O MÊS, SEMANA A SEMANA, À LUZ DA FÉ E DA TEOLOGIA DE JESUS

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Esta pasta contém Acontecimentos comentados à luz da Fé de Jesus, a única que não é religiosa, mas Política; e à luz da sua Teologia, a única que não é idolátrica, mas Maiêutica.

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Edição 129 Junho 2017

Mas haverá mulheres que queiram ser sacerdotes?

DA INDIGNIDADE DE SE SER CRISTÃO!

Nas suas crónicas semanais ao domingo no PÚBLICO, o meu amigo Frei Bento Domingues, volta e meia, regressa ao tema do sacerdócio das mulheres. Até parece que pelo menos algumas das muitas mulheres que, ao longo da sua vida de frade dominicano, têm privado com ele, querem realmente ser sacerdotes. Se for este o caso – e tudo leva a crer que sim – haveria de se lhes dizer o que Jesus, o dos Sinópticos, diz aos dois irmãos, Tiago e João, do grupo dos Doze, sedentos e famintos como os outros dez, dos primeiros lugares na pirâmide do poder, “Não sabeis o que pedis”. E porquê? Se há seres humanos que, depois de 2 mil anos de cristianismo, mais razões têm para fugir do sacerdócio e dos sacerdotes, e até do próprio cristianismo, na versão católica romana e nas versões protestantes, são precisamente as mulheres.

Elas, melhor do que ninguém conhecem na própria carne toda a indignidade que é ser-se cristão. E ser-se sacerdote, pior se celibatário por força de uma lei eclesiástica. Porque todas, todos nascemos de mulheres e, para elas, há-de ser uma dor insuportável e intolerável ver filhos delas transformados depois em mercenários ao serviço de todo o tipo de empresas transnacionais laicas e religiosas como são também todas as igrejas cristãs e todas as religiões; em vez de os verem crescer de dentro para fora em humano religados, como os dedos das nossas mãos e dos nossos pés, uns aos outros, uns com os outros e todos com o cosmos.

Quando Jesus, o do Evangelho de João, fala aos Nicodemos de todos os tempos e culturas, também aos deste início do terceiro milénio, da necessidade de nascermos de novo, do Vento, do Sopro-Ruah, não está a convidar-nos a receber o baptismo de água que as igrejas cristãs, inimigas dele, inventaram, a coberto do seu nome, depois de o terem convertido num mito chamado Cristo, o filho de David, e de o imporem a ferro e fogo aos povos aonde chegam com a Cruz e a Bíblia, mais o sofisticadíssimo armamento dos Estados, todos cúmplices delas, nomeadamente, das suas hierarquias, as mesmas que lhes dão cobertura a eles perante os respectivos povos.

Está a falar, sim, da necessidade de nascermos da Liberdade que, como o Vento, ninguém, nomeadamente do Poder, sabe de onde vem nem para onde vai. Ainda que ele facilmente perceba que o Vento-Liberdade é a única força feita fragilidade humana desarmada, que o pode derrubar. Para que, no lugar dele, ganhe, finalmente, corpo uma sociedade outra, de irmãs, irmãos, religados maieuticamente uns aos outros e ao cosmos, ao modo dos vasos comunicantes.

É preciso que se saiba que o sacerdócio é a profissão mais antiga do mundo que traz associada a ela a prostituição sagrada. A própria designação – sacerdócio, sacerdotes – remete para um núcleo restrito de chico-espertos que, em cada tempo e lugar, se têm na conta de sagrados. Desconhecem que a simples existência de pessoas sagradas, lugares, espaços e objectos sagrados, é o que há de mais perverso sobre a terra. Porque a condição dos seres humanos e de todo o universo é o profano, nunca o sagrado. Só no profano, somos, respiramos, existimos. Declarar sagrado alguém e/ou algum lugar, espaço, objecto, é criar ídolos (= ilusões) e fomentar a idolatria, por isso, roubar aos seres humanos a sua condição de protagonistas na história, sujeitos responsáveis por si mesmos, uns pelos outros e pelo cosmos e condená-los à condição de súbditos numa terra que, necessariamente, nos aparece cada vez mais como estranha, quando, originalmente, é o nosso útero e a nossa casa comum.

Até acontecer Jesus, o filho de Maria, no ser-viver dos seres humanos e dos povos, edificamos sociedades sobre o sagrado e o culto do sagrado. Temo-las como intrinsecamente boas. São intrinsecamente más. Basta vermos que todas afirmam o sagrado e matam o profano. Afirmam as deusas, os deuses, lá em cima, fomentam a religação para cima com elas, com eles e, assim, negam os seres humanos, os povos. Valorizam o divino e reduzem os seres humanos a seus adoradores, vermes rastejantes. Sempre que acontece Jesus, o filho de Maria, não do Poder, do deus omnipotente, omnisciente, omnipresente, o Terror e a fonte do Terrorismo, no ser-viver dos seres humanos e dos povos, logo vemos que até Deus que nunca ninguém viu é profano, humano, e se dá a conhecer no humano, não no Poder nem nos seus agentes históricos. A Revolução é total. Antropológica-Teológica. Com sabor a Nova Criação. A novo big-bang. A Novo Começo.

Temos de meter ao fundo dois mil anos de cristianismo e o próprio cristianismo. Neste terceiro milénio, toda a primazia tem de ser do Humano, dos seres humanos, dos povos, maieuticamente religados. Todas as chamadas civilizações edificadas sobre o sagrado, em vez de sobre o profano, sobre o divino, em vez de sobre o humano são o que há de mais perverso. Basta atentarmos aonde nos trouxeram. A um beco sem saída. Pelo que mudar é preciso. Nascer de novo, do Vento-Liberdade é preciso. Religarmo-nos uns aos outros e ao cosmos, é preciso. Já as deusas, os deuses, os santuários, os lugares sagrados não são precisos. Roubam-nos tudo, até a alma. Só a Liberdade e o Profano são via de salvação dos povos e do planeta Terra. Ousemos abri-la e percorrê-la, cada dia um pouco mais.

Nota do Editor: Como habitualmente, JF pára nos meses de Julho e Agosto. Contamos regressar no início de Setembro.

Baptismo de crianças

Insistis em querer ISTO para as filhas, os filhos?!

Baptizar as crianças recém-nascidas foi prática obrigatória nos séculos da Cristandade. Objecto, até, de pagamento de multas, caso os pais deixassem ultrapassar o curto prazo de oito dias que os párocos estabeleciam e controlavam. O registo de baptismo era, de resto, o único documento físico correspondente ao que hoje se chama “certidão de nascimento”. Este facto, aparentemente singelo e inócuo, diz bem, só por si, quanto os clérigos nas aldeias, vilas e cidades do Ocidente eram reis e senhores. De quanto poder dispunham. Um poder de vida e de morte sobre as populações. Controlavam-registavam a data do nascimento, do casamento e do falecimento. O cartório paroquial era um exclusivo dos clérigos católicos romanos. E isto é poder, obviamente, e que poder! Aliás, dizer igreja católica romana é e sempre será dizer poder monárquico absoluto. Cada pároco era/é em cada paróquia o papa em ponto pequeno, como o bispo era/é em cada diocese territorial o papa em ponto médio. Cada um no seu território era/é credor do temor e da reverência dos demais. Hoje, já não é bem assim, embora os clérigos e muitos autarcas do Estado laico continuem a pensar que sim e a agirem como tal. Para vergonha, pelo menos, dos autarcas que ainda o façam. Porque os clérigos que sempre se têm na conta de os mais exemplares, já nem capacidade de sentir vergonha têm. E esse é o seu mal, porque os torna inconvertíveis ao Humano.

Depois de tantos séculos a baptizar as crianças, as populações e respetivas mães-pais, acabaram por interiorizar, geração após geração, que baptizar as filhas, os filhos não só é bom, como é obrigatório. Quando, afinal, o baptismo de crianças – e também de adultos – realizado pelos clérigos católicos e pastores protestantes mais não é do que o abrir as portas das indefesas mentes das filhas, dos filhos ao Mal institucional que é todo o sistema cristão-eclesiástico católico e protestante. Basta ver que cada criança baptizada fica, a partir daí, propriedade da igreja que o administra. O dia do baptismo é o dia em que quem o recebe, renuncia à liberdade e à autonomia. Passa a ser um súbdito, mais, do pároco ou pastor, do bispo da diocese, do papa de Roma. Os pais continuam a ter de cuidar da sustentação delas, deles e do seu desenvolvimento, mas, em qualquer altura, a sua filha, o seu filho pode ser reclamado pelo seu senhor e dono, o pároco, o bispo, o papa, numa palavra, pela transnacional igreja católica.

Por isso, os seminários tridentinos não tiveram, até um passado recente, falta de candidatos. Tinham até excesso. E os conventos, ordens religiosas e congregações-institutos missionários masculinos e femininos, nunca tiveram falta de membros. Ter um filho sacerdote ou missionário, ter uma filha freira, de clausura que fosse, era/é visto pela própria família e pelos vizinhos como uma “bênção” e um invejável modo de vida. Aqueles hábitos das “irmãs”, dos “irmãos”, originalmente, sinal de pobreza e renúncia à vaidade, tornaram-se o cume da vaidade. Olhem só o papa de Roma e o bispo de cada diocese, quando vão de visita oficial e presidem em altares com tudo de corte imperial.

É só por isso que, em 1917, por exemplo, os clérigos de Ourém puderam pôr e dispor daquelas três crianças de 7, 8 e 10 anos, para realizarem o seu teatrinho das “aparições”. Os pais delas não tiveram como impedir semelhante uso e abuso clerical dos seus filhos baptizados. Não fossem baptizados e nada lhes teria acontecido. Tão pouco os pais da Lúcia puderam impedir que um dos seus campos fosse utilizado como palco para as programadas seis sessões do teatrinho. Não fossem baptizados e nada lhes teria acontecido. Os clérigos precisavam de um campo com uma carrasqueira ou azinheira para as seis encenações, e dispuseram daquele como bem entenderam. Só foi preciso marcar o dia e a hora de cada uma das sessões. E, quando os dois irmãos Francisco e Jacinta – agora santos canonizados, sem os respectivos familiares terem sido ouvidos nem achados, muito menos terem parte nos lucros que essas duas canonizações garantem à empresa católica romana – morrem em 1919 e 1920, respectivamente, sem que os clérigos que antes os utilizaram quisessem saber, logo o bispo da restaurada diocese de Leiria decide arrancar a sobrevivente Lúcia à própria mãe e faz dela freira à força até à morte.

Tudo isto perfaz, no seu conjunto, um pecado e um crime sem perdão, mas ninguém se atreve a agir em conformidade, porque estamos formatados pelos clérigos para vermos em tudo isto o sumo bem. Mas a verdade é que a própria mãe de Lúcia vê em tudo o que bispo e do cónego Formigão lhe fazem como a morte da sua filha aos 14 anos de idade. E a verdade é que nem à hora da sua morte a autorizam, como mãe, a poder ver a sua filha pela última vez. Nem sequer autorizam que ela, como sua mãe, possa, ao menos, ouvir a voz da filha pelo telefone! A filha tinha-lhe sido arrancada aos 14 anos e, desde então, estava morta para a família. Não a tivessem baptizado, poucos dias depois dela ter nascido e nada disto lhes teria acontecido. Nem a Lúcia, nem aos pais dela.

Perante factos destes, totalmente irrefutáveis, que mães, pais continuam, neste início do terceiro milénio, a querer isto (= o baptismo) para suas filhinhas, seus filhinhos? E tudo o que “isto” traz junto consigo – a catequese, a comunhão solene, o crisma, o casamento canónico e o funeral religioso? Escrevo “isto”, pronome demonstrativo neutro, e escrevo teologicamente bem. Pelo menos, à luz da Teologia de Jesus. Porque é assim que todos os seres humanos, filhas, filhos do Vento, do Sopro criador e libertador, como Jesus Nazaré, temos de classificar o tipo de baptismo qjue as igrejas criaram e tudo o mais que se lhe segue. É um tipo de baptismo que vem animado de um sopro que mata. Ao contrário do sopro de Jesus e dos seres humanos sem poder e sem aspirações de poder, que nos vivifica e ao mundo.

Por isso, em vez deste tipo de práticas absurdas, ousem práticas outras, plena e integralmente humanas. Saibam que como mães, pais, tendes o imperativo ético de defender os direitos das filhas, dos filhos. Antes de mais, o direito à liberdade de, a seu tempo, escolherem ao serviço de quê e de quem decidem colocar as suas capacidades em todos os dias do seu viver na história. Sereis criminosos se atentais contra este direito, em lugar de o defenderdes. Vossas filhas, vossos filhos agradecer-vos-ão. Entretanto, não deixeis de celebrar o natal ou nascimento de cada filha, cada filho. Convidai familiares, amigos, vizinhos para se alegrarem convosco e cada qual, no dia, hora e local anunciado por vós apareçam todos com o respectivo farnel para, juntos, festejarem e memorizarem este dia. Num alegre e compartilhado almoço-compromisso de que vos acompanharão activa e sabiamente na difícil Arte de os Educar, “puxar” por eles para que cresçam de dentro para fora também em sabedoria e em graça, não apenas em idade e em estatura. Eis. E tudo sem prendas. Sem Mercado. Apenas abraços, beijos e colos compartilhados.

Emmanuel Macron

O JESUITISMO NO PODER!

Está explicado o mistério do sucesso de Emmanuel Macron e sua mulher, 24 anos mais velha. Foi no Colégio La Providence, em Amiens, que Emmanuel Macron, quando jovem, foi formado na excelência, segundo os princípios inacianos ou jesuíticos e onde conheceu a sua futura esposa com quem ainda hoje se mantém casado, ambos com a mesma fome de triunfo e de poder. O espírito ou sopro vencedor que o anima e que acaba de fazer dele o presidente absoluto de França, mais do Estado francês do que das cidadãs, dos cidadãos de França, vem daí, dos jesuítas, filhos de Inácio de Loyola, o fundador da Companhia de Jesus, não de Jesus, o camponês-artesão de Nazaré, o filho de Maria, mas de Jesuscristo ou Jesusmessias de s. pedro-e-de-s. paulo, o filho primogénito de David e da sua casa real, o mesmo que, no início do século IV, com Constantino, conquistou de mão-beijada o império romano e, desde então, nunca mais foi desalojado do trono do poder monárquico absoluto. Porque sempre fez, continua a fazer o que tem de ser feito, sem olhar a meios, para jamais ter rivais, apenas vassalos atentos e reverentes que, ao mais pequeno sinal de rebeldia ou de dissidência, ou aceitam desistir de semelhante postura, ou são abatidos na hora. De modo cruento ou incruento.

De resto, é sempre assim que fazem todas máfias do mundo, as grandes e as pequenas, ao seu serviço, entre as quais, durante os séculos da Cristandade, estão sobretudo as dioceses territoriais e respectivas paróquias e, neste terceiro milénio, também e sobretudo os grandes e pequenos Estados da Europa, das duas Américas, a do Norte e a do Sul, juntamente com todos os outros Estados que constituem a ONU, hoje, com o cristianíssimo português António Guterres, como seu secretário-geral, eleito quase por unanimidade e aclamação. Ou o actual papa de Roma não fosse, pela primeira vez na história do papado, o super-aclamado por tudo quanto é Poder financeiro e militar nuclear, o cardeal jesuíta argentino, Mário Bergóglio, mascarado de Francisco no nome, dominicano nas vestes com que sempre se apresenta diante dos súbditos dele, e que apesar daquele ar de bondade e de misericórdia, não consegue esconder o Grande Inquisidor da Lenda de Dostoievski, também este de branco vestido, porque dominicano, pois então!

É com uma muito bem conseguida reportagem de Le Monde, a que JF teve acesso, via IHU, que se ficou a saber estes e outros pormenores de monta, que ajudam a conhecer melhor quem é este novo Cristo laico invicto do Estado francês, cujas bases mentais são jesuíticas, por isso, altamente tóxicas, no que respeita à ideologia-teologia com que ele hoje se apresenta formatado. Macron, quando adolescente-jovem, frequentou o Colégio La Providence, de prédios imponentes, erguidos em 1950 ao longo do bulevar Saint-Quentin, no Bairro Henriville, o mais tranquilo e o mais destacado de Amiens. É uma história tão romanesca, que a imprensa do mundo inteiro – americana, inglesa, sueca, holandesa, chinesa, japonesa, suíça, a que se junta também o JF – fez questão de recolher as memórias de quem conheceu Emmanuel Macron, este ex-aluno que se tornou o mais jovem presidente da República francesa.

Durante a campanha eleitoral, as câmaras dos repórteres puderam registar apenas as grades azuis fechadas do estabelecimento privado. Depois das eleições e com ele presidente de França, as portas abrem-se de par em par aos curiosos e, sobretudo, aos que procuram o porquê de tanto sucesso no poder político e em tão pouco tempo. Amáveis, alguns dos ex-professores de Macron, falam com entusiasmo sobre o aluno prodígio. O padre Philippe Robert, por exemplo, professor de Física e Química, diz como em êxtase, “Primeiramente, no dia do seu ‘bac blanc’ [prática para o exame de bacharelado] de francês, quatro professores ficámos, por puro prazer, no fundo da sala de aula para ouvi-lo dissertar sobre os salões literários do século XVIII. Ele foi deslumbrante” (Paris Match).

Também o seu professor de História, Arnaud de Bretagne, não menos deslumbrado, sublinha, “Emmanuel era um batalhador, alguém muito maduro para a sua idade, que gostava do contacto com os adultos e que fazia muitas perguntas. Alguém entusiasmante” (Le Parisien). Por sua vez, Marc Defernand, professor de História e Geografia, testemunha sem qualquer pudor,“Eu imaginava-o como um grande actor de teatro clássico. Certo dia, disse-lhe: ‘Se você continuar nesse caminho, será o Gérard Philipe do século XXI’. Cada século teve um personagem extraordinário; Macron, talvez, seja o do século XXI” (TF1).

Está traçado o perfil do grande vencedor, obra também e sobretudo dos jesuítas, aqueles homens de negro vestidos, como corvos, formados/ formatados para obedecerem por toda a vida como cadáveres. A quem ou a quê? A nenhum ser humano, filho de mulher, porque aos seres humanos não obedecemos, simplesmente amamo-nos uns aos outros como a nós próprios e, se quisermos ir ainda mais longe na radicalidade-gratuidade do amor, amamo-lnos uns aos outros como Jesus nos ama a todos. A obediência jesuítica como um cadáver vai inteira para o Poder de um só, neste ano da eleição de Macron, precisamente o papa Francisco, ele próprio jesuíta que deixou de andar de preto vestido, para passar a andar de branco vestido, sem dúvida, a Treva mais ilustrada e que mais cega os olhos das populações e dos povos, como fazem todos os holofotes, quando apontados aos nossos olhos.

O mundo que se cuide. Porque com Macron, jesuíta de formação-formatação, à frente do poderoso e cristianíssimo Estado francês, mais Merkel e Trump, este com todas as suas atoardas, mas também com todo o arsenal nuclear de que dispõe, o maior e o mais sofisticado do mundo, até os Estados muçulmanos,, a Rússia de Putin, o Japão e a Índia acabam, mais cedo do que tarde, cristãos também, por isso, súbditos do papa de Roma. Sem cujo aval, nos dois milénios anteriores, nenhum dos grandes impérios sobreviveu. Ou o papado não fosse como é o pai de todos os outros poderes, seus vassalos. Basta, para tanto, que os chefes ainda não cristãos dos Estados do mundo caiam no engodo de entreabrirem uma frincha nas suas mentes, para deixar entrar um jesuíta, de preferência, laico, Macrom, por exemplo. E, para mal dos povos, é o que está já a acontecer. A coberto da Cimeira do Clima, em Paris, antes de Macron e agora já com Macron. Quem puder fugir das grandes cidades para a Montanha e para junto das fontes de água cristalina, que fuja!

Clérigos: Programados para manter tolhidas e submissas as populações

Ainda não se pensava sequer na possibilidade de um dia haver computadores programados para executar automaticamente tarefas em dias e horas previamente determinados e já o cristianismo, desde que se alojou nas mentes consciências dos seus clérigos o fazia, faz. Como antes dele, também já o fazia o império romano, cujos eficazes mecanismos o cristianismo herdou e aperfeiçoou através dos tempos. Como poder monárquico absoluto e infalível que é, consegue apoderar-se por inteiro das mentes-consciências dos seus principais funcionários, os clérigos-proibidos-por-ele-de-constituir-família, e programá-las, para que eles, lá onde são autocraticamente colocados por outros acima deles, por isso, ainda mais escroques do que eles, realizem sem falhas as tarefas para que foram programados. Sem necessidade sequer de ter de se recorrer ao serviço de vigilantes ou de fiscais.

É mais do que garantido que naquele dia, naquela hora, naquele mês de cada ano, eles estão lá no templo-casa de opressão e de domesticação das populações a presidir ao ritual da missa, igual em toda a parte onde outros clérigos estão também colocados; a baptizar as criancinhas que os pais, nos seus medos, lhes apresentam, e que, depois já não têm como escapar à reiterada tortura que é “a festa da primeira comunhão”, “a festa do pai-nosso”, “a festa da comunhão solene”,“a festa do crisma”, “a festa do casamento”.

Foi massivamente assim, nos dois milénios anteriores. Continua a ser assim neste início do terceiro milénio. Hoje, bastante menos, por manifestamente desnecessários que são clérigos deste tipo, uma vez que, entretanto, os outros dois poderes, gerados e justificados pelo cristianismo, realizam esse mesmo trabalho de forma muito mais sofisticada e requintada, ao ponto de, neste novo tipo de cristianismo terceiro milénio, ser até muito difícil encontrar ateus. Só adoradores do deus Dinheiro.

Jesus Nazaré, a Sabedoria plena e integralmente humana entre nós e connosco, bem nos adverte e alerta, oportuna e inoportunamente: Não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma. Temei, sim, Aquilo que pode fazer perecer na geena da sua ideologia-teologia, o corpo e a alma (Mateus 10, 28). Ele próprio vê com os olhos da sua mente cordial e ouve com os ouvidos da sua mente cordial os gritos e os clamores das vítimas, que todos os sistemas de Poder, a começar pelo próprio judaísmo que ele, como judeu camponês-artesão de Nazaré, bem conhece na carne e também no império de Roma que então ocupa militarmente o seu pequeno país, são a Mentira organizada, habilmente disfarçada de verdade. Ou como hoje escabrosamente se diz com cínico orgulho, de “pós-verdade”. Todos compulsivamente mentirosos, pais de mentira, mascarada de verdade e até de santidade-heroicidade-dedicação-abnegação! A abominação das abominações.

Quantos se deixam seduzir por algum destes sistemas de Poder que é tremendamente afrodisíaco, renunciam definitivamente à sua matricial condição de seres humanos e tornam-se míticos seres divinos, ou míticos deuses-cristos, porque vencedores. Aos quais tudo é permitido e todos os mais têm de obedecer, sob pena de anátema. De acordo com a verdade histórica, todos eles são escroques programados para manter tolhidas e submissas as populações, pois aceitam trocar reiteradamente a fragilidade da Verdade que, quando acolhida e praticada, nos faz livres e irmãos, pela tirania da ideologia-teologia do Poder. De modo que tudo o que fazem e dizem é mentira, ainda que sempre politicamente correcto. Os frutos que daí resultam para a sociedade e o planeta Terra são, obviamente, o que há de mais absurdo, de mais cínico, de mais sádico, de mais cruel.

Os clérigos eclesiásticos estão hoje em vias de extinção. O que se saúda. Não assim os novos clérigos laicos, que são todos os agentes históricos do Poder político armado e económico-financeiro. As suas mentes-consciências estão possessas da geena da ideologia-teologia do Poder. “Aquilo”, no sábio e lúcido dizer de Jesus Nazaré. O exemplo mais conseguido, na actualidade, é Trump, o empresário-presidente dos EUA, o outro rosto do poder monárquico absoluto que é o papa de Roma.

Embora hoje já não mate de imediato o corpo, mata de imediato a alma, entenda-se a mente-consciência cordial de cada um dos seus agentes. Por mais que os grandes media os louvem, a verdade é que todos eles não passam de escroques institucionais que domesticam as mentes-consciências das populações, suas súbditas e fazem-nas adoecer e morrer lentamente, e à própria terra que de nossa casa comum, é cada vez mais planetário necrotério, cujos povos, pior do que descartáveis, são tiddos e tratados como lixo tóxico. A tanto nos conduziu a geena da ideologia-teologia do cristianismo, na sua vertente religiosa, nos dois milénios passados, e na sua vertente laica, neste início do terceiro milénio.

P.S.

Esta reflexão nasce no momento em que quis visitar e conversar com um padre-pároco meu amigo e foi-me dito na sua residência paroquial em VN Gaia que ele àquela hora estava a confessar as criancinhas da catequese que no dia seguinte “iam fazer a primeira comunhão”. Fez-se luz em mim. E acontece este Texto-alarme. Por aqui se vê claramente que nem sequer o Concílio Vaticano II conseguiu entrar na mente-consciência destes clérigos-impedidos- por-lei-eclesiástica-de -constituir-família. A verdade é que estamos no início do terceiro milénio, o das Ciências Humanas, senhoras, senhores. Criancinhas de seis, sete anos têm pecados? Não são os clérigos, os pecadores, ao escandalizarem desta maneira as crianças? Melhor fora – adverte Jesus, a quem vós crucificais todos os dias com os ritos que vendeis às populações tolhidas e submissas – que vos atassem a mó de um moinho ao pescoço e vos lançassem ao mar. O pior é que tendes-vos por santos e exemplo para os demais, e não vedes que a geena da ideologia-teologia do cristianismo com que viveis possessos continua a fazer de vós uns escroques. Quem puder entender que entenda.

