CRÓNICAS DO QUOTIDIANO 2016-2015

 

Crónica 301

REFUGIADOS: QUEM MAIS SE AFUNDA E MORRE NO MEDITERRÂNEO?

Com a sua visita relâmpago à ilha de Lesbos na Grécia, o papa Francisco deu a estucada final na questão dos refugiados. A partir daí, deixaram de ser notícia, como eu próprio previ na altura numa destas minhas Crónicas. Os grandes grupos financeiros têm motivos de sobra para gostarem deste papa, da teologia paulina imperial que o move, à sua igreja católica romana e às demais igrejas cristãs. Os refugiados que insistem em buscar na Europa o que só dentro deles e nos seus próprios países pode ser encontrado, têm motivos de sobra para detestarem o Vaticano, a Comissão Europeia, o Parlamento Europeu. Entre eles e a Europa, há o Mar Mediterrâneo. Deveria unir-nos a todos numa grande e generosa comunhão política de esforços na construção de sociedades progressivamente humanas, sororais, vasos comunicantes. Em vez disso, está a levar-nos ao suicídio colectivo. Não são só os refugiados que se afundam no Mar e perdem a vida que sonhavam melhor na Europa. Somos também nós, os povos dos estados europeus, que nos afundamos num mar de solidão, depressão, alienação. Dois mil anos de cristianismo são dois mil anos de descriação dos seres humanos e dos povos. Que assim é o Dinheiro, o único Deus do cristianismo, mascarado de missas, peregrinações, rezas, santuários, nossas senhoras. Ninguém pode servir os seres humanos, os povos, e o Dinheiro. É o artigo 1.º da Constituição Política de Jesus Nazaré e do seu Evangelho. Contra ele, impôs-se, logo após a sua morte na cruz, o cristianismo de Pedro-Paulo-Constantino, disponível para servir exclusivamente o Dinheiro, com os povos, reduzidos à miserável condição de servos da gleba, escravos, coisas descartáveis. E a prova está aí bem à vista. Somos hoje seres humanos e povos em vias de extinção. Que o Dinheiro é um deus cruel. Devora os povos que o servem-cultuam, ateus ou crentes, tanto faz. Os institucionais em que historicamente subsiste são outros tantos covis de ladrões, ninhos de víboras, veneno mortal. Depois dos dois milénios de cristianismo, somos hoje vida consciência em vias de extinção. Multidões e multidões sem guias sábios, maiêuticos. Só guias cegos e mercenários. Disponíveis para roubar, matar e destruir os seres humanos, os povos, o planeta. OTerceiro Milénio, se o quiser ser, tem de cortar cerce com o cristianismo, a sua teologia paulina-imperial e acolher-praticar o Projecto político maiêutico de Jesus Nazaré, a sua Fé, a sua teologia. Ou nunca o chega a ser!

3 Junho 2016 https://www.youtube.com/watch?v=8BcIEkWO1dg

Nota:

Esta é a última das minhas Crónicas do quotidiano. Depois da próxima pausa em Julho-Agosto, com muito do meu tempo na Montanha a escutar o Vento-Ruah de Jesus, saberei como preencher as sextas-feiras de cada semana. Até lá, há sempre a possibilidade de se regressar a estas Crónicas no Fb ou no Youtube.

Crónica 300

QUEM TEM MÃO NO PRESIDENTE MARCELO?

Está confirmado. Ninguém tem mão no PR Marcelo Rebelo de Sousa. O comentador semanal já não está mais confinado a um canal de tv. Agora é o comentador de serviço diário em todos os canais. Uma perigosa banalidade, portanto. Sempre com aquela áurea de infalível. Vestido de presidente da república que em boa verdade sempre foi, quando era comentador e professor de Direito Constitucional. Corre Ceca e Meca para entrar todos os dias nas casas e nos cafés do país. Não porque goste das pessoas. Porque gosta dele. Quando fala de afectos, faz propaganda. Campanha eleitoral. Como aqueles actores publicitários já com idade para serem reformados que dizem um ao outro que têm um amigo secreto que os faz juvenescer, não envelhecer. Deixam a impressão de que lhes interessa o produto. Interessa-lhes o dinheiro que ganham, ao darem a cara por ele. O PR Marcelo é simultaneamente o produto e o publicitário do produto. Dois em um. Sempre foi assim desde a infância-adolescência. Nasceu colonialista ou ultramarino e hoje é o PR de Portugal, o chefe de Estado, o Comandante supremo das Forças Armadas e de Segurança. Pau para toda a colher. Correu a visitar o Papa de Roma. Desfez-se em mesuras e saiu da audiência com uma áurea semelhante à do Moisés bíblico, quando desceu do Sinai, como se tivesse acabado de estar com deus, o dos católicos. Antes disso e logo no dia da tomada de posse, fez questão de estar com Alá, o deus dos muçulmanos e dos jhiadistas, num culto ecuménico. Já viajou até Moçambique, com todos os canais de tv na comitiva e, ddurante uns dias, foi o presidente dos moçambicanos da Frelimo e da Renamo, um feito que nem o presidente de Moçambique conseguiu até agora. Dançou com crianças, encantou as mulheres, ao ponto de algumas dizerem às tvs que nunca o presidente de Moçambique foi assim tão próximo delas como ele. Quando já se pensava que ele ia ser o presidente de Portugal e de Moçambique, apressou-se a regressar a Lisboa. Sabe que Moçambique e Angola foram colónias de Portugal no tempo do seu paizinho e podem continuar a ser com ele, seu filho, só que agora com a máscara de dois Estados independentes. O colonialismo está-lhe no sangue, como o catolicismo cristão. Os que o elegeram e os que não, que se cuidem. O Governo de Portugal é ele. O Parlamento de Portugal é ele. A igreja católica em Portugal é ele. A UE é ele. O papa de Roma é ele. Se duvidam, só têm de esperar para ver!

27 Maio 2016 https://www.youtube.com/watch?v=F4WG9WyPj1Y

Crónica 299

O QUE MOVE O CARDEAL MANUEL CLEMENTE?

Era bispo auxiliar do Patriarcado de Lisboa. Saltou daí para o Porto, como bispo titular. Tomou posse com inusitada pompa e circunstância, como quem veio para ficar até à idade de passar à condição de bispo emérito, mais uma das muitas bizarrias clericais católicas romanas. De repente, e sem qualquer convicção teológica pessoal, surpreendeu tudo e todos, pela negativa, quando decidiu lançar mão da imagem da senhora de fátima e pô-la a peregrinar pelas muitas paróquias da diocese. Um truque pseudo-pastoral que resulta sempre, sobretudo, quando não se quer assumir em pleno o ministério de bispo da Igreja de Jesus, que é ajudar maieuticamente a mudar as mentes-consciências das populações, e muito menos se quer ir às causas estruturais do Mal organizado, como faz, em seu tempo e país, Jesus Nazaré, o filho de Maria. É óbvio que, quando um bispo ou presbítero tem ambições carreiristas dentro do sistema eclesiástico, o mesmo que asfixia-mata a Igreja de Jesus, nada mais indicado do que entreter as massas católicas com a imagem da senhora de fátima e, através dela, congregar-anestesiar as multidões mais desamparadas, deprimidas, sem nunca ter de ir às causas do Mal. Consegue, assim, que até os causadores do Mal compareçam à chamada e ajudem a financiar com parte do muito dinheiro roubado, acumulado todas aquelas passeatas e liturgias onde o bispo é o sumo-sacerdote, na continuidade dos sumos-sacerdotes de Jerusalém, os mesmos que prendem, julgam, condenam Jesus à morte e exigem a Pilatos que execute a sentença ao modo das execuções do Império de Roma, a morte na cruz. Foi assim o bispo Manuel Clemente nos 6 anos de Bispo do Porto. Só quando o viram levantar voo e aterrar de novo no Patriarcado de Lisboa, com a garantia de ser o próximo cardeal, é que os clérigos do Porto perceberam que outros eram os seus objectivos, quando viera para cá. Acumula actualmente o cargo de presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, com todos os outros bispos residenciais subservientes e todos devotos da imagem da senhora de fátima; assume sem pudor posturas públicas de classe a favor das minorias dos privilégios; detesta ostensivamente o actual Governo, discorda publicamente do papa em questões de moral sexual e matrimonial; não mexe um dedo a favor dos refugiados e desempregados, só manda os católicos rezar! O que o move? Suceder ao actual papa e impor a imagem da senhora de fátima a todo o mundo católico e não católico? Só pode!

20 Maio 2016 https://www.youtube.com/watch?v=BrtP3hB5jcc

Crónica 298

TODOS OS CAMINHOS VÃO DAR A FÁTIMA?

Diz-se por aí, jornais, rádios, tvs incluídos, que todos os caminhos vão dar a Fátima. Não vão! Os 6 milhões de “peregrinos” que, no propagandear do próprio Santuário S.A. rumam até lá, cada ano, a maior parte deles, utentes do turismo religioso nacional e internacional, são pouco mais de metade da população residente em Portugal. Uma pequeníssima percentagem da população da Europa e um quase-nada da população mundial. Em 2017 – o dos 100 anos de toda aquela mentira e crime que o clero de Ourém impunemente praticou, entre 1917 e 1930 (Fátima 1), e a partir de 1935 até aos nossos dias (Fátima 2), apoiado pelos famigerados Cónego Formigão, professor do Seminário de Santarém, Pe. Lacerda e o bispo de Mitilene, à frente do Patriarcado, em substituição do bispo titular no exílio – serão obviamente muito mais, graças ao “efeito papa Francisco”, a comprovar assim que ele não tem um pingo de vergonha na cara. O que inicialmente pretendeu o cllero de Ourém e seus apoiantes na rectaguarda, com o teatrinho das “aparições”, foi restaurar a diocese de Leiria e mobilizar os católicos para a reza do terço e a frequência da missa aos domingos, crescentemente em desuso, por influência da República, então com 7 anos. Depois da quase imediata restauração da Diocese e da morte dos irmãos Francisco e Jacinta, duas das 3 crianças utilizadas por eles naquele teatrinho, e do quase “rapto”, alta madrugada, de Lúcia, 14 anitos, condenada por eles a ser freira até à morte, tudo ficou mais fácil para os bispos católicos criarem a Sociedade Anónima que hoje Fátima é. São crimes e crimes de lesa-humanidade e de lesa-Deus, o de Jesus, nunca levados a um tribunal, nem sequer de Opinião Pública, e branqueados pelo cristianismo de Pedro-Paulo-Constantino, imperador de Roma, expressamente criado para branquear o horrendo assassinato de Jesus Nazaré na cruz do império, convertido por ele no maior sacrifício de redenção da humanidade! Apesar disso, o cristianismo sempre tem contado com o apoio incondicional do poder político-financeiro, o seu filho unigénito, que, juntamente com as religiões e as igrejas cristás, formatam as mentes das multidões e arrastam-nas para os grandes santuários S.A. e os grandes estádios de futebol. Os meus livros FÁTIMA S.A. Seda Publicações 2015 e FÁTIMA NUNCA MAIS, Campo das Letras 1999, põem tudo a nu. Corram por eles, por mais que se danem as hierarquias católicas e o Vaticano, cujas mãos e consciências andam permanentemente sujas de sangue!

13 Maio 2016 https://www.youtube.com/watch?v=VcUS0xiv26E

Crónica 297

COMO MUDAR DE SER E DE DEUS?

Perante o rumo para o abismo que este nosso mundo está demencialmente determinado a seguir, tenho reiteradamente advertido que ou mudamos de ser e de Deus, ou perecemos. O meu alerta está longe de ser catastrofista. É manifestação de lucidez cordial, cada vez mais ausente, senão mesmo totalmente ausente, nos filósofos, teólogos, intelectuais em geral, elas e eles, da nossa praça, apanhados já pelo vírus da ideologia-teologia do Mercado e do seu deus, o Dinheiro. O mal é estrutural e global. Atravessa todas as sociedades, todos os povos, todas as culturas. E corre sérios riscos de não-retorno. Neste caso, nascemos, crescemos, vivemos, agimos para nada. Acabamos planetária e desoladora Descriação. Anti-Big-bang. Não se pense que é um mal estrutural só de hoje. É já de séculos, milénios. Acontece no decurso da Evolução, com o aparecimento dos animais racionais. Não é que o Racional em si seja mau. É um avanço qualitativo na Evolução, quando indissociável da Responsabilidade, uma vez que, com o seu aparecimento, o Planeta e o Cosmos passam a depender totalmente das escolhas, decisões dos seus portadores. Sempre que estas escolhas, decisões se apresentam desacompanhadas dos Afectos, da reciprocidade maiêutica, da relação social e politica ao modo dos vasos comunicantes, de cada um segundo as suas capacidades, a cada um segundo as suas necessidades, acabam inevitavelmente homicidas, suicidas. E, por fim, também geocidas. Impera sempre e só a lei do mais forte, do chico-esperto, numa palavra, do Poder. O Racional sem afectos é intrinsecamente descriador. Pára o Processo da Evolução, iniciado com o Big-Bang. Deixa de haver movimento. Só águas paradas. Muita quantidade, nenhuma qualidade. Tudo o que projectamos, realizamos com ele apresenta-se sem a marca da vida, da fecundidade, exclusiva dos afectos, da reciprocidade, dos vasos comunicantes. Acabamos todos sem Comensalidade. Meras mercadorias. Aqui nos trouxe a ideologia-teologia do judeo-cristianismo-islamismo, o Racional puro e duro. Mudar de ser e de Deus é ousar viver neste tipo de mundo sem jamais sermos dele. Semelhante feito, só se consegue se formos opcionalmente pobres por toda a vida, maieuticamente religados uns aos outros. Praticantes da Fé, da Teologia e da Política de Jesus, o filho de Maria. Plena e integralmente humanos quanto ele.

6 Maio 2016 https://www.youtube.com/watch?v=5PNl6_NZcDc

Crónica 296

QUE MAIO, QUE ABRIL?

Enquanto o Capital, o filho primogénito do cristianismo, continuar ao comando do mundo, não há, não pode haver pleno Abril, pleno Maio. Há umas comemorações, mais ou menos litúrgicas, a modos de missas laicas, e com resultados iguais aos das missas presididas por clérigos nos templos paroquiais e nas catedrais das dioceses: – Nenhuns! A máquina do Tempo não pára e, com o passar dos anos, vamos de mal a pior. Por mais que mudem os governantes à frente dos Estados e os clérigos à frente das paróquias e das dioceses. O Capital, ao contrário de nós, não dorme nem festeja. Cria as liturgias religiosas nos templos e as laicas nas praças e avenidas para as populações e os povos, mas ele não frequenta nem umas nem outras. Enquanto ficamos entretidos com todas estas múltiplas liturgias financiadas por ele, o Capital reforça-se e ao seu poder monárquico absoluto em todas as frentes do planeta, sem deixar nada ao acaso. O próprio calendário é criação dele. Durante séculos e séculos, foi exclusivamente litúrgico, no sentido religioso, cristão. Hoje é também laico, ainda que as nossas cabeças, ateias incluídas, continuem acentuadamente marcadas pelo calendário litúrgico religioso, cristão. E assim será, indefinidamente, a menos que, como Jesus Nazaré, o filho de Maria, ousemos protagonizar na História irreversíveis rupturas políticas antropológicas-teológicas nas nossas próprias mentes-consciências e, simultaneamente, nas sociedades. É a mais difícil das revoluções, mas a úniica que nos muda e muda o mundo. Enquanto não matarmos-decapitarmos nas nossas mentes-consciências o Capital, ele comtinua aí a pôr e a dispor dos povos a seu bel prazer, como o dono disto tudo, também e sobretudo, das mentes-consciências dos povos. Com o papa de Roma e seus vassalos, os chefes das nações, como seus indefectíveis executivos. São as nossas mentes-consciências que têm de mudar de dentro para fora. Têm-nos faltado, para tanto, simplicidade e sabedoria bastantes, as duas armas da Vida de qualidade e em abundância. Superabundam-nos, em contrapartida, complicação e saber, as duas armas da ambição que o Capital bem conhece. Ou mudamos de ser e de Deus, ou afundamo-nos nesta cada vez mais apagada e vil tristeza. Por mais Abris e Maios que celebremos-festejemos. Sob a bênção do Capital e seus executivos, o papa de Roma e os governos das nações.

Crónica 295

MAS AOS REFUGIADOS, SENHORES, POR QUE LHES DAIS TANTAS DORES?

O Papa foi mostrar-se por umas horas a alguns refugiados na ilha de Lesbos. A esmagadora maioria deles, dessa ilha e de outros locais onde conhecem indignidades sem conta nem medida, não viu o papa. A visita não os teve em conta. Em boa verdade, tão pouco teve em conta os poucos refugiados com os quais se encontrou por fugazes momentos. O objectivo da sua visita era outro. A Europa que é a grande geradora deste tipo de refugiados, tem dado falsos sinais de querer acolhê-los, como mão de obra barata. Mas o que verdadeiramente pretende é que eles continuem a suicidar-se no Mar Mediterâneo. Aos muitos milhares que surpreendentemente têm sobrevivido, trata-os abaixo de cães perdidos sem coleira, sem dono. Para que morram de desprezo, de frio, de desespero, de humilhação, de sede, de fome, por entre dejectos humanos a céu aberto e inevitáveis doenças. A desolação e a indignidade das condições do dia a dia de milhares e milhares deles são tais, que já nos remetem para o genocídio dos seis milhões de judeus e não-judeus assassinados nas câmaras de gás nazis. Com esta sua fugaz visita, a que se juntaram outros dois papas menores da igreja ortodoxa, predominante na Grécia, numa macabra ostentação de vaidade ocidental cristã, o papa chefe de estado do Vaticano fez o papel sujo que lhe compete, como a grande referência dos hipócritas valores morais e religiosos do Ocidente cristão. Não foi lá com soluções, que as há. Foi com as habituais encenações em que é perito e que deixaram os refugiados ainda mais à beira de morrer lentamente de ignomínia nesta mesma Europa que os gerou e lhes acenou com falsos acolhimentos. Não há horrores na História dos povos, como os dos 20 séculos de cristianismo. Pior do que todas as outras tiranias e ditaduras da história, é a tirania e a ditadura do cristianismo, filho do judaísmo davídico e pai, juntamente com ele, do islamismo. Os três como um só, sob o comando do papa de Roma, sucessor dos imperadores romanos, são o horror dos horrores. Os refugiados condenados pelos senhores a morrer lentamente com requintes de sadismo, mascarado de “misericórdia” e de gestos protocolares do papa de Roma, são o seu mais recente horror. Não o último nem o mais cruel. Continuemos a deixar à solta a ideologia-teologia do cristianismo, e veremos que estes 20 séculos de horrores são tão-só o começo das dores.

22 Abril 2016 https://www.youtube.com/watch?v=f8eV6tmaCG0

Crónica 294

LIBERTADORES OU CONQUISTADORES?

Messias, messianismos são libertadores ou conquistadores? Eis a grande questão antropológica-teológica que atravessa os séculos e que, nestes nossos dias, mais se faz sentir. Agudamente. Se atentarmos bem nos nefastos efeitos que estão a causar aos seres humanos, povos e planeta, bem se pode concluir que todos são conquistadores. Apresentam-se sob as máscaras (= pessoas) de libertadores-salvadores e, com isso, arrastam as populações mais empobrecidas e oprimidas, juntamente com as minorias mais preparadas para serem seus futuros funcionários privilegiados. Uma vez Poder, deixam cair as máscaras e mostram-se tais quais são, conquistadores, opressores, ladrões, assassinos. Os factos históricos não enganam. Mas os grandes media, os governos, as Escolas, as religiões-igrejas cristãs, controlados pelos conquistadores-vencedores e suas elites privilegiadas, enganam e de que maneira. Levam os seres humanos e os povos a saudá-los, aplaudi-los nas ruas e nas praças. Dos vencidos não reza a História. Só dos vencedores, entronizados nos palácios do Poder, os de cada um dos três poderes. Tem sido assim, desde o início da Humanidade. Porém, messias, messianismos só florescem no universo dos mitos e dos delírios, de onde provêm também todos os Livros sagrados, como a Bíblia e o Alcorão. Ou nos livramos de todos eles e, como Jesus, bebemos directamente da fonte que é a realidade-verdade histórica, ou não saímos nunca desta planetária casa de opressão do omnipotente, omnisciente e omnipresente deus Dinheiro, o descriador-mor dos seres humanos, povos e planeta, demencialmente servido por sacerdotes-pastores, políticos profissionais, grandes grupos financeiros. Quem diz messias, messianismos, diz cristos, cristianismos. Dois conceitos distintos, um hebraico, outro grego, a mesma realidade. São messiânicas, todas as igrejas cristãs, religiões. E são cristãos, todos os messianismos. Conquistadores vencedores dos seres humanos e dos povos. Ou lhes resistimos até ao sangue e somos seres humanos e povos, política e maieuticamente religados, sem quaisquer intermediários, ou somos seus súbditos do nascer ao morrer. No estatuto de subservientes minorias privilegiadas, ou no de maiorias enganadas-roubadas de tudo, até da voz e da vez.

15 Abril 2016 https://www.youtube.com/watch?v=HmBNZjfVbHk

Crónica 293

O QUE ESCONDEM AS REVELAÇÕES DOS PAPÉIS DO PANAMÁ?

Desengane-se quem ainda pensa que as revelações a conta-gotas feitas por jornalistas a partir duma overdose de Papéis do Panamá são um rude golpe no inabalável poder financeiro global. Admiti-lo é o cúmulo da ingenuidade política. No universo do poder financeiro global, nada acontece de relevante que não tenha a maozinha dele. Ignoramos que ele é muito mais omnipotente, omnisciente, omnipresente do que o deus da Bíblia-Alcorão? Que, à beira dele, o deus da Bíblia-Alcorão é um tigre de papel, criado para entreter-adormecer-alienar-infantilizar multidões possessas de ancestrais medos, por isso, politicamente desmotivadas, numa desesperada luta pela própria sobrevivência e a dos seus filhos? Ignoramos que os grandes media do mundo são propriedade do poder financeiro global e que os seus jornalistas estão ao serviço dele e dos seus interesses? Alguma vez, se lhes permite dar tiros nos próprios pés? Não são todos abatidos na hora? Continuamos a não ter em conta a martirial revelação de Jesus Nazaré (cf. João 10) de que o poder financeiro está aí só para roubar, matar, destruir tudo e todos quantos não cooperarem com ele? Quem paga aos jornalistas que, há mais de um ano, têm estado a trabalhar, em sigilo, os Papéis do Panamá? Uma máquina informativa desta envergadura pode existir em autogestão? Não tem por trás o poder financeiro global, empenhado em derrubar impérios semelhantes a ele que ideologicamente lhe resistem e são um estorvo às suas ambições de poder monárquico absoluto, à escala global? Somos tão politicamente ingénuos e cegos, que aceitamos que um jornal como o Expresso trabalhe para derrrubar o universo do poder financeiro global? Não é, uma vez mais, a UE, o Ocidente judeo-cristão financeiro, a sua Nato, o seu império USA-alemão e o Vaticano, que saem a ganhar com esta mega-batalha informativa, muito mais assassina das mentes-consciências dos povos do que as bombas que, entretanto, continuam a despejar sobre a Síria e outras zonas do planeta? Não urge desviar as nossas atenções do genocídio dos refugiados que, aos milhares, vêm desaguar em Lesbos, onde o papa vai brevemente encenar mais uma dramatização e lançar hipócritas apelos à misericórdia? De que valem leis e mais leis anti-corrupção, se recusamos decapitar o grande Capital nas nossas próprias mentes-consciências e nas das novas gerações?

8 Abril 2016

P.S.

A este respeito, não deixem de ler-debater o meu mais recente Livro, 14 CARTAS AO PAPA, Seda Publicações, Março 2016 https://www.youtube.com/watch?v=vfh9g6YgzlY

Crónica 292

LÁGRIMAS DE LUTO? POR QUE NÃO DE RAIVA E DE CÓLERA?

12 cadáveres. É tudo o que sobra daquele brutal e estúpido acidente – mais estúpido do que brutal – em vésperas da páscoa de calendário da igreja católica romana, sem dúvida, uma das suas causas próximas. Nunca choraremos bastante esta tragédia multiplicada por 12 que afecta várias aldeias católicas do norte de Portugal. Não me digam que é o destino. Muito menos, a vontade de Deus. E se quiserem dizer, acrescentem de imediato que é a vontade do Deus do cristianismo e o destino dos cristãos que insistem em confiar nele e na sua boneca de Fátima, em lugar de cuidarem deles próprios, uns dos outros e do planeta. Desde que impunemente se ensina, logo em criança, que a morte é castigo de Deus, o da Bíblia judeo-cristã-Alcorão, abre-se camnho a falarmos em destino e vontade de Deus, para nos desculparmos dos próprios erros, resultantes do clamoroso défice de responsabilidade e de dignidade que nos faz aceitar viver por toda a vida resignados e sem um pingo de raiva e de cólera políticas em condições degradadas e desgradantes, que fazem chorar de sangue e de vergonha as próprias pedras da calçada. A carrinha acidentada transportava 13 pessoas emigrantes na Suíça, rumo a várias aldeias de Portugal, onde pretendiam receber-beijar a cruz, anacrónico instrumento de tortura do império romano-cristão, com as suas famílias. Por uma estrada de França, sai da sua faixa de rodagem e vai chocar de frente com um camião. O facto tem tudo de suicídio colectivo. Dói ter de o escrever, mas só a verdade nos faz crescer de dentro para fora em humano, por isso, em dignidade-responsabilidade. E dignidade é o que mais falta nesta deslocação a Portugal. As 13 pessoas demitiram-se da sua condição de seres humanos. Nenhuma tem o bom senso de recusar viajar em condições tão indignas. O que mais pesa em todas elas na hora de decidir, é o baixo custo em euro da viagem de vinda e de volta. Para cúmulo, sob a condução de um jovem de apenas 19 anos. Na raiz de semelhante decisão – tem de se dizer – está a fé religiosa e cristã que estupidamente valoriza mais a humilhação e o sofrimento humanos e o dinheiro, do que a dignidade e bem-estar dos que se dizem seus crentes. Para cúmulo, ainda aparecem, na hora dos funerais, uns clérigos sacerdotes com a cruz do seu Cristo a presidir, o que perfaz o cúmulo da ignomínia. Vomitemos de raiva e de cólera. E dispensemos duma vez por todas estes abutres clericais e os seus símbolos de tortura. É mais do que hora!

1 Abril 2016 https://www.youtube.com/watch?v=WDm0Quzne0g

Crónica 291

QUANDO PASSAMOS DE CRISTÃOS A SERES HUMANOS?

Continuamos a deixar-nos infantilmente guiar pelo calendário litúrgico das igrejas cristãs, com destaque para a católica romana. Nem os mais macabros acontecimentos da actualidade desviam as igrejas cristãs um milímetro do seu rigoroso cumprimento. As fastidiosas encenações litúrgicas são para elas a única realidade. Por maléfica influência delas, acabamos, muitos de nós, a fazer dos macabros massacres destes dias outras tantas encenações litúrgicas. Sem nos apercebermos de quão cínicos, cruéis, obscenos somos. Enchemos os locais dos massacres de ramos de flores, velas, cartazes, símbolos. A prova provada de que ainda não descolamos do Infantil, onde a fé religiosa-cristã nos mantém. Temos medo, muito medo, de crescer de dentro para fora e de vivermos a História como se Deus não existisse. Perante a macabra realidade, corremos logo a matá-la com ritos, encenações litúrgicas laicas e missas, sempre as mesmas, presididas por clérigos de topo, a negação viva, eles próprios, do Ser Humano. Sem advertirmos que nelas nos são servidas overdoses de anestesia que nos leva a cair nos braços uns aos outros, sem depois querermos saber mais uns dos outros, até ao próximo massacre. O calendário cristão é o que há de antropologicamente mais absurdo e opaco. Transforma a cruel e sádica realidade, em mera encenação. Até a cruz, instrumento de tortura do mais cristão dos impérios, o romano, é sadicamente convertida em símbolo de redenção-salvação do mundo. O que perfaz a entronização-canonização do absurdo-grotesco-estúpido-imbecil. São assim as sucessivas páscoas cristãs, impostas pelo calendário católico romano. Negadoras, todas elas, da realidade-verdade histórica. Só a páscoa de Jesus Nazaré, o filho de Maria, ocorrida numa sexta-feira de Abril do ano 30 em Jerusalém, nos faz PASSAR de cristãos a seres humanos. Ao praticá-la, saímos do infantil em que a fé religiosa-cristã nos mantém e enfrentamos desarmados as causas económicas, políticas, ideológicas-teológicas dos múltiplos massacres. Como mulheres, homens ontologicamente habitados por Deus, mas historicamente sempre sem-Deus, por isso, maieuticamente religados uns aos outros. Totalmente empenhados na edificação de um mundo outro integralmente humano, de cada um segundo as suas capacidades, a cada um segundo as suas necessidades. É esta a páscoa que vivo e vos desejo.

P.S.

Segundo o calendário cristão católico, hoje, sexta-feira santa, é simultaneamente o dia da anunciação do anjo a Maria a dizer-lhe que, daqui a 9 meses, dará à luz um filho, o mesmo, cujo enterro é encenado ao início desta noite nas ruas da velha cidade de Braga e outras cidades da Europa. Querem absurdo maior do que este?

25 Março 2016 https://www.youtube.com/watch?v=wUlcng-ThVk

Crónica 290

QUE EUTANÁSIA MAIS HAVEMOS DE TEMER-PENALIZAR?!

Há um tipo de eutanásia sobre a qual ninguém fala. É a mais praticada e a que mais mata. Impunemente. As religiões-igrejas cristãs são campeãs neste tipo de crime. Juntamente com os demais poderes que têm garantida à partida a bênção de todas elas, porque mais não são do que os seus braços compridos no campo secular, o único que as novas gerações pós-cristãs e pós-religiosas hoje frequentam. Tanto que as próprias religiões-igrejas, em desesperada luta pela sobrevivência, acabam também seculares. Com o Dinheiro como o único deus, já bem alojado na mente-consciência das gerações mais novas e mais velhas, também elas existem para o servir e adorar, só que hoje de forma cada vez mais descarada. Nunca souberam de outro deus. A diferença entre elas e os outros poderes reside na linguagem e nos modos de operar. Mas, até nisto, elas estão a mudar. Ainda chamam santuários e basílicas aos seus locais de perversa doutrinação e de culto, mas o objectivo é o mesmo: – fazer crescer o Dinheiro nos seus cofres e os seus fiéis diminuir. Sempre foi assim, mas quase só os sacerdotes e os pastores sabiam disso. As populações, obrigadas a frequentar regularmente, sob ameaça de castigo eterno no inferno, esses lugares tidos por sagrados e santos, sentiam-se esmagadas perante toda aquela grandeza-riqueza e caíam por terra, a tremer e a bater no peitto. Tinham-nos por casas do Deus todo-poderoso, grande, rico, servido por invisíveis legiões de anjos. Já então esse deus era o Dinheiro, só que vestido de religioso e cristão, perante o qual elas nada podiam fazer, a não ser gemer e chorar. O primeiro e o último ser humano a dar-se conta desta Perfídia instituída é Jesus Nazaré, o filho de Maria. Quando vê que até as viúvas pobres são levadas a deixar no tesouro dos santuários o último cêntimo, não hesita em pôr o nome aos bois. Chama “covil de ladrões” aos santuários e, aos que neles pontificam, mercenários, que existem só para roubar, matar, destruir as populações (cf. João 10, 7-15). Como o fazem? Não saem por aí aos tiros como os aprendizes de “terrorista”. Alojam-se cientificamente na mente-consciência das populações e matam-nas. É esta eutanásia que, hoje e sempre, mais havemos de temer-denunciar-penalizar.

18 Março 2016 https://youtu.be/fPqj_QYNHHQ

Crónica 289

QUEM SAI A PERDER E A GANHAR COM O PR MARCELO?

Comporta-se como rei. O rei dos reis. Como senhor. O senhor dos senhores. Como papa. O papa dos papas. Como deus. O deus dos deuses. Obviamente, só em Portugal, este pequeno país que, desde 1143, jamais conseguiu “matar o pai”, em sentido freudiano. Concretamente, deixar de ser o vassalo dos clérigos que, juntamente com os seus compinchas laicos, sempre tiveram as populações, criminosamente mergulhadas no mais primitivo infantilismo cultural e como capachos dos seus pés. Condenadas a ter de trabalhar no duro para os engordar com dízimos e impostos e a ter de aplaudi-los, sempre que trocam os palácios onde vivem por supervigiados banhos de multidão. Ele sabe – mas o que é que Marcelo não sabe?! - que já nascemos vassalos do papa e de todos os seus representantes religiosos e laicos. Fosse Marcelo politicamente honesto com a realidade; colocasse as práticas político-sociais correctas – ortopraxia – à frente dos discursos e das encenações – ortodoxia – em que é maquiavelicamente perito, e nunca teria concebido a tomada de posse como a concebeu e executou ao milímetro. Portugal sou eu – terá dito, no final do dia 9 de Março 2016, quando, antes de se deitar, se viu ao espelho. Conseguiu mostrar urbi et orbi que em Portugal, só ele é. Todos os mais, graúdos íncluídos, não passam de figurantes. A única coisa, de resto, que sabem ser-fazer, para sua vergonha e perdição de quantas, quantos ainda embarcam nos seus envenenados exemplos. A avaliar pelo primeiro dia do novo PR, todos saímos a perder. A “raposa” Marcelo, qual rei Herodes do tempo histórico de Jesus (cf. Lucas 13, 31-33), conseguiu até a perversa proeza de alojar-se na mente-consciência das populações suas vítimas, como o cristo-salvador delas e da pátria, quando é o chefe supremo de todas as máfias que impunemente operam em Portugal, a maior das quais é o cristianismo, com destaque para o romano, com o seu todo-poderoso Estado do Vaticano. Já no que toca às pequenas máfias partidárias, pode dizer-se que saem a ganhar AntónioCosta, o chefe vencedor do PS e os seus aliados. Saem a perder PedroPassosCoelho, o chefe derrotado do PSD na AR, e o próprio PSD sem um líder credível à altura. É só esperar para ver!

11 Março 2016 https://www.youtube.com/watch?v=hCncu2mgFwY

Crónica 288

BISPOS, PÁROCOS, PASTORES, IMÃS, PARA QUE VOS QUERO?

A pergunta é provocadora. Haverá, até, quem veja nela estúpida agressão a uma casta de pessoas, tidas por sagradas e acima de qualquer suspeita. Pessoas tabú que devem ser tratadas com pinças, porque da área do divino. Tocar-lhes, é uma profanação que pode custar a vida, o bom nome, a quem o faz. Os livros que usam em exclusivo são “sagrados”. Conferem-lhes poderes que os demais nascidos de mulher não temos. Falta-nos aquela aura de sagrado que só mesmo papas, bispos residenciais, párocos, pastores de igreja, imãs e outros líderes religiosos têm. São os representantes exclusivos de deus na terra. Sem eles, nem deus comunica com as populações, os povos, nem as populações, os povos comunicam com deus. É por tudo isto e muito mais que tem de se dizer que as religiões são o que há de mais absurdo à face da terra. Como absurdos são os seus funcionários, quanto mais do topo, pior. O problema é que paira sobre elas e seus chefes um pacto de silêncio que tolhe os próprios ateus. As religiões vêm já dos primórdios da humanidade, quando o Medo era o envenenado comer-respirar dos povos, e as deusas, os deuses, aterrorizadores fantasmas omnipresentes. Somos já terceiro milénio, mas tudo continua como então, sob novas roupagens-linguagens. Tudo lhes é permitido. Podem ser máfias e covis de ladrões, os seus templos-basílicas-santuários; pedófilos, os seus funcionários; mentirosas, as suas doutrinas-catequeses-teologias; hipócritas, as suas leis morais; crimes públicos, os seus cultos; anestesiantes, todas as suas falas. Podem! Ninguém lhes vai à mão. Nem sequer vemos que a Lei da liberdade religiosa é a porta larga do crime sagrado, concretamente, a continuada manipulação das mentes-consciências das populações; que o deus das religiões é o pai de todos os males; que os seus funcionários são todos agentes do Mal, travestidos de rezas e caridadezinha. Ou ignoramos que são os chefes religiosos que crucificam Jesus, o filho de Maria, o Ser Humano por antonomásia e, depois de tudo já consumado, ainda correm a converter este seu hediondo crime no maior sacrifício de redenção da humanidade? E nem assim vemos que as religiões são o absurdo dos absurdos?!

4 Março 2016 https://www.youtube.com/watch?v=ajMlaWZ15h8

Crónica 287

O PSD AINDA EXISTE OU É JÁ SÓ PPC?

Depois de 4 anos de desastrosa governação do país, sempre de joelhos diante dos grandes financeiros de Bruxelas e do mundo, nem a coligação pré-eleitoral “Portugal à frente” que assinou com o CDS de PauloPortas, parceiro na desastrosa governação, evitou uma derrota com amargo sabor a vitória nas urnas, logo seguida de outra derrota no Parlamento, infligida, desta vez, pela maioria de deputados de Esquerda. Ainda aceitou ser indigitado primieiro ministro pelo PR Aníbal, mas sucumbiu com estrondo no Parlamento, juntamente com o governo que formou às pressas. Nem assim PPC se deu por vencido. Politicamente míope, medíocre, estéril, ambicioso, acha-se o salvador do país e nem por um momento aceita a derrota. Muito menos, tem a sensatez de colocar o seu lugar à disposição do Partido. No seu íntimo, continua a ver-se como o cristo invicto do PSD, ele próprio, o PSD. Nem o fim da Coligação “Portugal à frente”, seguida da maquiavélica retirada da chefia do CDS do seu parceiro na desastrosa governação do país foi suficiente para trazê-lo à realidade. Acha-se o vencedor nas urnas e não se conforma com a derrota no Parlamento. Comporta-se por isso como se fosse ainda o primeiro ministro em funções. Desdobra-se em contactos pelo país, diz-se candidato a um novo mandato à frente do Partido e, simultaneamente, ao lugar de primeiro-ministro; agita a bandeira do que chama a social democracia, e não há ninguém no partido ou na família que o convença a parar, ir de férias com a mulher e, assim, deixar o Congresso escolher outro líder. Provou toda a esterilidade e mediocridade que é o Poder monárquico absoluto, e já não é capaz de regressar à sua condição de ser humano, filho de mulher. Chega a meter dó, sozinho na sua teimosia de voltar a ser o primeiro-ministro. Entretanto, e com pesar seu e do PSD que neste momento é só ele, o OE 2016 acaba de ser aprovado no Parlamento. O novo timoneiro do governo do país bem tenta, como a Grécia, falar grosso na UE, mas os grandes financeiros que mandam no mundo só esperam a melhor ocasião para lhe darem o xeque-mate, já que são por natureza mentirosos, ladrões e assassinos!

26 Fevereiro 2016 https://www.youtube.com/watch?v=IZER8R9q1m4

Crónica 286

O QUE LEVA UMA MÃE A ENTREGAR AO MAR AS SUAS DUAS FILHINHAS?!

Decididamente, este tipo de mundo não é local para alguém conceber e dar à luz. Conceber e dar à luz filhas, filhos neste tipo de mundo é o mesmo que condená-los à morte. Poucos meses-anos depois de terem nascido, como é o gritante caso da mãe portuguesa, já separada do companheiro e em guerra aberta com ele, que acaba de entregar as suas duas filhinhas ao mar; ou dezenas de anos depois de um viver na miséria-pobreza-ignorância imposta, a maioria; ou nos privilégios conseguidos à custa de vender a própria alma ao deus Dinheiro, nalguma das suas multinacionais religiosas-cristãs ou laicas, e das suas muitas universidades do Saber, nenhuns afectos, nenhuma Sabedoria, a minoria. Não é esta mãe que leva as próprias filhinhas a morrer no mar que eu condeno, ela própria uma das inúmeras vítimas deste tipo de mundo, todas elas possessas pela Depressão, sem dúvida, o pior dos demónios históricos. Em quem ele entra e se instala, devora-lhe a alma, a saúde mental, os afectos e deixa-o um robot incapaz de escutar os poemas ainda por escrever e de ver-sentir-tocar-gostar-amar-cantar-dançar o belo que é cada ser humano, cada filha-filho, cada povo, cada animal, cada flor, cada estrela. O demónio Depressão é uma criação deste tipo de mundo financeiro, sem qualquer oportunidade para os afectos. Enquanto não for derrubado-substituído por outro, plena e integralmente humano, continua aí impunemente a produzir mares de dores e horrores, demências e outras doenças incuráveis, guerras e terrorismos, minorias todo-poderosas e multidões de súbditos, grandes financeiros e empobrecidos em massa. Quem estiver sem pecado atire a primeira pedra a esta mãe. Todo o Institucional religioso, político armado, financeiro, constitui o que Jesus chama “o Pecado do mundo”. Se atira pedras-anos de cadeia a uma mulher-mãe vítima como esta, não só comete pecado, como ele mesmo é o pecado. Os seus, são, por isso, agentes do Mal, ainda que vistam de sacerdote-pastor, juiz, general, banqueiro condecorados e canonizados. Condenemos, pois, Aquilo que enche de privilégios os seus próprios agentes-dirigentes e leva uma mãe a entregar ao mar as suas duas filhinhas.

19 Fevereiro 2016 https://www.youtube.com/watch?v=-H6uwWdVHW0

Crónica 285

O QUE REVELAM AS NEGOCIAÇÕES DO OE 2016 COM BRUXELAS?

As negociações do OE 2016 com Bruxelas e com os criminosos financeiros da troika, podres de ricos e fabricadores de pobres e de pobreza em massa, puseram uma vez mais a nu toda a Mentira institucional que dá pelo pomposo nome de UE. Nem sequer UE dos Estados chega a ser. E dos povos é que ela não é. E dos Estados, só mesmo daqueles que aceitam ser os carrascos políticos dos respectivos povos, ciclicamente seduzidos a irem às urnas legitimar com o seu voto todo este crime lesa-humanidade, lesa-povos. A verdade é que os que se vêem eleitos passam logo a tomar decisões políticas, mas de acordo com as ordens impostas pelos criminosos financeiros da UE e do mundo financeiro. Os mesmos que criam os sistemas de leis que os povos têm de acatar, sob pena de não chegarem sequer a comer as migalhas que caem das suas lautas mesas. Neste tipo de mundo do mercado financeiro global, nem sequer os partidos políticos de esquerda se aproveitam. Acabam todos, queiram ou não, farinha do mesmo saco. Uma espécie de institucional actualizado de Lázaro de Betânia, a que se refere Jesus Segundo de João, capítulo 11. Com mentes, política e ideologicamente, doentes e, pouco tempo depois, já irremediavelmente mortas e sepultadas nos palácios-túmulos do Poder político, mãos e pés atados, uma venda (ideológica) nos olhos. É por demais sabido que as medonhas dívidas dos Estados da UE são impagáveis. Seria de resto um pecado de bradar aos céus e à terra pagá-las. O curioso é que nem os grandes criminosos financeiros exigem que lhas paguem. O que eles querem é que as dívidas cresçam de ano para ano, para poderem utilizá-las como arma letal contra os respectivos povos que, assim, nunca se rebelam politicamente contra eles, apenas uns contra os outros, em guerras fratricidas-suicidas cada vez mais frequentes. Há alternativa política a este tipo de UE e de mundo do Mercado financeiro global? Há. Para começar, bastará que todas, todos sem excepção decidamos deixar de vez os privilégios e todos os palácios-túmulos do poder erguidos para proteger os carrascos políticos dos povos, e passemos a ser-viver organicamente, mãos e pés desatados e superactivos, entre os povos e com eles.

12 Fevereiro 2016 https://www.youtube.com/watch?v=zcv9qMaQJg8

Crónica 284

ANGUSTIADOS COM A MORTE OU COM QUOTIDIANOS SEM SENTIDO?

Eles que me perdoem, mas não consigo entender como é que os filósofos e os teólogos cristãos se mostram angustiados com a morte, em vez de com os quotidianos sem sentido de milhões e milhões de pessoas, povos das nações e as contínuas agressões dos sistemas de poder ao planeta terra. Será que não vêem o óbvio, concretamente, que o acto de morrer faz parte da nossa condição de seres humanos, tal como o acto de nascer? O acto de morrer, como fruto maduro, é o nosso derradeiro big-bang dentro da história, para que possamos prosseguir seres vivos Consciência, únicos e irrepetíveis, em dimensões outras que só conheceremos, quando o protagonizarmos. Uma vez acontecida na história, a vida Consciência não acaba nunca. Nascemos Fragilidade Humana Consciência, para cuidarmos com inteligência cordial de nós próprios, uns dos outros, do planeta. Este modo de ser-viver na história chama-se Política praticada por todos os seres humanos sem excepção, segundo a capacidade e os carismas de cada qual. Nenhum de nós é uma ilha, nem é dispensável. Somos ininterrupta relação, comunhão. A única morte que pode-deve interpelar-nos, desassossegar-nos, mais do que angustiar-nos, é a morte de milhões e milhões de seres humanos antes de tempo, cientificamente provocada, produzida, dia e noite, pelos sistemas de poder, com a conivência dos filósofos e dos teólogos cristãos e a demente cooperação de cientistas, matemáticos, informáticos. Ainda assim, nem este género de morte, crime e pecado, deve ser gerador de angústia, postura politicamente estéril. Há-de ser, sim, gerador de sucessivos levantamentos políticos desarmados dos seres humanos e povos até derrubarmos todos os sistemas de Poder e ficarmos nós todos a gerir e a cuidar uns dos outros e do planeta. Connosco ao leme, ninguém é dispensável. Todos, do maior ao mais pequeno, do mais dotado ao menos dotado, viveremos totalmente ocupados com a Política praticada, Cultura, Artes, Saúde, Desporto, incluídos. Sem mais lugar para sistemas de poder, intermediários, religiões partidos políticos. Ora, foi precisamente para isto que nascemos e viemos ao mundo!

5 Fevereiro 2016 https://www.youtube.com/watch?v=gE38qzPFkTE

Crónica 283

É CAPAZ A EUROPA DE EXPULSAR O MEDO?

O medo do terrorismo jhiadista e dos refugiados está a apanhar por dentro as populações e os povos da Europa. Nas mentes-consciências onde se instala, dificilmente se verão livres dele e acabam mais coisas, autómatos, do que seres humanos lúcidos e politicamente sujeitos. Vegetam, mais do que vivem. Dois mil anos de cristianismo, o pai de todos os medos, especialmente, dos castigos do mítico inferno-purgatório de fogo depois da morte, deixam populações e povos à mercê de todos os tiranos e ditadores, vestidos de chefes de Estado e de democratas. Não podemos ignorar que nestes dois mil anos, pregadores houve, e muitos foram, que faziam gala de garantir, do alto dos púlpitos das paróquias e das catedrais, que era mais fácil encontrar um corvo branco, do que salvar-se a “alma” de um defunto do inferno. Se deste escapasse, não escaparia do purgatório, uma vez que nenhuma “alma” estava suficientemente “limpa” para viver com Deus no céu. Nem sequer as dos frades, das freiras de clausura, tidas pelo cristianismo como pessoas consagradas a Deus, longe do mundo, antro de pecado. No mínimo, teriam de passar pelo purgatório, com tormentos iguais aos do inferno. As missas pagas pelas “almas” dos mortos faziam-nas sair mais depressa desse tormento. Um trintário – 30 missas, uma por dia, sem interrupção – garantia logo o céu. Ainda hoje, início do terceiro milénio, é o medo do inferno e do purgatório que leva as populações, os povos do Ocidente a frequentar as missas de domingo e a pagar ao mercenário pároco, as de corpo presente, sétimo dia, trigésimo dia e aniversário, pelas “almas” dos familiares que morrem. Só populações, povos possessos de medo são complacentes com o terrorismo de Estado do presidente Hollande, à beira do qual o dos jhiadistas é um tigre de papel. E jaté á começam a espoliar os refugiados dos seus bens. Só que nenhum povo sobrevive ao medo que chega a ver no Estado, no terrrorismo de Estado, o braço armado de Deus, o da Bíblia-Alcorão. A prova provada de que é um Deus-demónio. Expulsamo-lo já das nossas mentes-consciências, ou perdemo-nos e perdemos cada Hoje-que-vem.

29 Janeiro 2016 https://www.youtube.com/watch?v=vci0HFr4HFg

Crónica 282

A GUERRA COLONIAL JÁ ACABOU?

A convite da Universidade Popular do Porto, fui lá, quarta-feira, 20, de manhã, dar uma “aula” sobre a Guerra Colonial, da qual acabei expulso, ao fim de 4 meses, embora a decisão tivesse sido equacionada, logo ao fim dos dois primeiros meses, após a homilia que proferi na Missa de 1 de Janeiro de 1968, o Dia Mundial de Paz. Parti para o Porto, determinado a preencher aquela hora e meia de “aula”, com a pertinente pergunta, A Guerra Colonial já acabou? Seria, a meu ver, a melhor maneira de, em vez de dar eu a “aula”, serem as pessoas presentes na sala a dá-la umas às outras. Afinal, não pôde ser assim, porque o que elas pretendiam era o meu testemunho pessoal sobre esses curtos 4 meses de capelão militar, em Mansoa, Guiné-Bissau. Nem queiram saber a revolução interior que o meu testemunho veio a operar nas mentes-consciências das pessoas presentes na sala, e muitas eram. Nomeadamente, quando lhes revelei que, na altura, com 30 anos de idade, 5 de presbítero da igreja-movimento de Jesus, vi o que até então nunca havia visto. Vi que o que, ingenuamente, temos por Bem supremo é apenas a máscara do Mal estrutural. Pelo que aqueles poucos do Poder que temos por bons, são, afinal, os maiores agentes do Mal, por isso, os maiores criminosos e pecadores. Mais lhes disse que esta visão-vivência ficou, desde então, gravada a fogo na minha consciência, de modo que nunca mais fui o mesmo ser humano, o mesmo presbítero da Igreja. De repente, as pessoas viram que, desde criança, têm sido levadas a ver como o supremo Bem, o que, afinal, é o Mal estrutural; e como bons os agentes do Poder, quando são eles os maiores criminosos e pecadores. Nem foi preciso referir-me às eleições presidenciais deste domingo. Todas ficaram habilitadas a ver que este tipo de iniciativas do Poder mascaradas de Bem, não passam duma encenação destinada a esconder o Mal estrutural. Tal como a Guerra Colonial que, na altura, muito poucos contestaram, quase todos consideraram-realizaram uma Cruzada ou Guerra santa! Quando crescemos de dentro para fora em humano e assumimos os nossos destinos políticos nas mãos?!

22 Janeiro 2016 https://www.youtube.com/watch?v=RIXG5AAmbFI

Crónica 281

QUEREMOS MUDAR DE RAIZ A SOCIEDADE E FAZER HISTÓRIA?

As populações são levadas a pensar que a democracia é uma criação dos povos. Mostram-se desconcertadas comigo, sempre que, na minha qualidade de cidadão presbítero-jornalista, escrevo-digo sem rodeios que não é. Tudo o que é institucional é criação das elites dos privilégios. As mesmas do Poder. O outro nome com que sempre tem sido dito Deus. Deus é o Poder. O Poder é Deus. Dessas elites, fazem parte, desde o início da humanidade, os sacerdotes. Aos quais se juntaram depois os reis e os ricos. Daí, o poder sacerdotal-religioso, o poder político, o poder económico-financeiro. Os três são um só, Deus. Omnipotente. Omnisciente. Omnipresente. Ao longo das sucessivas gerações, mudam as formas históricas de organizar a sociedade. Não a substância. Que as elites do Poder são hábeis na manutenção dos seus privilégios. Quando determinada forma de organizar a sociedade está a revelar-se obsoleta, logo elas se antecipam e fazem as revoluções que mais lhes convêm. Só as elites dos privilégios têm o poder de financiar revoluções armadas, guerras civis e mundiais, sempre que necessário. O vencedor é sempre o mesmo – as (novas) elites dos privilégios. Nunca os povos da Terra. A estes cabe apenas o dever, disfarçado de direito, de aplaudir os novos agentes do Poder. Jurar-lhes fidelidade, obediência, cooperação. Dar-lhes as filhas, os filhos. Pagar-lhes os impostos. A actual democracia representativa é a mais cínica invenção aonde o Poder chegou até hoje. Com ela, cabe-nos simplesmente o direito (ou o dever?) de escolher, entre os diversos candidatos propostos pelo Poder, aquele ou aqueles que queremos para nossos carrascos. A paz que daí resulta é a do Poder, cujos súbditos sempre o identificam com Deus. Queremos mudar de raiz a sociedade e fazer História? Recusemos entrar em todas as jogadas pseudopolíticas das elites dos privilégios e ousemos ser-viver vasos comunicantes uns com os outros. Como se Deus não existisse.

15 Janeiro 2016 https://www.youtube.com/watch?v=BAlBDNR8EzM

Crónica 280

INTERMEDIÁRIOS, TUTORES, ÓRGÃOS DE PODER, PARA QUÊ?!

Na minha qualidade de presbítero-jornalista, sem nenhum ofício pastoral institucional, consequentemente, sem nenhum benefício eclesiástico material, tenho a felicidade de viver à intempérie entre e com os demais, sem qualquer protecção, privilégio. Sou um cidadão presbítero em tudo igual à esmagadora maioria dos cidadãos do país. Como deveríamos ser todos os nascidos de mulher. A princípio, formatado por 12 anos de seminário, para ser clérigo, sacerdote no templo e no altar, estranhei. Depressa percebi que trocar o apodrecido conforto do templo pelo salutar desconforto da intempérie; as funções de clérigo por uma profissão secular, primeiro, em empresas jornalísticas, anos depois, por conta própria; e abrir o meu próprio caminho, guiado apenas pela minha consciência, acabaria por se entranhar, até, apaixonar. Cresço, desde então, de dentro para fora. Experimento-me único e irrepetível, alegremente frágil, desarmado, vestido de paz e de ternura. Perdi voluntariamente todo o esterco eclesiástico, clerical. Passei a ser olhado por muitos como um não-padre, incapazes de conceberem um padre-presbítero sem templo, sem altar, sem missa, sem ritos, sem rezas, sem paróquia. Sei-me sinal de contradição e vivo bem com isso. Não tenho, para vergonha dele e deles, o reconhecimento institucional do bispo do Porto, da maioria dos padres-sacerdotes, dos leigos católicos que, por manifesta falta de crescimento interior, continuam a não dispensar toda essa tralha das missas, dos ritos, das rezas, dos intermediários, tutores. Mas é assim, despojado, pobre por opção, que sou feliz, alegre, respiro liberdade, alimento-me com a realidade, em lugar das máscaras com que os órgãos de Poder a escondem. Sei-me politicamente incómodo, porque intelectualmente honesto com a realidade, não com as encenações. Aflige-me ver os meus concidadãos crescer, na sua maioria, só em idade, não em sabedoria e entrega de si aos demais; a necessitar de intermediários, tutores, órgãos de poder, como na idade infantil; agressivos consigo próprios e com os demais. Crescessem todos de dentro para fora em sabedoria e graça e perguntariam como eu pergunto, Intermediários, tutores, órgãos do poder, para quê?!

8 Janeiro 2016 https://www.youtube.com/watch?v=J_KHKoiZGBI

Crónica 279

QUE 2016 QUEREMOS SER-VIVER?

Cabe-me decidir que 2016 quero ser-viver. Sou Natureza consciência e isso faz toda a diferença relativamente aos demais seres. Na Natureza não há mortos. Só organismos vivos, onde cada ser é único e irrepetível. É por isso que os cemitérios estão todos vazios. Os cadáveres lá depositados não estão mais lá. O organismo vivo que é a Terra não suporta cadáveres, coisas mortas. Ao acolhê-los no seu seio, transforma-os no que ela própria é, organismo vivo. Até a natureza consciência que eu-sou, nós-somos, torna-se, no momento do derradeiro expirar de cada qual, definitivamente vivente em dimensões outras, inimagináveis. O desastre planetário é o exército dos cadáveres insepultos. Parecem corpos vivos, são cadáveres movidos por um sopro ideológico que empesta o ambiente. Se o inalamos, acabamos doentes e morremos antes de tempo. Quando se instala nas mentes-consciências dos seres humanos, é o sopro que mais mata. Que 2016 queremos ser-viver? Por mim, quero ser ainda mais menino. Presbítero ainda mais menino. Nada ter. Nada poder. Todo paz. Todo alegria. Pão que se dá a comer. Vinho que se dá a beber. Corpo que faz andar mortos e adormecidos. Sopro feito beijo, abraço que fecunda quantas, quantos eu toco, olho, acolho, escuto. Venham por mim e sempre me encontrarão, braços abertos, dança nos olhos, festa nas mãos, ternura em todo o meu ser. Diz-me a Vida que sou contínua religação com as, os demais. Ao modo dos vasos comunicantes. Todo o meu ser-viver é dádiva. Nos antípodas das mercadorias, dos cadáveres insepultos. Sou fecunda energia. Sol. Vida. Colo. Chamem-me e vou partilhar as vossas casas, as vossas mesas. Todo escuta. Todo palavra politicamente maiêutica. Para que cada uma, cada um de nós não apenas tenha, mas seja voz e vez. A mudança que inevitavelmente acontecerá em nós é sempre de dentro para fora. Numa expansão sem-ocaso e sem limites. Para isso nasci, vim ao mundo / nascemos, viemos ao mundo. Não para sermos agentes de poder – clérigos, papas, chefes estado, detentores de privilégios, ricos, mãos armadas, numa palavra, cadáveres insepultos. Sim, para sermos seres humanos e humanizarmos sororalmente o mundo!

1 Janeiro 2016 https://www.youtube.com/watch?v=uDbb06O4_a8

Crónica 278

QUAL DAS DUAS PROPOSTAS POLÍTICAS ESCOLHEMOS?

O novo ano 2016 será a continuação para pior deste ano 2015, já a terminar, se nós, povos da Terra, continuarmos a deixar-nos seduzir pela satânica proposta política do poder financeiro – o senhor Dinheiro – que nos diz, “Dar-te-ei todo este poderio e a sua glória, porque me foi entregue e dou-a a quem me aprouver. Se me adorares, tudo será teu (Lucas 4, 6-7). Tudo o que é institucional, neste tipo de mundo de raízes judeo-cristãs-islâmicas, a começar pelas famílias, igrejas-religiões, escolas, grandes media, trabalha dia e noite para nos convencer de que não há alternativa a esta proposta. Pelo que, quando acontecemos na história, como filhas, filhos de mulher, até dos nossos pais havemos de nos precaver, à medida que crescemos em idade e em estatura. A menos que eles sejam já do restrito número de pais que resistem diariamente àquela satânica proposta e são-vivem, neste tipo de mundo, ao modo das aves do céu, dos lírios do campo, como, na sua Sabedoria e Graça, faz Jesus Nazaré, o filho de Maria. O qual, quando adulto, propõe aos povos da Terra que pratiquem a boa notícia de Deus que nunca ninguém viu, a única que garante vida de qualidade e em abundância a todos,os povos sem excepção. Felizmente, são uns pais assim, que eu, quando chego a este tipo de mundo, encontro: – uns pais cheios de Sabedoria e Graça, pobres por condição e, progressivamente, por opção. É com eles que respiro, sobretudo, com a minha mãe, Ti Maria do Grilo, jornaleira, que não sabe escrever, porque aos 8 anos de idade já anda a servir numa casa de fidalgos. Conhece pela escola da vida as duas propostas e decide ser-viver toda a vida como as aves do céu, os lírios do campo, ao jeito de Jesus, o filho de Maria. Cresço com ela em idade e estatura, em sabedoria e em graça. Os 12 anos de seminário são de tentação. Vale-me então começar a conhecer clandestinamente Jesus e a boa notícia que é a sua proposta política. E quando chega o dia da ordenação de presbítero, bem estruturado no exemplo dos meus pais, tomo a irrevogável decisão em consciência de ser padre pobre por toda a vida. Inevitavelmente perseguido pelo poder que nunca conseguiu que eu o adorasse. E aqui estou como um menino ave do céu, lírio do campo. Qual das duas propostas políticas, escolhemos em 2016 e daí em diante?

23 Dezembro 2015 https://www.youtube.com/watch?v=0C0EB2N8zCk

Nota:

Como sucede todos os anos, esta é a última Crónica de 2015. Espero regressar em 2016, mas apenas com uma Crónica semanal, às sextas-feiras. Dou-vos a minha paz.

Crónica 277

QUÊ? ELE DISSE, MENINO-JESUS-DE-CACO?!

Hoje, quero partilhar convosco um daqueles muitos momentos-luz-escândalo, em que abunda o meu ser-viver de presbítero da igreja do Porto. Ocorre em Lourosa, minha terra natal, apenas 2 anos depois de ser ordenado. Na altura, sou professor de Religião e Moral no então Liceu Alexandre Herculano, Porto, por nomeação do Administrador apostólico da diocese. De férias em casa dos pais, aceito substituir o padre Coadjutor na missa-do-galo, para ele poder partilhar a ceia de natal com a família, longe dali. A homilia da missa já deixa perturbados muitos dos conterrâneos que me conhecem como o filho de Ti Maria do Grilo, jornaleira nos campos de D. Maria Pinto, uma das poucas famílias ricas de então. A perturbação maior acontece no final, quando eu próprio constato que as pessoas quase se atropelam umas à outras para beijarem o menino-jesus que eu, então ainda trajado a rigor, capa e tudo, dou a beijar. Perante semelhante comportamento, interrompo o ritual e interpelo, Com que então, no momento da comunhão, apenas meia-dúzia de pessoas quiseram comungar, e agora para beijar este menino-jesus de caco quase vos atropelais? Não vedes que se eu o deixar cair no chão, ele parte-se e não há menino-jesus para ninguém? A interpelação sai-me espontânea do fundo de mim. Eu próprio, ao escutá-la, fico perplexo, sinal de que aquele inesperado Evangelho não é meu, mas da Ruah/Espírito de Jesus Nazaré contra o mítico menino-jesus dos presépios. Aquele é por isso o primeiro de muitos outros momentos-luz, fecundos escândalos em que, felizmente, abunda o meu ser-viver de presbítero. Quê? Ele disse, menino-jesus-de-caco?, perguntam-se ainda hoje os netos daqueles pais de então. Sinal inequívoco de que o Evangelho que pratico-anuncio, na arriscada missão presbiteral de Evangelizar os pobres, não é o do mítico Cristo ou Jesuscristo de S. Paulo, mas o de Jesus, o filho de Maria, o único que nos faz progressivamente humanos. O de S. Paulo, pelo contrário, faz-nos cristãos, segregados dos demais, uma minoria, poder clerical e laico, a esmagadora maioria, súbditos. Só cristãos gostam dos natais dos meninos-jesus, e não podem com Jesus, o filho de Maria, que, como qualquer de nós, só teve um natal, ocorrido 4-6 anos antes do ano 1, em Nazaré. Mas fecundo, fecundo, é sermos (outros) Jesus cada hoje.

21 Dezembro 2015 https://www.youtube.com/watch?v=EeNBEVLKjcw

Crónica 276

ATÉ QUE SERMOS OPOSIÇÃO NOS SEPARE?!

Chegou ao fim a coligação de poder, Portugal à frente. A ambição do poder os uniu, a desconfortável situação de Oposição no Parlamento os separou. As juras de amizade e de entendimento político que os dois agora se fazem, são isso mesmo, juras. Sobre elas, adverte o velho ditado, Quem mais jura mais mente. Mentir é, aliás, a especialidade do poder. Até nos casamentos canónicos ou pela igreja é assim. O Ritual bem diz, “O que Deus uniu, não o separe o homem”. Só não diz que o Deus que uniu é o mesmo do Credo de Niceia-Constantinopla. O Todo-poderoso, gerador de milhões e milhões de súbditos e de elites todo-poderosas, suas representantes na terra. Logo que aparece um outro mais poderoso, o anterior fica só. Os que ele tinha por mais fiéis são os primeiros a abandoná-lo. Passam-se, com armas a bagagens, para o novo vencedor. As fidelidades e os contratos, no reino do poder, duram, enquanto há privilégios em crescendo a distribuir. Acabam, quando estes se esvaem. Os dois chefes da defunta PAF, PauloPortas e PassosCoelho, são hoje os grandes derrotados no Parlamento. Cada vez mais sós e com o chão a fugir-lhes debaixo dos pés. Durante os séculos de domínio absoluto dos papas e da Cristandade Ocidental, os casamentos canónicos, obrigatoriamente realizados nas igrejas paroquiais foram os únicos casamentos válidos. O divórcio institucional foi sempre impensável, por mais numerosos que fossem os divórcios reais, verdadeiras tragédias com sabor a inferno e a morte lenta, mantidas em nome da sacrossanta indissolubilidade do matrimónio. Só mesmo a Cristandade foi capaz de tão numerosa destruição de milhões de seres humanos, unidos por um Ritual cristão católico romano, sem um pingo de racionalidade cordial. A prova provada de que uma e outro têm tudo de anti-Deus que nunca ninguém viu e se nos dá, finalmente, a conhecer em Jesus, o filho de Maria. Não passam duma maquiavélica criação do poder monárquico absoluto do papa de Roma e da sua hierarquia, para cúmulo, celibatária à força. CDS e PSD acabam de divorciar-se. O poder os uniu. A perda do poder os divorciou. Aos seus chefes, espera-os, agora, o ódio político que os trucidará sem piedade. Já estão afiadas as facas dos que vão derrubá-los.

18 Dezembro 2015 https://www.youtube.com/watch?v=-o_9P1_DAWU

Crónica 275

DEPOIS DO ANÍBAL, QUAL A SENHORA, O SENHOR QUE SE SEGUE?

Pelos vistos, continuamos convencidos de que o país tem de ter um presidente. Nem os dois desastrados mandatos do presidente Aníbal nos convenceram do seu total absurdo. Se os outros povos têm um Estado, e este um chefe, também nós temos de ter. Nem que este venha a revelar-se o principal problema institucional do país. Damo-nos, inclusive, ao trabalho de ir depositar o nosso voto nas urnas do dito. Com o Aníbal, o país viveu os primeiros anos do terceiro milénio como nos sinistros tempos do fascismo. E logo que conseguiu pôr o seu PSD a governar, com maioria absoluta no Parlamento, foi o seu fiel lacaio, a fazer lembrar o famigerado Américo Thomaz. Foi ainda mais absurdo político do que aquele. Rodeou-se de uma corte que rivalizou com a do Rei Sol, antes da Revolução Francesa. Cercado de assessores por todos os lados, menos por um, precisamente, o da Cultura. Um assessor de Cultura seria um perigo para o próprio presidente Aníbal e para o seu governo CDS-PSD que cultivou o analfabetismo escolarizado e atirou borda-fora quantas, quantos das novas gerações atreveram-se a crescer em engenho e arte, conhecimento científico e filosófico, medicina e enfermagem de qualidade, economia e finanças ao serviço das populações em vez de ao serviço dos banqueiros. Viram-se assim obrigados a ir dar o seu melhor no estrangeiro. Vêm agora em seu lugar levas de refugiados, com saudades dos seus países dilacerados por guerras fratricidas e sistematicamente bombardeados pelos aviões da Nato. O país conhece, nesta altura, um novo governo, apoiado à esquerda no Parlamento, e vai ter de se habituar a um novo Presidente da República. Qual a senhora, o senhor que se segue? Mais um PSD, como o Aníbal, só que muito mais perito em malabarismos e em criar factos políticos, charlatão e sacristão católico q.b., ou alguém politicamente culto que escute e interprete os anseios das populações, há séculos, mergulhadas e perdidas no nevoeiro e no cinzentismo cristão eclesiástico? Há candidatos à medida dos interesses de cada partido. Às populações, resta votar. Ou recorrer à gritante abstenção. Que prevaleça a consciência de cada uma, cada um de nós. Mas já somos populações com consciência política, ou ainda só rebanhos que executam as ordens dos mercenários do poder político?

