do grupo dos Doze, sedentos e famintos como os outros dez, dos primeiros lugares na pirâmide do poder, “Não sabeis o que pedis”. E porquê? Se há seres humanos que, depois de 2 mil anos de cristianismo, mais razões têm para fugir do sacerdócio e dos sacerdotes, e até do próprio cristianismo, na versão católica romana e nas versões protestantes, são precisamente as mulheres.

Elas, melhor do que ninguém conhecem na própria carne toda a indignidade que é ser-se cristão. E ser-se sacerdote, pior se celibatário por força de uma lei eclesiástica. Porque todas, todos nascemos de mulheres e, para elas, há-de ser uma dor insuportável e intolerável ver filhos delas transformados depois em mercenários ao serviço de todo o tipo de empresas transnacionais laicas e religiosas como são também todas as igrejas cristãs e todas as religiões; em vez de os verem crescer de dentro para fora em humano religados, como os dedos das nossas mãos e dos nossos pés, uns aos outros, uns com os outros e todos com o cosmos.

Quando Jesus, o do Evangelho de João, fala aos Nicodemos de todos os tempos e culturas, também aos deste início do terceiro milénio, da necessidade de nascermos de novo, do Vento, do Sopro-Ruah, não está a convidar-nos a receber o baptismo de água que as igrejas cristãs, inimigas dele, inventaram, a coberto do seu nome, depois de o terem convertido num mito chamado Cristo, o filho de David, e de o imporem a ferro e fogo aos povos aonde chegam com a Cruz e a Bíblia, mais o sofisticadíssimo armamento dos Estados, todos cúmplices delas, nomeadamente, das suas hierarquias, as mesmas que lhes dão cobertura a eles perante os respectivos povos.

Está a falar, sim, da necessidade de nascermos da Liberdade que, como o Vento, ninguém, nomeadamente do Poder, sabe de onde vem nem para onde vai. Ainda que ele facilmente perceba que o Vento-Liberdade é a única força feita fragilidade humana desarmada, que o pode derrubar. Para que, no lugar dele, ganhe, finalmente, corpo uma sociedade outra, de irmãs, irmãos, religados maieuticamente uns aos outros e ao cosmos, ao modo dos vasos comunicantes.

É preciso que se saiba que o sacerdócio é a profissão mais antiga do mundo que traz associada a ela a prostituição sagrada. A própria designação – sacerdócio, sacerdotes – remete para um núcleo restrito de chico-espertos que, em cada tempo e lugar, se têm na conta de sagrados. Desconhecem que a simples existência de pessoas sagradas, lugares, espaços e objectos sagrados, é o que há de mais perverso sobre a terra. Porque a condição dos seres humanos e de todo o universo é o profano, nunca o sagrado. Só no profano, somos, respiramos, existimos. Declarar sagrado alguém e/ou algum lugar, espaço, objecto, é criar ídolos (= ilusões) e fomentar a idolatria, por isso, roubar aos seres humanos a sua condição de protagonistas na história, sujeitos responsáveis por si mesmos, uns pelos outros e pelo cosmos e condená-los à condição de súbditos numa terra que, necessariamente, nos aparece cada vez mais como estranha, quando, originalmente, é o nosso útero e a nossa casa comum.

Até acontecer Jesus, o filho de Maria, no ser-viver dos seres humanos e dos povos, edificamos sociedades sobre o sagrado e o culto do sagrado. Temo-las como intrinsecamente boas. São intrinsecamente más. Basta vermos que todas afirmam o sagrado e matam o profano. Afirmam as deusas, os deuses, lá em cima, fomentam a religação para cima com elas, com eles e, assim, negam os seres humanos, os povos. Valorizam o divino e reduzem os seres humanos a seus adoradores, vermes rastejantes. Sempre que acontece Jesus, o filho de Maria, não do Poder, do deus omnipotente, omnisciente, omnipresente, o Terror e a fonte do Terrorismo, no ser-viver dos seres humanos e dos povos, logo vemos que até Deus que nunca ninguém viu é profano, humano, e se dá a conhecer no humano, não no Poder nem nos seus agentes históricos. A Revolução é total. Antropológica-Teológica. Com sabor a Nova Criação. A novo big-bang. A Novo Começo.

Temos de meter ao fundo dois mil anos de cristianismo e o próprio cristianismo. Neste terceiro milénio, toda a primazia tem de ser do Humano, dos seres humanos, dos povos, maieuticamente religados. Todas as chamadas civilizações edificadas sobre o sagrado, em vez de sobre o profano, sobre o divino, em vez de sobre o humano são o que há de mais perverso. Basta atentarmos aonde nos trouxeram. A um beco sem saída. Pelo que mudar é preciso. Nascer de novo, do Vento-Liberdade é preciso. Religarmo-nos uns aos outros e ao cosmos, é preciso. Já as deusas, os deuses, os santuários, os lugares sagrados não são precisos. Roubam-nos tudo, até a alma. Só a Liberdade e o Profano são via de salvação dos povos e do planeta Terra. Ousemos abri-la e percorrê-la, cada dia um pouco mais.

Nota do Editor: Como habitualmente, JF pára nos meses de Julho e Agosto. Contamos regressar no início de Setembro.

Baptismo de crianças

Insistis em querer ISTO para as filhas, os filhos?!

Baptizar as crianças recém-nascidas foi prática obrigatória nos séculos da Cristandade. Objecto, até, de pagamento de multas, caso os pais deixassem ultrapassar o curto prazo de oito dias que os párocos estabeleciam e controlavam. O registo de baptismo era, de resto, o único documento físico correspondente ao que hoje se chama “certidão de nascimento”. Este facto, aparentemente singelo e inócuo, diz bem, só por si, quanto os clérigos nas aldeias, vilas e cidades do Ocidente eram reis e senhores. De quanto poder dispunham. Um poder de vida e de morte sobre as populações. Controlavam-registavam a data do nascimento, do casamento e do falecimento. O cartório paroquial era um exclusivo dos clérigos católicos romanos. E isto é poder, obviamente, e que poder! Aliás, dizer igreja católica romana é e sempre será dizer poder monárquico absoluto. Cada pároco era/é em cada paróquia o papa em ponto pequeno, como o bispo era/é em cada diocese territorial o papa em ponto médio. Cada um no seu território era/é credor do temor e da reverência dos demais. Hoje, já não é bem assim, embora os clérigos e muitos autarcas do Estado laico continuem a pensar que sim e a agirem como tal. Para vergonha, pelo menos, dos autarcas que ainda o façam. Porque os clérigos que sempre se têm na conta de os mais exemplares, já nem capacidade de sentir vergonha têm. E esse é o seu mal, porque os torna inconvertíveis ao Humano.

Depois de tantos séculos a baptizar as crianças, as populações e respetivas mães-pais, acabaram por interiorizar, geração após geração, que baptizar as filhas, os filhos não só é bom, como é obrigatório. Quando, afinal, o baptismo de crianças – e também de adultos – realizado pelos clérigos católicos e pastores protestantes mais não é do que o abrir as portas das indefesas mentes das filhas, dos filhos ao Mal institucional que é todo o sistema cristão-eclesiástico católico e protestante. Basta ver que cada criança baptizada fica, a partir daí, propriedade da igreja que o administra. O dia do baptismo é o dia em que quem o recebe, renuncia à liberdade e à autonomia. Passa a ser um súbdito, mais, do pároco ou pastor, do bispo da diocese, do papa de Roma. Os pais continuam a ter de cuidar da sustentação delas, deles e do seu desenvolvimento, mas, em qualquer altura, a sua filha, o seu filho pode ser reclamado pelo seu senhor e dono, o pároco, o bispo, o papa, numa palavra, pela transnacional igreja católica.