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Edição 128, Maio 2017

Deixemos Fátima e os clérigos que a criaram a falar sozinhos e ocupemo-nos com a grande Pergunta

A Bíblia ou Jesus?

Quando em Maio 2015, avanço com a publicação do meu mais conseguido Livro sobre o teatrinho das aparições de Fátima (Parte 1, em 10 capítulos; Parte 2, em 4 capítulos) e deixo bem claro que há duas Fátima distintas – Fátima1 e Fátima 2 – nenhuma delas verdadeira, muito menos a 2, criada a partir de 1935 por um núcleo restrito de clérigos sem escrúpulos, escondidos sob o pseudónimo de “Memórias de Irmã Lúcia”, tenho já em mente a publicação, em 2017, de um outro Livro que nos coloque a todas, todos – crentes, agnósticos, ateus – perante a mais perturbadora das Perguntas, a saber, A BÍBLIA OU JESUS?

Surpreendentemente, ou talvez não, a Pergunta acaba até como título de capa do Livro (137 pgs, em 14 capítulos), editado precisamente em Abril 2017, Seda Publicações. Pretendo com esta minha postura desviar o foco das atenções dos grandes media e dos seus profissionais, do não-evento chamado, “Aparições” de Fátima, e concentrá-lo inteiro na grande Pergunta que este início do terceiro milénio nos impõe, depois de dois milénios de cristianismo católico e protestante e de Civilização Ocidental por ele gerada, alimentada e, até, teologicamente justificada, apesar de estruturalmente sádica e cruel, como revelam bem os seus frutos.

A verdade é que, na sua esmagadora maioria, até os profissionais dos grandes media vieram a revelar-se de tal modo apanhados pelos cem anos do não-evento “aparições” de Fátima, que o mês de maio vai já no fim e eles e seus grandes media continuam sem se aperceber deste meu novo Livro, muito menos, de quão fecundamente perturbador é todo o seu conteúdo.

Sou o primeiro a compreender esta mais do que previsível postura dos profissionais dos grandes media e da generalidade dos intelectuais e académicos. Todos eles integram a civilização ocidental gerada e alimentada pelos dois mil anos de cristianismo. Podem, hoje, muitos deles, dizer-se ateus ou agnósticos. O que não podem é dizer que não são cristãos. Toda a sua formação de base e ambiental, como todo o seu saber, andam afectados pelo vírus do cristianismo. As suas mentes-consciências continuam possessas pela mais perversa das ideologias-teologias, que é a ideologia-teologia do cristianismo ou messianismo bíblico-davídico cristão e islâmico.

O simples facto de se terem afastado definitivamente da igreja católica romana ou de alguma das inúmeras igrejas protestantes, não os fez mudar de ser. Muito menos, mudar de concepção de Deus. Pelo contrário, continuam, uns mais, outros menos, a pensar cristão, a projectar cristão, a escrever-falar cristão, a agir cristão. Com a agravante do ateísmo cristão de que se orgulham, poder vir a tornar-se, surpreendentemente, ainda mais inumano que o religioso, inclusive, o da chamada religiosidade popular.

É verdade que não os leva a rastejar a céu aberto, perante a imagem da senhora de fátima, ou outras, mas pode levá-los – e está a levar muitos deles – a rastejar perante os administradores dos grandes media e das grandes empresas multinacionais que os contratam e lhes pagam. Porque o ateísmo que professam mais não é do que a outra face do cristianismo.

Durante séculos e séculos, o cristianismo foi indiscutivelmente religioso. Porém, a partir do Renascimento e, sobretudo, da Revolução Francesa, tem adquirido progressivamente a face secular e laica, inclusive, ateia e agnóstica. Exactamente, a que está hoje cada vez mais na moda. Porque é também a que abre mais portas, nomeadamente, as das grandes empresas multinacionais e respectivas administrações. O que, só por si, mostra bem que é nesta versão laica, ateia ou agnóstica que o cristianismo atinge, neste início do terceiro milénio, o grau máximo da Crueldade, do Inumano, do Amoral, do Intolerável.

Basta atentar como é o ser-viver de quantos dão corpo às administrações das grandes empresas multinacionais e dos grandes Negócios. Nunca o cristianismo atingiu tão alto grau de Crueldade, como neste início do terceiro milénio que se diz e é pós-cristão, mas apenas na sua face religiosa, não na sua face ateia e agnóstica. Daí a grande, oportuna e perturbadora Pergunta que faz o título do meu Livro, A BÍBLIA OU JESUS?

Nunca, em dois mil anos de cristianismo religioso erudito e popular, esta Pergunta foi alguma vez formulada. Nem podia. Não estavam criadas as condições históricas, culturais, científicas, ambientais que a tornassem audível, inclusive, a quantas, quantos continuamos a ter de viver neste tipo de mundo formatado pelo cristianismo – não há outro – mas que já não somos dele. É, precisamente, entre estes seres humanos que vivemos neste tipo de mundo, mas que já não somos dele, que a Pergunta consegue, finalmente, fazer-se ouvir e ser verbalmente formulada.

Quem continua de pedra e cal neste tipo de mundo cristão religioso ou ateu, jamais pode escutar e ver o Essencial, sempre invisível e inaudível aos olhos e aos ouvidos das suas mentes-consciências. E, mesmo depois de escutada e formulada a Pergunta, serão estes os que mais resistência lhe levantam, na desesperada tentativa de impedir que este tipo de mundo que lhes garante e aos seus familiares mais próximos, privilégios sem conta e um estatuto social invejável, apareça aos olhos de todos os povos como um tipo de mundo eticamente indefensável e logo o façam cair, porque edificado sobre a areia.

O que teria acontecido se, no dia 12 de Maio, por exemplo, o dia da chegada do papa Francisco ao aeroporto de Monte Real, as manchetes dos principais matutinos portugueses e dos notíciários das tvs e das rádios reproduzissem, como um pedido-desafio meu, “Deixemos Fátima e os clérigos que a criaram a falar sozinhos e encaremos de frente a grande Pergunta que este início de terceiro milénio nos coloca a todas, todos – crentes, ateus e agnósticos, A BÍBLIA OU JESUS?”

Quem diz Bíblia, diz, obviamente, todos os livros tidos por sagrados. Quem diz Jesus, diz o filho de Maria, o ser humano pleno e integral, assassinado na cruz do império de Roma, em Abril do ano 30, por se ter atrevido a dizer o que os olhos e os ouvidos da sua mente-consciência cordial vêem e escutam, concretamente, que todos os sistemas de Poder vão nus, por mais sagrados que se digam e se apresentem. Uma vez que o Deus da Bíblia que os suporta-justifica e ao seu Poder não passa de mera projecção-criação deles, um ídolo, portanto, o inimigo n.º 1 dos seres humanos e dos povos. Sim, o que teria acontecido?

Nenhum papa declare e defina o que Deus não declara nem define!

Que crianças hoje querem ser Francisco e Jacinta?!

Santo eu não quero ser / Só Humano / Um Deus que gosta de santos / é um tirano

Os dois desgraçados irmãos Francisco e Jacinta, aterrorizados e torturados em 1917 pelas pregações da obscena “Santa Missão”, decalcadas no terrorismo do livro Missão Abreviada, e apanhados pelos clérigos de Ourém, com destaque para o Cónego Formigão, também ele hoje já a caminho dos altares, e para o Pe. Lacerda, sobre cuja suposta cópia assenta toda a Documentação Crítica de Fátima (!!!), acabam de entrar, cem anos depois, no Catálogo dos Santos, pela mão do papa Francisco, ele próprio Sua Santidade. Quando aceitou ser papa, o argentino Jorge Mário desistiu de vez de ser filho de mulher, para ser definitivamente filho do Poder monárquico absoluto e infalível. Como jesuíta, já tinha voto de obediência ao Poder monárquico absoluto e infalível do papa, que fazia dele um dos abnegados difusores do seu sistema de doutrina, o cristianismo imperial, que almeja alojar-se como um demónio nas mentes-consciências dos seres humanos e dos povos de todas as nações. Como papa, veste de dominicano, o Grande Inquisidor, e faz-se chamar Francisco, o filho do dono de Assis no século XIII, que, depois, quis ser pobre, mas esbarrou com o fausto da corte papal de Inocêncio III e, sem querer, acabou fundador e patrono de mais uma das muitas multinacionais cristãs católicas romanas, a (des)conhecida Ordem dos Franciscanos.

Cem anos depois do teatrinho das aparições, levado à cena num dos campos dos pais de Lúcia, onde se destacava uma carrasqueira, o papa Francisco deixou a sua Roma imperial e veio de avião e de helicóptero à sede da sua principal multinacional do turismo religioso em Fátima, onde a toda a hora se lava dinheiro sujo e se fomentam negócios, os mais execráveis. Apresentou-se protegido por terra, mar e ar, não pelos anjos e arcanjos do Deus dos Exércitos da Bíblia judeo-cristã, mas pelas forças de segurança do Estado português que teve de gastar muitos milhões e de perturbar o quotidiano da esmagadora maioria dos seus cidadãos, elas e eles, que, felizmente, não embarcam neste embuste alimentado por clérigos celibatários que sentem uma doentia atração pelas criancinhas e pelas imagens de nossas senhoras que de algum modo substituem a presença feminina nos seus viveres cheios de frustração e solidão, de ritos, rituais e rotinas, nenhuma criatividade, nenhuma ternura, nenhuma fecundidade, nenhuma autenticidade. Só porque é o Poder monárquico absoluto e infalível, o papa teve a recebê-lo e a acompanhá-lo a tempo integral o seu vassalo presidente da República Portuguesa e até o primeiro-ministro, mai-los bispos residenciais das dioceses do país, estes, manifestamente contrariados. A saudável laicidade cedeu, por estes dias, o seu lugar a um tipo de crença rasca, sedenta de milagres do céu, uma vez que dos poderosos da terra só recebe, quando calha, migalhas da caridadezinha com que eles enriquecem ainda mais.

Inesperadamente, crianças e adolescentes do país e de outras partes do mundo, nascidos já neste início do terceiro milénio, viram-se-se transportados para o tenebroso ano de 1917, de má memória, e para as mecânicas rezas de terços, cantos rascas, clérigos cobertos com vestidos brancos até aos pés, num cenário que lhes é completamente estranho, por estarem hoje a crescer em ambientes e contextos totalmente outros, saudavelmente laicos e profanos, onde tudo é simultaneamente virtual e real, movimento quase à velocidade da luz. Do papa vestido de mulher, rosto teatralmente bonacheirão e o foco de todos os holofotes, como se só ele existisse, escutaram um falar beato, cujos conteúdos não entendem. Levados pela mão dos seus pais, sobretudo, das suas mães e pelas catequeses das paróquias que ainda são criminosamente obrigados a frequentar até à idade de atirarem com tudo borda fora, viram-se completamente perdidos, sem referências, numa camisa de sete varas, sem poderem ser eles próprios, correr e saltar, apenas aguentar e esperar que toda aquela tortura religiosa e beata acabasse. Foram, certamente, as horas mais infelizes das suas vidas, cercados por multidões anónimas, onde de repente se viram sem nome, sem rosto, sem voz, sem liberdade, sem árvores, sem terra, sem rios, sem mar, só velas a arder, imagens de nossas senhoras, cruzes, terços, centenas de clérigos que renunciaram a ser homens entre os demais e com eles. Uma tortura que dificilmente esquecerão e que irá contribuir e muito para, amanhã, serem assumidamente ateus, de costas voltadas para os templos, olhos postos em cada hoje carregado de movimento e de cor, onde têm de tornar-se precocemente adultos, se quiserem ser e viver por si próprios, como se Deus não existisse.

Entre estas crianças e adolescentes, uma se destacou. Veio do Brasil com os pais, viagens e estadia tudo pago pelo Santuário S.A. e com discursos estudados para ajudarem a testar que houve um milagre conseguido através dos dois desgraçados irmãos Francisco e Jacinta a quem, em seu tempo histórico, ninguém valeu, nem os clérigos, nem a senhora da carrasqueira, quando a pneumónica chegou e os encontrou debilitados e desidratados pela reiterada recusa da comida e da bebida de água, na falsa convicção de que, desse modo, o Deus sádico e cruel dos clérigos e do seu cristianismo, perdoaria aos pecadores e não os condenaria ao inferno. E toda esta encenação de horrores veio a culminar com a chamada canonização dos dois desgraçados irmãos, presidida pelo papa Francisco, num recuo de séculos até aos tenebrosos tempos da Idade Média, quando, hoje, somos Século XXI, definitivamente, o novo tempo da Ciência, não mais do Obscurantismo, do Milagrismo e do Moralismo .Sim”! Que crianças hoje querem ser Francisco e Jacinta?

Esqueceu-se Francisco de Roma, na cegueira do seu poder monárquico absoluto e infalível, que nenhum papa pode alguma vez declarar e definir como santos, o que Deus, o de Jesus, não declara nem define. Simplesmente, porque não gosta de santos, só de seres humanos a crescer de dentro para fora em sabedoria, ciência e graça-entrega recíproca uns aos outros, sempre com Deus, sempre sem Deus. Tudo o que faz e define o papa é o que faz e define o Poder compulsivamente mentiroso, ladrão e assassino, por isso, o inimigo n.º 1 dos seres humanos e dos povos. Deste modo, todo o mal que os clérigos há cem anos fizeram a estes dois irmãos e à prima deles que sobreviveu à pneumónica e acabou enclausurada a vida toda, acaba de alcançar agora, com esta rasca encenação maiúscula da papa Francisco, o nível máximo da degradação humana. O que perfaz, objectivamente, à luz da Fé e da Teologia de Jesus e da Ciência, mais um pecado sem perdão. Daí, e como bem sublinha a estrofe de um Canto-Poema meu, “Santo eu não quero ser / Só Humano / Um Deus que gosta de santos / É um tirano”.Quem for capaz de entender, que entenda!

Ao serviço de quê e de quem vem ele a Fátima?

O PECADO E O CRIME DO PAPA FRANCISCO

O grande Capital que domina e dirige o mundo século XXI tem no papa Francisco, todo de branco vestido, a máscara da bondade, da misericórdia, da proximidade de que tanto necessita para manter adormecidas e anestesiadas as suas inúmeras vítimas em todo o mundo, de modo que nunca elas cheguem a dar conta do imenso sangue derramado por ele através da fome, do latrocínio, da exploração, da mentira estrutural, das guerras, do terror, do medo, da opressão, do desemprego, da emigração forçada, das doenças cientificamente provocadas e espalhadas, da multiplicidade de religiões, elas próprias, o que há de, ideológica e teologicamente, mais perverso e gerador de divisões e de ódios sem conta nem medida.

Uma calamidade à escala global que teimamos em não dar por ela, porque nascemos, crescemos e morremos com mentes cegas que fanaticamente recusam ver a luz e até perseguem e ostracizam quem as queira maieuticamente ajudar a sair da cegueira para a luz. Só porque a luz é profundamente exigente e obriga-nos a todos, nascidos de mulher, a nascer de novo, do vento-sopro Liberdade-Autonomia-Reciprocidade, e são muito poucos os que nos dispomos a semelhante revolução antropológica-teológica. A esmagadora maioria dos crentes, dos ateus-agnósticos, dos ricos, dos pobres prefere que apenas mude alguma coisa, para que tudo continue na mesma. Um tipo de preguiça política que nos devora e mata a dignidade e nos impede de chegarmos a ser plena e integralmente humanos.

Nestes dias 12 e 13 de Maio, os dos cem anos das “aparições”, o papa Francisco está em Fátima, com uma comitiva de 35 pessoas. A grande pergunta que emerge, imperiosa como incontrolável tsunami, é,. Ao serviço de quê e de quem vem ele a Fátima? A senhora de Fátima é um mito, como são mitos todas as deusas, todos os deuses que os nossos medonhos e incontroláveis medos criam e projectam fora de nós e que logo materializamos em toscas imagens para todos os maus gostos, que corremos depois a comprar e a colocar nas nossas casas, nas encruzilhadas dos caminhos e, de modo muito particular e até solene, em santuários que fazemos construir e que passamos a frequentar como se não fossem todos obra das nossas mãos e fruto dos nossos medos.

Nem aparições, nem visões. Nos nossos medos e nas nossas aflições podemos, com mais ou menos frequência, chegar a ver coisas e a ouvir ruídos e vozes. Não são para tomar a sério, a não ser no sentido de diligenciarmos de imediato o tratamento especializado que hoje, terceiro milénio, felizmente já há à disposição de quem chegue a esse grau de degeneração da sua mente. Um tratamento que nos muitos milénios que nos precederam ainda não havia praticamente para ninguém.

Depois de tantos milénios de escuridão das mentes, para cúmulo, criminosamente fomentada e alimentada pelas religiões-igrejas cristãs e todos os sistemas de poder, é de todo compreensível que, ainda hoje, início do terceiro milénio, as populações mais fragilizadas e desamparadas insistam em recorrer aos exorcismos de clérigos chico-espertos, de cartomantes, de bruxas, bruxos, de curandeiros, aos cultos religiosos cada semana nas paróquias e a todo o tipo de promessas feitas em horas de maior aflição que depois, para cúmulo da degradação e da indignidade, elas ainda fazem questão, hoje, até, com vaidade, de cumprir. Quando a libertação e a cura das suas mentes só na antropologia-teologia-espiritualidade de Jesus e na Ciência neurológica, psicológica, psiquiátrica e seus competentes profissionais podem ser dignamente conseguidas.

O culto de Fátima e da sua tosca imagem concebida e fabricada, dois ou três anos depois de 1917, por um artesão da Trofa, embora complete agora cem anos, a verdade é que já vem dos mais primitivos tempos, os do matriarcado. Ao dar-lhe cobertura e pública aprovação, quer com a sua presença física, como “peregrino” cinco estrelas, quer com a canonização dos dois irmãos, Francisco e Jacinta, sem dúvida as mais desgraçadas das três crianças apanhadas-catequizadas-aterrorizadas pelos clérigos de Ourém, o papa Francisco vem legitimar um culto religioso a um deus sádico e cruel que impede os seres humanos de crescerem em idade, estatura, sabedoria, graça e de se rebelarem politicamente contra todos os perversos sistemas de doutrina política, filosófica e teológica que sempre afirmam e valorizam o divino e negam-matam-sacrificam os seres humanos e os povos.

É este o grande pecado e o imperdoável crime do papa Francisco. O primeiro papa jesuíta, cuja Ordem foi fundada-criada por Inácio de Loyola, precisamente com a missão de aprofundar e difundir por todos os meios e em todas as nações da terra, o demoníaco sistema de doutrina do judeo-cristianismo, a sua bíblia, o seu deus sádico e cruel, na sua dupla vertente de macho e de fêmea, de nosso senhor e de nossa senhora, bem como a sua fé religiosa, a sua teologia, o seu culto. De todo incapaz de admitir-reconhecer que o falso e mentiroso evangelho cristão que insiste em anunciar urbi et orbi mata os seres humanos e os povos e os mantém no medo e na depressão, quando é de todo imperioso e urgente resgatá-los para a liberdade, para a autonomia, para o protagonismo político. Como faz Jesus, o filho de Maria, que não hesita em chamar “Satanás” a Pedro, o chefe do grupo dos doze que o vão trair, “Covil de ladrões” ao templo de Jerusalém, “Hipócritas”, aos sumos-sacerdotes e teólogos do templo.

Fátima 'corrigida' por D. Carlos A. e Pe. A. Borges

É PIOR A EMENDA QUE O SONETO

As várias entrevistas dadas pelo Bispo D. Carlos Azevedo, o da Cultura no Estado do Vaticano, e pelo Pe. Anselmo Borges, Prof de Filosofia na Universidade de Coimbra, ambos meus amigos, tiveram o condão de deixar os fatimistas portugueses, colunistas académicos incluídos, à beira de um ataque de nervos. Para tanto, muito contribuiu a sagacidade dos profissionais que os entrevistaram, pois souberam puxar para título frases que, só por si, abalam as mentes de todo e qualquer fatimista, ao mesmo tempo que surpreendem positivamente quem já não vai nessas crendices, com tudo de indignidade humana.

Afirmar, “A mãe de Jesus não veio do céu por aí abaixo” (D. Carlos Azevedo) e, “É evidente que Nossa Senhora não apareceu em Fátima” (Pe. Anselmo Borges) constituem duas afirmações bombásticas de grande efeito, nomeadamente, para quem se limita a ter os títulos de capa dos jornais e das revistas. A questão está nos pormenores com que se tecem as respostas que um e outro dão aos jornalistas no corpo de cada uma das entrevistas. E, neste particular, bem se pode dizer de ambos, É pior a emenda que o soneto, Títulos-tiros de pólvora seca, Muita parra, nenhuma uva.

A verdade é que um e outro, com estas entrevistas e, no caso do bispo D. Carlos Azevedo, também com o seu recente livro sobre Fátima, acabam por dar ainda mais legitimidade ao absurdo antropológico-teológico que constituem as duas Fátimas, a de 1917-1930 (Fátima 1) e a de 1935 até 2017 (Fátima 2), que consegue, até, trazer ao Santuário S.A. dias 12 e 13 de Maio o próprio papa Francisco. E logo – o cúmulo do absurdo – para canonizar os dois irmãos Francisco e Jacinta, depressa abandonados pelos clérigos de Ourém, após o teatrinho das “aparições” e, obviamente, pela própria Senhora de Fátima, a da carrasqueira, que os deixa morrer vítimas da pneumónica. A que juntam, não muito depois, um outro crime, que foi roubar a sobrevivente Lúcia à sua própruia mãe já viúva e mantiveram-na presa até à morte, sob o disfarce de freira de clausura.

Não se trata, como pretende concretamente o bispo D. Carlos, de utilizarmos uma linguagem correcta, quando falamos destes assuntos. A verdade sem quaisquer sofismas, neste como noutros casos, é esta: Ou dizemos os conteúdos da Fé e da Teologia na linguagem da Ciência, ou tais conteúdos são sempre uma agressão à inteligência humana. Trocar “aparições” por “visões místicas” e afirmar que foram “visões”, não “aparições” é o mesmo que atirar poeira aos olhos de toda a gente.. Substancialmente, nada muda. E se dúvidas ainda houver, basta atentarmos no absurdo refinadamente organizado que, por estes dias do centenário, está a ser indiscriminadamente imposto às populações residentes no nosso país. Com a criminosa complacência e até com o aval das universidades, das Escolas públicas, das Igrejas, do Estado e dos seus órgãos máximos de soberania, a começar pelo PR Marcelo e pelo primeiro-ministro, António Costa, e a acabar nos deputados de direita e de esquerda da AR e nos Tribunais.

Nunca, como neste centenário do pecado e do crime “aparições” de Fátima, o nosso país bateu tão no fundo, em falta de compostura cívica, de dignidade, de inteligência, de respeito uns pelos outros. Somos agredidos ao segundo pelas notícias fatimistas, pelas montras das grandes livrarias, pelas capas dos diários postados nos respectivos quiosques, pelas ofertas de medalhas, terços e outras bugigangas em troca da aquisição do matutino, pelas supostas obras de arte de escultoras, escultores, pelos filmes e mil e uma outras iniciativas “artísticas” que nos roubam a alma, o sossego, os afectos, o silêncio, a sanidade mental. O império católico romano está a asfixiar-nos e a envenenar-nos mortalmente e à República. E tudo porque o grande Mercado tem larguíssima via verde para avançar, como bomba nuclear contra a inteligência, a Ciência, a Fé e a Teologia de Jesus. Numa palavra, contra os seres humanos e o povo de povos que somos, na multiplicidade de fés e de culturas. É bem a ditadura ideológica e religiosa assassina do catolicismo católico romano.

“Visões místicas”, cada qual tem as que quer, ou as que nos impõem, em cada tempo e lugar, se não formos mentes saudavelmente esclarecidas e resistentes. No início do século XX, através dos clérigos católicos e suas pregações tecidas de terror(ismo), como o do livro-guia, “Missão Abreviada”, onde é apresentado o “inferno” que as três crianças “videntes” são postas a dizer que a senhora que vinha do céu lhes mostrou, numa das seis “aparições”. E neste início do terceiro milénio, o das sofisticadíssimas tecnologias, através dos grandes media e das redes sociais, manipulados por técnicos informáticos confrangedoramente ingénuos ou, pior ainda, sem quaisquer escrúpulos.

Retirem, de uma vez por todas, de Fátima os clérigos católicos romanos, bispos e papas incluídos, que desde há cem anos exploram o “milagre” que eles próprios inventaram e verão que daquelas “aparições” ou “visões místicas” não ficará literalmente nada. Por isso, e no prosseguimento do que diz Jesus Nazaré em seu tempo histórico, também eu hoje digo: Ai de vós papas, bispos e demais clérigos católicos romanos hipócritas, que atais fardos pesados e insuportáveis às multidões mais desamparadas e deprimidas, quando vós nem com um dedo os deslocais; ai de vós que alargais as filactérias e alongais as orlas dos vossos mantos de luxo e gostais de ocupar o primeiro lugar nos banquetes, os primeiros assentos nos santuários, ser saudados-aclamados pelas multidões nas praças públicas e chamados 'mestres' pelos homens, quando não passais de sepulcros caiados, muito vistosos por fora, podridão e imundície por dentro. Sim, ai de vós (cf. Mateus 23, 4-7). Como sucede ao sal que perde a força de salgar e de anti-corrupção da sociedade, também vós sereis lançados fora, pois, como ele, nem para a esterqueira servis (Mateus 5, 13).