16 Dezembro 2015 https://www.youtube.com/watch?v=M4hp3Um0vyE

Crónica 274

CIMEIRA DO CLIMA OU DA VERGONHA?

Os grandes media, propriedade dos grandes financeiros mundiais exibem, sorridentes, os chefes dos 195 países que assinaram o Acordo final, arrancado a ferros, na Cimeira de Paris, depois de semanas a partir pedra. A montanha pariu um rato. O documento e as fotos revelam ou escondem aos povos das nações a realidade do Clima? As conclusões aprovadas não constituem uma farsa mais, dos chefes de estado das nações? Não podemos esquecer que a Cimeira, este ano, decorreu na capital do Estado que está em guerra declarada contra o EI. Só por ironia, pode ser olhada como a Cimeira de salvação do planeta. Na realidade, é a Cimeira da Vergonha. Porque a guerra, com seus sucessivos e indiscriminados bombardeamentos nocturnos na Síria, é a pior das agressões à saúde do planeta e dos povos. Paris conseguiu parir um documento, sem ter em conta a guerra contra o EI. Os chefes de Estado que o assinam, mostram bem que são os maiores criminosos institucionais do planeta. Quando se reúnem e põem de acordo, há motivos para os povos das nações, suas vítimas, chorar. O que vem aí não é melhor ambiente. É o agravamento do já de si mais do que deteriorado ambiente. O documento final, aplaudido pelos criminosos institucionais do mundo, não é para ser tomado a sério pelos povos das nações. É para ser repudiado. Dos criminosos institucionais podem os povos esperar alguma coisa boa? Um estado, como o francês, que, depois de declarar guerra contra o EI, ainda aceita manter-se como o anfitrião da Cimeira do Clima, é fiável? Não se revela mais terrorista do que o EI? Semelhante descaramento não evidencia que é mais um dos principais criminosos institucionais do mundo que estão por trás dos recentes atentados de Paris que mataram 130 pessoas? Quem, depois desta Cimeira em Paris, pode ainda ter dúvidas de que aqueles atentados são da responsabilidade deles? Somos assim tão politicamente ingénuos que não vemos?! E enquanto o nosso planeta estiver nas mãos de tais criminosos institucionais, mascarados de chefes de Estado, pode gozar de saúde, aos mais diversos níveis, também ao nível ambiental? Pode o cordeiro atacar, matar, comer o esfaimado lobo?

14 Dezembro 2015 https://www.youtube.com/watch?v=FDWuqguoEfQ

Crónica 273

QUE MISERICÓRDIA, A DA CÚRIA E DO PAPA?

 

Em verdade, em verdade vos digo: Não há Misericórdia que faça explodir de vez a Cúria romana. O Jubileu iniciado esta semana em Roma é diversão turística de mau gosto, à semelhança dos jogos de tutebol dos milhões. Dá muito dinheiro a ganhar ao Vaticano e à Itália das máfias, as quais têm por pai a Cúria romana, a máfia das máfias. Como não dispõe de futebol dos milhões, o Vaticano recorre a bizarros espectáculos como este, para obter mais dinheiro sujo. Todo o dinheiro sujo do mundo católico vai desaguar no Vaicano, via santuários marianos espalhados pelas nações, cujos povos, criminosamente mantidos em estado infantil, por isso, tolhidos de ancestrais medos, correm a frequentá-los, na ilusão de que as imagens das nossas senhoras, das santas, dos santos, lhes resolvem os problemas com que se vêem atormentados. Tão atormentados, que nem vêem que vão por lã e regressam tosquiados aos seus tugúrios onde nascem, crescem, subvivem e morrem. Nos antípodas dos grandes palácios dos papas e dos grandes ricos, das grandes basílicas, catedrais, santuários. O ritual de abertura do Jubileu, difundido urbi et orbi, à cidade e ao mundo, pelos grandes media, propriedade dos grandes financeiros, é coisa da idade média e só por isso é difundido. Com Francisco, esteve também Bento XVI, o segundo na hieraquia eclesiástica, por isso o primeiro, depois do papa, a passar pela “porta santa” acabada de abrir. Seguiram-se os cardeais, também por ordem de precedência, um obsceno desfile de vaidades clericais. Temos assim mais um papa, no caso, Francisco, especialista em abrir portas santas, para que o dinheiro sujo entre e saia lavado do Vaticano. Parte-se-me o coração, ao ter de escrever-dizer isto. Mas é o cristianismo, estúpidos, é o cristianismo! Quando decidimos expulsá-lo das nossas vidas e praticamos a Misericórdia política de Jesus, geradora de uma sociedade plena e integralmente humana?! Saibam que a da Cúria e do papa é pornografia antropológica-teológica, que reduz os seus praticantes a fariseus.

11 Dezembro 2015

 

Crónica 272

A FRANÇA NOS BRAÇOS DE MARINE LE PEN?

 

Com a França em estado de choque, guerra declarada contra o EI, e a viver sob a ameaça de mais e mais atentados, nos dias, horas e locais que os grandes financeiros, filhos do judeo-cristianismo-islamismo, acharem mais oportunos, para garantirem em definitivo o domínio das mentes-consciências das populações e dos povos, para onde é que acham que umas e outros que querem a paz e não a guerra, o amor e não o ódio, a vida em abundância e de qualidade e não a destruição em massa, se hão-de virar, quando obrigados a ter de escolher entre os múltiplos candidatos a seus tutores partidários? Impedidos de serem sujeitos, gestores das próprias vidas, fogem dos demagogos tutores partidários que lhes falam de liberdade, igualdade, fraternidade, mas depois, em obediência às ordens que recebem dos grandes financeiros, fazem sempre o seu contrário, e correm a votar naqueles que lhes falam de segurança. Percebem que a Liberdade, sem a igualdade e a fraternidade, é uma cana agitada pelo vento que acaba em pesadelo. Será então que o Ocidente vai ter de se habituar a ver em breve a França nos braços de Marine Le Pen? E que diferença faz Marine Le Pen, de Hollande, Merkel, Obama, Putin, Papa de Roma? Somos assim tão ingénuos que não vemos que, por trás dos discursos de liberdade ou de segurança dos candidatos a tutores partidários, estão os mesmos grandes financeiros? Acham que há tutores bons e tutores maus? Não são todos maus, quando, para se perpetuarem e aos seus privilégios de casta e de corporação, trabalham dia e noite para manterem infantilizadas as populações? A existirem, não têm de ser mais parteiras dos povos do que tutores? Não têm que saber desaparecer para que os povos cresçam e assumam os seus destinos? Quem se dispõe a trabalhar politicamente para que os povos cresçam de dentro para fora, em relação-comunhão uns com outros, sem necessidade de mais de tutores partidários, e com o dinheiro seu servo, nunca seu dono e senhor?!

9 Dezembro 2015 https://www.youtube.com/watch?v=3pQI7RlMk6E

 

Crónica 271

QUAL A MULHER MAIS PODEROSA?

 

A pergunta é de um jovem jornalista, em vésperas de se iniciar um doutoramento em Estudos Feministas na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. É feita ao meu amigo Anselmo Borges, padre e professor de Filosofia naquela mesma Universidade. A esta pergunta, Anselmo Borges espontaneamente dispara, “Estou convencido de que a mulher mais poderosa em Portugal é Nossa Senhora”. E como se este vómito antropológico-teológico fosse coisa pouca, ainda acrescenta, “Lembrei-me concretamente de Fátima”. O episódio é contado pelo próprio na sua coluna DN de sábado último, no contexto da chamada “Festa da Imaculada Conceição”, em cada 8 de Dezembro, do disparatado calendário litúrgico. Classifico a afirmação de vómito antropológico-teológico e faço-o sem que a mão e a voz me tremam. Dizer “Mulher” é dizer um ser humano sexuado consciência. Dizer “Imaculada Conceição”, “senhora de Fátima” e muitos outros nomes é dizer um mito religioso que remonta aos primitivos tempos da Humanidade, quando as deusas, os deuses, à falta da Ciência, serviam para explicar os muitos “mistérios” da realidade circundante. Quando o cristianismo, monoteísta, se torna a religião oficial do império de Roma, politeísta, tem de integrar este e outros mitos primitivos, com ligeiras adaptações. Passa a chamar-lhes “nossas senhoras”, “santos”. Porém, ao reduzir Maria, a mãe de Jesus, a nossa senhora ou nossa deusa, a virgem-e-mãe dos deuses, o cristianismo comete um duplo crime-pecado sem perdão: 1, mata a mulher sexuada consciência que é Maria e, em seu lugar, exalta o mais primitivo mito religioso do matriarcado; 2, ofende os seres humanos de carne e osso,  ao estimulá-los a crescer de dentro para fora, não em humano e em cuidado uns pelos outros, mas em riqueza, domínio de uns pelos outros, à semelhança das deusas, deuses, das, dos quais ainda têm de cuidar. Fica então claro que o cristianismo é o inimigo n.º 1 dos seres humanos, a começar por Jesus e sua mãe, Maria.

7 Dezembro 2015 https://www.youtube.com/watch?v=UUf02UFFssY

 

Crónica 270

QUE FUTURO ESPERA AGORA A COLIGAÇÃO CDS-PSD?

 

O ódio nunca é bom conselheiro. Quem odeia pensa que destrói o odiado. Auto-destrói-se. No acto de odiar-matar outrem, suicida-se, como ser humano. Se sobrevive, é como um terrorista mais, descriador da vida-sociedade. Pior que o ódio vulgar é o ódio político. O longo debate parlamentar, esta semana, que culminou com o chumbo anunciado da moção de rejeição PauloPortas-PassosCoelho revela a intensidade do ódio político que mina a mente-consciência de ambos, bem como a mente-consciência da esmagadora maioria dos membros dos dois partidos, espalhados pelo Portugal católico, feudo do clero, em especial as populações dos distritos do norte e do interior. Onde os párocos continuam senhores ao modo da Idade Média e os fiéis leigos, seus servos da gleba. Que futuro espera, agora, a coligação CDS-PSD? A fusão dos dois num só? Com Paulo-Portas ideologicamente a conduzi-la, o PSD ainda acaba democrata cristão. Os párocos e os bispos dão uma maozinha e, se for necessário, a senhora de fátima também entra na dança. A actual união de facto passa então a casamento canónico, dois uma só carne. Democrata cristão, já se vê. De resto, ao nível da União Europeia, já é essa a sua família política. Desde que PassosCoelho entregou a pasta de vice-primeiro ministro a PauloPortas, para o demover da sua “decisão irrevogável” de abandonar o governo, a predominância do PSD ficou apenas numérica. A predominância ideológica ficou toda nas mãos de PauloPortas. O casamento pós-eleitoral que os dois, às pressas, acordaram-assinaram, quando se viram sem a maioria no Parlamento representa o fim ideológico do PSD. O ódio político que actualmente move a coligação minoritária no Parlamento é instilado por PauloPortas. PassosCoelho é o seu pau-mandado. O Parlamento é, agora, o palácio do ódio político. Por isso, terrorista. Os deputados que derrotaram com palmas a moção de rejeição conjunta do CDS-PSD estão prontos a levar juntos a carta a garcia?! Eis a questão política de fundo, nos próximos tempos!

4 Dezembro 2015 https://www.youtube.com/watch?v=4fYMmcdcgYk

 

Crónica 269

COP 21: DISCURSOS OU PRÁTICAS OUTRAS?!

 

Paris vive ainda sob o temor-terror dos recentes atentados. Que deixaram 130 pessoas assassinadas e o país traumatizado, incapaz de se refazer, a breve-médio prazo. E já está a ser de novo invadido, mas agora pelos terroristas-mor, mascarados de chefes de Estado, sobretudo das grandes potências mundiais que dominam a ONU que organiza este tipo de Conferências coisa nenhuma sobre o Clima. Os mesmos chefes que estão ao serviço dos grandes grupos financeiros que, por sua vez, estão por trás de todos os atentados terroristas, praticados, estes dias, aos gritos de, Alá é grande! como outora, se praticaram aos gritos de, Deus o quer! Duas maneiras distintas de dizer a mesma coisa. O Dinheiro-poder financeiro é grande, o Dinheiro-poder financeiro o quer. Não tenhamos ilusões. Vivemos mergulhados até às pontas dos cabelos no terrorismo assassino e destruidor das mentes-consciências das populações e dos povos. O Estado Islâmico é o que, hoje, suja as mãos. Mas os verdadeiros terroristas são o poder financeiro e os seus chefes de Estado que se apresentam sempre de mãos limpas. Ei-los, por estes frios dias de Dezembro, em Paris. Não se preocupem, porque eles sabem que nada lhes acontece. O aparato militar e policial francês é mais um disfarce e um show mediático, para impressionar as populações e os povos das nações, suas vítimas. São eles que decidem o dia, a hora, os locais onde devem ser realizados os atentados terroristas contra gente anónima, absolutamente inocente. Cabe-lhes, depois, chorar lágrimas de crocodilo e depositar coroas de flores, num ritual obsceno e macabro. São eles os grandes pecadores e criminosos do mundo, no dizer de Jesus, o filho de Maria, mas abençoados pelo Cristo, o filho de David. São muitos, por estes dias, os discursos e os alertas sobre o Clima, com os quais os grandes media se entretêm. Porém, a mudança de rumo no tocante à preservação do clima faz-se com os discursos dos que o envenam, ou com práticas outras, maiêuticas? Só práticas outras salvam o clima e nos salvam!

2 Dezembro 2015 https://www.youtube.com/watch?v=h04pubuqeCQ

 

Crónica 268

QUE FRATERNIDADE A DO CRISTO JOVEM EM REQUIÃO?

 

Os últimos dias trouxeram a freguesia de Requião, em V.N. Famalicão, para a ribalta da comunicação social, com destaque para o JN. Pelas piores razões. As populações maioritariamente católicas da freguesia e concelho – basta lembrar que integram a arquidiocese de Braga, a da tortura anual da semana santa, promovida pelos cónegos da sua sinistra sé catedral, um evento turístico de muito mau gosto – deveriam pensar-se abençoadas, graças à presença da chamada Fraternidade Missionária Cristo Jovem, quando, afinal, a instituição é exactamente o contrário do que diz o nome oficial, reconhecida e aprovada pelo arcebispado. Nem é fraternidade, nem é missionária, nem o seu Cristo é jovem. Porque Cristo é um mito e os mitos não são jovens nem velhos, são mitos. Para cúmulo, as poucas freiras que lá residem são de avançada idade e o clérigo fundador ainda mais. E rabugento, como deu para perceber, quando o próprio se viu acossado por respórteres das tvs, depois que o escândalo estalou e a freguesia de Requião e o país ficaram a  saber de tudo. Afinal, aquela santa institução de freiras com hábito e tudo é uma casa de tortura das próprias freiras que, por sua vez, acabam torturadoras das eventuais candidatas a freira. Aliás, as igrejas do cristianismo são peritas em criar pomposos nomes para as suas instituições de tortura e de formatação das mentes-consciências das mulheres, dos homens que se lhes entregam e às suas vidas. Nunca mais são mulheres, homens humanos. Apenas clérigas, clérigos, que para isso existem os chamados votos perpétuos de pobreza, obediência e castidade. Pomposos nomes, como “Fraternidade Missionária Cristo Jovem”, servem apenas para esconder a tortura praticada, portas adentro. A castração física-mental é completa, vitalícia. Quem não sai a frequentar universidades, nem alcança lugares de proa na gestão de cada uma dessas empresas cristãs de tortura dificilmente chega a sair do infantil e dos medos que o infantil sempre cria-alimenta. Quem julga-pune estes crimes?

30 Novembro 2015 https://www.youtube.com/watch?v=J_2NPXwFl8Q

 

Crónica 267

QUEM ESTÁ POR TRÁS DO ESTADO ISLÂMICO (EI)?

 

É uma pergunta que não vejo ninguém formular, muito menos os grandes media: – Quem está por trás do EI? E como esta, outras perguntas mais. Por exemplo: Ao serviço de quê e de quem está o autodenominado EI? O Alcorão que Maomé não escreveu? Um recém-califa fanático do Islão, numa versão radical, suicida, sádica? O profissionalismo na preparação e execução dos atentados, que nem Polícias e forças armadas altamente preparadas, como as da França, Bélgica, Alemanha e dos próprios EUA conseguem interceptar e impedir, é obra exclusiva do EI, por enquanto mais virtual do que real? Não pressupõe um conjunto de cérebros sem escrúpulos, altamente organizados, eficazes? O EI não é apenas uma cortina de fumo, para esconder os verdadeiros autores dos atentados, perpretados com requintes de selvajaria nunca antes vista? Esta selvajaria não é ela mesma um disfarce mais, para que as populações nem sequer suspeitem que os grandes grupos financeiros ocidentais, de raízes judeo-cristãs, é que estão por trás de todo este horror-terror? È despropositado colocar-se a questão nestes precisos termos? Só quem vive intoxicado-cego desde nascença com a ideologia-teologia do judeo-cristianismo, como sucede com a generalidade das populações e até dos intelectuais dos países ocidentais, sob a chefia do papa de Roma, é que não vê. Sabemos hoje quão fácil é recrutar mercenários, lavar-lhes o cérebro para levá-los, como autómatos, a realizar atentados, aos gritos de “Alá é grande”, como no passado fizeram os cruzados cristãos aos gritos de “Deus o quer”. Desliguemos as tvs e paremos para pensar. Não serão os cérebros da Nato, do Sionismo israelita, dos EUA, da Alemanha, da França, da Inglaterra, que estão por trás do EI? Esta sucessão de atentados não se destina a legitimar a declaração de guerra, por parte de Hollande, bem como todo o seu frenesim como mediador dos interesses dos grandes grupos financeiros ocidentais? Não é este “o pecado do mundo”, de que nos fala Jesus, o do Evangelho de João?

27 Novembro 2015 https://www.youtube.com/watch?v=CdMdlrGI4rU

 

Crónica 266

QUE VIRUS POLÍTICO ANDA A MATAR POR DENTRO O PR ANÍBAL?

 

Finalmente, já há um governo PS. Em substituição do governo PSD-CDS, chumbado pela maioria dos deputados da “nova” AR. Ao governo chumbado, a dupla PP-PC e o seu PR rotulam-no de “governo de esquerda” e, só com dizê-lo assim, perdem logo o sono. Os três já só pensam nos pauzinhos que hão-de meter na engrenagem para derrubá-lo quanto antes. Os partidos que se entenderam com o PS para formá-lo, que se cuidem, ou o tiro sai-lhes pela culatra. Que vírus político anda a matar por dentro o PR Aníbal? Depois de anos e anos a mostrar ao País e ao mundo que não sabe nada de Política Praticada, de Concertação social, nem sequer de economia e finanças que tenham em mira o bem das populações, só de números-estatísticas, o PR Aníbal está prestes a sair de cena. Da pior maneira. Tem horror a um “governo de esquerda”. Treme como varas verdes, perante o BE e o PCP. Ao BE ainda suporta, graças aos encantos de Catarina e de Mortágua. Já ao PCP, vê-o como o partido do slogam fascista a comer criancinhas ao pequeno almoço. Das criancinhas, o presidente não gosta. Só de meninos-jesus. De preferência, de ouro e prata. Na foice e no martelo, o PR Aníbal e a diupla PP-PC não vêem dois instrumentos de trabalho, respectivamente, dos operários e camponeses dos tempos da fundação do Partido. Vêem dois instrumentos de tortura, com que os comunistas do slogan fascista cortavam as cabeças das criancinhas e dos velhos, ou, em alternativa, esmagavam-nas com o martelo. Do que os três beatos cristãos católicos gostam, é da cruz, o instrumento de tortura do império romano, que, com Constantino, passou a símbolo do cristianismo dominador das mentes dos povos que conquista. Ao PR Aníbal, espera-o, agora, dourada reforma e privilégios que não têm nada a ver com as reformas de miséria dos trabalhadores. Para cúmulo, reduzidas nos últimos 4 anos pelo governo PP-PC e a Troika. Se for de esquerda, o novo governo tem de bater o pé à dívida impagável e aos juros mais do que obscenos. As pessoas, primeiro!

25 Novembrro 2015 https://www.youtube.com/watch?v=A6MKpjq33zc

 

Crónica 265

NÃO ESTÃO HOJE NO BANCO DOS RÉUS OS ÚLTIMOS 3 MIL ANOS DE “CIVILIZAÇÃO”?

 

Quem ouve os auto-proclamados líderes dos estados ocidentais, a começar pelos da França e Alemanha, e a culminar nos líderes do Vaticano e EUA, é levado a pensar que há um torrorismo bom e um terrorismo mau. Em nome de que ética religiosa, laica, ateia, agnóstica, e de que deus, pode algum Estado do mundo dizer que o seu terrorismo é bom? Não são cegos, todos os actuais líderes dos Estados ocidentais e dos demais estados do mundo, e desprovidos de entranhas de humanidade, ternura, afecto, perdão, acolhimento, numa palavra, de misericórdia praticada? Não é intelectualmente desonesto, politicamente criminoso dizer uma coisa com os lábios e fazer o seu contrário no terreno das decisões políticas e na relação com os outros povos das nações? Pode algum Estado do mundo dizer a outro, O meu terrorismo é bom e o teu terrorismo é mau? Não são maus todos os terrorismos? Não têm todos na sua base o terror? Uma ideologia-teologia que justifique, legitime o terrorismo não é intrinsecamente perversa, objectivamente intolerável? Os povos marcados pelas ideologias-teologias judeo-cristãs são melhores do que os povos marcados pelas ideologias-teologias islâmicas? Não é pelos frutos que produzem que se conhecem os povos marcados pelas ideologias-teologias judeo-cristãs, e os povos marcados pelas ideologias-teologias islâmicas, tal como é pelos frutos que produzem que se conhecem as árvores? Perante os horrores-terrores que estamos a sofrer na pele e a causar na pele de outros povos, marcados pelas ideologias-teologias islâmicas, não temos de concluir que as ideologias-teologias judeocristãs e islâmicas são igualmente más, intrinsecamente perversas? Não estão hoje no banco dos réus os últimos 3 mil anos de “civilização” marcados por elas, imposta a ferro e fogo aos povos? Não temos de nascer de novo, do Vento-Liberdade/Sororidade e sermos povos simplesmente Humanos, desarmados, vasos comunicantes uns com os outros?

(Nota: Para melhor entender esta questão, urge ler-escutar o meu Livro PRATICO, LOGO SOU, Seda Publicações, Out.º 2015)

23 Novembro 2015 https://www.youtube.com/watch?v=cFQoz6LI_0I

 

Crónica 264

QUEM É HOJE O CRISTO REI E SENHOR DO UNIVERSO?

 

A “Solenidade de Cristo Rei e Senhor do Universo”, a realizar no último dia do ano litúrgico católico, cai em cheio no vulcão de ódio assassino do islamismo-cristianismo-judaísmo contra a Humanidade, na sua multiplicidade de meninas, meninos, mulheres, homens, povos de todas as cores, culturas, línguas e contra o planeta. Nem a própria igreja católica deste início do terceiro milénio sabe trocar por miúdos o que significa aquele gongórico título. Tomado à letra, leva-nos a supor, como durante séculos de treva se supôs, que há uma entidade chamada Cristo, que é Rei e Senhor do Universo. Pelo que só nos resta concluir que todas, todos somos vassalos de um rei e senhor chamado Cristo. Só que, na linguagem com que hoje nos entendemos-desentendemos, esse Cristo ou ungido-escolhido por Deus para exercer todo o poder no universo, é um mito bíblico. O protótipo de quantos, em cada geração, dão corpo ao poder – sacerdotes, reis, imperadores, presidentes de república, governos das nações, banqueiros, juízes. Com todos os seres humanos e povos, seus súbditos, vassalos, servos. No vulcão de ódio dos terroristas do EI contra os terroristas do Estado francês e, nele, os de todos os Estados do Ocidente de raízes judeo-cristãs, esta solenidade litúrgica só não é entendida como uma provocação de mau gosto, porque as liturgias das igrejas tornaram-se uma rotina, coisa de museu, a roçar a náusea, o vómito, ainda que a sua ideologia-teologia continue aí bem alojada nas mentes dos agentes laicos do poder e dos seus súbditos, vassalos. Com uma substancial diferença para pior. Os actuais agentes do poder são habilmente ungidos-escolhidos pelo deus Dinheiro, o único rei e senhor do universo e já não recorrem a rezas, velas, altares, mas a armas de destruição maciça, nucleares, químicas, porta-aviões, bombardeiros, tecnologia de ponta. Quem é hoje, então, o Cristo rei e senhor do universo? Não são todos os agentes de turno do poder religioso, político, económico-financeiro? E insistimos em perpetuar um tipo de mundo assim?!

20 Novembro 2015 https://www.youtube.com/watch?v=eFY5y8eiAWc

Crónica 263

GUERRA ENTRE RELIGIÕES OU FINANCEIRA GLOBAL?

 

Desengane-se quem pensa que a guerra declarada pelo presidente Hollande ao terrorismo em geral e ao EI em especial é uma guerra entre religiões. Não é. O Islamismo é filho do judeo-cristianismo. Os três auto-apresentam-se como as religiões do livro – Bíblia hebraica, judeocristã (1º e 2º Testamentos), Alcorão. Na verdade, são três sistemas de poder. Siameses, não distintos. Com variantes meramente acidentais, decorrentes das respectivas origens históricas e contextos culturais em que foram escritos. São livros datados, não sagrados, como nos fazem crer. Uma mentira mais, com que mascaram a realidade histórica, objectivamente obscena. Os mais hediondos crimes, os mais bárbaros actos de terrorismo, os maiores genocídios e ecocídios cometidos ao longo dos séculos no Ocidente e no Oriente, estão todos justificados por estes livros. Comparados com os actos terroristas destes primeiros 15 anos do terceiro milénio, pese embora toda a sua crueldade, todo o seu sadismo-desprezo pelos seres humanos-povos-planeta terra, estes são quase uma suicida diversão de mau gosto. No calendário por que nos regemos, os antigos actos terroristas são coisa do passado. Já não queimam a pele. Só que a memória das vítimas não tem passado, só Hoje. Não o de 24 horas, o iniciado com a primeira vítima da história da humanidade. Dizem-se as três religiões do livro. São três sistemas de poder que se degladiam entre si pelo domínio do planeta, da riqueza do seu subsolo, dos seus mares e rios. Sobretudo, das mentes humanas. Vestem de salvadores, messias-cristos redentores. São insaciáveis bestas que se alimentam de sangue, o das vítimas. Guerra entre religiões ou financeira global? Não nos deixemos enganar. Quanto mais invocam Deus, mais terroristas são. Escutemos Jesus, o filho de Maria, não cristo, o filho de David: “A Deus nunca ninguém O viu!” (João 1, 18) Pelo que o deus das três religiões do livro é o pior dos ídolos. Hoje, o poder financeiro global. Em guerra aberta contra os seres humanos, os povos, o planeta.

18 Novembro 2015 https://www.youtube.com/watch?v=KXYqzmy4Lik

 

Crónica 262

O QUE ESTÁ POR TRÁS DO HORROR-TERROR DE PARIS?

 

É em momentos como os que estamos a viver, cercados de cadáveres, dores, lágrimas, cóleras (in)contidas, medos, que mais precisamos de discernimento, para não tomarmos por verdade o que é apenas sádica e cruel encenação. As reacções imediatas dos agentes de turno do poder, nos três poderes em que ele historicamente subsiste e se apresenta aos povos seus súbditos, podem ajudar, e muito, a entender o que efectivamente se está a passar, nestes dias de grande apocalípse ou revelação, no Ocidente. Ajuda-nos, também, e muito, a pergunta correcta que emerge dos 132 cadáveres, resultantes de outros tantos assassinatos perpetrados por uns quantos poucos detentores de armas do poder, refinadamente eficazes, fabricadas por ele, a pretexto de que são necessárias para garantir a segurança dos povos, quando, na verdade é a sua própria subsistência como poder que está em jogo. E a correcta pergunta que emerge do silêncio dos 132 cadáveres assassinados é, O que está por trás do horror-terror de Paris? O presidente Hollande apressou-se a gritar aos seus horrorizados-aterrorizados súbditos que o atentado é uma declaração de guerra. Quer dizer: Para este agente de referência do poder armado, as 132 pessoas assassinadas não são mais do que o pretexto de que ele necessitava para declarar guerra ao mundo islâmico, reiteradamente bomberdeado há semanas, meses, pelos bombardeiros da Nato, na Síria, no Iraque, no Afeganistão, a que se juntaram, por fim, os da Rússia de Putin. Os grandes media do poder fazem, depois, o resto. Conseguem convencer as populações de que o EI é o autor dos massacres em Paris, e vira-as contra ele, não contra o poder armado, que fabrica as armas de destruição maciça e nucleares, do qual o EI é um dos seus pequenos agentes. A guerra declarada por Hollande é um passo mais, para que o poder se consolide ao leme do mundo, no lugar dos povos. E com estes como seus reféns, com liberdade para se divertir, fornicar, embebedar, drogar, estupidificar. Nunca mais povos Eu-sou, somos!

16 Novembro 2015 https://www.youtube.com/watch?v=YzJ32i_6qAA

 

 

Crónica 261

POVOS SEM CRISTIANISM0, SEM PODER?

 

O poder, assassino da humanidade, só consegue perpetuar-se na história, porque, por sua natureza, é messiânico ou cristão, ele próprio, o Messias-Cristo, filho de David. Isto, no caso concreto dos países ocidentais, marcados todos, para seu mal, pela ideologia-teologia idolátrica que atravessa toda a Bíblia judeo-cristã. Dizer, Cristo, Christos, em grego, como faz a Septuaginta, ou Bíblia dos Setenta, é o mesmo que dizer Messias, Messiah, em hebraico. Como dizer Todo o poder é cristão, é a mesma coisa que dizer Todo o poder é mesiânico. Os povos de outras civilizações que não a judeo-cristã-messiânica, terão outras designações para dizer a mesma realidade. De contrário, não seriam, como são, povos a viver conformadamente sob o domínio do poder. O poder desapareceria, à medida que os próprios povos crescessem de dentro para fora em ser, liberdade, criatividade, autonomia, politicamente religados-organizados uns com os outros ao modo dos vasos comunicantes, a única forma verdadeiramente humana de sermos povos sujeitos, protagonistas, responsáveis pelos próprios destinos e do planeta. Quantas, quantos, aceitamos conformadamente, pior, até, exigimos uma sociedade com o poder ao leme, em lugar de os próprios povos politicamente religados uns coms oss outros ao leme, somos cristãos ou messiânicos que se desconhecem. Esperamos infantilmente que o amanhã seja melhor do que o hoje, em resultado, não do nosso próprio desenvolvimento de dentro para fora em cada hoje do nosso ser-viver na história, mas da intervenção de um messias-salvador todo-poderoso, fora de nós. O mais até onde chegamos com as perguntas que formulamos é, Cristianismo sem igreja? Igreja sem cristianismo? Quando, a pergunta que urge formular-praticar é Povos sem cristianismo, sem poder? Eis a questão de fundo que urge levantar. Porque só os Povos sem cristianismo, sem poder são povos ao leme do mundo. Progressivamente humanos, felizes, sororais, vasos comunicantes.

13 Novembro 2015 https://www.youtube.com/watch?v=yVb8hPSU8rg

 

Crónica 260

DEMOCRACIA OU ÓDIO ENTRE PARTIDOS E SEUS APOIANTES?

 

Tudo indica que as eleições legislativas de 4 de Outubro conduziram o país a mais um beco sem saída. Oficialmente, as eleições legislativas visam eleger deputados para o Parlamento. Na prática partidária, visam escolher um primeiro-ministro que, por sua vez, escolhe o governo, segundo a ideologia por que se rege, não segundo a sua consciência de ser humano religado aos demais seres humanos, e, logo depois, apresenta-o como o governo do país. Na realidade, é o governo do primeiro-ministro e dos deputados que o apoiam, a troco das regalias que o cargo lhes garante, se, também eles trocarem a própria consciência pela chamada disciplina de voto. As populações votem ou não votem, não são tidas nem achadas, no que respeita à formação do governo. Chamar a este processo, democracia, é reduzi-la aos partidos ou coligações de partidos, com as populações completamente a leste. O que, entretanto, se passa no Parlamento pode ser privilegiado modo de vida para os deputados, não é, de modo algum, vida de qualidade para as populações. A luta partidária pelo poder político, nas campanhas eleitorais e no Parlamento, é cada vez mais feroz. Só ainda não é armada. Por enquanto. Mas as palavras que saem da boca dos deputados são tão assassinas como as balas. Com a diferença de que não corre sangue dos deputados atingidos, de uma e de outra facção. O mesmo já não se pode dizer das populações que, com o seu trabalho e os impostos que os sucessivos governos partidários lhes impõem, são forçadas a sustentar aquela arena chamada Parlamento. Estas sangram de verdade. Governos partidários são, fatalmente, governos de facção. Estranhos ao conjunto das populações e contra elas. Agradam à facção que apoia cada governo e reduzem a facção vencida ao papel de Oposição-Ódio político. Como, ao final de cada mês, as regalias são iguais para todos, os deputados de cada facção limitam-se a assumir o seu papel. Cabe, por isso, perguntar: Democracia, ou ódio entre partidos e seus apoiantes? https://www.youtube.com/watch?v=MM9HqhUpRWU

 

Crónica 259

DE QUEM TEMOS DE ACAUTELAR-NOS?

 

Quem ainda insiste em ir à mssa aos domingos, ou, em alternativa, assiste em casa à que é transmitida pela tv, deve ter escutado na de ontem uma das piores barbaridades saídas da boca dos sacerdotes e bispos, o de Roma incluído, que a elas presidem – é um exclusivo deles, não assim a Eucaristia, feita em Mesas compartilhadas, como sempre faz Jesus e quer que todas, todos façamos também – a própósito da chamada “viúva pobre” do Evangelho (Marcos 12, 41-44). O episódio é imediatamente precedido por uma oportuna advertência de Jesus, “Acautelai-vos dos doutores da Lei, que gostam de exibir longas vestes, de ser cumprimentados nas praças, de ocupar os primeiros lugares nas sinagogas-templos e nos banquetes; eles devoram as casas das viúvas – naquele então, a expressão máxima da pobreza – a pretexto de longas orações.” Os bispos-sacerdotes católicos, sucessores dos sacerdotes das religiões do paganismo, integram precisamente este grupo dos “doutores da Lei”, os únicos com direito à palavra, ou à última palavra, nas missas-cultos a que presidem. São também os únicos que aí exibem longas vestes, gostam de ser reconhecidos-cumprimentados pelos respectivos súbditos, de ocupar os primeiros lugares nos templos, onde, por dever de ofício, são reis e senhores. Finalmente, também devoram, de actualizado modo, as casas das viúvas, a pretexto de longas orações. Lido neste contexto, o episódio da viúva pobre que entra no templo e deita no respectivo tesouro tudo o que de pouco tem, escandaliza tanto Jesus, que ele não resiste a chamar os discípulos, para que vejam quanto o templo é covil de ladrões, inclusive, dos mais pobres como aquela viúva. Mas então não é que os sacerdotes-pastores apresentam, agora, esta viúva superexplorada pelo tesouro do templo, como o maior exemplo de generosidade?! De quem temos de acautelarmo-nos? Não é dos sacerdotes-pastores, dos chefes do poder político e financeiro – os grandes poderosos e os grandes ricos? Não são todos ladrões, sob a capa de benfeitores?!

9 Novembro 2015 https://www.youtube.com/watch?v=fOolgiQC5c4

 

Crónica 258

MAS AINDA NOS ESCANDALIZAM OS ESCÂNDALOS DO VATICANO?

 

Digo há muito tempo que a Cúria romana é um ninho de víboras, portadoras de veneno mortal. Quem a integra e se mantém, é porque já se deixou corromper por ela. E cala-se. Como sucede em todas as máfias. O que falar é abatido na hora. No mesmo dia. E pode não ser o único. Familiares seus, estão em permanente risco de vida. Só ingénuos que o querem ser, é que vêem santidade, lá onde há crime organizado, institucionalizado. Acabam de sair dois novos livros de jornalistas vaticanistas que divulgam novos escândalos da Cúria romana, presidida pelo papa Francisco. Na realidade são velhos, até agora mantidos em segredo. Apetece-me perguntar, Mas ainda nos escandalizam os escândalos do Vaticano?  A mim, presbítero-jornalista, já me não escandalizam. A simples existência da Cúria romana e do estado do Vaticano é por si só o maior escândalo, porque uma máquina de produção de escândalos em série. Ninguém se aproveita. Ninguem está isento de crime, de pecado. Nem o papa de turno. Tudo é negócio, até a canonização de santos, que é uma fábrica de produção de dinheiro. As vidas canonizadas são mitificadas, não históricas. Aliás, já é uma vida mitificada que está na origem do cristianismo, a grande fábrica de produção de crime organizado, de lavagem de dinheiro sujo, sob a capa de santidade. Nunca podemos esquecer que o Cristo sentado à direita de Deus é um mito bíblico, criado por Pedro e Paulo para esconder-negar para sempre Jesus, o filho de Maria. Pedro (re)nega Jesus três vezes, totalmente. E Paulo é o perseguidor de Jesus. Um e outro nunca mais querem saber dele. Até a simples lembrança de Jesus perturba-os. Depois de o saberem morto na cruz, como o maldito de Deus, o da Bíblia, fundam o cristianismo, o criador do papado e da sua Cúria. Nunca a vida histórica de Jesus será canonizável para o cristianismo. Só o mito Cristo, o filho de David, elevado à categoria de Deus. Porque este, sim, dá muito poder e muitos milhões a ganhar à Cúria e ao Estado do Vaticano. Uma vilania sem nome!

6 Novembro 2015 https://www.youtube.com/watch?v=cTbRCXoDdm8

 

Crónica 257

QUE PÃO NOS DÁ O LIVRO “PRATICO, LOGO SOU”?

 

A apresentação foi no sábado, 31 de Outubro. E logo no dia 2 de Novembro, recebo um convite do meu amigo A. Teixeira da Silva, de Figueiró, Amarante, para almoçar com ele e levar comigo exemplares do Livro, porque o almoço seria com alguns amigos dele, de muitos anos, todos ainda desconhecidos meus. Aceitei, com redobrada alegria. Comigo, éramos oito homens à Mesa do restaurante. Escrevo “Mesa” com maiúscula, porque este almoço terá sido a primeira Eucaristia a sério que estes homens realizaram nas suas vidas, nesta data, já todos reformados. Não houve missa. Houve Mesa compartilhada. Não houve rito sacramental no altar. Houve Eucaristia. Não houve sacerdote a presidir. Houve um presbítero-jornalista a animar, coordenar o almoço-conversa. À medida que este avança, cresce entre nós a intimidade e o à vontade. Experimentamo-nos de novo meninos. Simples como as pombas, sem necessidade de sermos prudentes como as serpentes. Nenhum de nós, ali, é serpente venenosa. Pelo contrário, soltamo-nos e crescemos em humano de dentro para fora. Pela vez primeira, Eu-sou, Nós-somos. Pelo brilhozinho nos olhos e pela primavera que floresce em cada rosto, até a funcionária de serviço no restaurante mostra-se surpreendida. Nunca os vira assim, nas outras vezes. Depois de todos termos tido voz e vez, salta da mochila o meu novo Livro que passa de mão em mão. Proponho-me dizer o 1.º, dos 366 Pensamentos que tecem o Livro. Quase me exigem que o faça. Levanto-me e começo, “Aconteço no decurso da Evolução. Sou filho da Vida que me precede. Já estou, inteiro, mas ainda em semente, no Big-Bang. Tenho 13 mil e 700 milhões de anos. Em mim, a vida torna-se, finalmente, consciência. Já não sou um Animal Racional, mais. Passsei à condição de Ser Humano. Semore em relação. Sempre em comunhão (…)”. Até duma mesa próxima, vêm palmas de gratidão. O que nos faz a todos perguntar, Que Pão nos dá o Livro “Pratico, Logo sou”? A verdade é que quantos já o saborearam, quiseram levá-lo com eles para suas casas.

4 Novembro 2015 https://www.youtube.com/watch?v=rwGN56N96bo

Crónica 256

O ÚLTIMO TABU, OU O GRANDE NEGÓCIO DO SÉCULO?

 

É mais do que manifesto que filósofos e teólogos do sistema que tem por pai o cristianismo continuam a lidar muito mal com a Morte. Falam da morte como “o último tabu”. O último tabu, ou o grande negócio do século? Na sua exuberante erudição, não vêem o mais elementar que está aí bem diante dos olhos afectivos, alimentados pela Sabedoria, mas totalmente vedado aos olhos racionais do Saber que é Poder, por isso, cego e causador de cegueira, ao comando do mundo desde o início da humanidade. Só por isso, este mundo é o inferno que se conhece, cada dia mais horrendo. Ultimamente, quase já não se morre. Somos mortos. Tudo está organizado ao milímetro para matar as populações, os povos. Somos assassinados, até pelo ar que respiramos, pelos alimentos que ingerimos. O grande Mercado é assassino. Não morremos. Somos mortos. Os filósofos e os teólogos do Saber racional que desconhece a Sabedoria são criadores de sistemas de doutrina-ideologia que negam a realidade. Para eles, a verdade é a doutrina, o pensar racional, a ideologia-teologia. Podem até dissertar com brilhantismo sobre afectos, mas não sabem de afectos praticados-vividos. Não vêem as pessoas de carne e osso. Não as tocam, não as abraçam, não as escutam. Desconhecem de todo a Sabedoria que nasce da realidade – as pessoas concretas, não as doutrinas, as ideologias, as teologias do Saber-Poder. Da Morte, como da Vida, os filósofos e os teólogos do sistema que tem por pai o cristianismo, não sabem nada. São os principais agentes do Saber-Poder. Por isso, reconhecidos e premiados. Falam da Morte como o último tabu, quando ela é o grande negócio do século. Só a Sabedoria, nos antípodas do Saber-Poder, nos revela que a Morte é a maior invenção da Vida, para que a Vida possa prosseguir em dimensões outras que, enquanto cada uma, cada um de nós não a protagonizarmos, não podemos conhecer. Nem é preciso. Basta-nos ser-viver, cada dia, longe do Mercado, próximos uns dos outros e politicamente religados uns com os outros.

2 Novembro 2015 https://www.youtube.com/watch?v=rySzL63WYhI

 

Crónica 255

DE PADRE MISSIONÁRIO A BISPO RESIDENCIAL?

 

“A vós, caros irmãos e irmãs, desta Igreja de Deus em Setúbal, peço licença para entrar e fazer parte da vossa comunidade. Peço igualmente que me acolhais, como irmão”. As palavras são do novo bispo residencial de Setúbal, José Ornelas, ordenado pelo cardeal patriarca de Lisboa, coadjuvado pelos dois imediatos antecessores eméritos, Gilberto Reis e Manuel Martins. São palavras de sincero afecto, ou de mera circunstância, próprias de quem, de repente, se vê catapultado à frente de uma diocese-empresa, com milhares de sadinos, como súbditos?  O que leva um homem de 61 anos, nascido na Madeira, a aceitar passar de padre missionário a bispo residencial de Setúbal? Sim, o papa Francisco, em mais um gesto mediático em que é compulsivo reincidente, teve o cuidado de se encontrar com ele no Vaticano, para lhe dizer, olhos nos olhos, que o quer missionário em Setúbal. Mas como missionário em Setúbal, se a igreja católica em Portugal, está dividida em dioceses e paróquias com limites territoriais, geridas por bispos e párocos empresários, investidos de discricionário poder sobre os fiéis súbditos, atoladas em burocracias, ritos a fazer de sacramentos, rezas e mais rezas de terços, cruzes e senhoras de fátima em todo o lado, procissões de velas, santas, santos de altar para zelar, festas pagãs e missas a granel? Como ser bispo missionário em Setúbal, se a diocese integra a Conferência Episcopal Portuguesa, cujos bispos são obrigados a reunir regularmente em Fátima, a participar, de Maio a Outubro de cada ano, naquelas peregrinações anti-Humanidade, anti-Evangelho de Jesus, sabem-se vigiados-controlados, 24 horas sobre 24, pelo cruel Código do Direito Canónico e pela Nunciatúra, os olhos e os ouvidos da Cúria romana em Lisboa? O absurdo ritual de ordenação de bispo, que ele aceitou sem pestanejar, aquelas absurdas vestes, aquelas mitras nas cabeças, aqueles absurdos báculos, mai-lo ouro dos anéis no dedo, não matam toda e qualquer possibilidade de Evangelizar os pobres e os povos?! Ai, meu irmão José!

30 Outubro 2015 https://www.youtube.com/watch?v=vABiV4TwOhA

 

 

Crónica 254

O QUE FIZESTE DE TI, JOSÉ EDUARDO, FILHO DE JACINTA?

 

No teu sobrenome, “dos Santos”, lá está, bem assinalada, a marca do descendente de escravos, que és, José Eduardo dos Santos. Será por isso que odeias tanto os jovens angolanos que buscam, agora, pela via política desarmada, a mudança económica, política, social de Angola, de África, do mundo? Só um ódio assassino foi capaz de deixar chegar o jovem Luaty Beirão aos 36 dias de greve de fome. A história de Angola, de África, do Mundo, só não te condena, porque é escrita pelos vencedores, não pelas suas incontáveis vítimas. Cuja história não carece de ser escrita, porque é gravada a fogo na consciência dos povos, todos eles vítimas do poder e dos seus mercenários-carrascos políticos. O que fizeste de ti, José Eduardo, filho de Jacinta? Como foste capaz de assassinar politicamente a tua mãe, renunciar a ser seu filho, para te tornares filho do poder, para cúmulo dos cúmulos, do poder monárquico absoluto? Como foste capaz de deixar de ser filho de mulher, para seres filho de puta, que é como a teologia de Jesus chama ao poder, sobretudo, ao poder monárquico absoluto, ditador, como tu te tornaste? Suicidaste-te, como filho de mulher. Ressuscitaste como filho do deus Poder, o Cristo invicto de Angola. Precisas de saber, juntamente com tua filha Isabel dos Santos, que quando os milhões de angolanos são obrigados a calar-se, por força do teu sistema de repressão, gritarão as pedras. E aos gritos das pedras, não há poder nem exércitos que os calem. Vê. Bastaram 36 dias de greve de fome de Luaty Beirão, preso político, por ter sido encontrado a ler-conversar um Livro com mais companheiros seus, para que hoje todo o mundo saiba que és o ditador de Angola, mascarado de presidente. E que toda a tua fortuna e a da tua filha são a miséria de milhões e milhões de angolanas, angolanos. Se, depois deste apocalipse político, chamado Luaty Beirão, ainda te mantens ditador de Angola, melhor fora que Jacinta, tua mãe, nunca te tivesse concebido e dado à luz. E o que te digo a ti, digo a todos os ditadores. Melhor fora nunca tivesseis nascido.

28 Outubro 2015 https://www.youtube.com/watch?v=t23Ljcr_yuI

 

Crónica 253

OS MERCADOS OU OS POVOS?

 

Estava Cavaco, mai-la sua Maria, a dos presépios, no final de todo o regabofe em que, como chefe de governo, primeiro, e, agora, da República, têm vivido ambos impunemente em viagens pelo país e pelo estrangeiro, quando as populações que ainda votaram no dia 4 de Outubro – as que já não votam, há muito que andam a dizer que não querem ser governadas por merceários, querem ser elas-umas-com-as-outras a gerir os seus próprios destinos – decidiram retirar a maioria absoluta no Parlamento à coligação PP-PC. Na hora, a coligação celebrou a poucochinha vitória, com palmas de velório e de adeus. E, no desespero de mercenários políticos que são, correram a celebrar um acordo entre ambos, para, assim, darem um sinal ao Cavaco e à sua Maria em Belém, de que, de ora em diante, não haveria mais engenhosas cenas “irrevogáveis”, por parte do PP. Esqueceram-se, até, que à sua esquerda, os três partidos mais votados somavam mais deputados no Parlamento. Faltava só que os três se entendessem, como eles dois. Em 40 anos de democracia partidária – não confundir com democracia dos povos, ainda por concretizar – nunca tal se vira, mas há sempre uma primeira vez. A raposa política do palácio de Belém, como, outrora, a raposa do palácio de Herodes, na Judeia – o epiteto político “raposa”, aplicado a Herodes, é de Jesus, o de Lucas (13, 31-32) estremeceu com o entendimento em curso dos três, e decidiu converter-se em “força de bloqueio”: De tão nervoso, nem advertiu que, assim, unia ainda mais os três que tanto detesta. E à fundamental pergunta, Os mercados ou os povos?, o mercenário-mor de Portugal ao serviço dos mercados escolheu os mercados. Só que estes muito mais raposas do que todos os mercenários políticos em conjunto, preferem a maioria dos deputados dos três partidos e o seu governo. Com estes ao comando, haverá, certamente, um simulacro de alívio para as populações, mas, no final, os mercados estão ainda mais fortes. A menos que nós, os povos das nações, decidamos viver sem os mercados.

26 Outubro 2015 https://www.youtube.com/watch?v=Nv1bd7P71V4

 

Crónica 252

PODEMOS SER-VIVER SEM POEMAS?

 

Andam, há milénios, a tentar convencer-nos de que não podemos viver sem pão. Todo o ser-viver dos seres humanos rodopia à procura do pão. Não o pão nosso de cada dia, como sublinha sabiamente o Projecto-Programa político maiêutico de Jesus, o filho de Maria. Mas o pão de cada um. No máximo, de cada família nuclear, pai, mãe, um ou dois filhos. Vai daí – reza a história dos povos – os sem-escrúpulos políticos atiram-se de cabeça à tarefa de amontoar-concentrar riqueza, na convicção de que, assim, garantem a sua própria vida e a dos seus. Perdem-na. Sobretudo, perdem a própria alma-identidade. Nunca fomos capazes de pensar-projectar-concretizar uma sociedade de povos em que a pedra angular, sem a qual não há o pão nosso de cada dia para todos os povos, seja este primeiro princípio: – Tudo o que o planeta dispõe e tudo o que nele se produz, é de todos, segundo as reais necessidades de cada um. Ignorada esta pedra angular, não há sequer seres humanos, povos. Há minorias que açambarcam-acumulam-concentram tudo, enquanto a esmagadora maioria da Humanidade definha e morre antes de tempo, depois de um curto viver de dores e de horrores. Tudo é diferente se escutamos, em cada geração, a grande Pergunta humana, Podemos ser-viver sem poemas? Reiteradamente lembrada esta Pergunta em todos os parlamentos das nações, em todas as escolas, dos infantários às universidades, nunca mais o pão nosso de cada dia falta nas mesas de todos os seres humanos e povos da terra. As igrejas dos sacerdotes e dos pastores, mai-las religiões, detestam os poemas, à semelhança do seu deus, o Dinheiro. E, com as igrejas-religiões, também os seus filhos dilectos – os parlamentos das nações e as escolas, dos infantários às universidades, adoradoras, adoradores do mesmo deus, o Dinheiro. Só os poemas salvam os seres humanos e os povos. Aqueles poemas que os seres humanos e os povos trazemos amordaçados dentro de nós. Demo-los à luz, pratiquemo-los e somos-vivemos em plenitude.

23 Outubro 2015  https://www.youtube.com/watch?v=GJ-tYSmrnEI

 

Crónica 251

URNAS DE VOTO, OU FUNERÁRIAS?

 

Ciclicamente, as populações são chamadas às urnas. São ainda muitas as pessoas que aceitam as regras do jogo do poder económico-financeiro e do poder político, e saem de suas casas para votar, no dia e no horário que eles determinam. As urnas, diz quem manda, são de voto. Urnas de voto, ou funerárias? A sua função é engolir os votos. So que, com os votos, engolem também as pessoas que ainda votam. Quando regressam a suas casas, as pessoas vêm despojadas-roubadas da sua capacidade política institucional de deliberar seja o que for sobre o país. Ela é totalmente engolida pelas urnas de voto. É inevitavelmente assim, até ao dia em que, politicamente conscientes e em bloco, não aceitemos mais as viciadas-envenenadas regras do jogo democrático. A verdade é que, uma vez contados os votos, a capacidade política de decidir é apenas de uns quantos mais votados. E mesmo destes mais votados, nem de todos. Tão-só da elite partidária, presidente ou secretário-geral, e de umas quantas, uns quantos mais do mesmo partido. Às pessoas votantes, cabe simplesmente o miserável papel de observadores. Para cúmulo, assediadas a toda a hora pelos grandes media, servidos por uma elite de jornalistas bem pagos que se prestam a dar voz, vez e tempo aos muito poucos das cúpulas dos partidos com representação parlamentar. Todos os outros partidos que disputaram as eleições, mas ficaram fora do parlamento, deixam mediaticamente de existir, até à próxima legislatura. Nem os próprios se afligem, contanto que tenham obtido nas urnas 50 mil votos ou mais. O que mais temem é que a legislatura não vá ao fim. Porque então lá se vão os muitos milhares de euro que receberão, em cada um dos quatro anos da legislatura, pelo total dos votos que somaram. Pois é. Continuemos a acatar-cumprir as viciadas-envenenadas regras do jogo democrático, que o poder económico-financeiro e o poder político agradecem! Mas então não nos queixemos! Temos o que escolhemos.

21 Outubro 2015 https://www.youtube.com/watch?v=8vPJeNAk2KI

 

Crónica 250

A GREVE DE FOME DE LUATY DERRUBA O DITADOR DE ANGOLA?

 

É público e notório que a República de Angola, ex-República Popular de Angola, continua a braços com um Presidente democraticamente eleito, mas ditador-ladrão-assassino de Estado. Só a hipocrisa política dos Estados ocidentais impede os respectivos governos e parlamentos de o dizerem assim e de agirem em consequência. Do ponto de vista teológico jesuânico por que procuro olhar-dizer a realidade e a actualidade dos povos das nações, é assim que vejo e digo-escrevo. Alheio ao politicamente correcto. Em democracia, as eleições valem o que valem. À luz da Fé-Teologia de Jesus, a única que nos faz ver a realidade para lá das múltiplas máscaras-encenações com que nos é sistematicamente apresentada, as eleições acabam por ser, até, uma arma mais, contra as populações e os povos que não têm sequer como lhes resistir. A menos que o seu ser-viver quotidiano seja já um ser-viver radicalmente alternativo ao imposto pelo Mercado financeiro global. Um ser-viver, porta-estreita, que só traz sarilhos a quantas, quantos, neste tipo de mundo, não hesitam praticá-lo, nem que sejam muito poucas, muito poucos. Conscientes, desde Jesus, o filho de Maria, nos antípodas de Cristo, o filho de David, de que é a única postura que nos faz humanos sororais, de dentro para fora. Por estes nossos dias, o ditador-ladrão-assassino de Estado, presidente de Angola, está a braços com a fragilidade humana de Luaty Beirão, 33 anos de idade, um digno cidadão luso-angolano, preso político, em greve de fome até à morte. A menos que o ditador Presidente reconheça o direito que lhe assiste e a mais 16 companheiros presos políticos com ele, de regressarem imediatamente às suas casas. Nem que seja para, a seu tempo, serem julgados, no Tribunal do ditador que não sabe de direitos humanos, muito menos, do direito à indignação política e à livre expressão. Será que a greve de fome de Luaty derruba o ditador Presidente? Ou o ditador Presidente de Angola vai deixá-lo morrer, para, desse modo, se ver livre dele, sem ter de gastar uma única bala?!

19 Outubro 2015 https://www.youtube.com/watch?v=_aaYzfKfuNc

 

Crónica 249

DEMOCRACIA DOS POVOS OU DOS FINANCEIROS?

 

Não gosto do substantivo “democracia”. À letra, tem a ver com poder (= cracia) do povo (= demo). Mas, neste tipo de mundo dos financeiros, o poder nunca é do povo. Aliás, povo não existe. Existe o conceito que parece dizer tudo. Não diz nada. Falar, por exemplo, em “força do povo” – a expressão é conotada com o poder dos partidos políticos – é, na prática, falar em poder dos partidos que dela usam e abusam. Povo não existe.  Existem povos das mais diversas nações, línguas, culturas. Existem seres humanos concretos, mulheres, homens, cada qual com o seu nome, a sua identidade, as suas potencialidades, as suas fragilidades. Sobretudo, as suas fragilidades. Só religados uns com os outros, somos. Cada um, entregue a si próprio, uma vez cortado o cordão umbilical, morreria, logo ao nascer. Nenhuma, nenhum, de nós sobrevive, sozinho, a esse corte. Tão pouco, sobrevive sem esse corte. Depois de cortada a ligação umbilical com a mãe, somos, se religados uns com os outros. Politicamente religados. Não religiosamente religados. As religiões religam-nos, não uns com os outros, mas com um mítico deus, mais ou menos projectado-criado pelos respectivos fundadores, com fome e sede de poder, de domínio, nenhuma fome e sede de Liberdade, de Autonomia. O que, nestes dias, pós-eleições legislativas de 4 de Outubro, está a passar-se em Portugal, é, no mínimo, surrealista. Só não vê quem não quer ver. Ou é condenado, por toda a vida, a não poder ver. É o caso das maiorias empobrecidas, governadas por mercenários ao serviço dos financeiros. Uma vilania que este tipo de sociedade dos financeiros mascara com o sonante substantivo “democracia”. Democracia dos povos, ou dos financeiros? Pelos vistos, só há democracia, se for constituída por uma maioria estável de direita no Parlamento. Se de esquerda, cai o Carmo e a Trindade. Quando decidimos sair da letargia política e, de uma vez por todas, assumimos em mãos os nossos próprios destinos, como povos religados uns com os outros? Quando?

16 Outubro 2015 https://www.youtube.com/watch?v=QKSGF-zJy5s

 

Crónica 248

O QUE FAZER ÀS DÍVIDAS IMPAGÁVEIS?

 

A dívida do estado português sobe milhões de euro por dia. Os muito ricos que emprestam milhões, a pretexto de ajudar o nosso país, cobram juros elevados, de modo que os respectivos empréstimos redundam em chorudos lucros. É o dinheiro a produzir dnheiro, sem que os grandes ricos tenham de fazer mais nada. Objectivamente, a ajuda é especulativo negócio. O país ajudado é completamente apanhado pelos grandes ricos que dizem ajudá-lo. Até que a dívida torna-se impagável. Só para pagar os juros da dívida, o país tem de contrair novos empréstimos. Bem se pode dizer, com propriedade, que o país, cuja dívida é impagável, é um país em vias de extinção. Para os grandes ricos credores, as populações do país que contrai uma dívida impagável simplesmente não existem. O único valor absoluto para os grandes ricos é o dinheiro que emprestam contra a cobrança de juros elevados que fazem aumentar ainda mais a dívida. O facto revela à saciedade o absurdo do capitalismo e dos seus processos de funcionamento. Cresce o Dinheiro, desaparecem as populações. Pelo menos, desaparece a sua qualidade de vida. O que fazer então às dívidas impagáveis? No Projecto político maiêutico de sociedade, praticado-revelado por Jesus Nazaré, o absurdo capitalista não chega sequer a ter lugarr. Não há dívidas. Muito menos, dívidas impagáveis. Numa sociedade resultante do seu projecto político maiêutico, o único valor absoluto são as pessoas, as populações, os povos. Nunca o capital, o dinheiro, convertido em deus. Tudo concorre para a qualidade de vida e a felicidade das pessoas. Um dos seus pilares políticos reza assim, Perdoai-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores. Só há devedores e dívidas impagáveis, porque há grandes ricos que acumulam o que é de todos. O real devedor, pecador é quem acumula o que é de todos. Ou os povos matam o capital e salvam-se uns com os outros em comunhão, ou o capital acaba por matá-los, precisamente, quando mais parece ajudá-los!

14 Outubro 2015 https://www.youtube.com/watch?v=Zq8iyOQuGUs

 

Crónica 247

E DOS NOSSOS DESTINOS COLECTIVOS, QUEM CUIDA-GERE?

 

O normal é cuidarmos-gerirmos as casas que somos-habitamos e o nosso próprio dia a dia. Por princípio, não confiamos essa responsabilidade a estranhos. Embora, nestes nossos dias de generalizada alienação humana, sejam cada vez mais numerosas as empresas que nos assediam, para que lhes entreguemos essa responsabilidade. Nascem todos os dias novas empresas especializadas em serviços que só a nos compete fazer. O grande Mercado financeiro, assessorado pelos melhores cérebros, trabalha dia e noite no sentido de invadir a nossa privacidade e brindar-nos com soluções que, uma vez aceites, nos tornam progressivamente dependentes dele. As nossas crianças, hoje, crescem carregadas de mecanismos que lhes atrofiam múltiplas capacidades e funções. Só que, cada órgão sem uso é órgão condenado a desaparecer. Substituído por estranhos sem rosto, sem afecto, como são todos os robots, cada vez mais aperfeiçoados, em detrimento do nosso próprio desenvolvimento de dentro para fora individual e colectivo. Sem darmos por isso, crescem e impõem-se os estranhos e nós diminuímos. Até que, em próximas gerações de seres humanos, se já não tiverem sido substituídas por gerações de robots cada vez mais sofisticados, as crianças já nascerão sem esses órgãos que deixaram de ser usados. O cérebro humano é assim: Orgão inactivo, órgão desaparecido. Os grandes cérebros ao serviço das grandes multinacionais, fixadas nos mais obscenos lucros, são motivo de orgulho para os familiares e motivo de inveja por parte dos que ficam de fora desses lugares altamente remunerados. De modo que nem eles próprios vêem que são agentes do mal, colaboradores dos algozes multinacionais que, graças a eles, assumem responsabilidades que só às populações e aos povos das nações cabe assumir Ergue-se, pertinente, a pergunta: E dos nossos destinos colectivos, quem cuida-gere? Nós, populações e povos das nações, ou os messias políticos que uma boa parte de nós, em vez de recusar, ainda elege?

12 Outubro 2015 https://www.youtube.com/watch?v=kBzJZ_5Ud0Y

 

 

 

Crónica 246

O DEUS DE FÁTIMA É UM MONSTRO. E O DA BÍBLIA?

 

Inesperadamente, fui atacado ontem em Felgueiras, quando me preparava para arrancar no velho clio, depois de entregar no correio exemplares do meu Livro FÁTIMA S.A. A entrevista divulgada, ontem, na edição online do JN está a deixar muita gente à beira de um ataque de nervos. Não só católicos fanáticos de Fátima. Também certos agnósticos e ateus que não suportam o estilo jornalístico-teológico sem eufemismos com que me exprimo. O ataque foi protagonizado por uma mulher. Viu-me, pronto a arrancar, e aproxima-se, sorridente. Abre a porta do lado do passeio, não por uma boleia, mas para me atacar com a Bíblia e o Deus da Bíblia. Ainda pensei que vinha por um exemplar de FÁTIMA S.A. em consequência da entrevista. Não vinha. Mas já que lhe falei do livro e da entrevista, ela pegou na deixa e pôs-se-me a reproduzir a cassete contra Fátima, que a igreja não católica que frequenta já lhe gravou na mente. Como se eu fosse um analfabeto no assunto e não soubesse que o Deus de Fátima é um monstro. Aproveitei uma breve pausa feita por ela, e digo-lhe isso mesmo. Nem me ouviu-estremeceu. E lá prosseguiu na reprodução da cassete até ao fim. De Fátima, passou logo para a Bíblia que tem em casa, estuda e toma tudo à letra. Calculem o escândalo dela, quando a interrompo, para lhe afirmar e perguntar: O Deus de Fátima é um monstro. E o Deus da Bíblia? A mulher nem quer acreditar no que acaba de ouvir da boca deste seu conhecido padre-jornalista. Quase desmaia. Pior ainda, quando a esclareço que o próprio Jesus, o filho de Maria, é preso-julgado-condenado-executado na crruz do império de Roma, em Abril do ano 30, precisamente por ensinar que até o Deus da Bíblia, cultuado pelos sumos-sacerdotes naquele covil de ladrões que era, então, o templo de Jerusalém, é um monstro. E, quando acrescento: O mesmo digo eu, hoje, do Deus da Bíblia judeo-cristã e do Alcorão, com que sacerdotes, pastores e líderes religiosos muçulmanos aterrorizam as populações que os frequentam e aos seus cultos.

9 Outubro 2015 https://www.youtube.com/watch?v=LRAPWAfI_eQ

 

Crónica 245

QUEM ACUSAR – AS POPULAÇÕES OU O SISTEMA?

 

Só quem ainda vive movido por ideologias-teologias do poder, em vez de por afectos, política praticada, maiêutica que nos fazem pessoas organicamente ligadas às maiorias, é que reage de modo agressivo, perante os desgraçados resultados eleitorais de domingo. A grande pergunta que se levanta e urge escutar com a nossa inteligência cordial, é, Quem acusar – as populações ou o sistema? Constato que a generalidade das pessoas ideologicamente mais capazes de resistir às ininterruptas investidas reaccionárias dos media, dos párocos-pastores de igreja, dos caciques que dominam as populações nas aldeias, é que vem a terreiro nas redes sociais e noutros locais partidários ou não, acusar as populações, por elas, mais uma vez, votarem nos seus próprios algozes. Cujos, no crasso analfabetismo político em que a maioria delas é criminosamente mantida, de geração em geração, sem a mínima capacidade para distinguir entre a direita e a esquerda, a máscara e a face, a publicidade e a verdade-realidade, vê como os seus salvadores. Melhor seria que batêssemos a mão no próprio peito. Temo-nos por mais esclarecidos e iluminados, mas ainda não somos fecundamente sabedoria, ternura, política praticada, maiêutica, inteligência cordial, militância orgânica com as maiorias condenadas a viver do nascer ao morrer sem sol, sem projectos, sem qualidade de vida, porventura, até com excesso de coisas, porque completamente apanhadas pelo Mercado. E, sobretudo, sem pastores que dêem a vida por elas. Só mercenários.  Acusá-las, em lugar de nos deixarmos interpelar pelos resultados das eleições, nas quais a maior “coligação” silenciosa é a de quantas, quantos sabiamente já se recusam a entrar neste viciado jogo do sistema – é revelador de quão longe ainda somos do plena e integralmente humano e reféns da ideologia-teologia do sistema de poder que nos faz cruéis até com as suas maiores vítimas. Choremos. Por nós. Pelas populações indefesas que como requintados fariseus acusamos-desprezamos!