Por isso, os seminários tridentinos não tiveram, até um passado recente, falta de candidatos. Tinham até excesso. E os conventos, ordens religiosas e congregações-institutos missionários masculinos e femininos, nunca tiveram falta de membros. Ter um filho sacerdote ou missionário, ter uma filha freira, de clausura que fosse, era/é visto pela própria família e pelos vizinhos como uma “bênção” e um invejável modo de vida. Aqueles hábitos das “irmãs”, dos “irmãos”, originalmente, sinal de pobreza e renúncia à vaidade, tornaram-se o cume da vaidade. Olhem só o papa de Roma e o bispo de cada diocese, quando vão de visita oficial e presidem em altares com tudo de corte imperial.

É só por isso que, em 1917, por exemplo, os clérigos de Ourém puderam pôr e dispor daquelas três crianças de 7, 8 e 10 anos, para realizarem o seu teatrinho das “aparições”. Os pais delas não tiveram como impedir semelhante uso e abuso clerical dos seus filhos baptizados. Não fossem baptizados e nada lhes teria acontecido. Tão pouco os pais da Lúcia puderam impedir que um dos seus campos fosse utilizado como palco para as programadas seis sessões do teatrinho. Não fossem baptizados e nada lhes teria acontecido. Os clérigos precisavam de um campo com uma carrasqueira ou azinheira para as seis encenações, e dispuseram daquele como bem entenderam. Só foi preciso marcar o dia e a hora de cada uma das sessões. E, quando os dois irmãos Francisco e Jacinta – agora santos canonizados, sem os respectivos familiares terem sido ouvidos nem achados, muito menos terem parte nos lucros que essas duas canonizações garantem à empresa católica romana – morrem em 1919 e 1920, respectivamente, sem que os clérigos que antes os utilizaram quisessem saber, logo o bispo da restaurada diocese de Leiria decide arrancar a sobrevivente Lúcia à própria mãe e faz dela freira à força até à morte.

Tudo isto perfaz, no seu conjunto, um pecado e um crime sem perdão, mas ninguém se atreve a agir em conformidade, porque estamos formatados pelos clérigos para vermos em tudo isto o sumo bem. Mas a verdade é que a própria mãe de Lúcia vê em tudo o que bispo e do cónego Formigão lhe fazem como a morte da sua filha aos 14 anos de idade. E a verdade é que nem à hora da sua morte a autorizam, como mãe, a poder ver a sua filha pela última vez. Nem sequer autorizam que ela, como sua mãe, possa, ao menos, ouvir a voz da filha pelo telefone! A filha tinha-lhe sido arrancada aos 14 anos e, desde então, estava morta para a família. Não a tivessem baptizado, poucos dias depois dela ter nascido e nada disto lhes teria acontecido. Nem a Lúcia, nem aos pais dela.

Perante factos destes, totalmente irrefutáveis, que mães, pais continuam, neste início do terceiro milénio, a querer isto (= o baptismo) para suas filhinhas, seus filhinhos? E tudo o que “isto” traz junto consigo – a catequese, a comunhão solene, o crisma, o casamento canónico e o funeral religioso? Escrevo “isto”, pronome demonstrativo neutro, e escrevo teologicamente bem. Pelo menos, à luz da Teologia de Jesus. Porque é assim que todos os seres humanos, filhas, filhos do Vento, do Sopro criador e libertador, como Jesus Nazaré, temos de classificar o tipo de baptismo qjue as igrejas criaram e tudo o mais que se lhe segue. É um tipo de baptismo que vem animado de um sopro que mata. Ao contrário do sopro de Jesus e dos seres humanos sem poder e sem aspirações de poder, que nos vivifica e ao mundo.

Por isso, em vez deste tipo de práticas absurdas, ousem práticas outras, plena e integralmente humanas. Saibam que como mães, pais, tendes o imperativo ético de defender os direitos das filhas, dos filhos. Antes de mais, o direito à liberdade de, a seu tempo, escolherem ao serviço de quê e de quem decidem colocar as suas capacidades em todos os dias do seu viver na história. Sereis criminosos se atentais contra este direito, em lugar de o defenderdes. Vossas filhas, vossos filhos agradecer-vos-ão. Entretanto, não deixeis de celebrar o natal ou nascimento de cada filha, cada filho. Convidai familiares, amigos, vizinhos para se alegrarem convosco e cada qual, no dia, hora e local anunciado por vós apareçam todos com o respectivo farnel para, juntos, festejarem e memorizarem este dia. Num alegre e compartilhado almoço-compromisso de que vos acompanharão activa e sabiamente na difícil Arte de os Educar, “puxar” por eles para que cresçam de dentro para fora também em sabedoria e em graça, não apenas em idade e em estatura. Eis. E tudo sem prendas. Sem Mercado. Apenas abraços, beijos e colos compartilhados.

Emmanuel Macron

O JESUITISMO NO PODER!

Está explicado o mistério do sucesso de Emmanuel Macron e sua mulher, 24 anos mais velha. Foi no Colégio La Providence, em Amiens, que Emmanuel Macron, quando jovem, foi formado na excelência, segundo os princípios inacianos ou jesuíticos e onde conheceu a sua futura esposa com quem ainda hoje se mantém casado, ambos com a mesma fome de triunfo e de poder. O espírito ou sopro vencedor que o anima e que acaba de fazer dele o presidente absoluto de França, mais do Estado francês do que das cidadãs, dos cidadãos de França, vem daí, dos jesuítas, filhos de Inácio de Loyola, o fundador da Companhia de Jesus, não de Jesus, o camponês-artesão de Nazaré, o filho de Maria, mas de Jesuscristo ou Jesusmessias de s. pedro-e-de-s. paulo, o filho primogénito de David e da sua casa real, o mesmo que, no início do século IV, com Constantino, conquistou de mão-beijada o império romano e, desde então, nunca mais foi desalojado do trono do poder monárquico absoluto. Porque sempre fez, continua a fazer o que tem de ser feito, sem olhar a meios, para jamais ter rivais, apenas vassalos atentos e reverentes que, ao mais pequeno sinal de rebeldia ou de dissidência, ou aceitam desistir de semelhante postura, ou são abatidos na hora. De modo cruento ou incruento.

De resto, é sempre assim que fazem todas máfias do mundo, as grandes e as pequenas, ao seu serviço, entre as quais, durante os séculos da Cristandade, estão sobretudo as dioceses territoriais e respectivas paróquias e, neste terceiro milénio, também e sobretudo os grandes e pequenos Estados da Europa, das duas Américas, a do Norte e a do Sul, juntamente com todos os outros Estados que constituem a ONU, hoje, com o cristianíssimo português António Guterres, como seu secretário-geral, eleito quase por unanimidade e aclamação. Ou o actual papa de Roma não fosse, pela primeira vez na história do papado, o super-aclamado por tudo quanto é Poder financeiro e militar nuclear, o cardeal jesuíta argentino, Mário Bergóglio, mascarado de Francisco no nome, dominicano nas vestes com que sempre se apresenta diante dos súbditos dele, e que apesar daquele ar de bondade e de misericórdia, não consegue esconder o Grande Inquisidor da Lenda de Dostoievski, também este de branco vestido, porque dominicano, pois então!