25 de Abril, 43 anos depois

D. Marcelo, o palavroso, e alguns tiranetes mais!

D. Marcelo, o palavroso, está a tornar-se insuportável. E o país, anestesiado com Fátima, com o Futebol dos milhões e seus demenciais comentadores nos canais ditos de notícias ao minuto, mais os repetitivos discursos do chefe do governo e respectivos ministros, dos chefes dos partidos políticos de direita e de esquerda, dos chefes dos grupos parlamentares, dos chefes das centrais sindicais e da Frente dos Sindicatos da Função Pública, todos bem falantes e vestidos a rigor, já nem dá por nada. E porque ele é um presidente que não dorme, ou dorme apenas três horas por noite, já nem sequer deixa dormir as cidadãs, os cidadãos do País. A verdade é que continuamos a ser, 43 anos depois de Abril, um povo desgraçadamente sem voz e sem vez e, para cúmulo, ainda baleado-massacrado por overdoses de discursos dos agentes de turno dos poderes e de notícias, sempre as mesmas.

A tão apregoada liberdade dada de bandeja pelo 25 de Abril 1974 é, afinal e exclusivamente, a liberdade do grande Capital que, desde então, está ao comando de tudo o que é notícia no país e na UE. É ele que tudo permite, promove e financia, como é também ele o único que sai a ganhar com este tipo de mundo e de eventos-comemorações. Os seus súbditos portugueses, em vez de fazerem acontecer o Abril sonhado e cantado mas nunca realizado, insistem, cada ano, em sair às ruas, a mostrar quão gratos estão pelo feriado que ele lhes dá, e ao qual se junta, este ano, o dos cem anos das “aparições” de Fátima, a tolerância de ponto no próximo dia 12 de Maio, para que, desse modo, os funcionários públicos possam ver o papa Francisco, sem dúvida, o maior prestidigitador católico romano criado por ele.

Neste nosso Portugal que constitucionalmente se diz uma República, o grande Capital tem no rei D. Marcelo, o palavroso, o seu porta-voz e o seu rosto. Como ele, é omnipresente, omnipotente, omnisciente. Nada se faz sem ele e tudo o que se faz é graças a ele que se faz. Nunca o grande Capital esteve tão bem servido neste país dominado, desde a fundação, por clérigos e reis católicos, como está agora com o católico presidente da República. Ele e o Capital são um só. E todos os mais, seus reféns. É o que o 25 de Abril 2017 gritantemente revela, ainda que teimemos a não querer ver. À realidade, preferimos a erncenação, o faz-de-conta. Insensatamente. E o que mais tememos é levantar-nos politicamente desarmados do chão e sairmos do túmulo em que nos obrigam a permanecer, como mortos-vvos, do nascer ao morrer.

Não é por acaso que este ano o 25 de Abril foi todo do rei D. Marcelo, o palavroso. Outros, seus inferiores na pirâmide institucional do Poder ao serviço do grande Capital, também usaram da palavra, mas o que fica na mente das populações súbditas, atentas e reverentes, são as palavras dele na AR, as selfies com ele nas ruas e nos jardins do palácio de Belém – não me enganei, é mesmo palácio de Belém, não uma casa comum com gente dentro – e na demorada e palavrosa cerimónia da entrega das condecorações e dos elogios fúnebres a quem, a título póstumo, ou presencialmente, ainda se presta a este macabro e sinistro tipo de iniciativas. Escutaram o sublinhado dele, na AR, a uma “mais justa repartição da riqueza”? Pensam que ele quer ver o país, a UE e o mundo a darmos corpo ao princípio fundador da Humanidade, De cada um segundo as suas capacidades, a cada um segundo as suas necessidades? Nada disso. É na Caridadezinha, estúpidos, é na Caridadezinha que ele está a pensar, que essa é a regra primeira do grande Capital!

Acontece que no 25 de Abril de 1974, os bispos portugueses estavam reunidos em Fátima, seu berço e mausoléu de eleição. Não! Não estavam lá de terço na mão – coisa para a arraia miúda, não para eles, suas excelências reverendíssimas – como fazem crer aos seus ainda muitos súbditos, os remediados, a maioria, e os eruditos, uma minoria. Estavam a congeminar como haviam de continuar a lidar com a chamada “primavera marcelista”, com os muitos presos políticos em Caxias e em Peniche, com a Guerra Colonial em África e – coisa ínfima, mas não despicienda – com a minha absolvição, pela segunda vez consecutiva, no Tribunal Plenário do Porto, quando o próprio Bispo do Porto, D. António Ferreira Gomes, também presente, agraciado a título póstumo, este ano por D. Marcelo, o palavroso, com a Grã Cruz da Ordem de Santiago e Espada, já me havia retirado o título e a função de pároco de Macieira da Lixa, só porque eu, como o colectivo de Juízes do Tribunal Plenário do Porto é o primeiro a dar como provado, pela segunda vez consecutiva, que eu sou um pároco exemplar e que havia sido preso político, sem direito a qualquer caução, apenas por pregar o Evangelho de Jesus na paróquia. E o bispo não só já me havia retirado o titulo e a função, como ainda fazia constar entre os párocos da diocese que não sabia mais o que fazer comigo. Vejam só!

E não é que este ano, 43 anos depois, os bispos portugueses voltam a estar reunidos em Fátima, covil de ladrões e privilegiado local de conspiração religiosa católica contra a existência de povos livres, iguais, também em género, e irmãos, um local que eles sabem protegido por terra, mar e ar, dado que é a maior galinha de ovos de ouro da igreja católica e do Turismo religioso em Portugal, a que até o papa Francisco não resiste a vir dar uma mãozinha e levar daqui grande parte do proveito financeiro, com as duas desgraçadas canonizações já anunciadas urbi et orbi. De modo que é aí, em Fátima, que o Governo português de turno lhes faz chegar a sua bênção laica e republicana, feita notícia em primeiríssima mão, de que a vinda do papa justifica bem tolerância de ponto, sexta feira12 de Maio, o pai e a mãe de todas as canonizações, criancinhas criminosamente manipuladas por clérigos, incluídas. Porque, para o grande Capital e seus agentes religiosos e laicos, vale tudo, até tirar olhos.

Entretanto e porque o mundo não é só Portugal e a senhora de Fátima, Trump e a Coreia do Norte não desarmam. A Rússia, a China e a Índia, tão pouco. Assim como a Alemanha e a França. Atrevam-se a desencadear entre eles um inferno nuclear que logo se tornará global. E é o fim da vida, tal como a conhecemos neste planeta Terra a dançar dia e noite e ano após ano, à volta de si própria e do Sol. E tudo, só porque, depois que ela, em nós, conseguiu chegar à condição de racional, resiste a dar um salto qualitativo em frente, que é passar à condição de relacional cordial, por isso, plena e integralmente humana. De modo que o Terceiro Milénio que já é pós-cristão, tem de ser já, plena e integralmente humano, relacional cordial. Nem que seja apenas aquele pequeno resto que, num inesperado terceiro dia, depois do inferno nuclear global, se levanta, inteiro e limpo. num novo big-bang sem mais lugar para o grande Capital, nem para reis e papas palavrosos. Apenas seres humanos, todos diferentes, todos iguais, maieuticamente religados uns aos outros, politicamente ocupados a cuidar uns dos outros e do Cosmos que lhes serve de casa e de mesa sem muros nem ameias

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Edição 127, Abril 2017

Que Francisco vem a Fátima, o populista ou o beato?

O papa que o cardeal D. Manuel III e os bispos portugueses não gostam

Ainda está por saber que papa Francisco vem a Fátima dias 12 e 13 de Maio. Se o populista, se o beato. Ou se os dois, em distintos momentos. Garantido é que nenhum dos dois, nem o populista, nem o beato, é discípulo praticante de Jesus Nazaré, da sua mesma Fé política maiêutica, da sua Teologia, da sua Espiritualidade. Pela simples razão de que entre os seguidores de Jesus, o filho de Maria, não há sequer lugar para a existência de papa. Nas suas múltiplas aparições e intervenções – só o Presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa, o bate, e por larga vantagem – Francisco tem o máximo cuidado em sistematicamente esconder das multidões e dos outros chefes de Estado do mundo seus vassalos a sua condição de jesuíta e de argentino. O ditador Videla anda demasiado associado a ele e ele ao ditador Videla. Era, ao tempo, o Provincial dos jesuítas na Argentina. Sem que a ditadura tivesse feito dele um mártir, entenda-se, alguém que se identifica tanto com as inúmeras vítimas do ditador e se faz tão próximo delas que acaba uma vítima mais. Não foi o caso, bem pelo contrário. O comportamento que então teve abriu-lhe as portas da Cúria romana que depressa o promoveu a arcebispo de Buenos Aires e, depois, a cardeal e, com isso, lhe deu livre acesso ao papado. Nunca antes um jesuíta havia conseguido chegar ao topo da pirâmide do Poder monárquico absoluto. Menos ainda um jesuíta argentino. Cabe por isso perguntar: O que há assim de tão grave a esconder neste Provincial jesuíta do tempo de Videla, que só mesmo o papado o conseguiria fazer com pleno êxito?! Cabe aos historiadores investigar. Resta saber se há agora historiadores que se atrevam a tanto.

Seria também de todo o interesse investigar o que há no papa Francisco que leva o cardeal de Lisboa, D. Manuel III, e os bispos portugueses em geral a não gostarem dele. No caso do cardeal, por mais que ele tente disfarçar, não consegue. Se dúvidas houvesse, bastaria ler a entrevista que deu a um matutino de Lisboa, na semana anual mais macabra da igreja católica, pomposamente, mascarada de “semana santa”, felizmente, cada vez mais confinada ao interior das catedrais, com excepção da do papa, que essa é urbi et orbi. Um vómito embrulhado em toda aquela ostentação imperial, presidida pelo jesuíta papa Francisco, na sua máscara de beato. Quem conduz a entrevista bem tenta arrancar da boca de D. Manuel III um pronunciamento inequívoco sobre o papa Francisco, mas não consegue. As suas respostas são mais do que evasivas. É uma entrevista cheia de nada. Como nada são os dois cardeais portugueses,mai-los bispos residenciais, um bando de mortos-vivos sepultados nos seus palácios-túmulo, como outros tantos Lázaro de Betânia, o do Evangelho de João, cap. 11. Como ele, também eles são bispos de pés e mãos politicamente atados e uma venda nos olhos das suas mentes-consciências. Incapazes, por isso, de ouvir os Sinais dos Tempos que lhes gritam, Deixai esses palácios-túmulo e essas catedrais-túmulo onde apodreceis e sede simplesmente seres humanos entre as populações e com elas, praticantes de Jesus, da sua Fé, da sua Teologia, da sua Espiritualidade! A verdade é que nenhum se atreve.

É sabido que para chegarem àquele posto eclesiástico, tiveram de renunciar definitivamente à liberdade e à criatividade. Sabem-se reféns de luxo do papa de Roma, seja ele qual for. Sabem-se vigiados, controlados pelo representante dele em Portugal, sua excelência reverendíssima o núncio apostólico, uma espécie de chefe da extinta Pide/DGS do anterior regime português. E o sonho maior que cada um deles acalenta é vir a ter, depois de morrer, um funeral cheio de pompa e circunstância na respectiva sé catedral. Homens – seres humanos – eles não são. Sempre de coleira branca ao pescoço, anel no dedo, cruz peitoral ao peito e, quando em cerimónias litúrgicas, mitra na cabeça e báculo na mão, mostram bem os escravos de luxo em que se tornaram, desde que aceitaram ser bispos residenciais e passaram de filhos de mulher a filhos do Poder.

Sou dos poucos que, desde a primeira hora, afirmo,sem que a voz me trema, que o papa Francisco é o clérigo-mor que a Cúria romana mais precisava, depois da hecatombe que foi o curto papado activo de Bento XVI – o aparentemente passivo ainda prossegue – e o longuíssimo papado de João Paulo II, canonizado às pressas, para que ninguém mais se atreva a investigar todos os crimes que cometeu e, sobretudo, os crimes que outros cometeram e ele ajudou a encobrir, a troco de avultadas quantias em dinheiro que entravam nos cofres do banco do Vaticano. Podem escandalizar-se comigo. Mas continuaremos a ser escabrosamente ingénuos, se pensamos que algum dos papas sucessores dos imperadores de Roma, desde Constantino, são fiáveis. Como fiáveis, se são o Poder monárquico absoluto? Ignoramos que todo o poder corrompe e que o poder monárquico absoluto corrompe absolutamente quem lhe dá a própria alma?

Quando vejo que o chamado Colégio cardinalício, a máfia das máfias, escolhe o cardeal argentino Jorge Mário Bergóglio, jesuita, para sucessor de Bento XVI que, entretanto, exige continuar papa, na condição de emérito, com residência até à morte num dos palácios do Vaticano e com garantido direito a funeral de papa, quando morrer, só posso concluir, como presbítero.jornalista, atento aos sinais dos tempos, que estamos perante a maior operação de maquilhagem do início do terceiro milénio do cristianismo. Sabiamente resisto a toda propaganda que a Cúria romana e seus aliados financeiros do mundo põem em curso, para levar as multidões a idolatrar esta sua nova marca eclesiástica, chamada papa Francisco. É jesuíta, mas faz-se chamar, não Inácio, como o seu fundador militarão que, devido a um acidente se viu incapacitado de prosseguir, mas Francisco, o que, séculos antes de Inácio, se faz pobre contra a pobreza e é deserdado pelo pai rico de Assis. Parece um papa pobre, mas é o que mais tem aberto as portas aos grandes financeiros do mundo, inclusive, quando fala reiteradamente em “economias que matam”, sem nunca se atrever a revelar que só há economias que matam, porque todas estão justificadas em teologias que matam. Chama-se Francisco, mas é Inácio de Loyola século XXI. É Cristo século XXI, não é Jesus Nazaré século XXI.

A sua meteórica vinda a Fátima canonizar o crime-pecado que é o assassinato dos dois irmãos, Francisco e Jacinta, e o sequestro até à morte de Lúcia, prima deles, cometido há cem anos por clérigos de Ourém, coadjuvados pelo então omnipresente cónego Formigão, pelo bispo de Mitilene e pelo primeiro bispo da restaurada diocese de Leiria, é a revelação que faltava para percebermos ao serviço de quê e de quem está o papa Francisco, beato, quando lhe dá jeito, populista, sempre. Podem correr e saltar. Mas com ele a Igreja do Concílio Vaticano II foi definitivamente ao fundo. A primazia do “povo de Deus” não chegou a sair do documento aprovado mas com bastantes votos contra, entre os quais se conta o do então bispo polaco Wojtyla, logo eleito papa João Paulo II, depois do assassinato de João Paulo I, e hoje já dos altares da idolatria É caso para se perguntar, Mas a estas três crianças, senhores, e a tantas outras vítimas de pedofilia clerical, por que lhes dais tantas dores? E por que, nem depois de mortas, deixais de enriquecer à custa delas, com a pérfida canonização de Francisco e de Jacinta?!

Um testemunho de arrepiar

A VELHICE DO PADRE ZÉ

Domingo 9 de Abril 2017. Dia de missa obrigatória para as católicas, os católicos. Um dos reiterados pecados capitais institucionais, cuidadosamente mascarados de outros tantos sacrifícios redentores da Humanidade, que acaba reduzida a obscena montra de vaidades-hipocrisias e a privilegiada ocasião de distribuição, por parte dos clérigos e pastores de igreja, de overdoses de mentira e de moralismo rasca. Para cúmulo, um domingo único em cada ano litúrgico, designado pelo calendário romano como domingo de ramos. O da bênção e procissão dos ditos. Um teatro litúrgico com tudo de grotesco, que constitui um insulto e um escarro aos actores profissionais deste nosso hoje. Repetido, ano após ano. Felizmente, com cada vez menos figurantes voluntários. Ainda que com muitos turistas nacionais e estrangeiros que insistem no doentio gosto de ver cenas destas nas ruas das grandes cidades que foram da nefanda cristandade e, hoje, felizmente, são cada vez mais seculares e libertas do jugo dos clérigos, uns quantos celibatários à força que surpreendentemente ainda aceitam servir a transnacional católica romana, disfarçada de Igreja.

Sem me dar conta disso, sucede que é precisamente neste domingo que vou de visita ao padre Zé, meu amigo, desde os remotos anos de seminário, hoje, já na velhice e na doença, por isso, sem qualquer ofício-benefício canónico, acolhido, juntamente com uma sua irmã ainda mais doente, por um irmão mais novo de ambos e pela sua mulher, cunhada deles. Aliás, é sobretudo ela que cuida do cunhado e da cunhada. A visita era para ser da parte da tarde, mas teve de ser mudada, quase sobre a hora, para a parte da manhã, uma vez que os familiares cuidadores, antes de saberem das minhas intenções, já tinham programado, e bem, um descontraído passeio com todos, após o almoço.

Chego e encontro o meu colega sentado no sofá. O habitual sempre que lá vou de visita. O mesmo sofá onde passa os seus monótonos e tristes dias de solidão sacerdotal. Sem que o institucional que serviu, na infantil convicção de que servia Deus que nunca ninguém viu, queira saber dele. Conduzo a improvisada conversa que faço com ele para a nossa actualidade à luz da Fé e da Teologia de Jesus. Só que, apesar do meu colega e amigo ter um percurso eclesiástico de grande incompreensão por parte dos sucessivos gestores-mor da empresa empregadora que é cada diocese territorial, no caso, a diocese do Porto, continua a viver absolutamente possesso pelo demónio que é a ideologia-teologia do cristianismo. O negador-mor da Humanidade de Jesus e, nele, da Humanidade, que somos todos e cada um dos seres humanos e povos.

Com a minha atenção toda concentrada no meu amigo padre doente e um quase-nada mais velho do que eu, nem sequer me apercebo, à chegada, que o aparelho de televisão da sala está ligado. Muito menos que está a transmitir a missa daquele domingo, dito de ramos, numa emissão feita a partir de uma paróquia católica de Portugal. Um privilégio que o Estado português, apesar de constitucionalmente laico, insiste em conceder à igreja católica e só a ela. A Lei de Liberdade Religiosa existe no país, mas a verdade é que às outras igrejas chegam apenas as migalhas que a igreja católica deixa cair dos seus lautos altares, tal como a Lei do judaísmo do tempo histórico de Jesus deixa cair das lautas mesas dos judeus ricos as migalhas para os cães dos respectivos donos, mas que até essas ela nega aos povos não-judeus, apesar destes serem a esmagadora maioria da humanidade!!! O que perfaz uma das maiores aberrações cometidas por todas as religiões e igrejas cristãs que insistem em separar-dividir a Humanidade que Deus que nunca ninguém viu cria e quer ver maieuticamente religado.

Cai-me o coração aos pés, quando me apercebo que a minha visita está a ocorrer na pior das horas para o meu amigo padre, a mesma que para mim vem a ser a mais reveladora das que tenho passado com ele. Constato, desta vez, com visível dor que o meu amigo padre Zé, depois de ter construído toda a sua vida sobre o crime dos crimes em que são peritas as três religiões do Livro – judaísmo, cristianismo, islamismo – que é negarem o valor do Humano, para categoricamente afirmarem o valor do divino, nem sequer na sua velhice e definitivamente afastado do protagonismo dos altares, consegue ver que viveres assim como os dos clérigos religiosos e laicos são edificados sobre a areia, por isso, sem verdade-realidade, sem razões e causas que valham a pena, porventura, muita erudição, muito saber, muitos aplausos das multidões, mas nenhuma Cultura, nenhuma Sabedoria, nenhuma Fecundidade.

O meu amigo sabe bem, até pelas conversas que temos feito, a diferença qualitativa que tem sido e continua a ser o meu ser-viver de presbítero-jornalista, não de sacerdote. Um ser-viver teimosamente próximo das pessoas e longe dos altares e dos templos, todo feito de persistente atenção aos sinais dos tempos e à escuta do Essencial, não aos ritos e aos rituais litúrgicos e aos missais. Sabe, mas é como se não soubesse. E a prova é que, nesta minha visita de domingo, para ele, domingo de ramos, não só não é capaz de desligar a televisão,quando ouve tocar a campainha e vê a sua cunhada sair a abrir o portão para eu poder entrar, como não me dá a habitual atenção, dividido que está entre mim e a missa da tv. Como todos os clérigos e pastores de igreja, também ele resiste a nascer de novo, da Ruah/ Vento de Jesus, que exige que todas, todos mudemos de ser, de Fé e até de Deus.

Mesmo assim, antes de me despedir, ainda me atrevo a colocar-lhe nas mãos um exemplar do Livro, “A BÍBLIA OU JESUS?”, editado este mês de abril e com sessão oficial de apresentação já marcada para dia 28 de Abril, 18h30, na sede da Associação de Jornalistas e Homens de Letras do Porto (AJHLP). Vou um pouco mais além e pergunto-lhe que resposta dá ele àquela pergunta-título. Responde-me, prontamente, que não há que escolher entre a bíblia e Jesus, porque, para ele, uma e outro são duas realidades não contraditórias, mas complementares. E mostra-se até escandalizado comigo e com o título do Livro. Um escândalo em tudo semelhante ao que tem comigo, quando, pelo natal de 2016, lhe mostro o Livro imediatamente anterior a este, “de CRISTÃO a HUMANO”. Lê o título e prontamente protesta, Mas então não são os seres humanos que têm de passar a cristãos?. Nessa altura, dou uma gargalhada, ao ver que ele tem a reacção mais do que esperada por mim. Não sem, entretanto, sublinhar com toda a firmeza que quem está a ver mal as coisas é ele, não o Livro.

Desta vez já não rio com ele. Pelo contrário, todo eu choro por dentro e digo-lhe, sem rodeios, Pois é meu querido amigo, há dois mil anos que andamos a ser formatados e a formatar as mentes-consciências das populações e dos povos, mas a verdade é que, ou passamos de cristãos e de religiosos a humanos e escolhemos-praticamos Jesus, o filho de Maria, não a Bíblia, ou simplesmente desaparecemos como espécie humana. Porque todos os messianismos (= cristianismos) são mentira, uma vez que ninguém salva ninguém; ninguém se salva sozinho; salvamo-nos em religação política maiêutica uns com os outros, com a natureza, com o cosmos. Tudo o que não for assim é mentira, opressão, treva, morte até da alma. Sem hipótese sequer de levantamento (= ressurreição).

Uma questão deveras pertinente

Não é mais saudável viver sem clérigos e pastores?!

Somos um povo condenado, desde a fundação da nacionalidade, a ter de viver, do nascer ao morrer, sob o domínio dos clérigos católicos e, mais recentemente, também dos pastores das igrejas do dízimo (10% do salário ou da reforma), pago mês após mês, ano após ano O que fez, continua a fazer de nós um povo infantilizado, incapaz de viver sem tutores, sem deusas, deuses, nossas senhoras, santas, santos de altar, e sem chefes. Ainda não somos nascidos e já aqueles que vêm a ser as nossas mães e os nossos pais, tiveram de requerer e pagar bem pago ao clérigo-pároco, imposto à população da freguesia onde elas ou eles residem, a autorização para se casarem. É o chamado casamento canónico, imposto, desde 1940 pela Concordata entre a Igreja-Estado do Vaticano e a Nação-Estado português. A Constituição da República bem diz que somos um Estado laico. Só que vem depois a Concordata falar mais alto do que a Constituição, que, para isso, ela continua aí em vigor, como se ainda vivêssemos em 1940, um dos anos mais terríficos do fascismo de Salazar. E não é que, apesar de já vivermos no terceiro milénio, ainda continuamos a ter orgulho, em vez de vergonha, de casar pela igreja, a pretexto de que o casamento civil e a união de facto não são casamento a sério. Como se a seriedade de um acto nosso dependesse, não exclusivamente de nós e da nossa consciência, mas de uma lei ditada por clérigos que, para cúmulo do ridículo e da vergonha, são proibidos pela sua própria igreja católica romana, de casar!!!

Somos, desde a fundação da nacionalidade, um povo impedido de crescer de dentro para fora em Liberdade, autonomia. Durante séculos, fomos servos da gleba, condenados a ter de trabalhar a terra que era dos bispos e administrada pelos seus funcionários párocos, todos celibatários à força e a fazer filhos nas mulheres dos outros, com a agravante de nem sequer poderem perfilhá-los, mesmo que quisessem. A estúpida e pérfida Lei do celibato tem, na sua génese, a preocupação de fazer crescer o património eclesiástico. Casar e ter filhos, era ter herdeiros. E, com herdeiros, lá se ia o património eclesiástico católico que hoje é, porventura, o maior do mundo. Basta ver que todas as igrejas e capelas, basílicas e santuários, residências paroquiais e paços episcopais são propriedade do Estado do Vaticano. A que se juntam todos os conventos e mosteiros de todas as ordens religiosas masculinas e femininas, bem como todas congregações-empresas missionárias. As populações de cada região suportam os custos das construções e os Estados, como o português, por força da Concordata, contribuem com significativa percentagem do total do custo orçamentado e, depois, a administração e o título de propriedade dos imóveis são dos clérigos e para-clérigos da paróquia, da congregação religiosa, da Misericórdia, da diocese. Por isso, da Igreja-Estado do Vaticano e do seu papa. O que leva os próprios chefes dos Estados comportarem-se perante o papa como seus vassalos.

Depois de dois mil anos de domínio cristão das mentes-consciências das populações, através dos clérigos e para-clérigos, ainda não somos, ateus e agnósticos incluídos, totalmente sujeitos e senhores dos nossos próprios destinos. A pressão social é tão grande, que até as novas gerações que querem ver-se livres deste “demónio” clerical, esbarram no peso da tradição, na relutância por parte das mães e dos pais, das avós e dos avôs. E porque não querem andar nas bocas do mundo, acabam por avançar para o casamento canónico que, em consciência, começaram por recusar. Para evitarem conflitos entre famílias, acabam a fazer cedências, sem terem a noção de que, ao agirem contra a sua própria consciência, cometem pecado. Cujo tem o terrível condão de matar o eu-sou que cada uma, cada um de nós é, único e irrepetível. As consequências de tamanha traição não se fazem esperar e são todas más. Ao deixarmos de ser aquele eu-sou único e irrepetível, para sermos mais uma, mais um entre os demais, tornamo-nos progressivamente paus-mandados, na posição de carrascos, se postos em lugares de chefia, de capacho, se integramos as maiorias em cada sociedade.