7 Outubro 2015 https://www.youtube.com/watch?v=mmTIIftu1Zw

 

Crónica 244

IGREJAS, RELIGIÕES, OU HUMANIDADE?

 

Igrejas, religiões, há muitas, embora, no Ocidente quase só se fale da igreja, religião católica romana, a dos papas, chefes do estado do Vaticano. Humanidade há só uma, em múltiplos povos, infelizmente, ainda muito divididos entre si. Em muitos casos, até inimigos, também por culpa das igrejas, religiões. O Sínodo dos bispos sobre as famílias, parte 2, teve ontem início em Roma. Precedido, inopinadamente, na véspera, de uma surpreendente e polémica entrevista, dada ao Corriere de la Sera, por um padre católico polaco, Krzysztof Charamsa, 43 anos de idade, a viver em Roma há 17 anos e com várias funções institucionais de responsabilidade, nomeadamente, na Congregação para a Doutrina da Fé, na Comissão Teológica Internacional e em duas universidades pontifícias, a Gregoriana e a Athenaeum Regina Apostolorum, onde é professor. Na entrevista, o padre assume, urbi et orbi, a sua condição de homossexual praticante e até apresenta o companheiro com quem vive em matrimónio. Quis, deste modo, marcar a agenda do Sínodo, o que, no entender do porta-voz oficial do Vaticano, constitui uma agravante na drástica penalização canónica com que será sancionado pela igreja, religião católica. E aqui reside o verdadeiro escândalo que urge denunciar. Pelo facto de ser homossexual, o padre não deixa de ser membro da humanidade que é só uma, em múltiplos povos e diversas tendências sexuais, mas, como ele próprio reconhece na entrevista, deixará de ser o membro da igreja, religião católica que era até aqui e continuaria ser, se mantivesse na clandestinidade a sua situação canonicamente irregular. O facto leva-me a formular, uma vez mais, como presbítero-jornalista, a grande pergunta: Igrejas, religiões, ou Humanidade? Quando as igrejas, religiões, estão contra a natureza humana e contra a consciência dos povos, continuam mercedoras do respeito, ou têm de ser declaradas inimigas da Humanidade e deitadas fora e pisadas pelos povos?!

5 Outubro 2015 https://www.youtube.com/watch?v=3CXK21Zxrf8

 

Crónica 243

MAS ÀS MAIORIAS, SENHORES, POR QUE LHES DAIS TANTAS DORES?

 

A Humanidade é uma só. Maiorias e minorias religadas entre si. Múltiplos povos. Indissolúvel unidade. O mais belo e o mais espantoso arco-íris. Acontecemos no decurso da Evolução. Estamos ainda a acontecer. Somos infância a caminho da maioridade. Crescer é preciso. De dentro para fora. Em Ser. Consciência. Autonomia. Liberdade. Sabedoria. Afecto. Tudo o que atenta contra a indissolúvel unidade da humanidade é sentido por ela como estranho. Inimigo. Visa separar, dividir o que é intrinsecamente indissolúvel. A existência de maiorias e minorias não é um dado negativo. Desde que se garanta a indissolúvel unidade da humanidade, é, até, uma mais-valia. É na indissolúvel unidade que somos-crescemos de dentro para fora em humano. A sororidade-fraternidade é a essência da humanidade. Só a sororidade-fraternidade praticada garante a indissolúvel unidade da humanidade, na variedade de povos, línguas, culturas. A máxima fragilidade consciente. Nada mais belo no universo do que a humanidade em indissolúvel unidade, sororidade-fraternidade, a máxima fragilidade consciente. Nada mais medonho no universo do que a quebra da indissolúvel unidade da humanidade, fragilidade consciente. O medonho acontece, sempre que as minorias trocam a sua mssão política de humilde e fecunda presença maiêutica entre e com as maiorias, pelo descriador papel de agentes históricos do poder. Esta troca perfaz um abalo sísmico descriador da humanidade arco-íris. Vivemos hoje no epicentro deste abalo sísmico. Tudo nos é estranho, até a terra. Com grande parte das minorias transformada em senhores do mundo. Com as maiorias reduzidas a suas súbditas, atentas e reverentes. Quantas, quantos, nos apercebemos deste Pecado estrutural do mundo, perguntamos, uma e outra vez, Mas às maiorias, senhores, por que lhes dais tantas dores? E eles, incomodados por não os adorarmos, só descansam, quando nos desacreditam e abatem.

2 Outubro 2015 https://www.youtube.com/watch?v=00gcMnxvnRI

 

Crónica 242

SOMOS CEGOS, OU NÃO QUEREMOS VER?

 

O avassalador ruído da campanha eleitoral ainda em curso tem ajudado a silenciar o medonho crime lesa-ambiente, lesa-povos do planeta, praticado pela multinacional alemã, Volkswagen (VW). Confirma-se mais uma vez o ditado, de que um mal nunca vem só. Surpreende que ainda haja quem goste de campanhas eleitorais, como as que os chamados regimes democráticos proporcionam aos povos das nações, condenados a ter de viver num tipo de mundo como o deste início do terceiro milénio, o todo-poderoso mundo financeiro: Fazem-nos tão analfabetos em Política praticada, que nem damos conta de que a democracia é totalmente incompatível com o todo-poderoso mundo financeiro. Só um crasso analfabetismo em política praticada nos impede de ver que, no todo-poderoso mundo financeiro, até as democráticas eleições para escolha de deputados, governos, presidentes da república, só servem para legitimá-lo, reforçá-lo cada vez mais. Há total incompatibilidade entre a democracia e o todo-poderoso mundo financeiro. Como há total incompatibilidade entre Política praticada e poder político praticado. Política praticada tem a ver com populações desenvolvidas de dentro para fora em ser, sabedoria, cultura, liberdade, responsabilidade, auto-organizadas ao modo dos vasos comunicantes. Poder político praticado tem a ver com elites que o todo-poderoso mundo financeiro segrega-separa das populações, com a missão de governá-las, dominá-las, enganá-las, mantê-las na menoridade, como se o modelo de sociedade que daí resulta, fosse de origem divina, fizesse parte da  natureza humana. Não é de origem divina, nem faz parte da natureza humana. Como não fazem parte da natureza humana nem são de origem divina, as multinacionais, como a VW, hoje, nas bocas do mundo. Mas das multinacionais pode vir alguma coisa boa? Não são todas, como as democracias das elites com todos os deputados, governos, administrações do Estado, filhas do todo-poderoso mundo financeiro? Somos cegos, ou não queremos ver?!

30 Setembro 2015 https://www.youtube.com/watch?v=_Whj4ba-ARc

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Crónica 241

PORQUE NÃO VIESTE À MISSA?

 

A pergunta salta da boca de um condiscípulo de Curso do seminário do Porto 1950-1962, no momento em que me levanto da Mesa, no restaurante, e, em fugazes instantes, mostro aos presentes, no encontro anual realizado no passado dia 26 de Setembro, o meu mais recente Livro, FÁTIMA S.A., já a caminho da 5ª edição, quando a 1ª edição é de Maio 2015. Sei quanto sou incómodo, nesta minha qualidade de prebítero-jornalista da igreja-movimento de Jesus, nos antípodas da igreja-sistema eclesiástico que quase todos eles teimam navegar. Mais por inércia e manutenção dos privilegios adquiridos, do que por convicção. Não gastei, por isso, mais de uns 2 minutos. O bastante, para ser disparada contra mim aquela pergunta-bala. Pensava eu que a minha postura era já assumida por eles, de forma pacífica. Vejo agora que não. Só de forma contida. Os sucessivos promotores insistem em abrir cada encontro anual com missa ritualizada, despachada em poucos minutos, numa capela-igreja local emprestada. Só depois, vem o almoço compartilhado num restaurante local. Como presbítero-jornalista, não alinho, há já muitos anos, neste tipo de missas ritualizadas, fundamentadas em certos cultos do paganismo e, sobretudo, no mítico Cristo do cristianismo, o maior inimigo de Jesus e do seu Projecto Políítico maiêutico, testemunhado pelos 4 evangelhos em 5 volumes, e não nas práticas maiêuticas de Jesus Nazaré e na sua Fé.. Limito-me, por isso, a aparecer, cada ano, no local do almoço. Tenho-me batido, em vão, para que a Mesa compartilhada, em ambiente de intimidade, seja a nossa Eucaristia. Aceitaria, até, alegremente coordená-la-dinamizá-la, se mo sugerissem. Saboreariam a substantiva diferença e nunca mais quereriam o rito misseiro, indigno de seres humanos que se prezem. Irei prosseguir este meu combate desarmado, até que o bom senso e a inteligência cordial venham ao de cima. Nestes encontros e em todo o lado. Será uma festa inesquecível!

28 de Setembro 2015 https://www.youtube.com/watch?v=Dn32oaxoDDs

 

Crónica 240

QUEM PODE LIBERTAR-NOS DA IDEOLOGIA-TEOLOGIA DO PODER?

 

Ninguém no-lo diz, muito menos as escolas-universidades do sistema de poder. As igrejas cristãs-religiões, tão pouco. Os partidos políticos, incluídos os que orgulhosamente se assumem como Oposição aos do “arco da governação”, também não. Não que cada um dos seus dirigentes seja mau, traidor à causa das vítimas produzidas em série. O problema não é de indivíduos, maus, bons, ou assm-assim. É do sistema de poder. Ou caímos na conta de que já nascemos no sistema de poder e que a sua ideologia-teologia nos é alojada na mente por todos os meios e mais um, como um demónio, ou corremos o risco de sermos-vivermos-morrermos politicamente ingénuos, ainda que, individualmente, muito boas pessoas, porventura, muito generosas, até militantes a roçar pelo fanático. Não é cada pessoa individual que é má. Má, intrinsecamente má, é a ideologia-teologia do poder. Neste particular, ninguém me pode acusar ou sequer insinuar de ser um infiltrado do poder, que trabalho para ele, só por ser-viver-escrever-dizer o que sou-vivo-escrevo-digo. O ostracismo a que sou ostensivamente votado pelo poder e seus agentes históricos, da proa à base, é a prova provada de que me vêem-têm como um inimigo, já irrecuperável. Felizmente, o tempo da ingenuidade política em mim há muito que se foi. O presbítero-jornalista que hoje sou, ama-se, ou odeia-se-ignora-se. A maior tragédia é que a ideologia-teologia do poder faz mudos, quantos vivem possuídos por ela. Não que eles não falem. Falam e muito, sobretudo, se doutores e quejandos. Só que tudo o que dizem-escrevem não é deles. Simplesmente, reproduzem o discurso do poder, versão esquerda ou direita. Os seus viveres diários de pequeno, médio ou grande Privilégio estão aí a gritá-lo. Quem nos pode então libertar da ideologia-teologia do poder? Só mesmo cada uma, cada um de nós. O preço a pagar por tal ousadia-rebeldia política é elevadíssimo. Poucas, poucos se dispõem a pagá-lo!

25 de Setembo 2015 https://www.youtube.com/watch?v=WcM66oMeDNw

 

Crónica 239

QUE PALAVRA PODE TRANSFORMAR O MUNDO?

 

Transformar o mundo, não apenas explicá-lo, é indubitavelmente o mandamento primeiro, neste início do terceiro milénio que somos-vivemos, desde o big-bang. Connosco ao leme da Evolução, o mundo tem fundadas expectativas de dar o salto qualitativo na direcção do plena e integralmente humano. Antes de acontecermos visíveis, no decuso da Evolução, já somos no big-bang. Nunca é demais sublinhá-lo, proclamá-lo até aos confins do Cosmos, aurora de novos e sucessivos confins, expansão sem ocaso. Somos o que seremos. Por mais que em cada hoje o inimigo do humano tente e consiga desviar a muitas, muitos, da missão que trazemos nos genes e nos distingue de todos os seres que nos precedem no tempo, o seu triunfo é simultaneamente o seu fracasso. O Humano pleno e integral é a meta por que anseia o Universo em expansão. Sem ele, o big-bang é destituído de sentido. Têm sido muitas as corrupções, muitos os desvios, seduzidos que somos por messianismos-cristianismos religiosos e políticos que nos acenam com amanhãs que cantam. Mais não são do que pesadelos, como o que, por estes dias, conhecemos na carne, aqui na Europa, invadida a toda a hora por milhares de migrantes-refugiados que fogem das guerras que os amanhãs que cantam reiteradamente desencadeiam no planeta, cada vez mais vale de lágrimas, inferno de dores, oceano de gemidos que nenhuma sinfonia de Beethoven, nenhum concerto de Mozart, nenhuma fuga de Bach conseguem calar. Que palavra pode transformar o mundo, quando os cientistas só pensam em explicá-lo? Em verdade, em verdade vos digo: Só mesmo a palavra dos seres humanos plenos e integrais, feita Política praticada, Útero de afectos, Mesa compartilhada com as inúmeras vítimas que a palavra mortífera do Poder, nos três poderes, a toda a hora produz à escala planetária, cósmica.

23 Setembro 2015 https://www.youtube.com/watch?v=pntob1NlWNs

 

Crónica 238

COMO FICA CUBA DEPOIS DESTAS TRÊS VISITAS PAPAIS?

 

Depois de João Paulo II e de Bento XVI, chegou a vez do papa Francisco visitar Cuba, a de Fidel, felizmente, ainda vivo. Desde que a ditadura de Baptista foi derrubada pela Revolução da Sierra Maestra, nunca mais o Ocidente teve sossego. Até então, toda a América Latina e os seus povos, desde as chamadas descobertas e conquistas, protagonizadas pelos diversos cristianismos, com destaque para o católico romano, viram abertas as suas veias, esventrados os seus chãos, escravizados, massacrados milhões dos seus residentes naturais, e empobrecidos os sobreviventes. Com a colonização, reiteradamente abençoada pela Cúria romana, a América Latina tornou-se o quintal traseiro, à escala continental, dos países do Ocidente, com destaque para os EUA. Nem a independência política de cada país significou o fim da ignomínia-humilhação. A ideologia-teologia do imperio cristão é aquele espírito impuro, de que nos fala Jesus (Lucas 11, 24-26), que, quando sai de um homem, de um povo de povos, vagueia por lugares áridos em busca de repouso e se o não encontra, decide voltar para o povo de povos de onde saiu. Encontra-os organizados e autónomos. Vai então, toma outros sete espíritos piores do que ele, muito mais militarmente armados, e instalam-se nas mentes-consciências dos respectivos povos. E o último estado daquele povo de povos fica muito pior do que antes. A Revolução da Sierra Maestra conseguiu derrubar a ditadura de Fulgêncio Baptista, mas não evitar o cerco-embargo dos poderosos EUA, ali tão perto, nem a clandestina guerra suja promovida pela hierarquia católica dentro do país. Muito menos ir além de Cuba. Foram infrutíferos, todos os esfoços de Che Guevara. Debilitada, depois de anos e anos de criminosos embargos, ataques de todo o tipo, nos grandes media, como fica Cuba, depois destas três envenenadas visitas papais? Ainda pior do que antes da Revolução da Sierra Maestra?! Mas é preciso esperar para ver?!

21 Setembro 2015 https://www.youtube.com/watch?v=VnayMY2kUTo

 

Crónica 237

FAMÍLIAS, ESCOLAS, IGREJAS, EDUCAM OU FORMATAM?

 

Com o afã das eleições legislativas, agendadas para 4 de Outubro, seguidas, pouco depois das presidenciais, quase nem nos apercebemos que as escolas do país já deveriam estar em plena actividade e não estão. Os grandes media, atentos aos grandes interesses dos seus donos, conseguem desviar-nos, cada dia mais, de tudo o que é nuclear na vida dos povos – a educação e a cultura. Das quais depende a qualidade de vida de cada hoje humano. Com a medonha agravante de que, neste início do terceiro milénio, estamos todos, seres humanos e povos, a viver sob o completo domínio do Mercado, essa entidade abstracta, invisível, mais real do que tudo o resto, omnisciente, omnipotente, omnipresente. Ora, com o Mercado ao comando do mundo, as vias e os valores dos anteriores milénios, são como o dia de ontem que já passou. Pelo que, insistir nelas, neles, é pura perda de tempo, manifesta incapacidade para sermos à altura de cada hoje nosso e dos povos das nações. Daí, a inquietante Pergunta – Famílias, Escolas, Igrejas, educam ou formatam? De nada vale enterrarmos a cabeça na areia. Agimos com renovada inteligência afectiva, a única fecunda, lucidez bastante e viveres vasos comunicantes uns com os outros e com todo o universo, ou perecemos sem deixar rasto. Dói constatar que os povos das nações, estamos hoje tão apanhados pelos grandes media e outros meios tecnológicos de manipulação das mentes-consciências, que até nos zangamos com quantas, quantos, quais sentinelas na cidade, nos alertam para a proximidade do abismo planetário. As tradicionais famílias, escolas, igrejas não servem mais para nada. São do Mercado. Mais não fazem do que formatar as novas gerações, em lugar de educá-las para a liberdade; alienar as novas gerações, em lugar de levantá-las e deixá-las ir; levar as novas gerações a suicidar-se à boca dumas sinistras urnas de voto, em lugar de desafiá-las a prrotagonizar a via das práticas políticas-económicas maiêuticas, a única base sólida duma ordem mundial outra. Plena e integralmente humana.

18 Setembro 2015 https://www.youtube.com/watch?v=H4-5TSeEQrc

 

Crónica 236

JÁ SÃO HUMANOS OS POVOS DA EUROPA?!

 

Correm tristes, de chumbo, os dias na Europa. As palavras são balas. Embrutecem, matam, quando mais somos famintos de vida, de sol, de lucidez. Os intelectuais suicidaram-se. Os poetas calaram-se. As cidades são grandes prisões a céu aberto. Erguemos novos muros de arame farpado nas fronteiras vigiadas por militares armados. Perdemos os olhos, as mãos, os beijos, os afectos. Já não há canções. Afogaram-se todas no mar Mediterrâneo. O que deveria ser ponte de lá para cá, de cá para lá, é agora um gigantesco necrotério. Jazem abandonados nas nossas praias os cadáveres de crianças das famílias que vêm até nós, exército armado de mãos famintas de um colo, de um tecto, de um beijo, feito pão e vinho, lareira acesa, mesa compartilhada. Há séculos, contam-lhes os seus antepassados com mais de quinhentos anos de idade, houve uns homens estranhos que também desaguaram nas suas praias. Armados de ambições, cobiças desmedidas que nada saciava. Com eles, iam também uns clérigos missionários cristãos, com a missão dada pelo seu Deus de doutrinar-submeter todos os povos até aos confins da terra. Não vinham por acolhimento, como os que agora vêm até nós. Não! Os seus olhos tinham o brilho do ouro que sabiam escondido naquele chão. Fizeram-se acolher por esses povos, e à sua Bíblia. Exibiram perante eles a cruz e a espada. A cruz, instrumento de tortura redentora do mundo. A espada, instrumento de matar em nome do Deus cristão quantos lhes resistíssem. Esventraram o seu chão. O ouro extraído foi enriquecer a Europa. Até hoje. Enquanto sobre o chão esventrado e vazio, correu o sangue de milhares, milhões deles, imolados ao Deus cristão. Nunca mais as guerras deixaram aquele chão. Hoje, de tão mortíferas que são, levam milhares e milhares deles a fugir e a buscar abrigo do outro lado do Mediterrâneo, e acabam por morrer, mercadorias perdidas, nas nossas praias. Dos seus esbugalhados olhos faísca, perturbadora, a pergunta, Já são humanos os povos da Europa?!

16 Setembro 2015 https://www.youtube.com/watch?v=hFby72aoYmc

 

Crónica 235

QUE COMUNHÃO, A DAS MISSAS DE DOMINGO?

 

Andam aflitos os teólogos católicos nais progressistas com os casais católicos que se divorciaram civilmente e decidiram em consciência realizar um segundo casamento civil, o único possível para eles. Um significativo grupo deles acaba de se dirigir ao papa Francisco a apelar que o problema seja ultrapassado no próximo Sínodo dos bispos. São teólogos de renome, mas dentro do cristianismo que – nem eles sabem! – tem o condão de tornar mais pequenas as almas dos seus membros. Ainda não descobriram que o cristianismo e respectivas igrejas é que estão no banco dos réus. São parte integrante do pecado estrutural do mundo O que eles têm de fazer, se quiserem ser teólogos (pros)seguidores de Jesus, é anunciar aos povos do mundo, como eu aqui estou a fazer, que a comunhão das missas de domingo não passa de um rito sem sentido, uma comunhão sem comunhão, destinada a encobrir-branquear os crimes dos clérigos-sacerdotes que presidem e dos “fiéis” que correm a recebê-la. Por um momento e graças a esse rito, ricos e pobres, vítimas e carrascos, senhores e escravos, comungam o mesmo “corpo de cristo”. Parece que são irmãos uns dos outros. Não são. Há quase dois mil anos que é assim. Que comunhão é esta, a das missas de domingo, se os ricos que lá vão, como os que lá não vão, são cada vez mais ricos e os pobres que lá vão, como os que lá não vão, são cada vez mais pobres? E se a missa de domingo é presidida pelo papa ou pelo bispo da diocese, tanto pior. A comunhão do corpo de cristo é ainda mais mentira. Só serve para reforçar o poder de quem preside e do pequeno círculo de figurões de cada país visitado pelo papa, de cada paróquia visitada pelo bispo. Teólogos que põem no banco dos réus, não o cristianismo e suas missas de domingo, mas as suas vítimas, são míopes que filtram mosquitos e engolem camelos. Comunhão a valer, só numa sociedade vasos comunicantes que urge edificar com as nossas práticas políticas-económicas maiêuticas. Não partidárias, nem cristãs. Simplesmente humanas.

14 Setembro 2015 https://www.youtube.com/watch?v=ZKfaIxJBDRQ

 

Crónica 234

DIVÓRCIO CATÓLICO AO MODO DO PAPA FRANCISCO

 

Ao agilisar o processo de declaração judicial de nulidade do matrimónio e ao torná-lo gratuito para os casais pobres, a igreja católica abre, finalmente, a porta ao divórcio, ao modo do papa Francisco, para os casamentos canónicos. A formação estrutural jesuítica do papa dá para ele tirar da manga, no Ano Jubilar da Misericórdia, dois documentos institucionais, graças aos quais, o que continua a ser canonicamente pecado, passe a ser pastoralmente virtude, e o que continua a ser canonicamente divórcio, por isso, proibido pela igreja, passe a ser pastoralmente permitido, até, estimulado. Os casamentos canónicos têm contribuído para perpetuar, ao longo dos séculos de domínio católico sobre as consciências dos seus membros leigos, horríveis quotidianos de inferno, suportados em silêncio por inúmeros casais, devido à indissolubilidade. A legalização do divórcio civil, inclusive para os casamentos canónicos, tem contribuído para o crescente aumento de divórcios civis de casais católicos e a concretização de novas uniões civis, tidas pela igreja como situações de pecado, que impede esses casais católicos, não de irem às missas de domingo (bem melhor seria que os impedisse), mas de comungarem nelas. O que perfaz para esses casais um suplício semelhante ao de Tântalo, uma vez que, quando as hóstias são distribuídas, eles não podem comungá-las. Tudo, em consequência de perversas doutrinas dos clérigos moralistas católicos, proibidos por lei eclesiástica de casar canonicamente, ainda que não de terem filhas, filhos, desde que não haja escândalo. A Cúria romana não chama divórcio ao que resulta das inesperadas alterações papais nos processos de nulidade do sacramento do matrimónio. Continua a chamar-lhe declarações de nulidade, quando, na prática, são declarações eclesiásticas de divórcio, ao modo do papa Francisco. Teria sido muito menos hipócrita, se o papa Francisco tivesse proclamado, perante o mundo, o fim puro e simples dos casamentos canónicos. Uma vez que casar pela igreja é sinal de submissão ao poder. E Isto tem um nome – prepotência eclesiástica, por isso, pecado grave!

11 Setembro 2015 https://www.youtube.com/watch?v=XM4Qnf67wmU

 

Crónica 233

VOTAR, SÓ REFORÇA O GRANDE CAPITAL!

 

A nossa, é cada vez mais uma liberdade vigiada. Vivemos sob escuta. Até a Clandestinidade tem de ser reinventada. Todos os institucionais de poder ou com aspirações a poder são do grande Capital. Nenhum dos seus responsáveis o admite. Pensam que as decisões que tomam são pessoais ou do colectivo concreto que integram, dirigem-chefiam. Não são. São do grande Capital. Enquanto o não decapitarmos nas nossas mentes e nos nossos genes, nas mentes e nos genes dos nossos familiares e amigos que mais ou menos nos inlfuenciam, controlam, advertem, aconselham, é o mortal sopro dele que nos empurra e leva a decidir e a apresentar propostas, porventura, bem intencionadas, até, generosas, mas que não passam de propostas dele. Na medida em que estão a contribuir para lhe dar um ar menos agressivo, um pouco mais humanizado. O grande Capital sabe bem o que faz. Hoje, é omnisciente, omnipresente, omnipotente. Tem os melhores cérebros ao seu serviço. A melhor e mais sofisticada tecnologia. As mais famosas e influentes universidades. Os mais poderosos meios de manipulação das mentes das populações. No mundo do poder, tudo é do grande Capital. Nada é nosso. Somos permanentemente invadidos, cercados, influenciados, colonizados. No âmbito do poder político, nenhum partido é anticapitalista. Seria uma contradição nos termos. Pode a sua declaração de princípios dizer, preto no branco, que é. Não passa disso mesmo, duma declaração de princípios que conta com o “Nihil obstat” do grande Capital. Até os supermediatizados debates político-partidários e o acto de votar à direita ou à esquerda só servem para reforçar o grande Capital. Podemos protestar pelo teor desta Crónica. É sinal de que ela toca na grave ferida que afecta as nossas mentes. Em vez disso, façamo-nos pobres por opção e por toda a vida. Depressa, vemo-nos cercados pelo grande Capital.  Se resistirmos, viveremos crucificados por ele! Duvidam?!

9 Setembro 2015 https://www.youtube.com/watch?v=rc5zkye7Kz8

Crónica 232

CAMPANHA ELEITORAL, PARA QUE TE QUERO?!

 

Há meses, anos, que o país vive em repelente campanha eleitoral. Tão repelente, que manda a sanidade mental que desliguemos os telejornais, os debates, ignoremos os comícios, recusemos os almoços-jantares associados a ela. Mal termina e são conhecidos os resultados, os partidos políticos que conseguiram 25 mil votos ou mais nas urnas, têm direito a receber 3,15 euro por cada voto, em cada um dos 4 anos da legislatura, mesmo que não tenham conseguido o direito a uma cadeira no Parlamento nacional, o que lhes garante folgada sobrevivência financeira. As populações votem ou não, é que terão de pagar tudo, mediante os impostos que o estado lhes impõe, inclusive, sobre os medicamentos e os alimentos essenciais à sua sustentação quotidiana. Poucas são as coisas essenciais a uma vida humana de qualidade que não estão sujeitas a facturação a favor do estado-ladrão dos nossos bens, da nossa voz, da nossa vez. Quanto mais estado ladrão, menos populações auto-organizadas ao modo dos vasos comunicantes, com voz, com vez. E populações não auto-organizadas, sem voz, sem vez, são inevitavelmente infantilizadas, não por opção delas, mas por imposição do estado-poder. Nestas eleições de Outubro, são 16 as organizações de poder político que entram na nacional cacofonia eleitoral. Enquanto os partidos pequenos só mexem por estas alturas, e são praticamente ignorados pelas tvs generalistas, os do governo e o principal partido da oposição estão em campanha eleitoral contínua, entre uma eleição e outra. Têm-se e querem ser tidos pelas populações, como os profissionais do poder político. Vivem dele e para ele. Acabam esquizofrénicos políticos que se desconhecem e tornam esquizofrénicas as populações. Nem sequer a generalidade dos seus membros é tida ou achada por eles. Só o respectivo secretário geral ou presidente, mais os seus assessores. Daí a acutilante pergunta desta Crónica, Campanha eleitoral, para que te quero?!

7 Setembro 2015 https://www.youtube.com/watch?v=UUZDG5SNuqk

 

Crónica 231

A VIOLÊNCIA ASSASSINA DOS TELEJORNAIS

 

O genocídio dos migrantes aficanos está a converter-se no genocídio incruento dos povos europeus, porventura, ainda pior do que o dos milhares e milhares de africanos que dia e noite se fazem ao Mar Mediterrâneo. Fogem da morte da-fome-e-da-guerra e encontram a morte no Mar e na Europa. A violência dos prolongadíssimos telejornais, repetidos e comentados a todas as horas do dia e da noite, é uma violência assassina dos povos europeus. O objectivo não é informar-nos, mobilizar-nos politicamente contra este programado genocídio dos povos africanos, muito menos contra o quê e quem o promove, consuma com científica frieza. Pelo contrário, é converter tudo em aterrador show jornalístico que nos deprima, paralise politicamente ainda mais. E apresentar os causadores estruturais do presente genocídio como empenhados todos na busca duma solução que não vai além do humilhante, degradante bem-fazer, quando o imperioso é fazer o bem estrutural nos países africanos, com inadiáveis práticas políticas e económicas maiêuticas que curem as suas endémicas feridas, ponham fim a séculos e séculos de injustiças estruturais, promovam a autonomia económica e política dos respectivos países, sem o que não há paz humana duradoura, apenas crueldade-carnificina mascarada de democracia. Semelhante modo de abordar o genocídio dos povos africanos, por parte dos jornalistas, responsáveis pelos telejornais, acaba por redundar num outro, porventura, ainda pior, que é o dos povos europeus, cujos chefes de governo e respectivos banqueiros dão ocasionalmente com uma mão o que, estruturalmente, tiram-roubam com ambas as mãos, armadas até aos dentes. Entre as quais se incluem também aquelas que dão corpo à caridadezinha social e política. Não há pior genocídio do que o mascarado de caridedazinha, de ajuda, de acolhimento, para cúmulo, tudo convertido em show mediático. Como tanto convém, em vésperas de eleições. Bem podem gritar as pedras! Até os seus gritos são logo convertidos em outros tantos shows mediáticos.

4 Setembro 2015 https://www.youtube.com/watch?v=bmKjMEjfDmk

 

Crónica 230

DA TOTAL INUTILIDADE DOS SACERDOTES

 

O papa Francisco continua a surpreender. Pela negativa, no meu modo de ver. Serei das poucas pessoas a ver as coisas assim. Espanto-me, ao ver que até intelectuais de renome acham que a igreja católica teria mais membros com papas assim como Francisco. O que, no seu douto entender, faria diminuir o número de ateus ou agnósticos no Ocidente, onde é quase moda dizer-se ateu, graças a Deus. Precisamente, o mesmo Deus negado pelos ateus e acreditado pelo papa e pelos cristãos. Uns e outros, adoradores do Dinheiro, o único deus do Ocidente cristão. Com destaque para a Europa do euro que consegue continuar a crescer em riqueza, à custa do empobrecimento dos povos dos países africanos e latino-americanos que, há séculos, são sistematicamente roubados, assassinados pela cruz e pela espada. Com a Bíblia a justificar-canonizar todos estes genocídios que prosseguem hoje no mar Mediterrâneo e nos países europeus aonde entram como emigrantes “ilegais”. A mais recente surpresa do papa Francisco é conceder aos sacerdotes católicos, no decurso do que ele chama “O ano jubilar da Misericórdia” (Dezembro 2015-Novembro 2016), a faculdade de perdoar o pecado do aborto às mulheres que lhes dêem provas de sério arrependimento. Fundamentação do papa: O perdão de Deus "não pode ser negado a quem quer que esteja arrependido". Entretanto, fora desses meses, o aborto volta a ser penalizado com a excomunhão automática, pelo que só os bispos residenciais, ou os sacerdotes em quem os bispos delegarem, poderão absolver as mulheres que o praticarem. Duas conclusões retiro eu desta patética decisão do papa: 1, O papa Francisco é o único homem sobre a terra que manda em Deus; 2, A total inutilidade dos sacerdotes. Afinal, não passam de pretensos intermediários que só estorvam, entre as pessoas e Deus. Porque, afinal, quem perdoa é Deus. Não os sacerdotes!

2 Setembro 2015 https://www.youtube.com/watch?v=nvVLLGXLDeY

 

Crónica 229

SERÁ QUE FÁTIMA RIMA COM EMIGRANTES?

 

O pior desastre que os emigrantes podem sofrer, quando, em Agosto de cada ano, vêm de férias a Portugal, é participar na chamada peregrinação dos emigrantes a Fátima. Ao promovê-la, o santuário e os bispos portugueses são intelectualmente desonestos. Abusam impunemente das fragilidades dos emigrantes e demais populações desamparadas, cujas mentes-consciências andam acorrentadas por ancestrais medos de míticas deusas, míticos deuses, aos quais chamam ”fé”. Em Fátima tudo é propositadamente degradante, destruidor da saúde mental das populações. Nunca houve lá quaisquer “aparições”. O que reza a Documentação Crítica de Fátima, publicada pelo próprio Santuário, é que, de Maio a Outubro de 1917, houve um teatrinho, orquestrado pelo Cónego Formigão e mais alguns párocos do concelho de Ourém, protagonizado pela Lúcia, 10 anos de idade, que fazia as perguntas, virada para a carrasqueira, sempre acompanhada por dois primos seus, Francisco e Jacinta, irmãos entre si, respedtivamente de 8 e 7 anitos. Os quais morrem pouco depois. Francisco, em 1919, Jacinta, em 1920, mergulhada num mar de dores e de horrores. Porque resistiu à pneumónica, Lúcia foi tirada à mãe, já viúva, aos 14 anos de idade, em consequência de criminosa decisão do bispo da restaurada diocese de Leiria, D. José Alves Correia, que, juntamente com seus sucessores, fazem dela gato-sapato até à morte. Quem pode, então, dizer que Fátima rima com emigrantes? O meu Livro FÁTIMA S.A. prova que em Fátima tudo é negócio-idolatria. Pior. Sucessivos crimes de lesa-humanidade, de lesa-fé, a de Jesus, de lesa-Maria, a mãe de Jesus! O mais caricato é que, em 13 de Agosto1917, nem sequer houve a anunciada sessão do teatrinho das “aparições”, uma vez que, nesse dia-e-hora, as 3 crianças estavam em casa do governador do concelho, a brincar com os filhos dele. Tudo teve de ser adiado para o dia 19, sem mais ninguém a assistir, segundo reza o documento-cópia do Pe. Lacerda, um clérigo com faro para o negócio.

4 Agosto 2015 https://www.youtube.com/watch?v=y7Mek9BwCos

 

Crónica 228

HÁ PARTIDOS POLÍTICOS BONS E PARTIDOS POLÍTICOS MAUS?!

 

Esta democracia em que temos de viver é a ditadura dos Partidos políticos. Nunca as populações crescem de dentro para fora, enquanto os partidos políticos as substituem. Querer convencer-nos de que há partidos políticos bons e partidos políticos maus é pura demagogia.Todo o poder, também o político-partidário, é mau. Quem disser o contrário é intelectualmente desonesto. Mentiroso. Ingénuo. Desde que há sociedade organizada, há poder, não hã humanidade. Humanidade e poder são duas realidades incompatíveis. Podem correr e saltar. Podem ficar furiosos comigo, por escrever-dizer estas coisas. Nem por isso deixo de ter razão. Desde o início da humanidade, que vamos de mal a pior. O poder é o Mal absoluto. Pior ainda, quando convence as populações de que é a única via de salvação para elas. Como diz Jesus, o do Evangelho de João, o poder é mentiroso e assassino. O pai da mentira. Só vem para roubar, matar, destruir. A democracia é a pior das ditaduras, porque coloca os partidos políticos no lugar das populações organizadas. Pelo andar da carruagem, não vem longe o dia em que os partidos políticos serão mais do que as mães, já que nascem mais partidos do que crianças O poder cerca-nos por todos os lados. Dia e noite. Em Portugal, na Europa, no mundo, já vomitamos pauloportas, passoscoelho, aníbalcavacosilva, jerónimodesousa, antóniocosta, ângelamerkel, françoishollande, barakobama, e um ror de outros mais pequenitos que se pelam por um lugar ao sol do poder. Têm-se por nossos salvadores. São nossos algozes. Roubam-nos a voz, a vez, a oportunidade de sermos-crescermos politicamente de dentro para fora. Impedem que nasça a Humanidade-comunhão, sororal, vasos comunicantes. O que nos é dado hoje a ver no país, na Europa, no mundo, é de vómitos. Política praticada são as populações organizadas ao modo dos vasos comunicantes. Não esta ditadura dos partidos políticos no governo ou na oposição. Desistam, por favor! Deixem-nos ser adultos, sem intermediários, nem tutores.

30 Julho 2015 https://www.youtube.com/watch?v=ilSAotjkhwU

 

Crónica 227

CHEGA A CAUSAR CALAFRIOS E VÓMITOS!

 

Enquanto a Grécia de Tsipras se afunda cada vez mais no euro e nas suas assassinas ajudas financeiras, sem que o estado português aprenda a lição, o que perfaz a maior cegueira política dos respectivos governos de turno, a Senhora de Fátima cega, surda, muda, anda de diocese em diocese a congregar populações que, em lugar de evangelizadas, são aliciadas a despejarem sobre ela toneladas e toneladas de frustrações que lhes voltam de recochete, muito mais agravadas, sem nunca se aperceberem de que todo o seu sofrimento tem causas históricas, por isso, é da responsabilidade das sucessivas minorias privilegiadas que as dominam, de geração em geração. Os bispos e os párocos católicos que a tudo presidem, numa nova versão da sacrílega comunhão entre o trono e o altar, materializado, agora, nas câmaras municipais/ juntas de freguesia, são assassinos políticos das populações, sem que estas cheguem a dar-se conta, de tão esmagadas que vivem no fundo da pirâmide social. Chega a causar calafrios e vómitos, semelhante concubinato eclesiástico-político, em vésperas de mais umas eleições legislativas, em Outubro. A criminosa Senhora de Fátima que abençoou Salazar, a ditadura, a pide, as prisões políticas, as inomináveis torturas aos presos políticos em Peniche e no Tarrafal, a criminosa Guerra Colonial em África, continua aí a anestesiar impunemente este país caido na mais intolerável das ditaduras – a ditadura democrático-financeira que o Senhor Euro e o Senhor Dólar impõem aos povos da Europa, do Ocidente, do mundo. Como sobejamente revela o meu novo Livro FÁTIMA S. A. Seda Publicações, 3ª edição Julho 2015, 1ª edição, Maio 2015, tudo não passa duma tosca e criminosa encenação do clero de Ourém, em 1917, agravada, a partir de 1935, pela famigerada dupla Salazar-Cardeal Cerejeira. Pobres gentes que tais governantes têm e, hoje, para cúmulo, ainda são levadas a legitimá-los pelo seu voto nas urnas!

23 Julho 2015 https://youtu.be/KTyn_5yosBA

 

Crónica 226

APERTA-SE CADA VEZ MAIS O GARROTE FINANCEIRO

 

Enquanto o papa Francisco insiste em viajar pelo mundo e distrair com missas ritualizadas milhões de pessoas humilhadas, quotidianamente torturadas por carências de toda a ordem, durante as quais diz umas quantas frases sonantes que ninguém, a começar pelos próprios bispos e párocos católicos, toma a sério, o garrote financeiro continua aí cada vez mais apertado à volta da garganta dos povos que integram a Europa do euro e o mundo, no seu todo. Os grandes financeiros são mesmo assim, a Crueldade institucional, o Mal estrutural, o Pecado organizado, que só mulheres, homens opcionalmente pobres e orgânicos com os povos, chegam a descortinar e a resistir-lhe. Os religiosos, a começar pelos cristãos das igrejas, são estruturalmente cegos, não de nascença, mas desde o baptismo de água que suas mães, seus pais, demencialmente, decidiram impor-lhes, a pretexto de que não os querem discriminados entre os demais. De tão cegos, nem se apercebem que, ao impor-lhes o baptismo nalguma das igrejas cristãs, é que estão a discriminá-los, e da pior maneira, já que, ao fazer deles cristãos, segregam-nos da humanidade. É uma vilania, milhões de vezes, repetida, em aldeias e cidades de tradição cristã, destinada a formatar a mente-consciência das filhas, dos filhos, para, quando adultos, servirem os grandes financeiros. Mostram, assim, que nasceram e vieram ao mundo para, com seus cursos superiores e suas profissões altamente especializadas, ajudarem a reforçar o garrote financeiro europeu e mundial que, cada dia um pouco mais, asfixia os povos das nações, eternos escravos pé descalço, ou eternos escravos engravatados, sobre os quais os grandes senhores limpam os sapatos. Sozinhos, com seus mitos e medos, os povos das nações serão sempre comidos pelos grandes financeiros. Urge gerar intelectuais orgânicos, opcionalmente pobres, que vivam em permanência, entre eles e com eles, como outras tantas presenças maiêuticas.

14 Julho 2015 https://www.youtube.com/watch?v=Zu1FNduT0E4

 

Crónica 225

AGRADEÇAMOS À GRÉCIA E DEMO-NOS AS MÃOS

 

Foi preciso acontecer a Grécia do Syriza, para os povos europeus do euro verem o poder financeiro nu. É tão demente-demente, demoníaco, cruel, sádico, que só pára, quando implodir. Os povos das nações são Ninguém! Fossem os povos, petróleo, bancos, ouro, e tudo correria sobre rodas. São seres humanos, povos, populações com aspirações, direitos, deveres, a necessitar de cuidados, do nascer ao morrer, com mais peso no “DEVE” do que no “HAVER”, por isso, um estorvo que urge fazer desaparecer. A história da humanidade diz-nos, desde o início, que a realidade é assim. Nunca no-lo gritou tanto, como nestes dias, do fim do euro e da União Europeia. Com os povos da Europa e do mundo todos a pique em direcção ao abismo. Salvamo-nos todos, ou perecemos todos. Não há ilhas. Não há humanidade fora desta nave comum que é a terra, a dançar à volta do sol. Connosco, ou sem nós, a terra continuará a dançar à volta do sol. Por muitos milhões de anos mais. Acontecemos, há milénios, como o ponto Ômega da Evolução, para cuidarmos uns dos outros, de nós próprios, do próprio planeta terra que aspira ansiosamente pela sua própria humanização. Todas as religões, com destaque para as do Livro, intrometeram-se neste processo. Fomos levados a crer que as religiões eram uma mais-valia. Nem vimos que as religiões trocaram a Terra pelo céu. Ainda hoje desconhecemos que o céu acontece dentro e entre nós, ou é uma falácia, um mito, um engodo. A Terra é simultaneamente o céu. Desde que aconteceu a Grécia do Syriza, pudemos ver a infinita crueldade do poder financeiro. E dos respectivos chefes dos estados, de direita ou de esquerda. Não desfaleçamos. Demo-nos as mãos e preparemos já o dia seguinte ao iminente colapso global. Cabe-nos tomar em mãos os nossos destinos e do planeta. Decapitemos, já, o poder financeiro nas nossas próprias mentes-consciências, e construamos o Hoje plenamente Humano. Sem ocaso.

29 Junho 2015 https://www.youtube.com/watch?v=452gXeV0oYk

 

Nota do Autor

Nos próximos meses de Julho e Agosto, não há Crónicas do Quotidiano em dias certos. Poderá haver, mas inesperadamente. Vou dedicar-me mais à divulgação do Livro FÁTIMA S.A. no país. Dedicarei também uns dias à Montanha, a escutar-respirar mais intensamente a Ruah/Sopro maiêutico, a mesma que me faz ser-acontecer todos os dias num Hoje sem ocaso e numa paz que o mundo financeiro e suas igrejas-religiões não conhecem nem podem dar. Fiquem, por isso, atentas, atentos, ao meu Mural. É lá que anunciarei por onde vou passar e estar os dias que se justificarem, a dar a conhecer o Livro de que mais se fala no país. Privilegiarei as localidades onde não há livrarias. Sou presbítero-menino adulto para vós e convosco. Irmão mais velho que ri e que canta. Onde me acolherem, estarei em casa como um de vós. Abraço-vos e beijo-vos

 

Crónica 224

UE DIRIGIDA POR LADRÕES E ASSASSINOS POLÍTICOS

 

Aconteça o que acontecer à Grécia do Syriza, uma coisa é por demais clara, neste início do solstício de verão, o dos santos populares do cristianismo, ele próprio, ladrão e assassino das populações e dos povos das nações, o pai do poder financeiro, cuja teologia mata e abençoa os líderes dos estados que constituem a UE, politicamente ladrões e assassinos. Não há perdão para este tipo de sistema económico-financeiro que devora a alma das filhas, dos filhos de mulher que aceitam servi-lo contra os povos dos respectivos estados. A Grécia pode ainda permanecer na UE e no euro. Mas sai ferida de morte e, com ela, toda a Europa. Desde que nasceu, o euro mostrou bem ao que vinha: – roubar, matar, destruir os povos da Europa. Percebeu-se bem, quando nos foi dado ouvir o primeiro ministro português de então, o cristão católico António Guterres, proclamar acerca dele, perante os grandes media, “Tu és euro e sobre ti, edificaremos a Europa”. Obviamente, a Europa do Dinheiro que não olha a meios para obter lucros sobre lucros, à custa de pobreza estrutural e de pobres em massa. E tudo, graças ao BCE, ao FMI, ao Banco Mundial, três institucionais distintos, um só deus-ídolo verdadeiro, o Dinheiro. Enquanto os povos das nações não o amarrarmos e decapitarmos, antes de mais, nas nossas próprias mentes, nunca mais seremos humanos, vasos comunicantes uns com os outros. Apenas Cains com Cains, nenhuns Abéis, definitivamente assassinados. As grandes cidades europeias são crescentemente grandes necrotérios. A lei que vigora é a do Dinheiro, muito pior do que a da selva. Dói-me a alma, ao ver os actuais chefes do Estado português, o PR Aníbal, a presidente da AR Assunção Esteves, a dupla PauloPortas-PassosCoelho PM, como os rostos da Crueldade institucional. E ver que os partidos políticos não só aceitam integrar este tipo de Estado, como fazem tudo para terem mais cadeiras de poder, em vez de serem peritos em práticas políticas maiêuticas. Dói-me a alma.

26 Junho 2015 https://www.youtube.com/watch?v=A6Im7xXzBN0

 

Crónica 223

QUEM NOS LIVRA DA JUSTIÇA INSTITUCIONAL?

 

Está na ordem do dia o debate sobre o segredo de justiça. Melhor, sobre a sua sistemática violação. Cada vez mais os tribunais são hoje substituídos pelos grandes media. Os tribunais podem, até, absolver pessoas injustamente acusadas. Se elas já foram condenadas na praça pública, via grandes media, de pouco ou de nada lhes vale a absolvição nos tribunais. Chega a dar a sensação de que a justiça institucional existe, não para fazer justiça às vítimas, mas para fazer mais e mais vítimas. Sempre que o Ódio se apodera de uma mulher, um homem, tem logo na justiça institucional um meio legal para poder humilhar-caluniar-denegrir-matar aquelas, aqueles, que odeia. A justiça institucional é representada por um ícone de mulher, de venda nos olhos, velha balança de braços na mão. Não pode ser mais eloquente, esta representação. Quando mais são precisos olhos bem abertos, a justiça institucional apresenta-se-nos de olhos fechados-vendados. Pretende dizer com isso que não faz acepção de pessoas. Mas é o que ela efectivamente faz. Só pessoas com ódio a outras pessoas são capazes de lançar mão da justiça institucional. Ela existe para satisfazer este tipo de frustrações humanas. Em lugar de começar por indagar tudo acerca de quem decidiu recorrer a ela, nomeadamente, o que o move, limita-se a aceitar a queixa e dá início a um processo com tudo de kafkiano. Sem nunca chegar a ver que está a servir o Ódio que se apoderou de determinadas pessoas e faz delas gato-sapato. Os possíveis conflitos entre seres humanos hão-de ser resolvidos por eles. Sem necessidade de recorrer à justiça institucional. Esta, em vez de resolver os conflitos, agrava-os e gera, até, outros, de todo insanáveis. O Ódio feito mulher, homem, não pode ser alimentado. Tem de ser contido, enfraquecido, desarmado. Quem nos livra da justiça institucional que continua aí a dar oportunidade ao Ódio de denegrir, humilhar, desacreditar, matar legalmente seres humanos inocentes?! Quem?

24 Junho 2015 https://www.youtube.com/watch?v=poWEhUgSYAs

 

Crónica 222

FREI BENTO, A CLÉRIGA E A GRÉCIA DO SYRIZA

 

A Europa está à beira de implodir. Este é o dia D. Sem ou com acordo com a Grécia do Syriza, estamos à beira de um prolongado inverno político na UE. Está tudo nas mãos da senhora Merkel, o golias bíblico em corpo de mulher. A predilecta filha do poder na UE. De nada adianta à Grécia ser a mãe do que de melhor há no pensamento europeu. O próprio cristianismo usa e abusa de Platão e Aristóteles. Sem a Grécia, não teria existido a Europa dos valores, hoje, em vias de extinção. Fascinada com o Dinheiro, de valores, já só conhece os da Bolsa. Até acontecer o governo do Syriza, todos os governos da UE foram vassalos de Merkel. O mais rastejante é o do PP-PC. Neste dramático contexto, surpreende que o meu amigo Frei Bento Domingues tenha insistido, na sua Crónica de ontem no PÚBLICO, no que titula de “Novos olhares sobre o casamento”. Conta, naquele tom humorístico que o carecteriza e que eu tanto aprecio, uma caricata cena vivida por ele, num casamento canónico a que presidiu numa aldeia deste nosso Portugal católico que desconhece por completo Jesus e o seu Evangelho. O pároco fez-se representar por uma clériga leiga, determinada em não autorizar casamento com missa, porque, de acordo com a velha catequese tridentina por que se rege, os noivos estavam em pecado mortal e cometeriam dois sacrilégios. Mas a surpresa maior vem do próprio frei que, a propósito, sublinha: “A senhora parece ignorar que a celebração dos sacramentos cristãos implica a presença pascal da acção de Cristo, que atinge todos os tempos e lugares. Deus e a sua graça não dependem dos sacramentos, pois se assim fosse, serviriam para limitar o alcance da acção do Espírito de Deus!” Pergunto: 1, O que é em concreto “a presença pascal da acção de Cristo”? 2, Se não depende dos sacramentos, para quê realizá-los?! 3, Como é que, depois de dois mil anos de overdoses de sacramentos, a Europa e o mundo estão hoje à beira do abismo? Não é então a prova provada de que o Cristo do cristianismo é o pai do neoliberalismo?!

22 Junho 2015 https://www.youtube.com/watch?v=PcbY5Ytv6hw

 

Crónica 221

FÁTIMA $.A. EM SOBRAL DE S. MIGUEL

 

Sobral de S. Miguel é uma aldeia do fim do mundo. Belíssima, como nenhuma outra. Ainda desconhecida do grande público. As próprias tvs continuam sem a descobrir. Os acessos são difíceis. Nos meses de verão, o Sol tem um brilho único nesta aldeia à sombra da Serra da Estrela, já a roçar as fronteiras da Beira Baixa. O pequeno rio é o sangue da aldeia. E o Bar do David Che Guevara, levantado sobre a sua margem esquerda, é um monumento ao ser humano. Tudo nele é arte, cultura. É a terceira vez que lá entro. O meu amigo Homero e a minha amiga Rosa, sua mulher e companheira, fizeram questão que viesse, enquanto gozam o seu mês de férias, no Roseiral, a 70 kms de lá. E que trouxesse exemplares do Livro FÁTIMA $.A. Vim. Em boa hora o fiz. Vivi lá a tarde e parte da noite do dia 17, com as pessoas que habitualmente frequentam “O Ferrolho”, do David, a arte e a poesia feitas ser humano, duma alegria, simplicidade, acolhimento que não há igual. De repente, o vermelho da capa do Livro e o título, pousado sobre uma das mesas, atraíram a atenção das pessoas. As conversas sucederam-se. Revelaram-se os corações de muitas, muitos, em sotaques estrangeiros dos primeiros emigrantes da aldeia que vêm por uns dias de férias. Conversas francas, desinibidas que nunca acontecem nas grandes academias, onde tudo é faz-de-conta, simulado, politicamente correcto, hipócrita, sem nada de humano. Escutei mais do que falei. E, quando falei, foi para me congratular com a franqueza e a naturalidade com que cada uma, cada um se disse. Os exemplares do Livro que levei “voaram”. No entender destas pessoas, nada de humano e de Deus, o de Jesus e dos povos, há em Fátima. Só negócio, idolatria. A torre da igreja paroquial bem está lá, altaneira, mas a destoar do colorido da natureza. Restos de um passado de cristandade que, felizmente, não volta mais. Foi, é a casa do Medo, do silêncio imposto. Cada vez mais trocada, hoje, pelo Bar do David. Onde a palavra e os afectos andam à solta. Bendito David, meu amigo e irmão!

19 Junho 2015 https://www.youtube.com/watch?v=FKe6EhXpE4U

 

Crónica 220

QUAL O SENTID O DA VIDA?

 

Viver com perguntas faz-nos muito mais humanos do que viver com respostas. O mercado das religiões apressa-se a vender-nos respostas para as perguntas que temos por mais fundamentais. São todas falsas. Nascemos cercados de respostas prontas a usar. A educação institucional, ministrada pelas religiões e pelas escolas, é um produto atraente, mas envenenado. Conseque abafar em nós as grandes perguntas com as falsas respostas que nos vende. Educar, no mercado, é igual a domesticar. Crescemos amestrados, à medida dos interesses e das necessidades do mercado. Todas as religiões, como todas as famílias e todas as escolas, estão aí para nos integrar progressivamente no mundo do mercado. São instituições domesticadoras. Estimulam-nos a crescer de acordo com as regras do mercado. Acabamos carne para canhão, pau para toda a colher, dentro do mercado e ao seu serviço. Tudo parece estar bem, porque conseguimos viver sem sobressaltos. Porventura, até com algum sucesso. Um viver com sentido dentro do mercado. Sem sentido dentro do Humano-Consciência. Há um abismo intransponível entre o Humano-Consciência e o mercado. Não é politicamente correcto dizer isto, eu sei. O politicamente correcto desconhece a Política praticada, como desconhece o Humano-Consciência como o ponto ômega do Universo. O mercado das religiões e financeiro tem o condão de matar o mistério que é a dimensão mais profunda do Humano-Consciência no Universo. Uma realidade que se dá a conhecer, à medida que cada uma, cada um de nós se desenvolve de dentro para fora, de acordo com a sua matriz original. Nascemos para rebentar com o mercado das religões e o financeiro, não para o viabilizarmos, fortalecermos. Urge redescobrir o belo e o fecundo que é vivermos com perguntas, em lugar de com respostas, as respostas vendidas pelo mercado das religiões e o financeiro, assassino da originalidade de cada qual.

17 Junho 2015 https://www.youtube.com/watch?v=9yItklDKTsc

 

Crónica 219

MAYA À BEIRA DE UM ATAQUE DE NERVOS!

 

A minha passagem e do Livro FÁTIMA S.A. pela CMTV deixou a apresentadora Maya à beira de um ataque de nervos. As minhas gargalhadas de presbítero menino foram o detonador para ela me advertir em directo no programa, para o qual fui convidado. Disse-me, dedo em riste, que as minhas gargalhadas sobre as “aparições” a ofendiam. Apressei-me a pedir desculpa e, na pessoa dela, às demais pessoas que em suas casas assistiam à conversa e, porventura, também se sentissem ofendidas quanto ela, ainda que por razões muito diferentes das dela. Mas, sublinhei, não há outra postura senão rir a bom rir, ou chorar a bom chorar perante os relatos das “aparições” de Fátima, de 13 de Maio a 13 de Outubro de 1917 (em Agosto, a “aparição” teve de ser adiada para o dia 19!!!). Os relatos divulgados pela Documentação Crítica de Fátima, em vários volumes, edição conjunta do Santuário e da Universidade Católica Portuguesa, são mesmo de rir, ou de chorar. Entre rir ou chorar, escolho rir a bom rir, depois de muito ter estudado todo o conteúdo desses documentos elaborados pelo clero, nomeadamente, os que cobrem o período que vai de 1917 a 1930, o ano em que o Bispo da restaurada Diocese de Leiria declarou dignas de fé as encenações do teatrinho criado pelo clero de Ourém, com destaque para o Cónego Formigão, de Santarém, sem dúvida, o cérebro maior de tudo aquilo, sem ponta por onde se lhe pegue. O que já não é de rir, porque é crime – e que crime! – é a manipulação, por parte do clero, das três crianças, Lúcia, Francisco, Jacinta, de10, 8 e 7 anitos de idade, em consequência da qual, duas delas, Francisco e Jacinta, irmãos entre si e primos de Lúcia, perdem a vida, respectivamente, em 1919 e 1920, sem que a milagreira senhora de Fátima lhes valha. Como é crime tudo aquilo que o Bispo de Leiria faz com a sobrevivente Lúcia. Leiam o Livro FÁTIMA S.A., já em 2ª edição, e ficarão a conhecer toda a verdade que os próprios Documentos do Santuário acabam por revelar, à força de tanto a quererem esconder. Um horror!

15 Junho 2015 https://www.youtube.com/watch?v=DRPT4HKpqHw

 

Crónica 218

QUE PORTUGAL, O DO 10 DE JUNHO DE CADA ANO?

 

Se há momentos em que o institucional esmaga as populações do país, o dia de Portugal é, porventura, o que leva a palma. É o dia em que os todos os maiores figurões do Estado, um estranho que nos come até os ossos, aparecem em todo o seu esplendor. Não são seres humanos, filhos de mulher. São filhos do poder. No chocante dizer teológico, o de Jesus Nazaré, são filhos da puta (= o Poder-deus). As respectivas mães, que ainda permaneçam visíveis entre nós, devem olhar para aqueles figurões e interrogar-se, entre o espanto e o absurdo, Mas não é este o menino que dei à luz, depois de 9 meses de intimidade, a mais completa? Como pode, então, estar ali tão longe de mim, dos seus companheiros de infância? O que aconteceu ao meu filho, que o levou a afastar-se progressivamente de mim, das pessoas, dos afectos, da realidade? O que faz ele, ali, naquele palanque, distante de todos os que passam perfilados diante dele, sem que ele os veja, sem que eles o vejam? Mas que liturgia político-religiosa é esta que mata os afectos, cria abismos instransponíves entre os seres humanos que, assim, deixam de o ser, para se tornarem, alguns deles, tiranos de todos os mais, reduzidos à condição de súbditos, fardados ou não? E as populações do país, onde estão? Não são todas converidas em figurantes duma encenação que mata a realidade, a vida, a relação, a maiêutica? A verdade é que ninguém tem voz e vez. Ninguém é! Concretamente, neste 10 de Junho 2015, os únicos que ousaram ter voz e vez, foram violentamente reprimidos pela Polícia de choque, cujo equipamento, qual máscara, esmaga os seres humanos que o envergam. E o que disse o PR, comandante supremo das Forças Armadas? Nada, senão o discurso previamente escrito sabe-se lá por que assessor. Então, depois de anos e anos como PM e PR a levar o país para o abismo, vem, agora, apelar às vítimas das suas práticas institucionais que levantem a cabeça e olhem o futuro com confiança? Nas pode haver futuro sem presente, senhor presidente?!

12 Junho 2015 https://www.youtube.com/watch?v=uvOTPLreBOY

 

Crónica 217

DOS BANDIDOS POLÍTICOS PODE VIR SALVAÇÃO?

 

A parábola do socerdote e do levita, um exclusivo do Jesus de Lucas, é tão politicamente subversiva e reveladora, que só por causa dela, Jesus já seria crucificado. O cristianismo domesticou esta parábola, como domesticou Jesus, ao ponto de fazer dele uma mais-valia do poder, exercido pelos “bandidos políticos”. É o cúmulo da traição feita a Jesus, o filho de Maria. E, nele, aos seres humanos, aos povos das nações. Não se escandalizem comigo por escrever estas coisas. Escandalizem-se com o cristianismo e tudo o que ele faz. É o Mal, mascarado com o manto do Bem. O cúmulo da encenação, do farisaísmo, da Mentira institucional, do Pecado. Originalmente, é chamada Parábola do sacerdote, do levita e do samaritano. Três figuras-referência, na época, só uma humana, precisamente, o então desprezado samaritano. O sacerdote e o levita são bandidos, vestidos de religioso. São eles, juntamente com o império de Roma, que fazem toda a espécie de Mal às maiorias da nação, representadas na parábola por um homem sem nome, formatadas para frequentarem regularmente a cidade santa-e-o-seu-templo. “Covil de ladrões”, no lúcido dizer de Jesus Nazaré. A parábola é desencadeada pela pergunta armadilhada de um “doutor da Lei”. Um intelectual da época vendido ao poder de turno e que o reforça. O poder seria sempre de perna curta, quase inonfensivo, se os intelectuais fossem orgânicos e maiêuticos com as maiorias. Seriam maiorias esclarecidas, politicamente mobilizadas. Preferem, como o “doutor da Lei” da narrativa lucana, ser intelectuais-judas que, em cada tempo e lugar, se vendem ao poder por 30 dinheiros. Muita erudição, muito discurso, nenhuma Sabedoria, nenhuma humanidade praticada. Daí a pertinente questão: dos bandidos políticos – hoje, o G7 – pode vir salvação? Os povos que recorrem a eles por lã (= ajuda económico-financeira) não saem mais tosquiados-endividados, como está a acontecer com a Grécia e Portugal?

10 Junho 2015 https://www.youtube.com/watch?v=pwnTDsLyYHM

 

Crónica 216

QUE É DELES?

 

Os povos das nações nascem, vivem, morrem caídos nas mãos dos bandidos políticos (cf. Lucas 10, 25-37). As minorias espertalhonas das sociedades, também as de Portugal e da União Europeia, saem-nos reiteradamente ao caminho da vida, enchem-nos de pancadas – impostos, leis absurdas, desprezos de toda a ordem, escravatura sexual-laboral, salários mínimos, guerras sucessivas, religiões-futebóis imbecis – e deixam-nos meio-mortos por aí, no maior dos desamparos. Com o rótulo de Lixo, Excedentários, Iletrados, Analfabetos, Excomungados da mesa dos bens da terra que, originalmente, são de todos os povos, mas que as minorias declaram sua propriedade privada. Desde o início, são assim as sociedades, fundadas na idolatria religiosa-financeira. Tenho de reconhecer que o aparecimento do judeo-cristianismo-islamismo, respectivamente há uns 30, 20, 14 séculos, só veio piorar as coisas. Acaba, neste início do terceiro milénio do cristianismo-islamismo, quarto milénio do judaísmo, de atingir o grau máximo da degradação das sociedades, com a Ciência e todo o Saber ao seu inteiro serviço. Contra os povos das nações, reduzidos à condição de vermes rastejantes. Dos bandidos políticos, fazem parte todos os intelectuais que não se atrevem a ser orgânicos com os povos. Preferem ser orgânicos com as minorias dos privilégios. Acabam iguais a elas, porventura, piores do que elas, eunucos ao seu inteiro serviço. Incluem-se neste núcleo, os sacerdotes-pastores das religiões, os núcleos duros dos partidos políticos, empenhados em integrar a pirâmide do poder, se possível, o topo. Ora, é da verdade, sempre silenciada-crucificada: Enquanto não forem os povos organizados uns com os outros ao modo dos vasos comunicantes a gerir as próprias vidas e o planeta, as respectivas nações continuarão aí de mal a pior. Só que esta revolução antropológica-teológica exige intelectuais dispostos a descolar dos bandidos políticos e a fazer-se orgânicos com os povos. Que é deles?

8 Junho 2015 https://www.youtube.com/watch?v=L9dJv4YrLJI

 

Crónica 215

QUE É DOS ÓRGÃOS MÁXIMOS DO ESTADO?

 

Bem se pode dizer que o país está sem governo. Sem presidente da República. Sem Assembleia da República. Os chamados órgãos máximos do Estado português há muitos meses que não existem para os fins que a Constituição da República lhes atribui. Estão todos absorvidos na campanha eleitoral para as próximas eleições legislativas. O pouco tempo que lhes sobra é ocupado com outra campanha, a presidencial, que se segue às legislativas. Os candidatos a PR são já mais do que muitos. Todo o bicho careta, nado e criado em Portugal, acha que tem perfil para ser PR. O que nem é de estranhar. Se o Aníbal, com a sua Maria, a dos presépios, serviu para exercer o cargo em dois sucessivos mandatos, qualquer outro bicho careta que lhe suceda, tem francas possibilidades de ser melhor PR do que ele. Vale tudo, até tirar olhos. Não só em Portugal. Também nos restantes estados da UE. É um fartar, vilanagem. Todos os partidos com assento parlamentar e os novos partidos, candidatos a um ou mais lugares no Parlamento, estão, nesta altura, manifestamente reduzidos a dois, melhor, três sob a forma de dois. Concretamente, o CDS, de PP, que leva pela trela o PSD, de PC, e o PS, de António Costa. Desde que a troika deixou oficialmente o país, à espera de em breve ser convidada a regressar, para levar o pouco que ainda resta de Portugal, é notório que tudo o que o actual governo, liderado pelo vice-primeiro-ministro, PP, com o primeiro-ministro, PC, como porta-voz, pensa, projecta, decide, visa exclusivamente conseguir perpetuar-se por mais quatro anos no poder. Neste desmando sem igual, nem os chamados partidos de esquerda fazem a diferença. Estão tão obcecados em conquistar mais lugares ou em manter os que já detêm, que não querem saber das populações para nada. E ainda há quem pense que é pela via do poder e dos votos que vamos lá. Podemos ir, mas para o abismo. A História é o que nos revela. Não vemos?!