É com uma muito bem conseguida reportagem de Le Monde, a que JF teve acesso, via IHU, que se ficou a saber estes e outros pormenores de monta, que ajudam a conhecer melhor quem é este novo Cristo laico invicto do Estado francês, cujas bases mentais são jesuíticas, por isso, altamente tóxicas, no que respeita à ideologia-teologia com que ele hoje se apresenta formatado. Macron, quando adolescente-jovem, frequentou o Colégio La Providence, de prédios imponentes, erguidos em 1950 ao longo do bulevar Saint-Quentin, no Bairro Henriville, o mais tranquilo e o mais destacado de Amiens. É uma história tão romanesca, que a imprensa do mundo inteiro – americana, inglesa, sueca, holandesa, chinesa, japonesa, suíça, a que se junta também o JF – fez questão de recolher as memórias de quem conheceu Emmanuel Macron, este ex-aluno que se tornou o mais jovem presidente da República francesa.

Durante a campanha eleitoral, as câmaras dos repórteres puderam registar apenas as grades azuis fechadas do estabelecimento privado. Depois das eleições e com ele presidente de França, as portas abrem-se de par em par aos curiosos e, sobretudo, aos que procuram o porquê de tanto sucesso no poder político e em tão pouco tempo. Amáveis, alguns dos ex-professores de Macron, falam com entusiasmo sobre o aluno prodígio. O padre Philippe Robert, por exemplo, professor de Física e Química, diz como em êxtase, “Primeiramente, no dia do seu ‘bac blanc’ [prática para o exame de bacharelado] de francês, quatro professores ficámos, por puro prazer, no fundo da sala de aula para ouvi-lo dissertar sobre os salões literários do século XVIII. Ele foi deslumbrante” (Paris Match).

Também o seu professor de História, Arnaud de Bretagne, não menos deslumbrado, sublinha, “Emmanuel era um batalhador, alguém muito maduro para a sua idade, que gostava do contacto com os adultos e que fazia muitas perguntas. Alguém entusiasmante” (Le Parisien). Por sua vez, Marc Defernand, professor de História e Geografia, testemunha sem qualquer pudor,“Eu imaginava-o como um grande actor de teatro clássico. Certo dia, disse-lhe: ‘Se você continuar nesse caminho, será o Gérard Philipe do século XXI’. Cada século teve um personagem extraordinário; Macron, talvez, seja o do século XXI” (TF1).

Está traçado o perfil do grande vencedor, obra também e sobretudo dos jesuítas, aqueles homens de negro vestidos, como corvos, formados/ formatados para obedecerem por toda a vida como cadáveres. A quem ou a quê? A nenhum ser humano, filho de mulher, porque aos seres humanos não obedecemos, simplesmente amamo-nos uns aos outros como a nós próprios e, se quisermos ir ainda mais longe na radicalidade-gratuidade do amor, amamo-lnos uns aos outros como Jesus nos ama a todos. A obediência jesuítica como um cadáver vai inteira para o Poder de um só, neste ano da eleição de Macron, precisamente o papa Francisco, ele próprio jesuíta que deixou de andar de preto vestido, para passar a andar de branco vestido, sem dúvida, a Treva mais ilustrada e que mais cega os olhos das populações e dos povos, como fazem todos os holofotes, quando apontados aos nossos olhos.

O mundo que se cuide. Porque com Macron, jesuíta de formação-formatação, à frente do poderoso e cristianíssimo Estado francês, mais Merkel e Trump, este com todas as suas atoardas, mas também com todo o arsenal nuclear de que dispõe, o maior e o mais sofisticado do mundo, até os Estados muçulmanos,, a Rússia de Putin, o Japão e a Índia acabam, mais cedo do que tarde, cristãos também, por isso, súbditos do papa de Roma. Sem cujo aval, nos dois milénios anteriores, nenhum dos grandes impérios sobreviveu. Ou o papado não fosse como é o pai de todos os outros poderes, seus vassalos. Basta, para tanto, que os chefes ainda não cristãos dos Estados do mundo caiam no engodo de entreabrirem uma frincha nas suas mentes, para deixar entrar um jesuíta, de preferência, laico, Macrom, por exemplo. E, para mal dos povos, é o que está já a acontecer. A coberto da Cimeira do Clima, em Paris, antes de Macron e agora já com Macron. Quem puder fugir das grandes cidades para a Montanha e para junto das fontes de água cristalina, que fuja!

Clérigos: Programados para manter tolhidas e submissas as populações

Ainda não se pensava sequer na possibilidade de um dia haver computadores programados para executar automaticamente tarefas em dias e horas previamente determinados e já o cristianismo, desde que se alojou nas mentes consciências dos seus clérigos o fazia, faz. Como antes dele, também já o fazia o império romano, cujos eficazes mecanismos o cristianismo herdou e aperfeiçoou através dos tempos. Como poder monárquico absoluto e infalível que é, consegue apoderar-se por inteiro das mentes-consciências dos seus principais funcionários, os clérigos-proibidos-por-ele-de-constituir-família, e programá-las, para que eles, lá onde são autocraticamente colocados por outros acima deles, por isso, ainda mais escroques do que eles, realizem sem falhas as tarefas para que foram programados. Sem necessidade sequer de ter de se recorrer ao serviço de vigilantes ou de fiscais.

É mais do que garantido que naquele dia, naquela hora, naquele mês de cada ano, eles estão lá no templo-casa de opressão e de domesticação das populações a presidir ao ritual da missa, igual em toda a parte onde outros clérigos estão também colocados; a baptizar as criancinhas que os pais, nos seus medos, lhes apresentam, e que, depois já não têm como escapar à reiterada tortura que é “a festa da primeira comunhão”, “a festa do pai-nosso”, “a festa da comunhão solene”,“a festa do crisma”, “a festa do casamento”.

Foi massivamente assim, nos dois milénios anteriores. Continua a ser assim neste início do terceiro milénio. Hoje, bastante menos, por manifestamente desnecessários que são clérigos deste tipo, uma vez que, entretanto, os outros dois poderes, gerados e justificados pelo cristianismo, realizam esse mesmo trabalho de forma muito mais sofisticada e requintada, ao ponto de, neste novo tipo de cristianismo terceiro milénio, ser até muito difícil encontrar ateus. Só adoradores do deus Dinheiro.

Jesus Nazaré, a Sabedoria plena e integralmente humana entre nós e connosco, bem nos adverte e alerta, oportuna e inoportunamente: Não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma. Temei, sim, Aquilo que pode fazer perecer na geena da sua ideologia-teologia, o corpo e a alma (Mateus 10, 28). Ele próprio vê com os olhos da sua mente cordial e ouve com os ouvidos da sua mente cordial os gritos e os clamores das vítimas, que todos os sistemas de Poder, a começar pelo próprio judaísmo que ele, como judeu camponês-artesão de Nazaré, bem conhece na carne e também no império de Roma que então ocupa militarmente o seu pequeno país, são a Mentira organizada, habilmente disfarçada de verdade. Ou como hoje escabrosamente se diz com cínico orgulho, de “pós-verdade”. Todos compulsivamente mentirosos, pais de mentira, mascarada de verdade e até de santidade-heroicidade-dedicação-abnegação! A abominação das abominações.