Dói muito continuar a ver, neste início do terceiro milénio, mães e pais jovens que, sem quaisquer escrúpulos, decidem, levados pela inércia, baptizar as filhas, os filhos, sem se aperceberem que, com isso, estão a entregá-los e às suas vidas na história ao domínio dos clérigos, eles próprios, as maiores vítimas dos diversos cristianismos religiosos e seculares. O baptismo traz com ele o catecismo e as aulas de catequese, ministradas por seres estranhos que lhes vão perverter as indefesas mentes, muitas vezes, de forma irreparável. O catecismo, por sua vez, arrasta com ele a missa semanal, as festas sem festa dos pai-nossos e das comunhões-passagens-de-modelos, o crisma sob a presença-presidência do bispo, o clérigo mais sinistro da diocese, o casamento canónico e, no final, o enterro presidido pelo clérigo local ou da zona. Quando todo o Religioso é descriador do Humano, inimigo do Humano. Como tal, tem de ser expulso de nós como um demónio. Nunca acolhido-praticado.

Se há coisa que mais custa ver, neste início do terceiro milénio, é que mesmo depois de morrer as pessoas tenham de suportar a presença do clérigo eclesiástico que mais não é do que um estranho, um intruso, um mercenário, em tudo semelhante ao dono da Funerária que, qual abutre, vive dos cadáveres que os seres humanos que somos sucessivamente deixamos, ao expirarmos-darmos o nosso definitivo sopro que é tudo o que essencialmente somos, corpos-sopro, por isso, definitivamente viventes e invisíveis. Um proceder assim é a máxima expressão do infantil. Se até para levar a sepultar ou cremar o cadáver de alguém, requeremos a presença abutre do clérigo e do cangalheiro, damos a máxima prova do infantil que foi todo o nosso viver histórico. E, se a isto, ainda juntamos rezas, missas bem pagas de corpo presente, de sétimo dia, de mês e de aniversário, em vez de serem os nossos familiares e amigos a tratarem do cadáver que deixamos, mostramos que tratamos pior o cadáver dos nossos familiares e amigos, do que o cadáver dos cães e dos gatos que, durante anos, tivemos como companhia.

Acordemos. Somos terceiro milénio. Como tal, sem mais necessidade de tutores de nenhuma espécie. Muito menos de clérigos e de cangalheiros. Assumamos os nossos viveres-morreres nas próprias mãos. Veremos como o nosso viver de cada dia é muito mais saudável, alegre, criativo, canto, dança, vasos comunicantes, relação maiêutica, recíproco cuidado, numa palavra, Liberdade, Cultura, Humanidade. Por isso, clérigos nunca mais! Até porque é muito mais saudável vivermos sem eles do nascer ao morrer.

Novo Livro do Pe. Mário de Oliveira / Seda Publicações

A BÍBLIA OU JESUS?

A pergunta, “A Bíblia ou Jesus?”, tal como se apresenta formulada, a identificar o novo Livro (137 pgs) do Pe. Mário de Oliveira, é fecundamente perturbadora. No nosso hoje-e-aqui ocidental e até mundial, soa como desafiadora bomba teológica, capaz de abalar os próprios fundamentos da chamada civilização judeo-cristã-islâmica em que nascemos e estamos inseridos. Só porque a proposição que liga os dois substantivos da pergunta é a disjuntiva “ou”, não a copulativa “e”. É por isso um Livro que pode estimular os muitos ateus e agnósticos deste nosso século XXI, mai-lo gigantesco universo dos crentes religiosos católicos ou protestantes não praticantes, a abeirar-se dele, num misto de curiosidade e de saudável auto-interpelação. Afinal, as suas posturas ateístas, agnósticas e de crentes não praticantes podem não andar assim tão distantes do Deus de Jesus, ainda que andem totalmente distantes do Deus da Bíblia, do Alcorão e dos demais Livros sagrados. Em contrapartida, deixa os crentes cristãos, católicos e protestantes indubitavelmente perplexos, senão mesmo de pé atrás, uma vez que para eles a Bíblia é (quase) o seu Deus. E se não é o seu Deus, o Deus deles é sem dúvida o da Bíblia/ Alcorão.

A pergunta do título ligada pela disjuntiva “ou”, em vez de pela mais do que expectável, pelo menos para todos os cristãos e respectivas igrejas, copulativa “e”, coloca-nos perante duas realidades não complementares, como até hoje sempre nos tem sido ensinado, geração após geração, mas opostas. À semelhança da afirmação teologicamente incómoda de Jesus histórico, ainda hoje não assumida nem sequer pelas próprias igrejas,“Ou Deus, ou o Dinheiro” (Mateus 6, 24). Pelo que, à luz desta coerente postura política de Jesus, quantas, quantos amam-servem o Dinheiro, igrejas que se digam, não amam-servem Deus. Ou, em palavras ainda mais realistas e duras, quem ama o Dinheiro, odeia Deus. Quem ama-serve o Dinheiro odeia os seres humanos e os povos, o próprio planeta Terra. De igual modo, havemos de concluir que à luz deste novo Livro do Pe. Mário de Oliveira, para mais teologicamente bem fundamentado, temos também de dizer, Quem vai pela Bíblia e pelo Deus da Bíblia não vai por Jesus nem pelo Deus de Jesus.

Antes ainda de abrirmos o Livro, fixemos a nossa atenção no pequeno texto da contracapa. Todo ele vem confirmar o acabado de escrever até aqui. Embora curto, o Texto é suficientemente claro. “Provavelmente, a pergunta que faz o título de capa deste Livro nunca terá sido formulada por ninguém.” É assim que começa o curto Texto. E porque é que a Pergunta nunca foi formulada por ninguém? Porque formulá-la, será pôr em causa todas as religiões do Livro (= Bíblia e Alcorão). A pergunta nem sequer chega a ser formulada por Jesus, o de antes do cristianismo, uma vez que ele é parte na causa. Mas já pode e deve – tem de – ser formulada pelas discípulas, pelos discípulos dele de todos os tempos, também deste terceiro milénio, dos quais, ao contrário do que continuam a ensinar-nos ainda hoje, não fazem parte os Doze do início que nunca deram a sua adesão a Jesus, pelo contrário, sempre foram os seus mais próximos opositores e, por fim, até os que o traíram e entregaram aos sumos sacerdotes de Jerusalém, na pessoa de Judas, o último da lista, mas a mando de Pedro, o primeiro da lista e com o consenso dos outros dez. Como num qualquer partido político apostado em tomar o Poder, onde a palavra do chefe, depois de concluído o debate interno, é a palavra de todos os seus próximos. Como num juramento de sangue que não admite dissidentes.

Percebemos, depois, com um olhar atento aos títulos de cada um dos 14 capítulos, surpreendentemente, subdivididos em versículos como os livros da Bíblia, que, afinal, nem todos os livros que nos têm sido apresentados como da Bíblia, são parte dela. E não deveriam sequer estar lá, nem sequer na chamada Bíblia judeo-cristã, como ainda hoje estão. Esta é uma outra verdade histórica que deixará inevitavelmente perturbados muitos pastores e muitos biblistas das diferentes igrejas cristãs e respectivas universidades confessionais. Mas assim é. Temos de nos habituar a acolher a verdade histórica e a praticá-la /vivê-la. Porque só a verdade praticada nos faz livres. E sem liberdade, ninguém pode falar em seres humanos e povos.

É mais do que manifesto que ainda hoje, quase não há seres humanos e povos, só porque não há liberdade praticada. A Mentira praticada tem estado aí ao comando de todos os institucionais do Poder. E estes nunca podem promover a liberdade dos seres humanos e povos. Seria o seu próprio fim. O poder pressupõe que os seres humanos, quando o reconhecem, aceitam renunciar à liberdade praticada. Ficam-se por um arremedo de liberdade que lhes dá o direito de se exprimir e de se manifestar sem constrangimentos, mas não até ao ponto de o pôr em causa a ele, que lhes permite falar e manifestar-se. E sempre que lhes dá na veneta, os seres humanos e os povos protestam e manifestam-se ruidosamente nas ruas, mas o Poder continua impávido nos seus palácios. E para prevenir-reprimir possíveis excessos, lá estão, como último reduto exclusivo do Poder instituído, a Polícia de intervenção e de choque e os Exércitos armados prontos a intervir por terra, mar e ar contra os povos politicamente insurrectos

À medida que mergulhamos nos capítulos e versículos que constituem este Livro, começamos a cair na conta de que, afinal, ao contrário do que nos têm ensinado todas as igrejas cristãs e religiões, não há apenas um Deus, para cúmulo, todo-poderoso, a quem é preciso agradar-desagravar-louvar, sob pena de choverem sobre os povos castigos de toda a ordem, como de resto, superabundam relatos desses nos múltiplos livros da Bíblia-Alcorão. Há, pelo menos, duas concepções de Deus, diametralmente opostas. Há, de um lado, o Deus da Bíblia-Alcorão e das religiões, com distintos nomes, segundo o credo de cada uma; e há, de outro lado, o Deus de Jesus. Quando queremos perceber qual o verdadeiro e qual o falso, o presente Livro leva-nos a ver e a concluir que só o Sopro ou Ruah do Deus de Jesus nos potencia a todas, todos de dentro para fora e nos faz crescer em humano e em protagonismo na história. O que constitui motivo de alegria para os povos que se reconhecem habitados por Ele e, como Jesus Nazaré, lhe dão oportunidade de ser Deus neles e com eles, como se Ele não existisse. Quem, neste caso, fica aos papéis são os crentes religiosos praticantes ou não, juntamente, com os ateus e agnósticos.

A concluir esta Nota informativa sobre este novo Livro do Pe. Mário de Oliveira /Seda Publicações, fiquem a conhecer o versículo 1 do último capítulo: Se há coisa abominável para a Bíblia judeo-cristã e para as igrejas cristãs, com destaque para a católica romana, é a existência de homossexuais, lésbicas, bissexuais, transsexuais.” E, já agora, também o versículo 1, do primeiro capítulo: “Em nome da Bíblia, têm sido cometidos os crimes mais horrendos da história da humanidade. Tal como em nome do Alcorão. E todos eles justificados, ideológica e teologicamente.”

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Edição 126, Março 2017

Agência LUSA: O outro lado do Santuário de Fátima

MIL CAMAS, MAIS DE 300 FUNCIONÁRIOS E 72 MIL METROS QUADRADOS

JF transcreve do Portal SAPO, uma informação disponibilizada pela Agência LUSA. Ler para crer. Depois digam que o Pe. Mário exagera, quando fala e Máfia, Santuário S.A .em lavagem de dinheiro sujo e no título FÁTIMA $.A. que dá ao seu 2º Livro sobre as “aparições” de 1917, editado em Maio 2015 pela Seda Publicações

Segundo dados disponibilizados à agência Lusa, a 31 de dezembro último o santuário tinha 311 funcionários - dez dos quais capelães - distribuídos por uma dezena de serviços: Reitoria, Ambiente e Construções, Alojamentos, Administração, Doentes, Estudos e Difusão, Promoção e Preservação do Ambiente, Pastoral Litúrgica, Peregrinos e o serviço Executivo do Centenário das “Aparições”.

O templo contabiliza, por outro lado, 431 voluntários em diversas áreas de atividade, “sem contar os muitos voluntários” da Associação dos Servitas de Nossa Senhora de Fátima, o primeiro corpo de voluntários a apoiar os peregrinos de Fátima e cuja génese remonta a 1917 e aos acontecimentos na Cova da Iria.

“O santuário tem cerca de 72 mil quadrados, 30 mil dos quais correspondem ao recinto de oração”, adianta a instituição, notando que “os terrenos dos Valinhos e Aljustrel” de que é proprietário “são lugares complementares, no sentido em que estão profundamente ligados às aparições e seus protagonistas”.

Segundo o templo, o conhecimento destes espaços – “Casa do Francisco e da Jacinta, Casa da Lúcia, Casa-Museu de Aljustrel, Poço do Arneiro, Valinhos, Loca do Cabeço, Via-Sacra e Calvário Húngaro” - “completa a visita ao Santuário de Fátima”.

Notando que “tem interesse em comprar terrenos apenas e só na medida em que sirvam para o cumprimento da sua missão”, a instituição acrescenta que “possui uma livraria e duas lojas onde vende artigos oficiais do santuário e outros objetos religiosos”.

“Possui, ainda, os espaços comerciais das duas pracetas [Santo António e São José]", num total de 88, "e as rendas são simbólicas”, refere.

Quanto ao número de camas, são exatamente 1.013, distribuídas por cinco espaços, sendo que a maior “taxa líquida de ocupação/cama” em 2015 registou-se na Casa Nossa Senhora do Carmo e foi de 27%.

Admitindo que tem havido “algumas pessoas” que fazem testamento ao santuário, “mas são situações excecionais”, o templo garante, sem especificar a quantidade, que “as ofertas de ouro são tratadas como todas” as que são feitas ao santuário, “identificadas e guardadas conforme as boas práticas nesta matéria”.

Assinalando que “apoia instituições locais, nacionais e internacionais, dentro daquelas que são as suas competências”, o santuário nota que, “entre os apoios, está igualmente um contributo para a Diocese de Leiria-Fátima e para a Igreja em Portugal”.

Sobre o valor que atribuiu o ano passado para ações de solidariedade, cujo montante não revelou, o santuário esclarece que registou em 2014 “uma estabilização nas ofertas dos peregrinos”, mas tal não “impediu de aumentar as ajudas em âmbito social, tendo em conta as acrescidas dificuldades económicas do contexto”.

“Além disso, não deixamos de promover as obras e intervenções necessárias para proporcionar condições aos peregrinos que visitam o Santuário de Fátima”, informa, salientando que financia o funcionamento da Casa de São Miguel, que acolhe crianças.

Sobre os parques de estacionamento abertos ao público, o santuário respondeu, sem indicar a capacidade total para viaturas ligeiras ou autocarros, que o “possui 14 parques de acolhimento dos peregrinos”.

“Do [parque] 1 ao 8 foram feitas melhorias significativas quer na colocação de mobiliário urbano quer na arborização dos espaços. Esta melhoria significou a perda de menos de 10% dos lugares, mas ganhou-se em disciplina e condições de acolhimento”, acrescenta.

6.ª Edição do meu Livro com especial Nota do Autor

O pior atentado dias 12-13 de maio em Fátima é a presença física do papa!

Www.jornalfraternizar.pt

Está já em distribuição pelas principais livrarias do país a sexta edição do meu Livro FÁTIMA $.A. cujo título é seguido de um ilustrativo subtítulo que diz bem do valor jornalístico e teológico-presbiteral do seu conteúdo: “A beatice contra a Fé de Jesus; O Dinheiro contra Deus Abba-Mãe; A mítica deusa contra Maria, a mãe de Jesus”. A primeira edição do Livro saiu em Maio 2015. Antecipei-me assim dois anos às muitas publicações que o centenário deste não-evento histórico chamado “aparições” de Fátima inevitavelmente iria desencadear, num país e numa Europa ainda teologicamente rascas. E não me enganei. O ano 2017 está a ser por demais abundante em iniciativas, também editoriais. Críticas e sérias, muito poucas; parvas e, até, obscenas, todas as mais. O grande Mercado do Turismo Religioso não perde pitada. À frente dele, no caso de Fátima, está o próprio Santuário $.A., com o seu reitor de turno, Pe. Cabecinhas e o seu bispo de turno, D. António Marto, qual deles o mais traidor de Jesus Nazaré e do seu Evangelho, e o mais adorador do deus Dinheiro. A CEP, Conferência dos Bispos Portugueses, presidida pelo cardeal patriarca de Lisboa, D. Manuel III, faz o que pode para se chegar à frente e aproveitar de algumas migalhas que caiam daquela mesa-altar do deus Dinheiro, o único que a senhora de fátima $.A. conhece-impõe ao mundo. Só por isso é que o próprio papa Francisco acabou por se render e vem presidir a toda esta chacina da dignidade humana, com destaque para a das multidões criminosamente aliciadas e manipuladas pelos grandes media, hoje, os mais eficientes anjos ou mensageiros falsos em todo este negócio de “aparições” para todos os maus-gostos, ocorridas por esse mundo além. E que pouco mais são do que um dos mais eficientes e grosseiros esquemas de lavagem de dinheiro sujo e de carnificina popular incruenta.

A presença do papa Francisco, como “peregrino”, é, sem dúvida, o grande atentado contra as mentes-consciências das multidões, nos dias 12-13 de Maio. Um atentado que mata mais do que os atentados jihadistas que têm ocorrido aqui e ali em alguns países da UE, nomeadamente, naqueles cujos exércitos e aviões andam dia e noite envolvidos em guerras que hipocritamente se dizem de paz. Só a paz das armas, obviamente. A única que as grandes potências cristãs ocidentais e do mundo conhecem. É óbvio que a complicada presença do papa, só por si, não mata os corpos das multidões que nesses dias vão correr para lá, também para o ver. Mas faz muito pior. Mata-lhes as mentes-consciências, o que, no revelar de Jesus, o dos Evangelhos sinópticos, é o tipo de morte que mais havemos de temer. Porque deixa-as fisicamente vivas, mas definitivamente sem alma, sem identidade, sem nome, sem voz, sem vez. Depois de apagados os holofotes, todas elas regressam às suas aldeias e casas ou casebres, ainda mais Ninguém do que antes de saírem para lá. Tudo o que viveram não passou de uma hábil encenação, destinada a impor um tipo de fé e de teologia (deus) que mata, quando é imperioso despertar nas populações a Fé e a Teologia (Deus) de Jesus, as únicas que nos fazem ser-viver-crescer de dentro para fora, até sermos outras, outros Jesus.

O Estado português investe milhões para tentar impedir que o papa seja vítima de um possível atentado “terrorista”. É tão cego e hipócrita quanto todos os demais Estados do mundo que vêem os terrorismos dos outros, não vêem os seus próprios terrorismos institucionais que consistem em matar cada dia um pouco mais as mentes-consciências dos povos das nações. Desde o início do seu pontificado, que os grandes media alimentam o boato de que o papa Francisco corre o risco de ser morto a qualquer momento. Não vêem que a sua postura, aparentemente pastoral e bondosa, é a grande máscara com que sempre se nos apresenta. No caso do famigerado centenário do não-evento das “aparições” de Fátima entre Maio e Outubro de 1917, o papa faz questão de vir como “peregrino” e de regressar a Roma antes de se completarem 24 horas de presença no país. Sabe bem, como jesuíta, que essa sua condição de “peregrino” faz passar a imagem duma postura despojada do poder, quando ele é o Poder!. Só que, ao apresentar-se assim, leva as desgraçadas e desamparadas multidões a pensar que o papa é um-como-elas, um-com-elas, quando na verdade é o poder monárquico absoluto que põe e dispõe de tudo e de todos a seu bel-prazer, como os pormenores da própria programação destes dois dias revela. Vai daí, quando mais parece um-como-os-mais, um-com-os-mais, é quando mais entra e ocupa as mentes-consciências das multidões, as envenena e mata. Que não só não lhe resistem, como o convidam entrar e a confirmá-las como os Ninguém.

É por tudo isto que faço questão de abrir a sexta-edição deste meu Livro FÁTIMA $.A., Seda Publicações, Março 2017, com uma surpreendente Nota de Autor onde confesso que fiz tudo o que podia e o que não-podia para que o papa Francisco não viesse canonizar com a sua presença o não-evento das chamadas “aparições” de Fátima. Ou então que viesse, mas para dizer urbi et orbi, a partir deste gigantesco “covil de ladrões”, o que eu próprio disse uma vez num programa da SIC, “Conversas Secretas”, conduzido pelo meu camarada de profissão Baptista Bastos (BB), “Fátima é uma treta”. Como jesuíta que é, tem obrigação de saber que, Negar a verdade conhecida por tal, é um dos seis pecados contra o Espírito Santo, para os quais se diz não haver perdão. Ora, manda a verdade que se diga que não há, nunca houve, nunca haverá “aparições”, nem de Fátima, nem de Lourdes, nem de Guadalupe, nem d'Aparecida, nem nenhuma das outras de que por aí se fala. O mais que pode haver, se não forem meras encenações teatrais como as de Fátima, são “criações” resultantes de microscópicas lesões cerebrais em certas pessoas que, hoje, os especialistas em neurologia sabem detectar e tratar. Assim eles estejam dispostos a pagar o preço, por ousarem desfazer séculos-milénios de mentiras religiosas, a coberto das quais se cometeram e cometem sucessivos crimes de lavagem de dinheiro sujo, totalmente impunes.

Reconheço hoje que todo este meu esforço de presbítero-jornalista junto do papa não resultou. Ele vem mesmo dias 12-13 de Maio a Fátima canonizar esta mentira e este crime e duas das suas três vítimas, os irmãos Jacinta e Francisco, respectivamente 7 e 8 anitos cada um. Para cúmulo, vem na mais nefasta das condições, a de “peregrino”. Ninguém se iluda. A sua presença não liberta ninguém, oprime ainda mais. Não cura as mentes-consciências das multidões, mata-as ainda mais. Ainda assim, fica a testemunhar-gritar contra o papa e toda a hierarquia católica a Dedicatória com que termino a minha Nota de Autor e que reza assim: “Dedico esta sexta edição e todo o meu Livro a Maria, mãe de Jesus, contra a senhora de Fátima”. A esta Nota, juntam-se-lhe também o Livro que o precedeu já em 1999, FÁTIMA NUNCA MAIS”, Campo das Letras, e o que se lhe seguiu em Março de 2016, 14 CARTAS AO PAPA, Seda Publicações, na última das quais já lhe peço encarecidamente que não venha. Depois de tudo, só me resta gritar-chorar por ele. E comigo, gritam-choram também as próprias pedras!

Papa em Fátima com hino e tudo

O CÚMULO DA INDIGNIDADE HUMANA


Se ela se concretizar, a anunciada viagem do papa Francisco dias 12 e 13 de Maio a Fátima materializa o cúmulo da indignidade humana. Com ela, o cristianismo católico romano mostra bem o que é e ao que veio-vem. Por sua vez, nunca o jesuitismo de Inácio de Loyola, um dos muitos filhos do cristianismo papal, foi tão rasca, como desde que há quatro anos conseguiu ocupar, na pessoa do jesuíta argentino Mário Bergóglio, o trono imperial que foi dos imperadores de Roma e, não muitos anos depois de Constantino e do seu Credo de Niceia-Constantinopla, passou a ser dos papas, seus sucessores. Com o voto de obediência ao papa de Roma por parte do jesuíta argentino feito papa, há 4 anos, o papado atingiu o seu cume. São dois num só, o papa monarca absoluto dogmaticamente infalível em matérias de fé, e o jesuíta com voto de obediência ao papa. No caso, voto de obediência a si próprio. E a verdade é que, 4 anos depois, o papa é a igreja e a igreja é o papa. Fora do papa Francisco, não há igreja. Para os media, ele é a igreja e a igreja é ele. Tudo o mais é menos ainda do que paisagem. Tudo e todos na igreja e no mundo estão em função dele. Existem para ele. Para que ele brilhe e se afirme sobre as mentes consciências das pessoas e dos povos.


O terrífico de tudo isto é que, com o papa Francisco no trono papal, desapareceu, até, Jesus, o filho de Maria. Só há Jesuscristo, o filho de David, o mesmo do Evangelho de S. Paulo, o único que se agrada de papas, sacerdotes e outros poderes. Não se agrada de seres humanos livres e sororais. Desapareceram também os próprios seres humanos, na originalidade de cada qual. Há apenas multidões compulsivamente atraídas para ele, quais borboletas da noite atraídas pela luz, contra a qual batem uma e outra vez, até caírem estateladas e mortas no chão. As multidões vão ao encontro do papa por milagres, e regressam espoliadas de tudo, dos seus bens, do seu próprio pensar e, mil vezes pior que tudo isso, da sua própria dignidade. Ainda têm voz e vez, mas não para dizerem o que lhes vai na alma, apenas para gritarem até à exaustão, sucessivos Viva o papa! Ao mesmo tempo que batem palmas, muitas palmas, como sempre fazem os figurantes no decurso das gravações de cenas de um filme que inclua multidões a fazer o papel de alucinadas e de histéricas perante o seu ídolo de estimação. Só que aqui, o ídolo de estimação é o papa Francisco. O que perfaz um crime sem perdão, pois não se trata de gravar cenas de um filme, mas de cenas da vida real, como tal, o cúmulo da indignidade humana.


É sabido que os jesuítas foram fundados no século XVI, como um exército doutrinal ao incondicional serviço do papa e da sua ambição de domínio urbi et orbi sobre as mentes-consciências dos povos, contra Lutero e o seu protestantismo, por isso com a missão preferencial de fundar e dirigir colégios, universidades e residências universitárias, a serem frequentados por crianças, adolescentes e jovens, filhos de famílias com estatuto muito acima das famílias-pé-descalço. Com o objectivo de, aí, lhes formatarem as mentes para estarem em total sintonia com o sistema de doutrina de cada papa de turno, nas suas vertentes filosófica, teológica e científica. Um sistema de doutrina que fundamenta e justifica perante as multidões a existência do poder. Cujo, para o ser verdadeiramente, terá de ser monárquico absoluto. Perante o qual a única postura ortodoxa é obedecer como um cadáver. Sem nenhum lugar para a consciência de cada qual, encarada como o que há de mais temerário e insensato. Uma vez que nada garante mais segurança aos indivíduos e povos do que o voto de obediência àquele que lhes é apresentado como o seu legítimo superior. E nada gera mais instabilidade e desconforto pessoal e social numa sociedade de massas do que a liberdade, que exige a fidelidade à própria consciência, um exclusivo dos seres humanos, de todo ausente nas multidões e nos cadáveres.