5 Junho 2015 https://www.youtube.com/watch?v=ZPrgW-XMIO0

 

Crónica 214

A EXCEPÇÃO É A REGRA

 

Com o tsunami Corrupção na FIFA em fundo, coisa impensável até há poucas semanas, mas inevitável, quando é preciso fazer cair um deus, para que um outro, mais novo e mais habilmente corrupto o substitua – Blatter deposto, Blatter (com outro nome) posto – trago a esta Crónica um pequeno episódio de sinal diametralmente oposto. A provar que, de quando em vez, a excepção é a regra. Aconteceu na semana passada em Lisboa e só chegou ao meu conhecimento, porque tem tudo a ver com a sessão de apresentação do meu Livro FÁTIMA $.A. na Livraria Círculo das Letras. Um dos presentes, empolgado com a sessão e com o Livro, acabou por regressar a Almada, de onde havia partido, sem nunca mais se lembrar de o pagar na caixa. As contas, no final da tarde, acusavam a falta de pagamento de um livro saído da Livraria. Nada a fazer. A boa notícia veio depois, no início desta semana. Já a manhã ia a meio, quando um senhor entra com o Livro na mão e confessa, Então não é que eu, tão empolgado com a sessão da passada sexta-feira, saí sem pagar o Livro na caixa? E, como um menino, desfez-se em mil desculpas e lá pagou o Livro, como quem dança. O gesto, carregado de humanidade, é a regra do seu ser-viver de ser humano. Fosse um fatimista e, ao ver-se com o Livro sem pagar, acharia que tinha sido um milagre da senhora de fátima (assim, tudo em minúsculas, que as maiúsculas são exclusivas dos humanos). Canto, aqui, este homem anónimo de Almada. E, já agora, canto também o meu amigo Valdemar, cá de Macieira da Lixa que, quando ontem fui até ele com um exemplar de FÁTIMA $.A., logo ele contou para quem o quis ouvir: Nunca mais esqueci o que o pe. Mário, já em Maio de 1970, nos dizia que se a senhora de fátima atendia as promessas das mães portuguesas, cujos filhos iam para  a guerra, e deixava os filhos das mães africanas morrer, é porque não era Maria, a mãe de Jesus. Sabe que nunca mais esqueci este Evangelho? Por isso, venha para cá esse Livro que vou ler com muita atenção e emoção! Eis.

3 Junho 2015 https://www.youtube.com/watch?v=XmUp1bAney0

 

Crónica 213

AINDA HÁ MENINAS, MENINOS, OU JÁ SÓ CRIANÇAS?

 

Todos os dias deviam ser das meninas, dos meninos. Não das crianças. Não há crianças. Há meninas, meninos. Por sinal, cada vez em menor número. São em vias de extinção. Este tipo de mundo, do Mercado, poder financeiro global, odeia as meninas, os meninos. Só fala de crianças. Até lhes promove dias mundiais. Faz muito dinheiro com elas. Às meninas, aos meninos, odeia-os. Já nem deixa que cheguem a nascer. É pior que o rei Herodes do Evangelho de Mateus. As mães, os pais são-no de filhas, filhos. Não de crianças. O pai do dia mundial da criança é o Mercado, o poder financeiro. Nem sequer lhe chama Dia mundial das crianças, no plural. Chama-lhe Dia mundial da criança, no singular. Nega-mata a realidade – as meninas, os meninos – quando mais parece afirmá-la. O Mercado, poder financeiro global, não dá ponto sem nó. Ele é o dia da mãe. Ele é o dia do pai. Ele é o dia da mulher. Ele é o dia da criança. Tudo no singular. Nega-mata a realidade, ao substituí-la por um conceito-mito sem carne e sangue, sem história. Um conceito onde coloca tudo o que mais lhe convém. Uma espécie de robot assexuado com aspecto de menina, menino, mas que não é menina, menino. É criança. É mercadoria. Portadora de todos os desejos das mercadorias que o Mercado, poder financeiro cria, ano após ano. As meninas, os meninos são, assim, reduzidos a crianças. As mães, os pais só aparentemente o são. Na realidade, não passam de financiadores dos desejos que a criança, filha do mercado, poder financeiro, lhes apresenta. Quem diz mães, pais, diz madrinhas, padrinhos, tias, tios, amigas, amigos mais chegados. Felizes, aquelas filhas, aqueles filhos, cujas mães, cujos pais não abdicam do seu fundamental papel. Defendem-nas, defendem-nos do mercado, poder financeiro. Sabem que se as mercadorias entram nas mentes delas, deles, depressa passam a crianças, filhas do mercado, poder financeiro, consumidores compulsivos. Ainda há meninas, meninos, ou já só crianças?

1 Junho 2015 https://www.youtube.com/watch?v=b0b_5rbkrr8

 

Crónica 212

HOJE EM LISBOA, NA CÍRCULO DAS LETRAS

 

Tudo o que eu e outras pessoas possamos dizer-escrever sobre o meu novo Livro, FÁTIMA S. A., Seda Publicações, Maio 2015, vale só como o dedo que aponta para ele. Este Livro só se nos revela, se, desarmados de preconceitos contra ou a favor de Fátima, mergulharmos nas suas 288 páginas e bebermos todo o sumo de liberdade, transparência, lucidez, que as atravessa, desde a Introdução ao final do capítulo 14. Nem os bispos nem os três últimos papas, conhecem Fátima. Fátima I, de 1917 até 1930, quando o bispo da restaurada diocese de Leiria reconhece a “verdade” da mentira das “aparições”. Nem Fátima II, de 1935 até aos nossos dias. Neste meu Livro, Fátima I apresenta-se em 10 capítulos. Já Fátima II, em apenas 4. O mais surpreendente é que todo o Livro se apoia na chamada “Documentação Crítica de Fátima” (DCF), em vários volumes, uma cuidada edição do próprio Santuário, com a cumplicidade da Universidade Católica Portuguesa, iniciada quando se completaram 75 anos das “aparições”. Mergulhei, como presbítero-jornalista, nessa Documentação e procuro pôr a nu todas as contradições e todos os truques dos clérigos de Ourém, coadujvados pelo Cónego Formigão, sem dúvida, o grande cérebro de Fátima. Calculem que o Bispo de Leiria, à data da publicação do 1º volume desta DCF, Alberto Cosme do Amaral, assina um texto de apresentação, com a data de 13 de Agosto de 1992, o mês em que, em 1917, não houve a anunciada ”aparição”. Por falta de comparência das 3 crianças utlizadas pelo clero que, nesse dia e hora, estavam a brincar em casa do administrador do concelho, juntamente com os filhos dele. E o “teatrinho” – reza a DCF – teve de ser adiado para o dia 19, já sem as multidões!!! Mas é precisamente em 13 de Agosto de cada ano que decorre a chamada peregrinação dos emigrantes. Porque não no dia 19?! Hoje, 18,30h, em Lisboa, o escritor e poeta Joaquim Murale e eu estaremos a ser o dedo que aponta para este Livro. Imperdoável, é não o adquirir, ler-estudar-debater. Espero lá por vós..

29 Maio 2015 https://www.youtube.com/watch?v=1sd261jJcGc

 

Crónica 211

MUDAR PARA QUE TUDO FIQUE PIOR

 

Há séculos, milénios, que os povos insistem em saídas messiânicas para as crises individuais e colectivas. Quando se fartam dos velhos partidos políticos, criam novos. Os novos são os velhos recauchutados. O desastre já está à espreita, quando as populações festejam a vitória dos novos partidos. É o que, com propriedade, se pode chamar, Mudar para que tudo fique pior. As populações festejam, como já os seus visavós festejaram, quando os actuais velhos partidos eram novos e venceram os velhos. São populações sem emenda. Não aprendem, nem com os próprios erros. São messiânicas, e está tudo dito. Incapazes de reconhecer que não há soluções milagrosas. As milagrosas são soluções que infantilizam quem as busca, aceita, festeja. Não há milagres no reino da Humanidade. Só no do poder, que é o reino da Mentira, do Assassínio, do Latrocínio. O poder só subsiste com populações infantilizadas, crédulas, ingénuas. Que embarcam em deusas, deuses, santuários, parlamentos, messias-cristos, secretários-gerais ou presidentes de partidos políticos, clérigos, pastores e quejandos. Correm por milagres, acabam na merda política. Mascarada de democracia, de religião, de virtude, de santidade. Merda política, a pior de todas. Não há salvação histórica para ninguém no reino do poder. Muito menos para as elites que o servem. Por mais amanhãs de sol que elas anunciem. É de abismo em abismo, até ao abismo final. Os povos têm de expulsar das suas mentes-consciências o demónio do messianismo. Todos os messias-cristos são mentirosos. Se organizados em sistemas económico-financeiros e políticos, a Mentira institucional. A mais sádica. Cruel. Na Grécia, é o Syriza. Em Espanha, o “Podemos” e o “Movimiento de Ciudadanos”. Enquanto não formos povos-vasos-comunicantes, resta-nos o fel e o vinagre. Tudo o que fica, depois de apagados os holofotes dos festejos em honra do novo vencedor, ela ou ele. Acordemos!

27 Maio 2015 https://www.youtube.com/watch?v=ibDTIH1HGeM

 

Crónica 210

CANTEMOS O BARRACÃO DE CULTURA!

 

Não é caso frequente. Não sei se, até, não é caso único. Em Macieira da Lixa, Felgueiras, levanta-se, agora, na sua simplicidade-verdade, um espaço de Cultura que se deseja maiêutica. Um ventre de onde sempre se sai mais humano, de cada vez que se lá entra. Onde as pessoas são maieuticamente estimuladas, de dentro para fora, a ser. Espaços culturais nas aldeias não abundam. De Cultura maiêutica, não haverá nenhum, à excepção deste, agora, em Macieira da Lixa. É assim desde a sua concepção, ocorrida por obra e graça do Vento/Sopro que, fecunda brisa, soprou num encontro aberto em casa do senhor Albano e ganhou voz na minha, que, nessa tarde, dinamizava a actividade. Então, já eu havia escutado do mesmo Vento/Sopro o título de um dos meus Livros, “E Deus disse: Do que Eu gosto é de Política, não de Religião”. Nesse Encontro, esse mesmo Sopro volta a ganhar voz na minha, para anunciar, Pela Cultura é que vamos, não pela religião! E para interpelar, Como seria o país, hoje, se, desde a fundação, tivesse havido, em cada aldeia, um Barracão de Cultura maiêutica, gerido pela população organizada ao modo dos vasos comunicantes, em vez do templo paroquial, gerido por um clérigo todo-poderoso? A interpelação gravou-se nas mentes cordiais de algumas das muitas pessoas presentes. Quase 30 anos depois, aí está levantado, no campo doado para esse fim por Maria Laura, presente nesse encontro, o Barracão de Cultura, já com Alvará de Licenciamento, passado pela CM Felgueiras. E não é que um dos adolescentes presentes no encontro, Rodrigo Filipe, hoje pai de dois meninos, nascidos de Dária, sua mulher e companheira, acaba de ser eleito presidente da Direcção da ACR FORMIGAS DE MACIEIRA/BARRACÃO DE CULTURA, em cujo mini-Bar, sobressai um belo azulejo do Arq. Siza Vieira? Venham pisar este chão. De passagem, adquirem em mão o meu novo Livro, FÁTIMA S.A., Seda Publicações, cujos direitos de Autor revertem integralmente para ele. Cantemos o Barracão de Cultura!

25 Maio 2015 https://www.youtube.com/watch?v=xjLLG15mxq8

Crónica 209

COM O PODER NÃO VAMOS LÁ

 

Eu sei que nos custa admitir. Há séculos, milénios, que a humanidade tem sido governada, dirigida pelo poder. Não somos sequer capazes de pensar soluções para o nosso viver histórico-vasos-comunicantes-paz-desarmada, fora do âmbito do poder. No que respeita aos três últimos milénios, o poder vestiu-se despoticamente de judaísmo, de cristianismo, de islamismo. Cada qual em múltiplas versões históricas. Pode, até, dizer-se que, sob o poder, não há nada de verdadeiramente novo debaixo do sol. Tudo tem a marca do poder. Ou da Besta, no dizer do Livro da Revelação (Apocalipse). Poder é poder. Ditatorial, monárquico, republicano ou democrático, é sempre poder. Desde que há sociedade organizada, tem sido sempre governada, dirigida pelo poder. As chamadas três religiões do Livro são três formas distintas de poder, nenhuma boa. Pela simples razão de que não há nenhum poder que seja bom. Todo o poder é mau. Se judeo-cristão-islâmico, pior. Nunca se foi tão longe em crueldade, desumanidade, como no judeo-cristianismo-islamismo financeiro. Todo o poder é deus. Deus é poder. No dizer de todos os teólogos do Livro – Bíblia, Cartas de S. Paulo, Alcorão – deus é omnipotente, omnisciente, omnipresente. O príncípio e o fim de tudo. Dentro de semelhante concepção, chega a ser (quase) impossível ser-pensar-praticar uma sociedade organizada fora do âmbito do poder. Só quem é capaz de sair – êxodo – do mundo do poder para o “deserto”, nascer do Sopro da Vida e viver conduzido por ele em permanência. Isto é, quem decide viver no mundo do poder – não há outro! – sem jamais ser dele. A História regista um único ser humano – Jesus Nazaré – filho de Maria, não de David (= poder), cujo ser-viver-actuar-falar é, todo próprio de quem vive no mundo do poder, sem jamais ser dele. Teve de ser morto, como o maldito. Perante ele, o poder percebeu, Ou Jesus ou ele. E depois de o matar, foi ainda maIs longe: fez dele Cristo (= poder = deus), ou Jesuscristo. Mas Deus Abba-Mãe que nunca ninguém viu, é com Jesus que está, não com o poder (= Cristo). Prosseguimos Jesus, ou perecemos!

22 Maio 2015 https://www.youtube.com/watch?v=xKoY4eLXLbg

Crónica 208

RAPIDAMENTE E EM FORÇA

 

Com a chegada do império financeiro que este tipo de democracia mediática ajudou a expandir, sem que, alguma vez mais, venha a ser possível qualquer revolução, à excepção da Revolução antropológica-teológica que, desde Jesus Nazaré, nunca mais foi retomada e prosseguida, o viver dos povos das nações da terra está completamente à sua mercê, dos seus governos-gorilas institucionais, fabricadores de leis feitas à medida dos devoradores apetites dele. Tudo é decidido e realizado rapidamente e em força, como hoje é cada vez mais patente. Sem que os povos das nações sejam tidos ou achados, apesar da máscara de eleições periódicas, já em vias de extinção. Não porque sejam proibidas pelos governos, bem pelo contrário, mas porque as populações estão a aperceber-se da sua completa inutilidade. Tudo é decidido pelo império financeiro, com a cooperação, a bem ou a mal, dos seus governos-gorilas, de direita ou de esquerda, designações, também elas, hoje desacreditadas, ainda que aumente todos os dias o número de novos partidos políticos. Os respectivos fundadores-líderes sabem que, se ganharem lugares no parlamento principal do país, passam a dispor de uma fatia de poder político nada dispicienda. Não decidem nada, já que todos têm de fazer suas, as decisões do império financeiro, o único senhor que têm de reconhecer e ao qual têm de obedecer. Em troca de regalias materiais e de prestígio que os demais concidadãos jamais conhecerão. São corporações egoístas, disfarçadas de altruísmo político. No império financeiro, não há qualquer lugar para afectos nem práticas políticas maiêuticas. Só para egoísmos individuais, corporativo-partidários. De nada adianta às populações indignadas protestar nas ruas. O império financeiro não tem ouvidos, muito menos, coração. Só apetites devoradores dos povos, do petróleo, dos diamantes e outros bens escondidos no ventre da Terra, cada vez mais esventrada. Será que não vemos, cegos que andamos pelos fanatismos religiosos, futebolísticos, partidários?! Acordemos e pratiquemos Jesus, século XXI, mai-la sua revolução antropológica-teológica. Seremos mulheres, homens, povos de pé, vasos comunicantes!

20 Maio 2015 https://www.youtube.com/watch?v=3GmF2NfM57c

 

Crónica 207

LEIS E MAIS LEIS OU VALORES HUMANOS?

 

Quando os intelectuais deixam de ser intelectuais-orgânicos-com-as-populações, a partir das mais excluídas de tudo o que nos caracteriza como seres humanos e optam por ser intelectuais-orgânicos-com-os-poderes e suas enganadoras seduções, as sociedades entram em descalabro e cresce a desumanidade em toda a parte. Nesta era da super-informação, sem outro critério que não seja o do excesso, os intelectuais têm uma responsabilidade acrescida. Têm de servir as populações. De modo especial, as novas gerações. Em vez de servirem os donos dos grandes meios de informação. Ninguém aguenta viver em permanente deslumbramento. Tudo o que é demais, é moléstia, causa de doença. É da Sabedoria, manifestamente ausente nas actuais sociedades da super-informação. Só a Sabedoria é que nunca é demais. Como nunca são demais, os valores humanos. Eu sei que os valores que as igrejas-religiões promoveram-alimentaram, ao longo dos séculos de Cristandade, estão cada vez mais ausentes nas sociedades deste nosso terceiro milénio. Não choro. Canto. São falsos valores. Moralistas, hipócritas q.b., próprios duma sociedade de senhores-escravos, príncipes-servos da gleba, clerigos-leigos. A ignomínia institucional mascarada de virtude, com a obediência como o principal valor. Foram dois milénios de valores cristãos, em vez de valores humanos. As novas gerações já não navegam mais essas inquinadas águas cristãs. Urge, porém, fazer brotar de dentro delas para fora os valores humanos, os únicos que dizem com a nossa matriz original. É aqui que entram os intelectuais orgânicos. Em lugar de produzirem leis e mais leis ao serviço do poder, têm de ser presenças maiêuticas com as populações. Veremos então brotar de dentro delas para fora, os valores humanos, até agora amordaçados pelos cristianismos-religiões. Os próprios meios de informação tornam-se meios de cuidado-acompanhamento das populações. Humanos, eles próprios.

18 Maio 2015 https://www.youtube.com/watch?v=ZQRB1Vf6yKg

Crónica 206

ESCOLAS? QUE ESCOLAS? DO CRIME?!

 

As escolas deste início do terceiro milénio, nos mesmíssimos moldes das escolas do final do 2º milénio, revelam-se completamente desfasadas da realidade. O tipo de mundo em que nascem-crescem as novas gerações não é mais o dos seus pais-avós. A raiz é a mesma. Não assim o gigantesco sistema que dela brota, agressivamente violento, corruptor, hipócrita, assassino. De modo cruento, em assustador crescendo. De modo incruento, muito mais daninho. Não mata o corpo das crianças-adolescentes-jovens, mata-lhes o Eu-sou único e irrepetível que é cada um deles. Sem que as mães, os pais, cada vez mais casas-vidas separadas, a viver com outras companheiras, outros companheiros, cheguem sequer a aperceber-se. Sem tempo, disposição interior para lhes dedicar. O Grande Mercado, com todo o tipo de meios electrónicos, cada vez mais direccionados para as novas gerações, é hoje o pai-a mãe, o avô-a avó de todos eles. Até o falar deste início do terceiro milénio chama “última geração”, não às filhas, aos filhos nascidos de mulher, mas aos aparelhos nascidos do Grande Mercado. Nem profs-escolas, nem pais-famílias, nem micro-sociedades das aldeias, vilas, cidades do interior estão à altura das exigências que a nobre Arte de Educar hoje nos coloca. O que ontem resultou, é inadequado hoje. Pior, é crime, pecado de preguiça, de rotina. As nossas miúdas, os nossos miúdos sabem tudo sobre novas teconologias. Ignoram tudo, enquanto cidadãs, cidadãos em fase de crescimento. Para cúmulo, os malcriados exemplos que a toda a hora lhes chegam dos governantes das nações, dos líderes dos partidos políticos, dos líderes das igrejas, dos organismos internacionais, produtores de guerras financeiras, as mais mortíferas e as mais aplaudidas, não podem dar bons frutos. Só num clima cultural, social como este, se explica que quem hoje mais agride-mata, se torne viral nas redes sociais. Escolas? Que Escolas? Do crime?!

15 Maio 2015 https://www.youtube.com/watch?v=5Cc5cnBsef0

 

Crónica 205

O QUE MOVE OS PAGADORES DE PROMESSAS?

 

Podem ser milhares. Até milhões. São sempre uma minoria em cada país, no mundo. Portadores de graves lesões cerebrais multiseculares, a que chamam fé. Herdadas dos seus mais remotos antepassados. Das quais recusam ser tratados-libertados. O que move os pagadores de promessas? A mente humana tem tudo de mistério que as religiões habilmente manipularam, continuam a manipular. Em nome de deus. Um deus fabricado, alimentado por seres humanos, vítimas de microcóspicas lesões cerebrais, a maior parte delas ainda hoje desconhecidas. As religiões, mai-los seus sacerdotes-pastores têm impedido a Ciência de se desenvolver, a partir dos seres humanos. Para elas, as graves lesões cerebrais são possessões diabólicas, se os seus portadores não dizem com elas, nem com os seus sacerdotes-pastores. São respeitáveis devoções, se os seus portadores acabam pagadores de promessas. Aos míticos demónios, tratam-nos com anacrónicos exorcismos. Aos pagadores de promessas, têm-nos como exemplos de grande virtude. É mais do que hora de darmos a palavra à Ciência. Jesus século XXI, odiado pelas religiões, é o primeiro a estimular a Ciência a fazer-se próxima do mistério que é a mente de cada ser humano. Para que esta progressivamente se revele e sejamos definitivamente seres humanos curados das graves lesões cerebrais de há séculos, milénios, mulheres, homens libertados, vestidos de paz. Que já não frequentam mais santuários, não se ferem mais com cilícios, jejuns, peregrinações a pé e a pão-e-água, muito menos rastejam diante de imagens, fabricadas por hábeis artesãos, como, por exemplo, o senhor Thedim da Trofa, Braga, de cujas mãos saiu o molde que deu origem àquela que as populações com graves lesões cerebrais correm a adorar em Fátima, em vez de à maiêutica ajuda de neurologistas, psicólogos, antropólogos, teólogos praticantes da mesma Fé de Jesus.

13 Maio 2015 https://www.youtube.com/watch?v=J_q_OgnUUDg

 

Crónica 204

EM NOME DA LEI

 

A lei, toda a lei, é criação do Poder. A Liberdade não conhece a lei. Só a Liberdade nos faz. Não a lei. Só na Liberdade, somos humanos, a crescer de dentro para fora. O Poder é a negação da Liberdade. Odeia a Liberdade. Odeia os seres humanos livres. A lei é a sua arma primeira. A mais utilizada por ele. A mais invocada. O Poder é uma fábrica de produção de leis. De produção de vítimas. De escravos. De sub-humanos. Tudo em nome da lei. Recorre constantemente à lei, como se ele não fosse o pai da lei. É. Não há lei que não tenha sido gerada pelo Poder. Só a Liberdade desconhece a lei. Fôssemos todas, todos, Liberdade, não haveria lei. A lei mata a Liberdade. É a principal arma do Poder. As populações que não querem ser-crescer Liberdade, pedem-exigem, leis. Com as leis, vem o Poder que asfixia-mata a Liberdade. A princípio estranhamos. Depois, habituamo-nos. Não queremos outra coisa. Somos Liberdade. Nascemos Liberdade. Esbarramos logo com a lei, concretizada numa infinidade delas. Impossível conhecê-las todas. Na nossa inocência de menina, menino, pensamos que a lei é da natureza das coisas. Descobrimos, mais tarde, que não. A lei é filha do Poder. A sua principal arma de domínio dos seres humanos, dos povos. Então, dissentimos, rebelamo-nos contra ela, ou submetemo-nos. Se nos submetemos, desistimos do Humano. Da Liberdade. Acabamos obedientes à lei. Finalmente, súbditos-escravos do Poder. Com aparente direito a escolher os nossos carrascos. Não há Poder que se perpetue, sem a lei. Uma infinidade delas. Todas com um único objectivo – condicionar, asfixiar, matar a Liberdade. A Ordem mundial é a afirmação da lei. Do Poder. A negação da Liberdade. Somos hoje tão domesticados, que já nem resmungamos. Somos até os primeiros a perseguir a Liberdade-feita-seres-humanos. Não os suportamos no meio de nós. Exigimos ao Poder que os mate. Em nome da Lei!

11 Maio 2015 https://www.youtube.com/watch?v=xaTV92X1QDM

 

Crónica 203

JÁ NINGUÉM DETÉM O GRANDE CAPITAL!

 

O grande Capital continua imparável. Está tão enraizado na mente das populações-povos das nações, que nada, ninguém o detém. Só a própria implosão. Governos de esquerda, de direita são todos, cada qual a seu modo, aliados dele. Ele sabe – não é ele um deus omnisciente? – e recompensa-os. O mesmo se diga dos partidos políticos de direita, de esquerda. De resto, uma invenção/criação dele, como de tudo o que existe à face da terra, no Ocidente, como no Oriente, no Norte, como no Sul. Coisa nada estranha, uma vez que o grande Capital é um deus omnipotente. Só o planeta em si não é criação dele. Nem isso lhe faz qualquer mossa. Basta-lhe ser – e é – o dono disto tudo. Toda a Terra lhe pertence, ainda que sejam bastantes as famílias que se têm na conta de proprietárias das suas casas e de outros imóveis. Quanto mais ricas, mais escravas do grande Capital. As mais escravas dele são as elites, de direita ou de esquerda, às quais cumula de privilégios. Já as maiorias vivem em escalões inferiores. Há cada vez menos escalões intermédios. No passado, era destes escalões intermédios que saíam os seus principais colaboradores. Pensavam-se privilégiados, por mérito próprio, em consequência do seu maior desenvolvimento nas múltiplas áreas do conhecimento – profs, oficiais das forças armadas terra, mar e ar, magistrados, clérigos. Sobretudo, clérigos. Dos paços episcopais às paróquias. Com a chegada do terceiro milénio, as filhas, os filhos destes escalões já não são mais o que foram suas mães-avós, seus pais-avôs. São, sim, os novos proletários. À excepção de uma minoria muito restrita que ainda subsiste no poder político, religioso, judicial, militar. Mas já em vias de extinção. A implosão em curso é irreversível. Fazemo-la deflagrar com os nossos comportamentos rebotizados, nenhuns afectos, nenhuma sabedoria. Não há sequer uma “arca-de-noé” que salve os “eleitos”. O grande Capital é o único deus que não tem “eleitos”. Vão todos ao fundo com ele.

8 Maio 2015 https://www.youtube.com/watch?v=GL57DkOleqY

 

Crónica 202

O ENSURDECEDOR SILÊNCIO DOS BISPOS E DO PAPA

 

Enquanto os povos de diferentes países de África, espoliados da sua dignidade humana e dos seus bens, nomeadamente, o petróleo, arriscam-perdem a vida todos os dias no Mar Mediterrâneo, para chegarem à Europa, onde continuam a ser humilhados, espoliados; e enquanto, por cá, os funcionários do Fisco, ao serviço do Estado, recebem milhões de euro de prémio, por extorquirem até a camisa às populações, sem nunca beliscarem nos interesses dos grandes grupos financeiros – mantem-se, cada vez mais ensurdecedor, o silêncio dos bispos, do próprio papa de Roma, perante o degradante espectáculo dos peregrinos de Fátima, eternos pagadores de promessas, que, nestes meses de Maio a Outubro, rumam até ao santuário da nossa vergonha-humilhação, onde chegam a assumir posturas de vermes rastejantes. Para lá das efectivas perdas de vidas, durante o percurso, devido a atropelamentos, ou a enfartes, por exaustão. Um silêncio com tudo de pecado/crime de assassínio por negligência. Para cúmulo, vós, meus irmãos bispos, ainda conseguis viver de consciência tranquila, perante populações possessas de ancestrais medos, aos quais elas próprias insistem em chamar “fé”. No que contam, de resto, com a atroz cumplicidade de jornalistas pés-de-microfone. A fé cristã que dizeis professar faz de vós uma elite, no topo da pirâmide, sacerdotes de um Deus que gosta de populações assim, rastejantes, uma vez que nem sequer o seu próprio filho poupou da maldição da cruz, num sacrifício de redenção pela humanidade ferida por um pecado original que, afinal, nunca existiu! Sabei, entretanto, que a vossa fé-teologia cristã é intrinsecamente má e faz de vós cegos e guias cegos, a conduzir as populações para o abismo da humilhação, indignidade. Até quando pactuais com toda esta degradação humana, em nome de uma fé que vos faz cristãos, divinos, quando, à luz da Fé-teologia de Jesus, o maior imperativo ético é que sejamos plena e integralmente humanos?! Até quando?!

6 Maio 2015 https://www.youtube.com/watch?v=Q97nyioxky0

 

Crónica 201

FÉS E TEOLOGIAS QUE MATAM

 

O papa Francisco gosta de denunciar, nos seus documentos, mais do que nas suas práticas institucionais, as economias que matam. Vê os monstros que são os actuais sistemas económico-financeiros, não vê o monstro que é o pai de todos eles: o judeo-cristianismo-catolicismo-islamismo. São sistemas que matam, vão continuar a matar, porque contam com a bênção, a protecção, a cobertura ideológica-teológica de Fés e Teologias que matam: as do judeo-cristianismo-catolicismo-islamismo. Sei que escandalizo, mas também sei que não estou só nesta denúncia. Os povos têm de saber, para se precaverem, que existe um Deus assassino, ladrão. Não têm de ser ateus. Têm de mudar de Deus. É esta conversão que Jesus Nazaré, no começo da sua intervenção política maiêutica, exige a quantas, quantos queiram segui-lo, prossegui-lo, serem, como ele e com ele, mulheres, homens com afectos e projectos de vida de qualidade, de abundância, para todos os povos das nações: – Que mudem de Deus! Passem do Deus-que-se-vê nos agentes históricos dos três poderes, para o Deus-que-nunca-ninguém-viu e se dá a conhecer nas inúmeras vítimas dos poderes, por toda a terra. O judeo-cristianismo-catolicismo-islamismo cultua um Deus-que-se-vê. É assassino, ladrão. O pai dos assassinos, ladrões institucionais, mascarados de agentes dos poderes, com destaque para os do topo da pirâmide, o primeiro dos quais é o papa-Cúria romana, que todos os outros fazem questão de ir beijar-lhe a mão/anel. Os cinco peregrinos mortalmente atropelados na madrugada de sábado, 2 de Maio, quando, num conjunto de cerca de 80 pessoas, seguiam a pé em direcção a Fátima, iam animados pela fé, teologia do cristianismo católico que mata. Dois mil anos de cristianismo são 2 mil anos de horrores. Até as acções de bem-fazer, em que são peritas as igrejas cristãs, matam: – Os que as promovem; os que delas parecem beneficiar. Mudamos para a Fé, Teologia de Jesus, ou perecemos!

4 Maio 2015 https://www.youtube.com/watch?v=btxSxNr6Cxg

 

Crónica 200

QUE NOS DIZ-GRITA O TERREMOTO NO NEPAL?

 

Ainda ninguém sabe, mas o número de mortos causados pelo terremoto no Nepal pode atingir, até, ultrapassar os 5 mil. De nossa casa comum, o planeta está a tornar-se o nosso cemitério comum. Ele são terremotos. Ele são guerras em múltiplas zonas do mundo. Ele são suicídios e assassinatos em série. Ele são acidentes aéreos e terrestres. Ele são pobres e pobreza em número cada vez maior. Ele são poderes que se têm por divinos, não olham a meios para se perpetuarem no domínio-controlo do mundo, contra os povos das nações, seus reféns. Temos hoje todas as condições para fazermos da Terra a nossa casa comum. Insistimos em fazer dela o nosso cemitério comum. Em lugar de cuidarmos de nós próprios, uns dos outros, do planeta, insistimos em cuidar das deusas, dos deuses, do grande Capital/Dinheiro, cada vez mais independente dos povos das nações, até contra eles. O genocídio é todos os dias, em todo o planeta. Pretender situá-lo, como faz o papa Francisco, neste, naquele país em concreto, é tomar a nuvem por Juno. Há cada vez menos inocentes, neste início do terceiro milénio do cristianismo. O planeta avança a largos passos para a implosão e continuamos a gastar fortunas só para manter as populações na alienação, na apatia, na miséria material e moral, na depressão. Amarradas a antipressivos que as deixam politicamente desmobilizadas. Fazemos de conta que não sabemos que as depressões prolongadas matam e levam as suas vítimas a matar. Já atingem, até, o próprio planeta Terra. O terremoto no Nepal vem gritar-nos que o planeta está deprimido. Doente. Há causas, causadores. Temos de procurá-las, procurá-los nas ideologias-teologias, nos sistemas. Urge pôr a nu Aquilo que está a levar-nos para o abismo. Deixarmos de apoiar quantos se prestam a servi-lo, para apoiarmos quantos politicamente o denunciam-lutam para o amarrar-neutralizar-extirpar das mentes das populações-povos das nações. É hora!

28 Abril 2015 https://www.youtube.com/watch?v=w74eVpCI4r0

 

P.S.

Chegado à Crónica 200, é tempo duma pequena pausa e de abrandar o ritmo na sua  periocidade. A partir da próxima semana, conto reaparecer, mas apenas três dias por semana: às segundas, quartas e sextas. O meu beijo-abraço de presbítero-jornalista.

 

Crónica 199

E DEPOIS DE ABRIL?

 

Segundo o calendário, depois de Abril, vem Maio. Em Portugal, desde há 41 anos, depois de Abril 74 passou a vir, cada vez mais em força, o grande Capital. A “revolução” apenas antecipou a queda do regime fascista, já à beira de cair de podre. As populações celebraram ras ruas. Os partidos políticos nasceram como cogumelos, bem como associações para todos os gostos. Soltou-se a palavra amordaçada. A simples palavra Liberdade, proibida até então, passou a andar em todas as bocas. Parecia que estávamos a nascer de novo. Ainda hoje, custa-nos reconhecer que apenas mudaram as moscas. A Liberdade que Abril canta até à exaustão é, sobretudo, a do grande Capital que Abril não decapitou. Ninguém, no calor da festa, se lembrou de que é ele o inimigo n.º 1 dos povos das nações. Sobretudo, a sua ideologia-teologia que converte todos os crimes dele em outros tantos feitos heróicos. Continuamos a milhas de Jesus Nazaré, do seu Projecto político maiêutico, o único que vai à raiz do Mal, decapita o grande Capital, em lugar de negociar com ele. Só a partir de então os povos das nações crescem de dentro para fora, reconhecem-se carne da mesma carne, sangue do mesmo sangue, irmãos, vasos comunicantes, sujeitos das próprias vidas, protagonistas da História. É de Jesus, apenas dele, Deus/os povos das nações, ou o Dinheiro! Jesus vê que, deixado à solta, o grande Capital decapita os seres humanos. Porém, em vez de acolhermos-praticarmos Jesus, corremos a matá-lo, como o maldito. Colocamos em seu lugar o mítico Cristo, o outro nome do grande Capital. Fora da revolução de Jesus, todas as revoluções acabam em pesadelo. Também a de Abril 74. A coligação PP-PSD, anunciada em directo à hora dos telejornais, no próprio dia 25 de Abril 2015 é a prova provada de que a única liberdade que existe é a do grande Capital com a sua ideologia-teologia judeo-cristã-islâmica. Quem tiver ouvidos para ouvir, oiça. Quem tiver olhos para ver, veja!

27 Abril 2015 https://www.youtube.com/watch?v=2xSsa8nq2-Y

 

Crónica 198

O VINHO DE MISSA DA QUINTA DO PARAÍSO!

 

Vejam até onde chega o cristianismo, juntamente com as igrejas que dele nasceram. No caso em questão, a igreja cristã católica romana. Segundo informa o semanário, Voz Portucalense, a diocese do Porto lançou recentemente, no mercado, um vinho próprio para a celebração da Eucaristia, oriundo da Quinta do Paraíso, Baião; um vinho natural especialmente preparado pelo seu enólogo com as características exigidas pelo Direito canónico, para o vinho usado na celebração da missa, e já aprovado pelo Bispo do Porto. Esclarece o semanário que o vinho “é comercializado ao preço de 5 euros por garrafa” e está também “à venda na Livraria da Fundação Voz Portucalense”. Só quem identifica cristo, o filho de David, com Jesus, o filho de Maria; o espírito santo do cristianismo com a Ruah maiêutica de Jesus, é que não se escandaliza. Escandalize-se, ao menos, com os frutos envenenados, que os dois mil anos de cristianismo produziram e que culminaram neste tipo de mundo financeiro, uma planetária fábrica de produção de vítimas humanas. O cristianismo, em versão religiosa e/ou laica, é o inimigo nº 1 de Jesus que passa todo o tempo a semear cizânia na Humanidade, mediante o seu espírito-sopro, o mesmo do Poder, ladrão, assassino, pai de mentira. Compreende-se então que até o primeiro-ministro de Inglaterra, na sua recente mensagem de páscoa, mais parecesse o papa de Roma, a exaltar o cristianismo e os cristãos. Sabe, por exepriência, que só o cristianismo consegue converter os crimes das elites do poder, sobretudo os mais horrendos, em outros tantos feitos heróicos, santos. Quem diz cristianismo, diz mercado global. O vinho de missa, aprovado pelo Bispo do Porto, está aí a comprová-lo. É tudo negócio. Os templos são covis de ladrões. Os clérigos, os vendilhões de serviço. A partir de agora, escusam de ir à missa. Comprem-bebam deste vinho, e verão soltar-se as vossas línguas! Francamente, senhoras, senhores! Que é da nossa dignidade?

25 Abril 2015 https://www.youtube.com/watch?v=qkAm1jJ5-O0

 

Crónica 197

ABRIL POR UM CANUDO!

 

Até há 41 anos, em Portugal, o provérbio era, “Abril, águas mil”. De então para cá, passou a ser, “25 de Abril, sempre, fascismo nunca mais!” Se quisermos ser honestos connosco próprios, uns com os outros, com a realidade social-política que hoje somos-vivemos, temos de regressar ao velho provérbio, Abril, águas mil. Ou arriscamo-nos a ficar a ver Abril por um canudo, geração após geração, por força da teimosia messiânica-cristã que nos anda no sangue – somos filhos de um rei conquistador, por isso, ladrão, assassino – na ilusória esperança de que, um dia, desça das nuvens do céu, o messias-cristo vencedor, acompanhado dos seus anjos armados. Só que, com isso, o mais que conseguimos é fortalecer ainda mais o império, quando deveríamos expulsá-lo de vez e à legião de demónios/ideologias que condicionam todas as opções-escolhas que fazemos, para que eles entrem nos porcos, afoguem-se no mar. Como faz Jesus, não o Cristo-Messias, com as populações oprimidas de Gerasa (cf. Marcos 5, 1-20), representadas na pessoa de um homem que “andava sempre, dia e noite, entre os túmulos e pelos montes, a gritar e a ferir-se com pedras”, pior, a matar os seus próprios familiares e a suicidar-se de seguida. Só que esta revolução antropológica-teológica desarmada de Jesus tem, o seu preço. Tem de sair-crescer de dentro de nós, nem que, por via disso, se vão os anéis, fiquem só os dedos, com os quais começamos tudo de novo, sem mais recurso a quaisquer messias-cristos. Conscientes de que todos os salvadores, hoje, são os novos ditadores-tiranos amanhã. Como canta a quadra de Abril 24, do meu Livro “Quadras e Outros Cantos-Poema”, Continua por fazer/ a Revolução a sério/ Todas quantas já fizemos/ Deram mais força ao Império. As populações de Gerasa não quiseram Jesus, nem a sua via política. Pedem-lhe que abandone de imediato a sua terra. E nós? Também preferimos a corrupção com que o Império financeiro global mata o Humano que somos?

24 Abril 2015 https://www.youtube.com/watch?v=LHHIWffDlBY

 

Crónica 196

ATIREMOS À GEENA OS NOVÍSSIMOS DO HOMEM!

 

Os séculos de cristianismo são séculos de terror(ismo). Deste terror(ismo) fazem parte os chamados Novíssimos do homem – morte, juízo, inferno, paraíso. Ainda hoje continuam alojados nas mentes-consciências dos seres humanos, ateus incluídos. Nem os filósofos estão a salvo. Pelo contrário, são, até, os mais afectados. Vivem tão ou mais aterrorizados que os ditos crentes católicos ou protestantes. Aliás, são muito poucos os crentes católicos ou protestantes por convicção. Só por nascimento, ambiente cultural, medo, pressão social. As minorias dos privilégios – as mesmas do poder – só subsistem, graças ao medo que os Novíssimos do homem alimentam nas maiorias, suas súbditas. Dessas minorias, fazem parte, as hierarquias de todas as igrejas cristãs, a católica e as protestantes, que usam e abusam dos Novíssimos do homem. Uma invenção bíblica sem pés nem cabeça, transformadas em armas de terror, com as quais mantêm subjugadas, tolhidas, aterrorizadas, politicamente desmobilizadas, as populações. Nem sequer a morte é um novíssimo do homem. Bem pelo contrário. É o culminar do nosso ser-viver na condição de visibilidade histórica, depois do big-bang, explosão de vida inicial, que é a nossa concepção no útero materno, seguida do parto, nove meses depois. Não há aqui nada de terror(ismo). Há tudo de Mistério = uma realidade que se dá a conhecer, à medida que a fazemos crescer de dentro para fora até alcançar o seu apogeu no momento da morte. Não seríamos, sem a explosão de vida inicial. Não conheceríamos a plenitude, sem a explosão de vida final, a morte. Terror? Nenhum! Graça, dádiva, emoção, mistério a rodos, que, acolhidos-praticados, nos fazem humanos, sororais, vasos comunicantes, liberdade-em-acção, comunhão recíproca. Atiremos então á geena os Novíssimos do homem dos cristianismos. Assumamo-nos politicamente na história, em crescente alegria-paz. Para isso nascemos-viemos ao mundo.

23 Abril 2015 https://www.youtube.com/watch?v=kukhhXgilRg

 

Crónica 195

HÁ VIDA ANTES DA MORTE?

 

Geralmente, as pessoas perguntam-se, entre a angústia e o trivial, Há vida depois da morte? Pensamos que é a Pergunta fundamental. Não é. Basta darmo-nos conta de que, com ela, estamos a fugir da história, do hoje-aqui de cada qual, das práticas políticas, exclusivas dos seres humanos, da realidade que somos, em relações de proximidade, afecto, comunhão, vidas partilhadas, ou de ódio, distanciamento, ilhas cercadas de muros/preconceitos por todos os lados. É na história, antes da morte, que o ser-viver de cada ser humano se decide. Como tal, a Pergunta fundamental que, estupidamente, evitamos formular-responder, também por influência das catequeses das igrejas cristãs/religiões, é, Há vida (de qualidade) antes da morte?! Neste início do terceiro milénio cristão, depois de 200 mil anos de presença do “homo sapiens” = seres humanos-consciência no planeta Terra, esta é a Pergunta mais politicamente subversiva, conspirativa, provocadora. Na actual era da robótica, da exclusão dos seres humanos, cada vez mais excedentários, com o Ter a esmagar o Ser, em que tudo é reduzido a mercadoria, continuamos demenciaalmente a chamar vida ao que, para a maioria da humanidade, mais não é do que uma tortura, um mar de carências de toda a ordem, um vale-de-lágrimas, uma escravatura, um inferno. Uma realidade social, política, de todo intolerável que urge mudarmos, em cada hoje histórico. Por isso, canto: “Sabes que quem nasce é p’ra Crescer/ Não em Ter, mas Ser-sem-nenhum-amo/ Se cresceres assim por toda a vida/ Teu Morrer é o pleno do Humano”. E ainda: “Temos que matar o Deus-Dinheiro/ Sabotar as multinacionais/ Salvar nossas filhas, nossos filhos/ Desses falsos deuses imorais” (do meu Livro “Quadras e Outros Cantos-Poema”, Seda  Publicações, 2014). Quando assim é, a morte – o rio que chega ao mar – é a plenitude do Ser, por isso, definitivamente invisível aos olhos, como tudo o que é Essencial. Eis!

22 Abril 2015 https://www.youtube.com/watch?v=kWYQ5w6FijI

 

Crónica 194

COMO VALER AOS POVOS AFRICANOS?

 

Sem uma verdadeira conversão = mudança de ser, de Deus, todo o bem que a UE possa vir a fazer aos povos africanos e demais povos será sempre bem-fazer, em que são peritos todos os padrinhos, suas máfias. Primeiro, invadem-lhes o país, as casas, apoderam-se dos seus bens, suas mulheres, suas filhas, seus filhos. Depois, enviam alguns a distribuir comida, roupas, medicamentos aos sobreviventes. A caridade(zinha) sempre foi uma arma para dominar ainda mais os que antes espoliamos, roubamos, matamos. Perante a tragédia de dimensões aterradoras, que todos os dias está a suceder à nossa porta, no Mar Mediterrâneo, os líderes da UE tocaram a reunir. Não nos iludamos. Enquanto não formos às causas do Mal, tudo o que fizermos só serve para fazer engordar ainda mais o Mal, em lugar de erradicá-lo. Como povos da UE, temos de estar alerta e não cooperar nesta malfeitoria dos líderes, peritos na arte de mentir, enganar, ludibriar. Não são líderes. São mercenários políticos bem-falantes, cínicos q.b., estilo PauloPortas. Se quiser fazer o bem, não apenas o bem-fazer, a UE tem de começar por reconhecer os crimes/pecados cometidos pelos poderes europeus/ocidentais ao longo dos séculos. Arrepender-se. Converter-se = passar a viver de cara para os africanos, não mais de costas. Assumir, de forma actualizada, a postura de Zaqueu, podre de rico, porque ladrão de profissão. Ao receber Jesus em sua casa, decide distribuir metade dos bens que roubou aos pobres. Da outra metade, restituir quatro vezes mais aos que antes roubou. É esta via política de Jesus, que a Europa cristã e o Ocidente não podem sequer ouvir falar, que nos salva/faz humanos todos os povos. Tudo o que a UE faça que não passe por aqui, é só para desgraçar ainda mais os povos africanos. Então, o Mar em que estamos a matar por afogamento os africanos que nos procuram, é o mesmo que nos está a matar a alma. E sem alma, de que vale todo o nosso luxo?!

21 Abril 2015 https://www.youtube.com/watch?v=PVmurb6H1g4

 

Crónica 193

MORREM NO MAR? OU SÃO MORTOS?!

 

Todos os dias são notícia. Africanos, traídos pela fome, traficados por máfias, continuam a ver na Europa/Ocidente, a terra dos seus sonhos. Pagam balúrdios por um lugar em precárias embarcações que se fazem ao Mar, em direcção a Itália. Os naufrágios sucedem-se. Semana após semana. Morrem às centenas. Morrem?! Ou são mortos?!. Desde há séculos, que são roubados, traficados, assassinados. Em nome de deus. “Dilatar a fé e o império”, é o mote. Parecem dois, a fé, o império. São apenas um, o Dinheiro, o único deus/senhor deste tipo do mundo cristão que, depois de se apoderar da mente-consciência dos povos, faz deles agentes históricos seus, em exclusividade, peritos no ofício de roubar, matar, destruir. Ninguém mais perito neste ofício do que a Europa/Ocidente cristão. Todos os mais são meros aprendizes. Existem, enquanto nos dão jeito. Quando dão sinais de quererem agir por conta própria, inclusive, contra nós, são liquidados na hora. De forma exemplar, para que nenhuns mais se atrevam a ir por aí. A Europa/Ocidente é o que é, em riqueza, tecnologia de ponta, armamento, ostentação, poder invencível, porque, desde o imperio romano cristão, nunca mais deixou de roubar, matar, destruir. Durante séculos, foram exclusivamente cristãos católicos romanos. Depois, também islâmicos, cristãos protestantes, ateus, tanto ou mais ambiciosos, conquistadores, que os católicos romanos. O deus de todos eles odeia a vida, a paz, os seres humanos. Gosta de sangue, sacrifícios, vítimas. De preferência, humanas. Faz dos seus crentes/ateus, seu povo eleito, para, em cada geração, dilatarem a fé nele, o império dele. Com recurso aos meios cientificamente mais eficazes. Com uma única condição: Tudo há-de ser feito à sombra de grandes liturgias, presididas pelo papa de Roma e seus muitos alter-ego, os líderes das religiões/igrejas, todos vassalos dele. Existem só para roubar, matar, destruir. Para isso os fizeram cristãos/islâmicos. Deus o quer, dizem. Eles, também! Quem como Deus?! Quem como nós?!

20 Abril 2015 https://www.youtube.com/watch?v=1yF5Etuweis

 

Crónica 192

CRISTÃOS OU SERES HUMANOS?

 

Ninguém é cristão por nascimento. Nascemos seres humanos. Fazem-nos cristãos. Os grandes do Ocidente – papas, bispos, filósofos, biblistas, chefes do poder – falam, a cada passo, das “raízes cristãs da Europa”. Não acrescentam, por não ser politicamente correcto acrescentar, que tais raízes cristãs resultam da prepotência do império romano, a partir de Constantino. Decreta à cidade e à ecumene (= urbi et orbi) que o cristianismo é a única religião do império. Deveríamos envergonhar-nos dumas raízes impostas por lei imperial. Escudada na violência militar que rouba, exclui, destrói, massacra quantos dos seus súbditos a não acatam. É conhecido o aforismo em latim, a língua dos imperadores de Roma, depois dos papas de Roma, “Cuius regio, eius religio” = “De quem a região, dele a religião”; ou, em versão menos sintética, “A religião do rei/chefe máximo do poder é a religião dos seus súbditos”. Um insulto. Uma agressão. Cristãos por imposição, não por convicção. Que seres humanos em seu perfeito juízo, escolhem ser súbditos/escravos/servos duma casa, duma família, duma dinastia que, por ser mais hábil, mais rica, mais armada, faz saber aos demais que foi escolhida por Deus para reinar sobre eles que, entregues a si próprios, não saberiam comportar-se em sociedade? Não é só por medo de represálias, castigos públicos, perseguições de toda a ordem que alguém suporta essa condição? Cristianismo é o Poder vencedor. O Cristo. Ou, no reverso da mesma medalha, o medo do Poder vencedor. A princípio, estranha-se. Com o tempo, entranha-se. Ao ponto de passarmos a ter, até, orgulho de sermos cristãos = súbditos de algo, de uma doutrina, de alguém todo-poderoso. Orgulho?! Uma humilhação que continua entranhada como um demónio na consciência das populações. Não é da natureza humana ser-se cristão É contra ela. Por essa via, a do Poder, nunca somos autónomos, sujeitos, livres. Apenas paus-mandados, toda a vida! P.S. Quem diz cristianismo, diz judaísmo, islamismo, jhiadismo, qualquer outro ismo.

18 Abril 2015 https://www.youtube.com/watch?v=fs-idKDTuFw

 

Crónica 191

O SUPER-BISPO PORTUGUÊS

 

São cada vez menos aquelas, aqueles que ainda dão alguma da sua atenção ao que se passa na igreja católica em Portugal. E no que respeita aos media de referência, a indiferença é ainda mais ruidosa, a não ser quando cheira a escândalos clericais, coisa cada vez mais rara, porque os clérigos estão em extinção. A última conferência dos bispos portugueses trouxe ao de cima a existência de um super-bispo. Não é manchete, porque os media só têm olhos, ouvidos para o super-papa Francisco, ele-só, a igreja católica no mundo. Importa, porém, darmo-nos conta do que está a suceder também na estrutura da igreja católica no país. O poder financeiro global não utiliza apenas o poder político de cada nação, para envenenar/matar a alma dos povos. O poder religioso/eclesiástico, agressivamente deísta/cristão, é o seu outro braço. Em Portugal, o eleito dele é o actual cardeal patriarca de Lisboa, o mesmo do papa Francisco, que o tem como uma espécie de alter-ego, até, potencial sucessor. Acima do próprio núncio apostólico, em Lisboa, mero verbo-de-encher, no novo organigrama do poder da igreja católica. O poder sabe que, ou se concentra em cada vez menos mãos, ou desaparece. A Cúria romana, presidida pelo papa Francisco, também sabe e não perde tempo. A reforma lá em curso visa concentrar ainda mais o poder eclesiástico em cada vez menos mãos. Só assim, o Poder finnanceiro – o Cristo vencedor, no paulino dizer dos cristãos – continuará a impedir os povos de crescerem de dentro para fora, até conduzirem a História. A conferência dos bispos portugueses acaba de fazer de D. Manuel Clemente o super-bispo da igreja católica, o seu interlocutor com o poder político, com o poder financeiro. Junta-se assim ao super-juiz, ao super-presidente ou super-secretário-.geral de cada partido político, ao super-ministro do governo, ao super-rico de Portugal. A total ausência de reacção política por parte das populações a toda esta concentração do poder é suicida. Já que só o Humano organizado é a via para a liberdade. Mas que é dele?!

17 Abril 2015 https://www.youtube.com/watch?v=LF4IwDtCvz8

 

Crónica 190

NASCER PARA QUÊ?

 

O debate no Parlamento acerca da (falta de) natalidade é revelador do nível abaixo de zero da maioria CDS-PSD que dá suporte ao governo da dupla PP-PC que despreza a vida, come criancinhas ao pequeno-almoço, afasta os velhos das suas casas, dos vizinhos, da festiva/mexida presença dos netos, para correr a metê-los em armazéns-corredores da morte, cria desemprego em massa, crava de impostos as populações, expulsa os recém-licenciados do país, oferece o salário mínimo aos que ainda resistem a emigrar, insiste em privatizar a TAP, o rosto/bandeira de Portugal no mundo, falta à palavra dada num acordo com sindicatos do sector, ainda que parte dela, por cumplicidade das partes envolvidas, não tenha ficado escrita, prefere perder 70 milhões de €, numa já anunciada greve de 10 dias, a negociar com os respectivos pilotos. O debate confirmou, mais uma vez, que estes deputados, mai-la respectiva presidente, são o cúmulo do cinismo político, social, humano. Esquecem-se que integram a minoria dos privilegiados do país, a mesma que faz-aprova leis contra quem trabalha; pratica abortos em clínicas privadas, no estrangeiro. Acabam todos de mostrar bem o tipo de gente que são. Cristãos, todos, ou quase, zero humanos. No seu tipo de mundo, os brinquedos electrónicos já substituem as crianças, os robots, os trabalhadores, o Dinheiro, os afectos, a ideologia/encenação, a realidade. Por sua vez, os deputados da oposição insistem em legitimar, com a sua activa presença, este absurdo parlamentar democrático, de modo que acabam de mostrar bem ao país o rasco nível político a que já desceram, como instituição, quanto estão alinhados pelo nível rasca dos canais tv, quanto são reféns do FMI, dos grandes grupos financeiros, inimigos da vida. Nascer para quê? – perguntam-se justificadamente as crianças, antes de serem concebidas. E fogem de ser concebidas. Que nos resta? Somos/damos corpo, como Jesus Nazaré, a um tipo de mundo vasos comunicantes, alternativo a este, ou desaparecemos como espécie.

16 Abril 2015 https://www.youtube.com/watch?v=R-Webl83IeM

 

Crónica 189

A ÚNICA MORTE QUE HAVEMOS DE TEMER!

 

O que mais se exige das maiorias da população, em cada uma das nações do mundo, é que todas cresçam de dentro para fora e apareçam. Só assim, varrem, de vez, das suas vidas, os intermediários – todos os agentes do poder – que, geração após geração, lhes roubam a voz, a vez, e ainda se fazem passar por seus benfeitores. Jamais somos sociedades em estado de maioridade, enquanto houver intermediários, a pior praga que mantém as populações em estado de menoridade. Parece uma fatalidade. É uma guerra fratricida, em que apenas uma pequena parte dos nascidos de mulher entra decidida a desenvolver-se, não para “puxar” pelos demais, sim, para os substituir/dominar. Serem reis, sacerdotes, suas excelências. Não! Não é da natureza humana. É o mais mortal desvio da natureza humana que urge denunciar, combater, evitar. Uma sociedade com intermediários, em lugar de minorias maiêuticas, é uma sociedade condenada a desaparecer. Essa é, até, a única morte que havemos de temer. A morte política. Mata o Humano. Nas minorias intermediárias. Nas maiorias que, assim, não saem da menoridade. Da natureza humana é que, em terra de cegos, quantas, quantos têm um olho resistam à tentação de serem os intermediários das maiorias que o não têm, ou só mais tarde o terão, se “puxadas” de dentro para fora. A vocação/missão de quantas, quantos, em terra de cegos, têm um olho, é serem presenças maiêuticas entre as maiorias e com elas. Para que todas, todos cresçamos de dentro para fora e nos assumamos na história. Se caem na tentação de se constituírem intermediários das maiorias, tornam-se os maiores inimigos da vida, da humanidade. No lúcido dizer de Jesus, o ser humano que mais se dá para que todos cresçamos de dentro para fora, até sermos sujeitos das nossas próprias vidas, são minorias que se constituem só para roubar, matar, destruir. Às quais temos o imperativo ético, político, de resistir, desobedecer, não alimentar. Até que reconheçam o seu pecado/crime e se convertam.

15 Abril 2015 https://www.youtube.com/watch?v=VSz5PWQKoS4

 

Crónica 188

ABORTO: MUDAR A LEI, OU AS CONSCIÊNCIAS?

 

Sempre que os bispos portugueses se reunem em conferência, gostam de o fazer em Fátima. Não sabem que Fátima é a menos jesuânica das cidades de Portugal. Fugiriam, em lugar de correrem para lá e fazerem muitas outras pessoas correrem também. Para saberem, teriam de ser peritos em Jesus, o filho de Maria. Em Humanidade/Misericórdia. São peritos em poder sagrado = hierarquia, no topo da pirâmide eclesiástica. Em leis canónicas. Em liturgias religiosas. Em Cristo, o filho de David. No evangelho de S. Paulo. Sucessores do grupo dos Doze, os históricos traidores de Jesus que, em Abril do ano 30, o denunciaram/entregaram aos sumos-sacerdotes do templo de Jerusalém. “Covil de ladrões”, no lúcido, arrojado dizer do próprio Jesus. Para que fosse crucificado, como maldito de Deus, o da Bíblia. A cabeça deles é toda formatada pelo sistema eclesiástico. Chamam bem, ao mal. Verdade, à mentira. Liberdade, ao poder/obediência. Jesus, ao mítico Cristo. Igreja, ao sistema eclesiástico. Estão, por estes dias, reunidos em Fátima. Intoxicados por aquele cheiro a cera queimada; prisioneiros de privilégios; espartilhados por vestes imperiais romanas, filtram mosquitos, engolem camelos. Sem assuntos mediáticos na agenda – os graves problemas do país, da Europa, do mundo bem podem esperar sentados – decidiram, enquanto este “seu” Governo PP-PC está em funções, regressar à questão da lei de despenalização do aborto, aprovada, há anos, no Parlamento. “Exigem” a sua revisão! São bispos-clérigos, seres à parte dos demais, sem família constituída. Fossem bispos da Igreja de Jesus, ocupar-se-iam com a formação das consciências das populações, para que elas, não a lei, possam fazer, em cada situação concreta, as melhores opções. Só que essa é a via “porta estreita” de Jesus. Exige dedicação, proximidade, muito afecto. Não a via deles, os sumos-sacerdotes guardiães do templo/santuário de Fátima, covil de ladrões. Para sua vergonha. E humilhação das populações deprimidas, em becos sem saída.

14 Abril 2015 https://www.youtube.com/watch?v=_mpe5DlMPeo

 

Crónica 187

AS NOVAS MADRES TERESAS DE CALCUTÁ!

 

Num tipo de mundo que o cristianismo impunemente formatou durante os últimos dois mil anos, a humilhante prática social da esmola/caridadezinha sempre substituiu a dignificante prática política da justiça. Os ricos, abençoados por Deus, os bons. Os pobres, castigados por Deus, os maus. Também aqui, o cristianismo não passou de um sinistro prosseguidor do judaísmo, da sua Bíblia Sagrada. Encontramo-nos, assim, no início do terceiro milénio, numa bizarra situação. O mundo, que é cada vez mais pós-cristão religioso, nunca foi tão cristão laico. Os clérigos/pastores de igreja rareiam, à excepção dos bispos, arcebispos, cardeais, papa de Roma, onde por enquanto não há crise de “vocações”. Não assim, no cristianismo laico, acentuadamente, financeiro. Cristianismo, é poder. O poder monárquico. O poder de um só. Foi religioso, papal, episcopal, clerical. Hoje, é cada vez mais financeiro, laico, ateu. O Dinheiro acumulado/concentrado em pouquíssimas mãos – as nações e os estados são cada vez mais verbos de encher, totalmente estéreis – é cada vez mais o único poder/Deus do mundo, que tem os povos todos a seus pés. Nunca como neste início do terceiro milénio, o cristianismo laico esteve tão na mó de cima. Para ficar. A humilhante prática social da esmola/caridadezinha, regra de oiro do cristianismo religioso, em lugar da dignificante prática política da justiça, regra de oiro de Jesus Nazaré, veio a desaguar nesta inumana situação social global. Os seres humanos e os povos são reduzidos à humilhante condição social de assistidos, objectos. Mantidos num escandaloso estado de infantilidade.O que os faz deixar totalmente à solta o poder financeiro. Perante o inevitável criscimento, em proporção geométrica, do número de famílias carenciadas, os governos das nações, em lugar de investirem os aneis, os dedos na promoção da dignificante prática política da justiça, investem-nos na humilhante prática social do apoio às famílias carenciadas. São as novas madres teresas de calcutá do poder financeiro!

13 Abril 2015 https://www.youtube.com/watch?v=CAwiMu_3w8Y

 

Crónica 186

DEUS, COMO TENTAÇÃO DO SER HUMANO

 

Quando pensamos-dizemos Deus como necessário, caímos na tentação. Fazemos de Deus um tapa-buracos ao nosso serviço. São assim todas as religiões, igrejas cristãs, o próprio judeo-cristianismo/islamismo. Têm sucesso, porque ainda temos medo de nos assumirmos na história como seres humanos, simplesmente. Nem os ateus o são. Apenas daquela ideia que têm de Deus. O cúmulo da obscenidade, na história, é a existência de vítimas humanas, produzidas por outros seres humanos criadores de sistemas que as produzem em série. Todos crentes em Deus. Mascarados, porventura, de agnósticos-ateus, mas, lá no fundo, crentes em Deus. Só isso faz com que continuem a produzir vítimas, sem nunca perderem o sono. Tudo é justificado, quando se crê em Deus. Um Deus projectado/criado pelas ambições que movem os criadores de sistemas produtores de vítimas em série. Toda a fé “em-Deus” é fé num ídolo, justificador de sistemas produtores de vítimas em série. Neste particular, a fé judeo-cristã católica/protestante/corânica é a mais idolátrica, porque a mais criadora de sistemas produtores de vítimas humanas. A começar nos respectivos fiéis, quanto mais praticantes, pior. O Deus-em-que-crêem, assiduamente invocam, é o pior dos ídolos. Rouba-lhes a condição humana, à força de os querer fazer divinos, todo-poderosos. Cristianismo, messianismo, islamismo são sinónimos. Alienam/anulam o Humano, ao convencer os seus fiéis de que a salvação vem de fora, de um messias/cristo-Deus. Semelhante tipo de fé abre a porta a todos os desmandos, crimes, tiranias. A horrenda história do judeo-cristianismo-islamismo fala por si. Somos-vivemos, porque, gratuita e ininterruptamente, habitados por Deus, pura dádiva. Tudo se resume a deixarmos que Ele seja em nós, connosco na história, como se só nós existíssemos. Nunca ninguém viu Deus. Vemo-nos uns aos outros. Só quem não produz vítimas humanas nem sistemas produtores de vítimas em série é de Deus! Tudo o mais, é idolatria, o grande pecado do mundo!

11 Abril 2015 https://www.youtube.com/watch?v=n1vhL5gFZ0Y

 

Crónica 185

O QUE LEVA UM PAI, 33 ANOS, A MATAR UM FILHO, 5 MESES?

 

Na exposição de fotografias, Génesis, de Sebastião Salgado, que hoje é inaugurada em Lisboa, não figura o rosto de João Barata, 33 anos, Oeiras, que acaba de matar o próprio filho de 5 meses. Nem o do seu bebé assassinado. Por mim, gostava que Sebastião Salgado pudesse fotografar o filicida, para que a sua exposição Génesis fosse ainda mais reveladora. É urgente descobrir o que leva um pai, 33 anos, a matar o próprio filho, de 5 meses. O facto de estar desempregado, ser alcoólico, em risco de indejado divórcio, está longe de ir ao génesis do ser humano. Só um artista do Humano, como Sebastião Slagado, poderia ajudar-nos a ver o que o juiz do Tribunal, a quem João Barata vai ser hoje presente, não conseguirá ver. É perito em leis, filhas do Poder, não perito no Mistério que somos desde antes do big-bang. Para cúmulo, João Barata não é Ricardo Salgado, ex-BES, mas ainda o dono disto tudo, até deste Governo, desta presidência da República, mais de uns quantos advogados hábeis em fabricar sentenças absolutórias, por mais graves que sejam as acusações do Ministério Público, outro órgão do Poder. A própria opinião pública, reiteradamente formatada pelos telejornais, programas rascas da manhã, da tarde, já ditou a sentença. Tivesse, João Barata, sido entregue aos vizinhos, para cuidarem dele, após o assassinato do filho, e seria já um homem morto. Até o génesis da Bíblia, demais livros sagrados, com seus mitos das origens, obra todos do Poder sacerdotal, político, económico, não nos dizem o Mistério que somos. Matam-no, para que nunca cheguemos a conhecer-nos, nem uns aos outros, holística reciprocidade, vasos comunicantes, à escala planetária. Talvez o Artista brasileiro nos ajudasse a ver que João Barata é uma vítima mais, não um assassino. Assassino, é este tipo de mundo que nos condena a viver como ratos, meras mercadorias de usar e deitar fora. Nos antípodas do Mistério que somos, desde antes do big-bang. Quando vamos entender-praticar, em toda a Terra, este Evangelho/Notícia boa de Jesus?!

10 Abril 2015  https://www.youtube.com/watch?v=U8eKG7nSOSE

 

Crónica 184

AINDA NO EURO, MAS COM PUTIN POR PERTO

 

O poder político, como o poder religioso e financeiro, não olham a meios para se perpetuarem. Numa Europa que recusa reconhecer-se nos respectivos povos, apenas numa moeda única que criou para, com ela, tentar manter o seu domínio em todo o mundo, aqueles são mais estorvo do que valia. Foi preciso acontecer a Grécia do Syriza para esta realidade vir mais a nu, mascarada que tem andado com os discursos dos governantes, dos deputados, dos clérigos. Tudo gira em torno do Dinheiro, o sol da Europa do euro. A ostentação, o esbanjamento, os encontros ao mais alto-nível politico-financeiro – por isso, ao mais baixo-nível humano! – multiplicam-se, sem alguma vez terem como objectivo o bem-estar dos povos. Quando o Dinheiro é o rei, os povos são o escabelo dos seus pés. Podem não ser gazeados como os milhões de judeus e outros por Hitler, com o apoio dos bispos da altura e do Vaticano, mas são mortalmente atingidos todos os dias, todas as horas, nas suas mentes-consciências pela ideologia/teologia do Dinheiro. O encontro da Grécia do Syriza com a Rússia de Putin, realizado ontem em Moscovo, não visou o dinheiro de que precisa para saciar o devorador apetite dos grandes financeiros do FMI. Vai mais além, mais fundo. Grita à Europa do euro que os grandes financeiros em que ela se apoia, são os grandes inimigos dos povos. Por mais que se mascarem de benfeitores, de regimes democráticos, peritos em genocídios. Lá, onde se instalam, comem tudo. A começar pela mente-consciência dos povos que, depressa, são povos sem alma, sem identidade, sem afectos, sem reciprocidade, meras coisas-que-mexem, nenhumas Causas, nenhuns Projectos pelas, pelos quais valha a pena darem as próprias vidas. Ora, quando falham os que vestem de benfeitor, o desamparado recorre ao rival deles, ali tão perto. O pacto é demoníaco. Vale como um sinal/grito. Ou mudamos todos de rumo, ou vamos todos pelos ares. Na guerra entre grandes financeiros rivais do séc. XXI, todos saem a perder. Não só o mexilhão.