Quantos se deixam seduzir por algum destes sistemas de Poder que é tremendamente afrodisíaco, renunciam definitivamente à sua matricial condição de seres humanos e tornam-se míticos seres divinos, ou míticos deuses-cristos, porque vencedores. Aos quais tudo é permitido e todos os mais têm de obedecer, sob pena de anátema. De acordo com a verdade histórica, todos eles são escroques programados para manter tolhidas e submissas as populações, pois aceitam trocar reiteradamente a fragilidade da Verdade que, quando acolhida e praticada, nos faz livres e irmãos, pela tirania da ideologia-teologia do Poder. De modo que tudo o que fazem e dizem é mentira, ainda que sempre politicamente correcto. Os frutos que daí resultam para a sociedade e o planeta Terra são, obviamente, o que há de mais absurdo, de mais cínico, de mais sádico, de mais cruel.

Os clérigos eclesiásticos estão hoje em vias de extinção. O que se saúda. Não assim os novos clérigos laicos, que são todos os agentes históricos do Poder político armado e económico-financeiro. As suas mentes-consciências estão possessas da geena da ideologia-teologia do Poder. “Aquilo”, no sábio e lúcido dizer de Jesus Nazaré. O exemplo mais conseguido, na actualidade, é Trump, o empresário-presidente dos EUA, o outro rosto do poder monárquico absoluto que é o papa de Roma.

Embora hoje já não mate de imediato o corpo, mata de imediato a alma, entenda-se a mente-consciência cordial de cada um dos seus agentes. Por mais que os grandes media os louvem, a verdade é que todos eles não passam de escroques institucionais que domesticam as mentes-consciências das populações, suas súbditas e fazem-nas adoecer e morrer lentamente, e à própria terra que de nossa casa comum, é cada vez mais planetário necrotério, cujos povos, pior do que descartáveis, são tiddos e tratados como lixo tóxico. A tanto nos conduziu a geena da ideologia-teologia do cristianismo, na sua vertente religiosa, nos dois milénios passados, e na sua vertente laica, neste início do terceiro milénio.

P.S.

Esta reflexão nasce no momento em que quis visitar e conversar com um padre-pároco meu amigo e foi-me dito na sua residência paroquial em VN Gaia que ele àquela hora estava a confessar as criancinhas da catequese que no dia seguinte “iam fazer a primeira comunhão”. Fez-se luz em mim. E acontece este Texto-alarme. Por aqui se vê claramente que nem sequer o Concílio Vaticano II conseguiu entrar na mente-consciência destes clérigos-impedidos- por-lei-eclesiástica-de -constituir-família. A verdade é que estamos no início do terceiro milénio, o das Ciências Humanas, senhoras, senhores. Criancinhas de seis, sete anos têm pecados? Não são os clérigos, os pecadores, ao escandalizarem desta maneira as crianças? Melhor fora – adverte Jesus, a quem vós crucificais todos os dias com os ritos que vendeis às populações tolhidas e submissas – que vos atassem a mó de um moinho ao pescoço e vos lançassem ao mar. O pior é que tendes-vos por santos e exemplo para os demais, e não vedes que a geena da ideologia-teologia do cristianismo com que viveis possessos continua a fazer de vós uns escroques. Quem puder entender que entenda.

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Edição 128, Maio 2017

Deixemos Fátima e os clérigos que a criaram a falar sozinhos e ocupemo-nos com a grande Pergunta

A Bíblia ou Jesus?

Quando em Maio 2015, avanço com a publicação do meu mais conseguido Livro sobre o teatrinho das aparições de Fátima (Parte 1, em 10 capítulos; Parte 2, em 4 capítulos) e deixo bem claro que há duas Fátima distintas – Fátima1 e Fátima 2 – nenhuma delas verdadeira, muito menos a 2, criada a partir de 1935 por um núcleo restrito de clérigos sem escrúpulos, escondidos sob o pseudónimo de “Memórias de Irmã Lúcia”, tenho já em mente a publicação, em 2017, de um outro Livro que nos coloque a todas, todos – crentes, agnósticos, ateus – perante a mais perturbadora das Perguntas, a saber, A BÍBLIA OU JESUS?

Surpreendentemente, ou talvez não, a Pergunta acaba até como título de capa do Livro (137 pgs, em 14 capítulos), editado precisamente em Abril 2017, Seda Publicações. Pretendo com esta minha postura desviar o foco das atenções dos grandes media e dos seus profissionais, do não-evento chamado, “Aparições” de Fátima, e concentrá-lo inteiro na grande Pergunta que este início do terceiro milénio nos impõe, depois de dois milénios de cristianismo católico e protestante e de Civilização Ocidental por ele gerada, alimentada e, até, teologicamente justificada, apesar de estruturalmente sádica e cruel, como revelam bem os seus frutos.

A verdade é que, na sua esmagadora maioria, até os profissionais dos grandes media vieram a revelar-se de tal modo apanhados pelos cem anos do não-evento “aparições” de Fátima, que o mês de maio vai já no fim e eles e seus grandes media continuam sem se aperceber deste meu novo Livro, muito menos, de quão fecundamente perturbador é todo o seu conteúdo.

Sou o primeiro a compreender esta mais do que previsível postura dos profissionais dos grandes media e da generalidade dos intelectuais e académicos. Todos eles integram a civilização ocidental gerada e alimentada pelos dois mil anos de cristianismo. Podem, hoje, muitos deles, dizer-se ateus ou agnósticos. O que não podem é dizer que não são cristãos. Toda a sua formação de base e ambiental, como todo o seu saber, andam afectados pelo vírus do cristianismo. As suas mentes-consciências continuam possessas pela mais perversa das ideologias-teologias, que é a ideologia-teologia do cristianismo ou messianismo bíblico-davídico cristão e islâmico.

O simples facto de se terem afastado definitivamente da igreja católica romana ou de alguma das inúmeras igrejas protestantes, não os fez mudar de ser. Muito menos, mudar de concepção de Deus. Pelo contrário, continuam, uns mais, outros menos, a pensar cristão, a projectar cristão, a escrever-falar cristão, a agir cristão. Com a agravante do ateísmo cristão de que se orgulham, poder vir a tornar-se, surpreendentemente, ainda mais inumano que o religioso, inclusive, o da chamada religiosidade popular.

É verdade que não os leva a rastejar a céu aberto, perante a imagem da senhora de fátima, ou outras, mas pode levá-los – e está a levar muitos deles – a rastejar perante os administradores dos grandes media e das grandes empresas multinacionais que os contratam e lhes pagam. Porque o ateísmo que professam mais não é do que a outra face do cristianismo.

Durante séculos e séculos, o cristianismo foi indiscutivelmente religioso. Porém, a partir do Renascimento e, sobretudo, da Revolução Francesa, tem adquirido progressivamente a face secular e laica, inclusive, ateia e agnóstica. Exactamente, a que está hoje cada vez mais na moda. Porque é também a que abre mais portas, nomeadamente, as das grandes empresas multinacionais e respectivas administrações. O que, só por si, mostra bem que é nesta versão laica, ateia ou agnóstica que o cristianismo atinge, neste início do terceiro milénio, o grau máximo da Crueldade, do Inumano, do Amoral, do Intolerável.