Graças a esta prática jesuítica e papal, as minorias dos privilégios do mundo inteiro sabem bem, em cada geração que vem ao mundo, quem são os mais aptos e os mais formatados, aos quais podem e devem confiar o ofício de educar-formatar as mentes-consciências das multidões, de modo que estas continuem, suas eternas reféns. Multidões sem voz, sem vez, mergulhadas no Medo de míticas deusas, míticos deuses, carne para canhão. barrigas de aluguer de filhas, filhos que, se tiverem dois dedos de testa, são logo apanhados, à saída das universidades, para postos de chefia e de decisão nas multinacionais do Mercado global e nos lugares de topo dos Estados. De modo que, quaisquer que sejam os nomes por que se designem os sistemas de poder político, as sucessivas minorias dos privilégios têm sempre o seu decisivo papel assegurado na condução da história. É graças a todo este trabalho cientificamente realizado por tudo quanto é jesuitismo religioso e laico que as multidões, neste nosso 2017, não têm como resistir ao histerismo fatimista e avançam completamente alucinadas para o santuário S.A. da nossa vergonha, onde perdem por completo a sua dignidade e de onde, depois de se terem apagado os holofotes, regressam a suas terras espoliadas de tudo.


Os próprios bispos católicos e seus clérigos nas paróquias e nos media eclesiásticos, todos super-formatados por este sistema ortodoxo de doutrina, acabam por realizar o mais macabro dos papéis junto das multidões sem nome e sem consciência, compulsivamente atraídas para o santuário e para o papa jesuíta. Tão pouco o papa Francisco se dá conta do papel que está a protagonizar neste centenário da nossa vergonha. É o chefe máximo, o poder máximo, único e absoluto, por isso, o menos humano entre os menos humanos, o menos filho de mulher entre os menos filhos de mulher. Todos estes exércitos humanos rumarão quais borboletas da noite, compulsivamente para Fátima, a cidade mais idolátrica de Portugal e da Europa. Não têm como não rumar para lá. A atração pelo abismo é tão poderosa, que as multidões não têm como resistir-lhe.


Para cúmulo, o Santuário S.A. criou, entre múltiplos outros ramos de negócio religioso, um hino do centenário, com letra de Tolentino de Mendonça, o padre madeirense que está na berra e é pau para toda a colher, e com música de João Gil. O exemplo acabado do nada e da coisa nenhuma que são todos os ídolos e todos os poderes, também e sobretudo o de Fátima S.A.. Um coro de vozes jovens, elas e eles, alucinados e histéricos fazem o vídeo que já circula no Youtube. O exemplo da pouca vergonha que é o centenário, a senhora de fátima, o céu-azinheira onde ela permanece empoleirada dia e noite, enquanto os seus fãs se confessam “apenas traço cinzento” multiplicado por milhares, milhões. A confirmar que é muito mais fácil viver espoliado da própria consciência, do que assumir a vida nas próprias mãos; obedecer aos chefes do que sermos sujeitos autónomos e senhores dos próprios destinos e dos do planeta. O que mais confrange é ver muitas, muitos habilitados com formação académica laica e religiosa integrarem as multidões alucinadas e histéricas compulsivamente atraídas pelo papa jesuíta, portador de uma teologia que mata. Não se estranhe que, perante um papa assim, o Mercado global agradeça e se junte aos aplausos e aos elogios. É de vómitos!

Cinco dias de retiro em Fátima

QUE SOPRO, O DOS BISPOS PORTUGUESES?

Ao papa Francisco que no seu twiter do começo da semana de 5 a 11 de Março pedia aos seus seguidores que o acompanhássemos e aos colaboradores dele mais próximos nos Exercícios Espirituais que estavam a realizar por esses dias no Vaticano, perguntei, no comentário que lhe fiz, “Esses vossos exercícios espirituais são segundo santo Inácio, ou segundo Jesus, o filho de Maria?” E concluí com uma outra pergunta: “Quando prosseguimos Jesus?!” O mesmo não pude fazer aos bispos portugueses que ainda não navegam por estes mares do twitter e que, tal como o papa, também estiveram cinco dias desta semana em retiro em Fátima. Tão pouco a informação do seu retiro veio nos jornais que não querem saber do que fazem ou deixam de fazer os bispos portugueses, porque o que eles fazem ou deixam de fazer não chega sequer a ser objecto de notícia. Vale aos bispos, nestas ocasiões, a sua Agência Ecclesia de notícias que, tal como eles, tão pouco quer saber dos quotidianos das populações do país e do mundo, apenas da igreja dos bispos e do papa, seus patrões-mor. Neste particular, é bem a voz dos seus donos.


Esta não-notícia dos bispos portugueses revela à saciedade quanto eles e seus párocos andam completamente afastados dos acontecimentos quase sempre dolorosos que fazem os quotidianos das populações. O calendário por que se regem não afina pelo das populações. Os conturbados e dolorosos tempos que, como povos, vivemos neste início do terceiro milénio exigem bispos e presbíteros luz-do-mundo, sal-da-terra e sentinela-na-cidade, que acompanhem as populações com a lucidez e a sabedoria de Jesus século XXI, mas a verdade é que os bispos portugueses que temos não atam nem desatam. Comportam-se como “cães mudos”, semana após semana, mês após mês, ano após ano. Até que chegam aos 75 anos de idade e vêem-se obrigados pela Norma Canónica a passar à condição de bispos eméritos, uma espécie de mortos vivos, que nem memórias têm para escrever, como tão pouco tiveram vidas para viver. Apenas rituais, sempre os mesmos, a que presidiram, vida fora, e rezas, sempre as mesmas, que recitaram mais ou menos mecanicamente. O que faz deles os mais estéreis e os mais frustrados entre os nascidos de mulher-mãe que muitos deles, quando bispos, até escondem, nomeadamente, quando a deles é de condição humilde e iletrada. Que o Privilégio clerical-episcopal que todos aceitam carregar cega e mata neles o Humano..


Durante os muitos anos que já leva de vida na história, o papa Francisco, na sua condição de jesuíta, discípulo/filho de Inácio de Loyola, fez dezenas, centenas de Exercícios Espirituais, segundo a regra do seu fundador. Todo o seu ser-viver jesuítico veio, naturalmente, a desaguar no papado, o grau máximo de poder monárquico absoluto, hoje, em franco declínio na sociedade secular, devido ao sofisticado sistema mafioso e cientificamente organizado que dá pelo nome de Cúria romana, a mãe de todas as máfias do mundo, porventura, a mais perversa e a mais descriadora do Humano em todos os nascidos de mulher. Foi, no caso dele, ao que conduziram os tais Exercícios Espirituais, como a deixar bem claro que neles sopra um Vento/Espírito nos antípodas da Ruah/Sopro de Jesus. Só isso explica que ele seja hoje o papa de Roma, uma condição histórica de todo impensável em Jesus, o camponês-artesão, o filho de Maria, mas já em total conformidade com o cristianismo petrino-paulino-constantiniano.


Sem os Exercícios Espirituais de Inácio de Loyola, os bispos portugueses socorreram-se, neste seu retiro de quaresma 2017, de um outro bispo, já emérito, que veio propositadamente de Espanha, a convite deles, de seu nome D. Juan María Uriarte. Cada um deles deixou o seu paço episcopal e rumaram todos a Fátima, a capital mais poderosa do comércio e do turismo religioso do país, quiçá do Ocidente, a fazer lembrar o templo de Jerusalém para onde, em cada páscoa anual, também confluíam muitos milhares de judeus a viver na diáspora e onde Jesus, na sua última semana de visibilidade histórica, entra e corre tudo e todos de lá para fora a chicote. Já então, o templo de Jerusalém era aos olhos de Jesus a máfia das máfias do judaísmo gerido pelos sumos-sacerdotes e legitimado pelos teólogos do sistema. Só que dele, no ano 70, com a invasão dos exércitos do império romano, não ficou pedra sobre pedra. Até aos dias de hoje. Outro tanto se diga dos sacerdotes que nele oficiavam, os mesmos que, em Abril do ano 30, exigem de Pilatos a morte crucificada de Jesus. Nem sequer o judaísmo quis mais desse tipo de funcionários do religioso, se bem que continue a não dispensar a sua Bíblia davídica e sacerdotal, o que perfaz uma insanável contradição. Porque ainda pior do que os sacerdotes é a ideologia-teologia que a Bíblia mandada escrever pela casa real de David e consumada com o aval dos sacerdotes continua aí a soprar nas filhas, nos filhos dos judeus mais ortodoxos, consequentemente, a fazer deles o que se sabe e hoje se vê, a coberto do estado de Israel..


Por aqui se vê que nem o papa Francisco, nem os bispos portugueses se mostram capazes, neste início do terceiro milénio, de criar espaços clandestinos de intimidade, de silêncio e de escuta, como os que Jesus Nazaré consegue encontrar e frequentar em seu tempo histórico no deserto, nas margens do mar da Galileia, no monte das Oliveiras, nas descidas aos infernos humanos a abarrotar de Ninguéns, onde garantidamente sopra a Ruah/Vento de Deus que nunca ninguém viu, porque é mais íntimo a nós e aos povos do que nós próprios e os povos. Dessem os bispos e o papa este passo qualitativo em frente, praticassem esta páscoa outra do religioso para o secular, do sagrado para o profano, do cristão para o humano e nunca mais as dioceses e a Cúria romana poderiam contar com eles. Seriam uma só carne com os povos, a partir dos últimos dos últimos. Passariam das hipócritas honrarias que hoje continuam a conhecer, aos desprezos das minorias dos privilégios. Saboreariam, em compensação, a fecundidade dos seus viveres de bispos humanos, grão de trigo que, caído na terra, morre e dá muito fruto.


É manifesto que com este tipo de retiros, onde o que se faz sentir é um sopro nos antípodas do de Jesus Século XXI, nem o papa nem os bispos nem os párocos chegam alguma vez a mudar de ser e de Deus. Pelo contrário, continuam aí gritantemente infantilizados, alienados dos quotidianos das populações e dos povos, meros funcionários especializados em missas e outros rituais sem dignidade, mais estorvo delas, deles do que presença maiêutica, por isso, os mais estéreis e infelizes entre os nascidos de mulher. Será que só mesmos eles é que ainda se não deram conta de que vão todos nus?!

Você disse,

QUARESMA?!


Se as igrejas paroquiais saírem por aí a perguntar às novas gerações, O que entendeis por Quaresma?, logo verão os olhos arregalados de espanto que elas exibem. Felizmente, já vivemos num tempo pós-cristão e pós-católico romano. Mas as igrejas paroquiais e diocesanas cristãs e católicas continuam de cabeça enterrada na areia e fazem de conta. Os sacerdotes, párocos, pastores e bispos residenciais vão todos nus, mas não querem saber. Na sua impotência e esterilidade pastorais, entretêm-se com as poucas pessoas de idade e com bastantes crianças que continuam a ser criminosamente obrigadas pelos pais a ter de frequentar as catequeses e suas missas dominicais, se bem que tais coisas não lhes digam nada. São coisas que não andam nos seus tlms e smartphomes, por isso já não existem para elas. E, se um ou outro pároco mais afoito e modernaço se mete a fazer missas via internet, direccionadas para os tlms, de pouco ou nada lhe adianta. As crianças-adolescentes olham para aqueles rituais medievos e para aquelas vestes do tempo das cavernas e, com um simples toque no monitor, tudo desaparece num ápice. Felizmente.


Para terrores e ditaduras milenares, religiosas e cristãs católicas romanas e protestantes já bastam os dois milénios de cristianismo. O terceiro milénio é pós-cristão e pós-católico romano ou não será. As ditaduras das tradições são isso mesmo, ditaduras. E se as gerações passadas aguentaram a existência de clérigos e de pastores nas suas vidas e nas suas consciências, as novas gerações terceiro milénio não estão mais pelos ajustes. Vivem bem sem essas ditaduras, sem essas tradições, sem a presença desses clérigos e pastores. Quase se pode dizer que já nascem vacinadas contra esse tipo de vírus ideológico-teológico. Dois mil anos de cristianismos fizeram inúmeros males, crimes, horrores, numa palavra, pecados estruturais. O ADN das gerações nascidas no terceiro milénio já vem vazio de todas essas perversidades religiosas e a tudo o que ande relacionado com elas.


Ainda suportam as festas do natal e da páscoa, porque integram o calendário civil por que se regem as nossas sociedades ocidentais. E porque frequentam as escolas desde os primeiros anitos de idade e, nessas alturas de cada ano, há férias programadas que têm de acatar e de aproveitar. Mas tudo vivido por elas já na saudável dimensão secular, laica. O religioso deu lugar, está a dar lugar ao outro, à outra distinto de cada uma, cada um de nós. E é cada vez mais imperiosa a religação, não a um mítico deus fora da história, mas a cada uma das outras, cada um dos outros distintos de nós, todos misteriosamente habitados por Deus que nunca ninguém viu e nos faz protagonistas na História, nós a crescer e Ele a diminuir! Só esta religação dignifica quem a vive e nos faz ser e crescer em humano de dentro para fora. A religação a um mítico deus fora da História é alienação, crime, dirá este terceiro milénio, quando a primeira geração nele nascida chegar à idade adulta e estiver à frente dos destinos dos povos das nações e do planeta Terra.


As igrejas, com suas paróquias e dioceses territoriais, têm de morrer e não ressuscitar mais. Morrer em definitivo. A saúde dos povos exige-o. Dois mil anos de domínio absoluto das mentes-consciências dos povos das nações, inclusive das minorias dos privilégios que as dirigiram-domesticaram já foi tempo demais. A revolução tecnológica e informática que marca o início do terceiro milénio não suporta mais semelhante ditadura. Silenciosamente, faz o seu caminho. Tão silenciosamente, que as hierarquias das igrejas nem se dão conta. E, se dão, fazem de conta que não. E quem vier atrás que feche a porta. Até o papa Francisco que, há 4 anos, entrou de rompante, hoje mais parece um pároco de aldeia mais. Mesmo assim, em guerra aberta com alguns cardeais que ainda não deram conta que ele já não é mais o que pareceu ser.


Por mim, sempre disse e escrevi que o papa Francisco era mais do mesmo, com a vantagem para a Cúria romana de que tinha um invulgar jeito para improvisar, representar e discursar. O jesuíta que é, desde jovem, não engana. Em novo, fez voto de obediência como um cadáver ao papa de turno. Já arcebispo emérito de Buenos Aires, é escolhido para bispo de Roma e papa. Ao aceitar, torna-se o voto vivo de absoluta obediência ao papado e sua Cúria. Cego e surdo é quem não vê que tudo o que ele tem dito e feito tem contribuído para esconder, precisamente, quando mais parece revelar, todos os crimes e todas as perversidades da Cúria romana, demasiado expostas aos media e ao mundo nos anos de Bento XVI, agora papa emérito no Vaticano.


No terceiro milénio pós-cristão já não há lugar para papas. Nem deste estilo, nem de nenhum outro. Só o cristianismo-catolicismo romano imperial, teologicamente estruturado por Constantino e seu Credo de Niceia-Constantinopla suporta a existência de papas. Mas este é já um milénio definitivamente pós-cristão. A chamada quaresma eclesiástica, imediatamente a seguir ao Carnaval é a grande prova disso. Neste nosso hoje, nem jejuns, nem abstinências. Nem penitências demencialmente procuradas e realizadas. São hoje cada vez mais intoleráveis as torturas que os poderes e seus prepotentes agentes históricos impõem às populações. Do que verdadeiramente precisamos não é de mais cruzes e de mais sofrimentos. Precisamos de seres-viveres históricos comensalidades, aliás, as verdadeiras Eucaristias de Jesus Nazaré, o filho de Maria. Cruzes, penitências, jejuns, cilícios, missas, confissões auriculares, são coisas do império romano e dos papas que lhe sucederam. E dos bispos e dos párocos-pastores nos quais os papas delegam parte do seu poder.


Comensalidades e longos períodos de silêncio, frequentes mergulhos na natureza, nas montanhas e nas margens dos pequenos rios a caminho dos grandes rios e dos mares, eis do que hoje mais necessitamos. Quando os bispos e os párocos-pastores decidirem despir a máscara de clérigos e tornar-se seres humanos simplesmente entre nós e connosco, ao jeito de Jesus, são bem-vindos. De contrário, que continuem a apodrecer nos templos e nos altares que lhes devoram a própria alma. Será que já não conseguem fugir desses antros sagrados, quando até Deus que nunca ninguém viu e se dá a conhecer em Jesus Nazaré é secular e profano?! Melhor lhes fora então não terem nascido!

Edição 125, Fevereiro 2017

SILÊNCIO DE DEUS OU GRITO DE DEUS?!


Está a fazer furor, nomeadamente, entre as elites da inteligência cristã católica, o filme SILÊNCIO, de Scorsese, baseado no romance com o mesmo nome, de Shusaku Endo, escritor católico do século passado. Só as elites das religiões em geral e dos cristianismos em particular, juntamente com os ateus de forma(ta)ção cristã, são capazes de dizer-acusar Deus de se calar perante o sofrimento das vítimas inocentes. Esquecem ou ignoram que a Deus nunca ninguém O viu. Consequentemente, ninguém, muito menos o privilegiado universo das elites, sabe nada de Deus. Se tivessem um mínimo de pudor e de humildade intelectual, o mais que as elites poderiam fazer era manter-se caladas. Porque o silêncio não é de Deus que grita nas vítimas. É das elites que são surdas e mudas aos ininterruptos clamores das vítimas. Mas pudor e humildade intelectual não são o forte das elites, sejam as das religiões e dos cristianismos, sejam as dos ateísmos e agnosticismos.

Destas elites, também fazem parte Scorsese e Shusaku Endo, pelo que as suas obras de arte são o que são e valem o que valem, mas apenas para as elites e o seu privilegiado universo. Para as multidões de vítimas do planeta, condenadas a ter de viver nos porões da humanidade, tais obras de arte não passam de coisas que elas desconhecem de todo. E se alguma vez esbarrarem com elas, têm-nas como esterco, coisas que só atrapalham, como tudo o que é luxo e excedentário. De modo que só mesmo entre as elites das sociedades, onde se incluem todas as elites dos cristianismos e das religiões, dos ateísmos e dos agnosticismos, é que se fala em silêncio de Deus, como em Óscares e prémios Nobel,,.

Só às elites interessa este falar em silêncio de Deus, porque não suportam o ensurdecedor grito das multidões que elas próprias fabricam com os seus sistemas de poder e que, depois, ainda condenam a ter de nascer, viver, reproduzir-se e morrer nos porões da humanidade e do planeta. Chegam ao cúmulo de acusar Deus de se calar perante o sofrimento das vítimas, quando são elas que as produzem com os seus sistemas de poder e que as condenam a ter de viver nos porões da humanidade, em que já nascem, à semelhança dos seus antepassados. As quais, para cúmulo, ainda são levadas a pensar que são merecedoras de um viver-castigo assim, porque segundo as catequeses que as elites lhes ensinam, os seus antepassados pecaram e Deus exige-lhes agora a elas não só o sofrimento que conhecem, como outro tipo de sofrimento ainda maior que elas próprias hão-de buscar e praticar, em santuários de renome e, de preferência, a céu aberto. Sem nunca chegarem a satisfazer por completo os caprichos desse Deus-monstro que têm como único e verdadeiro.

Desconhecem de todo as elites religiosas, cristãs, ateias e agnósticas que a Deus nunca ninguém O viu. E se nunca ninguém O viu, tão pouco sabemos alguma coisa a seu respeito. Muito menos, elas. Pelo que, quando as elites falam em silêncio de Deus já estão a disparatar. Aliás, o forte das elites dos povos é disparatar a torto e a direito. Não sabem o que dizem, nem o que fazem. São as grandes criminosas da Humanidade, mas têm-se na conta de que são as mais santas e exemplares. Ocupam tudo o que é lugar de proa, de chefia e fazem-se rodear de privilégios em crescendo, conforme o grau de poder que detêm. E do alto desses privilégios, olham para os porões da humanidade e pensam que não são como aquelas multidões condenadas a ter de lá viver, reproduzir-se e morrer. Sem que entre elas próprias, elites, e as vítimas haja qualquer ponte. Apenas um intransponível abismo cada vez maior e cada vez mais intransponível.

Só que este abismo é a grande causa da sua própria perdição. Devido a ele, as elites não chegam nunca a escutar o contínuo grito que sai das entranhas das multidões de vítimas e, até, das entranhas do planeta Terra. Escutassem-no e agissem em consequência, e nunca mais falariam em silêncio de Deus, pois o grito das vítimas confunde-se com o grito de Deus que nunca ninguém viu. Esta incapacidade-recusa, por parte das elites, em ouvir o grito das vítimas é a causa maior da sua perdição na história. Só o Deus que elas próprias criaram e impõem a ferro e fogo a todas as vítimas é que se cala perante o sofrimento. Porque é um Deus à imagem e semelhança delas e feito à medida das suas ambições de domínio e de riqueza.

Com Jesus Nazaré, aprendemos, contra todo o tipo de cristianismos e ateísmos, que é nas vítimas que podemos chegar a ver-encontrar Deus que nunca ninguém viu. Entre elas e com elas, percebemos que, afinal, não há silêncio de Deus, mas ininterrupto grito de Deus. E percebemos mais: que só este grito, escutado-praticado por nós, nos salva a todos, isto é, nos faz seres humanos a crescer continuamente de dentro para fora em liberdade, autonomia, criatividade, comensalidade. Num tipo de mundo outro, sem elites e sem vítimas. Sem sistemas de poder que as fabriquem. E sem ideologias-teologias que tudo legitimam e justificam.

As igrejas cristãs não suportam este viver-falar

DEUS É AMOR, PORQUE É HUMOR


Inesperadamente, o Convite caiu no meu correio electrónico. Proveniente de Albergaria-a-Velha. Duma Associação que dá pelo nome de Risorius, a do Riso. E do respectivo Município. Requeriam a minha presença e intervenção de padre-jornalista numa Conversa sobre o Humor que contava já com a participação do conhecido e reconhecido Ricardo Araújo Pereira (/RAP) e de Rita Ferro Rodrigues (RFR), duas figuras mais do que mediáticas. A coordenação seria da Risorius, na pessoa de Carlos, o humorista local de serviço.

A minha presença e intervenção teria mais a ver com o teológico, entendido até pelos teólogos das religiões e das igrejas cristãs como o que tem a ver com o religioso e o eclesiástico. Desconhecem todos que há uma teologia outra, a de Jesus Nazaré, que não só não embarca nas religiões e nas igrejas cristãs, como até leva quantas, quantos a praticam, a rir-se delas, do que dizem e fazem. Conscientes de que Deus que nunca ninguém viu é Amor, porque é Humor. Inclusive, quem me convidou só iria despertar para esta Teologia outra, a de Jesus Nazaré, no decorrer do debate, ocorrido na noite da última sexta-feira de Janeiro, no Cine-Teatro de Albergaria-a-Velha, lotadíssimo, vários dias antes da data.

Infelizmente, quase todas, todos nós temos sido forçados a desconhecer que o quotidiano dos povos, nas suas múltiplas culturas, línguas e tradições anda carregado de Humor, tal como anda carregado de Deus que nunca ninguém viu. Porque a alegria de Deus, o de Jesus e dos povos, nos antípodas do Deus das religiões e das igrejas cristãs, é que nós, seres humanos, nos ocupemos, não dEle, a quem nunca vemos, mas de nós próprios, uns dos outros e do cosmos que continuamente vemos. Ora, quando assim é, vivemos a respirar Humor por todos os poros, da mesma maneira que respiramos Deus por todos os poros. Esse Deus que é Amor, porque é Humor. A teologia outra, a de Jesus, que eu próprio procuro praticar e aprofundar, é assim que vê-experimenta o quotidiano dos povos. Viver é, por isso, continuada festa de liberdade, de plenitude, de fecundidade, de fraternidade, numa palavra, de riso, porque, graças a esta Teologia outra, a de Jesus, sabemo-nos e uns aos outros o valor maior a preservar, juntamente com a Terra e o cosmos, no seu todo.

Acontece que os seres humanos e os povos, em vez de nos ocuparmos connosco, uns com os outros e com o cosmos que vemos a toda a hora e instante, temos sido forçados pelos sacerdotes e pastores das religiões e igrejas cristãs a ocuparmo-nos com Deus, as deusas, os deuses, os santuários, as basílicas, as igrejas paroquiais, os altares e as alfaias litúrgicas. Sem nos apercebermos que semelhante pensar-viver é Tentação, desvio, causa e ocasião de alienação, de desgraça, de solidão, de infantilismo, numa palavra, crassa manifestação de Medo. Temos que dizer, sem que a voz nos trema, que os sacerdotes e pastores de religiões e igrejas cristãs constituem, no seu todo, o Tentador ou Diabo dos povos. Só não nos apercebemos disso, porque ele, mentiroso e pai de mentira, sempre se nos apresenta mascarado de bom, de santo, de sagrado, de Deus. Só que quanto mais divino, menos humano. Quanto menos humano, mais cruel. Até se tornar, por fim, o assassino do Humor e do Amor, os dois nomes com que Deus, o de Jesus Nazaré, é entre nós e connosco. Por isso, o Profano e o Político em plenitude, a Liberdade, a Paz, a Alegria e a Vida sem limites.

À luz desta teologia outra, a de Jesus, é manifesto que o Ocidente, de raízes judeo-cirstãs-islâmicas, é o grande acidente que está aí a roubar-nos, matar-nos, destruir-nos, a cada instante. Pelo que bem podemos dizer, com a legitimidade que a História nos dá, Malditas raízes judeo-cristãs-Islâmicas e religiosas que, desde o princípio e ao longos das sucessivas gerações, nos têm formatado as mentes-consciências. Valorizam tanto o divino, que este acaba a comer o humano. Valorizam tanto o sagrado, que este acaba a comer o profano, o secular. Valorizam tanto os sacerdotes e os pastores das religiões e igrejas cristãs, que estes acabam a comer os seres humanos e os povos das nações. Engordam eles, diminuímos nós, os seres humanos e os povos. A teologia que todos praticam e ensinam é demoníaca, assassina. Leva quem a segue a roubar, matar, destruir os seres humanos e os povos que vemos e com os quais tropeçamos a toda a hora e instante, e a servir Deus e os deuses que teimamos em projectar nos céus, enquanto nós próprios gememos e choramos cá em baixo na terra, convertida em vale-de-lágrimas. Quando, em boa verdade, somos a consciência do universo ainda em expansão, já com 13 mil e 700 milhões de anos!