9 Abril 2015 https://www.youtube.com/watch?v=w_mc-ZFi9K0

 

Crónica 183

HELENA LOBATO: 4 DE UMA ASSENTADA!

 

A pintora Helena Lobato, residente em Setúbal, conseguiu viver 44 anos sem ser baptizada. Os primeiros da sua vida. Nem quando casou, aceitou ser baptizada. O matrimónio canónico que o então noivo não dispensou, foi só civil para ela, apesar de presidido pelo pároco. Terá resistido, e bem, à natural pressão ambiente a fazer-se baptizar. Fez todo o seu viver, sem que a água do baptismo católico lhe fizesse a mínima falta. Até que chegou a natural crise dos 40 anos. Uma realidade que, pelos vistos, ela desconheceria. As notícias dos grandes media sobre o papa superstar que, desde há dois anos, não deixam de nos entrar casa dentro, por razões que só o grande poder financeiro conhece – são propriedade dele e ele não dá ponto sem nó! – levam Helena a escrever-lhe uma carta. Desabafa. Ao mais alto nível eclesiástico. Tem o pároco da Cova da Piedade, o bispo de Setúbal, o cardeal de Lisboa, o núncio do Vaticano, ao pé da porta, mas Helena vai directa a Roma, via correio postal. Consegue, até, que a sua carta chegue às mãos do papa, coisa que nem qualquer pároco, bispo, consegue. Mais. Consegue que o papa se ocupe pessoalmente com a sua carta e lhe responda. Não à crise dos 40 anos, dimensões humanas em que o poder, pior se papal, é de todo incompetente. Em vez disso, Francisco acena-lhe, logo, com a tentação do baptismo superstar urbi et orbi na Vigília pascal em Roma. A pintora de 44 anos cai na tentação. Uma vez nas malhas canónicas da multinacional católica romana, gato-sapato dos clérigos, estes impõem-lhe logo 4 sacramentos –valor humano, nenhum – de uma assentada: o baptismo, o crisma, a comunhão da hóstia de trigo com gluten, o casamento canónico que só o marido tinha, ela não. Lá se foi a crise dos 40. É, agora, a baptizada superstar portuguesa VIP. Só não é ordenada sacerdote, bispo, porque é mulher. A menos que sofra de outra crise que só se cura, se for ordenada sacerdote, bispo pelo papa. Quem sabe se ele não cede e decide abrir o sacramento da Ordem às mulheres VIP, como ela?!

8 Abril 2015 https://www.youtube.com/watch?v=dzgaUAERfvU

 

Crónica 182

QUE FOI FEITO DOS DOIS CRUCIFICADOS COM JESUS?

 

As quatro narrativas evangélicas falam de três crucificados, naquela sexta-feira de Abril, ano 30, em Jerusalém. O cristianismo e suas igrejas cristãs nunca quiseram saber do que foi feito dos outros dois, um à direita, outro à esquerda de Jesus. Tão pouco quiseram saber do próprio Jesus crucificado. Negam-no, no prosseguimento de Pedro, um dos fundadores do judeo-cristianismo. Ao qual, depressa, se juntou o fariseu Saulo de Tarso, S. Paulo, para as igrejas cristãs. Dois séculos depois, Constantino, imperador de Roma, o fundador do papado. Francisco, actual papa de Roma, assume-se, no discurso institucional, como sucessor de Pedro. Na realidade, é manifestamente o actual sucessor de Constantino, imperador. Basta ver quanto é idolatrado/adorado/temido, aonde quer que se desloque. Já a Jesus crucificado, o maldito, todos o negam, como faz Pedro. Às igrejas cristãs, só lhes interessa o mítico Cristo ou Jesuscristo, que rotulam de “vencedor da morte”. Ainda que continuemos todos naturalmente a morrer, como antes da fundação do cristianismo. Contudo, os 4 Evangelhos testemunham que são 3 os crucificados. Destacam Jesus, porque é dele que testemunham os Evangelhos escritos na clandestinidade, em liguagem cifrada, própria de escritos clandestinos. O inesperado, escandaloso, até, é que, ao testemunharem que Jesus acaba assassinado na cruz como o maldito, segundo a Lei/Bíblia de Moisés, os 4 testemunham que, com ele, são crucificados outros dois. Ignorar este testemunho, é ignorar o Evangelho de Jesus, optar pelo de S. Paulo, como fazem todas as igrejas cristãs. Ainda que também o leiam nas suas liturgias de alienação. Pois bem, os três crucificados – Jesus mais dois – representam, nos 4 Evangelhos, o pleno dos seres humanos reiteradamente crucificados pelos três poderes – o pleno do Poder – seus agentes históricos de turno, os do religioso-cristão, em primeiro lugar. Os institucionais assassinos/crucificadores dos seres humanos, dos povos. Eis o que o cristianismo, suas igrejas cristãs, sempre nos esconderam, escondem!

7 Abril 2015 https://www.youtube.com/watch?v=cecXcO-GlLg

 

Crónica 181

O CRISTIANISMO E A SUA PÁSCOA SÃO A GRANDE MENTIRA

 

Que me perdoem os cristãos – católicos, ortodoxos, protestantes – e demais crentes religiosos, mas não posso calar o grito que salta do mais fundo de mim, ao ver toda a sua alegria-faz-de-conta, nestes que dizem ser dias de Páscoa, mas que se reduzem a mini-férias, comes-e-bebes em excesso, foguetes, visitas pascais, encenações litúrgicas para turista ver, grandes media transmitir. Semelhante tipo de pásoca mais não faz do que esconder, ano após ano, o Deus que, em Jesus Crucificado, o pleno do Humano, não no Cristo, o pleno do poder invicto, se nos revela Deus Abba-Mãe de todos os povos, mais íntimo a cada um de nós que nós próprios, nos antípodas do Deus da Bíblia judeo-cristã/Alcorão, das religiões/igrejas cristãs, respectivos chefes, todos contidos no monárquico papa de Roma, respectivos súbditos mais ou menos fanáticos, prontos a colocar as próprias crenças, fés, ideologias/teologias, acima dos seres humanos de carne-e-osso, na sua variedade de povos. Deixem-me gritar, nem que seja só eu a fazê-lo, a partir desta aldeia de Macieira da Lixa, Felgueiras, Porto, que o cristianismo e a sua páscoa são a grande mentira que tem dominado as mentes-consciências das populações do Ocidente e do resto do mundo, a que urge pormos termo. Sob pena de nos autodestruirmos e à vida no planeta terra. Só com Jesus, o filho de Maria, hoje século XXI, podemos, finalmente, ver/entender que todos os que vieram, vêm antes dele são ladrões, bandidos. Vieram, vêm só para roubar, matar, destruir. Com recurso à criação de religiões, livros sagrados, ideologias/teologias que têm por referência última, um Deus que é o Diabo/Dinheiro, mentiroso, pai de mentira, assassino desde o princípio. Cometem-se, em seu nome, os mais bárbaros crimes, de que o Quénia, a Síria, o Iraque, a Líbia, são hoje a vergonha da humanidade. Deus? Religiões? Cristianismo, Livros sagrados? Não, obrigado! Só os seres humanos, na sua variedade de povos, são a realidade/verdade capaz de nos fazer mudar de ser, de Deus. Mudamos, ou perecemos!

6 Abril 2015 https://www.youtube.com/watch?v=sn0HvtWJeH0

 

Crónica 180

COM JESUS NÃO É NADA ASSIM

 

O que o país pôde ver ontem no funeral do cadáver de Manoel de Oliveira, o cineasta-menino que brinca com a vida e com a morte, como só os seres humanos consciência são capazes, deixou-me profundamente ofendido, triste. Depois de Jesus, o filho de Maria, nenhum cadáver de ser humano deve ser tratado assim, no novíssimo momento em que é acolhido pela terra, numa reiterada operação de humanização cósmica, que havemos de acompanhar com serenidade, silêncio-escuta, pão-vinho repartido, dança-canto-beijo-abraço. Em momento algum, os seres humanos o são tanto, como no novíssimo momento, em que a vida-consciência que somos se torna definitivamente vivente, por isso, definitivamente invisível aos olhos dos demais. A obscena presença do chefe de estado, do presidente do conselho de ministros, da presidente da AR – o pleno do poder nacional – com seus carros oficiais, seus seguranças, seus guarda-costas, a juntar ao templo da paróquia de “Cristo-Rei”, para onde levaram o cadáver, constituiu, no seu todo, uma escusada agressão a Manoel de Oliveira e, nele, a todos os seres humanos. O Institucional Estado, bem como os templos aonde continuam a ser levados os cadáveres de seres humanos, definitivamente viventes, têm o terrível condão de tornar ainda mais pequenas as populações. Para cúmulo, os canais de tv correram a plantar-se no local, com o manifesto propósito de matar a privacidade/intimidade que nos faz humanos. Assim, o que deveria ser o novíssimo momento de comunhão-sem-ocaso com o pleno ser-viver de Manoel de Oliveira, tornou-se um longuíssimo momento de tortura, de massacre, de inferno. Com Jesus, o pleno do Humano, não é nada assim. O seu ser-viver-actuar-falar longe dos templos, dos palácios, deixa aos papéis os agentes históricos do poder que os frequentam/habitam. Decidem, depressa, desfazer-se dele. Mostram bem o que são – mentirosos, ladrões, assassinos. Eis o que a Páscoa de Jesus põe a nu, duma vez por todas. Ousemos acolher a revelação, viver em conformidade.

4 Abril 2015 . https://www.youtube.com/watch?v=sCbnsW5bkrc

 

Crónica 179

PANTEÃO? PREFIRO A VALA COMUM!

 

Morreu ontem a caminho dos 107 anos e já se pergunta, nos círculos do poder político, se o cadáver de Manoel de Oliveira, o mestre que nunca deixou de ser menino-aprendiz de Cinema, virá a ter honras de panteão nacional. A inversa seria, certamente, muito mais conforme à originalidade da sua arte de nos apontar o insondável Mistério da Vida, que o poder mentiroso, assassino, jamais (re)conhece: – Merece, o corpo vivente que é, definitivamente, Manoel de Oliveira, a humilhação de ver o seu cadáver no covil de ladrões panteão nacional? A simples existência do panteão nacional não é uma escusada agressão aos seres humanos, na sua diversidade de povos, incluídos aqueles poucos, cujos cadáveres, o poder de turno, na sua estrutural demência-vaidade, condena a serem trasladados para lá? Só mesmo o poder é capaz de semelhante discriminação que, objectivamente, constitui o maior insulto às pessoas, cujos cadáveres lá deposita. É tão analfabeto/cego em questões de Vida-e-de-Morte, que nem vê que, com esse seu agir, mata definitivamente essas pessoas. Só na comunhão-relação, somos. Todo o privilégio discrimina-mata. A este propósito, é fecundamente revelador sublinhar que, precisamente, em Abril, mas do ano 30, numa sexta-feira como a de hoje, o poder, no pleno dos três poderes, ordena que o cadáver de Jesus, assassinado por ele na cruz como o maldito, seja lançado à vala comum. Assim se faz, apesar do registo de certas narrativas evangélicas. Não a negarem o facto, mas a interpretá-lo, em dimensão antropológica-teológica-outra, que o poder jamais pode entender. A saber: Nada mata tão definitivamente a vida-Ruah-Liberdade, como o panteão, o privilégio. Nada a afirma tanto, como a vala comum. Felizes, pois, quantas-quantos o poder despreza e, depois de morrerem, jamais pronuncia o seu nome. É esta felicidade que mais desejo para mim! Apenas as vítimas do poder pronunciem o meu nome, quando, na intimidade/clandestinidade, partilharem umas com as outras a mesma Mesa politicamente conspirativa.

3 Abril 2015 https://www.youtube.com/watch?v=iLRairje8-8

 

Crónica 178

TEMAMOS, SIM, AQUILO QUE NOS MATA A ALMA

 

Todo o institucional é falso. Com a agravante de que hoje já temos por adquirido que só o institucional é verdadeiro. Fiável. Nascemos, por isso, perdidos de nós próprios, uns dos outros. Somos máscaras, uns para os outros. O tipo de mundo em que nascemos-vivemos mata-nos a alma, a identidade. Não suporta a originalidade de cada qual. Só a máscara. Quem quebra esta regra, é excluído. Se insiste em ser ele próprio, é assassinado. Somos filhos do institucional. Do seu sopro/ideologia. Temos de ser filhos da realidade e sua Ruah. Únicos. Irrepetíveis. Autênticos. O cristianismo é a vitória da máscara sobre a realidade/verdade. O triunfo do institucional. Antes do cristianismo, foi o judaísmo. Antes do judaísmo, foi o Religioso. Só os seres humanos – o máximo até onde já chegou a Evolução, iniciada com o big-bang – estão chamados a conduzir as suas próprias vidas, as vidas uns dos outros, o planeta Terra, o universo. Somos o universo-consciência. Cabe aos mais capacitados de nós a responsabilidade de servir maieuticamente os menos capacitados, “puxar” por eles de dentro para fora, numa permanente relação vasos comunicantes. A quebra deste princípio da realidade é fatal. As consequências são socialmente trágicas. O Religioso, lá, onde se afirma, quebra este princípio da realidade. É o pecado do mundo, com duas vertentes, intrinsecamente más – a mentira e o assassínio. O Religioso é aquilo que mata a alma dos seres humanos-vasos-comunicantes uns com os outros. Coloca, em seu lugar, o institucional. A máscara. Jesus Nazaré, o mais capacitado dos seres humanos, é o primeiro e o último filho de mulher, a dar-se conta desta tragédia. É a Maiêutica, depressa crucificado pelo institucional, o Poder, mentriroso, pai de mentira, assassino. O Religioso do início veio a culminar no cristianismo financeiro, o Dinheiro como Deus. O pleno da máscara. Aquilo que, no ver-dizer de Jesus, mais havemos de temer, porque nos mata a alma/originalidade. Só Jesus, não o Cristo ou Jesuscristo, é o caminho, a verdade, a vida. Sejamos Jesus uns com os outros,

2 Abril 2015 https://www.youtube.com/watch?v=kCdtQLj-s2I

 

Crónica 177

O QUE CAUSOU A DEPRESSÃO SUICIDA, ASSASSINA DO CO-PILOTO?

 

Nesta semana que Deus, o de Jesus e dos povos das nações, mais vomita, mas que o Deus das igrejas cristãs tem por “Semana santa”, a grande questão que emerge da queda do avião nos Alpes franceses, é esta: O que matou a alma do co-piloto que o levou a massacrar-se com as 149 pessoas que lhe estavam confiadas? Os chefes das nações, ao serviço dos grandes financeiros, têm lavado as mãos, como Pilatos, quando o ser humano Jesus, já condenado à morte pelo tribunal judaico, lhe é apresentado pelos chefes máximos do judaísmo davídico, para que o condene/execute na cruz do império romano. Era preciso cumprir a Escritura, ou Bíblia sagrada. E a Escritura foi cumprida. Ficou, assim, claro, duma vez por todas, que a Bíblia é o grande manual de instruções do Poder. Nenhum poder se aguenta, sem uma ideologia/teologia que o justifique, abençoe. Com a hedionda morte de Jesus, fica patente que é a Bíblia que justifica, abençoa o poder dos estados do mundo, a começar pelo do Vaticano, uma vez que o próprio Alcorão é nela que se inspira. Viram a cara de “anjo” com que ontem o chefe de estado francês, acompanhado pela sra. Merkel, anunciou ao mundo que o que resta dos cadáveres das 150 pessoas violentamente esmagadas contra a montanha, serão identificados até final desta semana? Depois do inicial pesadelo, a interpretação oficial dos dados da caixa negra do avião veio progressivamente atirar as culpas para a maior vítima das 150 pessoas que seguiam no avião, o co-piloto. Não queria ele ficar na história? Não tinha, para tanto, de matar muitos, como fazem todos os agentes do poder que ficam na história, mandada escrever por eles? Sofria de profunda depressão? O que lha causou e à esmagadora maioria das populações que termos de viver neste tipo de mundo? Não foi a ideologia /teologia do sistema capitalista neo-liberal que troca os seres humanos pelos robots, os afectos pelos lucros, a sabedoria pelo saber, o colo recíproco pelo poder, a humanidade pelo cristianismo, Jesus pelo mítico Jesuscristo?!

1 Abril 2015 https://www.youtube.com/watch?v=TtKBi6L_OjI

 

Crónica 176

QUANDO DEIXAMOS O CRISTO E REGRESSAMOS A JESUS?

 

Sempre que há eleições num país, são múlos os candidatos. Todos se propõem vencer para governar as populações. Nenhuns se propõem crescer e fazer crescer com eles de dentro para fora as populações, para que assumam os seus destinos colectivos, em formas outras, que não as do poder, comprovadamente, infantilizador, ladrão, opressor, assassino. Foi assim no passado domingo, em Portugal, Região Autónoma da Madeira. Para a igreja católica romana, o dia era de Ramos. Não faltaram os ditos, nos locais de culto, cada vez mais reduzidos a locais de rascas teatralizações, nenhuma espiritualidade, sobretudo, nenhuma sintonia politica com a desarmada entrada de Jesus em Jerusalém, em Abril do ano 30. Até o poder local não perde pitada e corre a apoiar as paróquias católicas locais, a pretexto de promover o “turismo religioso” que dá milhões a ganhar. E transforma as populações em meros espectadores, nenhum protagonismo político maiêutico. A verdade é que, por uma vez na história da humanidade, goste-se ou não, aconteceu Jesus, o filho de Maria. Quando adulto, revela-se o ser humano-totalmente-outro que só cresceu de dentro para fora, até que se tornou plena e integralmente humano. O poder, por mais que o tentasse, jamais conseguiu entrar/alojar-se na sua mente-consciência. O que leva os respectivos agentes históricos a ver nele um perigo para eles, seus privilégios. O conflito político é inevitável. Como ser humano pleno e integral, Jesus é a Luz que revela que todas as obras deles são más, mentirosos, todos os discursos deles, idolátricas, todas as religiões praticadas por eles. Até o Deus que invocam é criação deles, com que branqueiam todos os seus crimes. Odeiam-no de morte. Matam-no, em nome da Lei deles. Colocam no seu lugar o pai deles, um tal Jesuscristo-Deus. E a história prossegue o seu rumo, como se Jesus nunca tivesse acontecido. Vai daí, viver na história é o inferno que se sabe, com todos a comer todos, num sagrado canibalismo. Quando deixamos o Cristo e regressamos a Jesus? O poder e regressamos à Política praticada?

31 Março 2015 https://www.youtube.com/watch?v=HIoRYRlEFOQ

 

Crónica 175

A SEMANA QUE DEUS MAIS VOMITA!

 

Entre os intelectuais do Ocidente, a teologia não goza de estatuto de dignidade. A generalidade deles passa bem sem ela. É, até, de bom-tom social, dizer-se agnóstico, ateu, indiferente. As próprias universidades e os media confundem teologia com religião/religiões, igrejas cristãs, santuários, peregrinações. Teologia? Já nem para serva da filosofia! A economia, as finanças, o poder político, respectivos partidos, enchem os espaços informativos que sobejam dos grandes espaços dados diariamente ao futebol dos milhões, rei-e-senhor nos grandes media. A teologia acaba, até, confundida com todas aquelas coisas folclóricas que clérigos, pastores, já em vias de extinção, insistem em realizar. Há também algumas crónicas semanais em jornais, assinadas por teólogos assumidamente cristãos, críticos o bastante, para atrairem leitoras, leitores, sem nunca chegarem a sair do politicamente correcto. Uma postura que Jesus, o do Apocalipse ou Revelação, lucidamente, classifica de “nem fria nem quente”. Que Deus que nunca ninguém viu e, escandalosamente, se nos revela nele, o maldito segundo a Bíblia judeo-cristã, vomita. Como vomita todas as religiões/igrejas cristãs, respectivos cultos, liturgias, ritos, catequeses. Neste particular, importa sublinhar que, se há semana, das 52 semanas de cada ano, que Deus, o de Jesus, mais vomite, é precisamente a “Semana santa”, ontem iniciada. Esta minha afirmação só nos soa escandalosa, porque caprichamos em ser analbetos em teologia, a de Jesus. O mais aonde chegamos é à teologia/ideologia do Mercado, pura idolatria, a mesma de todas as religiões, igrejas cristãs, respectivos teólogos. Deste modo, nascemos, vivemos, morremos sem nos desenvolvermos de dentro para fora como seres humanos. Cresce o Mercado, diminuímos nós, os afectos, a reciprocidade, a ternura, a liberdade, a maiêutica. Até o pão que comemos não passa de porcaria que nos reduz a coisas, lesmas, objectos. Sem causas. Sem projectos. Suicidas. No instante. Ou, mais sádico, lentamente.

30 Março 2015 https://www.youtube.com/watch?v=GKuuBzrymVE

 

Crónica 174

CULTUAR A CRUZ, OU DESTRUÍ-LA?

 

Diz-se “revista missionária”. Propriedade de uma empresa missionária, sedeada em Fátima. A terra maior do mais abominável dos cultos – a dor, o sofrimento, o sacrifício, a auto-flagelação de humanos. A que se junta o culto do dinheiro. Da ostentação eclesiástica. Quem diz empresa missionária, diz acumulação de património, um pequeno-grande exército de funionários, clérigos, uns, leigas, leigos, outros. De borla. Os clérigos formatados para o voto de pobreza a favor da empresa e renúncia à família. A tempo integral, portanto. Na edição de Abril, acabada de chegar às, aos assinantes, a contra-capa apresenta uma cruz com três braços (três em uma?!) com a representação de um corpo de homem quase esquelético, pregado nela. De pé, frente a ela, a foto de uma mulher, meio-corpo bem nutrido, bem agasalhado. Sem o mínimo sinal de comoção. Sobre a cruz, em fundo vermelho vivo, um pequeno texto-poema, “Hino ao Ressuscitado”, extraído de um livro de autora. Lá, onde, historicamente, houve-há horrendo crime-pecado, incomensurável sofrimento humano à escala cósmica, com causas bem concretas, da responsabilidade de sistemas criados por elites que comem-defecam privilégios, a um ritmo alucinante, o texto consegue negar, de uma penada, a realidade histórica, morte incluída – nada mais real do que a dor, o sofrimento de seres humanos causado por outros seres humanos – ao escrever: “Anulam-se as margens do tempo de fora. /Nem ontem, nem hoje, nem dia, nem hora. /Só este momento que é intemporal. / Só esta maneira de dizer Amor. /Assim trespassado no alto da Cruz… /Assim coroado de sangue e de luz, /Ó Enamorado das almas sem norte, /Ó Ressuscitado, vencedor da Morte, /Anulas as margens do tempo de fora /E ficas connosco, aqui e agora!” Eis a Besta do cristianismo em todo o seu sado-masoquismo. Cultua a cruz, instrumento de tortura, em lugar de a destruir. Como, paradigmaticamente, faz Jesus. Só é crucificado, porque ousa enfrentar, até, o Deus das religiões, da Bíblia/Alcorão. Que se agrada de dor, de sangue de vítimas humanas. O pior dos vampiros!

28 Março 2015 https://www.youtube.com/watch?v=ru62Wj38Y8Y

 

Crónica 173

AINDA ESTÁ PARA NASCER O TEATRO-OUTRO

 

O teatro que se pratica, desde muito antes do cristianismo, tem por pai o Religioso. Se quiser ser Teatro-outro, Arte Maiêutica, tem de matar o pai. Nascer do Vento/Ruah que vem de dentro para fora do Ser Humano pleno, integral, politicamente insubmisso, dissidente, desobediente, conspirativo. Que faz humanas, todas as coisas. Blindadas ao sopro descriador do poder, o pecado estrutural do mundo. Uma meta quase inalcansável, depois de dois mil anos de cristianismo a reduzir o teatro a liturgia. Uma perfídia em contínuo. Com incidência maior nos domingos. Nas muitas festas populares controladas por clérigos. Que deixam as multidões na mais completa desmobilização política. Geração após outra. Século após século. Sucessivos crimes sem perdão que tornam as mentes-consciências das populações progressivamente mais pequenas. Cosidas de Medo. Na condição de bestas de carga. Incapazes de se levantar, agir-reagir politicamente. Estupidificadas por sacerdotes-pastores, com tanto de santo como de demónio. Conforme a máscara com que se apresentam perante elas. Em total conformidade com os seus próprios interesses corporativos. Nenhuns escrúpulos. A sociedade, hoje, é já pós-cristã. O teatro-liturgia cai em desuso. Por falta de actores. De público interessado. Que não de espaços físicos, cada vez mais às urtigas, ao abandono. O que se segue não é, de todo, o desejado Teatro-outro, gerado pelo Vento/Ruah de Seres Humanos plenos, integrais. Uma raridade, nos tempos do Mercado global. Continua a ser mais do mesmo. Com máscaras laicas, seculares. Porventura, ainda mais castrador-redutor das mentes-consciências das populações do que o teatro-liturgia. Teatro-outro, só com Actores outros. Plena, integralmente humanos. Protagonizado por seres humanos, máscaras nenhumas. No mundo inteiro, palcos nenhuns. 24 horas por dia, horários nenhuns. Histórias reais, peças previamente escritas, nenhumas. Só assim somos. Protagonistas, não espectadores. Num mundo, Casa-Mesa comum.

27 Março 2015 https://www.youtube.com/watch?v=GIY9F4nQb0E

 

Crónica 172

QUEDA DO AVIÃO: ACIDENTE OU ATENTADO?

 

Os líderes europeus, manifestamente incompetentes nas funções para que se candidataram, há muito que estão a conduzir os respectivos povos para becos sem saída. Os três que ontem, numa provocadora manifestação de poder armado, desceram, cada qual no seu helicóptero militar, nas redondezas do local onde o avião da empresa alemã foi embater a grande velocidade contra a montanha, num trágico final em tudo semelhante ao propositado embate contra as torres gémeas da nossa vergonha como civilização ocidental, apresentaram-se com caras de gritante incomodidade, próprias de quem já sabe que está perante mais um atentado. Agora, em grande escala. É em momentos como este, que se vêem as mulheres, os homens que o são verdadeiramente, de dentro para fora. O que os três chefes nos deram ontem a ver e ao mundo, via canais de tv, já todos instalados no local como outros tantos abutres, prontos a banquetear-se com a carne dos cadáveres das vítimas, mais pareciam os de três criminosos. E não são? Institucionais, mas criminosos? É mais do que manifesto que a Europa do euro é a pior criação recente do cristianismo, dois mil anos depois de ter sido fundado, numa apressada traição a Jesus Nazaré e ao seu Projecto político maiêutico, praticado/anunciado por ele, entre meados do ano 28 e Abril do ano 30. A privilegiada elite dos poderes de então, depressa se apoderou dele, matou-o, em nome da Lei deles e, por fim, mascarou-o de Jesuscristo, ou, simplesmente, Cristo-Poder invicto, o mesmo que está na origem da Europa do euro. A queda do avião e a consequente morte das 150 pessoas que seguiam a bordo, pode ter sido um acidente. Mas que tem tudo a ver com um atentado, tem. Na nossa arrogância institucional armada, somos completamente à mercê de grupos de 2 ou 3 jhiadistas suicidas que podem muito bem viajar connosco e, no momento oportuno, assumem o comando do transporte e vão estatelar-se, a alta velocidade, sem deixar sobreviventes. Mudamos de ser, de Deus, de práticas políticas, ou perecemos!

26 Março 2015 https://www.youtube.com/watch?v=w_5iNbRJ-8o

 

Crónica 171

DA MORTE SEM MESTRE À VIDA SEM MESTRE!

 

Os poetas também morrem. São os únicos a saber que a Morte é a fonte da Vida. Que a Vida nasce da Morte. Este é o segredo de tudo. Que só os poetas conhecem. Foi preciso a esquizofrenia do cristianismo, rico em dinheiro, poder, para falar da Morte como castigo. Uma obscenidade. Sem a Morte, ninguém seria humano. Todos os ricos em excesso têm medo da Morte. Dariam tudo para a matar. Acabam apanhados por ela, a rir-se deles. Ricos em excesso, infelizes em excesso. Os menos humanos dos seres vivos. Poetas, os mais humanos dos seres vivos. Ricos em excesso? Abortos humanos em excesso. Baratas tontas, às cabeçadas contra a luz. Ficam nus diante dela. Fogem como ratos. Entre a simplicidade e o excesso, os ricos escolhem o excesso. Acabam devorados por ele. Cresce o excesso, diminui o humano. Até serem reduzidos a ricos. Quanto mais ricos, menos humanos. Gosto dos poetas, seres humanos em excesso. Dos ricos em excesso, sinto pena. Comiseração. Desconhecem a Vida. O belo que é sermos cada dia aves do céu. Ainda mais, cada noite. Ignoram o transcendente que é sermos cada dia lírios do campo. Ainda mais, cada noite. Sabem tudo sobre Dinheiro, Poder. Ignoram tudo sobre a Ternura. Olham para a Morte como a inimiga. São cristãos. Não são humanos. Ignoram que a Morte é a fonte da Vida. Como de tudo o que é perene. Somos para sempre, porque morremos. Os poetas conhecem os segredos todos da Vida. Entram no Mistério. Habitam as profundidades do Real. Comem Silêncio. Desprezam prémios. Distinções. Frequentam o Essencial. A Morte como a plenitude da Vida. Com a Morte entregam-nos a sua Ruah. O seu Sopro maiêutico. Os ricos em excesso não entendem nada da Vida. Não entendem nada da Morte. Herberto Hélder é agora definitivamente vivente. Invisível aos olhos dos que só vêem Dinheiro, Poder. Salvé, Herberto! Os viventes te saúdam. Está pronto o banquete da Vida. Vem saboreá-lo com todos os viventes. Da Morte sem Mestre, à Vida sem Mestre. Belo demais. Cantemos!

25 Março 2015 https://www.youtube.com/watch?v=lKPtb6vYfOg

 

Crónica 170

O SUICÍDIO POLÍTICO DA MINISTRA

 

Com aquela sua tirada, para mais proferida no mesmo tom politicamente gabarola, parolo, mesquinho em que o Salazar da Guerra Colonial, das cadeias políticas, da emigração a salto, das crianças pé descalço, do analfabetismo generalizado, da miséria imerecida, sempre o fazia, de que a maioria da população portuguesa está de tanga, mas os cofres do Estado estão cheios, a ministra das finanças cometeu, perante o país, a Europa do euro, o seu suicídio político. Para cúmulo, o chefe de governo que põe e dispõe dela, deu-lhe, agora, o golpe de misericórdia, precisamente, quando ela já tentava emendar a boca. Fê-lo na deslocação aos Açores, ao servir-se dessa sua tirada para, com ela, atacar o candidato PS à chefia do governo. Para as populações do país, da Europa do euro, a ministra das finanças não é mais do que um cadáver políico insepulto. E enojam-se dela. O poder financeiro tem esse terrível condão de matar os povos das nações, ao mesmo tempo que mata a alma de quantas, quantos politicamente o servem. Avisada andará, pois, Maria Luís Albuquerque, se, como o seu imediato predecessor na pasta, impuser ao chefe do governo que lhe desferiu o golpe de misericórdia, a imediata renúncia ao lugar de ministra. Com isso, pode muito bem arrastar com ela a queda do chefe, quiçá, do próprio governo. Se o fizer, bem se poderá dizer que ela é a Herodíade portuguesa do Governo PP-PC. Quando, como a Herodíade dos Evangelhos Sinópticos, já à beira de apanhar metade do reino a Herodes, ao qual se havia aliado, em detrimento de tudo o mais, até do próprio marido, em lugar de avançar, com o apoio dos grandes da Judeia, reunidos no banquete de aniversário do rei, preferiu exigir-lhe, numa bandeja, a cabeça de João Baptista, já preso, a quem odiava de morte (cf. Marcos 6, 14-28). Sem alma, sem afectos, qualquer mulher, homem, acaba máquina descontrolada contra tudo, contra todos. São assim os grandes financeiros do mundo. E quantas, quantos politicamente os servem. Melhor fora que uns e outros nunca tivessem nascido!

24 Março 2015 https://www.youtube.com/watch?v=jfNTMAIVbVk

 

Crónica 169

DIREITA? ESQUERDA? QUAL A DIFERENÇA?

 

As elites ditas progressistas andam assustadas com o avanço da direita. São tão cegas, surdas, distantes da realidade quotidiana das populações, que ainda se pensam as salvadoras do mundo. Confundem os seus quotidianos de regalias, privilégios, bem-estar, com o quotidiano de dor, desamparo, das populações. Pensam-se salvadoras. São cruéis. Confundem sistematicamente Política praticada com poder político. Não por ignorância. Por interesse corporativo. São os eternos fariseus sobre as populações, das quais se alimentam. Jesus, o camponês-artesão de Nazaré, o filho de Maria, também os conhece, no decurso da sua lúcida missão política maiêutica, nos antípodas do poder político. Começa, até, por simpatizar com eles. Na altura, gozam de grande simpatia entre os camponeses, na sua maioria, miseráveis, reduzidos à condição de escravos dos grandes proprietários de terras, acumuladas de ano para ano. Vem, cedo, a perceber que a simpatia de que gozam entre as vítimas dos grandes proprietários, dos sumos-sacerdotes, do império romano ocupante, provinha da máscara de virtude/santidade, com que se vestem. A máscara esconde a perfídia da ideologia que os conduz. Desmascara-os e é morto! Neste início de terceiro milénio, os fariseus são os partidos políticos. De direita ou de esquerda moderada ou progressista/radical. Dizem-se alternativa aos do poder do Estado. Mas o que os distingue, para lá dos rótulos, se são todos candidatos ao poder do Estado? Máscaras distintas, a mesma fome do poder político. É imperioso, como povos, desistirmos de vez do poder político. Prosseguirmos, uns com os outros, as práticas políticas maiêuticas de Jesus. Depois de milénios de opressão, mentira, ódio, guerra civil, convertamo-nos: – Deixemos de viver de costas uns para os outros. Vivamos de cara-uns-para-os-outros. Reconheçamo-nos irmãs, irmãos uns dos outros, vasos comunicantes. Só nos salvamos na ininterrupta Comunhão/Política praticada. O poder político, de esquerda ou de direita, é perdição, porque o assassino da Política praticada.

23 Março 2015 https://www.youtube.com/watch?v=1y4DxPSn4Pk

 

Crónica 168

EXCESSO DE PAPA, DÉFICE DE POVOS-SUJEITO

 

Com Mário Bergóglio, jesuíta argentino, como bispo de Roma, há um excesso de papa no mundo, a que corresponde um cada vez maior défice de povos-sujeito. Há também um enorme défice de visibilidade das igrejas cristãs que, assim, podem continuar a lavar dinheiro sujo à vontade. O que é deveras preocupante. Como poder que são, todas terão de desaparecer, para que os povos das nações cresçam como sujeitos, protagonistas. Cabe aos povos, não às igrejas cristãs, a condução da história. As igrejas cristãs nunca deveriam ter nascido. São uma avassaladora presença de poder ideológico-financeiro no mundo. Do pior que há, porque monárquico, absoluto, dogmático, infalível. Onde chegam, instalam-se, como outros tantos eucaliptos. Sugam a vida das populações, dos povos. Uma catástrofe de proporções planetárias. Com a agravante de se fazerem passar pelo que há de melhor no mundo. São outros tantos demónios, disfarçados de anjos de luz, que se alojam, de fora para dentro, nas mentes-conciências dos seres humanos, dos povos, como sistemas estranhos, assassinos da originalidade de cada qual. Que assim ficam totalmente à mercê dos respectivos clérigos, sacerdotes, pastores. Entram sempre pela porta do bem-fazer, da caridadezinha, da criação de infraestruturas, lá, onde não há quaisquer serviços organizados.Uma postura própria dos padrinhos, a comprovar as mãfias que efectivamente são. As populações vão pela isca dos “serviços”, depressa, vêem-se presas no anzol ideológico. As catequeses, os ritos/símbolos religiosos, os mitos, as lendas históricas, as escolas/universidades fazem, depois, o resto. O domínio é total. Crescem as igrejas cristãs, diminuem os povos-sujeito. Devo ser dos poucos seres humanos que não me revejo no jeito de ser-viver do papa Francisco. Os discursos, os gestos, as decisões anunciadas cativam até os ateus amigos do Dinheiro, do poder. Não têm a Ruah/o Sopro de Jesus. Só o do poder absoluto, em acção. Cruel. Mascarado de misericórdia. Quem avisa, amigo é!

21 Março 2015 https://www.youtube.com/watch?v=GsvjL9LW77w

 

Crónica 167

DA FÉ CRISTÃ RELIGIOSA À FÉ DE JESUS

 

Enquanto não fizermos o êxodo da fé cristã religiosa para a Fé de Jesus, o camponês-artesão de Nazaré, o filho de Maria, não descolamos do Infantil. Permanecemos reféns de tutores, intermediários, chefes. Damo-nos por satisfeitos, quando eles nos permitem escolher entre estes ou aqueles, segundo regras sistemicamente viciadas. O Infantil em que vivemos, impede-nos de conhecer a realidade tal qual ela é. Conhecemo-la, mas ao modo infantil. Crescemos em número de anos, não crescemos em sabedoria. Só em saber. Sabedoria e saber são antónimos, mais do que sinónimos. Temo-los por sinónimos, porque somos-vivemos no Infantil. Vemos de forma nublada, baça, translúcida. Não de forma transparente. O Religioso, primeiro, o Cristão, depois, são duas etapas históricas na caminhada da Humanidade, próprias da etapa infantil dos povos das nações. A passagem do Religioso ao Cristão não é substancial. Pouco mais é do que conceptual. Há o Religioso, em múltiplas religiões, todas más. Há o Cristão/Cristo, em múltiplos cristianismos, todos maus. Porque mantêm os povos no infantil. Impedem-nos de crescer de dentro para fora. Cresce o Poder, diminuem os povos. A importância vai toda para os agentes do Poder, que actuam ao modo de padrinhos, ou de tiranos. No Infantil, é impossível a Liberdade, a Maturidade, a Responsabilidade. Só a obediência ou a simulação, por parte dos povos das nações. A tirania ou o bem-fazer, por parte dos agentes do Poder. Urge passarmos da fé cristã religiosa à Fé de Jesus que, entre meados do ano 28, Abril do ano 30, rompe de vez com o Religioso, o Cristão, pais do Infantil. Pratica/anuncia o Evangelho da Fé antropológica-teológica. Aposta tudo, não num Deus distante com intermediários, mas nos seres humanos, povos das nações, habitados por Deus Abba-Mãe que nunca ninguém viu, nos potencia, de dentro para fora, até sermos plena, integralmente humanos, Liberdade, Autonomia, Maturidade, Maiêutica, Vasos comunicantes, Afectos, Paz desarmada. Sem deuses, nem chefes. Numa Terra, casa comum de todos os povos, sem distinção.

20 Março 2015 https://www.youtube.com/watch?v=mS74g-_vPxw

 

Crónica 166

OUTRA ESCOLA É PRECISO!

 

Uma boa parte da minha manhã de ontem foi de presença-intervenção no anfiteatro da Escola de Penafiel. Entre muitos estudantes, elas, eles, visivelmente interessados, participativos, já com a Universidade no horizonte. O pretexto foi a apresentação do romance, CASA DA LUA, da minha amiga Cidália, Prof.ª de Português naquela Escola. Pude captar, então, como num relâmpago, que a Escola, como instituição, é um cancro ainda por diagnosticar. As instalações físicas podem até ser um mimo, como no caso concreto desta Escola de Penafiel. Também as instalações da Cadeia política de Caxias, nos anos do fascismo salazarista, eram um mimo. Nem por isso, Caxias deixava de ser a Cadeia para os presos políticos, a aguardar julgamento. Sei do que falo, porque, por duas vezes, fui um dos seus muitos “inquilinos”. Assim como vivi 12 anos, dos 13 aos 25, na Escola-Seminário do Porto. Hoje digo, Outra Escola é preciso. A que existe é roupa confeccionada em série. Temos de nos adptar a ela. Basta atentarmos no tipo de sociedade que a Escola, ao longo das sucessivas gerações, tem dado à luz. É pelos frutos que se conhecem as instituições. Se há sociedade que mais grite a rotunda falência da Escola que, sucessivamente, temos tido, é a actual. Um desastre em toda a linha, se atentamos no ser-viver quotidiano de quantas, quantos a frequentaram e hoje são adultos com acrescidas responsabilidades. Abundam os medíocres, os mentirosos, os oportunistas, os corruptos, os hipócritas, os amantes do Dinheiro, do Poder. A Escola foi a sua perdição. Empanturrou-os de ideologia, formatou-lhes a mente, matou-lhes a consciência, roubou-lhes a alma. Fez deles, subservientes do Poder, corruptos quanto ele. Quando, do que mais precisamos, em cada geração, é de mulheres, homens sábios, maiêuticos uns com os outros, vasos comunicantes. Dissolvamos, então, a Escola concebida para formatar cada nova geração que vem. Seja cada nova geração que vem, a Escola viva, a desenvolver-se de dentro para fora. Do nascer ao morrer.

19 Março 2015 https://www.youtube.com/watch?v=bB4a57AQy7I

 

Crónica 165

CHAME-SE A POLÍCIA!

 

Se forem membros do Governo ameaçados nas ruas por onde se atrevam a passar, como se não integrassem a lista dos grandes criminosos institucionais, chame-se a Polícia para os proteger. Já se for uma mãe solteira, duas filhas menores, a sobreviverem, as três, do RSI, que está a ocupar uma casa que é da respectiva Câmara Municipal, chame-se a Polícia, para as despejar. À força de bastonadas, palavrões, empurrões, outras maneiras que sabemos, tão medonhamente subtis, peritas, que nem podem sequer ser bem descritas. Se os vizinhos da vítima se juntam a protestar contra a Polícia, apanham por tabela, que o direito à indignação tem as suas regras democráticas, não é assim, quando ou como os solidários com as vítimas entendem. Sobretudo, quando os visados da sua indignação são agentes da Polícia. Temos assim uma mesma Polícia, dois comportamentos. Aos grandes criminosos institucionais, saem a protegê-los da indignação das suas vítimas que não suportam o atrevimento deles em se aproximarem delas, por aplausos, apoios, votos nas próximas eleições. Às vítimas dos grandes criminosos institucionais, saem a atacá-las, para que deixem suas excelências, os grandes criminosos institucionais, passar em sossego. Todo o poder vem de Deus. Todos os seus agentes são bons. Divinos, até. Vistam de ministro, presidente, bispo diocesano, chefe de estado, papa, pároco, general, super-juiz. Tocá-los, indignar-se perante eles, é blasfémia, sacrilégio, profanação. Já as vítimas vêm do Diabo. São todas más. Vistam de desempregado, homem da rua, toxicodependente, pobre a roçar a miséria. Ou de mãe solteira com duas filhas menores, a sobreviverem, as três, com o vergonhoso, humilhante RSI. Não têm sequer direito a existir. São um peso para o Estado que é o pai do poder em cada país. O grande poder financeiro. Legitimado por deputados, de direita e de esquerda. Aos quais paga bem, para que garantam a democracia. Essa grande prostituta que tudo corrompe, indignifica. Chame-se a Polícia!

18 Março 2015 https://www.youtube.com/watch?v=pno_ch3D6Lo

 

Crónica 164

VEM! QUE EU QUERO OS TEUS IMPOSTOS!

 

Os mais destemidos, inconformados já se foram. O país que os viu nascer não se mostrou capaz de rentabilizar/tirar partido das suas capacidades, carismas, conhecimentos. Emigraram. Um governo de chico-espertos, palradores, vaidosos, obcecados pelo poder, é o cancro mais devastador num qualquer país. Entre as novas gerações e um governo, assim, há um abismo intransponível. As soluções, hoje, chegam-nos cada vez mais das novas gerações. Não dos governantes. Passou o tempo dos intermediários. Para tempos novos, respostas novas. Os governos tradicionais, com todos os seus formalismos, ritos, tiques, privilégios, são mais impecilho do que solução. Não abdicam dos seus pergaminhos. Dos inúmeros cortesãos. Nem dos arsenais de leis, impostos, com as, os quais matam toda a iniciativa. As novas gerações não têm pachorra para tanto. Os que se acomodam, ficam velhos da noite para o dia. Os mais destemidos, inconformados, rebelam-se. Abrem as asas. Levantam voo. Vão com o Vento. Toda a Terra é a sua mátria/pátria. Todas as nações, a sua nação. Deixam o chão onde nasceram. São do chão que os acolhe. Os valoriza. Tira partido das suas capacidades, desenvolvimento, intuições. Para trás, como um pesadelo, deixam o país que os viu nascer, mai-los mesquinhos governantes, com seus estúpidos jogos eleitorais. Que apodreçam nos seus palácios-panteões nacionais. A vida com qualidade acontece no deserto, no vento, no caminho, no movimento. Pode agora o Governo, com a criancince do VEM, chamá-los de volta, para os cravar de impostos. Não adianta. Para eles, já não há mais o “meu país”. Há o mundo, meu país. Nem sequer, A minha pátria é a língua portuguesa. Sim, Todas as línguas são a minha pátria. Saibam que há menos “Babel” num mundo onde as novas gerações são ao comando das suas vidas, sujeitos de corpo inteiro, criadores, do que num pequeno pais, como Portugal, com um governo de medíocres, vaidosos, palradores. Que só sabem fazer leis, cobrar impostos.

17 Março 2015 https://www.youtube.com/watch?v=7kY5CT0Jd0M

 

Crónica 163

PERDERIAM O PÉ

 

Os teólogos cristãos/não-cristãos e os filósofos são tendencialmente desonestos com a realidade, como todos os mais que integram as elites dos privilégios. Têm um viver paralelo ao das vítimas. Nunca esbarram com elas, apesar delas serem a esmagadora maioria da Humanidade. O seu acto de teologar/filosofar tem muito de masturbação intelectual. Só os favorece e aos demais das elites. São temidos, respeitados, premiados, contratados para universidades. As frequentes conferências que são chamados a pronunciar, contam sempre com a presença de muitas, muitos. Formam corporações ecuménicas que se defendem uns aos outros, elogiam-se, citam-se. Lidam com doutrinas, teorias, livros, tradições que herdaram dos antepassados. Nunca se atrevem a pôr nenhuma dessas crenças em causa. Por mais infantis, absurdas, que sejam. Sabem que, se o fizerem, trocam a sua reputação, a cátedra, a vida confortável de que desfrutam, por um quotidiano de conflitos, ataques, dissabores, desprezos, calúnias, ostracismos de toda a espécie. São frequentes em foruns com teólogos credenciados de outras religiões, com as quais não se identificam, nem um bocadinho, mas lidam uns com os outros com pinças, para, no final, continuarem hipocritameente amigos, a simular uma grande unidade na diversidade. No essencial que, para eles, é a sobrevivência de todas as religiões, estão sempre de acordo. Nenhum deles se atreve a dizer, com a frontalidade de Jesus Nazaré, que todas as religiões são más, a maior tentação para a Humanidade, sobretudo, para as maiorias mergulhadas em quotidianos de miséria, doenças incuráveis, estruturais becos sem saída. Sob a máscara da bondade, são os mais hipócritas dos seres humanos. O Deus de que falam, tu-cá, tu-lá, é uma criação deles, à medida dos interesses das elites que integram, nos antípodas das vítimas. Com as quais nunca se encontram. Perderiam o pé, ao terem de concluir que, afinal, não passam de cínicos bem-falantes, produtores, vendedores de ópio para as maiorias. Um crime sem perdão!

16 Março 2015 https://www.youtube.com/watch?v=WAqPRICMz24

 

Crónica 162

O QUE MAIS SE GOSTA NELE É QUE NÃO SEJA PAPA!

 

Também para o papa Francisco, o tempo corre veloz. Aliás, pelos anos que soma, quando os cardeais o escolhem, já ele é arcebispo emérito de Buenos Aires. Não pode prosseguir como bispo titular no seu país, mas, pelo que se vê, pode aceitar ser o bispo de Roma, papa da igreja católica no mundo. Não pode o menos. Pode o mais. É, pois, expectável que o seu pontificado seja breve. Por força da idade. Depois, aquele seu corpo desmesuradamente redondo, embrulhado num saiote branco de mau gosto, com que sistematicamente se apresenta, parece indiciar que a sua saúde não será das melhores. Dois anos depois, o que mais se gosta nele é que não seja papa. Nem cristão. Nem católico romano. Nem beato. Nem devoto de nenhuma das muitas nossas-senhoras do catolicismo romano, a mais rasca de todas, a dos “pastorinhos de Fátima”. Ou, dito pela afirmativa, o que mais se gosta nele é que seja homem, um ser humano, em tudo igual aos demais, excepto na idolatria, a pior das quais, a do Dinheiro. Quanto mais humano, menos cristão, menos religioso, menos metido nos templos. Ou, dito pela afirmativa, Quanto mais humano, mais metido no mundo, sem nunca ser do mundo. Uma postura objectivamente difícil, mas imprescindível para poder ser, entre nós, connosco, outro Jesus, o filho de Maria, agora, século XXI. Nunca seja outro Cristo/Poder monárquico absoluto, infalível, coisa mais que obscena. Pelo contrário, continuadamente religado a Deus Abba-Mãe que nunca ninguém viu, porque continuadamente religado às vítimas da história, com realce, para as incontáveis vítimas que o poder religioso eclesiástico católico-protestante produziu em série, continua a produzir. Melhor fora, por isso, que o cristianismo nunca tivesse nascido, tão hediondos, monstruosos, os males cometidos contra a humanidade, em particular contra as mentes-consciências das populações da Terra. Mergulhadas em quodianos de terror, de inferno, de submissão, de exploração, de mentira, sob a batuta de clérigos celibatários à força. Papa? Não! Humano!

14 de Março 2015 https://www.youtube.com/watch?v=GV1l3P1mJ00

 

Crónica 161

PORQUÊ DOS PEDÓFILOS, NÃO DOS VIP DO FISCO?

 

De repente, os pedófilos são apontados como os mais perigosos dos criminosos. A respectiva Lista, aprovada ontem às pressas, diz bem que este Governo é um carro desgovernado, determinado a conduzir as populações para a morte, ou para os cuidados intensivos. Os 2 condutores, embriagados pelo poder que lhes caiu nas mãos, para os perder e às populações do país, já só pensam em manter-se mais 4 anos ao volante. A lista dos pedófilos fica acessível às autoridades judiciais, policiais. Às respectivas vítimas. Aos pais de menores, a pedido deles à polícia, caso a caso. A aprovação acontece no mesmo dia em que o Governo correu a garantir que não há nenhuma lista VIP do Fisco, a dos figurões do Estado. Sabe-se que não há Estado que se aguente, sem figurões, todos acima de qualquer suspeita. Que só os grandes crimes compensam. Os pequenos crimes são castigados com pesada mão. Armada mão, sempre que necessário. A noticiada lista VIP do Fisco pode, até, não existir no papel. Por questões de segurança. Existe, tem de existir, nas cabeças de quantos são escolhidos para lugares de grandes decisões, em departamentos fundamentais do Estado. O Fisco é um desses departamentos, onde os lugares de grande decisão não vão a votos. Aliás, nenhum lugar de grande decisão, em matéria de alta finança, poder financeiro, é, alguma vez, ocupado por gente provadamente competente. Só por gente provadamente disposta a vender a alma ao diabo, poder financeiro, o único verdadeiro, já que o religioso e o político funcionam como os seus dois braços. Sem os quais, o financeiro seria uma bomba nuclear sem capacidade de explodir, mesmo que lançada contra determinado alvo. A pedofilia é crime e pecado. Ninguém o nega. Mas porquê, em ano de eleições, uma lista dos pedófilos, não dos VIP do Fisco, dos banqueiros bandidos, dos polícias ladrões, dos deputados corporações, dos ministros/secretários de estado administrações, dos juízes máfias? Porquê esta necessidade de filtrar mosquitos, engolir camelos, atirar tanta poeira aos olhos das populações votantes?! Porquê?!

13 de Março 2015 https://www.youtube.com/watch?v=fDj1sjJ61UM

 

Crónica 160

“NEM UM BOCADINHO”, SR. 1.º MINISTRO?!

 

Fosse ele um homorista e a frase, “Nem um bocadinho me sinto beliscado no cargo de primeiro-ministro”, teria causado gargalhada geral no Parlamento e, consequentemente, a possível benevolência das populações. Mas Passos Coelho não é humorista, tão pouco revela qualquer jeito para esse ofício, por sinal, muito mais difícil de realizar com qualidade, do que ser chefe de um Governo que, em lugar de governar, passa a maior parte do mandato a passear pelo país, a ver trabalhar as pessoas que ainda não conseguiu condenar ao desemprego, enquanto, assim, dá que fazer aos muitos motoristas e seguranças que contratou. São muitas, muitos os que vivem em função dele. Ele não vive em função de ninguém. É o mais estéril dos portugueses. Também o mais polidamente agressivo, cruel com eles. Depois da atabalhoada forma como tentou justificar-se daquela trapalhada toda que teve com a Segurança Social, o Fisco, em lugar de regressar, logo, à sua condição de cidadão comum, ainda tentou ontem no Parlamento retirar de tudo isso dividendos políticos, para ver se proximamente alcança a maioria absoluta, com que sonham todos os potenciais ditadores. A sua maioria parlamentar aplaudiu, de pé. Só faltou pegar nele em ombros, trazê-lo para a rua, entregá-lo à multidão de desempregados, empobrecidos, assistidos/humilhados pelas IPSSs, Caritas, Misericórdias, e fazerem, juntos, a macabra festa. Afinal, o país nunca esteve tão bem como com este Governo. A prova é que nunca teve tantos desempregados jovens, tantas mulheres assassinadas, tanto futebol dos milhões, tantos programas rascas de tv, tanto caciquismo, tanta esterilidade no Parlamento, onde muito se fala, come-se/bebe-se do bom e do melhor, pouco se produz, e de pouca ou nenhuma valia. Para cúmulo, acabam de matar/calar definitivamente o nosso querido Pe. António Vieira, ao reduzi-lo a 30 volumes que vão, agora, acumular-se de pó nas bibliotecas, também na do Vaticano. Quando é imperioso, urgente que ele possa ser Pe. António Vieira séc. XXI

12 de Março 2015 https://www.youtube.com/watch?v=oyzZ_uSI4V0

 

Crónica 159

“COMO ANIMAIS”

 

O mais grave da afirmação, “Os meus jogadores treinam como animais”, é que ela é um elogio. O melhor que o respectivo treinador, eufórico com a vitória por 4-0, faz aos que chama “os meus jogadores”. Se treinam/trabalham como animais – e fazem-no em troca dos milhões que lhes pagam – o treinador é também o seu domador; os jogos são touradas; os estádios são arenas; a recompensa para a SAD vencedora do jogo é de muitos milhões; a própria competição dá pelo nome de “Lga dos milhões”. Para cúmulo, até as capas dos matutinos deste dia – só coincidência?! – apresentam-se todas, com o fundo da mesma cor, por imposição duma conhecida multinacional que faz trabalhar os seus contratados como animais, para facturar cada vez mais milhões, ao final de cada ano. A juntar a tudo isto, há ainda uma “Lotaria europeia dos milhões”, que “faz excêntricos todas as semanas”. Quando o gordo prémio sai a um único apostaor, arrecada, só à sua parte, tantos milhões, que têm de ser contratados psicólogos e outros especialistas, para tentarem atenuar os efeitos devastadores que tanto dinheiro junto e assim do pé para a mão, causa à sua enlouquecida mente. Em contraste com esta Europa do euro que nos assedia/ataca por todos os lados, como a desprotegidas ilhas, há, embora silenciada/ignorada, a Europa da pobreza estrutural e dos pobres em massa, do desemprego estrutural e dos desempregados em massa, dos assassinatos/suicídios em massa, dos velhos, elas e eles, abandonados/sós em massa, ou encurralados em “lares”, cujos rendem muitos milhões. E há, ainda e sobretudo, a maior parte das populações da terra, duas, em cada três pessoas, caídas em situação de pobreza/miséria imerecida. É a este o tipo de mundo que os três mil anos de judeo-cristianismo-islamismo acabam de nos conduzir. Acham bom? Prossigamos, então, e logo veremos a planetária ruina que nos espera. Nem o papa do Vaticano dos milhões escapa. Por mais piropos que os grandes media lhe dirijam todos os dias. Somos pessoas humanas, ou já apenas coisas/mercadorias de usar e deitar fora?!

11 de Março 2015 https://www.youtube.com/watch?v=hOUTYlEmNmg

 

Crónica 158

PAPA TROPEÇA NAS MULHERES

 

Foi preciso o dia 8 de Março deste ano cair a um domingo, para vermos o papa Francisco tropeçar nas mulheres, quando, por ocasião do meio-dia, lá do alto da janela do seu palácio, se dirigiu às pessoas que insistem em aglomerar-se na chamada Praça de S. Pedro, em Roma. Tais pessoas ainda não perceberam que ir a Roma e ver o papa, perfaz um acto de humilhação escusada. O poder papal é pecado. Impede os povos de terem voz, vez. Depois do Concílio Vaticano II, o papado é uma envenenada excrecência que desqualifica a igreja que insiste na sua manutenção. Atenta contra a radical igualdade entre os seus membros, mulheres e homens, indistintamente. Como atenta contra a humanidade. Um facto de todo intolerável. Aliás, o próprio cristianismo, nas suas várias versões históricas, atenta contra a humanidade. Afirma-se acima dela, quando só a humanidade é criação de Deus Abba-Mãe, no decurso da evolução. Cristianismo, igrejas cristãs, são criações do poder, o inimigo do humano, que este, à medida que se desenvolve de dentro para fora, há-de fazer desaparecer. O próprio papa devia ser o primeiro a trabalhar para se auto-extinguir e ao cristianismo. A humanidade é uma só, na multiplicidade de povos, todos diferentes, todos iguais. Em vez disso, acha-se de pedra e cal, no seu trono/poleiro. Onde só faz disparates. Um dos maiores, aconteceu no passado domingo. Aproveitou o dia internacional das mulheres para dizer, lá do alto do seu poder, que “um mundo onde as mulheres são marginalizadas, é um mundo estéril, porque as mulheres não só dão vida, como transmitem a capacidade de ver mais além delas próprias.” Esqueceu-se, porém, de concluir que, se há sistema-mundo que mais marginaliza as mulheres, por isso, intrinsecamente estéril, é o próprio cristianismo católico romano. Não o extinguir, é pecado. E já que o papa não o faz, façam-no as próprias mulheres. Abandonem, quanto antes, as igrejas cristãs. Um mundo, plena e integralmente humano, não cristão, eis o projecto de Jesus! E de Deus. Vamos por ele.

10 de Março 2015 https://www.youtube.com/watch?v=4_VNQr5Nqqg

 

Crónica 157

RESTA-LHE, AGORA, SER ENGOLIDO VIVO

 

Continuam a dizer-nos que Portugal não é a Grécia. A afirmação tem o seu quê de arrogância, superioridade. Só não esclarecem que Portugal não é a Grécia, porque é pior do que a Grécia. Está a gritá-lo, com estridência, o desenrolar dos factos, lá e cá. Ao contrário da Grécia, o nosso país está condenado a ter de suportar, durante quatro anos consecutivos, uma maioria pseudo-política fanfarrona, manifestamente subserviente; um governo dirigido por uma dupla cínica, marabarista, cruel, dotada do terrível condão de utilizar as palavras para branquear sistematicamente a realidade; um presidente da república que dá cobertura/legitimidade constitucional a toda esta tortura política. Querem-nos convencer que toda a culpa do pesadelo que são os 4 anos deste governo, é da troika. Sabe-se, agora, já sem a troika a morder-lhe o pé, que muito pior do que ela, é o próprio governo. Que até faz gala disso. O único organismo governamental que funciona, e com uma eficácia assustadoramente devoradora, é a máquina dos impostos. Nem a troika terá imaginado que vinha encontrar, neste pequeno país de praias, de sol, de montanhas, de populações de bem-acolher, com capacidade de resistência/sofrimento, trabalho no duro em terra, mar e ar, mas aflitivamente vazias de formação política e de consciência crítica, um governo tão cínico, cruel como este democrata-cristão e socialdemocrata. Ultrapassa, de longe, o cinismo, a crueldade dela. Não assim na Grécia. Lá, as populações levantaram-se, deram um murro político na mesa, uniram-se e fizeram acontecer um tornado político, ainda em curso. A própria UE tremeu e está posta em sentido. Com o Syriza no Governo grego, nunca mais as coisas na UE voltam a ser o que eram. Serão melhores, ou piores. O que eram, é que não. Perante este espelho político, a arrogância deste governo de Portugal pior do que a troika, levou-o a classificar de contos para crianças o tornado político do Governo do Syriza. Resta-lhe, agora, ser engolido vivo no enorme buraco que cavou, e desaparecer de cena. Definitivamente.

9 Março 2015 https://www.youtube.com/watch?v=cqfhpWUA6x0

 

Crónica 157

RESTA-LHE, AGORA, SER ENGOLIDO VIVO

 

Continuam a dizer-nos que Portugal não é a Grécia. A afirmação tem o seu quê de arrogância, superioridade. Só não esclarecem que Portugal não é a Grécia, porque é pior do que a Grécia. Está a gritá-lo, com estridência, o desenrolar dos factos, lá e cá. Ao contrário da Grécia, o nosso país está condenado a ter de suportar, durante quatro anos consecutivos, uma maioria pseudo-política fanfarrona, manifestamente subserviente; um governo dirigido por uma dupla cínica, marabarista, cruel, dotada do terrível condão de utilizar as palavras para branquear sistematicamente a realidade; um presidente da república que dá cobertura/legitimidade constitucional a toda esta tortura política. Querem-nos convencer que toda a culpa do pesadelo que são os 4 anos deste governo, é da troika. Sabe-se, agora, já sem a troika a morder-lhe o pé, que muito pior do que ela, é o próprio governo. Que até faz gala disso. O único organismo governamental que funciona, e com uma eficácia assustadoramente devoradora, é a máquina dos impostos. Nem a troika terá imaginado que vinha encontrar, neste pequeno país de praias, de sol, de montanhas, de populações de bem-acolher, com capacidade de resistência/sofrimento, trabalho no duro em terra, mar e ar, mas aflitivamente vazias de formação política e de consciência crítica, um governo tão cínico, cruel como este democrata-cristão e socialdemocrata. Ultrapassa, de longe, o cinismo, a crueldade dela. Não assim na Grécia. Lá, as populações levantaram-se, deram um murro político na mesa, uniram-se e fizeram acontecer um tornado político, ainda em curso. A própria UE tremeu e está posta em sentido. Com o Syriza no Governo grego, nunca mais as coisas na UE voltam a ser o que eram. Serão melhores, ou piores. O que eram, é que não. Perante este espelho político, a arrogância deste governo de Portugal pior do que a troika, levou-o a classificar de contos para crianças o tornado político do Governo do Syriza. Resta-lhe, agora, ser engolido vivo no enorme buraco que cavou, e desaparecer de cena. Definitivamente.

9 Março 2015 https://www.youtube.com/watch?v=cqfhpWUA6x0

 

Crónica 156

DO PODER À FECUNDIDADE. DO CRISTO A JESUS

 

O poder sempre tem estado ao comando da sociedade, do mundo. Tem de ceder o lugar à fecundidade. Nunca seremos plena e integralmente humanos, constitutivamente afectos, colos, ombros, uns dos outros, uns para os outros, enquanto o poder permanecer ao comando da sociedade, do mundo. No princípio, é a Ruah, Sopro maiêutico. A fecundidade. O feminino. Todas, todos nascemos de mulher. Somos filhas, filhos de mulher. É um absurdo passar, depois, a filhas, filhos do poder. Um absurdo e um crime de lesa-vida. É o feminino que nos faz mulheres, homens. Somos humanos, na medida em que somos fecundidade. Femininos. O poder, independentemente, de quem o exerce, é sempre o inimigo maior da vida, quando a vida se torna vida humana, consciência afectiva, vasos comunicantes. Os afectos, não o poder, é que têm de conduzir o que há de racional em nós. Sem os afectos a conduzi-lo, o racional torna-se progressivamente descriador, porque poder. Porventura, muito ilustrado, erudito, até científico, mas descriador. Somos tanto mais mulheres, homens, quanto mais os afectos conduzem o racional que há em nós. De outra forma, tornamo-nos nos mais perigosos dos seres vivos. Os mais ferozes. Até agora, demos insensatamente toda a prioridade ao poder, ao racional. Deveríamos tê-la dado aos afectos, à fecundidade. Como não demos, criamos sistemas que nos tornaram espantosamente eficazes, mas temos perdido progressivamente a alma. A sua eficácia é, hoje, tanta, que até já lhes perdemos o controlo. Somos seus reféns. Sem autonomia. Sem liberdade. O pior dos sistemas que criamos, dá pelo nome de cristianismo, precedido pelo judaísmo, prosseguido pelo islamismo. A mais completa consagração do poder, do racional. Em detrimento da fecundidade, dos afectos. Com o cristianismo, desaparece progressivamente o Humano que nos faz mulheres, homens, maieuticamente religados. Urge regressarmos a Jesus, o único ser humano plena e integralmente feminino/masculino que recusa ser o Cristo/poder, sacrificador de mulheres, homens.