Basta atentar como é o ser-viver de quantos dão corpo às administrações das grandes empresas multinacionais e dos grandes Negócios. Nunca o cristianismo atingiu tão alto grau de Crueldade, como neste início do terceiro milénio que se diz e é pós-cristão, mas apenas na sua face religiosa, não na sua face ateia e agnóstica. Daí a grande, oportuna e perturbadora Pergunta que faz o título do meu Livro, A BÍBLIA OU JESUS?

Nunca, em dois mil anos de cristianismo religioso erudito e popular, esta Pergunta foi alguma vez formulada. Nem podia. Não estavam criadas as condições históricas, culturais, científicas, ambientais que a tornassem audível, inclusive, a quantas, quantos continuamos a ter de viver neste tipo de mundo formatado pelo cristianismo – não há outro – mas que já não somos dele. É, precisamente, entre estes seres humanos que vivemos neste tipo de mundo, mas que já não somos dele, que a Pergunta consegue, finalmente, fazer-se ouvir e ser verbalmente formulada.

Quem continua de pedra e cal neste tipo de mundo cristão religioso ou ateu, jamais pode escutar e ver o Essencial, sempre invisível e inaudível aos olhos e aos ouvidos das suas mentes-consciências. E, mesmo depois de escutada e formulada a Pergunta, serão estes os que mais resistência lhe levantam, na desesperada tentativa de impedir que este tipo de mundo que lhes garante e aos seus familiares mais próximos, privilégios sem conta e um estatuto social invejável, apareça aos olhos de todos os povos como um tipo de mundo eticamente indefensável e logo o façam cair, porque edificado sobre a areia.

O que teria acontecido se, no dia 12 de Maio, por exemplo, o dia da chegada do papa Francisco ao aeroporto de Monte Real, as manchetes dos principais matutinos portugueses e dos notíciários das tvs e das rádios reproduzissem, como um pedido-desafio meu, “Deixemos Fátima e os clérigos que a criaram a falar sozinhos e encaremos de frente a grande Pergunta que este início de terceiro milénio nos coloca a todas, todos – crentes, ateus e agnósticos, A BÍBLIA OU JESUS?”

Quem diz Bíblia, diz, obviamente, todos os livros tidos por sagrados. Quem diz Jesus, diz o filho de Maria, o ser humano pleno e integral, assassinado na cruz do império de Roma, em Abril do ano 30, por se ter atrevido a dizer o que os olhos e os ouvidos da sua mente-consciência cordial vêem e escutam, concretamente, que todos os sistemas de Poder vão nus, por mais sagrados que se digam e se apresentem. Uma vez que o Deus da Bíblia que os suporta-justifica e ao seu Poder não passa de mera projecção-criação deles, um ídolo, portanto, o inimigo n.º 1 dos seres humanos e dos povos. Sim, o que teria acontecido?

Nenhum papa declare e defina o que Deus não declara nem define!

Que crianças hoje querem ser Francisco e Jacinta?!

Santo eu não quero ser / Só Humano / Um Deus que gosta de santos / é um tirano

Os dois desgraçados irmãos Francisco e Jacinta, aterrorizados e torturados em 1917 pelas pregações da obscena “Santa Missão”, decalcadas no terrorismo do livro Missão Abreviada, e apanhados pelos clérigos de Ourém, com destaque para o Cónego Formigão, também ele hoje já a caminho dos altares, e para o Pe. Lacerda, sobre cuja suposta cópia assenta toda a Documentação Crítica de Fátima (!!!), acabam de entrar, cem anos depois, no Catálogo dos Santos, pela mão do papa Francisco, ele próprio Sua Santidade. Quando aceitou ser papa, o argentino Jorge Mário desistiu de vez de ser filho de mulher, para ser definitivamente filho do Poder monárquico absoluto e infalível. Como jesuíta, já tinha voto de obediência ao Poder monárquico absoluto e infalível do papa, que fazia dele um dos abnegados difusores do seu sistema de doutrina, o cristianismo imperial, que almeja alojar-se como um demónio nas mentes-consciências dos seres humanos e dos povos de todas as nações. Como papa, veste de dominicano, o Grande Inquisidor, e faz-se chamar Francisco, o filho do dono de Assis no século XIII, que, depois, quis ser pobre, mas esbarrou com o fausto da corte papal de Inocêncio III e, sem querer, acabou fundador e patrono de mais uma das muitas multinacionais cristãs católicas romanas, a (des)conhecida Ordem dos Franciscanos.

Cem anos depois do teatrinho das aparições, levado à cena num dos campos dos pais de Lúcia, onde se destacava uma carrasqueira, o papa Francisco deixou a sua Roma imperial e veio de avião e de helicóptero à sede da sua principal multinacional do turismo religioso em Fátima, onde a toda a hora se lava dinheiro sujo e se fomentam negócios, os mais execráveis. Apresentou-se protegido por terra, mar e ar, não pelos anjos e arcanjos do Deus dos Exércitos da Bíblia judeo-cristã, mas pelas forças de segurança do Estado português que teve de gastar muitos milhões e de perturbar o quotidiano da esmagadora maioria dos seus cidadãos, elas e eles, que, felizmente, não embarcam neste embuste alimentado por clérigos celibatários que sentem uma doentia atração pelas criancinhas e pelas imagens de nossas senhoras que de algum modo substituem a presença feminina nos seus viveres cheios de frustração e solidão, de ritos, rituais e rotinas, nenhuma criatividade, nenhuma ternura, nenhuma fecundidade, nenhuma autenticidade. Só porque é o Poder monárquico absoluto e infalível, o papa teve a recebê-lo e a acompanhá-lo a tempo integral o seu vassalo presidente da República Portuguesa e até o primeiro-ministro, mai-los bispos residenciais das dioceses do país, estes, manifestamente contrariados. A saudável laicidade cedeu, por estes dias, o seu lugar a um tipo de crença rasca, sedenta de milagres do céu, uma vez que dos poderosos da terra só recebe, quando calha, migalhas da caridadezinha com que eles enriquecem ainda mais.

Inesperadamente, crianças e adolescentes do país e de outras partes do mundo, nascidos já neste início do terceiro milénio, viram-se-se transportados para o tenebroso ano de 1917, de má memória, e para as mecânicas rezas de terços, cantos rascas, clérigos cobertos com vestidos brancos até aos pés, num cenário que lhes é completamente estranho, por estarem hoje a crescer em ambientes e contextos totalmente outros, saudavelmente laicos e profanos, onde tudo é simultaneamente virtual e real, movimento quase à velocidade da luz. Do papa vestido de mulher, rosto teatralmente bonacheirão e o foco de todos os holofotes, como se só ele existisse, escutaram um falar beato, cujos conteúdos não entendem. Levados pela mão dos seus pais, sobretudo, das suas mães e pelas catequeses das paróquias que ainda são criminosamente obrigados a frequentar até à idade de atirarem com tudo borda fora, viram-se completamente perdidos, sem referências, numa camisa de sete varas, sem poderem ser eles próprios, correr e saltar, apenas aguentar e esperar que toda aquela tortura religiosa e beata acabasse. Foram, certamente, as horas mais infelizes das suas vidas, cercados por multidões anónimas, onde de repente se viram sem nome, sem rosto, sem voz, sem liberdade, sem árvores, sem terra, sem rios, sem mar, só velas a arder, imagens de nossas senhoras, cruzes, terços, centenas de clérigos que renunciaram a ser homens entre os demais e com eles. Uma tortura que dificilmente esquecerão e que irá contribuir e muito para, amanhã, serem assumidamente ateus, de costas voltadas para os templos, olhos postos em cada hoje carregado de movimento e de cor, onde têm de tornar-se precocemente adultos, se quiserem ser e viver por si próprios, como se Deus não existisse.