O princípio do fim de toda esta esquizofrénica teologia religiosa e cristã foi a Revolução Francesa. Matou o rei, ungido (= cristo) pelo sacerdote, e, ao contrário do que então se cria-temia, o universo prosseguiu como se nada tivesse ocorrido. Concluiu-se daí que, afinal, o rei-poder vai nu. Tudo não passa de uma máscara que asfixia-mata o filho de mulher e o ressuscita como o filho do Poder. A superioridade do rei-poder não passa de uma ficção, ou, se se preferir, de uma convenção criada e alimentada pelas minorias dos saberes e dos privilégios, postas de acordo entre elas, uma vez que está em jogo a manutenção dos seus privilégios. Nomeadamente, o seu lugar no topo da pirâmide social, logo abaixo de Deus, o dos sacerdotes e dos pastores das religiões e das igrejas cristãs.

Segundo esta corporativa visão, imposta a ferro e fogo a todos os povos das nações, os sacerdotes e os pastores das religiões e igrejas cristãs.têm de estar sempre, como intermediários, entre o céu e a terra. E quantas, quantos eles ostracizarem-excomungarem, ficam automaticamente ostracizados-excomungados perante as multidões, suas súbditas, bem como perante as minorias dos saberes e dos privilégios que, de modo algum, querem desagradar-lhes. Cientes de que isso pode custar-lhes o estatuto de minorias dos saberes e dos privilégios. E lá se iria tudo por água abaixo.

Até os profissionais do Humor auto-impõem-se limites, para nunca deitarem tudo a perder nas suas vidas Desta vez, porém, graças à minha presença no debate, animado pela Fé e pela Teologia outras, as de Jesus Nazaré, o Humor pôde ir para lá dos limites convencionais. O que levou RAP a dizer, no final, Se fosse eu a dizer estas coisas que o Pe. Mário aqui acaba de nos dizer, matavam-me. E tudo porque em mim o Humor apresenta-se em nome dos seres humanos e dos povos que vejo e com os quais me (pre)ocupo dia e noite. nomeadamente, as vítimas. Não em nome de Deus, o dos sacerdotes e dos pastores das religiões e igrejas cristãs. Posso, por isso, rir-me e fazer rir as pessoas com tudo o que dizem e fazem os sacerdotes e os pastores das religiões e igrejas cristãs. Bem como com tudo o que dizem os seus livros sagrados (Bíblia). É que também para mim, como para Jesus, sagrados são apenas os seres humanos e os povos que estamos sempre a ver. Já o Deus dos sacerdotes pastores das religiões e igrejas cristãs é só para nos rirmos dele, porque não passa de um engana-meninos-tira-lhes-o-pão! Como tal, não pode ser levado a sério, sob pena de continuarmos a manter assustados e enganados os seres humanos e os povos, nossos concidadãos.

Mais três novos livros que vêm pôr tudo a nu
O MONSTRO SAGRADO 'SENHORA DE FÁTIMA'

O ingénuo teatrinho das “aparições” da senhora de fátima, concebido e levado à cena, uma vez por mês, entre maio e outubro de 1917, por três crianças da paróquia de Fátima, nefandamente instrumentalizadas por clérigos de Ourém, secretamente tocados-dirigidos pelo seu mentor-mor, o Cónego Formigão, do Seminário de Santarém, ali tão perto, veio a por tornar-se, cem anos depois, naquele monstro sagrado que hoje lá se vê e que movimenta muitos milhões. De euro-dólares e de pessoas. Mais euro-dólares do que pessoas, sublinhe-se. Que os monstros sagrados têm este terrível e demoníaco condão.

Felizmente, depois dos meus dois irrefutáveis livros jornalístico-teológicos, a desmontar tudo aquilo, concretamente, o livro Fátima Nunca mais, Campo das Letras 1999, e o livro FÁTIMA $. A., Seda Publicações 2015, eis que acabam de aparecer, no início deste ano centenário, mais três novos livros da responsabilidade de jornalistas-escritores, que nos fornecem novos dados, fruto de profunda e criteriosa investigação sobre como tudo aquilo foi montado e consumado.

São já cem anos de crescente e refinada exploração financeira. E, bem pior do que isso, são cem anos a matraquear-impor às multidões sedentas de sinais do céu, porque de todo avessas aos sinais dos tempos, um tipo de fé e de espiritualidade religiosa com tudo de lixo e de sal que perdeu a força de salgar, que envenena mortalmente as mentes-consciências das multidões. Cujas, nos seus ancestrais medos, continuam a ser criminosamente atraídas-arrastadas para lá. Que os monstros sagrados são insaciáveis. Devoram tudo e todos, graças aos muitos sacerdotes clérigos e laicos de proa que s servem, depois de se lhes terem vendido e à própria alma.

Ninguém pode ocupar cargos de proa na pirâmide do Poder religioso, político, financeiro sem, antes se lhe ter vendido e à própria alma. Todos aqueles farrapos de luxo com que institucionalmente se vestem perante os demais; todos aqueles gongóricos títulos com que fazem questão de serem tratados; e todos aqueles grandes e luxuosos palácios em que fazem questão de viver escondidos, revelam bem os farrapos humanos em que todos eles se tornaram. Têm-se na conta de os maiores e os melhores sobre a terra. São os mais infelizes e os mais desgraçados entre os nascidos de mulher.

A Senhora de Maio. Todas as perguntas sobre Fátima”, Temas e Debates-Círculo de Leitores 2017, da responsabilidade de António Marujo e Rui Paulo da Cruz, é o primeiro, por ordem cronológica, dos três livros. Trata-se de uma obra que começou por ser um filme-documentário de alta qualidade, com o mesmo título, editado em Maio de 2000. No qual se dá voz e vez a um variado e significativo leque de pessoas, de diferentes sensibilidades, entre as quais eu próprio acabei também incluído, com grande surpresa minha. Juntamente com Bento Domingues, D. Januário Torgal Ferreira, António Matos Ferreira, D. José Saraiva Martins, João Marto, Luciano Cristino, Luciano Guerra, Luís Kondor, Maria Belo, Moisés Espírito Santo e outras mais.

O Documentário, elaborado a partir de entrevistas videogravadas, mais ou menos extensas, aproveita umas quantas afirmações de cada entrevistado, mas deixa compreensivelmente de fora a maior parte do conteúdo das gravações. Felizmente, chega agora o Livro que reproduz praticamente tudo o que cada pessoa entrevistada diz na altura sobre as “aparições” de Fátima. E não só. Traz novas entrevistas e reproduz em grafia minúscula muitos textos que lhe dão um valor documental importante. Quem vier a aceder a este Livro poderá perceber quanto o meu depoimento destoa da quase totalidade dos demais. Mesmo as vozes mais críticas, como as de Frei Bento Domingues e do Bispo Januário T. Ferreira, acabam por reproduzir um discurso redondo, eclesiasticamente correcto. Por isso, inverdadeiro. Porque ninguém pode justificar teologicamente o monstro sagrado “Senhora de Fátima”. Insinuar que há completa identidade entre este monstro sagrado e Maria de Nazaré, a mãe de Jesus, é a aberração das aberrações. Teologicamente, um vómito! E se os papas e os bispos dão cobertura a este vómito, só podem ser vomitados pelo Deus de Jesus, o mesmo do Apocalipse. Não são carne nem peixe. Não são frios nem quentes.

FÁTIMA, Milagre, Ilusão ou Fraude”, de Len Port, Clube do Livro, Guerra e Paz 2017, é outro dos três livros. Trata-se de um escritor nascido e crescido na Irlanda do Norte e que há vários anos reside em Portugal, concretamente, no Algarve. Como se percebe pelo título, em forma de pergunta, a grande conclusão a que se chega é que Fátima é uma ilusão e uma fraude. Como de resto, são todas as “aparições” de deusas e de deuses, ou de mortos que se passeiam por aí e se divertem a aterrorizar certas pessoas altamente sugestionáveis e vítimas de microscópicas lesões cerebrais que as levam a ver e a ouvir o que está gravado no seu inconsciente, ou no inconsciente de outras pessoas crédulas que, porventura, as procuram.

O último dos três livros apresenta-se também sob a forma de pergunta. “FÁTIMA: Milagre ou Construção? A investigação que explica como tudo aconteceu”, Ideias de Ler 2017. Trata-se de um livro da autoria de Patrícia Carvalho, conhecida e prestigiada jornalista do PÚBLICO. Como sugere a própria pergunta do título, a autora chega à conclusão, depois de rigorosíssima e minuciosa investigação sobre a Documentação disponibilizada pelo próprio santuário que ela pôde consultar, nomeadamente, a correspondência trocada entre os principais criadores das “aparições”, bem como do papel determinante do primeiro bispo da restaurada diocese de Leiria, D. José Alves Correia, e de múltiplas outras pessoas leigas e clérigos. É um manancial praticamente desconhecido até à saída deste Livro. Um dado curioso a reter: Na muita bibliografia consultada pela Autora, figuram também os meus dois livros sobre o tema, o primeiro dos quais, ela cita com bastante destaque, no capítulo sobre “Vozes críticas” dentro da própria igreja católica.

São três livros a não perder e que valem só por si. Se bem que a hierarquia da igreja católica, porque, nesta matéria, age de má-fé ou de fé religiosa infantil, infelizmente não queira saber deles para nada. O monstro sagrado, “senhora de fátima” é hoje de tal modo poderoso, que nem que Lúcia e os seus dois primitos se erguessem dos túmulos e testemunhassem que tudo não passou de um teatrinho, ninguém tomaria a sério o seu testemunho. São assim os monstros sagrados criados pelo sinistro Religioso e seus sacerdotes. Até que as multidões deixem, finalmente, de procurar fora delas a solução para os seus múltiplos problemas. Porque em boa verdade a solução para os seus múltiplos problemas encontra-se dentro delas e só dentro delas. Só que esta é via política porta estreita e poucos são os que aceitam praticá-la. Felizes, entretanto, quantas, quantos de nós a praticamos. Porque então crescemos de dentro para fora em humano, por isso, em liberdade e em dignidade. E não há monstro sagrado por maior que seja que nos desvie desta via política. A única que Jesus Nazaré pratica e nos propõe.


As igrejas cristãs não suportam este viver-falar

DEUS É AMOR, PORQUE É HUMOR

Inesperadamente, o Convite caiu no meu correio electrónico. Proveniente de Albergaria-a-Velha. Duma Associação que dá pelo nome de Risorius, a do Riso. E do respectivo Município. Requeriam a minha presença e intervenção de padre-jornalista numa Conversa sobre o Humor que contava já com a participação do conhecido e reconhecido Ricardo Araújo Pereira (/RAP) e de Rita Ferro Rodrigues (RFR), duas figuras mais do que mediáticas. A coordenação seria da Risorius, na pessoa de Carlos, o humorista local de serviço. A minha presença e intervenção teria mais a ver com o teológico, entendido até pelos teólogos das religiões e das igrejas cristãs como o que tem a ver com o religioso e o eclesiástico. Desconhecem todos que há uma teologia outra, a de Jesus Nazaré, que não só não embarca nas religiões e nas igrejas cristãs, como até leva quantas, quantos a praticam, a rir-se delas, do que dizem e fazem. Conscientes de que Deus que nunca ninguém viu é Amor, porque é Humor. Inclusive, quem me convidou só iria despertar para esta Teologia outra, a de Jesus Nazaré, no decorrer do debate, ocorrido na noite da última sexta-feira de Janeiro, no Cine-Teatro de Albergaria-a-Velha, lotadíssimo, vários dias antes da data.

Infelizmente, quase todas, todos nós temos sido forçados a desconhecer que o quotidiano dos povos, nas suas múltiplas culturas, línguas e tradições anda carregado de Humor, tal como anda carregado de Deus que nunca ninguém viu. Porque a alegria de Deus, o de Jesus e dos povos, nos antípodas do Deus das religiões e das igrejas cristãs, é que nós, seres humanos, nos ocupemos, não dEle, a quem nunca vemos, mas de nós próprios, uns dos outros e do cosmos que continuamente vemos. Ora, quando assim é, vivemos a respirar Humor por todos os poros, da mesma maneira que respiramos Deus por todos os poros. Esse Deus que é Amor, porque é Humor. A teologia outra, a de Jesus, que eu próprio procuro praticar e aprofundar, é assim que vê-experimenta o quotidiano dos povos. Viver é, por isso, continuada festa de liberdade, de plenitude, de fecundidade, de fraternidade, numa palavra, de riso, porque, graças a esta Teologia outra, a de Jesus, sabemo-nos e uns aos outros o valor maior a preservar, juntamente com a Terra e o cosmos, no seu todo.

Acontece que os seres humanos e os povos, em vez de nos ocuparmos connosco, uns com os outros e com o cosmos que vemos a toda a hora e instante, temos sido forçados pelos sacerdotes e pastores das religiões e igrejas cristãs a ocuparmo-nos com Deus, as deusas, os deuses, os santuários, as basílicas, as igrejas paroquiais, os altares e as alfaias litúrgicas. Sem nos apercebermos que semelhante pensar-viver é Tentação, desvio, causa e ocasião de alienação, de desgraça, de solidão, de infantilismo, numa palavra, crassa manifestação de Medo. Temos que dizer, sem que a voz nos trema, que os sacerdotes e pastores de religiões e igrejas cristãs constituem, no seu todo, o Tentador ou Diabo dos povos. Só não nos apercebemos disso, porque ele, mentiroso e pai de mentira, sempre se nos apresenta mascarado de bom, de santo, de sagrado, de Deus. Só que quanto mais divino, menos humano. Quanto menos humano, mais cruel. Até se tornar, por fim, o assassino do Humor e do Amor, os dois nomes com que Deus, o de Jesus Nazaré, é entre nós e connosco. Por isso, o Profano e o Político em plenitude, a Liberdade, a Paz, a Alegria e a Vida sem limites.

À luz desta teologia outra, a de Jesus, é manifesto que o Ocidente, de raízes judeo-cirstãs-islâmicas, é o grande acidente que está aí a roubar-nos, matar-nos, destruir-nos, a cada instante. Pelo que bem podemos dizer, com a legitimidade que a História nos dá, Malditas raízes judeo-cristãs-Islâmicas e religiosas que, desde o princípio e ao longos das sucessivas gerações, nos têm formatado as mentes-consciências. Valorizam tanto o divino, que este acaba a comer o humano. Valorizam tanto o sagrado, que este acaba a comer o profano, o secular. Valorizam tanto os sacerdotes e os pastores das religiões e igrejas cristãs, que estes acabam a comer os seres humanos e os povos das nações. Engordam eles, diminuímos nós, os seres humanos e os povos. A teologia que todos praticam e ensinam é demoníaca, assassina. Leva quem a segue a roubar, matar, destruir os seres humanos e os povos que vemos e com os quais tropeçamos a toda a hora e instante, e a servir Deus e os deuses que teimamos em projectar nos céus, enquanto nós próprios gememos e choramos cá em baixo na terra, convertida em vale-de-lágrimas. Quando, em boa verdade, somos a consciência do universo ainda em expansão, já com 13 mil e 700 milhões de anos!

O princípio do fim de toda esta esquuzofrénica teologia religiosa e cristã foi a Revolução Francesa. Matou o rei, ungido (= cristo) pelo sacerdote, e, ao contrário do que então se cria-temia, o universo prosseguiu como se nada tivesse ocorrido. Concluiu-se daí que, affinal, o rei-poder vai nu. Tudo não passa de uma máscara que asfixia-mata o filho de mulher e o ressuscita como o filho do Poder. A superioridade do rei-poder não passa de uma ficção, ou, se se preferir, de uma convenção criada e alimentada pelas minorias dos saberes e dos privilégios, postas de acordo entre elas, uma vez que está em jogo a manutenção dos seus privilégios. Nomeadamente, o seu lugar no topo da pirâmide social, logo abaixo de Deus, o dos sacerdotes e dos pastores das religiões e das igrejas cristãs. Segundo esta corporativa visão, imposta a ferro e fogo a todos os povos das nações, os sacerdotes e os pastores das religiões e igrejas cristãs.têm de estar sempre, como intermediários, entre o céu e a terra. E quantas, quantos eles ostracizarem-excomungarem, ficam automaticamente ostracizados-excomungados perante as multidões, suas súbditas, bem como perante as minorias dos saberes e dos privilégios que, de modo algum, querem desagradar-lhes. Cientes de que isso pode custar-lhes o estatuto de minorias dos saberes e dos privilégios. E lá se iria tudo por água abaixo.

Até os profissionais do Humor auto-impõem-se limites, para nunca deitarem tudo a perder nas suas vidas Desta vez, porém, graças à minha presença no debate, animado pela Fé e pela Teologia outras, as de Jesus Nazaré, o Humor pôde ir para lá dos limites convencionais. O que levou RAP a dizer, no final, Se fosse eu a dizer estas coisas que o Pe. Mário aqui acaba de nos dizer, matavam-me. E tudo porque em mim o Humor apresenta-se em nome dos seres humanos e dos povos que vejo e com os quais me (pre)ocupo dia e noite. nomeadamente, as vítimas. Não em nome de Deus, o dos sacerdotes e dos pastores das religiões e igrejas cristãs. Posso, por isso, rir-me e fazer rir as pessoas com tudo o que dizem e fazem os sacerdotes e os pastores das religões e igrejas cristãs. Bem como com tudo o que dizem os seus livros sagrados (Bíblia). É que também para mim, como para Jesus, sagrados são apenas os seres humanos e os povos que estamos sempre a ver. Já o Deus dos sacerdotes pastores das religiões e igrejas cristãs é só para nos rirmos dele, porque não passa de um engana-meninos-tira-lhes-o-pão! Como tal, não pode ser levado a sério, sob pena de continuarmos a manter assustados e enganados os seres humanos e os povos, nossos concidadãos.

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Edição 124, Janeiro 2017

A 1.ª grande Oportunidade neste início de 2017

TRUMP E PAPA DE ROMA, OU OS POVOS DAS NAÇÕES?!

Só mesmo o Vento/Ruah de Jesus para, inopinadamente, nos dar, neste início de 2017, a primeira grande Oportunidade de nos desembaraçarmos de vez de todos os sistemas de poder, ao fazer eleger, em democráticas eleições, o super-rico Donald Trump, como presidente dos EUA, um cidadão de todo desconhecido dos sistemas do poder político norte-americano e de todo o planeta terra. O Dinheiro, como Deus omnipotente, omnisciente, omnipresente, acaba de ganhar, na pessoa dele, o mundo inteiro e, com isso, apresenta-se-nos agora, sem quaisquer disfarces, apostado em roubar-nos a alma/identidade e em fazer de nós, povos das nações, gato-sapato. A menos que semelhante aberração política nos acorde a todos em todas as nações da terra. Sobretudo, nos faça cair na conta de que este momento também traz com ele a primeira grande Oportunidade de nós, os povos das nações, abrirmos definitivamente os olhos e os ouvidos das nossas mentes cordiais, ao ponto de percebermos que jamais podemos esperar algo de bom, por parte dos sistemas de poder, sejam eles quais forem. Muito menos agora, que nos seus dois principais chefes, o papa de Roma e o novo presidente dos EUA, os sistemas de poder apresentam-se-nos vestidos de religioso e de exarcerbado proteccionismo nacionalista, precisamente, as mais humilhantes maneiras de nos anestesiarem-desmobilizarem politicamente por toda a vida e durante sucessivas gerações.

Nem o papa de Roma, em todo o seu poder monárquico absoluto e infalível, se mostra descansado perante a eleição e a tomada de posse de Donald Trump. De repente, parece que os papéis se inverteram e que ele passa da condição de monarca absoluto e infalível, vestido com a máscara de bondade, que Francisco, oriundo da América Latina, lhe empresta, à de súbdito do presidente dos EUA. Donald Trump assume-se, desde a primeira hora como o populista-mor que todas as suas empresas e riquezas acumuladas e concentradas lhe permitem. Um dia, quando ainda mais jovem, viu-se conduzido pelo espírito-sopro ou ideologia-teologia do Dinheiro a um monte muito alto, a partir do qual ele lhe fez ver todos os reinos do mundo com a sua glória. Ouve-o nesse então dizer-lhe, firme e convincente, Tudo isto te darei, se prostrado me adorares (cf. Mateus 4, 8-11). E Donald Trump, ao contrário de Jesus, o filho de Maria, em meados do ano 28, no deserto, não só não resistiu a este espírito-sopro tentador, como se lhe entregou incondicionalmente. Todos estes anos depois, aí está, finalmente, a recompensa maior. Depois de acumular empresa sobre empresa, riqueza sobre riqueza, acaba agora de se tornar o maior senhor do mundo, via império USA, indubitavelmente, a maior potência financeira mundial e a maior potência armada e nuclear do planeta.

O mais surpreendente é que tudo acaba de ser conseguido, de acordo com as leis do Império USA, as mesmas que os demais estados democráticos das nações também dispõem e das quais deitam mão, em idênticas situações. A sua chegada à todo-poderosa Casa Branca, uma espécie de basílica de s. pedro em Roma, a do papa, a única corte que não tem quaisquer necessidades de exércitos armados nem de armas nucleares, dá-se no total respeito pelas leis do império, tal como o papa Francisco também é hoje o papa de Roma, segundo as leis canónicas e eclesiásticas. Donald Trump, até com maior legitimidade do que o papa de Roma, uma vez que este é escolhido pelo reduzidíssimo e envelhecido colégio cardinalício, todos impedidos de constituir família e de pratica de afectos, enquanto o chefe máximo do império USA, é escolhido no termo de várias campanhas eleitorais, seguidas de outras tantas eleições locais, com a participação de todos os cidadãos, elas e eles, que se disponham a essa representação teatral, cinicamente orquestrada pelos grandes media e pelos partidos políticos cada vez mais desprovidos de escrúpulos, de honestidade, transparência, verdade.

O novo presidente dos EUA bem pode dizer que não enganou ninguém. Durante as sucessivas canpanhas a que teve de se sujeitar, juntamente com outros candidatos rivais, ligados aos sistemas de poder político e com muitos anos de esperiência, sempre disse ao que vinha e o que pretendia, se fosse ele o escolhido pela maioria dos norte-americanos dos diversos estados. A verdade é que, depois de meses e meses de campanha eleitoral, tecida de posturas e linguagens as mais desbragadas, é ele quem consegue maior número de senadores nos grandes estados. Acaba de tomar posse e, duma assentada, passou de imediato a pôr em prática uma boa parte de tudo quanto havia garantido que faria, se fosse ele o escolhido, como surpreendentemente, foi. A partir de agora, os EUA são o presidente Donald Trump e o presidente Donald Trump é o senhor EUA. Ainda só tem duas semanas de funções e já fez estragos sociais e políticos com tudo de tsunami, uma espécie de bomba atómica que derruba tudo o que, em seu entender e no entender da reduzida equipa de coaboradores, é para derrubar.

Nem o papa de Roma está em sossego. Ainda que saiba que, em caso de grave conflito entre ambos os estados, quem tem de vergar-se a adorar o outro é o presidente USA. Pela simples razão de que, quando o espírito-sopro ou ideologia-teologia do Tentador mostrou a Trump todos os reinos do mundo e lhos deu, sob a condição de ele o adorar, esse espírito-sopro ou ideologia-teologia do Tentador era precisamente o Poder monárquico absoluto infalível do papa de Roma, o cristo invicto e invencível do cristianismo, que só aparentemente não dispõe de exércitos, muito menos de armas nucleares. Porque são dele todos os exércitos e todas as armas nucleares dos estados das nações. Só que convém-lhe continuar a apresentar-se perante os povos das nações, religiosos ou ateus, de branco vestido e desarmado, para mais e melhor os enganar e seduzir. É ele o espírito-sopro, a ideologia-teologia do Tentador dos seres humanos e dos povos, a que temos de resistir, se quisermos nascer de novo e vivermos, do nascer ao morrer, como seres humanos, não como seus vassalos de luxo, umas quantas minorias privilegiadas, constituídas por acólitos clérigos e laicos, e como capachos dos seus pés, as maiorias empobrecidas e desamparadas, eternos pagadores de promessas, a arrastar-se penosamente de santuário em santuário, num viver vale-de-lágrimas feito de sucessivos becos-sem-saída.

O Sopro-Ruah de Jesus acaba de brindar os povos das nações com a grande Oportunidade de mudarmos de raiz a história da humanidade. Com Trump e o papa de Roma, dois-num-só, os sistemas de poder político vão nus. Ou lhes resistimos e aos seus agentes históricos, e assumimo-nos na história como povos das nações, política e maieuticamente religados uns aos outros, sem mais necessidade de salvadores e de intermediários, ou perecemos. Porque não soubemos aproveitar a grande Oportunidade que o Sopro-Ruah de Jesus nos acaba de proporcionar. Cabe-nos decidir por qual porta entramos: pela do poder e perecemos, ou pela do Humano e somos Eu-sou, Nós-somos com viveres históricos ao modo dos vasos comunicantes, segundo o primeiro princípio da Humanidade cordial, De cada um segundo as suas capacidades, a cada um segiundo as suas necessidades. Eis.

Educação sexual nas Escolas?

PETIÇÃO PÚBLICA CONTRA, TEM O APOIO DOS BISPOS CATÓLICOS!