7 Março 2015 https://www.youtube.com/watch?v=g2qP8JXNo88

 

Crónica 155

TERRORISMO: O PIOR É O DOS ESTADOS

 

Os países da UE preparam, por estes dias, novas leis/medidas para “combater” – atentem só neste verbo! – o terrrorismo. Não o dos seus estados. O de certos grupos organizados que, aqui e ali, pratiquem actos incomparavelmente menos terroristas do que os deles.O pior terrorismo é o dos estados. É o amargo pão quotiidiano dos povos que já o aceitam como coisa natural. Ou, até, como expressão da vontade de Deus, se suas mentes andam ainda envenenadas por ideologias religiosas. O judeocristianismo-islamismo é terrorista. A principal fonte de terrorismo no mundo. A Bíblia e o Alcorão são os dois grandes manuais de instruções do terrorismo dos estados. Não. Não é uma postura de generosidade/benevolência que leva Constantino, no séc. IV, a acolher o judeo-cristianismo, como a única religião oficial do seu império. É que nenhuma outra lhe dava tantas garantias de se perpetuar no poder, fossem quais fossem os crimes, os assassinatos, os roubos/os impostos que as suas tropas e demais funcionários do império realizassem. Tudo seria interpretado como querido/mandado por Deus. O Ocidente, de raízes ideológicas judeocristãs-islâmicas, continua a ser, no início do terceiro milénio, o terror institucional organizado que é – EUA-UE-NATO, por um lado, Al-Qaeda-EI, por outro lado – graças à ideologia judeocristã-islâmica que os povos trazem no seu inconsciente colectivo. Somos terroristas que nunca se reconhecem. Pelo contrário, temo-nos, até, como os mais civilizados dos povos, só porque vencedores, graças a sermos os mais sofisticadamente armados, violentos, ladrões, mentirosos, assassinos institucionais. Tudo o que fazemos é para maior glória de Deus, o da Bíblia-Alcorão. No meio desta selva judeocristã-islâmica, os seres humanos e os povos das nações são o mexilhão que apanha de todos os lados. Quando, afinal, para Deus, o de Jesus Nazaré e de todos os povos por igual, somos nós, maieuticamente religados/organizados, que devemos cuidar das nossas vidas e do cosmos. Sem a intervenção de estranhos, como são os estados das nações. Quando chegamos aqui?!

6 Março 2015 https://www.youtube.com/watch?v=yhQx3uqhYyI

 

Crónica 154

UM PESADELO CHAMADO PASSOSCOELHO

 

O que mais perturba em PassosCoelho, desde que a máquina do poder político pôs nele os olhos, fez dele o seu ungido/messias/cristo, com objectivos muito concretos e definidos a concretizar, no imediato, é a sua maquiavélica ingenuidade, mais aquela cínica máscara de inocência política, por trás da qual se esconde uma desmedida ambição. Desde cedo, a máquina do poder guindou-o meticulosamente ao topo, ao mesmo tempo que obrigou todo o partido a blindá-lo a tudo e todos. Só há PassosCoelho, como, na igreja católica, só há o papa infalível. Tudo gira em função dele. O regime é republicano, mas o poder é do rei PassosCoelho. Um homem só, como convém, quando se é poder. A família que constituiu, é como se a não tivesse. Quando muito, apenas uns poucos dias de férias de verão no Algarve. A máquina que o guindou não lhe admite afectos. Os afectos matam o poder. Todos os holofotes são poucos para ele, o primeiro-ministro de Portugal. Sem falhas. Sem pecados. Sem fraquezas, próprias de humanos, que o poder é divino, não é humano! E é um só. Sem mais interesses que os do poder! Chega a causar calafrios, tanta meticulosidade, tanta perfeição, tanta incorruptibilidade, tanta lisura institucionais. PassosCoelho é o rei-sol. O partido é ele. Nenhuma voz discordante. Todos os olhares são poucos para ele. Numa unanimidade de arrepiar. A felicidade nos rostos dos seus mais próximos é de êxtase. Impôs a maior austeridade às populações. Continua a ser deus para elas. Os sacrifícios são redentores. Quantos mais, melhor! Tanto que ele já anuncia às populações novos amanhãs-que-cantam. As próximas eleições são para lhe darem o conforto da maioria absoluta. Sem mais necessidade da traiçoeira muleta do PP. Nem do inábil CavacoSilva. Só que tanta perfeição política concentrada num só homem está a tornar-se agora o pior pesadelo. A queda do rei-sol está iminente. A escuridão no PSD é completa. Para cúmulo, o país bate no fundo e tem de ouvir raspanetes em público do próprio presidente da Comissão Europeia. Acordemos. Vêm aí tempos de mudança!

5 Março 2015 https://www.youtube.com/watch?v=AHRLm_ykqkc

 

Crónica 153

POLÍCIAS E LADRÕES

 

Todos os agentes do poder, nos três poderes, são criminosos institucionais, legais. Que o poder corrompe. É do mais elementar do nosso quotidiano. No dia em que um homem, uma mulher, aceita ser poder, clérigo, pastor de igreja, bispo residencial, papa de Roma, um simples presidente de junta de freguesia, deputado, ministro, 1.º ministro, presidente de um país, administrador de multinacional, banco, patrão de pequena empresa, até simples chefe-de-família, integra logo o rol dos criminosos legais. Nomeado ou votado, para ser-viver, um pouquinho que seja, acima dos demais, nunca mais é o mesmo homem, a mesma mulher. Os familiares mais próximos – pais, esposa, marido, filhas, filhos e os amigos de infância, juventude – são os primeiros a sentir a diferença. Para pior. A sua dimensão humana, a única que nos define-distingue dos demais seres vivos, fica gravemente ferida, no instante em que aceita tornar-se poder, diminuto que seja. Todo o poder é uma pirâmide. Vertical. Incompatível com a horizontalidade/igualdade. Edificada sobre todos os que não são poder, a esmagadora maioria dos seres humanos e dos povos das nações. Todos somos afectados com a existência do poder, de agentes do poder. A nossa saudável condição de seres humanos, todos diferentes, todos iguais, passa, de imediato, à condição de vítimas. Uma indignidade, em pequena ou grande escala, conforme o grau de poder que é exercido sobre cada conjunto de seres humanos. Semelhante constatação deveria ser suficiente para ninguém aceitar ser poder. Só que, como demónio/mentira que é, o poder tem algo de droga afrodisíaca. Passa logo a ditar as decisões, a conduzir os passos, de quantos possui. Acabam todos, inevitavelmente, polícias e ladrões. Fardados, legitimados, respeitados! Dêem-nos seres humanos e mudamos o mundo. Dêem-nos agentes do poder e corrompemos o mundo. Quanto mais próximos das suas vítimas, mais rascas, mal-educados, autoritários. Quanto mais no topo, infinitamente, longe das suas vítimas, mais corruptos-mãos-limpas, finas vestes, palácios, banquetes, sempre protegidos por protocolos, mesuras, ódios.

4 Março 2015 https://www.youtube.com/watch?v=vNCcSQ5kiZo

 

Crónica 152

OU ELES, OU NÓS!

 

Há quem defenda que nós, os seres humanos e os povos, somos naturalmente violentos. Só o Medo de pesados/eternos castigos impede que nos devoremos uns aos outros. Os grandes media e todos os outros grandes institucionais, religiões incluídas, puxam o mais que podem pelo que possa haver em nós de tendencialmente violento, para, desse modo, arrecadarem domínio sobre nós, fortunas, privilégios, sem cuidarem de saber para que serve tudo isso, se, por fim, acabamos a devorar-nos uns aos outros. Este início de terceiro milénio do cristianismo, quarto milénio do judeo-cristianismo – manda a verdade que se diga, quando lemos a história a partir do presente para o passado, que não há judaísmo, de um lado, e cristianismo, de outro lado; há judeo-cristianismo (Jesus e o seu Projecto político são outra loiça, ainda por conhecer) – está a revelar-se o mais violento de todos. Os poderes de hoje dispõem de meios que os do passado nem sequer sonharam. Se os seres humanos e os povos, desistirmos, de vez, de tomar em mãos os nossos destinos e do planeta/ universo, os poderes ficam totalmente à solta. Espera-nos a destruição em massa. Bem se pode dizer que o nosso maior pecado colectivo é a demissão, à escala global, do grande, único imperativo ético que nos manda cuidar de nós, uns dos outros, do planeta/universo. Para isso nascemos e viemos ao mundo. Ao deixar os nossos destinos e do planeta/universo nas mãos dos poderes, desistimos, de vez, da nossa condição de seres humanos e povos. A violência não é da nossa natureza de seres humanos e povos. É da natureza dos poderes. Por mais que psicólogos, antropólogos, chefes das religiões judeo-cristãs-islâmicas digam o contrário. Da natureza dos seres humanos e dos povos, é o imperativo ético de cuidarmos de nós próprios, uns dos outros e do planeta/universo. Os poderes e seus agentes, mentirosos que são e assassinos, não suportam que vejamos as coisas como elas são e que ajamos politicamente em consequência. Sabem que será o fim deles e da sua violência organizada. É hora de decidirmos: Ou eles, ou nós. Os poderes organizados, ou os seres humanos e os povos, sábia e maieuticamente, organizados!

3 Março 2015 https://www.youtube.com/watch?v=ukyr37cRp8Y

 

Crónica 151

E AINDA CONTINUAMOS A VOTAR NELES?

 

Chega a causar vómitos, o comportamento dos políticos profissionais, a tempo inteiro no exercício do poder. O mesmo se diga dos comentadores políticos residentes dos canais de tv. Uma peste institucional que paulatinamente mata a mente/a alma, das populações, cada vez mais desinteressadas da coisa pública e da Política praticada. Nada mais mortal do que identificar o exercício do poder político dos profissionais do dito com a Política praticada. É o que de mais intelectualmente desonesto, uma sociedade pode ter. Os profissionais do poder político são todos criminosos à solta. Bem vestidos, bem comidos, rodeados de funcionários que lhes cuidam da imagem, uns quantos slogans que cinicamente reproduzem vezes sem conta. É deles o topo da pirâmide, como outros tantos papas de Roma, em dimensão micro. Sem se aperceberem que o topo é o lugar dos estéreis, pior, chulos institucionais, que vivem do suor alheio. Da dureza da vida real das populações, nada sabem. Só de poder político. A sua arma mais assassina é a total falta de escrúpulos, de ética. Não olham a meios para obterem o poder político. Uma vez no poder, não olham a meios para se perpetuarem indefinidamente nele. Os mais perigosos dos seres humanos não são os que os tribunais condenam a anos e anos de cadeia. São os políticos porfissionais do topo, nos chamados órgãos do Estado. Pensam-se o rei-sol, com as populações do país ao redor deles. Fazem-se chamar ministros, deputados, chefes de estado. No acto de posse, juram cumprir as tarefas que lhes são confiadas, mas, depois, rodeiam-se de exércitos de funcionários que se ocupam das tarefas que lhes foram confiadas. Enquanto eles andam por aí, nas tvs, no país, no estrangeiro, a complicar a vida das populações condenadas a ter de pagar impostos para as suas mordomias. Apresentam-se rodeados de jornalistas sem um pingo de deontologia profissional, cães rafeiros que não lhes largam o pé, a ver qual deles lhes arranca um exclusivo em directo, manifestamente pré-combinado. Um bando de criminosos institucionais, é o que são. E ainda continuamos a votar neles? Porque não, antes, em nós, populações, sábia e maieuticamente, organizadas?

2 Março 2015 https://www.youtube.com/watch?v=im8dpX6nfCM

 

Crónica 150

BISPOS DIOCESANOS? PARA QUE OS QUEREMOS?!

 

O Bispo D. António Francisco dos Santos, ex-diocese de Aveiro, abruptamente abandonada por ele, quando lhe acenaram com a do Porto, completou esta semana um ano de mandato. Para nos dar a não-notícia, o semanário Voz Portucalense, que tem a Diocese do Porto como seu proprietário, ocupa quase toda a primeira página com a fotografia do seu patrão. Meio-corpo, batina preta ponteada de botões vermelhos, cruz peitoral de precioso metal, pendente do pescoço apertado pelo romano colarinho branco, as duas mãos à cintura, uma sobre a outra, a direita por cima, para se ver bem o anel no respectivo dedo. O texto, ao lado, recorda o dito e o feito pelo bispo neste seu primeiro ano. “As suas tarefas pastorais – reza um dos três curtos parágrafos – passam pelas mensagens que transmite nas numerosas celebrações a que tem presidido na catedral, nas comunidades e nas paróquias, onde sempre pronuncia homilias cuidadosamente preparadas e muitas vezes escritas”. Conclui-se, assim, que o bispo do Porto e, com ele, todos os outros bispos diocesanos andam aos papéis, sem saber o que fazer. São os mais estéreis dos seres humanos. As dioceses, a que presidem, estão mergulhadas numa apagada e vil tristeza. Um pântano eclesiástico. Nem Lisboa se aproveita. D. Manuel Clemente, ex-diocese do Porto, limita-se a puxar pelos galões de cardeal, o barrete e o anel. Pouco mais. São a prova provada de que o cristianismo católico romano, despojado dos terrores/anátemas do passado, é cada vez mais residual. Felizmente. Dele, tem de se dizer o que Jesus Nazaré diz de Judas/Judaísmo davídico, Melhor fora não ter nascido! Nasceu para negar Jesus Nazaré e o seu Evangelho/Projecto político maiêutico. Dá-nos, em seu lugar, o mítico Cristo/Jesuscristo davídico e o evangelho/projecto de poder monárquico absoluto de S. Paulo, o pai do poder financeiro global, cujo rosto histórico mais visível é o bispo de Roma. Hoje, o papa-show Francisco que anula por completo todos os demais bispos. Daí, a pertinente pergunta: Bispos diocesenos? Para que os queremos?!

28 Fevº 2015 https://www.youtube.com/watch?v=drkbVpcj8LQ

 

Crónica 149

“MORRERAM COMO HERÓIS”, SENHORA PRESIDENTE?!

 

O acidente ferroviário que provocou a morte de dois jovens polícias, em Sacavém, é brutal. Revela grave impreparação dos dois profissionais. Imperdoável imaturidade. Excesso de zelo/vontade de mostrar serviço à chefia. O país, já tão crucificado por este Governo CDS-PSD, não pode ficar de braços cruzados. Calado. Apático. Estas duas mortes são dois crimes. De lesa-país. Todos fomos de certo modo mortos neste estúpido acidente. Para cúmulo, vem, depois, a correr a sra. Presidente da AR, Assunção Esteves, tentar limpar o crime, numa mensagem de condolências, quando escreve, “Morreram como heróis por todos nós! Deixam-nos uma memória de abnegação, um exemplo de entrega sem limite. São eles e outros como eles que nos dão a garantia do Estado de direito, da força das leis e da justiça.” Não, senhora presidente! Não meta os pés pelas mãos. Não branqueie este duplo assassinato, no mínimo, por omissão. Duas vidas jovens são duas vidas jovens. É grande a nossa tristeza. Muito maior a nossa indignação/cólera/protesto. Não é permitido ao Estado atirar dois jovens polícias para a morte. Chamar-lhes, depois, “heróis”, é o cúmulo da obscenidade. Um insulto. Não há heróis, senhora presidente. Há seres humanos em sociedade. Com deveres a cumprir. Com direitos a usufruir. Não fale em Estado de direito, leis, justiça. Fale em dois jovens polícias mortos. Por incúria do Estado patrão. A sociedade só carece de polícias, porque o poder político a faz estruturalmente corrupta. A segurança das populações são elas que a fazem, quando as deixam ser humanas consigo próprias, vasos comunicantes umas com as outras. O acesso ao trajecto do caminho-de-ferro é proibido a peões, polícias incluídos. Choro a morte estúpida, escusada, de Ricardo Santos, 23 anos, de João Rainho, 26 anos. Aos familiares e aos colegas de serviço, dou-lhes o meu ombro, o meu colo, que é um modo-outro de lhes dizer e ao país, toda a minha indignação/cólera contra o Estado que faz de dois polícias mortos, “heróis” à força de tanta incúria/impreparação para as missões que lhes confia. Parte-se-me a alma! Por isso, grito! Gritemos todos!

27 Fevº 2015 https://www.youtube.com/watch?v=q5JzRCaJ5kw

 

Crónica 148

É DE CAIXÃO À COVA, A ENTREVISTA À PGR

 

As coisas na área da Justiça em Portugal vão de mal a pior. Sempre que alguém do topo, nesta área, abre a boca, sai asneira. Da grossa. O Estado é o antro institucional dos incompentes. Todos escolhidos a dedo. Segundo o grau de incompetência. O Poder dá-se bem com os incompetentes. Os sem-escrúpulos de nenhuma espécie. Os que se compram e se vendem, como outras tantas marcas do Mercado, por um chorudo prato de milhões. Acenam-lhes com milhões e os incompetentes, formados nas universidades, de preferência, privadas, a católica e as outras, das sociedades secretas, deixam logo as tocas onde são bem mais inofensivos, e correm a assumir as novas funções. A escolha é confirmada pelo PR, outro que tal, arrivista e incompetente q.b. O chefe-mor dos incompetentes, tudo de espinheiro, nada de árvore de fruto. A tomada de posse é solene. Mediatizada. Com os graúdos figurões do Estado presentes, a testemunhar/acolher o novo incompetente do bando. A cumplicidade recíproca é manifesta. O desprezo recíproco também. O juramento lido/assinado é de sangue. Próprio das máfias. Depois, o palácio e os requintados gabinetes onde, a partir desse dia, passam a maior parte do seu tempo, longe das suas vítimas, mais as mordomias de toda a espécie que recebem, em funções e, sobretudo, depois delas cessarem, fazem o resto. Somos um país pequeno em chão. Enorme, em corrupção. Quanto mais do topo do Estado, mais corruptos. Só assim, o Estado é o que é – publicano, cobrador de impostos, ladrão, fabricador de desempregados, empobrecidos, bancos alimentares contra a fome, IPSSs, Centros Sociais Paroquiais, cantinas, sopas aos roubados da sua dignidade. Cobrem-se/encobrem-se uns aos outros. Une-os o ódio político contra as populações, ou o Estado não fosse o pai do ódio. É. A extensa entrevista à Procuradora Geral da República (RR/Público) é de caixão à cova. Ai de quem cair nas mãos da Justiça. E se calha de já ter sido do bando dos incompetentes institucionais do Estado, pior. Fazem dele o bode expiatório que terá de pagar por todos os crimes/criminosos do Estado.

26 Fevº 2015 https://www.youtube.com/watch?v=YdofG90LmDU

 

Crónica 147

SANDRA: QUEM RESPONDE PELA SUA MORTE?!

 

O estágio em Ourense está a um mês do final. Para o frequentar, no âmbito do programa Erasmus, Sandra, licenciada em serviço social, deixa a casa dos pais, os afectos de colegas com os quais cresce em Castelo Branco. Apresentado como uma valia mais para estudantes, o Erasmus não terá resultado no ser-viver de Sandra. De pouco ou nada adianta o recurso a novos meios de formação escolar, quando o essencial, no ser-viver dos jovens, é deixado para lá. Não é o muito viajar, nem a mistura de múltiplas línguas que fazem os jovens crescer de dentro para fora. Essencial, quando falamos na formação de crianças-jovens, é a sabedoria. São os afectos. Os familiares, primeiro. Os recíprocos, entre quantas, quantos se vêem, depois, no mesmo barco. A rivalidade, a competitividade, o carreirismo, o êxito individual, à custa do deixar-para-trás as companheiras, os companheiros de viagem, são sempre fatais. Para quem se isola e vai por-aí-fora, como uma ilha, até cair na rede de uma multinacional qualquer, que faz dele gato-sapato. Para todos os mais que, libertos desse tipo de ambições, projectam para si um dia-a-dia de qualidade, ao serviço da comunidade global de que são membros, grávidos de generosidade, entrega pessoal para o desenvolvimento integral de todos. Sandra é uma destas jovens. Só que recém-formada num país, governado pela tirania do maquiavelismo político da maioria CDS-PSD; integrado numa UE à deriva, que insiste em navegar à vista, sem referências culturais, valores éticos, só financeiros. Segundo a suicidária lógica do salve-se quem puder. Por isso, sem saída profissional no horizonte. Longe dos seus. Sem afectos. Sem confidentes. Com o desânimo por pão de cada dia. E o rio Minho ali à mão. Mai-la correspondente atração pela morte, encarada como o fim antecipado da viagem que mal se iniciara, a que se junta o inconsciente desejo de dar um soco no estômago em todas, todas nós que deixamos para lá. Quem responde, agora, pela sua morte? Somos um país/UE suicida, homicida, se geramos robots de carne e osso. Em vez de mulheres, homens sábios-com-afectos.

25 Fevº 2015 https://www.youtube.com/watch?v=JAc3qlgikGM

 

Crónica 146

VOCÊ DISSE, ESTADO DE DIREITO?

 

Só por ironia, ou por ignorância, se pode dizer que vivemos num Estado de direito. A afirmação é uma contradição nos termos. Estado, é poder, e tem a ver com a opressão/exploração das populações do país. Direito, é Política praticada, e tem a ver com as populações, a sua plena realização, bem-estar, felicidade. O Estado anula o país, as populações. É uma superestrutura de poder. E ainda há quem tenha o descaramento de dizer que o Estado, somos todas, todos nós. Não é verdade. Há as populações. O Estado é sempre um corpo estranho sobre as populações. Um grande patrão que as oprime, suga, engana, controla. Os impostos são a máxima expoliação/humilhação das populações. A palavra, Impostos já diz tudo! Não são contribuições livres. São coisa imposta. Arbitrariamente. Prepotentemente. O Estado tem interesses que não são os das populações que controla, domina, condiciona, limita. A pretexto de que as serve!!! É uma fábrica de produção de leis, de instituições que nos são de todo estranhas. Nascemos e crescemos sob o domínio do Estado. Segundo as suas leis, as suas instituições. O Estado não é uma organização nossa que cresce à medida que crescemos. É uma organização estranha, tipo camisa-de-forças. Molda-nos de fora para dentro. Uma sociedade humana saudável desenvolve-se de dentro para fora, em forma de vasos comunicantes, todos por um, um por todos. O país não pode, não deve, ser confundido com o Estado. O país são as pessoas organizadas cada vez mais ao modo dos vasos comunicantes. O Estado impede as populações de crescer de dentro para fora, ser autónomas, senhoras dos próprios destinos. Nunca nos quiseram livres. Nunca quiseram que nós quiséssemos ser livres. Sempre nos tentam convencer de que, entregues a nós próprios, nos comeremos uns aos outros. A verdade é que só a liberdade nos faz humanos, sororais, saudáveis, mulheres, homens de paz. A anarquia não existe. Só como conceito. Existe o poder que mata a liberdade. Você disse, Estado de direito? Diga antes, Liberdade vivida ao modo dos vasos comunicantes. Com muita inteligência e afectos mil.

24 Fevº 2015 https://www.youtube.com/watch?v=0BHYMSS_G0k

 

Crónica 145

O MUNDO VAI NU!

 

Foi preciso chegarmos ao cume da Primeira Grande Guerra Financeira Global, para cairmos na conta de que o mundo vai nu. Está edificado sobre a areia. A responsabilidade é nossa, seres humanos, povos das nações. Somos, até agora, os últimos a acontecer, no decurso da Evolução do universo, ainda em expansão, desde o big-bang, há uns 13 mil e 700 milhões de anos. Cabe-nos a missão, o cuidado uns pelos outros e pelo cosmos, graças à consciência individual e recíproca que nos habita-faz. Continuamos deslumbrados pelo poder, sem querermos reconhecer que o poder é a mentira, o latrocínio, o assassínio. A descriação-em-acção. No pico deste deslumbramento, que é também o pico da nossa demência, acabamos por fazer do poder o valor absoluto. Deus, no dizer teológico, que é o que melhor nos diz-revela, porque o mais profundo dos dizeres. Também o que menos cuidamos em desenvolver, tendencialmente preguiçosos que somos. Às águas profundas da realidade, o Humano que somos – microcosmos! – preferimos as alturas, os céus, o fora e o longe de nós. Todas as religiões/ateísmos/sistemas que criamos/instituímos são o culto do poder. Os nomes com que todas, todos dizem “Deus”, são distintos, de acordo com as tradições, os percursos históricos, a cultura de cada um dos povos. A realidade para que apontam é sempre a mesma, o poder. Sobre ele, edificamos as nações, na errada convicção de que o poder é o fundamento da realidade. Hoje, somos furiosamente poder, ao ponto de, quase por unanimidade, aceitarmos a tese de que fora do poder não há salvação. O judeo-cristianismo, de que os países do Ocidente, tanto se orgulham, é o cume desta falsa teologia que ensina que Deus é o poder, o poder é Deus. A Bíblia judeo-cristã é a biblioteca-base que desenvolve esta falsa teologia. Contra ela, ergue-se, sozinho, Jesus Nazaré, o filho de Maria, com o seu Evangelho/Projecto político maiêutico. O judeo-cristianismo prefere seguir-praticar-difundir, em seu lugar, o Evangelho de S. Paulo, que faz do poder – Cristo – o salvador. Mudamos de teologia, de Deus, ou perecemos!

23 Fevº 2015 https://www.youtube.com/watch?v=s51ts9qdL5E

 

Crónica 144

A MORTE ANUNCIADA DA UE

 

A chegada do governo grego do Syriza veio revelar, duma vez por todas, que a UE ia nua e já sem pernas para andar. A menos que ainda aceitasse converter-se de UE do euro/Dinheiro, em UE dos povos. Uma impossibilidade praticamente absoluta, uma vez que o euro/Dinheiro é, por natureza, um Deus devorador dos povos. E os povos são tendencialmente adoradores do Dinheiro. O princípio de acordo arrancado a ferros, ontem à noite, entre o governo grego do Syriza e todos os outros, mais ou menos, caixas-de-ressonância da toda-poderosa Alemanha de Merkel, não é mais do que um nado-morto. A prova inequívoca de que a UE vai nua, a caminho de se tornar um grande necrotério. Ninguém pode servir os povos das nações e o euro/Dinheiro. Ou serve os povos das nações, ou o Dinheiro. Obrigada a ter de escolher entre os povos e o Dinheiro, a UE acaba de escolher o Dinheiro. Reincide na escolha que fez, aquando da criação do euro, de ser definitivamente a Europa do euro/Dinheiro. Quando o imperioso e urgente, hoje, mais ainda do que ontem, é sermos a Europa dos povos. Com a chegada do governo grego do Syriza à UE, os povos europeus experimentaram, por breves semanas, um estremecimento de inusitada humanidade, liberdade, alegria que há séculos não conheciam. O estremecimento de algo novo, jesuânico, nos antípodas da apagada e vil tristeza que nos caracteriza, desde que o judeo-cristianismo nos foi imposto por Constantino e os sucessivos papas de Roma. Chamado a ter de esclher entre os povos e o Dinheiro, o judeo-cristianismo sempre escolheu, escolhe, o Dinheiro. É sobre ele que quer edificar a sociedade, o mundo. É o inimigo maior de Jesus Nazaré, o ser humano por antonomásia, e da sua Ruah/Sopro maiêutico. Lá, onde chega,sempre conquista, rouba, reduz tudo e todos a escravos, supliciados. De luxo, uma minoria (clérigos, governos, super-ricos). De lixo, todos os mais. Ao escolher o Euro/Dinheiro, em vez dos povos, a UE continua judeo-cristã. Com a Cruz numa mão. A Espada na outra mão. E a Bíblia no alforge, como ração de combate e manual de instruções.

21 Fevº 2015 https://www.youtube.com/watch?v=MJCsvUqrFJg

 

Crónica 143

ACABAR COM A POBREZA OU PROMOVER MEDALHADOS?

 

A Grande Reportagem da SIC fez ontem à noite um péssimo serviço à causa da erradicação da pobreza estrutural em Portugal, nomeadamente, nas cidades Porto, Lisboa. O pouco que mostrou do intolerável mundo da pobreza e dos pobres que nele caem, ou já nele nascem, crescem, apodrecem, morrem, acabou por contribuir para humilhar ainda mais as pessoas que, constrangidas, lá acabaram por fazer o favor ao repórter e aos técnicos sociais – o que seria destes e de tantas IPSSs, Misericórdias, Centros Paroquiais Sociais, sem a pobreza estrutural e, consequentemente, sem a existência de pobres em massa?! – que, por dever de ofício profissional, frequentam os seus tugúrios, travestidos de quartos alugados. A reportagem nunca chegou a ir às causas. Limitou-se a passear as câmaras por alguns dos muitos tugúrios, sem mexer uma palha para tirar da cruz as inúmeras pessoas, famílias inteiras, que nela vivem crucificadas. Por momentos, aquelas pessoas foram levadas a pensar que a reportagem contribuiria para as tiar da sua humilhação. Afinal, agravou-a ainda mais. Exibiu-a, não a erradicou. Quem acaba sempre por sair a ganhar com este tipo de intervenções, são os autores da reportagem e os técnicos sociais que a tornam possível. Há em todo este agir uma indignidade sem nome que arrepia e nos deixa sem palavras. A pobreza estrutural, senhoras, senhores, é um crime de lesa-humanidade. Não é uma fatalidade! Exige que quem se aproxima das suas vítimas, comece por se descalçar e pedir perdão. Não há maior crime, maior pecado no mundo, do que a pobreza estrutural. Ela é o resultado directo duma opção política dos governos das nações que deixam o económico-financeiro à solta. Ladrão e assassino como é, logo ele se apodera das almas das suas vítimas e mata-as. Depois, ainda corre a premiar com medalhas de ouro de direitos humanos algum dos técnicos sociais ou bispos “vermelhos” que se distinguem por seus estéreis discursos contra a pobreza, sem nunca chegarem a formular a grande e perturbadora Pergunta, Porque há pobreza estrutural e, consequentemente, pobres em massa?!

20 Fevº 2015 https://www.youtube.com/watch?v=0CMtMufIB24

 

Crónica 142

QUARESMA, DIZEM ELES!

 

Estão condenados a desaparecer. Depois de dois mil anos, os bispos das múltiplas dioceses do mundo católico romano ainda se não aperceberam de que são uma seita. Só de homens. Nem sequer merecem o pão-que-comem. É sempre de alguém, o pão que comem. Para cúmulo, fazem-se rodear de uma corte de eunucos ao seu serviço. Vestem diferente. Seguem um calendário, só deles, a que chamam “litúrgico”. Cíclico. Quando a História é linear. Como os rios. Dizem-se homens de um Deus que, como eles, não tem história. Criatividade, não é com eles. Os Rituais e os Missais são os livros que mais frequentam. Habitam escusos lugares, só deles, a que chamam altares, sacristias, templos, santuários, igrejas. Com tudo de necrotério. Às mulheres, aos homens, preferem as imagens dos altares. As almas dos mortos são a sua paixão e o seu negócio. O pós-morte é tudo para eles. Não amam ninguém, proibidos que estão de constituir família. Tudo é irreal no seu viver, como as exóticas vestes com que se apresentam diante das populações. Odeiam a vida, a alegria, a festa, o prazer, a felicidade. Quando a primavera começa a pre-anunciar-se por toda a parte, os bispos, juntamente com os párocos que têm como seus funcionários nas aldeias das respectivas dioceses, em lugar de se associarem à festa da Natureza e saírem a cantar e a dançar a vida, apresentam-se tristes nas suas liturgias e tentam convencer as populações, suas súbditas, de que entramos na quaresma, semanas e semanas de pesadelos, de cilícios, de auto-flagelações, jejuns, abstinências, sacrifícios. Acham-se santos, virtuosos, sacrificados pelo mundo. São esquizofrénicos que se não reconhecem. As populações ainda se não libertaram de vez desta espécie de espinheiros. Estão em vias disso. O que se saúda. Saibam que não há igrejas e humanidade. Há humanidade, em múltiplos povos. Libertemo-nos do Medo. Levantemos as nossas cabeças. Agarremos a História com todas as forças. É na História, não nos ritos/altares, que garantimos o pão nosso de cada dia. Quanto mais vasos comunicantes uns com os outros, melhor!

19 Fevº 2015 https://www.youtube.com/watch?v=qDtsZsE4MYs

 

Crónica 141

ACASO AINDA SÃO HOMENS?!

 

Mais 20 barretes cardinalícios e outros tantos anéis são hoje enfiados pelo papa Francisco, respectivamente, na cabeça e no dedo anelar de mais 20 clérigos católicos romanos de topo. Entre eles, lá está o papável patriarca de Lisboa, D. Manuel III. Começou bispo auxiliar do patriarcado, fez, depois, seis anos de bispo do Porto, sempre de olhos postos em Lisboa e, logo que começou a contagem decrescente para cardeal patriarca de Lisboa, deixou a igreja do Porto a chuchar no dedo, regressou às pressas à capital e hoje, em Roma, pode finalmente exclamar, perante a comitiva de 300 pessoas que estão presencialmente com ele, Enfim, cardeal! Olha-se para aqueles corpos envelhecidos, deformados, ridiculamente apalhaçados com todas aquelas vestes vermelhas, aqueles saiotes e capas de requintado mau gosto, e pergunta-se, Acaso ainda são homens?! Genitalmente, sim, de contrário, não eram clérigos, coisa exclusiva de machos, que não de seres humanos. Entre clérigos e seres humanos, o abismo é intransponível. Quem aceita ser clérigo tem de renunciar, na hora, a ser homem, ser humano. Quando se diz homem, ser humano, sempre se diz homem-e-mulher, indissolúvel unidade. Já quando se diz clérigo, diz-se um-só e macho, funcionário eclesiástico celibatário, espinheiro, obrigatoriamente separado dos demais, não aconteça o infeliz cair na tentação da fecundidade, ternura, feminilidade, comece a produzir frutos de vida, em lugar dos espinhos e abrolhos, exclusivos do Poder, e deite tudo a perder. Somos já terceiro milénio, coisas deste primitivismo rasca, de lesa-humanidade, já nem como brincadeiras de Carnaval deveriam promover-se. Prosseguem aí, graças ao cristianismo romano que obriga os seus “fiéis” (!) e afins a pararem no tempo. E lá estão os jornalistas-pés-de-microfone enviados especiais das tvs/rádios, com fastidiosos directos, entrevistas, citações do papa. Enquanto os povos estão aí cada vez mais enganados, roubados, adoecidos, flagelados, assassinados. Mas, atenção! Com todas as bênçãos, sermões, rezas papagueadas dos clérigos católicos romanos, pastores protestantes!

14 Fevº 2015

https://www.youtube.com/watch?v=OyBuAcIfhZw

 

Crónica 140

E TUDO O SEXO LEVOU!

 

As sombras andam por aí. Deveria andar a realidade. Gostamos mais das sombras. A realidade assusta-nos. Tem rostos de vítimas. Gritos. Dores. Anseios. Preferimos as sombras projectadas na tela duma sala às escuras. A luz revela-nos. Diz-nos. Fugimos dela. Fugimos de nós. Vivemos mascarados, ano após ano. Odiamos a luz. As obras que fazemos são más. Não podem ser vistas. Somos filhas, filhos de mulher. O que é bom. Apresentamo-nos como filhas, filhos do Poder. O que é mau. Gostamos de ser temidos, mais do que amados. Quem ama, sofre. É relação. Família à escala cósmica. Amar exige tudo de nós. Não é sucesso. É dádiva. Entrega recíproca. Vidas unidas pelo mesmo projecto criador. Um projecto que faz quem ama crescer de dentro para fora. Em humano. Nada mais belo do que amar. Nada mais tenebroso do que odiar. Quando trocamos a realidade pelas sombras, desistimos do Humano. Do ser. Ficamos abortos, a abortar o mundo. Em questões de Humano, permanecemos ainda na idade da pedra. O subdesenvolvimento é total. Somos o grande problema do universo. Possessos de pavor. Até de nós próprios. E uns dos outros. A agressividade só se desenvolve onde há pavor. Onde há amor, é a paz, o pão nosso de cada dia. As fábricas de armamento são a mais atroz confissão pública da nossa recusa de amar. Em questões de Humano, somos totalmente analfabetos. Ainda nem sequer percebemos que não temos sexo. Somos sexuados. Da ponta dos cabelos às unhas dos pés. O sexo independente do Humano mata o amor, a relação, a comunhão. Só corpos sexuados são humanos. O Mercado autonomizou o sexo e fez dele uma mercadoria. A mercadoria rainha! Odeia os corpos sexuados que não se compram nem se vendem. Os negócios do sexo rendem milhões. Mas matam que se fartam! Nada mais descriador do Humano do que o sexo mercadoria. Nada mais fecundo do que corpos sexuados. No Mercado, até a cama mata. Cria solidão. Bem se pode então dizer, E tudo o sexo levou. Corpos sexuados precisam-se. São eles que salvam o mundo.

13 Fevº 2015 https://www.youtube.com/watch?v=vJLYodHbmhw

 

Crónica 139

O DONO DISTO TUDO ESTÁ BEM E RECOMENDA-SE!

 

O BES/Dinheiro continua a ser o dono disto tudo. Está bem e recomenda-se. Apenas a máscara (= pessoa) Ricardo Salgado saiu de cena. O seu contributo foi decisivo para o BES/Dinheiro chegar a ser o dono disto tudo. Até a forma como saiu de cena, aparentemente, humilhante, foi a que o dono disto tudo achou mais apropriada. Todo aquele espectáculo/encenação, com manchetes nos sucessivos matutinos, a divulgação das gravações de reuniões, os comentários sem fim nas tvs, as sessões parlamentares de inquérito, ainda em curso, a ouvir dezenas e dezenas de personalidades, tudo foi pensado ao pormenor. Só o dono disto tudo tem semelhante tratamento. As populações do país ficam de boca aberta, chocadas, com a sensação de vingadas, apaziguadas! São a esmagadora maioria do país, mas não são o país, nem o país é delas. O país é todo do dono disto tudo As populações são meros figurantes, condenadas a contínuos quotidianos de carências, doenças provocadas, trabalho escravo por conta de outrém, salários de fome, desespero, suicídios silenciados, assassinatos em série que alimentam manchetes dos jornais, doentiamente comentados/dissecados depois nas manhãs e nas tardes das tvs, martírios nas repartições de finanças, onde têm de ir pagar os impostos, só pelo facto de terem nascido e insistirem em manter-se vivas, martírios nas urgências hospitalares, nas paróquias católicas ou protestantes, nos grandes santuários, onde periodicamente vão rastejar e auto-flagelar-se em público por pecados que não cometeram, dos quais têm de ser os bodes expiatórios. E tudo bem anestesiado com overdoses de diversões rascas, novelas, casas-dos-segredos, futebóis dos milhões nas tvs dos cafés ou nas bancadas dos grandes estádios, festas populares que culminam em medonhas borracheiras e ressacas estupidificantes. Para cúmulo, o dono disto tudo tem sempre ao seu incondicional serviço os “órgãos de soberania” – PR, Deputados, Governos, Juízes/Tribunais – como seus carrascos, alguns deles, eleitos pelas populações. Quando acordamos e pomos fim a este fado?!

12 Fevº 2015 https://www.youtube.com/watch?v=RsFcXAjb9ok

 

Crónica 138

O QUE FAZ CORRER O CONSÓRCIO DE JORNALISTAS?

 

É uma multinacional. Do Bem? Há multinacionais do Bem? Não são todas do Mal, mesmo que se disfarcem do Bem? Num tipo de mundo como o actual, dominado/dirigido cada vez menos pelos grupos financeiros, cada vez mais pelo poder financeiro sem rosto, pode haver lugar para o Bem? O que faz correr o Consórcio Internacional de Jornalistas, ao ponto de ser, ele próprio, a notícia? A busca do Bem? O que esconde, ao revelar tantos milhões até agora calados em grandes bancos e tantos nomes graúdos envolvidos numa mega-operação financeira, sem o mínimo controlo dos governos das nações? Porquê, nestes dias, com a UE à beira de implodir, caso exclua a Grécia da sua mesa; com a Ucrânia, mergulhada numa guerra-holocausto que reduz a menos do que vermes as sofridas populações de um e outro lado, sem que os governos das nações queiram saber, ocupados que andam com os chorudos negócios da produção-venda de armas? E com as grandes Máfias do mundo a lutar entre elas pela hegemonia, já que nada é mais insuportável para um padrinho do que a existência de outros padrinhos? Duma coisa temos de saber: o poder financeiro é intrinsecamente monárquico´e só sossega quando decapitar todos os rivais. Temos também de saber que os velhos donos do mundo têm de ser abatidos, para que finalmente haja um só rebanho e um só padrinho/Cristo, finalmente, laico, porventura, ateu. E porque será que nas listas do Consórcio de Jornalistas, nenhum dos nomes sonantes tem a ver com a Cúria romana, a maior máfia do mundo? É certo que os milhões denunciados, são enormes, mas a verdade é que não passam de míseros cêntimos, se comparados com os custos desta mega-operação jornalística. Quem sai então a ganhar com ela? Os povos das nações? Ela visa acabar com a corrupção, ou favorecer novas formas de corrupção muito mais sofisticadas? Só os povos das nações, religados ao modo dos vasos comunicantes, impossibilitam a corrupção e os corruptos! Quando então nos decidimos a ser povos assim, tão ao gosto de Jesus Nazaré e do seu Deus Abba-Mãe de todos os povos?!

11 Fevº 2015 https://www.youtube.com/watch?v=pIHJuDHFTxE

 

Crónica 137

O CRISTIANISMO É COISA DE HOMENS!

 

Em entrevista à SIC, D. Manuel Clemente deixa claro que o cristianismo é coisa de homens. Não de mulheres. A misoginia é da essência do cristianismo católico romano. Em vésperas de receber o barrete e o anel cardinalícios, já fala como o futuro papa, depois do actual sair de cena. A infalibilidade tece as respostas que dá ao jornalista tipo sacristão, sem audácia para ser voz do contraditório. Que um bispo é um bispo. E se carregado de títulos académicos, doutoramentos, Prémio Pessoa, Presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, patriarca, cardeal, candidato a papa de Roma, mais impossível o contraditório. O opinar de D. Manuel III tem tudo de infalível. Já é só para acatar. Não para contraditar. Ele não conversa. Não escuta. Faz pronunciamentos dogmáticos. Repete teses de 2000 anos, oriundas de S. Paulo. São aberrantes, inumanas? Que importa? Só a ortodoxia tem razão. Não a realidade humana, histórica. O cristianismo é pura doutrina, ortodoxia. Nega/recusa o Humano em acção. O Humano, se quiser ser salvo, tem de se fazer cristão. Que a salvação é um exclusivo do cristianismo. Nem Jesus, o filho de Maria, tem salvação, porque recusa ser cristão. Para o cristianismo, Jesus é o maldito. Em seu lugar, coloca, mantém o mito Cristo, ou Jesuscristo. Recusa Jesus, o Humano. Proclama Jesuscristo, o Divino. E a misericórdia?, lembra, a tremer, o jornalista sacristão. D. Manuel fulmina-o com o olhar e sentencia, A misericórdia é cristã, ou não será. Tudo o que não é cristão, não é católico romano. Não é canónico. As próprias mulheres salvam-se, se forem cristãs/masculinas. De contrário, ficam fora da salvação. Jesuscristo é masculino. Consequentemente, só o masculino é cristão. A entrevista é curta. São mais do que muitos, os disparates ditados por D. Manuel Clemente. Cabe às mulheres, aos homens tirar conclusões. Dentro do cristianismo, até o rito sacramental do matrimónio vale mais que a mulher, o homem. O Evangelho de Jesus, o filho de Maria, é comido pelo de S. Paulo. Ser mais cruel, é impossível!

10 Fevº 2015 https://www.youtube.com/watch?v=cD2FNI9Qugk

 

Crónica 136

E TUDO, SÓ PORQUE NÃO SOU FILHO DA PUTA!

 

Quando, ontem, já um pouco atrasado em relação à hora marcada, entro, finalmente, na sala grande da Casa da Beira Alta, no Porto, como autor convidado para a estreia do Programa PERCURSOS, iniciativa da Seda Publicações, em parceria com a Poeta Ana Albergaria e a própria Casa da Beira Alta, fico surpreendido com a presença de tantas pessoas, para mais numa gelada tarde soalheira de domingo de inverno. Oiço a Ana ler, logo a abrir a sessão, os traços mais marcantes do meu ser-viver de presbítero-jornalista menino, ordenado a 5 de Agosto de 1962, só possível, porque, desde 8 de Março 1937, sou filho de ti Maria do Grilo, jornaleira. Fico surpreendido com o que me é dado ouvir e pergunto-me, Como pode um simples ser humano como eu, estar, ao mesmo tempo, em tantos sítios/situações, suscitar tanta admiração/ódio, tantas expectativas/conflitos, tantos ostracismos/ desprezos, e continuar cada vez mais menino, clandestino, invisível? Muitas são as perguntas formuladas pelo Editor Jorge Castelo Branco, para que me desnude perante as pessoas presentes, a fim de que todas me possam conhecer, para lá dos livros já editados e do diz-se, diz-se. Só que as minhas respostas deixam-me ainda mais clandestino, invisível, mistério. Todo eu me experimento cada vez mais corpo animado, corpo vento/sopro. Quanto mais me dou a conhecer, mais se adensa o Mistério que sou. Como, de resto, é timbre dos seres humanos que não se vendem, não se mascaram, simplesmente crescem em maiêutica de dentro para fora. O encontro de mais de duas horas suscita liberdades, autonomias, interrogações, inquietações, deslumbramento, desassossego, ilumina as mentes/consciências. Vejo sol nos rostos das pessoas, sem darmos conta do passar do tempo. Até que de dentro de mim vem a palavra mais teologicamente humana do encontro, que tudo ilumina/esclarece: – Todo o ostracismo/incomodidade que o meu ser-viver de presbítero-jornalista suscita, é porque eu sou filho de Ti Maria do Grilo, jornaleira, não sou filho da Puta, filho do Poder!

9 Fevº 2015 https://www.youtube.com/watch?v=WzQaAsu_J6I

 

 

Crónica 135

PARA QUANDO O FIM DA TRAGÉDIA DO MECO?

 

Dos sete estudantes da Lusófona, apenas um sobreviveu às loucuras das praxes académicas. Uma estupidez com foros de inumanidade, acolhidas/ enquadradas por escolas que se dizem superiores e são a superior estupidez. A tragédia foi há mais de um ano. Continua aí na ordem do dia. O ministério público deste país-sem-governo, apressou-se a mandar arquivar o processo. Ou os seus juízes, super-juízes não se comportem como braços compridos institucionais das máfias do poder político, numa luta pelo controlo dos órgãos máximos do Estado, com as populações como capacho dos seus pés. Terá pensado que silenciava a tragédia. Pô-la aos gritos. Sucede que o sobrevivente da tragédia é o próprio “dux”/chefe das praxes que, naquele fim de dia, iriam até à Praia do Meco e incluiriam, entre outras coisas impróprias para universitários, simulacros de afogamento, coisas de terror, faz-de-conta. Os seis estudantes praxados, obedientes às ordens do chefe, quais infantes aterrorizados perante um domador de animais ferozes a actuar num circo, foram ao afogamento-faz-de-conta e não mais regressaram. O afogamento foi real. A arma que todos tinham como de pólvora seca apontada à sua cabeça, afinal, estava carregada com balas a sério. E por mais que se gritasse aos seis estudantes que regressassem à praia, para prosseguirem o programa daquela noite, nenhum regressou. O mandante sobrevivente é, desde então, o mais atormentado dos estudantes da Lusófona, logo seguido pelos responsáveis máximos da instituição que deu cobertura/apoio a toda esta superior loucura e tem lavado, obscenamente, as mãos, como Pilatos. Para quando o fim desta tragédia? Provavelmente, só quando a Lusófona a assumir por inteiro e com todas as consequências. E o “dux” sobrevivente que tudo organizou, conduziu, for capaz de voltar a sentar-se com os seis estudantes, desde então, definitivamente viventes, e receber deles, via mães, pais, o seu perdão, o seu colo. Enquanto fugir, como o Caim do conto bíblico, vive o pior dos tormentos!

7 Fevº 2015 https://www.youtube.com/watch?v=Bq6O_a4Eg-U

 

Crónica 134

O CALCANHAR UCRÂNIA

 

O casal político Merkel-François Hollande, ou Alemanha-França, parece estar a querer dar tudo por tudo para evitar o pior nas relações entre o Ocidente e a Rússia de Putin, cada vez mais degradadas pelo recém-criado calcanhar Ucrânia. Move-o, ao que oficialmente faz crer, a procura da paz. Armada, já se vê, a única que o casal conhece, tal como o actual tipo de mundo que o pariu, o dos grandes grupos financeiros, cosidos de Medo. O próprio casal político, auto-designado para se encontrar ao vivo com Putin, representa o que há hoje de mais poderoso, de mais militarmente armado na UE. E não viaja sozinho. Com ele, como sua sombra, viaja também a Nato-EUA, com todo o seu arsenal militar, dispostos, todos, a calcinar o chão russo e a matar as respectivas populações, caso não encontre, da parte de Putin, toda a cooperação que, em seu arrogante entender, um vassalo deve ao seu amo. O casal sabe que a Rússia de Putin está a passar um mau momento. O frio mata que se farta. O desemprego, a fome generalizada, a morte prematura marcam tragicamente o quotidiano das populações. Enquanto o próprio Putin não hesita em desfazer-se politicamente de todos os opositores internos e externos. Nunca chegaremos a saber o essencial deste inesperado/desesperado encontro Putin-Merkel-Hollande. Sabemos, sim, que na Rússia, manda Putin. Na Alemanha-França, como na própria UE, manda Merkel. Dos três, o campeão, em tirania, em frieza cerebral, em ausência de escrúpulos políticos, é o anfitrião Putin. Perder, não é com ele. Para cúmulo, o casal político que avança ao seu encontro, ao calcanhar Ucrânia que criou, vê-se, agora, ameaçado por um novo calcanhar, o da Grécia do Syriza, resultante de eleições, segundo as regras do sistema democrático. Também em política, o desespero é o pior dos conselheiros. A UE está a correr contra o tempo e sabe que o tempo lhe é desfavorável. Se entra de rompante em Moscovo, pode muito bem sair de joelhos. Putin, politicamente assassino, é bem capaz de fazer refém o casal visitante, caso se sinta politicamente encurralado. Vem aí o apocalipse?!

6 Fevº 2015 https://www.youtube.com/watch?v=nz6J32nBo-s

 

Crónica 133

AS PIORES CARICATURAS DE DEUS

 

Uma tertúlia-debate, como a de ontem à noite no CAR-Círculo de Arte e Recreio, de Guimarães, deveria acontecer em todas as cidades-aldeias do mundo. A temática, intencionalmente, provocadora, “Somos todos deuses”, deu o mote a uma noite que nos marcou saudavelmente. Também fui convidado e tive o privilégio de me ver precedido pelas intervenções de dois cartoonistas vimaranenses. Surpreendi tudo e todos, quando, logo a abrir, disparei, Todas as religiões do mundo, com destaque para as que se reclamam do Livro, são as mais feias, absurdas, inumanas cafricaturas de Deus. O disparo foi de lucidez, liberdade, paz desarmada, riso geral. São elas a causa-fonte de todos os fundamentalismos. Como presbítero jornalista, nunca, em momento algum, depois do massacre dos cartoonistas franceses, me reivindiquei de Charlie, de cristão, de religioso. Só de ser humano. A fé que me anima/faz ser-viver como menino adulto entre e com os demais, puxa reiteradamente por mim, para eu me fazer próximo das vítimas, crescer, de dentro para fora, em humano. A única maneira de ser liberdade, lucidez, sabedoria, dádiva. No final, deixei um desafio: Despertemos o riso, a gargalhada geral, inclusive, nos mais fanáticos. Todos os fundadores das religiões, dos ateísmos, dos partidos políticos, dos bancos, vão nus. Os fanatismos matam mais do que as bombas nucleares. Num tipo de mundo, como o nosso, formatado há milénios pela ideologia-teologia das religiões do Livro, só somos humanos, se acordamos o riso em nós e até nos mais fanáticos. Até agora, o que mais temos conseguido é acirrá-los ainda mais, fazer deles assassinos. Só o riso global derruba o poder financeiro, ao mostrar que, também ele, vai nu. O riso é o outro nome de Deus, o dos povos, nos antípodas de deus, o das religiões e dos banqueiros. Fora do riso, só há depressão, doença, inumanidade, algozes, vítimas. Erradiquemos das mentes-consciências dos povos o vírus ideológico-teológico das três religiões do Livro, e as próximas gerações são todas, paz desarmada, Liberdade praticada, viver histórico sororal-fraterno-vasos-comunicantes!

5 Fevº 2015 https://www.youtube.com/watch?v=6P_DR_DKxg0

 

Crónica 132

BOA VIDA A DE DEPUTADO DA NAÇÃO!

 

Cada partido da área do poder político tem as suas jornadas parlamentares. Nomeadamente, em anos de eleições. Um luxo de ricos de que os pobres, pior, empobrecidos, não se podem permitir. Muito menos, os muitos milhares de desempregados. Ser deputado da nação, nomeadamente, em países de pobreza estrutural, como o nosso, de desemprego generalizado, de trabalho precário, com salários em atraso, é um privilégio de poucos. As regalias são muitas. Desde logo, a comida de cada dia. A cantina que serve diariamente os deputados na AR é de cinco estrelas, em quantidade e qualidade. Os custos são os mesmos de um qualquer restaurante de refeições económicas, cá fora. O salário de deputado, de direita ou de esquerda, está muito acima do salário mínimo aprovado por eles para os operários. Em oposição ao poder poíítico, a Política praticada é sinónimo de generosidade, entrega pessoal, dedicação de qualidade a custo zero. O melhor de uma mulher, um homem, mostra-se na Política praticada. É genuíno amor ao próximo. A gratuidade em acção. Para que as populações cresçam de dentro para fora, até serem sujeitos das suas vidas, sem mais intermediários. Só o que não ama os demais, a partir dos filhos de ninguém, aceita ser poder político. Integrar uma lista de candidatos a deputado por um qualquer partido. Se estiver entre os elegíveis, vê logo abrir-se-lhe as portas do palácio do poder. Em Lisboa. Ou em Bruxelas. Anos que viva, nunca mais é pé descalço. Outrora, nas aldeias do interior, os pais pobres sonhavam com um filho sacerdote, clérigo. Era um viver estéril, até sem descendentes, mas de privilégio. O que hoje dá é ser deputado. Uma espécie de deus, muito acima das populações que os deputados, só por ironia, dizem representar, defender. Às populações cabe-lhes votar. Nunca ser. As Jornadas Parlamentares estão aí a gritá-lo. Uns dias bem passeados, bem alimentados. Para que quem trabalha, é desempregado, reformado, possa concluir, Boa vida, a de deputado da nação! Como a de clérigo católico, bispo, ou pároco!

4 Fevº 2015 https://www.youtube.com/watch?v=rqWDSpK7xP8

 

Crónica 131

ALEMANHA DE MERKEL, O PROBLEMA!

 

A Grécia do Syriza vem, de repente, revelar que o problema da UE é a Alemanha de Merkel. É como aquele homem rico da parábola de Jesus, o do Evangelho de Lucas (16, 19-31), 1.º volume, que “se veste de púrpura e linho fino e faz todos os dias esplêndidos banquetes.” Não houvesse mais ninguém sobre a terra e não viria daí grande mal ao mundo. Mas há. Sempre haverá. Nenhum ser humano, nenhum povo, é uma ilha. Somos, porque a relação ao modo dos vasos comunicantes, nos mantém no ser. Quanto mais relação ao modo dos vasos comunicantes, mais vida de qualidade e em abundância. De contrário, sucedem-se as violências, a invasão das ideologias, das religiões, dos conflitos armados, nucleares, as doenças de todo o tipo. A Terra, de potencial paraíso, torna-se no pior dos cancros, onde ninguém é reconhecido, acolhido, amado. Todos se odeiam, roubam, devoram. Diz a parábola – e a realidade do dia-a-dia europeu, mundial – que “um pobre, chamado Lázaro (mais de dois terços da humnidade) jaz ao seu portão, coberto de chagas. Bem deseja saciar-se com o que cai da mesa do rico; mas são os cães que vêm lamber-lhe as chagas.” E acrescenta: Um intransponível abismo separa os grandes interesses financeiros, representados pela Alemanha de Merkel, e os povos da UE, da Terra, e impossibilita a benéfica circulação das pessoas, dos povos, com tudo o que somos e temos para benefício uns dos outros. De modo que não há vida de qualidade e em abundância. A própria UE é, hoje, uma estúpida sigla, sem qualquer conteúdo político, humano. O exemplo acabado de um tipo de mundo onde nascer-crescer-viver é o maior dos suplícios de Tântalo. Vivemos rodeados de bens, potencialidades, meios de chegarmos uns aos outros, mas sempre à míngua de tudo. As leis do Mercado são impiedosamente ferozes, assassinas. Só que duma Guerra financeira como a que está em curso, também na UE, sob o comando da Alemanha de Merkel, não haverá sequer sobreviventes. É o extermínio que queremos?!

3 Fevº 2015 https://www.youtube.com/watch?v=a9-9YGc5IKo

 

Crónica 130

DECAPITAÇÕES SOMAM E SEGUEM

 

As decapitações do EI somam e seguem. Os bombardeamentos aéreos do Ocidente, também. Sempre silenciados, estes. Muito faladas, publicitadas, sotaque europeu dos carrascos encapuzados, incluído, aquelas; realizadas segundo um ritual que remete para os sacrifícios dos antigos sacerdotes judeus, no templo de Jerusalém. Com uma diferença. No templo de Jerusalém, os sacrifícios eram ininterruptos e os sacerdotes imolavam animais sem defeito. O EI agradece a publicidade que os grandes media ocidentais fazem às suas decapitações. Cabe às populações descobrir o porquê da diferença de tratamento informativo, por parte dos grandess media. Os bombardeamentos ocidentais em massa são massacres à bruta. Sem ritual. Sem sacerdote. Destroem, matam indiscriminadamente. De forma quase automática. As vítimas, inúmeras, não têm nome. Nem sequer um número atribuído. Muito pior do que em Auschwitz. Não assim, as decapitações do EI. O carrasco actua como sacerdote, de túnica vestida. A vítima adquire a dimensão de herói familiar, nacional. Há um toque de macabra “distinção”, no ritual do EI. Os jovens são escolhidos, um a um, para cada decapitação, previamente anunciada ao mundo. Sem causas/projectos que os mereçam, nos seus países do Ocidente, sentem-se atraídos para o EI. Nem que seja pela oportunidade de protagonizarem um momento destes. Como carrascos-sacerdote. Ou como vítimas. A força das imagens nas tvs, redes sociais, é avassaladora. Os grandes media sabem bem o que fazem. Para eles e seus donos/patrões, as vidas humanas são menos do que mercadorias. Incapazes de gerarem um tipo de mundo onde valha a pena nascer-crescer-intervir, os media e seus donos empurram as gerações mais jovens para o suicídio, sob a subliminar forma de sacrifício. O EI é uma criação deles e suas igrejas. Tirem-lhes as missas/cultos incruentos, os dízimos, e deles, delas, nada mais resta! Outra, muito outra, é a via política Jesus Séc. XXI. “Misericórdia/Política praticada, quero, não sacriícios/pobres-pobreza estrutural em massa” Acordemos! Mudemos!

2 Fevº 2015 https://www.youtube.com/watch?v=pygKyq9P0Sg

 

Crónica 129

É A POLÍTICA, ESTÚPIDOS!

 

Ainda só passou uma semana sobre o governo do Syriza, e a UE já não sabe o que fazer com a Grécia. Problema da UE, não da Grécia. O Governo Syriza resulta de eleições exemplares, cujos resultados ninguém pôs em dúvida. Tudo em conformidade com o manual de instruções da democracia, de que a UE tanto se orgulha. Só que, nestas coisas de “democracia”, a Grécia dá cartas. O próprio conceito “democracia” resulta da união de duas palavras gregas. Ora, quem diz democracia, diz Política praticada. Não diz poder, muito menos, grandes interesses financeiros. A primeira semana de governo do Syriza, atrevida, descontraída, com muito de menino, resume-se a um grito que vem lá muito de trás, no tempo, quando o filósofo Sócrates sobressaltava a aristocracia e parecia subverter a juventude com a sua pedagogia maiêutica. Impossível, não nos lembrarmos dele, quando vemos o governo do Syriza em acção. De repente, dá sucessivos murros na cabeça dos governos dos países da zona euro, muito “cumpridores” com os grandes financeiros, ao fazer seu aquele grito de Jesus Séc. XXI, É a Política, estúpidos! É a Política! Atolados até ao pescoço nos espúrios compromissos com os grandes interesses financeiros europeus, globais, nem vêem que assassinaram a Política, por isso, as populações. O comportamento do governo PP-PC, seus deputados no país e na UE, faz lembrar o comportamento do famigerado irmão mais velho da conhecida parábola do “filho pródigo”. Como aquele, cumpriu tanto com o exigido pela troika, sem nunca querer saber das populações do país, que, agora, recusa entrar na festa da Grécia e cooperar na mudança radical que ela está a exigir à UE. Nem sequer vê que a Política praticada tem de estar sempre à frente dos grandes interesses financeiros. E que, em caso de conflito, são estes que têm de ser sacrificados, não as populações, os povos. Ou a UE entende-pratica este evangelho, ou desaparece, como um todo. Não apenas a Grécia. Maior estupidez política, maior crueldade política, é impossível! Mas é assim a dupla PP-PC e o seu governo troikista!

31 Janº 2015 https://www.youtube.com/watch?v=XMBCuv9dHIQ

 

Crónica 128

GRÉCIA: E A BÍBLIA FOI DISPENSADA

 

Ao dispensar a Bíblia, no acto de tomar posse como primeiro-ministro da Grécia, Alexis Tsipras deu um sinal à Europa de raízes cristãs de que já não navega nas suas mortíferas águas/regras. Graças às quais, as populações têm vivido convencidas de que nascem para obedecer aos “legítimos superiores”. Bíblia e Liberdade são realidades paralelas. Nunca se encontram. Antes de Maquiavel, é a Bíblia. É na Bíblia que Maquiavel encontra o seu “Príncipe”. Está tudo lá. A casa-dinastia de David/Salomão nunca o teria sido, sem a Bíblia que já tinha na cabeça e depois fez os escribas, sacerdotes fixar em texto. Sagrado! Ao fazer-se “ungir” (= cristo/messias) por Samuel, contou logo com a obediência das demais tribos. O maquiavélico cristianismo já estava lá, em semente. Envenenada. Letal. Ungir é discriminar. Crime de lesa-humanidade, lesa-igualdade, lesa-fraternidade. Constitui um, chefe-poder. Os demais, súbditos dele. Terão sido as próprias populações a “exigir” um rei/ungido/poder, para as comandar, conduzir, governar. Três verbos, cujo sujeito é o poder. Num primeiro momento, pareceu produzir bons resultados. Foi eficaz. Não foi fecundo. À distância, e com métodos e meios cada vez mais sofisticados, veio a revelar-se catastrófico para a Humanidade, na sua multiplicidade de povos, culturas, falares. O único “ungido”-cristo/messias, hoje, é o Mercado. O poder financeiro. A Bíblia judeo-cristã é cada vez mais obsoleta. Não, assim, a ideologia castradora, letal, cospida por ela. Nunca o “ungido” o foi tanto como hoje. Tudo é dele, do Mercado, nada é nosso. Alexis Tsipras terá percebido isso, ao recusar a Bíblia na tomada de posse. Também Jesus, o filho de Maria, a recusa, à medida que, graças às suas práticas políticas-económicas maiêuticas, se constitui a-via-que-conduz-à-vida. Crucificam-no, para se cumprir a Bíblia, o manual de instruções do poder. Resta-nos prosseguir Jesus Séc. XXI. Afinal, a força capaz de transformar de dentro para fora a Grécia, a Europa, o Mundo, vive, toda, no mais íntimo de nós, os povos. Só precisa ser desperta-ajudada a vir à luz e crescer teimosamente de dentro para fora, sem nunca mais parar. Intelectuais orgânicos, precisam-se!

30 Janº 2015 https://www.youtube.com/watch?v=lH6xJbZoy2I

 

Crónica 127

AVALIAÇÃO OU HUMILHAÇÃO PÚBLICA DOS PROFS?

 

Já não bastava o ódio que os sucessivos governos ao serviço dos grandes interesses financeiros nutrem contra a Cultura e a Política praticada pelas próprias populações, sem recurso a quaisquer intermediários, sempre os seus piores algozes. Acabam de inventar um processo ainda mais estúpido, macabro. Contratam profs recém-formados em universidades por eles aprovadas, submetem-nos a provas obrigatórias de avaliação de conhecimentos que mais parecem de adivinhação ou jogos de azar, tamanho, o sem-sentido/ trivialidade dos conteúdos. Promovem, depois, um enorme escarcéu em entediantes serviços de notícias de tv e rádio, sempre as mesmas. Concluídas as provas, divulgam aos quatro-ventos os resultados, inevitavelmente, desastrosos, como desastroso é todo este processo. Provas de avaliação, ou propositada humilhação pública dos Profs das escolas do Estado? Está tudo mal, neste modo de agir dos governos ao serviço dos grandes interesses financeiros. Desde logo, a própria existência de governos deste tipo. Quanto mais agradam aos grandes interesses financeiros, mais degradam o país, as populações, a sociedade, as instituições, as universidades, as escolas, os profs, os alunos, o pessoal auxiliar. São governos causa de tropeço, escândalo, que têm de ser banidos da face da terra, para que as populações possam respirar, sejam sujeitos criativos, protagonistas. Um país que maltrata as crianças, adolescentes, jovens; promove o crime, a hipocrisia, o parecer em vez do ser; desperta em cada geração que chega ao mundo o amor ao dinheiro, a competição em lugar da cooperação, o sucesso individual em lugar do crescimento de dentro para fora de todos, numa grande entre-ajuda tecida de generosidade, reciprocidade maiêutica, ao modo dos vasos comunicantes, e alegria a rodos, é um país sem presente e sem dia seguinte. Não há países suicidas. Há governos homicidas, assassinos das populações. Quantos existem para servir os grandes interesses financeiros. Começam por assassinar as crianças e só acabam nos avós. Correr com tais governos, como acaba de fazer a Grécia, é preciso, imperioso, urgente. Têm a palavra-acção política, as populações. Não apenas os Profs.

29 Janº 2015 https://www.youtube.com/watch?v=6RMCbocff7o

 

Crónica 126

AUSCHWITZ: POR QUANTO TEMPO MAIS?

 

O cristianismo dominante na Europa, desde Constantino (séc. IV), é o pai de Auschwitz. Hítler, com os seus sinistros anjos da morte, é cristão e chega ao poder na Alemanha, via eleições. Tem com ele, a hierarquia da igreja. É também da Alemanha que vem Lutero, tido como o grande reformador do cristianismo romano. Não vende indulgências. Faz pior. Promove a bênção de Deus, o enriquecimento de alguns, poucos, enquanto sanciona como castigo de Deus a conseqquente pobreza de todos os demais. Quando foi preciso fazer parar o levantamento dos camponeses que reinvincavam justiça aos príncipes que se tinham como os donos da terra, o que lhes recomenda, pelo menos, admite, é o massacre dos camponeses. O Holocausto nazi não é um filme de terror de mau gosto. É a realidade histórica mais crua, cruel que o cristianismo produziu no coração da Europa. Desde há 70 anos, cada hoje europeu, ocidental, mundial, é sempre o dia seguinte ao inominável massacre dos judeus e outros “impuros”. Hitler, com os seus anjos da morte, sabe bem o que faz. Quantos, como ele, renunciam a ser humanos, para serem poder, sabem bem o que fazem. Com o apoio activo de cientistas e das massas. Arrancam das populações as suas mentes cordiais e transformam-nas em outras tantas granadas, prontas a rebentar, lá, onde proporcionarem maior número de vítimas. O cristianismo é intrinsecamente sacrificial. O seu Deus – hoje, o senhor Dinheiro – é de apetite devorador. Só se alimenta de vítimas. Ninguém está livre de lhe ser sacrificado. Há sempre um Heichmann disponível para, à hora marcada, levantar voo e despejar bombas a granel sobre cidades previamente assinaladas no mapa. O pior que aconteceu à Europa, nos últimos dois mil anos, foi o cristianismo, o inimigo da liberdade, da autonomia, dos povos. Enquanto ela se mantiver cristã (= financeira), é sempre Auschwitz. Porventura, incruento, mas Auschwitz. Os grandes financeiros e os governos por eles eleitos são os sucessivos anjos da morte! Temos de redescobrir-

acolher-praticar Jesus e o seu Projecto político maiêutico. Ou perecemos!