Entre estas crianças e adolescentes, uma se destacou. Veio do Brasil com os pais, viagens e estadia tudo pago pelo Santuário S.A. e com discursos estudados para ajudarem a testar que houve um milagre conseguido através dos dois desgraçados irmãos Francisco e Jacinta a quem, em seu tempo histórico, ninguém valeu, nem os clérigos, nem a senhora da carrasqueira, quando a pneumónica chegou e os encontrou debilitados e desidratados pela reiterada recusa da comida e da bebida de água, na falsa convicção de que, desse modo, o Deus sádico e cruel dos clérigos e do seu cristianismo, perdoaria aos pecadores e não os condenaria ao inferno. E toda esta encenação de horrores veio a culminar com a chamada canonização dos dois desgraçados irmãos, presidida pelo papa Francisco, num recuo de séculos até aos tenebrosos tempos da Idade Média, quando, hoje, somos Século XXI, definitivamente, o novo tempo da Ciência, não mais do Obscurantismo, do Milagrismo e do Moralismo .Sim”! Que crianças hoje querem ser Francisco e Jacinta?

Esqueceu-se Francisco de Roma, na cegueira do seu poder monárquico absoluto e infalível, que nenhum papa pode alguma vez declarar e definir como santos, o que Deus, o de Jesus, não declara nem define. Simplesmente, porque não gosta de santos, só de seres humanos a crescer de dentro para fora em sabedoria, ciência e graça-entrega recíproca uns aos outros, sempre com Deus, sempre sem Deus. Tudo o que faz e define o papa é o que faz e define o Poder compulsivamente mentiroso, ladrão e assassino, por isso, o inimigo n.º 1 dos seres humanos e dos povos. Deste modo, todo o mal que os clérigos há cem anos fizeram a estes dois irmãos e à prima deles que sobreviveu à pneumónica e acabou enclausurada a vida toda, acaba de alcançar agora, com esta rasca encenação maiúscula da papa Francisco, o nível máximo da degradação humana. O que perfaz, objectivamente, à luz da Fé e da Teologia de Jesus e da Ciência, mais um pecado sem perdão. Daí, e como bem sublinha a estrofe de um Canto-Poema meu, “Santo eu não quero ser / Só Humano / Um Deus que gosta de santos / É um tirano”.Quem for capaz de entender, que entenda!

Ao serviço de quê e de quem vem ele a Fátima?

O PECADO E O CRIME DO PAPA FRANCISCO

O grande Capital que domina e dirige o mundo século XXI tem no papa Francisco, todo de branco vestido, a máscara da bondade, da misericórdia, da proximidade de que tanto necessita para manter adormecidas e anestesiadas as suas inúmeras vítimas em todo o mundo, de modo que nunca elas cheguem a dar conta do imenso sangue derramado por ele através da fome, do latrocínio, da exploração, da mentira estrutural, das guerras, do terror, do medo, da opressão, do desemprego, da emigração forçada, das doenças cientificamente provocadas e espalhadas, da multiplicidade de religiões, elas próprias, o que há de, ideológica e teologicamente, mais perverso e gerador de divisões e de ódios sem conta nem medida.

Uma calamidade à escala global que teimamos em não dar por ela, porque nascemos, crescemos e morremos com mentes cegas que fanaticamente recusam ver a luz e até perseguem e ostracizam quem as queira maieuticamente ajudar a sair da cegueira para a luz. Só porque a luz é profundamente exigente e obriga-nos a todos, nascidos de mulher, a nascer de novo, do vento-sopro Liberdade-Autonomia-Reciprocidade, e são muito poucos os que nos dispomos a semelhante revolução antropológica-teológica. A esmagadora maioria dos crentes, dos ateus-agnósticos, dos ricos, dos pobres prefere que apenas mude alguma coisa, para que tudo continue na mesma. Um tipo de preguiça política que nos devora e mata a dignidade e nos impede de chegarmos a ser plena e integralmente humanos.

Nestes dias 12 e 13 de Maio, os dos cem anos das “aparições”, o papa Francisco está em Fátima, com uma comitiva de 35 pessoas. A grande pergunta que emerge, imperiosa como incontrolável tsunami, é,. Ao serviço de quê e de quem vem ele a Fátima? A senhora de Fátima é um mito, como são mitos todas as deusas, todos os deuses que os nossos medonhos e incontroláveis medos criam e projectam fora de nós e que logo materializamos em toscas imagens para todos os maus gostos, que corremos depois a comprar e a colocar nas nossas casas, nas encruzilhadas dos caminhos e, de modo muito particular e até solene, em santuários que fazemos construir e que passamos a frequentar como se não fossem todos obra das nossas mãos e fruto dos nossos medos.

Nem aparições, nem visões. Nos nossos medos e nas nossas aflições podemos, com mais ou menos frequência, chegar a ver coisas e a ouvir ruídos e vozes. Não são para tomar a sério, a não ser no sentido de diligenciarmos de imediato o tratamento especializado que hoje, terceiro milénio, felizmente já há à disposição de quem chegue a esse grau de degeneração da sua mente. Um tratamento que nos muitos milénios que nos precederam ainda não havia praticamente para ninguém.

Depois de tantos milénios de escuridão das mentes, para cúmulo, criminosamente fomentada e alimentada pelas religiões-igrejas cristãs e todos os sistemas de poder, é de todo compreensível que, ainda hoje, início do terceiro milénio, as populações mais fragilizadas e desamparadas insistam em recorrer aos exorcismos de clérigos chico-espertos, de cartomantes, de bruxas, bruxos, de curandeiros, aos cultos religiosos cada semana nas paróquias e a todo o tipo de promessas feitas em horas de maior aflição que depois, para cúmulo da degradação e da indignidade, elas ainda fazem questão, hoje, até, com vaidade, de cumprir. Quando a libertação e a cura das suas mentes só na antropologia-teologia-espiritualidade de Jesus e na Ciência neurológica, psicológica, psiquiátrica e seus competentes profissionais podem ser dignamente conseguidas.

O culto de Fátima e da sua tosca imagem concebida e fabricada, dois ou três anos depois de 1917, por um artesão da Trofa, embora complete agora cem anos, a verdade é que já vem dos mais primitivos tempos, os do matriarcado. Ao dar-lhe cobertura e pública aprovação, quer com a sua presença física, como “peregrino” cinco estrelas, quer com a canonização dos dois irmãos, Francisco e Jacinta, sem dúvida as mais desgraçadas das três crianças apanhadas-catequizadas-aterrorizadas pelos clérigos de Ourém, o papa Francisco vem legitimar um culto religioso a um deus sádico e cruel que impede os seres humanos de crescerem em idade, estatura, sabedoria, graça e de se rebelarem politicamente contra todos os perversos sistemas de doutrina política, filosófica e teológica que sempre afirmam e valorizam o divino e negam-matam-sacrificam os seres humanos e os povos.