Já não é sem tempo que as Escolas incluam, desde cedo e ao longo dos sucessivos anos de formação, a disciplina Educação Sexual. Não o fazer é crime de omissão. Esta educação há-de ser feita progressivamente, à medida que cada menina, cada menino cresce em idade, em estatura e em consciência de si e deste tipo de mundo, onde um dia aconteceu-nasceu e se prepara para politicamente nele intervir e, porventura, ajudar a transformar de dentro para fora em mais humano e em mais sororal-fraterno, vasos comunicantes. Uma missão de todo complicada, se não mesmo impossível, quando, à partida e durante todo o período do crescimento até à maturidade, falha a educação sexual de qualidade.

Um rápido olhar pelos grandes que estão hoje à frente dos destinos das nações e dos que os precederam nos milénios anteriores leva-nos depressa a concluir que houve graves e irreperáveis falhas nesta matéria, durante aqueles que foram os anos de formação da personalidade de cada um deles. Pode-se por isso dizer, Mostra-me como és na relação com os demais e com o Cosmos e eu digo-te como foste sexualmente educado, ou, pior ainda, como nem sequer o chegaste a ser. A sexualidade (bem ou mal) vivida dia a dia é a janela por onde cada uma, cada um de nós se dá a conhecer. E não há maneira de fecharmos esta janela. Somos de acordo com a nossa sexualidade. Se falha a educação sexual, é toda a personalidade de cada um dos seres humanos que falha. Postos, mais tarde, à frente de cargos de responsabilidade que tenham a ver com o viver de terceiros, são contínuos e irreparáveis desastres. Infelizmente, desastres destes é o que mais tem abundado ao longo da história da humanidade e de todas as nações-instituições. Com vítimas aos milhares, milhões.

Em boa hora, pois, a Educação sexual quer entrar e vai entrar a sério nas Escolas portuguesas. Os bispos católicos em Portugal não gostam deste passo de qualidade em frente? Problema deles. Mas também de todas, todos nós, quando eles saem a terreiro manifestar-se contra a introdução da Educação Sexual nas Escolas. Como se ainda vivêssemos nos sinistros tempos da Cristandade e não num Estado laico. Infelizmente, não tão laico como devia, por força da Concordata que, estupidamente, continua aí em vigor. É óbvio que os bispos não se atrevem a vir a público dizer que são contra. Mas sem quererem, acabam por fazer pior. Vejam só. Apoiam uma obscena Petição Pública que circula por aí, da iniciativa de certas famílias católicas-bem-e-de-sangue-azul, ligadas às Opus Dei, às Comunhão e Libertação, aos Focolaris, às Comunidades Canção Nova, às Universidades Católicas e similares, tudo o que há de politicamente mais elitista reaccionário, pretensamente erudito e eticamente imoral, mascarado de caridadezinha, Bancos Alimentares Contra a Fome, Comunidades Vida e Paz em prol dos homens da rua e quejandos. Com o mafioso padrinho Presidente Marcelo, uma espécie de papa Francisco laico em Portugal, a dar cobertura a tudo.

“Aborto como educação sexual em Portugal? Diga NÃO!”. É este o título da Petição Pública. Querem pior? Na sua sanha contra a Educação Sexual nas Escolas e em todo lado, estas elites do dinheiro e dos negócios sujos e chorudos, nem vêem que estão a reduzir a Educação Sexual à prática do aborto que, por sinal, as suas filhas e mulheres, sempre que necessário, não hesitam em ir realizar nalguma das muitas clínicas privadas no estrangeiro, mas que, entretanto, não suportam que essa prática seja legalmente despenalizada e até clinicamente apoiada no país, de modo que também as mulheres da base da pirâmide possam recorrer à interrupção voluntária da gravidez, sempre que a sua consciência, dramaticamente, embora, a isso as leve.

Acontece, porém, que o projecto, Educação Sexual nas Escolas, em discussão pública por estes dias no país, do que fala, e quase só no final das suas 79 páginas, é da distinção entre “interrupção voluntária e involuntária da gravidez”. Um assunto previsto para começar a ser abordado no 2º ciclo, por isso, com crianças a partir dos 10 anos de idade. E não se diga que é uma tonteria abordar esta realidade com crianças a partir dessa idade. As crianças hoje não são mais as crianças de há 50, 39, 20 anos. São crianças já nascidas no início da segunda década do século XXI. Saudavelmente reguilas, q.b. Capazes de dar lições às suas mães, aos seus pais sobre este assunto. E com a delicadeza que ele merece. Só a ignorância é má conselheira. E estúpida. As elites querem as maiorias ignorantes e estúpidas. Mas felizmente isso já foi chão que deu uvas. Não dá mais. São precisos, por isso, novos pais, novos profs, novas escolas, novas instituições, novos media. Cada nova geração que chega a este mundo tem direito a que tudo comece de novo. Passou o tempo do mais do mesmo. Hoje, o Vento ou Sopro/Ruah (de Jesus) exige novas instituições, novas estruturas, novos fundamentos para as nações. Ou todas elas desaparecerão.

No que à Educação da sexualidade diz respeito, é bem melhor começar cedo demais, do que tarde demais.Os bispos das igrejas estão completamente desfasados da realidade. Metidos nos seus paços episcopais, com tudo de museu, são eles próprios figuras de museu que ainda mexem, mas que não sabem o que dizem nem o que fazem. Apenas mexem e não para algo que valha a pena, algo que seja determinante na vida das populações. Fora do altar da catedral ou do altar da igreja paroquial aonde vão administrar o Crisma a adolescentes à beira de virarem definitivamente as costas a tudo o que demencialmente lá se continua a fazer a troco de dinheiro, não sabem mais o que dizer, muito menos o que fazer. Ficam sempre sem jeito. E em assuntos de sexualidade, não são sequer capazes de falar sem corar de vergonha.

Recordo, a este propósito, a minha própria experiência pessoal. O seminário tridentino da diocese foi capaz de me ter e aos meus companheiros, durante 12 anos, como interno, por isso, longe dos pais, dos vizinhos de infância, das raparigas e dos rapazes não seminaristas, sem nunca nos chegar a falar de sexualidade, muito menos, nos ministrar a mais elementar educação sexual. Era tabú, uma realidade não-existente. Valeu-me a biblioteca do meu tio cónego, irmão de minha mãe, que eu, depressa, passei a frequentar nas férias, sobretudo, as férias grandes. Passava lá horas e horas sozinho. Foi lá que encontrei livros que me esclareceram sobre as transformações que estavam a acontecer no meu próprio corpo a crescer e a transformar-se. Dos padres do seminário, nem uma só palavra sobre o assunto. Do padre confessor, só mesmo a doentia obsessão pela “pureza” que ele comparava a uma “camélia branca”. E nem sequer a camélia branca nos era dada a ver.

Valeram-me também, já depois de ordenado presbítero, os jovens operários da paróquia das Antas, onde fui um saudável “rebelde” coadjutor do pároco. E mais ainda os jovens dos liceus do Porto, dos quais fui professor de “Religião e Moral”, então obrigatória. Foram eles os meus mestres, assim como a vida real do dia a dia das populações, das quais nunca me separei, porque nunca fui capaz de me ver no estatuto de “clérigo” com privilégios. Mesmo quando o ofício e o benefício canónicos me queriam clérigo, sempre me mantive prebítero, ligado preferencialmente às pessoas e aos seus quotidianos de dificuldades, em contraste com os quotidianos de abundância dos que então frequentavam a missa do meio-dia aos domingos. Só por isso, quando, mais tarde, me vi liberto do ofício e do benefício canónicos e pude fazer-me presbítero-jornalista no mundo, é que passei a ser mais eu próprio e a comer o pão de cada dia, fruto do meu trabalho profissional, não mais fruto de um benefício canónico, sempre castrador do ser humano e fabricador de eunucos à força. Que outro objectivo não tem, de resto, o Código de Direito Canónico, diametralmente oposto a Jesus Nazaré e ao seu Evangelho libertador.

A última lição de Mário Soares

E O CARDEAL NÃO PÔDE PRESIDIR AO FUNERAL!

Foi como quem lhes arrancou os dentes sem anestesia, aos bispos portugueses e aos cardeais do Estado do Vaticano. Mas a verdade é que nem o núncio apostólico em Lisboa, nem o cardeal patriarca D. Manuel III, nem nenhum dos outros bispos do país puderam presidir ao funeral do cadáver de Mário Soares. Neste particular, o antigo Presidente da República de Portugal fez jus ao que sempre disse ser – agnóstico, republicano e laico. A sua mulher, Maria Barroso, ainda aceitou o funeral católico, mas nem ela conseguiu convencer o marido a seguir-lhe o exemplo. A cedência dela à pressão que o império católico habilmente lhe fez não o atingiu. Felizmente. Deste modo, o país pôde ver um funeral com todas as gongóricas e monárquicas honras de Estado, mas totalmente laico, sem nenhum dos símbolos do cristianismo nem nenhum dos agentes de turno das suas igrejas católica e protestantes. Esta é uma lição que Mário Soares dá ao país, à Europa, a todo o Ocidente de raízes e de frutos judeo-pagano-cristãos.

No actual contexto nacional, com uma Concordata em vigor desde 1940, assinada entre os Estados do Vaticano e de Portugal, o facto ganha contornos de uma das maiores lições de Mário Soares. Fica claro, duma vez por todas – e é curioso que seja um republicano laico, na peugada de Jesus Nazaré, a gritá-lo ao Ocidente – que o único denominador comum a todos os povos das nações é o HUMANO. Não o religioso, menos ainda o cristão. Só o Humano é verdadeiramente católico. O religioso e o cristão são factores de divisão entre os povos, como tais, não têm a marca de Deus Abba-Mãe, o da Fé política de Jesus Nazaré. Só o Humano é transversal a todos os povos. Fora do Humano, só há seitas, partes de um todo, causa de divisão, por isso, pecado organizado e institucionalizado.

Que todos sejam um”, quer intensamente Jesus Segundo João. Não se refere, obviamente, à unidade das igrejas que, então, nem sequer existiam, muito menos à unidade das religiões, todas alienação dos povos que as integram e cultuam. Refere-se exclusivamente à Humanidade, aos povos das nações. Que ele quer ver unidos e religados uns aos outros, uns com os outros, e não religados a um mítico deus projectado e criado pelos seus ancestrais medos e sobretudo pelas ambições dos respectivos sacerdotes e pastores mercenários. Que todos sejam um só povo de múltiplos povos, de múltiplos falares, de múltiplas cores e de múltiplas tendências, um verdadeiro arco-íris vivo e orgânico à escala planetária. A beleza das belezas.

O facto incomodou tremendamente a hierarquia católica que não teve outro remédio senão comer e calar. Estrebuchou e pressionou por todos os lados, em contida surdina, até pela espectacularidade do acto, mas teve de comer e calar. E não só. Teve inclusive de dar um ar de naturalidade, de respeito, de tolerância. Só que o seu contido silêncio e a sua completa ausência gritaram a bom gritar. Ela sabe que se se manifestasse publicamente, ou se pronunciasse por escrito nos seus órgãos oficiais de comunicação social contra esta opção de um antigo chefe de Estado, que tantos “fretes” lhe fez, ao longo dos anos de militância partidária e, até como chefe de Estado, o tiro vinha-lhe de ricochete. Por isso optou pelo contido silêncio, como sempre faz com quantos dos seus a incomodam, só porque tudo o que fazem, dizem, escrevem coloca-a inevitavelmente em causa e às suas mentiras. Sempre que a verdade praticada é proclamada sobre os telhados, ela que faz do mito, da ideologia, da encenação e do ritual a sua verdade, remete-se sempre ao silêncio.

Neste caso concreto, em que Mário Soares é a figura pública que é e tem a visibilidade nacional, europeia e ocidental que tem, a hierarquia católica não só se conteve, como até utilizou os seus meios de comunicação institucionais, a começar pelo jornal/rádio do Vaticano e a acabar na Agência Ecclesia, para destacar alguns factos em que o antigo Presidente da República esteve presente e soube ser tolerante com as diversas religiões e igrejas cristãs. Esquece que essas foram posturas institucionais, em que Mário Soares agiu na qualidade e na condição de chefe de Estado de Portugal que mantém uma Concordata com o Estado do Vaticano, a qual nem que ele quisesse, não podia sozinho pôr em causa. Agora, definitivamente liberto desse estatuto, leva a sua por diante e afirma a laicidade, não o religioso, como o que há de mais intrínseco a todos os seres humanos.

Saibam que o terceiro milénio é plena e integralmente Humano, ou não será. Saibam também que o religioso não faz parte da matriz original dos seres humanos. Tal como o medo que está na génese do religioso. Tal como o poder. Nascemos simplesmente humanos, não religiosos. Morremos simplesmente humanos, não religiosos. O religioso vem depois, como o Tentador, à medida que crescemos em anos na história. E que, lá onde entra e se instala, sempre divide para reinar. Sei que a esmagadora maioria dos intelectuais não-orgânicos com as vítimas dos poderes, não subscreve estas minhas palavras e ri-se delas e de mim. Problema deles. Pecado deles. As posições de privilégio que acumulam sem pestanejar levam-nos a semelhante desonestidade-aberração intelectual. Mudem de ser e de Deus (= convertam-se), façam-se humildes intelectuais orgânicos com as vítimas do religioso e dos demais poderes e verão abrir-se-lhes os olhos das suas mentes-consciências cordiais. Sem esta radical conversão, são cegos que guiam outros cegos.

Se se converterem, conseguirão então escutar, acolher e praticar a Fé e o ser-viver histórico de Jesus, o filho de Maria, o ser humano por antonomásia que os cristianismos reiteradamente matam e, em seu lugar, apresentam aos povos o mítico “Cristo da fé”. Da sua fé religiosa, a única que eles acolhem e praticam, porque projectada, criada e gerida por eles. De modo, fazem com ela o que mais lhes convém. É, de resto, em seu nome que cometem toda a espécie de barbaridades que a História regista, apesar de escrita por eles, os vencedores. A pior das quais é precisamente a barbaridade deste actual tipo de mundo do poder financeiro global, estruturalmente mentiroso, ladrão e assassino dos povos e da natureza. Bem podem multiplicar-se em liturgias e em construções de basílicas e de santuários. É tudo sal que perdeu a força de salgar. É tudo esterco incapaz de resistir a um tsunami. Que digo? Incapaz de resistir aos seus próprios desmandos, dado que é ininterruptamente movido pelo espírito ou sopro da divisão e do ódio, da competição e da conquista, o inimigo n.º 1 de Jesus Nazaré.

Neste terceiro milénio, ousemos praticar a laicidade, em sintonia e no prosseguimento da Fé política de Jesus, o filho de Maria. Seja assim o nosso ser-viver-morrer. O cadáver já não somos nós. É uma coisa que deixamos, porque, com a morte, a maior invenção da vida, tornamo-nos, por pura graça, corpos definitivamente viventes, por isso, definitivamente invisíveis aos olhos dos demais. Familiares e amigos, não funcionários clericais, cuidem do cadáver. Façam-no conscientes de que, nessas horas, já nos têm inteiros e íntegros com eles, inclusive a presidir a tudo e a confortá-los-estimulá-los para que se levantem mais humanos e sororais uns com os outros e com o planeta. Até se tornarem, também eles, corpos definitivamente viventes connosco. Num Hoje sem ocaso!

Papa e bispos falam de paz e o que vem é a guerra!

O DIA MUNDIAL JÁ NÃO É O QUE ERA!

Melhor fora, por isso, que lhes atassem a mó de um moinho ao pescoço e os lançassem ao mar (Mt 18, 6-7)

Lá falarem de paz, o papa e os bispos do mundo católico falam. Mas o que depois vem, de ano para ano, é cada vez mais guerra, feita de inúmeras guerras. Ninguém, nenhum povo conhece a paz. Todos conhecemos-sofremos a guerra. Não apenas a das armas do passado, mas, sobretudo, a guerra financeira global. Precisamente, a que hoje mais mata. Tanto ou mais do que uma guerra nuclear de que continuamos a ter medo, sem darmos conta de que a guerra financeira mata mais do que uma guerra nuclear. Só não vemos o sangue a correr pelas ruas das grandes cidades. A não ser quando os que insistimos em chamar “terroristas” – nunca chamamos assim aos chefes dos grandes Estados do mundo – fintam os milhares de polícias e de militares armados e atiram camiões-bomba contra multidões mergulhadas em festejos públicos, como quem quer dar a impressão de que vivemos no melhor dos mundos. Não vivemos. A guerra financeira global é contínua, por mais que insistamos em enterrar a cabeça na areia e fazer de conta que são de paz os dias que vivemos. São de guerra. Contínua guerra!

Nem o papa nem os bispos vêem a realidade e por isso continuam a cumprir esquizofrenicamente o seu calendário litúrgico e a presidir aos rituais da praxe eclesiástica e cristã. Sem quererem saber para nada da realidade actual. E se no dia primeiro de cada ano falam todos à uma de paz, é só porque o papa Paulo VI, em 1968, se lembrou de instituir para toda a igreja católica o Dia Mundial da Paz. Só que a paz dos papas e dos bispos reduz-se a pura retórica, a vazios discursos, a meras doutrinas, nenhumas práticas políticas maiêuticas, ao jeito das de Jesus, o filho de Maria. As suas são vidas estéreis, tipo jarrões de flores de cores garridas, com predomínio do vermelho. E as homilias das suas missas ritualizadas e envenenadas, em cada novo dia mundial, deixam a impressão de que basta falar muito de paz, para ela acontecer. Não acontece. Só guerra e mais guerra.

Ao contrário dos papas e dos bispos residenciais, Jesus, o filho de Maria, tem o cuidado de sublinhar que a paz que dá a todos os povos das nações não é como o mundo a dá. Refere-se, obviamente, ao mundo dos sistemas de poder, no qual cada bispo diocesano, cada pároco e cada pastor de igreja estão incluídos. São todos parte do “mundo” que vitimiza os povos das nações. Esse mesmo mundo que não acolhe Jesus nem o seu Evangelho. Porque o ser-viver dele é estruturalmente de guerra, não de paz; é de poder, não de amor maiêutico; é de riqueza acumulada-concentrada, não de partilha; é de pirâmide, não de vasos comunicantes. Pelos frutos de alienação e de submissão que os seus seres-viveres históricos produzem, em tudo iguais aos dos chamados grandes das nações, é manifesto que também eles integram o mesmo mundo do poder, não o mundo dos povos, suas vítimas. Os palácios episcopais, a começar pelos do papa e dos cardeais da Cúria romana e a acabar no da diocese mais desconhecida do planeta, não enganam. Os respectivos inquilinos são em tudo iguais a Trump, dos EUA, a Putin, da Rússia, a Xi Jinping, da China, a António Guterres, o novo secretário-geral da ONU. A paz de que todos falam é exclusivamente a das armas, a pior das quais, é aquela que adoece e mata não só o corpo dos povos, mas sobretudo a alma-identidade e a mente-consciência de cada qual. E faz deles robots. Coisas. Mercadorias. Carne-para-canhão. Mão-de-obra-barata.

Recordo o Dia Mundial da Paz de 1968, precisamente o primeiro que assim se chamou, por decisão, como já sublinhei, do papa Paulo VI. Nesse remoto Hoje, encontro-me, como capelão militar à força, em Mansoa, a 60 kms de Bissau, a capital da Guiné, então ainda colónia portuguesa. Na altura. em luta armada de libertação pela sua própria autonomia e independência políticas. Obrigado pelo Poder do Estado português a inegrar o Batalhão 1912, cabe-me, como presbítero da igreja do Porto, viver-anunciar, também aí, o Evangelho da Paz, essa paz que o mundo do Poder, desde o eclesiástico-religioso ao financeiro, não tem e não conhece e por isso não pode dar. Tenho perfeita consciência de que integro o Batalhão, mas não sou dele. Por mais que ele se dane. Sou presbítero da igreja do Porto. Cabe-me, por isso, praticar-anunciar, também nesse dia, o Evangelho da Paz, aquela que Jesus, o filho de Maria, nos dá e que o mundo do poder não conhece, não tem, não pode dar.

Podia, como faz nesse mesmo dia o papa Paulo VI e, com ele, (quase) todos os bispos residenciais e párocos do mundo, tecer inócuas e eruditas considerações sobre a paz, sem nunca aterrar na realidade, na altura, o sofrido e roubado continente africano. Podia. Traia a minha missão presbiteral para que nasci e vim ao mundo, mas não tinha quaisquer problemas com o Estado e os seus três ramos das Forças Armadas. Pelo contrário, seria até louvado pelo comandante do Batalhão. Mas a verdade é que não me deixo seduzir nem cair na tentação. Muito menos, me deixo tolher pelo Medo. A homilia que preparo por escrito e que digo pausadamente na celebração viva a que presido na igreja da Missão, ali mesmo ao lado da sede do quartel cercado de arame farpado, não se limita a dizer doutrina. Também a diz, mas lá onde o politicamente correcto me aconselha-ordena a ter de parar, eu decido dar os passos em frente necessários para não trair o Evangelho nem a minha própria consciência. E formulo um manancial de Perguntas, fecunda e politicamente subversivas, como sempre acontece com a Verdade praticada. Um exemplo: Para haver paz, tem de ser respeitado o direito-aspiração dos povos colonizados à sua autonomia e independência. Pergunto: estamos aqui como exército armado para ajudar a concretizar este direito-aspiração do povo guineense, ou para o impedir?

As perguntas deixam o meu comandante, sentado a pouco mais de um metro de distância de mim, manifestamente incomodado-perturbado. Cabe-lhe, como a mim próprio, escutar aquela Palavra e praticá-la, se ambos queremos verdadeiramente a paz, fruto da Verdade e da Justiça praticadas. Mas dos dois, com responsabilidades acrescidas no Batalhão, só eu me manifesto comprometido com a concretização da paz. O estatuto dele é o de militar profissional. Vive, mai-la sua família, do que lhe pagam mensalmente para fazer a guerra. É um mercenário legal, institucional. Ao passo que eu, como presbítero da igreja do Porto, sou, procuro ser, presença viva e activa de paz, a que Jesus nos dá. Resultado: Esse 1 de Janeiro de 1968 é o primeiro dia do resto da minha vida de presbítero, definitivamente confirmado na missão de Evangelizar os pobres e os povos. Acabo expulso do Exército, embora sem qualquer julgamento no tribunal militar. E com o rótulo de “padre irrecuperável”, atribuído pelo próprio Bispo castrense, D. António dos Reis Rodrigues, outro mercenário-mor, ao nível eclesiástico, do Poder político de turno. Foram por isso de guerra interior até à morte o resto dos dias deste bispo castrense. Enquanto todos os meus dias têm sido de crescente paz, aquela paz que o mundo, também o eclesiástico-cristão, não conhece, não tem e por isso não pode dar. E que feliz eu sou, apesar de odiado, denegrido, ostracizado por muitas, muitos, que estão no mundo e são dele. Ao contrário de mim que estou no mundo, mas recuso-me a ser dele. Tomara que todos os bispos e presbíteros fossem também assim. Infelizmente, a maioria prefere estar no mundo e ser dele. Melhor fora, por isso, que lhes atassem a mó de um moinho ao pescoço e os lançassem ao mar (Mt 18, 6-7). Não seriam mais ocasião de tropeço-escândalo para os povos que neles confiam, só porque sempre se lhes apresentam como pastores, quando na verdade são os piores dos mercenários. Acordemos, irmãs, irmãos! Acordemos!

R.O. VP e CEP metem os pés pelas mãos

QUE TIPO DE FÉ, DE IGREJA, DE DEUS SE VIVE-VENDE EM FÁTIMA?

Confesso que não esperava tanta promoção aos meus dois livros sobre o embuste de Fátima – FÁTIMA NUNCA MAIS, 1999, e FÁTIMA $. A., 2015 – nas colunas de VP-Voz Portucalense, semanário oficioso da diocese do Porto. E logo por parte de um dos seus mais conceituados e preparados colaboradores, jornalista JN reformado, antigo chefe de redacção de VP, nos áureos tempos do ilustre Director Dr. Álvaro Madureira, ainda a Pide era rainha e a Censura com o seu lápis azul não arredava pé das redações dos órgãos de comunicação social. Refiro-me concretamente ao padre-jornalista Rui Osório (R.O.), meu amigo e contemporâneo no curso de Teologia no Seminário da Sé, Porto, que semanalmente assina uma Cónica na última página, a encerrar cada edição. Para cúmulo, o inócuo título da sua Crónica, a fechar a última edição de 2016, “Fátima tornou-se «casa maternal»”, escrita com o objectivo de comentar-divulgar a mais recente e infantil Carta Pastoral dos bispos portugueses sobre o famigerado centenário das “aparições” de Fátima, não fazia esperar semelhante promoção.

Mas R.O., contra todas as regras jornalísticas que recomendam que o título da notícia encontre suporte no primeiro parágrafo do texto – bem sei que, no caso, não é propriamente uma notícia, é mais uma mistura de notícia e de crónica – decidiu dedicar os três primeiros parágrafos, não à referida Carta Pastoral, mas, inesperadamente, àqueles que ele próprio rotula de “os três mais badalados antifatimistas”. Destes três, opina que “o mais culto era o racionalista, ateísta e missionário laico Tomás da Fonseca.” E logo adianta: “Os outros dois, João Ilharco, no seu libelo «Fátima desmascarada», e o obsessivo Mário de Oliveira, em «Fátima nunca mais» e «Fátima S.A.», são polemistas medíocres.” Tal e qual, “Polemistas medíocres”. Que, pelos vistos, a profundidade de conteúdos é apanágio das colunas de VP e dos documentos oficiais da CEP, das intervenções de cada um dos bispos titulares do país e das homilias dominicais dos párocos das cidades e das aldeias!!! Repararam certamente que do “mais culto” dos três, R.O. tem o cuidado de omitir o título do seu corajoso e lúcido livro, “Na Cova dos Leões”, não fosse acontecer que as leitoras, os leitores corressem logo em sua demanda. Já dos dois restantes, como os classifica de “polemistas medíocres”, até se permite divulgar os títulos das respectivas obras. Tem ainda um outro cuidado em relação ao último destes dois “polemistas medíocres”, concretamente, em relação a mim, por sinal, seu amigo pessoal e seu irmão no presbiterado e no estatuto de jornalista profissional. Sou o único dos três que mereço dele a classificação de “obsessivo”. O que me leva a ter de pressupor que, para R.O., todos os clérigos portugueses – bispos diocesanos e párocos – muitos dos quais não perdem uma ”peregrinação” nos meses de maio e outubro de cada ano, não são nada “obsessivos”, nem fanáticos. Pelo contrário, serão todos modelos de presbíteros e bispos, inteiramente dedicados à arriscadíssima missão de Evangelizar os pobres e os povos!!!