28 Janº 2015 https://www.youtube.com/watch?v=hdFRRQjUm6s

 

Crónica 125

ATENÇÃO, EUROPA! OS POVOS, PRIMEIRO!

 

Com Alexis Tsipras e o Syriza à frente do Governo da Grécia, nunca mais a Europa ((UE) pode continuar a ser o que foi nestes apocalípticos anos da sra. Merkel, assessorada pelos seus seus dois miúdos portugueses atentos e reverentes, respectivamente, DurãoBarroso, com dois mandatos à frente da Comissão Europeia, e PassosCoelho, com quase um mandato de 4 anos à frente do Governo português da Troika. Este último, sibilinamente apoiado por PauloPortas, do CDS, cujos rosto, olhar, modos amaneirados no agir, movimentar-se, falar, mentir, não enganam ninguém. À excepção dos que gostam deste tipo de comida política, com tudo de brilhantina na cabeça, indignidade a rodos, nos actos, bem como nos meios a que sistematicamente recorre para obter os seus perversos fins. Perante o novo rosto institucional da Grécia, com que a UE está, desde agora, confrontada, este trio luso-alemão foi o que pior reagiu à sua epifania. Em poucos instantes, deixou cair a máscara com que cada qual se apresenta ao próprio país, à Europa do euro, ao mundo do poder político e financeiro. Pior ainda do que a da sra Merkel, é a postura da mafiosa dupla portuguesa, PP-PC. Só mesmo de dois miúdos mimados, filhos de mamã e de papá, de repente, catapultados para cargos de grande responsabilidade governativa, para os quais não estão minimamente preparados. Restou-lhes, por isso, ser satélites do senhor Euro, o macho estéril, sem entranhas de humanidade, representado, nestes últimos anos, pela sra Merkel. E, agora, perante a nova Grécia que, uma e outra vez, vai dizer-lembrar ao cruel e sádico Euro, que os povos europeus estão primeiro e valem mais, infinitamente mais do que todas as regras europeias, concebidas-impostas pelos grandes interesses financeiros globais, tudo o que esta vaidosa dupla governativa portuguesa tem a dizer é que as regras europeias são para cumprir. Uma vergonha! Não lhes basta ser politicamente ignorantes. Ainda são ressabiados, cínicos, cruéis. Piores do que eles, são o Parlamento e o PR, se, depois desta vergonha, não lhes retiram, de imediato, o apoio institucional!

27 Janº 2015 https://www.youtube.com/watch?v=CNn7J_Futg8

 

Crónica 124

O QUE VEM AÍ COM O SYRIZA NO PODER?

 

Que peso político tem a quase maioria absoluta do Syriza, conseguida ontem na Grécia? Apagados os holofotes, os abraços, as felicitações da longa noite de vitória eleitoral, o que vai encontrar o seu jovem líder, a partir de hoje, o primeiro de muitos dias seguintes, qual deles o mais armadilhado pelo poder da Europa do euro? Abertura e boa vontade, por parte da maioria dos outros líderes europeus, rumo à almejada Europa dos povos? Hipócritas declarações de felicitação, acompanhadas de revelações que só quem franqueia a porta de acesso ao grande poder financeiro, chega a conhecer e que o obrigam a ter de deixar à porta as promessas feitas durante a campanha eleitoral? Dentro do reino do grande poder financeiro, há algum espaço para seres humanos, como o talentoso e generoso líder do Syriza? Podem os povos e o planeta esperar algo de bom, de saúde/salvação, da parte do grande poder financeiro? O que restará, a partir de hoje, das esperanças do povo grego que votou Syriza? Se nem a Grécia é toda Syriza, vai a Europa do euro valorizar os seus resultados eleitorais, mudar de rumo e apontar à Europa dos povos? O grande poder financeiro foi, alguma vez, sufragado nas urnas? Que peso têm para ele os votos políticos dos cidadãos? A inequívoca vontade política de mudança das populações da Grécia é suficiente para “comover” o grande poder financeiro europeu, mundial? Mas o grande poder financeiro é capaz de se comover como as mulheres, os homens, os povos? O que se passa na cabeça de um líder político, cuja prática política se resume a trabalhar, anos a fio, para chegar ao poder político, quando, finalmente, vê o seu esforço reconhecido pelas populações, e chega, efectivamente, a ser poder político? Mantém-se o mesmo de antes, ou passa, a partir daí, por uma profunda transformação na sua natureza, que o faz cada vez menos humano, menos relacional, menos próximo, cada vez mais poder político, mais solitário, mais distante? O que vem aí para a Europa com o Syriza no poder? Mais humanidade, ou mais poder?

26 Janº 2015 https://www.youtube.com/watch?v=k1ZnyNpbog8

 

Crónica 123

QUEM NOS DEFENDE DOS ESTADOS-LADRÕES? NINGUÉM!

 

Todos os estados são ladrões dos respectivos povos. Ou são cada vez mais peritos na perversa arte de roubar, e perpetuam-se, ou vêm a desaparecer. Cabe-nos, como povos, crescer o bastante de dentro para fora em liberdade, autonomia, reciprocidade, sororidade/fraternidade, vasos comunicantes uns com os outros, auto-organização política, e eles desaparecem. É mais do que manifesto que, como povos, continuamos longe, muito longe, de sermos povos assim. Desde o início da humanidade, o Medo tem-nos levado a buscar fora de nós, o que só dentro de nós se encontra em semente, à espera de ser desenvolvido de dentro para fora. O Medo criou, cria deuses fora de nós. Leva-nos a fugir de nós próprios. Uns dos outros. Durante milénios, o Medo vestiu religioso. Hoje, veste secular, laico. Religioso ou laico, é sempre Medo. Como tal, criador de deuses. Sagrados, nos milénios passados, seculares, laicos, nestes nossos dias. Imperioso, urgente, é libertarmo-nos do Medo. No passado, levou-nos a criar, alimentar os deuses. No presente, leva-nos a criar, alimentar os estados, dirigidos por pequenos-grandes deuses caseiros, aos quais obedecemos, tememos, perdoamos, desculpamos. Pensamos que sem eles, é o caos. Ignoramos que só o caos, não a ordem, é o útero da vida outra, a vida-com-sentido, geradora de liberdade, autonomia, reciprocidade, sororidade/ fraternidade, vasos comunicantes, auto-organização. A ordem é o útero do poder, das leis, da tirania, dos tiranos. Apresentam-se-nos como messias, salvadores, libertadores. São os tiranos institucionais, carrascos, ladrões, mentirosos, assassinos, que se seguem. Quem nos defende dos seus roubos, das suas prepotências? Ninguém! Dentro dos estados, nós, os povos, somos os escravos. O que eles fazem é legal, mas ilegítimo. Recusar, todos à uma, reconhecer legitimidade aos estados, obedecer às suas leis/decisões, pagar todos os impostos, é a via política que nos resta, como povos. Assumimo-la, em conjunto, sem violência, tipo greve, braços caídos, ou perecemos!

24 Janº 2015 https://www.youtube.com/watch?v=fAQNKeelAy8

 

Crónica 122

SIM, AOS MILHÕES-DE-EURO. NÃO, À ADOPÇÃO!

 

Está visto – BCE acaba de no-lo confirmar – que nesta Europa, milhões e milhões de euro e respectivos bancos, valem muito mais do que famílias com afectos. Sem as quais, as crianças órfãs morrem precocemente. Se conseguem sobreviver, correm sérios riscos de virem a tornar-se futuros delinquentes que vão, depois, lotar as cadeias do país. É o que produz, com seus regulamentos impostos de fora para dentro, seus assédios sexuais, suas promiscuidades, seus autoritarismos, a generalidade das casas de correcção, asilos, colégios de órfãos, outras instituições do género, quase todas dirigidas por freiras, clérigos, proibidos de constituir família, um viver sem afectos por amor do seu “Deus” que, pelos vistos, odeia os seres humanos, a começar pelas crianças. Nada substitui uma mãe, um pai biológicos, no acampanhamento/desenvolvimento de dentro para fora de uma criança órfã, a não ser outra mãe, outro pai, que genuinamente o queiram ser por opção afectiva. As crianças não são coisas, objectos, estatísticas, muito menos, euros. São a Humanidade no seu melhor, carregada de potencialidades que só os afectos são capazes de fazer crescer, de dentro para fora, até se tornarem outras tantas presenças criadoras, liberdade, autonomia, nas quais até Deus que nunca ninguém viu, se nos revela como dádiva, gratuidade, proximidade, relação, amor. Para nossa vergonha, a maioria política que, absurdamente, se mantém à frente do país, na presidência da República, no Parlamento, no Governo, acaba de recusar, pela quarta vez consecutiva, a adopção de crianças por casais/famílias que se candidatam a mães, pais afectivos, independentemente da sua orientação sexual. O moralismo cristão-católico desta maioria é uma crueldade inominável. Os seus deputados são tão cruéis, sádicos, que só podem ter o Dinheiro/Poder por pai, a Mentira por mãe. Venham, depois, dizer que o terrorismo é jhiadista. O destes cristãos não lhe fica nada atrás. Mas que querem? Veste de chefe de estado, deputado, governo, PauloPortas-PassosCoelho!

23 Janº 2015 https://www.youtube.com/watch?v=XdOXwJB72-U

 

Crónica 121

TAMBÉM NA IGREJA, NEM TUDO O QUE PARECE, É

 

Desiluda-se quem pensa que o papa Francisco veio para mudar estruturalmente a Cúria romana. Veio para a reforçar. Também na Igreja, nem tudo o que parece, é. Francisco é a actual máscara com que a Cúria romana se apresenta às populações, suas súbditas. Para que elas sejam confirmadas na sua humilhada condição de súbditas. Quando só a verdade nos faz livres A impotência das populações, perante a Cúria romana, é total. Já nascem súbditas, tal como os pais, avós, todos os demais antepassados. No caso português, bem se pode dizer que, desde o início da nacionalidade, as populações nunca conheceram outra condição, que não a de súbditas da Cúria romana. Nos séculos passados, nem davam por isso. Roma era lá longe, as populações nasciam, cresciam, moriam súbditas, sem chegarem a saber da existência da Cúria romana. Mas a Cúria sabia delas. Os seus tributos chegavam lá. Bastava às populações conhecer o pároco que as baptizava, doutrinava, casava, sepultava. E suas filhas, seus filhos. O paroquial era o único registo que havia. Para as populações, o papa era o pároco. Nunca foi escolhido. Sempre foi imposto. Ainda hoje, é assim. Sem que as populações protestem. Cumpre-lhes acatar as deciões do senhor. Sustentar/enriquecer quem lhes é imposto. Nestes tempos de mediatização, o papa de Roma está mais presente no ser-viver das populações, que o próprio pároco. Quem diz papa, diz Cúria romana. Poucas, ou nenhumas pessoas são católicas romanas por opção. Já nascem católicas. A opção que lhes resta é sair. Não se pense  que as igrejas cristãs protestantes são alternativas mais saudáveis. Não são. A matriz do cristianismo é intrinsecamente perversa. É o poder maonárquico absoluto. Francisco é hoje a máscara com que este se apresenta. Quanto mais cativante, mais confirma na condição de súbditas, as populações. Só a igreja dos dois ou três, reunidos clandestinamente em nome de Jesus, nos faz livres, autónomos, sujeitos, protagonistas. Avancem por esta via as, os audazes!

22 Janº 2015 https://www.youtube.com/watch?v=vwGhxEy84Uw

 

Crónica 120

COMO OS COELHOS!

 

Graças à procriação como coelhos, por parte dos casais católicos das Filipinas, o papa Francisco pode orgulhar-se (ou envergonhar-se?!) de ter tido a maior multidão de “fiéis” de sempre, na missa católica romana de encerramento de mais uma das suas viagens de turismo religioso, nas quais é sempre recebido, temido, idolatrado, aplaudido como o todo-poderoso chefe de Estado do Vaticano. Tanta gente e tão empobrecida/crucificada, tragicamente apanhada, logo à nascença, pelo vírus da fé cristã religiosa, inimiga dos seres humanos, dos povos, do seu crescimento/desenvolvimento de dentro para fora, em liberdade, autonomia, dignidade, protagonismo sócio-político, relação recíproca maiêutica – outra, muito outra, é a Fé de Jesus Século XXI que o cristianismo, igrejas e religiões liminarmente rejeitam e combatem – deve tê-lo perturbado tanto, que ele, atordoado, lá acabou por associar o facto aos coelhos e ao seu modo de procriar, em mais um dos inábeis improvisos com os jornalistas, que deixam a Cúria romana, os bispos do mundo católico, os párocos, à beira de sucessivos ataques de nervos. Procriar, sim, não como os coelhos. É tudo o que resta, agora, na opinião mundial, duma conversa de quase uma hora. Quando o papa, na peugada de Paulo VI, já beatificado por ele, defendeu, Procriar, sim. sem recurso à pílula e a outros métodos anticonceptivos não-naturais! Este complemento, os grandes media não divulgam. Para eles, este papa é a grande marca da multinaccional católica romana. Como CR7 é a grande marca do futebol dos milhões. Vende, atrai multidões, soma milhões de euro, que se farta. E também humilha/mata que se farta. Não veio, como Jesus, o filho de Maria, para que os povos tenham vida de qualidade e em abundância. Veio para que os povos continuem reféns do Medo, alienados, súbditos, objectos, consumidores de missas, de moralismos castradores. Ai dos casais do mundo que, em lugar de seguirem a própria consciência, seguem o que ditam os papas/cardeais/bispos/párocos celibatários. Serão escravos a procriar outros escravos para o Mercado. Como os coelhos!

21 Janº 2015 https://www.youtube.com/watch?v=6lz3X-oZlqo

 

Crónica 119

O SYRIZA DA GRÉCIA ASSUSTA A EUROPA DO EURO?

 

Os grandes media fartam-se de nos fazer passar a ideia de que o Syriza da Grécia assusta a Europa do euro. Fazem-no, porque são propriedade dos grandes grupos financeiros europeus, mundiais que dominam, exploram os povos da Terra, engordam à custa deles. Sempre escrevem/dizem o que mais convém aos respectivos donos. Quando noticiam factos, noticiam-nos de modo a favorecer os interesses dos seus donos/patrões. Nunca mostram/relatam os factos, a partir dos empobrecidos, um universo que eles não conhecem, nem podem conhecer. Teriam de ser-fazer-se pobres por opção e isso, nenhum dos grandes financeiros pode fazer. Seria abatido na hora, junto com sua família. E dele, dela não ficaria sequer memória. Jesus Século XXI não engana, É mais fácil um camelo passar pelo buraco da agulha do que um grande grupo financeiro tornar-se fragilidade humana com e entre os demais, ao modo dos vasos comunicantes. Francisco de Assis, no século XII, ainda deixou de ser filho do grande financeiro da região, mas, anos depois, quando quis dar corpo a um modo institucional de ser-viver alternativo ao dos grandes financeiros, teve de trair a própria consciência, para obter o indispensável reconhecimento do padrinho-mor dos grandes financeiros do mundo, o papa de Roma, então, Inocêncio III, de má memória para os povos empobrecidos, de boa memória para os grandes financeiros. Os países pobres da Europa, do mundo, sempre que se aliam aos grandes financeiros, passam de pobres a empobrecidos. Nos primeiros anos, após se terem aliado, chegam a usufruir de um viver mais desafogado. Com isso, cometem outro erro mortal: provam do fruto proibido. Nunca mais se vêem livres do vírus. Daí em diante, o que mais desejam para eles, suas filhas, seus filhos, é integrar, ou, pelo menos, servir os grandes financeiros. O Syriza pode, este próximo domingo, sair vencedor das eleições na Grécia. No dia seguinte, tem o Golias europeu, mundial à porta. A exigir-lhe a alma/identidade. Acham que Alex, o líder do Syriza e o Syriza, lhe resistem?!

20 Janº 2015 https://www.youtube.com/watch?v=trXxQdpVuRA

 

Crónica 118

O QUE FICOU DEPOIS DO TUFÃO PAPAL NAS FILIPINAS?

 

As imagens televisivas da viagem do Papa ao Sri Lanka e às Filipinas não enganam. Já os grandes títulos são muito mais enganadores. Só quando associamos as imagens aos títulos e estes àquelas, percebemos bem quanto este tufão papal do jesuíta Francisco, na peugada do de João Paulo II, é agressivamente cristão, por isso, anti-jesuânico. Humilha as populações, em lugar de as libertar do Medo. Consequentemente desestimula-as de crescer de dentro para fora, até serem sujeitos das próprias vidas. Dito assim, pode parecer pouco. Mas é tudo. As multidões empobrecidas, sem terem onde cair mortas, crucificadas por toda a vida, são levadas a acreditar em messias salvadores, milagres, e a pensar que a solução dos seus inúmeros problemas se encontra fora delas, quando é dentro delas que está. Aqueles mais de seis milhões de pessoas, quais formigas à intempérie, que ontem se juntaram em Manila, para a derradeira missa do papa, protagonizam um monstruoso acto de humilhação. Com ela, Francisco de Roma, o actual rosto do Cristo petrino-paulino-constantiniano todo-poderoso, pôde ter a seus pés, mais de seis milhões de escravos atentos e reverentes. O que move estes milhões de pessoas empobrecidas, crucificadas em vida? Porque insistem em procurar junto do todo-poderoso papa de Roma, o que só dentro delas se encontra? Ninguém lho diz-revela. Muito menos, o papa. O cristianismo nasceu para esconder esta realidade-verdade. O seu evangelho é mentiroso, pai de mentira. Todas as missas que encena – papais, episcopais, paroquiais – são pecado. E as homilias, moralismo rasca. Roubam a voz, a vez às pesssoas. Impossível ter voz e vez, nas missas. E, então, as das viagens papais são encenações de encher o olho, destinadas a anestesiar as mentes-consciências das multidões. Para que jamais cheguem a ser pessoas, sujeitos. Nasceram para escravos das minorias dos privilégios. As missas são a maior overdose religiosa que o Poder lhes serve. Aquele seu “corpo-de-cristo”, engana multidões, tira-lhes o pão, a dignidade, a voz, a vez, não é outra coisa! Chega a fazer doer a alma!

19 Janº 2015 https://www.youtube.com/watch?v=4Sq_Fn6628U

 

Crónica 117

QUEM ESTIVER SEM JHIADISMO, ATIRE A PRIMEIRA BALA

 

A última grande encenação do Ocidente, para se manter dono/senhor do mundo, é a mega-operação em curso, em (quase) todos os países de raízes cristãs, Portugal incluído, contra o jhiadismo islâmico e os jhiadistas. A obscena manifestação em Paris, com todos aqueles chefes de estado e de governo, logo a abrir, braços dados uns aos outros, com a sra Merkel e o sr. Hollande, uma-só-carne, foi a mais eloquente auto-caricatura satírica viva, que nem os cartoonistas satíricos do Charlie Etho, alguma vez, foram capazes de conceber/ reproduzir com a ponta dos seus lápis, de repente, muito mais importantes do que as própras mentes, os próprios cérebros. Porque a apregoada liberdade de expressão dos países do Ocidente, só vai até onde o seu único dono/senhor permite. Permite tudo, menos ser denunciado/acusado de mentiroso, ladrão, assassino dos povos da terra, a começar nas respectivas mentes-consciências. Enquanto nos mantivermos formatados para ver no outro, no desconhecido, no estrangeiro, um potencial inimigo, em vez de um irmão a acolher, a nossa apregoada liberdade de expressão é semelhante às balas disparadas pelas armas da Polícia francesa contra os supostos jhiadistas, autores do massacre dos doze. Só vê jhiadismo nos outros e ataca-o, com caricaturas/prosas satíricas, ou com balas. Não chega a ver o jhiadismo que está na sua própria mente-consciência e o estimula a caricaturar os que tem como inimigos do Ocidente, da Civilização ocidental cristã. Nunca vê que é tanto ou mais jhiadista quanto eles. Também aqui se aplica a Sabedoria de Jesus Séc. XXI, Quem estiver sem jhiadismo, atire a primeira bala. Antes do Islamismo com seu Alcorão, há o Cristianismo com sua Bíblia e o seu S. Paulo. Antes do Cristianismo, há o judaísmo davídico, com a sua Bíblia hebraica. E, muito antes, há o Religioso que valoriza o Divino em detrimento do Humano. Denominador comum a todos: – a ideologia-teologia deísta que mata/sacrifica os seres humanos para glória de Deus. Por isso, enquanto não mudarmos de ser, de Deus, somos todos jhiadistas, ao serviço de Deus, hoje, o Dinheiro!

17 Janº 2015 https://www.youtube.com/watch?v=artw2zwwGfA

 

Crónica 116

MATAI, ANTES QUE VOS MATEM!

 

A Bélgica, possessa do jhiadismo cristão, como, de resto, todo o Ocidente, acaba de abrir a porta ao incontrolável terrorismo de Estado em grande escala. Bastou-lhe saber que os seus serviços secretos acreditam – o verbo é exactamente este, a confirmar que a fé do poder político é tanto ou mais assassina quanto a do poder religioso – que há jhiadistas islâmicos no país, prontos a desencadear uma sucessão de ataques terroristas, para, sobre a hora, desencadear uma operação policial violenta em grande escala que culminou, não na prisão e julgamento dos suspeitos, mas no seu massacre imediato. É o regresso ao velho mandamento de todos os imperialismos/ fascismos, Matai, antes que vos matem! Sermpre tem agido assim o jhiadismo judeo-cristão, quando em posição de poder. Inventa mil e um pretextos para intervir com todo o seu arsenal policial-militar. Os jhiadistas islâmicos aprenderam dos judeo-cristãos, que a única paz nas nações é a paz armada. Podem os chefes das religiões do Livro, papa de Roma à cabeça, apelar à paz e promover jornadas de oração pela paz. A única paz que conhecem é a paz armada. Por isso, são os detentores do mais sofisticado arsenal militar policial. Uma semana depois do programado massacre de Paris, que já rende milhões, de euro, aos cartoonistas sobreviventes, a Bélgica decidiu antecipar-se e massacrar ela, primeiro. Em vez de encher as principais cidades do país com polícias e militares armados até aos dentes, fá-los correr aos locais onde acredita estar jhiadistas islãmicos escondidos, a preparar massacres como o de Paris, e massacra-os, primeiro. Ontem, foram dois. Não se sabe quantos serão hoje e nos próximos dias. Que o jhiadismo judeo-cristão nunca teve escrúpulos. É tão anti-Jesus Nazaré, quanto anti-seres humanos e povos. Em lugar do jesuânico mandamento, Amai-vos uns aos outros como eu vos amei, pratica o mandamento do jhiadismo judeo-cristão, Matai-vos uns aos outros como, já em Abril do ano 30, matou Jesus. E, 40 anos depois, arrasou Jerusalém, sem deixar pedra sobre pedra. Nem sobreviventes!

16 Janº 2015 https://www.youtube.com/watch?v=yRB4CB0PDtA

 

Crónica 115

CAXINAS, A DESDITA DE SER PESCADOR

 

O pároco de Caxinas já contabiliza mais de cem funerais de pescadores. Em tempo de campeões disto, daquilo, recordes batidos nas mais diversas áreas, até, parece reivindicar para ele o recorde de funerais de pescadores mortos no mar, carregado de lágrimas de Portugal. Sobretudo, das populações piscatórias, condenadas ao luto, do nascer ao morrer. Por sua vez, as tvs do país, peritas em terrorismo informativo, não perdem pitada e multiplicam os directos, sem um pingo de recato, respeito por quem tanto sofre, se aflige. Enviam jornalistas pés-de-microfone que invadem as casas, exibem em primeira mão, choradas declarações de mulheres, de repente, viúvas, adolescentes, de repente, órfãos de pai. Fazem-no com o insaciável apetite de transformar sucessivas tragédias noutros tantos shows mediáticos. Perante as câmaras tv, toda a gente se chega à frente, para ter os seus momentos de fama, nem que seja à custa da tragédia. Querem, assim, contribuir para que Caxinas venha a figurar, em breve, no livro dos recordes do mundo, como a terra com mais pescadores mortos no mar que beija a nossa costa. Só porque é português, o mar tem passado de berço da vida, fonte de alimentos, a assassino dos pescadores, seus impreparados artesãos/operários, a laborar em precárias condições. Ao contrário de Paris, Caxinas nem sequer precisa de ataques terroristas, para ter os seus massacres. Só na madrugada de ontem, foram mais cinco pescadores mortos. Por cá, os jhiadistas e os cartoonistas satíricos estão no Governo, Parlamento, presidência da República, redacções dos media, igrejas-santuários, universidades. O número de pescadores mortos aumenta assustadoramente, no mar do país, mas até o pároco de Caxinas limita-se a presidir rotineiramente aos respectivos funerais, vender missas pelas suas “almas”! Como se todas esta mortes fossem naturais, inevitáveis. Nem ele foi ainda capaz de ver que se está perante um crime contumaz, cometido por jhiadistas crisrtãos institucionais a tempo integral. Sem que nenhum super-juiz os prenda em flagrante delito! Quando, afinal, o crime por omissão política é o que mais mata no mundo!

15 Janº 2015 https://www.youtube.com/watch?v=xvfF6rEPiqc

 

Crónica 114

SÓ, SÓ HUMANOS, É QUE NÃO!

 

Mais um pouco, e somos todos Islão. Até o papa de Roma. Só, só humanos, é que não! O massacre de Paris, bem preparado, ao que circula em surdina, pelos tenebrosos conselheiros ocidentais do costume, mascarados de anjos/cérebros de luz, está a ser aproveitado ao milímetro pelo Terror(ismo) institucional do Ocidente, para fazer do cristianismo financeiro a única ideologia/teologia dos povos. O papa Francisco não esteve em Paris, mas está, estes dias, no Sri Lanka e outros países, onde os cristãos católicos são insignificante minoria, o bastante para ele conseguir impor a sua visita “pastoral”. Que a Cúria de Roma não dá ponto sem nó. Nenhuma Máfia dá, muito menos a Cúria romana. Ora, o Papa é uma espécie de rosto-outro, do semanário Charlie Hebdo que, uma semana depois do massacre, consegue regressar pontualmente às bancas, com uma tiragem, antes, impensável, de três milhões de exemplares, numa operação de markting nunca vista, disfarçado de Maomé, com uma lágrima no canto do olho e a dizer, “Je suis Charlie”, ao mesmo tempo que anuncia, “Está tudo perdoado”. Pensam que são os cartoonistas do semanário satítrico que dizem/escrevem? Não sejam ingénuos! No tenebroso reino do Poder, nada do que parece, é. Quem for-viver mais avisado, atento, sempre vê-diz, A verdade é o contrário do que os do poder e seus media dizem, escrevem, encenam. No caso do semanário satírico, os cartoonistas limitam-se a caricaturar/escrever o que o seu dono/patrão lhes sopra. Através da ideologia/teologia do cristianismo financeiro, gravada, desde o ventre materno, nas mentes-consciências de todos eles, ateus que se digam. Tanto veste de cristão católico, cristão protestante, judaísmo/sionismo, islamismo, como de um outro “ismo” qualquer. A única diferença é a máscara cultural com que se apresenta. Só que não são as máscaras que guiam a mente-consciência dos povos. É a ideologia-teologia. Cada vez mais do cristianismo financeiro!

14 Janº 2015 https://www.youtube.com/watch?v=xjRLLp6aBcU

 

Crónica 113

E TUDO A BOLA DE OURO LEVOU/LAVOU!

 

A marca CR7 acaba de arrecadar a sua terceira bola de ouro da Fifa, a multinacional do futebol dos milhões. A respectiva gala estava agendada para ontem e nem o massacre de Paris, na semana anterior, nem a grande manifestação de Medo do Ocidente, realizada na véspera, conseguiram adiá-la. O calendário da Fifa sobrepôs-se à inesperada realidade não calendarizada e, de um dia para o outro, tudo levou/lavou dos grandes media. Nomeadamrente, as incontáveis vítimas do Terror(ismo) que o Poder produz em série em todas as nações do mundo. Das quais, as do massacre de Paris são uma pequeníssima mostra, demencialmente, mediatizado nos países do Ocidente, só porque foi programado para ocorrer no coração da Europa, não no Iraque, Afeganistão, Síria, Líbia, ou Faixa de Gaza. Tenho tudo contra a marca CR7. Mas uma enorme, profunda pena de Cristiano Ronaldo, filho de mulher da pequena Região Autónoma da Madeira, onde o luxo de alguns se passeia, despudorada e ostensivamente, por entre o lixo da maioria. O que perfaz uma crueldade institucional, gerada pelo mesmo Poder que tem feito deste ser humano, um dos maiores reféns do seu maldito futebol dos milhões. Aos 29 anos de idade, é hoje um mediatizado escravo de luxo que se não reconhece, de tão interiormente comido/devorado pelos milhões que ganha/acumula, e pelos grandes media, por isso, a milhas de distância dos seus concidadãos madeirenses, condenados a viver em condições de insegurança habitacional, que nem ele, nem eles querem ver. A Fifa do futebol dos milhões conseguiu reduzi-lo a uma marca, mais, do Mercado, com todos os tiques que a Publicidade permanentemente lhe exige, numa feroz e contínua competição de fazer doer a alma e chorar as pedras da calçada. Só no mundo do Poder, aberrações de bradar aos céus como esta são achadas naturais e, até, invejadas por muitas, muitos. Que o Poder tem esse terrível condão de tornar pequenas as almas e de tudo levar/lavar, à excepção do Mercado. Choremos!

13 Janº 2015 https://www.youtube.com/watch?v=OMFXuxwOTrY

 

Crónica 112

PARIS: A MAIOR MANIFESTAÇÃO DE MEDO DO OCIDENTE

 

A bem dizer, só faltou Obama e o papa Francisco, na manifestação de ontem, em Paris. Nem a todo-poderosa Merkel conseguiu convencer, ao menos, o papa emérito, Bento XVI, alemão, a estar presente nesta maior manifestação de Medo do Ocidente! Sem Obama e sem o papa de Roma, naqueles curtíssimos 30 minutos para mundo islâmico ver, a manifestação de Medo foi ainda mais pungente, gritante. Os dois maiores, como um só, não arriscaram a própria pele. Ficaram como reserva. Bélica, o Obama. Ideológica-teológica, o papa de Roma. Só um grande Medo junta multidões, como a manifestão de ontem em Paris. Numa desesperada tentativa de o afugentarem. Em vão. Passado o efeito anestésico, cada qual vive ainda com mais medo. Até, da própria sombra. O Medo é o pai de todos os deuses, todos os fantasmas. Só a proximidade sororal, a relação, o afecto, o olhar-nos nos olhos, o darmos as mãos, o buscarmos juntos o bem de todos, numa grande Comensalidade quotidiana, expulsa de nós o Medo e faz crescer, em seu lugar, a Liberdade. O jornal PÚBLICO titula, esta manhã, “Não aoTerror, Sim à Liberdade”. Uma confusão monumental! Os opostos não são o Terror e a Liberdade. São o Poder e a Liberdade. O Terror é gerado pelo Poder. A Liberdade, pela Verdade praticada. É de Jesus: “Praticai a Liberdade e ela vos fará livres”. São falácias, como a da manchete do PÚBLLICO, que mostram quanto o Ocidente cristão, ou “de raízes cristãs”, é mentiroso, pai de mentira. De forma contumaz. Sabe que mente, mas insiste na mentira, porque odeia a verdade. São más, todas as suas obras, mesmo, as que parecem boas. Por isso odeia/mata a luz que lhas põe a descoberto. Os povos das nações são todos, suas vítimas. Vista, ele, cristão, islão, sionista, deísta, ateísta. O que ontem Paris mostrou, foi a união dos maiores Terrorristas institucionais do Ocidente. Apagados os holofotes, já só pensam em destruir o Islão. Com a certeza de que a encenação de ontem, lhes garante o aval das populações. Que tipo de mundo mais cínico, hipócrita!

12 Janº 2015 https://www.youtube.com/watch?v=8lEy2g6H79o

 

Crónica 111

O PODER, OU A LIBERDADE. ESCOLHER É PRECISO!

 

“Tens dois caminhos à escolha / O Poder, a Liberdade / Só quem recusa o Poder / É irmão, Humanidade”. É a quadra – quem diria?! – deste dia10 de Janeiro (há uma para cada dia do ano), que figura no meu mais recente Livro, “Quadras e Outros Cantos-Poema”, Seda Publicações, Julho 2014. Parece que nasceu hoje, o último dia da semana que deu início ao Terror(ismo) no coração da Humanidade. Da Humanidade, sim. Mais do que no coração da Europa. Enquanto o Poder se mantém ao leme do mundo, o Terror(ismo) é uma constante. Os “terroristas”, no dizer de uns, são os “mártires”, no dizer de outros. Os mesmos, são ambas as coisas, conforme o Poder, a mando e a soldo do qual actuam. Não há Liberdade, no reino do Poder, o assassino da Liberdade. São realidades contraditórias, como duas linhas paralelas. Nunca se encontram, nunca casam. O Poder sempre exclui a Liberdade. Só reconhece a Liberdade praticada de acordo com a Lei que ele próprio dita, aprova. No dia em que reconhesse a Liberdade, sem mais, desapareceria. E porque o Poder sabe disso, reconhece a Liberdade apenas nos exactos termos em que a Lei, aprovada por ele, determina. Os cartoonistas do semanário Charlye Hebdo, de Paris, como os jornalistas e demais cidadãs, cidadãos das nações do mundo, são livres, se não colidem com os interesses do seu patrão. Não os administradores dos media, redes sociais, igrejas/religiões, partidos políticos, Estados, mas o único patrão do mundo, o Poder, hoje financeiro global. A Liberdade que o afronta e lhe diz, sem que a mão e a voz lhe tremam, Tu és mentiroso, ladrão, assassino, seja ele cristão, islamita, sionista/davídico ou de outra qualquer religião (não há Poder que não seja religioso!), é sempre, mas sempre, Liberdade crucificada, assassinada. A Liberdade só não é crucificada, assassinada, quando é ela ao comando do mundo. Até hoje, nunca esteve. Escolher é preciso. O Poder, ou a Liberdade. Quando decidimos ser simplesmente humanos, outros Jesus, agora, terceiro milénio adiante, em vez de animais racionais que se matam uns aos outros e ao planeta?!

10 Janº 2015 https://www.youtube.com/watch?v=aZAuCTZ6nwA

 

Crónica 110

E JÁ SEM EMENDA!

 

Já nem sei o que mais chorar: se as vítimas do massacre de Paris, se o comportamento medonhamente assustador de franceses, europeus, ocidentais, perante o massacre que atingiu o coração da Humanidade, do Cosmos. Fica bem claro que nos temos como os únicos cidadãos no mundo. Todos os não-europeus são bárbaros, a milhas de distância de nós. Este sentimento de orgulho é, porventura, muito mais inumano que o próprio massacre. Se há coisa que mais nos destrói por dentro, é o orgulho. Olhar os povos não-europeus, como servos, escravos nossos. É assim, desde a Roma imperial. Agudizou-se, a partir do século IV, com a entrada em cena, pela mão de Constantino e seus sucessores, os papas de Roma, do judeo-cristianismo, como a única religião verdadeira. Entranhou-se, depois, em nós com o aparecimento dos reis cristãos, coroados pelo papa, na condição de serem os braços armados dele. Primeiro, nas guerras contra os “infiéis”, entenda-se, não-cristãos, não-europeus/ocidentais. Consolidou-se com as chamadas “descobertas e conquistas”. Quem não fosse baptizado, simplesmente, não era. Apenas besta de carga, sem alma! Chegados ao terceiro milénio, somos os mais mentirosos e os mais mafiosos do mundo. Mas somos europeus/ ocidentais, judeo-cristãos, muito acima dos seguidores de outras religiões, de outros deuses. O Cristo/Dinheiro é, agora, o nosso único Deus, o mais poderoso de todos. O único Deus com um papa infalível, bispos, cardeais, sacerdotes/pastores, nossas senhoras, muitas cruzes. O mais armado, cruel, assassino. A prova, inequívoca, está aí: Ontem, a par de capas de jornais europeus, aparentemente solidários com as vítimas, de hipócritas minutos de silêncio, de declarações oficiais sem um pingo de humanidade, eis que 88 mil polícias franceses estão envolvidos “na caça ao homem”. O que diz bem quão peritos, somos, em crueldade. E já sem emenda. A menos que expulsemos da mente-consciência, “Aquilo” que nos devora a alma – o judeo-cristianismo-islamismo. É Jesus Nazaré, o filho de Maria, quem o diz! E eu, com ele.

9 Janº  2015 https://www.youtube.com/watch?v=UxnrSZX-nHc

 

Crónica 109

ELES MATAM, É VERDADE. E NÓS, NÃO?!

 

Liberdade, igualdade, fraternidade, gritou, há mais de 200 anos, a Revolução francesa, em Paris, então, o coração da Europa. O que veio, depois, foram duas inomináveis grandes guerras mundiais, Auschwitz, e, hoje, prossegue aí, imparável, a terceira grande guerra mundial, quase exclusivamente financeira, sem que ninguém pareça dar por ela, nem mesmo os jornalistas dos grandes media, dos generalistas aos especializados, nomeadamente, científicos, desportivos, satíricos, confessionais, todos propriedade de um único dono, o grande poder financeiro global, compulsivamente, mentiroso, ladrão, assassino. Somos velozes a ver o “argueiro” que está no olho dos outros, que classificamos de “o inimigo”, não vemos a “trave” que está nos seus próprios olhos. O inominável massacre, ontem, em Paris, de 12 pessoas – oito jornalistas cartoonistas do conhecido semanário satírico francês, Charlie Hebdo, dois polícias, dois civis – é o massacre de toda a Humanidade, do planeta Terra, do próprio Cosmos. Os três jovens encapuzados que o consumaram, são apenas os carrascos, a mando e a soldo do único padrinho do mundo, o poder financeiro global, o filho unigénito das três religiões do Livro – o judaísmo, o cristianismo, o islamismo – aparentemente diferentes entre si, animadas todas da mesma ideologia/teologia imperialista, conquistadora, que, de forma cada vez mais científica, produz pobres e pobreza em massa, desempregados e desemprego em massa, doentes e doenças em massa, farmacêuticos e fármacos em massa. E quer fazer-nos todos seus súbditos consumidores, nenhuma criatividade, nenhuma sabedoria, nenhuma cultura, nenhuns afectos, meras mercadorias “made in Mercado” global! Como falar de liberdade, num tipo de mundo assim? De que tipo de liberdade nos orgulhamos? Não são incompatíveis, poder financeiro global e liberdade? Não somos todos vigiados, controlados, num mundo-prisão? As próprias escolhas que fazemos não nos são impostas pela Publicidade do Mercado global? Eles matam, é verdade. E nós, não?! O poder não é um só, vista islão ou judeo-cristão? Quando então mudamos de ser, de Deus, e somos todos seres humanos, simplesmente?!

8 Janº 2015 https://www.youtube.com/watch?v=qv9IiehWGos

 

Crónica 108

URGÊNCIAS, OU CORREDORES DA MORTE?

 

Por este andar, as urgências hospitalares correm o risco de converter-se em outros tantos corredores da morte anunciada. Nas quais quem entra por recuperação da sua saúde, acaba cadáver, depois de horas, dias e noites sem um sorriso, um afecto, uma presença, um simples copo de água, acompanhado duma carícia nos cabelos, dum beijo na face, nas mãos. E não tanto por culpa dos médicos/enfermeiros, ainda que também por culpa deles, hoje, a milhas de distância dos de outrora, quando as máquinas ainda não tinham substituído os afectos, a proximidade, o contacto físico, o cuidado, a conversa, a carícia do olhar. E os doentes eram acolhidos como mães, pais, avós, avôs, filhas, filhos, numa palavra, como família, membros da grande família humana. O mais grave é que os governos das nações e os ministérios da saúde, estão a transformar-se em governos e ministérios da morte. E tudo, apesar de subirem os impostos, as taxas moderadoras, o número de hospitais, coisa nunca vista, há menos de um século. Quando alguém caísse doente, muito raramente era retirado da sua casa/família, porque era o médico que saía ao seu encontro. Hoje, o Estado, senhor de tudo, cultiva o mais completo desprezo pelas pessoas mais fragilizadas, mais empobrecidas. Gasta fortunas em assessores, carros de alta cilindrada, secretárias acompanhantes de luxo, viagens inúteis, palácios, deputados, clientelas, num despudor que perfaz um crime de lesa-populações, que nunca chega aos tribunais, porque os senhores juízes também são altos figurantes do Estado, uma espécie de deuses infalíveis, carregados de mordomias, não vá deixarem-se corromper! Tecnologias e máquinas são bem-vindas. Quando não substituem o acolhimento, os afectos, as relações humanas, o cuidado. Urge regressarmos ao elementar: Sem deixarmos de apostar em máquinas, hospitais, tecnologias, apostemos, antes de mais, em médicos orgânicos, formadores das populações, para que sejam médicas de si próprias e umas das outras. Para tanto, matemos, primeiro, o Mercado, em vez de lhe darmos a comer as vidas, os bens, os cadáveres, a alma!

7 Janº 2015 https://www.youtube.com/watch?v=bm5xK7-g1wU

 

Crónica 107

ROUBA-NOS TUDO, ATÉ A ALMA

 

Somos país, Europa, mundo, à deriva. Populações roubadas. Governadas por minorias sem sabedoria. Meros agentes do poder financeiro. Aqui nos trouxe o Religioso, com destaque para o cristianismo. À Liberdade, vivida em relação maiêutica uns com os outros, em que cada pessoa contribui segundo as suas capacidades e recebe segundo as suas necessidades, o cristianismo impõe o Poder, como a única via de salvação/resolução dos problemas que nos dizem respeito. A Liberdade é a afirmação progressiva do Humano, o ponto mais surpreendente a que chegou até agora a Evolução da vida. Precedem-nos milhares de milhões de anos de evolução, num universo, constituído em forma de múltiplos organismos vivos, em que todos cooperam com todos, numa harmonia que consegue tirar partido, até das grandes convulsões. A história da Evolução é um monumento de vida que progride do mais básico para o mais complicado. Até que veio a desaguar em nós, seres humanos conscientes, capazes de perceber todo o processo que nos precedeu. Em nós, a vida tornou-se consciência, liberdade, responsabilidade. Devemos cuidar de nós próprios, uns dos outros, do cosmos que nos precede e do qual somos a consciência. Devemos ser organismo vivo que se diz-realiza em liberdade, responsabilidade, plenitude de vida, comunhão recíproca, nenhum Medo. A nossa matriz original é por aqui que está capacitada a desenvolver-se de dentro para fora. O Medo intrometeu-se neste processo. E com o Medo, o Religioso. Os dois geram o Poder, o maior inimigo da vida, o assassino da Liberdade. É por esta porta do Poder que entra o Cristianismo, como Poder monárquico absoluto que é. Apresenta-se como a única via de salvação. Impõe-se, porque é mentiroso, pai de mentira, ladrão, assassino. E graças às suas igrejas e aos seus governos das nações. Rouba-nos tudo, até a alma. Sem alma, acabamos os mais alienados dos seres, capazes de nos matarmos uns aos outros e ao próprio Cosmos. Ainda vamos a tempo de regressar à nossa matriz original e crescermos de dentro para fora em humano?!

6 Janº 2015 https://www.youtube.com/watch?v=Ly-cGJBNuUs

 

Crónica 106

D. MANUEL III E O TIRO DO PAPA NO PRÓPRIO PÉ

 

Ele sabia que no Porto, nunca seria cardeal. Muito menos, papa de Roma. Mesmo assim, aceitou trocar o estatuto de bispo auxiliar do patriarcado de Lisboa pelo de Bispo titular do Porto, mas apenas o tempo bastante para poder regressar ao patriarcado, como o seu novo patriarca, com o título de D.Manuel III. Acaba, agora, nomeado cardeal de Lisboa pelo papa Francisco. A posse é dia 14 de Fevereiro. A partir daí, só terá de esperar que o papa que o nomeou, saia de cena, para acalentar o sonho de vir a ser o próximo sucessor de Pedro, o negador/traidor-mor de Jesus Nazaré. É que bispos há muitos. Bispo de Roma, papa da igreja universal, só há um, que o poder é de sua natureza monárquico absoluto, mesmo quando se mascara de democrático. Com esta sua fornada de mais 15 novos cardeais, o papa Francisco dá mais um tiro no seu próprio pé. Ainda há poucos dias, surpreendeu o mundo, ao confundir os votos de boas-festas natalícias aos cardeais e demais funcionários da Cúria romana, da qual é o chefe máximo, com a apresentação duma lista das 15 doenças ou 15 pecados graves de que ela padece. E, agora, em lugar de anunciar a consequente dissolução da Cúria, ninho de víboras mortíferas, e do colégio cardinalício, o que há de mais anti-Jesus, ainda lhe acrescenta 15 novos cardeais, um dos quais é D. Manuel José Macário do Nascimento Clemente. O mais preocupante é que todos estes clérigos celibatários, frustrados q.b., nem sequer se apercebem de que são cada vez mais residuais, fantoches, verbos de encher, vestígios de um passado que, felizmente, não volta mais. Chega a causar dó, constatar quão infantil é a cabeça deles, bem como de quantos insistem em frequentar os seus ritos. Nada no seu viver é real. Só mito, coisas do passado, máscara, vestes exóticas, doutrinas esotéricas, parvoíces. Custa a crer que, um dia, tenham nascido de mulher, tamanhos os desvios do humano em que vivem mergulhados. O cristianismo que professam matou-lhes a alma/identidade e eles têm horror em ser homens como os demais. Só por isso, é que são notícia nos telejornais. Mas para sua vergonha!

5 Janº 2015 https://www.youtube.com/watch?v=ytEiWDK6S3I

 

Crónica 105

GRITAM AS PEDRAS!

 

Ainda tinha restos do cordão umbilical, quando foi encontrado, numa destas geladas noites entre o natal e o final do ano, junto duma casa-colégio de freiras, na Avenida dos Ciprestes, em Setúbal. Moisés – o nome foi-lhe dado no hospital local, para onde foi transportado pela Polícia, depois de alertada por um homem que, alta madrugada, se deslocava na sua bicicleta de pedal, para o trabalho – tem tudo para ser o anti-Moisés bíblico, filho de escravos hebreus que acabou filho adoptivo no palácio do faraó, quando a escravatura e o poder que a produz, ainda se não haviam mascarado de democracia, como sucede neste início de terceiro milénio. No mito bíblico do seu natal, Moisés, salvo das águas, foi abandonado no âmbito duma operação congeminada pela própria mãe, para, desse modo, ser salvo da morte certa, decretada pelo faraó contra todos os filhos masculinos dos escravos hebreus. As parteiras egípcias tinham de asfixiá-los ao nascer, para impedir que os hebreus se multiplicassem e constituíssem séria ameaça ao seu poder monárquico absoluto. Era faraó, mas não dispunha ainda dos meios altamente sofisticados que o poder financeiro hoje dispõe, ao ponto de conseguir impedir que as crianças cheguem sequer a ser concebidas. E às poucas que nascem, apropria-se delas, formata-lhes a mente, para que sejam seus escravos, toda a vida. A menos que tenham a desdita ainda maior de vir a integrar a sua minoria dos privilégios que, então, são logo formatadas só para roubar, matar, destruir, como agentes seus, religiosos e políticos. No caso de Setúbal, a mãe, ainda clandestina, terá querido simplesmente ver-se livre do filho que lhe nasceu, sem reis-magos, sem prendas, sem anjos, sem pastores. Um menino-ninguém que só conta para a estatística. No seu gritante silêncio, filho e mãe denunciam o país, a Europa que somos, depois de séculos e séculos de judeo-cristianismo/ islamismo; um país, uma Europa de escravos, não de irmãos. Por mais que a mensagem do papa para o Dia Mundial da Paz, apregoe, logo em título, “Não escravos, mas irmãos”. Quando se calam os profetas, gritam as pedras!

3 Janº 2015 https://www.youtube.com/watch?v=tcz3zEp5nnY

 

Crónica 104

SABEDORIA, PRECISA-SE!

 

Mudar de ano é coisa de calendário. Inevitável. Todas as expectativas de mudança, em cada início de ano, só os seres humanos em relação maiêutica, podem concretizá-las. O que não é assim é insensatez, a pior das posturas políticas. Ou crescemos de dentro para fora, ou permanecemos na postura infantil de acreditar em deuses, chefes, partidos políticos, messias/cristos, numa palavra, intermediários. Fora do Humano, organismo vivo, vasos comunicantes, resta-nos o deserto, a esterilidade, a miragem. Os partidos políticos são, hoje, os grandes tentadores das populações. Apresentam-se-lhes como imprescindíveis, quando, como as velhas religiões do passado, são os grandes tentadores. Desde o início da humanidade, que os intermediários a têm impedido de ser o que está constitutivamente vocacionada a ser, organismo vivo, vasos comunicantes. Primeiro, foram as religiões a protagonizar, em exclusivo, este perverso papel. Os sacerdotes, auto-apresentados às populações como os escolhdos por Deus para intermediários entre elas e Ele, eram os detentores do poder, o inimigo n.º 1 do Humano. O religioso sagrado foi, então, o alfa e o ómega, o fundamento e o fim de tudo. Ser ateu do religioso, era blasfêmia punida com a morte, como um maldito. É ainda aqui que a humanidade se encontra, apesar de se dizer secular, laica. O secular, laico, continua tão sagrado quanto o religioso, hoje, já quase só residual. Só teve de mudar de máscara. Os partidos políticos são as novas religiões. Seculares, laicas. Os seus dirigentes, os novos sacerdotes. Seculares, laicos. Deus continua a ser o poder, agora, secular, laico. A Humanidade continua impedida de se assumir na história, ainda mais do que no início. Sabedoria, precisa-se. Só ela nos habilita a perceber este perverso processo histórico e a pôr-lhe termo. O Saber é engodo. Somos humanidade, quando dispensamos, de vez, os intermediários, hoje, seculares, laicos, e nos assumimos organismo vivo, vasos comunicantes. Caminhemos nesta direcção!

2 Janº 2015 https://www.youtube.com/watch?v=heXTYmvGAo4

 

Crónica 103

O PECADO DO PAPA FRANCISCO

 

Os grandes media fazem hoje manchete com o discurso natalício do papa Francisco. Em lugar dos hipócritas votos de boas-festas de natal aos clérigos, seus cortesãos, na Cúria romana, nas cúrias diocesanas e paroquiais, o papa preferiu pegar no chicote de Grande Inquisidor/Reformador e apontar 15, dos muitos “pecados da igreja”, da qual ele é o chefe máximo, infalível. O discurso só é notícia, por ter sido proferido por ele, sem contraditório, e nesta data natalícia marcada pela hipocrisia. Ora, os clérigos, com especial destaque para os do topo da hierarquia eclesiástica, são todos homens vazios de feminino, de fecundidade, eternos adoradores de um Deus todo-poderoso, por isso, ontologicamente mentiroso, ladrão, assassino, que lhes roubou/matou a alma-identidade, para fazer deles os seus principais agentes históricos do Mal institucional, mascaradado de bem, no mundo. Era Isto que o papa Francisco deveria ter começado por dizer dele próprio e, só depois, dos seus cortesãos. Mas isto o papa não fez, nem pode fazer, porque não vê, nem pode ver. É cego que guia outros cegos. Quer passar à história como o grande reformador da igreja, quando a igreja católica é irreformável, tal como o Cristianismo que ela professa, pratica, difunde, impõe. O papa cometeu, assim, o pior pecado que os fariseus de todos os tempos, culturas, nações reiteradamente cometem. Quis tirar o “argueiro” dos olhos dos clérigos que estão à frente de todas as igrejas cristãs no mundo, em vez de tirar a “trave” que, desde o princípio, tem impedido a Humanidade de crescer de dentro para fora em ser, liberdade, reciprocidade, sororidade, autonomia, até se assumir e à história, como se Deus não existisse. Em concreto, tirar da mente-consciênia dos povos, o factor Religioso, nas suas múltiplas versões, a pior das quais, é, sem nenhuma dúvida, o cristianismo romano e protestante, fundado por S. Pedro e S. Paulo, aos quais Jesus, o do Evangelho em 5 volumes, chama, respectivamente, Satanás e o seu Perseguidor-mor, dois fanáticos judeo-cristãos seguidores do cristo-poder invicto da casa-dinastia de David e sua Bíblia!

23 Dezº 2014 https://www.youtube.com/watch?v=KcYQH1Rw3o4

 

Nota:

Esta é a última Crónica deste ano. Conto regressar dia 2 de Janº 2015. Os breves dias de ausência são de descanso a quem diariamente me lê e de fecunda contemplação-escuta para mim. Boa Ceia de natal do Solstício de inverno. Sem prendas do Mercado. Repleta de afectos e Cantos-Poema!

 

Crónica 102

QUE CEIA DE NATAL NOS ALIMENTA OS AFECTOS?

 

Já não bastavam as minúsculas estátuas da marca menino-jesus do Cristianismo, misturadas, ultimamente, com as dos pais-natais, made in China, a trepar pelas paredes das casas, mai-las dos pais-natais motards com prendas para criancinhas de bairros pobres. Acaba de se lhes juntar, este ano, a estátua gigante, em bronze, da marca CR7, erguida na Madeira, com o presidente do Governo regional a presidir, e a mãe que a pariu, a chorar de emoção, como manda o guião dos eventos rascas. A plebe local, a que se juntaram alguns turistas de ocasião, que gostam de fotografar o insólito e o esotérico, correu a aplaudir, que para isso é plebe. Desde que o Cristianismo criou a marca menino-jesus e conseguiu vendê-la, urbi et orbi, a humanidade que já então se encontrava condenada, por força das religiões, suas deusas, seus deuses, a ter de comer, diariamente, o pão do obscurantismo e do medo, num nível abaixo do dos outros animais, nunca mais conseguiu encontrar-se consigo própria e hoje é pau para toda a colher. Tudo isto perfaz um crime sem perdão e a prova é que, por ocasião destas datas, acabamos reduzidos a plebe, mascarados de festa, no reino dos mitos. Só a realidade nos faz, plena e integralmente, humanos e nos garante desenvolvimento integral, a partir de dentro para fora. Porém, desde que o Cristianismo se tornou imperial e engoliu todas as outras religiões, suas deusas, seus deuses, tem-nos impedido de conhecer a realidade, de a vivermos, comermos. E sem este pão substancial, crescemos em anos, infantilidades, obscurantismos, medos, quando deveríamos crescer em sabedoria, reciprocidade, sororidade, liberdade, autonomia. Deste pão substancial que é a realidade, faz parte integrante a ceia de natal do Solstício de inverno que urge recuperar, contra os natais do menino-jesus do Cristianismo e suas igrejas, da Caridadezinha dos pais-natais motards e da marca CR7, que faz golos e junta milhões. Só essa Ceia, que é a da realidade, não dos mitos, nos alimenta os afectos, sem os quais ficamos reduzidos a estátuas de gelo.

22 Dezº 2014 https://www.youtube.com/watch?v=TlUBAmDVsJs

 

Crónica 101

TROPA FANDANGA, MASCARADA DE GOVERNO DO PAÍS!

 

Ao meter ao fundo da gaveta o escandaloso caso dos submarinos, o Ministério Público meteu ao fundo o próprio PauloPortas, ex-ministro da Defesa e actual vice primeiro-ministro do governo de maioria PP-PSD, o mais cristão de todos os governos formados depois do 25 de Abril 74, por isso, também o mais politicamente mentiroso, hipócrita, ladrão, assassino das populações. E com PauloPortas, meteu ao fundo o CSD-PP, de que é presidente, e o próprio governo presidido por PassosCoelho, líder do PPD-PSD. E, se o presidente Aníbal pensa que, depois de toda esta bandalheira política em que a maioria PP-PSD mergulhou o país, fica tudo sanado com a sua homilia de natal a duas vozes – a dele e a da sua impagável Maria – gravada no conforto do seu palácio de Belém, quão enganado vive! Para cúmulo, está aí sem controlo o incêndio da TAP que o governo quer privatizar, com ou sem greve geral, com ou sem requisição civil, que, juntamente, com o escandaloso arquivamento do caso dos submarinos, mais o silenciado caso dos vistos Gold concedidos a estrangeiros, a troco de corrupção ao mais alto nível, a que se veio logo juntar a prisão preventiva do ex-primeiro-ministro, José Sócrates e seus compinchas. Bem pode o governo, à boa maneira cristã, continuar a dizer que tudo vai bem; a dívida externa do país é sustentável e pagável; o orçamento 2015 é para valer; a troika já se foi e levou com ela a “crise”, mai-los sacrifícios que, à sombra dela, ele sadicamente impôs às populações; o novo ano, já à porta, será de abundância, de pleno emprego, de saúde pública, de escolas com ensino de qualidade. Poder pode e é mais que certo que será esse, o discurso político, em ano de eleições legislativas. Só que a realidade está aí, nua e crua, e já não há máscara que a impeça de se mostrar. Cabe a nós, populações, sairmos da letargia, do sono, em que as televisões criminosamente nos têm mantido, darmos um murro na mesa, e desobedecermos políticamente a esta tropa fandanga, mascarada de governo e de presidência da República.

20 Dezº 2014 https://www.youtube.com/watch?v=zVwNEGAGjiM

 

Crónica 100

PORTUGAL AINDA É DOS PORTUGUESES E O MUNDO DOS POVOS?!

 

Andam quantos se dizem de esquerda no país – o mesmo se passa nos demais países do mundo – a clamar contra a privatização/venda da TAP. Até parece que Portugal ainda é dos portugueses e que o planeta Terra ainda é dos povos das nações que nele nascem, crescem, morrem, sem nunca se aperceberem que nada é deles, tudo é do Mercado, do poder financeiro, o único dono/patrão do mundo. O cristianismo anda a dizê-lo, à boca cheia, sem que nenhum dos múltiplos povos da Terra se mostre indignado, proteste. Pelo contrário, todos acham natural e mostam, até, orgulho em ter um dono/patrão a mandar neles, ao qual juram fidelidade, obediência, reverência, gratidão. A conhecida proclamação, Cristo-rei do universo, a pedra-base do cristianismo imperial, hoje, mais laico do que religioso, não pode ser mais clara. Todos os líderes das igrejas/religiões, dirigentes do poder político, do poder económico-financeiro – as elites mundiais dos privilégios – mais não são do que sacerdotes/intermediários, com poder delegado por ele, para controlar, dominar, roubar, matar, destruir os seres humanos, os povos que ousem rebelar-se contra o único dono/patrão do mundo, a fim de serem autónomos, sujeitos dos próprios destinos, em fecunda relação maiêutica uns com os outros, o planeta Terra, o universo. Vai daí, todos nascemos, crescemos, morremos súbditos. Aprendemos a obedecer, a respeitar as elites dos privilégios. Chegamos até a dizer, “Tem de haver alguém, alguma coisa, que nos domine”. Pois bem. Ou somos seres humanos, povos, a crescer de dentro para fora em ser e liberdade, autonomia e entrega maiêutica uns aos outros, num mundo-comensalidade, ou não passamos de escravos que se orgulham do seu dono/patrão, o Cristo-rei do universo, hoje, o Deus-Dinheiro, encarnado nas elites dos privilégios. Como, de resto, reza um dos Cantos-Poema do meu mais recente Livro, “Neste mundo do Mercado / tudo é dele nada é nosso / o amor reduz-se a sexo / os povos a pele e osso / Os povos a pele e osso / sem comida e sem abrigo / correm p’rás deusas e deuses / com medo de mais castigo”. Eis!

19 Dezº 2014 https://www.youtube.com/watch?v=zUAqZapBxoI

 

Crónica 99

JUNTA-TE A ELES!

 

Quando não os podes vencer, junta-te a eles. É por demais conhecido, este aforismo. Só não nos dizem que é exclusivo do léxico do Poder. Pelos vistos, vai concretizar-se, mais uma vez. Agora em Cuba, a de Che-Fidel, ultimamente, de Raúl. O bloqueio dos EUA caminha para o fim, fruto de um acordo entre os dois estados. Cuba é de novo apanhada/comida pelo império. O velho Baptista que a revolução armada derrubou, está de volta. Com outra máscara, outro nome, outro agente. Não há revolução armada que vingue na história. Têm sido muitas e para todos os gostos. Acabam todas convertidas em poder, a ser derrubado por outra revolução. O processo parece enfraquecer o poder. Reforça-o ainda mais. O poder nunca morre. É sempre novo, enquanto houver seres humanos, nascidos de mulher, que se lhe vendam como seus escravos de luxo, seus concubinos ou prostitutos políticos, financeiros, religiosos. O velho aforismo, Junta-te a eles!, não existe no léxico dos seres humanos, dos povos que o são cada vez mais de dentro para fora. Juntar-se ao império, nos sucessivos impérios, é o destino de todas as revoluções armadas. Não matam o poder. São poder melhor organizado, melhor estruturado, por isso, vencedor. Porventura, minoritário, mas vencedor. Esta é a falha mortal de todas as revoluções armadas. Ajudam o poder a rejuvenescer. Não mudam as mentes-consciências dos seres humanos, dos povos. Mudam os agentes de turno do poder. Cuba, a de Che-Fidel, volta a juntar-se aos EUA. Fidel Castro, ainda sobrevivente, torna-se um ícon mais, que as novas gerações, todas súbditas do império que domina o mundo, vão conhecer nas aulas de história, e idolatrar. Só a revolução desarmada que, dia e noite, sem os próprios saberem como, germina e cresce na mente-consciência dos seres humanos, dos povos, é verdadeira revolução. Não vence o poder. Mata-o à fome, ao recusar continuar a dar-lhe agentes activos e vítimas, com que ele se alimenta. Utopia? So o léxico do poder conhece semelhante palavrão politicamente desmobilizador!

18 Dezº 2014 https://www.youtube.com/watch?v=nwtEZ8FmdPM

 

Crónica 98

DO NOBEL DA PAZ, AO MASSACRE NA ESCOLA

 

Vêem para que servem os Prémios Nobel da Paz? O deste ano, que distinguiu Malala, a adolescente paquistanesa, criminosamente, utilizada, num demencial golpe publicitário contra os fánáticos Taliban, acabou, para já, no massacre de 132 crianças-adolescentes de uma escola do seu país, consumado em vésperas do natal do solstício de inverno que o cristianismo imperial, na sua fome de domínio do mundo, transformou no natal do seu mítico menino-jesuscristo, guindado à categoria de deus-rei do universo! Será que nem assim acordamos, mudamos de ser, de Deus? Vamos continuar a insistir nas grandes encenações, em que somos peritos? Não vemos que elas culminam todas em grandes tragédias, assassinas da vida humana e da Mãe-Natureza que nos deu à luz, para cuidarmos dela, uns dos outros, não das deusas, dos deuses? Na origem de toda esta demência global, está o Religioso, reiteradamente criado/alimentado pelos nossos ancestrais medos, geradores de agressividade, hoje, cientificamente organizada/praticada uns contra os outros, contra a Mãe-Natureza, da qual somos o último elo, o único consciente. De tão cegos, nem sequer vemos que, ao sermos-agirmos assim, auto-agredimo-nos/auto-violamo-nos/auto-dominamo-nos, e uns aos outros? Para cúmulo, erguemos grandes cidades/impérios, tudo sobre a areia e pomos os poetas e os artistas, cortesãos do Poder, a cantar/perpetuar os nossos delírios, as nossas vaidades, os nossos vazios. Por fim, criamos o Deus-Dinheiro, a negação total e absoluta da realidade, o ser humano pleno e integral Jesus, e o seu Deus que nunca ninguém viu. O Cristianismo, com seus “ismos”, todos perversos, é o sistema-síntese de toda esta demência, hoje global. Será que nem este horrendo massacre de crianças-adolescentes, aliado ao facto de até as crianças, recusarem nascer neste tipo de mundo, nos leva a mudar de ser, de Deus? O natal do solstício de inverno 2014, a que urge regressarmos, é a grande oportunidade de, simultaneamente regressarmos à realidade/verdade que nos faz livres, sororais, reciprocamente, maiêuticos, outros Jesus! Regressemos!

17 Dezº 2014 https://www.youtube.com/watch?v=KXF4JuTVdiY

 

Crónica 97

O BRILHO DA FÉ, NA I GALA DO PODER LOCAL

 

Este domingo, 14, os pais natais da nossa vergonha vestiram-se de autarcas, de homens de avental e de bispo residencial, na I Gala do Poder Local do Distrito de Bragança, realizada no Teatro Municipal. A inicitiva foi da PressNordeste e contou com o apoio da Comunidade Intermunicipal de Terras de Trás-os-Montes. Tudo em família, portanto. O bispo de Bragança-Miranda, uma espécie de Sua Santidade local, ajudou à missa laica. A foto do evento, no Fb, do Jornal Nordeste não engana. Os graúdos, todos, figuram lá. D. José Cordeiro, fato a rigor e colarinho clerical ao pescoço, mostra-se radiante, a entregar o respectivo troféu ao actual presidente da CM de Bragança. Cada um deles recebe o seu, das ungidas mãos episcopais. São os seus poderosos meninos-jesus. Atrás do presidente, lá está, no seu impecável fato cinzento, o seu antecessor, Júlio Meirinhos. Que em Bragança, o Poder Local não dispensa o avental. A Maçonaria está em todas, quando se trata do poder, nos três poderes, a começar pelo financeiro, o cristo invicto século XXI, assessorado pelo religioso e o político. Os seus principais chefes são clérigos de avental, numa santa aliança com os clérigos de colarinho branco. Coube ao director-geral do Grupo PressNordeste fazer a homilia laudatória, a que se juntará, a encerrar a Gala, o secretário de Estado da Administração Local, Leitão Amaro. “Foi muito bonito ver – diz João Campos – um encontro de gerações de autarcas, desde 76, passando pela década de 80, década de 90 até aos dias de hoje; ver aquelas gerações todas em palco e ver que trabalharam em conjunto e em prol de uma causa comum, que é o desenvolvimento local e o desenvolvimento regional”. Daqui se conclui que as populações são meros objectos, condenadas a aplaudir os figurões, a votar, quando eles mandam, e a pagar os impostos. Foi assim com os antepassados. Será assim com os descendentes. Enquanto não abrirem os olhos da sua mente-consciência crítica. Um feito, cada vez mais difícil, com o poder financeiro global ao leme do mundo. Mas que urge fazer acontecer. Já!