É este o grande pecado e o imperdoável crime do papa Francisco. O primeiro papa jesuíta, cuja Ordem foi fundada-criada por Inácio de Loyola, precisamente com a missão de aprofundar e difundir por todos os meios e em todas as nações da terra, o demoníaco sistema de doutrina do judeo-cristianismo, a sua bíblia, o seu deus sádico e cruel, na sua dupla vertente de macho e de fêmea, de nosso senhor e de nossa senhora, bem como a sua fé religiosa, a sua teologia, o seu culto. De todo incapaz de admitir-reconhecer que o falso e mentiroso evangelho cristão que insiste em anunciar urbi et orbi mata os seres humanos e os povos e os mantém no medo e na depressão, quando é de todo imperioso e urgente resgatá-los para a liberdade, para a autonomia, para o protagonismo político. Como faz Jesus, o filho de Maria, que não hesita em chamar “Satanás” a Pedro, o chefe do grupo dos doze que o vão trair, “Covil de ladrões” ao templo de Jerusalém, “Hipócritas”, aos sumos-sacerdotes e teólogos do templo.

Fátima 'corrigida' por D. Carlos A. e Pe. A. Borges

É PIOR A EMENDA QUE O SONETO

As várias entrevistas dadas pelo Bispo D. Carlos Azevedo, o da Cultura no Estado do Vaticano, e pelo Pe. Anselmo Borges, Prof de Filosofia na Universidade de Coimbra, ambos meus amigos, tiveram o condão de deixar os fatimistas portugueses, colunistas académicos incluídos, à beira de um ataque de nervos. Para tanto, muito contribuiu a sagacidade dos profissionais que os entrevistaram, pois souberam puxar para título frases que, só por si, abalam as mentes de todo e qualquer fatimista, ao mesmo tempo que surpreendem positivamente quem já não vai nessas crendices, com tudo de indignidade humana.

Afirmar, “A mãe de Jesus não veio do céu por aí abaixo” (D. Carlos Azevedo) e, “É evidente que Nossa Senhora não apareceu em Fátima” (Pe. Anselmo Borges) constituem duas afirmações bombásticas de grande efeito, nomeadamente, para quem se limita a ter os títulos de capa dos jornais e das revistas. A questão está nos pormenores com que se tecem as respostas que um e outro dão aos jornalistas no corpo de cada uma das entrevistas. E, neste particular, bem se pode dizer de ambos, É pior a emenda que o soneto, Títulos-tiros de pólvora seca, Muita parra, nenhuma uva.

A verdade é que um e outro, com estas entrevistas e, no caso do bispo D. Carlos Azevedo, também com o seu recente livro sobre Fátima, acabam por dar ainda mais legitimidade ao absurdo antropológico-teológico que constituem as duas Fátimas, a de 1917-1930 (Fátima 1) e a de 1935 até 2017 (Fátima 2), que consegue, até, trazer ao Santuário S.A. dias 12 e 13 de Maio o próprio papa Francisco. E logo – o cúmulo do absurdo – para canonizar os dois irmãos Francisco e Jacinta, depressa abandonados pelos clérigos de Ourém, após o teatrinho das “aparições” e, obviamente, pela própria Senhora de Fátima, a da carrasqueira, que os deixa morrer vítimas da pneumónica. A que juntam, não muito depois, um outro crime, que foi roubar a sobrevivente Lúcia à sua própruia mãe já viúva e mantiveram-na presa até à morte, sob o disfarce de freira de clausura.

Não se trata, como pretende concretamente o bispo D. Carlos, de utilizarmos uma linguagem correcta, quando falamos destes assuntos. A verdade sem quaisquer sofismas, neste como noutros casos, é esta: Ou dizemos os conteúdos da Fé e da Teologia na linguagem da Ciência, ou tais conteúdos são sempre uma agressão à inteligência humana. Trocar “aparições” por “visões místicas” e afirmar que foram “visões”, não “aparições” é o mesmo que atirar poeira aos olhos de toda a gente.. Substancialmente, nada muda. E se dúvidas ainda houver, basta atentarmos no absurdo refinadamente organizado que, por estes dias do centenário, está a ser indiscriminadamente imposto às populações residentes no nosso país. Com a criminosa complacência e até com o aval das universidades, das Escolas públicas, das Igrejas, do Estado e dos seus órgãos máximos de soberania, a começar pelo PR Marcelo e pelo primeiro-ministro, António Costa, e a acabar nos deputados de direita e de esquerda da AR e nos Tribunais.

Nunca, como neste centenário do pecado e do crime “aparições” de Fátima, o nosso país bateu tão no fundo, em falta de compostura cívica, de dignidade, de inteligência, de respeito uns pelos outros. Somos agredidos ao segundo pelas notícias fatimistas, pelas montras das grandes livrarias, pelas capas dos diários postados nos respectivos quiosques, pelas ofertas de medalhas, terços e outras bugigangas em troca da aquisição do matutino, pelas supostas obras de arte de escultoras, escultores, pelos filmes e mil e uma outras iniciativas “artísticas” que nos roubam a alma, o sossego, os afectos, o silêncio, a sanidade mental. O império católico romano está a asfixiar-nos e a envenenar-nos mortalmente e à República. E tudo porque o grande Mercado tem larguíssima via verde para avançar, como bomba nuclear contra a inteligência, a Ciência, a Fé e a Teologia de Jesus. Numa palavra, contra os seres humanos e o povo de povos que somos, na multiplicidade de fés e de culturas. É bem a ditadura ideológica e religiosa assassina do catolicismo católico romano.

“Visões místicas”, cada qual tem as que quer, ou as que nos impõem, em cada tempo e lugar, se não formos mentes saudavelmente esclarecidas e resistentes. No início do século XX, através dos clérigos católicos e suas pregações tecidas de terror(ismo), como o do livro-guia, “Missão Abreviada”, onde é apresentado o “inferno” que as três crianças “videntes” são postas a dizer que a senhora que vinha do céu lhes mostrou, numa das seis “aparições”. E neste início do terceiro milénio, o das sofisticadíssimas tecnologias, através dos grandes media e das redes sociais, manipulados por técnicos informáticos confrangedoramente ingénuos ou, pior ainda, sem quaisquer escrúpulos.

Retirem, de uma vez por todas, de Fátima os clérigos católicos romanos, bispos e papas incluídos, que desde há cem anos exploram o “milagre” que eles próprios inventaram e verão que daquelas “aparições” ou “visões místicas” não ficará literalmente nada. Por isso, e no prosseguimento do que diz Jesus Nazaré em seu tempo histórico, também eu hoje digo: Ai de vós papas, bispos e demais clérigos católicos romanos hipócritas, que atais fardos pesados e insuportáveis às multidões mais desamparadas e deprimidas, quando vós nem com um dedo os deslocais; ai de vós que alargais as filactérias e alongais as orlas dos vossos mantos de luxo e gostais de ocupar o primeiro lugar nos banquetes, os primeiros assentos nos santuários, ser saudados-aclamados pelas multidões nas praças públicas e chamados 'mestres' pelos homens, quando não passais de sepulcros caiados, muito vistosos por fora, podridão e imundície por dentro. Sim, ai de vós (cf. Mateus 23, 4-7). Como sucede ao sal que perde a força de salgar e de anti-corrupção da sociedade, também vós sereis lançados fora, pois, como ele, nem para a esterqueira servis (Mateus 5, 13).