Mas regressemos ao seu texto. “Para Tomás da Fonseca – escreve R.O.- as aparições na Cova da Iria eram «escandalosa fraude», «ignóbil farsa», «delito premeditado» e o «maior embuste do século». Tantas hipérboles causam enjoo. Os militantes ideológicos, laicos ou religiosos, deixam o rabo de fora na sua pretensão de libertar o povo de manipulações, quando, afinal, são eles quem mais lhe imputa a consciência, como se o povo fosse, cívica, política ou religiosamente, menor de idade.”

Acabam aqui os três parágrafos. Reveladores de um grande pecado de omissão, por parte do meu amigo e irmão R.O. É que, com este seu escrever, até parece que, para ele, nunca existiram os 16 séculos de Cristandade Ocidental, de pensamente único, de autoritarismo eclesiástico, de Cruzadas, de Fogueiras de Inquisição, de tirania clerical, numa mão, a espada, na outra a cruz, instrumento de tortura mental, juntamente com a Bíblia, o Missal, as missas em latim aos domingos e dias santos de guarda, às quais ninguém podia faltar, sob pena de pecado mortal e de castigo eterno no inferno, caso viesse a morrer sem antes se ter confessado ao todo-poderoso senhor abade. Até parece que tão pouco existiram o aterrorizador altar e os púlpitos no meio das igrejas, frequentados por pregadores clérigos vindos de fora e também pelos padres das missões populares com pregações terroristas semelhantes às do terrífico livro “Missão Abreviada” que Lúcia, a mais velhita das três crianças utilizadas pelo clero de Ourém em 1917, ouvia a sua mãe ler à luz da candeia, nas longas e gélidas noites de inverno da Serra d'Aire.

O pior é que a todos estes horrores clericais, mais do que obsessivos e fanáticos, há que juntar ainda as semanas santas com as suas procissões dos passos aos calvários e os seus terríficos sermões do encontro e da paixão, as catequeses obrigatórias, os baptismos das crianças obrigatórios, as confissões de desobriga na quaresma, às quais nenhum paroquiano podia escapar, seguida da comunhão obrigatória pela páscoa da ressurreição, o pagamanto das obradas ou côngruas ao senhor abade, o casamento obrigatório pela igreja, as comunhões solenes e os crismas obrigatórios, a reza do terço aos domingos de tarde, as novenas no mês de maio e pelas almas no mês de novembro. E que dizer da corporativa reacção dos clérigos católicos do país contra a República de 1910, logo seguida da adesão em massa dos párocos e organismos católicos à palavra de ordem do cónego Formigão, autor do teatrinho das aparições em Fátima, para arregimentarem os respectivos paroquianos a “peregrinarem” em grande número a pé até à serra de Aire junto da carrasqueira ou azinheira, num dos campos dos pais de Lúcia, a mais velha das três desgraçadas crianças criminosamente utilizadas por ele, entre maio e outubro de 1917, num simulacro de “aparições da senhora de Fátima”, teologicamente, absurdas, por mais que os clérigos do topo à base digam que são “dignas de fé”?!

Depois de tudo isto, é mais do que legítimo perguntar que tipo de fé, de igreja, de Deus se vive-vende em Fátima desde 1917 até aos nossos dias, uma fulcral questão que a inócua Carta Pastoral dos Bispos sobre o centenário, nem seque se coloca? A verdade é que, não fora o senhor Thedim, da Trofa, Braga, ter concebido e fabricado com suas próprias mãos a imagem da senhora de fátima, e não fora o senhor Gilberto Fernandes dos Santos, de Torres Novas, ter-lha comprado e, no dia 13 de Maio de1920, já depois da morte de Francisco e de sua irmã Jacinta, tê-la oferecido e deixado na sacristia da igreja paroquial de Fátima, e, das “aparições” de 1917, não restaria hoje nada, nem sequer a lembrança. Mas o cónego Formigão, sem dúvida o clérigo português da altura mais conhecido e mais escutado nas paróquias de Portugal, que, antes de 1917, tinha passado mês e meio em Lourdes (França) a aprender como o teatrinho de lá havia vingado, não deixou nunca mais os seus créditos por mãos alheias. É ele o verdadeiro inventor e mentor do teatrinho das “aparições” de Fátima, com dois objectivos muito concretos que, em seu entender clerical, justificavam o recurso a todos os meios, inclusive, os mais perversos: 1, derrubar a República 2, restaurar a diocese de Leiria. A Diocese é restaurada em 17 de Janeiro de 1918 pelo papa Bento XV. E a República é derrubada em 28 de Maio de 1926, com o golpe do Estado Novo, de onde emerge depois a sinistra dupla Salazar-Cardeal Cerejeira.

Cedo, porém, o dinheiro começa tambem a cair, abundante, em Fátima, que as famílias monárquicas católicas dispunham de muitos bens e as populações do país católicas por nascimento, secularmente reduzidas à criminosa condição de humilhados servos da gleba e de eternos pagadores de promessas, chegam a tirar o pão às suas bocas e às dos filhos para o darem às imagens de deusas e deuses que lhes devoram a alma. Perante um tal fenómeno de massas, os clérigos de Ourém, com destaque para o cónego Formigão e o Pe. Lacerda, multiplicam-se a forjar interrogatórios às três crianças do teatrinho, com as perguntas e as respostas que mais lhes convêm, e, com isso, “fundamentam” como verdadeiras “aparições”, as sessões do seu próprio teatrinho. Nasce assim a chamada Fátima 1, sem nada de nada para se impor ao país, muito menos, ao mundo.

Era preciso ainda mais, muito mais. E é então que já depois da morte de Francisco (1919) e de Jacinta (1920), os clérigos levam mais longe o seu premeditado crime. Já com o novo bispo D. José Alves Correia da Silva à frente da diocese de Leiria, conseguem retirar à mãe a única sobrevivente Lúcia e, a partir daí, fazem dela gato-sapato até à morte. Sobretudo, escrevem em seu nome, a partir de 1935, o que pomposamente titulam de “Memórias da Irmã Lúcia” (4 + duas, uma sobre o pai, outra sobre a mãe), com conteúdos bem à medida das conveniências e dos interesses do Estado Novo de Salazar-Cardeal Cerejeira, da igreja portuguesa e do Estado do Vaticano, apavorado que andava, na década de 30-40, com o triunfo da Revolução bolchevique de Novembro de 1917 e com o seu apregoado Comunismo ateu. Nasce assim Fátima 2, a única qie se impõe ao mundo e que, cem anos depois, é hoje a multinacional religiosa que se vê.Tão poderosa, que já nem a CEP nem o Vaticano conseguem mais controlar, apenas aproveitar-se de uma pequena parte dos seus fabulosos lucros. O império mundial do turismo religioso põe e dispõe dela a seu bel-prazer e retira daquele bolo a fatia maior. Pelo que a fé, a igreja, o deus que há 100 anos se prega-vive-vende em Fátima, é a negação da genuína Fé de Jesus, da Igreja-Movimento de Jesus, do Deus de Jesus. Ou a igreja católica vê isto e afasta-se definitivamente de Fátima, ou é cada vez mais o que já hoje é: uma fábrica de lavagem de dinheiro sujo e, pior do que isso, uma fabrica de produção de vítimas humanas, eternos pagadores de promessas. O que perfaz um pecado e um crime sem perdão.

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Edição 123, Dezembro 2016

Natal das igrejas cristãs

À FALTA DO FILHO DE MARIA, RECORREM AO FILHO DE UMA VIRGEM!

Resultado: Cada 25 Dezembro, saem dos armários variadíssimos meninos-jesus e outros bonecos!

Porque Jesus, o camponês-artesão de Nazaré, o filho de Maria, só nasceu uma vez, precisamente, 5-6 anos antes do ano 1 desta nossa era comum, em Nazaré e não em Belém, como, desde há dois mil anos, nos têm andado a mentir; e porque as igrejas cristãs que o odeiam de morte, ao seu Projecto político alternativo de sociedade, ao seu Deus que nunca ninguém viu, tão pouco conseguem obrigá-lo a nascer e a morrer crucificado todos os anos e a subir aos céus, onde teria de ficar por uns meses lá sentado à direita de deus-pai todo-poderoso, de onde viria, depois, não se sabe quando, nuvens do céu abaixo, com múltiplas legiões de anjos armados, julgar os vivos e os mortos e condenar a maioria dos povos ao inferno e uns quantos eleitos ao céu, meteram-se todas a criar-anunciar-impor aos povos um mítico cristo, o delas, nascido de uma mítica virgem. E desde então, todos os anos, pelo natal do SOLstício de inverno, correm a tirar dos seus múltiplos armários milhares, milhões de meninos-jesus que põem à adoração dos seus fiéis, elas e eles, mais elas do que eles, em presépios cada vez mais refinados, a exemplo do que fez, pela vez primeira, de forma tosca, mas ao vivo, no século XIII, Francisco de Assis, depressa transformado por elas num mito e num ícone, pau para toda a colher, até para ajudar a acumular riqueza sobre riqueza nas ordens religiosas de frades e de freiras que se reclamam do seu mítico nome. Francamente, é a demência das demências. A mesma que, nestes dois mil anos de cristianismo, tem estado ao comando dos povos e do planeta e está a levar uns e outro para a implosão nuclear. Nomeadamente agora, com Trump, à frente do EUA, Putin, à frente da Rússia, Ergodan à frente da Turquia, Merckel à frente da Alemanha/UE e o papa Francisco à frente do Vaticano que é toda a terra onde haja a funcionar uma empresa-diocese com um bispo alter-ego dele e por ele nomeado.

Juntamente com esses milhares, milhões de meninos-jesus, as igrejas cristãs tiram também dos armários muitos outros bonecos – bois, vacas, pastores, anjos, carneiros, ovelhas – para todos os gostos, quase sempre, maus-gostos. E há sempre inúmeras quantidades de artistas e um sem-fim de artesãos de múltiplas culturas e tendências que, de bom grado, se prestam a este tipo de negócios natalícios. As populações, por sua vez, não se fazem rogadas e entram descontraidamente no jogo infantil que as infantiliza cada vez mais, sem as próprias darem por isso, e até desejam umas às outras festas felizes, feliz natal, ao mesmo tempo que dão prendas, qual delas a mais bizarrra e a mais cara. Numa manifestação de aparente alegria, mas que não passa de colectiva demência, infantilismo, sadismo. De ano para ano, cada vez mais deprimente, infantil, sádico. Sem nunca se aperceberem que, com este seu comportamento, estão a engordar mais e mais o Mercado financeiro global e a dar cobertura às igrejas de mentira, empenhadas, com sumo zelo e ingénua dedicação por parte de alguns dos seus funcionários, em impedir que nós, os seres humanos e os povos, cresçamos em sabedoria e em graça, mais, muito mais do que em idade e em estatura. Como acontece com Jesus, o filho de Maria, o ser humano por antonomásia, em quem Deus que nunca ninguém viu, se nos dá definitivamente a conhecer.

É hoje mais do que sabido, graças à investigação histórica, que os 4 Evangelhos canónicos originais não se ocupam com as circunstâncias do nascimento de Jesus em Nazaré. Os 2 primeiros capítulos de Mateus e de Lucas são colocados lá posteriormente. O começo original de cada um é o que hoje aparece como capítulo 3. A verdade histórica é que a generalidade dos concidadãos de Jesus apenas sabe dele, quando, já adulto, decide deixar Nazaré e juntar-se ao movimento político encabeçado por João, o que baptizava (= Baptista) nas margens do Jordão. Jesus, porém, depressa se dá conta de que não é esse o seu caminho, não é essa a sua vocação, a sua missão. João não passa, afinal, de mais do mesmo. O seu radicalismo ideológico-político, embora perturbe bastante o rei Herodes, ao ponto de o mandar prender e decapitar na prisão, não põe em causa o judaísmo como sistema de poder, nem a sua ideologia-teologia de povo eleito, superior, por isso, a todos os demais povos da Terra. O mais que pretende é reformá-lo, para que se reforce ainda mais. E para esse peditório, Jesus não está disposto a dar. E não dá. Na sua consciência de camponês-artesão de Nazaré e na sua total fragilidade humana de filho de Maria, experimenta no seu mais íntimo que a História da Humanidade, dos povos, está já madura e preparada para começar a nascer de novo. Desde então, é chegado o tempo de os povos da Terra progressivamente renunciarem de vez aos intermediários religiosos, politicos, económico-financeiros que sempre os oprimem, roubam e matam e, consequentemente, passarem a dar corpo, nos seus próprios corpos religados uns aos outros, a uma nova Humanidade, com tudo de Nova Criação. Jesus, ele próprio, vê-se como o primeiro e o último, o alfa e o ómega, dessa Nova Criação, dessa Nova Humanidade. E aceita apresentar-se, assim, ao seu povo como o próprio Projecto político alternativo de Deus para a sociedade.

Depressa tem contra ele tudo o que é intermediário e agente de poder, portador de privilégios. E só mesmo o recurso à clandestinidade lhe dá algum tempo para poder anunciar-semear, ao modo do grão de mostrada, do grão de trigo e do fermento-na-massa, no coração-consciência da Humanidade a Boa Notícia de Deus que nunca ninguém viu, bem como o Projecto político que Ele tem para Humanidade, desde antes da criação do mundo. Faz-se rodear de alguns mais íntimos que teimosamente o seguem, mas acaba traído por eles. Vale-lhe, nessa hora – a sua hora! – a fidelidade de algumas mulheres, com destaque para Maria, mãe de João Marcos, e Maria Madalena. E também de alguns homens, filhos de antigos imigrantes gregos já nascidos na Palestina, judeus de nascimento, não de sangue! São até estas mulheres que suportam, das suas bolsas, os custos da Missão. E mantêm-se-lhe fiéis para lá da sua morte crucificada, a que acaba inevitavelmente condenado em Abril do ano 30.

Depois de o terem politicamente traído e entregue aos sumos-sacerdotes do templo de Jerusalém, o grupo dos homens judeus apressa-se, após a sua morte na cruz como maldito segundo a Lei de Moisés, a fundar uma nova corrente política dentro do judaísmo, chamada judeo-cristianismo que, à letra, quer dizer, judaísmo-com-messias, mais tarde, cristianismo simplesmente. Mas é só no pequeno grupo das mulheres e alguns homens que se experimenta a mais bela e a mais escandalosa das notícias. Esta: Deus que nunca ninguém viu é com Jesus crucificado que está e com o Projecto político alternativo que ele próprio é, não com nenhum dos muitos poderosos intermediários, agentes do Poder, que sempre estão aí só para roubar, matar e destruir. E é esta bela e escandalosa notícia que, desde então, está aí, sem que saibamos como, a mudar o mundo de dentro para fora, de selvagem em humano e de humano em fraterno, com os povos progressivamente vasos-comunicantes-uns-com-os-outros-e-com-tudo à sua volta. Animados pela Ruah-Sopro de Jesus, o filho de Maria, que, por quantos se deixam conduzir por ela, crescem de dentro para fora, únicos e irrepetíveis, num movimento político humanizador-fraternizador que poder ou cristo algum pode deter.

Quantas, quantos reiteradamente se têm oposto e continuarão a opor a esta realidade histórica, não têm futuro, por mais sangue que insistam em fazer correr sobre a terra. Porque o grão de mostarda, o grão de trigo e o fermento podem desaparecer sob a terra e a massa, mas é assim que germinam e dão abrigo e pão outro que alimenta a vida humana liberdade e consciência, a qual até da morte faz um novo nascer para sempre. Por isso, o cristianismo, suas igrejas-empresa e todos os demais sistemas de poder económico-financeiro e político podem continuar demencialmente a fazer das suas, peritos que são em roubar, matar e destruir. Mesmo assim acabam por apressar o momento da chegada da plenitude da vida, da Humanidade-vasos-comunicantes, da paz desarmada, fruto da verdade e da justiça praticadas. Porque só Jesus, o alfa e o ómega do Humano, é o caminho, a verdade e a vida. O poder ou cristo que o mata é a porta larga que vai desaguar no Nada. Embora os seus agentes históricos, vítimas dele, e simultaneamente carrascos deles junto dos povos, acabem, no seu derradeiro expirar, todos humanos, por pura graça, no plena e integralmente Humano Jesus, o filho de Maria. Cantemos, pois, apesar das dores!

D. António Marto reage a Petição Pública ao papa

É TÃO ALÉRGICO AO CHÃO QUE JÁ SÓ POUSA OS PÉS EM RAMOS DE AZINHEIRA!!!

* Director de VP afina pelo mesmo diapasão!

A Petição Pública contra a visita do papa Francisco a Fátima incomodou tanto sua Ex.cia Rev.ma, o bispo de Leiria-Fátima, que ele apressou-se a responder aos jornalistas, "Não me tira o sono e não me traz novidade nenhuma". Aos ouvidos de jornalistas pés-de-microfone, esta sua afirmação significa, Estou-me nas tintas para esse tipo de iniciativas. Aos ouvidos de jornalistas orgânicos com as vítimas dos sistemas de Poder, esta sua afirmação revela um bispo tão alérgico ao chão calcorreado pelos seres humanos de carne e osso, nomeadamente, as multidões de vítimas do embuste de Fátima e sua senhora cega, surda e muda, que já só pousa os seus pés em ramos de azinheira, à semelhança da senhora de fátima que as três desgraçadas criancinhas daquela freguesia de Ourém foram ensinadas pelo clero a dizer que lhes apareceu durante seis meses, de Maio a Outubro de 1917, no decurso de um tosco teatrinho com tudo de vómito. A Petição não lhe tira o sono, porque um extra-terrestre como ele e a generalidade dos seus confrades, todos mais episcopais do que humanos, já não têm sono, não fazem chichi nem cócó, não comem nem bebem, vivem constantemente rodeados de anjos, arcanjos, querubins, serafins, nuvens e muitas pombas brancas, que preto é coisa de escravos, seres inferiores, sem alma, condenados a trabalhos forçados, carregados de pecados.

Foram tantos e tamanhos os sapos vivos que António Marto teve de engolir para poder ser bispo residencial da diocese mais desgraçada e mais corrupta do país, da Europa e do mundo ocidental, que nunca mais pôde voltar à sua anterior condição de filho de mulher, sensível aos demais, só mesmo a imagens de senhoras de fátima para todos os gostos e para todas as bolsas. Num negócio de lavagem de dinheiro sujo à escala global, que estado algum, polícia alguma se atrevem a investigar. Não vá uma nova pneumónica aparecer de repente e voltar a dizimar quantos “jacobinos” (a palavra é do bispo aos jornalistas) forem necessários, como a que, logo depois das “aparições”, dizimou, não os tais “jacobinos”, mas precisamente os dois irmãos “videntes”, Francisco e Jacinta, ele de 8 anos de idade, ela de 7 anos de idade. E, deste modo, deixou o clero de Ourém de mãos livres para poder fazer gato-sapato da única sobrevivente Lúcia, mantida quase analfabeta pelo resto da sua longa e amargurada vida de freira doroteia à força e, por fim, freira de clausura em Coimbra. Um cime inominável que uma previsível beatificação-canonização do papa de Roma ajudará indubitavelmente a encobrir para sempre. Como já aconteceu com o papa João Paulo II, fatimista e anti-ateísta primário, o maior cúmplice activo dos crimes de pedofilia de múltiplos clérigos católicos. E tudo, obviamente, em nome de deus, o do papa, do cristianismo e do seu cristo-poder financeiro.

Estranhamente, também o Director de VP-Voz Portucalense, Pe. Manuel Correia Fernandes, meu amigo pessoal, afina pelo mesmo diapasão do bispo de Leiria-Fátima, quando seria de esperar que, ou ignorasse a Petição Pública, ou se se lhe referisse, o fizesse no respeito pela inteligência e pelo contributo dos muitos subscritores, elas e eles, à cabeça dos quais figura o conhecido cantautor Pedro Barroso, cujos familiares, ao tempo das “aparições”, tiveram de conviver de perto com aquela vergonha e aquele crime clerical que envolveu três crianças, dois irmãos e uma sua prima, qual das três a mais tolhida de medo, incutido pelos padres pregadores da “Santa Missão” e pelos horrores contidos no Livro MISSÃO ABREVIADA. Um livro que, pelo menos, a mãe de Lúcia possuía em casa e lia às noites, à luz da vela (ainda não havia luz eléctrica nas casas nem nos caminhos, senhores!). Talvez não saibam, mas é esse sinistro livro que descreve o inferno de que fala a nova versão das “aparições” contida no livro “Memórias da irmã Lúcia”, iniciado a partir de 1935. E que fundamenta a criação da chamada Fátima 2, precisamente a que mais tem sido vendida ao mundo e hoje é já um dos mais obscenos ex-libris do turismo religioso nacional e mundial. Para vergonha de quem o promove e de quem lhe dá corpo.

“Esta é verdadeiramente – escreve CF na pg 15 de VP, 7 Dez.º 2016 – uma reação [sic, em conformidade com o novo (des)Acordo Ortográfico] do mais ridículo laicismo de alguma gente de pensamento superficial e incompleto”. Tal e qual. Pelos vistos, o pensamento profundo e completo é um exclusivo dos cristãos católicos fatimistas, entre os quais, curiosamente, não figura um único teólogo católico de craveira internacional, excepção feita à Universidade Católica Portuguesa que, como instituição sob a jurisdição da CEP, juntou os seus trapinhos aos do Santuário de Fátima, para a publicação conjunta em vários volumes do que titularam, “Documentação Crítica de Fátima”. Por sinal, uma documentação que o meu recente livro FÁTIMA $.A., Seda Publicações 2015, põe a nu e dela, Fátima 1 (1917-1930) e Fátima 2 (de 1935 até aos nossos dias) não deixa pedra sobre pedra . É imperioso ler o Livro para crer.

“Vivemos – escreve logo depois CF na sua Crónica – numa sociedade de estruturas laicas, e isso é normal e até positivo, porque permite as opções de cada pessoa ou de cada grupo.” Mas, logo adiante, apressa-se a distinguir e a atacar: “A laicidade é uma atitude saudável; o laicismo é uma atitude totalitária e portanto de tipo fascista, ou fascizante, persecutório, pretendendo abolir tudo o que saiba a sagrado e sobrenatural. É uma atitude vistas curtas e de horizontes fechados.” De novo, tal e qual. Vejam, pois, o desplante do Director de VP, semanário oficioso da diocese do Porto. Até parece que o terrorismo das “aparições” de Fátima, uma criação do cónego Formigão, então Professor do Seminário de Santarém, e do famigerado Pe. Lacerda, mais uns quantos párocos de Ourém, entre os quais, curiosamente, não se conta o pároco de Fátima em 1917 que, por via disso, veio a ser subsitituído por outro mais colaborante com o teatrinho das “aparições”, é um dos dogmas centrais da fé católica, quando, na verdade, não só não faz parte da fé, como é até o que há de mais contrário a ela. Mais ainda: Até parece que a igreja católica romana, com todos os seus dogmas, todas as suas seculares intolerâncias, todas as suas Cruzadas e Inquisições, todas as suas excomunhões, todos os seus “index”, todas as suas fogueiras a queimar “herejes” e “bruxas”, todas as suas guerras desencadeadas por papas e reis, seus vassalos, com o objectivo de “dilatar a fé e o império”, foram, são iniciativas, posturas libertárias, amigas dos povos, da liberdade de expressão e de crença. Francamente!

Nem o facto – perdoem-me a inevitável referência pessoal – de um dos subscritores da Petição Pública, ser eu próprio, presbítero-jornalista da igreja do Porto e autor dos dois livros mais teologicamente fundamentados, “FÁTIMA NUNCA MAIS, Campo das Letras 1999, e FÁTIMA $.A. Seda Publicações 2015, levou o Director de VP, bem como o bispo de Leiria-Fátima a conterem-se na reacção pública ao Texto da Petição que circula nas redes sociais, com destaque para o Facebook. Acham ambos que subscrever a Petição para que o papa não venha a Fátima legitimar a falsidade do milagre do sol e de outros acontecimentos ligados àquele “covil de ladrões” bem mais escabroso do que o templo de Jerusalém que Jesus Nazaré, em Abril do ano 30, classifica como tal, é o equivalente a combater. Mas combater é o que sempre tem feito a hierarquia da igreja que nunca suportou a humanidade não-cristã, muito menos a salutar e fecunda dissidência no seu seio e sempre fez da excomunhão e do anátema a sua principal arma contra os seres humanos, os povos e as outras fés.

Mas, meus dois amigos e irmãos, olhem que se trata apenas de uma Petição Pública (=um Pedido Público) dirigida ao papa Francisco. Não de um combate. O Texto limita-se a pedir, não excomunga, como sempre foi, é apanágio da igreja católica. Ainda que hoje, de modo mais simbólico e sibilinamente refinado, até para evitar fazer “mártires”, cujo sangue fatalmente cairia sobre ela e seus chefes empresários episcopais e paroquiais, monarcas absolutos, com as leigas, os leigos que ainda os frequentam, a seus pés. Todos acólitos atentos e reverentes. Uma vergonha institucional, absolutamente intolerável no terceiro milénio, felizmente, já pós-cristão.