25 de Abril, 43 anos depois

D. Marcelo, o palavroso, e alguns tiranetes mais!

D. Marcelo, o palavroso, está a tornar-se insuportável. E o país, anestesiado com Fátima, com o Futebol dos milhões e seus demenciais comentadores nos canais ditos de notícias ao minuto, mais os repetitivos discursos do chefe do governo e respectivos ministros, dos chefes dos partidos políticos de direita e de esquerda, dos chefes dos grupos parlamentares, dos chefes das centrais sindicais e da Frente dos Sindicatos da Função Pública, todos bem falantes e vestidos a rigor, já nem dá por nada. E porque ele é um presidente que não dorme, ou dorme apenas três horas por noite, já nem sequer deixa dormir as cidadãs, os cidadãos do País. A verdade é que continuamos a ser, 43 anos depois de Abril, um povo desgraçadamente sem voz e sem vez e, para cúmulo, ainda baleado-massacrado por overdoses de discursos dos agentes de turno dos poderes e de notícias, sempre as mesmas.

A tão apregoada liberdade dada de bandeja pelo 25 de Abril 1974 é, afinal e exclusivamente, a liberdade do grande Capital que, desde então, está ao comando de tudo o que é notícia no país e na UE. É ele que tudo permite, promove e financia, como é também ele o único que sai a ganhar com este tipo de mundo e de eventos-comemorações. Os seus súbditos portugueses, em vez de fazerem acontecer o Abril sonhado e cantado mas nunca realizado, insistem, cada ano, em sair às ruas, a mostrar quão gratos estão pelo feriado que ele lhes dá, e ao qual se junta, este ano, o dos cem anos das “aparições” de Fátima, a tolerância de ponto no próximo dia 12 de Maio, para que, desse modo, os funcionários públicos possam ver o papa Francisco, sem dúvida, o maior prestidigitador católico romano criado por ele.

Neste nosso Portugal que constitucionalmente se diz uma República, o grande Capital tem no rei D. Marcelo, o palavroso, o seu porta-voz e o seu rosto. Como ele, é omnipresente, omnipotente, omnisciente. Nada se faz sem ele e tudo o que se faz é graças a ele que se faz. Nunca o grande Capital esteve tão bem servido neste país dominado, desde a fundação, por clérigos e reis católicos, como está agora com o católico presidente da República. Ele e o Capital são um só. E todos os mais, seus reféns. É o que o 25 de Abril 2017 gritantemente revela, ainda que teimemos a não querer ver. À realidade, preferimos a erncenação, o faz-de-conta. Insensatamente. E o que mais tememos é levantar-nos politicamente desarmados do chão e sairmos do túmulo em que nos obrigam a permanecer, como mortos-vvos, do nascer ao morrer.

Não é por acaso que este ano o 25 de Abril foi todo do rei D. Marcelo, o palavroso. Outros, seus inferiores na pirâmide institucional do Poder ao serviço do grande Capital, também usaram da palavra, mas o que fica na mente das populações súbditas, atentas e reverentes, são as palavras dele na AR, as selfies com ele nas ruas e nos jardins do palácio de Belém – não me enganei, é mesmo palácio de Belém, não uma casa comum com gente dentro – e na demorada e palavrosa cerimónia da entrega das condecorações e dos elogios fúnebres a quem, a título póstumo, ou presencialmente, ainda se presta a este macabro e sinistro tipo de iniciativas. Escutaram o sublinhado dele, na AR, a uma “mais justa repartição da riqueza”? Pensam que ele quer ver o país, a UE e o mundo a darmos corpo ao princípio fundador da Humanidade, De cada um segundo as suas capacidades, a cada um segundo as suas necessidades? Nada disso. É na Caridadezinha, estúpidos, é na Caridadezinha que ele está a pensar, que essa é a regra primeira do grande Capital!

Acontece que no 25 de Abril de 1974, os bispos portugueses estavam reunidos em Fátima, seu berço e mausoléu de eleição. Não! Não estavam lá de terço na mão – coisa para a arraia miúda, não para eles, suas excelências reverendíssimas – como fazem crer aos seus ainda muitos súbditos, os remediados, a maioria, e os eruditos, uma minoria. Estavam a congeminar como haviam de continuar a lidar com a chamada “primavera marcelista”, com os muitos presos políticos em Caxias e em Peniche, com a Guerra Colonial em África e – coisa ínfima, mas não despicienda – com a minha absolvição, pela segunda vez consecutiva, no Tribunal Plenário do Porto, quando o próprio Bispo do Porto, D. António Ferreira Gomes, também presente, agraciado a título póstumo, este ano por D. Marcelo, o palavroso, com a Grã Cruz da Ordem de Santiago e Espada, já me havia retirado o título e a função de pároco de Macieira da Lixa, só porque eu, como o colectivo de Juízes do Tribunal Plenário do Porto é o primeiro a dar como provado, pela segunda vez consecutiva, que eu sou um pároco exemplar e que havia sido preso político, sem direito a qualquer caução, apenas por pregar o Evangelho de Jesus na paróquia. E o bispo não só já me havia retirado o titulo e a função, como ainda fazia constar entre os párocos da diocese que não sabia mais o que fazer comigo. Vejam só!

E não é que este ano, 43 anos depois, os bispos portugueses voltam a estar reunidos em Fátima, covil de ladrões e privilegiado local de conspiração religiosa católica contra a existência de povos livres, iguais, também em género, e irmãos, um local que eles sabem protegido por terra, mar e ar, dado que é a maior galinha de ovos de ouro da igreja católica e do Turismo religioso em Portugal, a que até o papa Francisco não resiste a vir dar uma mãozinha e levar daqui grande parte do proveito financeiro, com as duas desgraçadas canonizações já anunciadas urbi et orbi. De modo que é aí, em Fátima, que o Governo português de turno lhes faz chegar a sua bênção laica e republicana, feita notícia em primeiríssima mão, de que a vinda do papa justifica bem tolerância de ponto, sexta feira12 de Maio, o pai e a mãe de todas as canonizações, criancinhas criminosamente manipuladas por clérigos, incluídas. Porque, para o grande Capital e seus agentes religiosos e laicos, vale tudo, até tirar olhos.

Entretanto e porque o mundo não é só Portugal e a senhora de Fátima, Trump e a Coreia do Norte não desarmam. A Rússia, a China e a Índia, tão pouco. Assim como a Alemanha e a França. Atrevam-se a desencadear entre eles um inferno nuclear que logo se tornará global. E é o fim da vida, tal como a conhecemos neste planeta Terra a dançar dia e noite e ano após ano, à volta de si própria e do Sol. E tudo, só porque, depois que ela, em nós, conseguiu chegar à condição de racional, resiste a dar um salto qualitativo em frente, que é passar à condição de relacional cordial, por isso, plena e integralmente humana. De modo que o Terceiro Milénio que já é pós-cristão, tem de ser já, plena e integralmente humano, relacional cordial. Nem que seja apenas aquele pequeno resto que, num inesperado terceiro dia, depois do inferno nuclear global, se levanta, inteiro e limpo. num novo big-bang sem mais lugar para o grande Capital, nem para reis e papas palavrosos. Apenas seres humanos, todos diferentes, todos iguais, maieuticamente religados uns aos outros, politicamente ocupados a cuidar uns dos outros e do Cosmos que lhes serve de casa e de mesa sem muros nem ameias

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