16 Dezº 2014 https://www.youtube.com/watch?v=MFdNoZ0fI-I

 

Crónica 96

PAPA SEM BISPOS, BISPOS SEM PAPA!

 

A Cúria romana nunca dá ponto sem nó. Quando decide escolher o cardeal latino-americano, Mário Bergóglio, arcebispo emérito de Buenos Aires, para Bispo de Roma, papa chefe de estado do Vaticano, sabe bem o que está a fazer. Então, as populações da Europa e do Ocidente, totalmente formatadas pela perversa ideologia do cristianismo, da qual nem os ateus conseguem libertar-se, e controladas/dominadas pelas suas dioceses/paróquias territoriais, viviam escandalizadas, traumatizadas pelos muitos e enormes escândalos financeiros, consumados durante os pontificados de João Paulo II e de Bento XVI, e pelos inomináveis crimes da pedofilia dos clérigos/sacerdotes, tidos, até então, por toda a gente como seres acima de toda a suspeita, aos quais as mães, os pais sempre confiaram as filhas recém-nascidas, os filhos recém-nascidos, para serem baptizados, depois, catequizados, crismados, casados ou, em alternativa preferencial, clérigos eunucos à força, frades/freiras com votos de castidade, de pobreza e, sobretudo, de obediência, em mosteiros, conventos, como outras tantas concubinas, outros tantos concubinos de Deus todo-poderoso, o da Bíblia e do cristianismo. Num momento histórico-esclesiástico tão revelador/devastador, a escolha do cardeal argentino como sucessor da todo-poderosa e assassina dupla João Paulo II-Bento XVI, seria ouro sobre azul. Mário Bergóglio, em lugar de lhe resistir com firmeza e dizer urbi et orbi porque o fazia, aceita de imediato morrer como Mário Bergóglio, ser humano, e ressuscitar, ao terceiro dia, como bispo de Roma, Papa Francisco, o primeiro latino-americano a incluir a lista dos padrinhos da maior máfia do mundo, o pai de todas as outras máfias, suas sucursais, espalhadas pelo mundo. A Cúria romana também sabia nesse então que os bispos, os párocos, totalmente vigiados/controlados no terreno pelos núncios apostólicos, iriam manter-se, de certeza, nas suas eclesiásticas rotinas, sem quererem saber para nada das reformistas orientações do novo papa, pelo que manter-se-iam fiéis a ela, numa igreja com papa sem bispos, bispos sem papa. E assim é!

15 Dezº 2014 https://www.youtube.com/watch?v=Ofw3xVYGNZc

 

Crónica 95

UM PADRE NA CASA DO ALENTEJO?

 

Hoje, a partir das 18,30 horas, vou intervir na emblemática Casa do Alentejo, em Lisboa. Muitas pessoas poderão estranhar e interrogar-se, Um padre na Casa do Alentejo?! A que propósito? O lugar dos padres não é nas paróquias, nos templos e santuários, nos altares? Acontece que sou, por opção, um padre no mundo, entre as pessoas e com elas, num vivo tu-a-tu humano e sororal, sem nada de religioso, tudo de politicamente maiêutico. Sou padre/presbítero jornalista, longe dos templos e dos altares. Faço da palavra praticada, escrita, falada e, bastantes vezes, cantada, o meu ministério. Para tanto, tive de me libertar progressivamente do clericalismo e do religioso, em que os 12 anos do seminário tridentino me quiseram formatar. Constato, cada dia que passa, que esta libertação foi, é boa para mim, como ser humano, filho de Ti Maria do Grilo, jornaleira, e boa para a humanidade. Felizmente, dei-me conta, um ano antes da ordenação em 5 de Agosto de 1962, de que um presbítero da igreja é ordenado para ser presença maiêutica e gratuita na sociedade/humanidade, não para ser um funcionário do institucional eclesiástico. Só assim, posso ser aquela dádiva viva que desde  menino, desejava ser entre os demais e com eles, num contínuo dar e receber, que nos faz a todos crescer de dentro para fora em humano. De contrário, hoje seria um refém do institucional eclesiástico, mero funcionário contratado por ele, um agente mais de alienação das populações, quanto mais dedicado e zeloso, pior. Aliás, todo o funcionário de qualquer institucional nunca chega a crescer de dentro para fora em humano, nem deixa crescer os demais. Pelo contrário, submete-os e impede-os de crescer. É o que acabam por fazer, ter de fazer, todos os agentes do poder, sob pena de serem advertidos, punidos e, por fim, excluídos. Pois bem, é assim, como presbítero jornalista, com tudo de menino, que vou estar, ao final da tarde de hoje, na Casa do Alentejo. A cantar à capela algumas das 366 Quadras e alguns dos muitos Cantos-Poema com que se tece o meu mais recente Livro, editado pela Seda Publicações. Até logo.

13 de Dezº 2014 https://www.youtube.com/watch?v=k_iYAR3oy4s

 

Crónica 94

IR A ROMA E NÃO VER O PAPA

 

Dalai Lama e demais laureados com o Nobel da Paz estão, por estes dias, numa Cimeira em Roma e não vão ver o papa. Fosse Francisco um dos laureados com o Nobel da Paz 2014 e tudo seria, certamente, diferente. A Cimeira poderia, até, realizar-se no Vaticano, com o papa como anfitrião, uma vez que palácios à altura dos laureados, qual deles o mais antípoda dos Sem-Abrigo de todas as grandes cidades da Europa e do mundo, são coisa que não falta na Roma papal, sede da igreja cristã católica romana. Mas o papa Francisco foi escandalosamente preterido, à última hora, a favor duma adolescente, filha de algo, precocemente preocupada com o analfabetismo de milhões e milhões de crianças-adolescente pobres, no seu país e em muitos outros, produzidos, nem ela sonha, pelo mesmo poder financeiro que, todos os anos, atribui os Nobel. Os senhores da Academia não resistiram ao sedutor poder daquele olhar e daquele véu-manto com que invariavelmente se apresenta vestida/desnuda. E já que não houve papa Nobel da paz 2014, também agora não há papa para ninguém, muito menos, para Dalai Lama, uma espécie de papa do budismo. O próprio Vaticano confirmou que nem o papa vai à Cimeira, nem a Cimeira vai ao papa. Ainda assim, para o Vaticano não perder de todo a face, o papa fará o favor de dirigir aos laureados uma mensagem em vídeo. Já o mesmo, não podem fazer os laureados, enviar uma mensagem em vídeo ao papa. São Nobel da Paz e sabem que o papa, chefe do Estado mais poderoso do mundo, pode dirigir-se a toda a gente, mas toda a gente não pode dirigir-se ao papa. Seria um mundo de pernas-para-o-ar, ingovernável, no dizer do poder, que não pode ouvir falar em povos-sujeito, autónomos, senhores dos próprios destinos. Além disso, este Santo Padre sabe que a China é o maior país de missão do mundo, onde o evangelho de S. Paulo ainda não formata as mentes-consciências de todos aqueles milhões e milhões de chineses. Não pode trocar tudo isso por um Dalai Lama, para cúmulo, seu rival. Viva o Poder! Lixem-se os povos da Terra e a própria Terra!

12 Dezº 2014 https://www.youtube.com/watch?v=GDsMKez7fPM

 

Crónica 93

1 NOBEL DA PAZ/ ANO, GUERRAS TODOS OS DIAS!

 

Nada degrada/corrompe tanto a sociedade humana, os povos, como o farisaísmo/a hipocrisia. Apenas a riqueza acumulada/concentrada se lhe iguala. Quem mais profundamente vê todo o seu poder destruidor da alma/identidade dos povos, é Jesus Nazaré, o fiho de Maria, o grande desconhecido dos povos da terra. Pior, o grande rejeitado, cujo nome nem sequer pode ser pronunciado, segundo decisão/determinação unânime e irrevogável de todos os agentes históricos do Grande Poder, nos três rostos-máscaras – o religioso-eclesiástico, o político-partidário, o económico-financeiro – com os quais/as quais ele sempre se apresenta aos povos, cujos têm-no como divino, porventura, o próprio Deus, ao qual obedecem, dão as filhas, os filhos, pagam os impostos, servem com dedicação, até, ao risco da própria vida. Há dois mil anos que o Cristianismo, fundado com o objectivo de furiosamente esconder/excluir Jesus e o seu Projecto político maiêutico de sociedade, do ADN dos povos, tem sido incansável nessa missão para que nasceu, de lhes impor Cristo ou Jesuscristo,  como sinónimo de Jesus, quando é o seu antónimo. O que perfaz a Mentira, o Assassínio, o Latrocínio por antonomásia na história! Ora, é precisamente este Jesus negado/rejeitado que, perante os praticantes do farisaísmo, da hipocrisia, da riqueza acumulada/concentrada, chega a pronunciar a fortíssima interjeição, “Ai de vós!”. Nunca como hoje, o farisaísmo, a hipocrisia, a riqueza acumulada/concentrada, teve tantos praticantes e candidatos a praticantes. Mas também nunca como hoje, a sociedade humana desceu tão fundo na degradação/corrupção/desumanização. Creio não andar longe, da verdade, se lhes disser que a atribuição/entrega anual de prémios Nobel a seres humanos que, para cúmulo, os aceitam, vão receber, constitui o cúmulo do farisaísmo, da hipocrisia, da riqueza acumulada/concentrada. Vejam, por exemplo, o caso do Nobel da Paz. Fazem toda aquela celebração litúrgica laica, ao mesmo tempo que instigam/prosseguem criminosas guerras em múltiplas frentes. Conseguimos ver, via tv, tudo aquilo, sem sentir vómitos? Ai de nós, então!

11 Dezº 2014 https://www.youtube.com/watch?v=6aSj2C8YT-c

 

Crónica 92

E TUDO, SEGUNDO O EVANGELHO DE S. PAULO!

 

O grande patrão do BES apresentou-se ontem, em directo, ao país, via Parlamento e tvs-notícias, como o grande paladino da honestidade, da transparência. Os deputados da Comissão de inquérito (?!) desfizeram-se em mesuras, quase choraram de comoção, perante este gigante Golias do Dinheiro, defensor da família/dinastia Espírito Santo e seus valores, os da Bolsa. Não das famílias por conta de outrém, mão-de-obra barata, de todo excedentárias. Ou o poder financeiro não fosse ferozmente monárquico, um só poleiro. Entretanto, noutra sala ao lado, Ricciardi, o Espírito Santo rival, que, pelos vistos, também nunca quis ser “o dono disto tudo”, fartou-se de atirar as culpas todas para cima do primo, quase seu pai, nos muitos anos em que o BES correu de feição e foi o grande esteio financeiro de Salazar e dos sucessivos Governos pós 25 de Abril. Até que, por fim, chegou o Governo PauloPortas-PassosCoelho, com o avô Aníbal a presidente do Estado Novo 2, em que se tornou hoje a defunta República. Uma maioria, política e financeiramente, demolidora, trituradora, que não suporta a existência de algo/alguém mais paladino da honestidade, da transparência do que ela. Nem olha a meios para se perpetuar no poder. Por isso, lá, onde os anteriores Executivos pararam, ela começou a sua acção. Sabe bem – Maquiavel século XXI diz – que, para vencer/perpetuar-se no poder, tem de começar por derrubar os velhos poderes financeiros e colocar, em seu lugar, os da sua própria máfia. Sempre em nome da honestidade, da transparência. Se consegue sair vencedora, tem logo à espreita da sua oportunidade histórica, alguns dos melhores cérebros nacionais, europeus, mundiais, chineses ou japoneses que sejam. Que o Dinheiro não tem pai/pátria. É ele o pai/pátria! Vai daí, a dinastia Espírito Santo proferiu ontem o seu próprio elogio fúnebre. Qual a dinastia que se segue? Vêem o que é/faz e leva a ser-fazer o Evangelho de S. Paulo, o mesmo do Cristianismo, das igrejas cristãs todas, do poder, nos 3 poderes, o assassino do Evangelho de Jesus Nazaré e da Humanidade?!

10 Dezxº 2014 https://www.youtube.com/watch?v=HXP_UiHkd4Y

 

Crónica 91

QUE DEUS FOI A DEBATE NO PRÓS E CONTRAS RTP1?

 

Há uma advertência de Jesus Nazaré, dirigida a quem o tinha acabado de convidar para um banquete. “Quando deres um banquete ou um jantar, não convides os teus amigos, nem os teus irmãos, nem os teus parentes, nem os teus vizinhos ricos, não vão eles também convidar-te por sua vez, e assim retribuir-te. Quando deres um banquete, convida os pobres, os aleijados, os coxos, os cegos.” (Lucas 14, 12-13). Apetece parafrasear esta advertência de Jesus e dizer: Quando promoveres um debate sobre Deus, não convides os filósofos, nem os teólogos, nem os cientistas, nem os chefes das religiões, nem os crentes/ateus confessos. A menos que seja para debater o Deus-que-se-vê, criação dos agentes do poder sacerdotal/religioso, financeiro, político. Porque se for para debater/testemunhar Deus que nunca ninguém viu, convida seres humanos fecundamente femininos, pobres por opção, sábios, maieuticamente religados às vítimas que o Deus-que-se-vê produz, eles próprios suas vítimas também. E ficarás surpreendida, surpreendido, porque estes só falam das inúmeras vítimas que as religiões/igrejas cristãs, os governos das nações, os banqueiros, as multinacionais produzem de forma científica, sem que isso chegue a tirar o sono às elites que estão à frente das monstruosas fábricas que as produzem, entre as quais se incluem os filósofos, teólogos, cientistas, artistas, poetas, escritores que comem à mesma mesa dos privilégios. Ou não tivessem todas elas por pai o Deus Dinheiro, o único que-se-vê e nunca é referido em programas como o Prós e Contras da RTP 1. Nem em colóquios com convidados de elite, todos estéreis, racionalistas, vazios de afectos/ reciprocidade, sem sopro maiêutico, assexuados, nada eróticos, que concebem/proferem conferências, editadas depois em livro, de venda garantida no grande Mercado, que inclui todas as igrejas cristãs/religiões. Já de Deus que nunca ninguém viu, só mesmo vidas Comensalidade, ao modo dos vasos comunicantes, dão pela sua fecunda e gratuita presença. E a prova é que são vidas maieuticamente doadas aos demais, nenhuma Caridadezinha.

9 Dezº 2014 https://www.youtube.com/watch?v=s6vxf1WarCM

 

Crónica 90

JE SUIS L’IMMACULÉE CONCEPTION

 

Eu sou a Imaculada Conceição! Ora aqui está um dogma cristão católico romano bem à altura deste tipo de mundo do poder financeiro, ferozmente monárquico, absoluto, infalível, invisível, cujo rosto histórico principal, nos tenebrosos séculos da Cristandade, foi o todo-poderoso papa de Roma, e nestes tempos pós-cristãos, é o Senhor Dinheiro, o único Deus reconhecido/ adorado por crentes cristãos, religiosos, ateus, agnósticos. Que o diga o senhor Dr. Mário Soares, 90 anos de idade, celebrados ontem por centenas de políticos e banqueiros, quais deles os mais corruptos, congregados numa mesma celebração litúrgica laica, bem ao estilo das grandes máfias. Chamam-lhe o “pai da democracia”, e, com esse cognome, fica tudo dito. Ou a democracia, de que ele é o pai em Portugal, não fosse o regime político que furiosamente produz/encobre, elites peritas na arte de roubar, matar, corromper, humilhar as populações, carne para canhão, mão-de-obra barata por conta de outrém, eternas pagadoras de promessas nos grandes santuários de outras tantas míticas deusas virgens e mães, como Fátima, Lourdes, Aparecida, Guadalupe, multidões sem nome, sem vez, sem voz, figurantes nos comícios, nos estádios dos milhões, nos actos eleitorais, nas festas religiosas e laicas, nas recepções oficiais aos papas e demais chefes de estado e de governo. A igreja cristã de Roma, designação que esconde a maior e mais poderosa máfia do mundo, decidiu instituir, no dia 8 de Dezembro 1854, o dogma da Imaculada Conceição, segundo o qual, a mãe do seu mítico Cristo ou Jesuscristo é a única isenta da mácula do pecado original. E logo no ano seguinte, França, a sua filha predilecta, contratou uma jovem católica para garantir urbi et orbi que lhe tinha aparecido uma figura que, em francês, lhe disse, Je suis l’immaculée Conception. O mais que absurdo dogma do papa Pio IX ficou, assim, confirmado. Bem como o tipo de mundo legitimado por ele, com suas elites chico-espertas na igreja de Roma, no Banco Mundial, nos governos ou nas cadeias, às ordens de um Carlos Alexandre qualquer, mascarado de super-juiz.

8 Dezº 2014 https://www.youtube.com/watch?v=v-FknCEDPAE

 

Crónica 89

O QUE ESCONDE O VOLUNTARIADO, A CARIDADEZINHA?

 

Se há actividade que mais nos desumanize e à sociedade, é o voluntariado, a caridadezinha. Uma sociedade que pacificamente entra por esta via e a promove, é uma sociedade gravemente enferma. Pior que o cancro, a sida, é a caridadezinha, o voluntariado. O seu vírus mata mais e mais indignamente, quantas, quantos se prestam a dar-lhe corpo, ou se pensam beneficiados. Uma sociedade humana que se preze, é uma sociedade totalmente blindada a este tipo de vírus. Intui que ele mata a alma/identidade/dignidade dos seres humanos, primeiro, dos agentes activos, depois, dos passivos. Sei que escandalizo, ao ser-viver este Evangelho com tudo de alerta, de denúncia, de boa notícia para as pessoas que constituímos a sociedade, a humanidade, e nos batemos pela dignidade de todas, todos, de cada uma, cada um. Perdoem-me. Como presbítero jornalista que sou, não posso calar. É uma missão de alto risco, a minha, eu sei. Muito maior é o risco em que vivem as populações que, inadvertidas, pior, propositadamente mantidass na ignorâancia, se deixam afectar pelo vírus do voluntariado, da caridadezinha. Enganadas pela demolidora Publicidade, cientificamente elaborada pelo Mercado, em vez de lhe resistirem com todas as forças, abrem-lhe as portas das casas, pior ainda, as portas das mentes-consciências. Acabam farrapos humanos, muito abaixo dos cabazes, das mercadorias que recebem. Saibam que o voluntariado, a caridadezinha, serve para esconder e manter o crime dos crimes de todos os governos do mundo, que é a pobreza estrutural e a escabrosa ausência de justiça social, o pilar nº 1 duma sociedade em estado de saúde/salvação. O Mercado e seus grandes media que promovem o voluntariado, a caridadezinha, mobilizam jovens, reformados activos, são todos mentira, assassínio. Tais quais as igrejas cristãs, peritas em bem-fazer, inimigas de fazer o bem. Em nome da dignidade humana, peço-lhes: Voluntariado, caridadezinha, pobreza estrutural, nunca mais! Justiça social, de cada um segundo as suas capacidades, a cada um segundo as suas necessidades, sempre!

6 Dezº 2014 https://www.youtube.com/watch?v=oYIM16o1iaw

 

Crónica 88

ATÉ A ALMA ELES VENDERAM AO DIABO!

 

Todos os que servem o Poder financeiro, com destaque para os políticos profissionais e os chefes religiosos, venderam a alma ao Diabo. Diabo, é um mito, mas, culturalmente, continua a ser, ainda hoje, o agente do Mal. O grande rival de Deus. As civilizações e culturas ancestrais sempre nos apresentam Deus e o Diabo como inimigos que se falam, degladiam, mas se odeiam. Ambos querem controlar o mundo, a partir do controlo das mentes-consciências, quando apenas um o pode fazer. Que o Poder é monárquico por natureza. A própria Bíblia hebraica e judeo-cristã não foge à regra e apresenta Deus e Diabo como inimigos que se degladiam e odeiam de morte. Foi assim nos milénios passados. É ainda assim na actualidade, pelo menos, para o comum das pessoas. O reino dos mitos sempre se impôs ao da realidade/ verdade. As elites que educam/ formatam as mentes dos povos e os dirigem, dominam, controlam, sempre odeiam a realidade/ verdade. E os povos, seus súbditos, nem chegam a aperceber-se de que são elas que os levam a preferir os mitos à realidade/verdade, só para melhor os terem nas mãos. São tão perversas, devastadoras, que conseguem despertar, alimentar nos povos, suas vítimas, o mesmo ódio à realidade/ verdade que elas têm. De outro modo, não os teriam por muito tempo sob o seu domínio, controlo. Aontece, porém, que só a realidade/verdade, não os mitos, nos salva/humaniza a todas, todos. E é ela que nos diz/ revela que só no reino dos mitos, Deus e Diabo são rivais que se degladiam, odeiam. Porque no reino da realidade/verdade, Deus e Diabo são um só – o Dinheiro. O Senhor Dinheiro! Ao qual todas as elites do poder religioso, político, financeiro, têm de vender a alma. De modo que, até o aspecto humano que ostentam, é a máscara com que sempre escondem dos povos a mentira, o assassínio, a crueldade, o sadismo que são. Todas elas, sem excepção!

5 Dezº 2014 https://www.youtube.com/watch?v=D6i3s4cS9XI

 

Crónica 87

ESTE É O MÊS DE TODAS AS MENTIRAS CRISTÃS

 

Este é o mês de todas as mentiras cristãs. As da igreja católica romana e as das igrejas protestantes. O natal de 25 de Dezembro de cada ano, o único verdadadeiro e que havemos de celebrar como povo de povos, é o natal do Sol, a estrela mais próxima da Terra, nossa casa comum. Sem o qual, não haveria vida de nenhuma espécie, muito menos, a vida consciente e responsável, que somos, os seres humanos, ainda e sempre em vias de crescimento de dentro para fora. Felizmente, é já assim para a esmagadora maioria da humanidade que tem resistido e continua a resistir ao assédio das igrejas cristãs. Só não é assim para as igrejas cristãs. Todas acreditam que o natal de 25 de Dezembro de cada ano é o natal de Cristo, um mito que a dinastia e casa real de David, a mesma que está na origem da Bíblia hebraica, fez seu em exclusivo, e que todas elas, na sua peugada, mentirosamente, identificam com Jesus, o camponês-artesão de Nazaré, o filho de Maria (cf. Marcos 6, 3). O facto, objectivamente grave, é devastador para os milhões e milhões de mulheres e homens que integram as igrejas cristãs todas, a começar pelos dirigentes de topo e seus múltiplos quadros intermédios. Mas parece não as perturbar. Pelo contrário. Continuam aí, delirantemente, a ter-se na conta de que são o que há de melhor à face da terra, quando, no dizer do próprio Jesus Nazaré que todas odeiam, como a mentira odeia a verdade e a treva odeia a luz, são sepulcros caiados, muito atraentes por fora, cheios de podridão por dentro. Para cúmulo do mal, vivem todas blindadas no seu universo cristão, como ilhas cercadas de humanidade por todos os lados, que elas pretendem conquistar, submeter às suas aberrantes crenças, ao seu imoral moralismo, às suas pérfidas leis. No entender dos doutores biblistas e teólogos das suas universidades, só elas são as portadoras da salvação do mundo!!! São outros tantos casos patológicos que não se reconhecem e não se deixam tratar. Acabam, por isso, um perigo público para as mentes/consciências das populações, que tem de ser lidado com muita precaução e, sobretudo, muita inteligência cordial.

4 Dezº 2014 https://www.youtube.com/watch?v=DvAoH3sBjig

 

Crónica 86

JÁ NEM AS CRIANÇAS QUEREM NASCER NUM PAÍS ASSIM!

 

O poder político CDS-PSD que, criminosamente, se mantém à frente do país, está a transformá-lo num deserto. Nascer em Portugal é hoje proibitivo. Já nem as crianças querem nascer, nem as mulheres, os homens em idade fértil estão dispostos a chamar filhas, filhos. O país é cada vez mais um deserto de crianças, jovens, adultos na força da vida, criatividade, comensalidade, arte, cultura, saúde, vida de qualidade. Já nem os imigrantes, oriundos de países empobrecidos, com destaque para os da comunidade de língua portuguesa, aguentam viver e trabalhar neste país. Com o poder político CDS-PSD, obscenamente, de cócoras perante o poder financeiro local e global, até eles se vão embora. Pensam e bem, Mal por mal, antes no meu país natal, junto dos meus. É em momentos de treva política como os que vivemos actualmente no país, que a fecundidade dos afectos fala mais alto do que o Dinheiro, e os imigrantes, tratados como cidadãos de segunda e de terceira, levantam ferro e regressam ao chão que haviam deixado. O poder político CDS-PSD está a desgraçar-nos como país. E não há Ministério Público-PJ-super juiz que o incrimine e aos seus agentes de turno, nomeadamente, os de proa. São meros paus mandados do poder financeiro local e global. Odeiam as filhas, os fihos de Portugal e expulsam-nos, para instalarem, em seu lugar, através dos vistos dourados, imigrantes portadores de muitos milhões, por isso, corruptos. Uma ignomínia. As manifs e os protestos de rua, acirrados por partidos da oposição a estes agentes do poder político, não passam de estéreis encenações que só ajudam a fortalecer ainda mais o poder financeiro, o corruptor n.º 1 de todos os agentes do poder. Pretendem apenas substituí-los por outros, de outras cores partidárias. Ora, o que hoje mais se impõe é amarrar/controlar o poder financeiro, a causa da toda a actual desgraça nacional e mundial. Não basta mudar as moscas. Urge mudar o ser-viver das pessoas, dos povos. Para que os afectos, vividos em relação política maiêutica, obriguem o poder financeiro a servir a vida. Só assim voltam a nascer crianças e há vida de qualidade!

3 Dezº 2014 https://www.youtube.com/watch?v=rSIpEGzRII0

 

Crónica 85

PAPA, BISPOS RESIDENCIAIS, PÁROCOS, VÃO NUS!

 

Têm sido séculos e séculos de silêncio/ sofrimento reprimido, demencialmente sublimado. Porque a cruz do cristianismo é o poder absoluto, infalível. Papa, bispos residenciais, párocos, são todos seus reféns. Que tornam reféns as populações. A cruz de cristianismo destrói mais do que a bomba nuclear. A bomba nuclear mata os corpos das pessoas. Não consegue matar-lhes a alma/ identidade. Já a cruz do cristianismo mata-lhes a alma/ identidade, a começar pela do papa, dos bispos residenciais, dos párocos, e a acabar no mais ignoto dos cristãos católico ou protestante. Mata-lhes a alma/ identidade, para poder continuar a usar os seus corpos na missão de corromper a muitas, muitos. Ou o cristianismo não fosse o pai de todos os sistemas de poder. Ao fazer da cruz, instrumento de tortura do império romano, o instrumento por eleição da redenção da Humanidade, o cristianismo fundado por Pedro, Tiago, Paulo, Constantino, Lutero, e imposto aos povos do Ocidente e de outras partes do mundo, aonde os seus missionários continuam a fazer chegar a cruz e a Bíblia, tornou-se a perversão das perversões. Um crime institucional de lesa-humanidade. Sem perdão. Para cúmulo, soma já dois mil anos de actividade. O mais intrigante, é o cristianismo ter conseguido a cooperação activa de quase todos os intelectuais, artistas dos diversos ramos da Arte, filósofos, teólogos, que nunca viram a perversão das perversões que ele é, disfarçado de virtude, santidade. Até que, inopinadamente, vem para a ribalta do mundo o pecado e o crime da pedofilia do clero, celibatário à força, e o cristianismo está aí a rachar de alto abaixo. Papa, bispos residenciais, párocos vão nus. Sim, nem todos são pedófilos, mas são todos cúmplices. Não se rebelam, nem contra a pedofilia, nem contra a lei do celibato obrigatório. Prosseguem as suas rotinas clericais e litúrgicas, como se nada fosse. Por sua vez, as populações, apanhadas de surpresa, mantêm-se incrédulas e continuam a entregar as filhas, os filhos ao baptismo, às catequeses paroquiais, às missas, às comunhões solenes, aos crismas, aos cultos protestantes. Por quanto tempo mais?!

2 Dezº 2014 https://www.youtube.com/watch?v=QYf3uhMgNjQ

 

Crónica 84

O QUE LEVOU O PAPA A TROCAR O VATICANO PELA TURQUIA?

 

Durante três dias, o papa Francisco trocou o Vaticano pela Turquia, um país de muçulmanos, muito poucos católicos romanos e cristãos ortodoxos, obedientes, estes últimos, a um papa menor, Bartolomeu I. O que o moveu? A anunciada procura da unidade entre as duas igrejas, separadas desde 1054? Somos ingénuos, se nos fiamos nas informações ofiiciais da Cúria romana que nunca dá ponto sem nó. Uma coisa, a Cúria sabe: Sempre que o seu chefe máximo troca o Vaticano por um outro estado fora de Itália, arrasta com ele uma avalanche de jornalistas que lhe garantem as manchetes dos grandes media. E ela pode movimentar os seus negócios mais à vontade. Desde que Mário Bergóglio trocou Buenos Aires, Argentina, onde, à data, era já um apagado arcebispo emérito, por Roma, nunca mais a Cúria romana foi notícia pelas piores razões, como aconteceu com os dois papas anteriores, Bento XVI e João Paulo II, já santo de altar, antes que todos os seus múltiplos pecados e crimes graves fossem devidamente investigados e divulgados. De um papa santo de altar, quem se atreve, sem correr o risco de cair logo em descrédito, a apontar-lhe os graves pecados e crimes que cometeu? Não são, os santos exemplos de grandes virtudes? Não integram a corte celestial, feita à imagem e semelhança da Cúria romana, aos quais os fiéis das paróquias católicas podem e devem recorrer para obterem, por intermédio deles, os favores de Deus, o da Cúria romana? Por sua vez, o papa Bento XVI, emérito e refugiado no Vaticano, não foi a desgraça que se sabe na sua relação com os muçulmanos e as igrejas protestantes, tidas por ele como meras associações religiosas? Cabe ao sucessor deles tentar juntar os cacos e unir os chefes das três religiões do Livro. Unidas, elas poderão aguentar-se na crista da onda, por mais umas gerações. A menos que os povos das nações, conscientes de que a única unidade querida por Deus, o de Jesus e da Humanidade, é a dos povos, não a dos estados e das religiões, resistam a estas encenações papais. Alerta, povos!

1 Dezº 2014 https://www.youtube.com/watch?v=HKVg_q4exKA

 

Crónica 83

ESCOLAS DO PAÍS: OLHA A NOVIDADE!...

 

Um estudo do ministério da Educação sobre Escolas privadas e públicas em Portugal, revela o óbvio: As privadas vão muito à frente das públicas, em aproveitamento lectivo. O facto é hoje título de primeira página em todos os matutinos do país e nos noticiários das tvs. É caso para dizer, Olha a novidade!... Desde logo, com o ministro que o Governo do PP-PC insiste em impor aos profs, aos pais, ao país. De crianças, adolescentes, jovens, profs, Educação, Nuno Crato percebe tanto ou menos que um analfabeto em literacia, que não em sabedoria. Pedagogicamente, é perturbador, estranho, ladrão da alma/ identidade dos discentes, docentes, pessoal auxiliar. Mais parece um sapateiro a tocar rabecão, sem nunca, antes, ter tido um nas suas mãos. Para pior. Porque um sapateiro, com brilhozinho nos olhos, após ter passado parte de um dia a mexer num rabecão, sabe logo fazer sair dele muito mais musicalidade que o ministro Nuno Crato sabe fazer sair humanidade e sabedoria de quantas, quantos “fazem” as escolas públicas. Para cúmulo, o ministro Crato não está só nesta sua mais do que manifesta incapacidade, na arte de educar. Pior do que ele, é a dupla PP-PC à frente deste Governo de maioria PP-PSD. No que respeita a Educação, estamos conversados. É uma dupla perita em verniz, auto-amestrada, maquiavelicamente contida, malabarista, aflitivamente vazia de afectos. PC, é politicamente só, casado com o poder político, o que há de mais oposto à política, à fecundidade, à arte de educar. PP, é um narciso, casado com o espelho onde se vê, mesmo enquanto dorme, duma esterilidade atroz que lhe salta pelos olhos, pelos poros. São tão cegos que não conseguem ver que a fome, a caridadezinha, o desemprego, os impostos, a constante instabilidade dos docentes das escolas públicas, estrangulam as capacidades de concentração, criatividade, reciprocidade de quantas, quantos as frequentam. São tão, tão poder, que odeiam as crianças/jovens, as mães, os pais, os profs, as próprias escolas públicas. Quando têm de ser estas, a menina dos olhos de quem governa um país!

29 Novº 2014 https://www.youtube.com/watch?v=apRdTISrx-U

 

Crónica 82

VALHA-NOS O CANTE ALENTEJANO!

 

O esperado e desejado aconteceu. O Cante alentejano é, a partir desta semana, património imaterial da humanidade. Unesco dixit e bem. Perante tamanha distinção, grávida de humanidade, musicalidade, poema, arte, cultura, o senhor Dinheiro pode limpar definitivamente as mãos à parede. Embora consiga ser o senhor do mundo, ter adoradores aos milhões, biliões, em toda a terra, jamais conseguirá ser património imaterial da humanidade. Será sempre a besta-mor do universo, que não apenas do planeta, gerada pelo cristianismo e dele nascida, com a perversa missão de destruir as mentes-consciências dos seres humanos, a começar pelas dos seus mais incondicionais servidores, os grandes banqueiros, os grandes financeiros, os grandes das nações e das igrejas cristãs/ religiões, todos de alma pequena, marcados/ assinalados por ela, para tornarem pequenas as almas de quantas, quantos se deixem enredar nas suas malhas. Não! Não foram apenas nem sobretudo os miseráveis 48 anos de fascismo salazarista que fizeram de nós mesquinhos, invejosos, superficiais, banais, beatos, de joelhos, medíocres, aves de capoeiro. Somos assim, desde a fundação. Nascemos, como nação, amordaçados, crescemos amordaçados, morremos amordaçados. O clero romano, então, no topo da pirâmide, bem acima da nobreza e do povo, sempre ditou as leis, os costumes, as tradições, e formatou as nossas mentes-consciências. O campanário dos clérigos fez de nós um povo a toque de sinos, regulado pelo “Avé de Fátima” do relógio da torre da igreja, e marcado, logo ao nascer, pela cruz, o instrumento de tortura do império cristão, sucessivamente catequizado, confessado, comungado, casado, enterrado à sombra dela. E eis que, surpreendentemente, esta semana, vem a Unesco reconhecer o Cante alentejano como património imaterial da humanidade. A decisão, carregada de humanidade, é um empurrão mais, a sairmos de vez da cruz do império cristão e dos seus clérigos sacerdotes. E sermos todos Cante alentejano, comunhão de afectos.

28 Novº 2014 https://www.youtube.com/watch?v=RkHdVAaRfLY

 

Crónica 81

PEDOFILIA DO CLERO:

DE OCULTADORES A DELATORES

 

Primeiro, foi o papa Francisco. Segue-se-lhe, em Portugal, o actual bispo do Porto, António Francisco. Os fariseus, ferozmente, denunciados pelo Evangelho de Jesus, estão de volta. O bispo de Roma deu o mote, ao mandar prender três padres pedófilos espanhóis. O bispo do Porto não lhe quis ficar atrás e, zás, soube que um padre de Fafe terá abusado de crianças, em território da diocese do Porto e, nervoso com o gritante apocalipse que é a paróquia de Canelas, não hesitou. Entregou-o à polícia, para que fosse preso. Sabia-se do caso em circuito doméstico. A partir de hoje, graças à manchete do matutino do costume, todo o país é sabedor. E rejubila. Pedófilos praticantes, no país, nos países do mundo, são aos milhares, aos milhões. Se forem clérigos católicos romanos, são mais pedófilos que os outros. E há que comunicar à polícia, para que sejam presos. Na hora. Os bispos passam, assim, de ocultadores que foram, anos e anos, a delatores. E lavam as mãos como Pilatos. Na impossibilidade de se prender todos os pedófilos do país, do mundo, prende-se alguns. De preferência, os clérigos. Bodes expiatórios, precisam-se. É assim a civilização cristã ocidental. Exemplarmente justiceira. Só com alguns. Desconhece os afectos, a misericórdia. Filtra mosquitos, engole camelos. Fomenta a corrupção por todos os meios, ao mesmo tempo que mantém o hipócrita discurso da incorruptibilidade e da luta institucional contra a corrupção. No caso dos clérigos, o “bom” papa Francisco mostra mão de ferro. Ou ele não se soubesse o mais poderoso do mundo. Só engana os grandes media e quantos se deixam guiar pelas suas manchetes, seus telejornais. O actual bispo do Porto vai atrás. O princípio misericórdia para com os prevaricadores, tão de Jesus Nazaré, é ferozmente recusado pelo cristianismo e o seu mítico Cristo. Os bispos deveriam atirar todas as pedras que têm nas mãos, e muitas são, contra a lei eclesiástica do celibato dos clérigos, o absurdo dos absurdos, até a derrubar. Preferem atirá-las todas contra os clérigos vítimas dela. E a plebe aplaude. Quão cruéis e sádicos são os cristãos!

27 Novº 2014 https://www.youtube.com/watch?v=nHSeuefm8kY

 

Crónica 80

A EUROPA DO PAPA SEM PAPAS NA LÍNGUA

 

Numa visita relâmpago a Estrasburgo, o coração da Europa dos milhões, o papa Francisco fez ontem dois discursos. É um papa sem papas na língua. Os documentos papais e as homilias improvisoadas na capela da Casa onde reside, contêm frases aparentemente atrevidas, mas todas politicamente inócuas. O mesmo se diga dos discursos que lê nas visitas de chefe de estado do Vaticano. É sempre o maior entre os grandes do mundo. O hipócrita-mor entre hipócritas menores. O figurante-mor entre figurantes menores. E todos sem escrúpulos. Desde logo, pela forma de vestir, diferente de todos. Parece a transparência em pessoa, no imaculado branco das suas vestes. É o rosto da maior máfia do mundo – a Cúria romana do Estado do Vaticano. O seu permanente sorriso não engana. Não é sorriso de menino adulto entre doutores que vê e logo diz que o rei vai nu. É o sorriso do vencedor invicto que domina as mentes-consciências das populações, ateus incluídos. Onde chega, sempre encontra súbditos e vassalos, ainda que, individualmente, cada um se pense laico ou seguidor de outros credos. As raízes da Europa são as raízes cristãs. Por isso, imperialistas. O cristianismo católico romano é o poder monárquico absoluto e infalível. O protestantismo de Lutero e quantos se lhe seguiram, mais não são do que variantes do mesmo cristianismo monárquico absoluto de Roma. Têm-se como desvinculados de Roma. São os seus súbditos mais fiéis. A Bíblia que lêem e seguem é a pequena-grande biblioteca do Mal institucional, mascarado de palavra de Deus. Só que do Deus todo-poderoso, por isso, o pai de todos os poderes, a começar pelo financeiro, o mais assassino de todos. Enquanto as populações não erradicarem das suas mentes-consciências o demónio do cristianismo, a Europa e o mundo serão sempre a casa da mentira, o ninho de todas as máfias, o santuário que mais cultua o Deus Dinheiro. Jamais será a Europa e o mundo dos povos vasos comunicantes, de cada um segundo as suas capacidades, a cada um segundo as suas necessidades. Será sempre a Europa e o mundo do papa!

26 Novº 2014 https://www.youtube.com/watch?v=4rwmzXU0CpQ

 

Crónica 79

O QUE MOVE O JUIZ CARLOS ALEXANDRE?

 

É dos jornais. O juiz Carlos Alexandre, 53 anos, é um homem solitário. Poucas falas. Católico. Gosta de participar nos ritos da ‘semana-santa’ (!?), na igreja da sua terra natal, em Mação. E de touradas no Campo Pequeno. Dois tipos de espectáculo, de horrendo suplício. O de Mação, com um mítico Cristo crucificado, liturgicamente, sacrificado pelos sacerdotes das religiões cristãs, para apaziguar as iras de um Deus todo-poderoso, carniceiro, justiceiro, que nem o próprio filho único poupa. Para logo depois guindá-lo à categoria de Deus, no céu, de onde há-de vir em poder e glória, para julgar os vivos e os mortos, como outros tantos cabritos, uns à sua direita, outros à sua esquerda! O do Campo Pequeno, com touros a sério, especialmente cevados, tratados para serem sacrificados na arena, às mãos de um toureiro sacerdotalmente vestido, montado num cavalo treinado para ajudante de carrasco. A estocada final é o clímax de um colectivo orgasmo mental e porventura sexual nas bancadas repletas de aficcionados animais racionais, aos gritos de, Olé! É este o homem que o Estado português mantém à frente do Tribunal Central de Investigação Criminal, a quem, a partir de indícios supostamente fundamentados, cabe decidir da vida e do nome de gente mais ou menos “graúda”, oriunda do universo do poder político, mediático, económico-financeiro. Os processos, de tantos que são, atropelam-se uns aos outros. E o juiz Carlos Alexandre quase nem tempo tem para comer, dormir. O que o move? O que o leva a gostar tanto do espectáculo mediático a que sujeita os que lhe caem nas mãos? Ao serviço de quê e de quem vive? Da justiça, da verdade? Mas o Estado-poder não é de sua natureza mentiroso, assassino, justiceiro? Não se serve dele, para parecer um Estado de direito, quando é a grande máquina institucional de produção de vítimas? Primeiro, alicia seres humanos frustrados e estéreis, para seus agentes, quanto mais no topo, melhor. Corrompe-os logo a todos. Por fim, escolhe uns quantos, para os sacrificar perante os grandes media! Em nome do combate à corrupção! A plebe aplaude!

25 Novº 2014 https://www.youtube.com/watch?v=-enQsGXufnU

 

Crónica 78

QUEM TEM RAZÃO, O POLÍTICO PC, OU O POVO?

 

O primeiro-ministro, PC, garantiu ontem, Os políticos não são todos iguais. A generalidade do povo português, sua vítima e vítima de todos os agentes do poder – político, religioso, económico-financeiro – garante, Os políticos são todos iguais. Quem fala verdade? Cabe aos políticos fazer prova de que não são todos iguais, porque, se há coisa certa, certíssima, é, Todo o poder corrompe; e, O poder absoluto corrompe absolutamente. A regra é, Todos os políticos são corruptos. E no caso do poder, não admitirá excepções. Se, então, algum agente do poder consegue passar nas malhas da corrupção sem se corromper, terá de o provar com as suas próprias práticas. O facto do primeiro-ministro PC ter sentido necessidade de correr a demarcar-se do seu imediato antecessor, JS, que se encontra detido para averiguações de graves acusações que lhe estão a ser imputadas, revela bem todo o desconforto que sente, ao ver que acaba de ser aberta a caixa de pandora. A partir de agora, nenhum ex-primeiro-ministro está livre de poder vir a ser detido para averiguações, depois que deixe o exercício do cargo. Ninguém, limpo de corrupção, mentira, teria sentido necessidade de vir a correr a fazer semelhante clarificação. Se o primeiro-ministro PC sentiu essa ncessidade, é porque o seu (in)consciente falou mais alto, sinal de que teme que algo semelhante lhe possa vir a suceder, já em 2016, se, porventura, perder as próximas eleições legislativas. Basta que a sociedade secreta que fez dele o primeiro-ministro do país, entenda que ele não correspondeu ao que ela esperava dele e já tenha decidido substituí-lo por outro bem mais “convincente”, perante as suas inúmeras vítimas. O povo pode não saber nada sobre os sinistros meandros do poder, mas dispõe da sabedoria, um exclusivo de todas as vítimas do poder. E esta, ao contrário do saber, um exclusivo dos agentes do poder, não engana. Ora, é a sabedoria que leva o povo a garantir, Os políticos são todos iguais. E são! A única diferença entre eles é apenas de grau. Uns são mais iguais que outros. Quanto mais poderosos, mais corruptos.

24 Novº 2014 https://www.youtube.com/watch?v=mX9fPkTI480

 

Crónica 77

TODOS CULPADOS ATÉ PROVA EM CONTRÁRIO

 

Acabou-se o tempo em que valeu o princípio, São todos inocentes até prova em contrário. Tantos e tão graves são os crimes dos agentes históricos dos três poderes, o religioso, o político e o económico-financeiro, que a partir de agora, tem de passar a valer o princípio, São todos culpados até prova em contrário. A presunção de inocência tem de deixar de ser a regra, para ser a excepção. Qualquer investigação aos agentes históricos do poder que se queira séria, é deste novo princípio que tem de partir. Não há agentes históricos do poder de mãos limpas. Cabe-lhes, por isso, provar que estão inocentes Fica então decretado – é o bom senso a prevalecer – que, até prova em contrário, todos os agentes históricos do Poder são culpados de crimes de corrupção e de outros crimes igualmente graves. Esta mudança de visão das coisas e de postura representa, em si mesma, uma revolução política, cultural e, sobretudo, teológica, os três pilares fundamentais em que assenta uma sociedade que se queira saudável e humana. Na raiz de toda a sociedade, anda sempre, mas sempre, uma teologia escondida. Até agora, tem sido uma teologia idolátrica. O conceito Deus enche as bibliotecas de todo o mundo e anda nas bocas de todas as populações e povos. Sempre nos quiseram convencer que uma sociedade sem Deus, depressa se transformaria na pior das selvas, com as pessoas a comer-se umas às outras. Só que este é precisamente o tipo de mundo em que hoje vivemos. Comemo-nos uns aos outros. Porque, embora o conceito Deus seja um só, sempre temos sido levados a esquecer ou a ignorar que, subjacente ao conceito Deus, pode estar, e está, até prova em contrário, um ídolo, um falso Deus. Pelos frutos que este tipo de mundo do poder tem produzido, temos de concluir que o Deus que lhe está subjacente, não só é mentiroso e assassino, como é o pai da mentira e do assassínio. Mudar de Deus, é preciso, imperioso, urgente. Do Deus que sempre tem fundamentado e abençoado os agentes históricos do poder, para o Deus de todas as vítimas. Quem se atreve a semelhante revolução?

22 Novº 2014 https://www.youtube.com/watch?v=WVEvv2tM5jc

 

Crónica 76

CRIANÇAS POBRES, EX-POLÍTICOS RICOS?

 

Está em curso uma humilhante operação, liderada pela televisão e rádio públicas, que visa ajudar as muitas crianças portuguesas vítimas de pobreza. “Toca a todos”, é o mote da operação que, pelos vistos, pretende mobilizar o país. E humilhante, porquê? Porque, em vez de atacar as causas da pobreza infantil, esgota-se no folclore e no show da caridadezinha, a mais vil. A Caritas, conhecida empresa nacional de bem-fazer ligada à Conferência Episcopal Portuguesa, também está envolvida na operação e deverá ser a mais beneficiada, uma vez que nasceu com o propósito de concentrar nas suas contas as esmolas e os donativos dos grandes ricos que produzem os pobres e a pobreza, para, depois, poder aparecer como a grande benfeitora que vai valer a alguns dos casos de maior aflição, com destaque, ultimamente, para casos de “pobreza envergonhada”. A daquelas famílias da classe média atingidas pelo desemprego e com grandes contribuições mensais a pagar, resultantes de créditos que contraíram e deixaram de poder satisfazer. E tudo isto, sem nunca a Caritas se questionar, Porque há pobres e pobreza, muito menos, erguer politicamente os pobres e os povos contra a pobreza estrutural. Por coincidência, ou talvez não, a campanha Toca a todos acontece na mesma semana em que PSD e PS aprovaram ontem, na Comissão parlamentar do Orçamento, a reposição do pagamento das pensões vitalícias aos ex-políticos que, nos anos em que foram activos no Poder, beneficiaram de mordomias, ajudas de custo e outras regalias que nem passa pela cabeça das populações trabalhadoras por conta de outrém, as mesmas que, com o seu voto, em cíclicas eleições, acabam sempre por legitimar o que deveriam firmenente condenar. Fica assim a nu que a operação Toca a todos tem apenas um sentido, o pior de todos. Toca a todos ajudar os pobres, no caso em presença, as crianças vítimas de imerecida pobreza. Já não Toca a todos ter as suas pensões integrais de volta, muito menos, detectar e erradicar as causas da pobreza, para que nem mais uma família tenha de ser pobre à força.

21 Novº 2014 https://www.youtube.com/watch?v=bOXF3eW8Ax8

 

Crónica 75

QUEM NOS LIVRARÁ DO DEMÓNIO DO CRISTIANISMO?

 

Foi preciso chegar ao terceiro milénio, para finalmente percebermos que o cristianismo é, porventura, o pior demónio que se alojou nas mentes-consciências das pessoas e as torna demoníacas consigo próprias e umas com as outras. Pode dizer-se que, hoje, já nascemos cristãos. O cristianismo conseguiu, até, convencer-nos de que sermos cristãos é o que de melhor nos poderia ter acontecido. Tanto assim, que a principal missão de cada cristão é ser missionário, apóstolo, isto é, enviado para fazer com que os povos de todas as nações se tornem cristãos também. Ignoramos que o demónio histórico, não mítico, é de sua natureza, mentiroso, pai da mentira e assassino desde o princípio. Como tal, tem conseguido convencer as populações e os povos de que só ele é o caminho, a verdade, a vida, pelo que, fora dele, não há salvação! Ele sabe que é pelos frutos que se conhecem os sistemas. E os envenenados frutos do cristianismo estão aí bem à vista. Só que nós, cristãos, por isso, mentirosos e assassinos, transubstanciamos a realidade e chamamos bom, ao que é mau, santidade, ao que é crime, virtude, ao que é pecado, vida, ao que é assassínio, esmola ao que é roubo, bem-fazer, ao que é humilhação dos que condenamos à pobreza estrutural. Tudo o que hoje é corrupção, mentira, exploração, guerras, fome, assassínio, no país, na Europa e no resto do mundo – o demónio do cristianismo, noutras zonas do planeta, recebe outras designações, como islamismo, sionismo, hinduísmo, budismo, jhiadismo –  é fruto, o mais conseguido fruto, do cristianismo. É ele que cria elites dirigentes, e, depois, as torna corruptas e agentes históricos de corrupção, para que as populações nunca cheguem a crescer de dentro para fora, até serem sujeitas das suas próprias vidas. Nunca antes o cristianismo tinha conseguido tanto êxito. O planeta está à beira de implodir, de podre. Se não expulsamos das nossas mentes-consciências o demónio do cristianismo, ninguém sobreviverá. A via de salvação é passarmos de cristãos a seres humanos. Cada vez mais sororais, maiêuticos, vasos comunicantes uns com os outros.

20 Novº 2014 https://www.youtube.com/watch?v=FwgcGexEo0o

 

Crónica 74

O QUE FAZ CORRER ANABELA RODRIGUES?

 

Deve ser das poucas pessoas em Portugal que é suposto ter consciência crítica suficientemente desenvolvida, que ainda consegue ver no pequeno Maquiavel do PSD, PC, alguém com quem vale a pena trabalhar. O que leva uma mulher, como Anabela Rodrigues, 60 anos de idade, presidente da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, Professora e membro do Conselho Superior de Magistratura, a aceitar o cargo de ministra da administração interna de um Governo a desfazer-se aos pedaços e a governar à vista, rumo ao suicídio político? Que viu ela na dupla PP-PC e neste Governo de maioria CDS-PSD, saco de lacraus, que a levou a deixar tudo o que tem sido até agora a sua razão de viver, para aceitar ser ministra de um Governo a prazo? A resposta só a própria poderá dá-la. Provavelmente, nem a própria. Porque, nestas coisas do Poder, nunca os seres humanos, mulheres e homens indistintamente, que, um dia, aceitam tornar-se seus agentes activos, chegam a saber suficientemente porque o fazem. O Poder político é tão estruturalmente infecundo, mentira, assassínio, e, ao mesmo tempo, tão habilmente mascarado de serviço público, que só mulheres e homens dotados de mentes fecundamente cordiais, afectivas e harmoniosamente desenvolvidos de dentro para fora, a partir da sua própria matriz original, única e irrepetível, são capazes de o ver tal-qual é, e resistir-lhe. Anabela Rodrigues não foi capaz. Terá pesado na sua decisão a compaixão por um homem só e à deriva, a tentar manter-se à tona do mar encapelado em que se afunda e que, em desespero de causa, lhe pede socorro? Se assim for, confunde um ser humano com um agente do Poder político. Estende a mão ao agente nº1 do Poder político do Governo português, convencida de que está a estendê-la a um ser humano. Semelhante falta de discernimento político ser-lhe-á fatal. Porque, então, ao assinar hoje a tomada de posse como ministra, assina também a sua sentença de morte como Mulher. Cuidemo-nos! O Poder, estruturalmente infecundo, mentira e assassínio, tem, a partir de hoje, mais um rosto de Mulher!

19 Novº 2014 https://www.youtube.com/watch?v=kTJQLOixq6k

 

Crónica 73

GOVERNO CDS-PSD: LIBERDADE PARA ROUBAR

 

O país não tem um Governo constituído para promover a vida de qualidade e abundância das populações, a principal razão de ser de uma sociedade organizada. O País tem um Governo com liberdade para roubar, constituído por uma elite estéril em ideias e projectos, mas fecunda em vaidades e apetites de mais e mais mordomias, para ela e mais uns quantos, precisamente, os mais ricos e os mais poderosos do país, perante os quais ela vive de cócoras. Sob a batuta da dupla PP-PC, sempre envolvida em artificiais guerrilhas recíprocas, para distrair as atenções das populações e entreter os jornalistas, o Governo vive rodeado de descomunal avalanche de secretárias, motoristas, assessores, carros de luxo, tlms, uma agenda sempre carregada de viagens a outros países e de visitas a empresas nacionais, ditas de sucesso, que, no final, ainda lhes deixam na bagagem dos carros de luxo prendas e prendinhas, fruto dos salários de vergonha que pagam – quando pagam! – no final do mês às operárias, aos operários. O país tem um Governo constituído e empossado, vai para quatro anos, só para roubar descaradamente as populações, que outra coisa não são os impostos, lançados a pretexto de garantir o regular funcionamento das instituições, e que mais não são do que descarados roubos a quem ainda não perdeu o posto de trabalho. Nem no tempo do fascismo, o Estado foi tão gastador, tão sorvedouro de riqueza que não produz e que, para continuar a cair-lhe nas mãos, tem de ser roubada a quem ainda trabalha e a quem, por força da idade, já vive da sua reforma, fruto de anos e anos de descontos para a segurança social. Um Governo, como o desta maioria CDS-PSD, gerido pela dupla PP-PC, qual dos dois o mais politicamente malcriado, sempre sob a máscara de palavras doces, poses bem estudadas, é um Governo ladrão e assassino das populações. A Europa do euro que o pariu e reconhece, bem pode limpar as mãos à parede. Continuarão sujas do sangue das populações escravizadas e sacrificadas ao seu Deus fundador, o Dinheiro!

18 Novº 2014 https://www.youtube.com/watch?v=EeQ9SVZge7Q

 

Crónica 72

SAI O MINISTRO DAS POLÍCIAS E O GOVERNO FICA?

 

O caso dos vistos Gold veio revelar que o Governo está politicamente morto e em estado de decomposição. O país está moribundo, atingido pelo vírus da corrupção, do chico-espertismo dos ministros, da ignomínia política dos deputados da maioria que, desde o princípio, atiraram às urtigas a sua própria consciência individual e, em seu lugar, colocaram a obediência à dupla PP-PC que, depressa, se revelou sem ética e sem autoridade. Com o passar das semanas e dos meses, o autoritarismo inicial da maioria tornou-se intolerável. Só os ditadores confundem autoridade com autoritarismo, firmeza com teimosia, eu-sou com eu-quero-posso-e-mando. Nunca a dupla PP-PC deveria ter sido empossada como chefe de Governo. Muito mal vai um país, quando confunde Política praticada com Poder político. Para o poder político, os fins justificam sempre os meios. Tem como inevitáveis, as vítimas que produz. São todas sacrificadas pela redenção das elites dos privilégios, religiosas e laicas, as únicas com voz e vez! Inesperadamente, rebenta o escândalo dos vistos gold, logo a seguir ao medonho polvo BES. E o Governo ficou nu, perante as populações. O ministro da administração interna vê que caiu a encenação em que o Governo tem vivido desde a tomada de posse, e não quis continuar nem mais um dia a alimentar esta farsa. Alerta, polidamente, o seu chefe. Mas ao ver que nem assim ele se mostra capaz de ver que é todo o Governo que vai nu, a começar pela dupla dirigente PP-PC, avança, firme, com a sua demissão. “Saio para defender a autoridade do Estado”, diz. Por outras palavras: O Governo está politicamente morto e em estado de decomposição e, se nem a dupla PP-PC que o arrastou para este beco sem saída vê e insiste em manter-se, problema dela, da maioria política que a suporta no Parlamento, e do Presidente Aníbal, que tudo tem permitido, ou não fosse ele um dos que mais aproveitou com toda esta mediocridade. Quanto mais polida a saída do ministro das polícias, maior o estrondo político que causou. A remodelação que, agora, se impõe, é de todo o Governo. E do próprio PR. Tem a palavra o País real!

17 Novº 2014 https://www.youtube.com/watch?v=asOesukqy9Y

 

Crónica 71

PARA ONDE VÃO OS MILHÕES QUE VÊM DA CHINA?

 

Desde a primeira vez que as tvs mostraram o líder do CDS, simultaneamente, vice primeiro-ministro, Paulo Portas, a anunciar ao país que vinham aí milhões de euro da China, à sombra dos vistos “gold”, deu logo para perceber o mar de corrupção ao mais alto nível que aí vinha. Aqueles seus gulosos olhos, a ejacular prazer por todo o corpo impecavelmente vestido, como um menino de comunhão solene – o dinheiro é o maior afrodisíaco de quantos se fazem eunucos por amor do poder, que o digam os clérigos católicos proibidos de casar por força da estúpida lei do celibato eclesiástico – revelavam, já então, meandros secretos que só alguns eleitos viriam a ter a dita de franquear, usufruir. Essa é, de resto, a inexplicável magia de todas as sociedades secretas, reservadas a muito poucos, ligados entre si por um juramento de sangue. Que outra coisa não é o sinistro mundo dos partidos políticos, dirigidos por gente estéril, que odeia os afectos, traduzidos em práticas políticas que fazem as populações crescer de dentro para fora, até ficarem ao comando das suas vidas e do planeta. O maestro desta operação faz questão de se apresentar acima de toda a suspeita, ou não seja ele o mais fervoroso democrata-cristão do país, homem de missa mediatizada, sempre que oportuno. As populações, condenadas a ter de consumir futebol, senhoras de fátima, umas quantas tradições religiosas que as tornam furiosamente avessas à verdade que as faria livres, vêem nele um messias/cristo salvador, naquela sua inalterável pose de manequim sobre uma passerelle de moda. O começo da operação ainda mal começou e o seu sucesso já vai em mais de mil milhões de euro, obra de um vice primeiro-ministro que faz questão de ser o primeiro a marcar a agenda do Governo, sob a cumplicidade institucional de um outro pequeno Maquiavel de trazer-por-casa, o presidente Aníbal que, entretanto, sempre tem conseguido levar a água ao seu moinho. Acham que de toda esta secreta montanha luso-chinesa, vai sair agora algum coelho? O que está aí em curso não é, antes, uma grande encenação para nos cegar ainda mais?!

!5 Novº 2014 https://www.youtube.com/watch?v=Yml5cmAm75U

 

Crónica 70

BISPOS PORTUGUESES, DE MAL A PIOR

 

Os Bispos portugueses voltaram a reunir-se esta semana em Fátima. De segunda-feira até ontem. Nenhum dos diários portugueses faz hoje título de primeira página com as conclusões do encontro. Sinal inequívoco de que os bispos portugueses não fazem nada que chegue a ser notícia. Estes seus encontros periódicos são confrangedoramente estéreis. A Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) vai de mal a pior. Parece em estado de coma. Aqueles homens já são ordenados cansados. São homens sem afectos. Por isso, sem brilhozinho nos olhos. Sem causas. Por isso, pesos mortos. Metidos em camisas de sete varas. Por isso, sem vento. São o poder, na sua versão mais perversa, o sagrado. Vestem de preto. Colarinho branco apertado ao pescoço. Não riem. Não choram. Não amam nem se amam. Não se emocionam. Não se zangam. Tudo o que fazem não é de seres humanos. É de bispos. Mesmo entre eles, há precedência. Uns são mais do que outros. Para onde vão, levam sempre com eles a cátedra e a catedral. E é do alto delas que falam, que emitem os seus pareceres. A naturalidade e a espontaneidade são-lhes estranhas. Não sabem brincar. Por isso, nunca brincam. Mantêm sempre aquele ar sério, mesmo uns com os outros. Nada de tu-cá-tu-lá. Não são seres humanos como as suas mães, os seus pais. São bispos. Os bispos! Jamais se desfazem dessa forma episcopal, nem mesmo nestes seus encontros. Seriam seres humanos como os das ruas, coisa que eles não querem ser, custe o que custar. Bispos, sim. Seres humanos, não. Mesmo os leigos cristãos, elas e eles, se chamados a cooperar com os bispos, apanham logo os mesmos tiques. O papa, bispo de Roma, os gerou para conduzirem o rebanho. E eles conduzem-no. Do mundo, lugar de pecado, para o templo, lugar sagrado. Nunca sujam as mãos, porque as não têm! Os seus encontros em Fátima são de rezas. De missas. De debates formais. Não de trabalho. Invocam o espírito santo por rotina. O ritual manda, eles executam. No final, o que decidem e nada é tudo um. E a prova é que não chegam a ser notícia! Esterilidade maior é impossível!

14 Novº 2014 https://www.youtube.com/watch?v=B5Y6JX1nGCE

 

Crónica 69

E ÀS CRIANÇAS, QUEM AS PROTEGE DO CRISTIANISMO?

 

Nascem cada vez menos crianças nos países da Europa, a começar por Portugal. E as que nascem, são rapidamente apanhadas pela ideologia/vírus do poder, que é o cristianismo, fundado por Pedro e Tiago, pouco tempo depois da morte crucificada de Jesus. Ou, como gosta de dizer o próprio cristianismo, certamente, para impressionar ainda mais as populações, fundado por São Pedro e São Tiago. Pedro, é o chefe do grupo dos Doze que traiu Jesus, o negou e entregou aos sumos-sacerdotes. Tiago, é o irmão de Jesus que, juntamente com os outros e a mãe, chega a tentar prendê-lo, por entender que ele está louco. Cabe às mães, aos pais proteger suas filhas, seus filhos da ideologia do cristianismo, o pai de todas as outras. A missão é quase impossível, porque o cristianismo sempre se nos apresenta como o que há de melhor sobre a terra. Pode até dizer-se que já nascemos cristãos, tamanha a infiltração da ideologia do cristianismo nas mentes-consciências das populações. Durante séculos, o cristianismo foi imposto a ferro e fogo. Ainda hoje, a cruz, o instrumento de tortura do império romano – o próprio Jesus Nazaré é executado nela! – é o principal símbolo identificativo do cristianismo, depois de a ter convertido em sinal de redenção da humanidade.!!! Quando as mães, os pais, apresentam as filhas, os filhos a uma das muitas igrejas cristãs, para que os baptize, são todos assinalados/marcados pela cruz. Pensam as mães, os pais, que o cristianismo provém de Jesus Nazaré, o dos 4 Evangelhos em 5 volumes, e que está no prosseguimento de Jesus. Só que esta é a maior mistificação/mentira da história. O cristianismo nasce depois da morte crucificada de Jesus e contra ele. Não prossegue Jesus Nazaré. Prossegue o judaísmo davídico e a sua ideologia de poder. Avisados andarão as mães, os pais, se defenderem suas filhas, seus filhos das igrejas cristãs, dos seus clérigos e pastores, das suas doutrinas e dos seus ambientes. A pedofilia, de que hoje tanto se fala, é apenas uma pequena amostra do horrendo que é o cristianismo. Quem puder fugir, que fuja!

13 Novº 2014 https://www.youtube.com/watch?v=WN070PHAbXE

 

Crónica 68

MAS AINDA HÁ QUEM MORRA DE AMORES POR UM PÁROCO?!

 

A paróquia de Canelas fica em Vila Nova de Gaia, bem perto do Porto, a cidade onde, sobre o Rio Douro, lá estão bem no alto o Palácio episcopal, a Catedral e o Seminário Maior. Ao fundo, o Barredo que, nos anos do fascismo-cristianismo católico, foi o antro da miséria imerecida que levou tantas vezes pe. Américo, o dos pobres e dos Gaiatos, a rezar missa nos Congregados, junto à Estação de S. Bento, e a comungar, depois, as dores e os gemidos dos tuberculosos nas suas então fedorentas e escorregadias ruelas. Cujas, nenhum bispo do Porto, nos sucessivos rostos que a diocese então conheceu, alguma vez calcorreou. O fedor da miséria bem lhes rondava o Palácio, mas os bispos sabem-se feitos para altares e luxuosas vestes, não para sujarem seus imaculados pés, suas imaculadas mãos com os crucificados na miséria. É neste mesmo Palácio que reside o actual Bispo do Porto. Só que o Barredo, depois de Abril, apressou-se a esconder os pobres pelos múltiplos bairros e ilhas da cidade e hoje é local para turista visitar. Não longe dali, do outro lado do Rio, fica a paróquia de Canelas, cujas populações, estranhamente, ainda parecem morrer de amores por um pároco! O Bispo aposta na rotatividade dos párocos – é o que reza o discurso oficial – e mandou o pároco Roberto ceder o lugar ao pároco Albino. As populações, apanhadas de surpresa, gritam, Queremos o pároco Roberto e mais nenhum! O pároco Albino, qual cordeiro, apresentou-se, no passado domingo, para a sua primeira missa. Só que, no final, se quis sair do templo, são e salvo, teve de aceitar ser escoltado pela Polícia! Como é?! É ainda a Idade Média? Ignoram as populações que o Bispo é o patrão da empresa-diocese, uma das inúmeras sucursais da Cúria Romana, cujo patrão-mor é o papa? E que, em toda esta pirâmide eclesiástica, as populações são meros servos da gleba, a quem cumpre só obedecer, pagar e calar? Se querem ter voz e vez, deixem de ser leigos cristãos! Constituam-se igreja, a dos 2 ou 3, de que fala Jesus. Na paróquia, serão sempre menores, meros figurantes, para ajudarem o pároco e o bispo a brilhar!

12 Novº 2014 https://www.youtube.com/watch?v=oqFMFzO6CeA

 

Crónica 67

LEGIONELLA MATA MAIS QUE O ÉBOLA?

 

Os vírus que atacam humanos também se guerreiam uns aos outros. Cada qual quer ser o campeão em número de mortos. Parece que aprenderam com o vírus dos animais racionais, que nisto de se guerrearem uns aos outros, para saber qual é o maior, o mais poderoso, o mais vencedor, o melhor marcador, o melho escritor, o melhor cientista, o melhor economista, o melhor primeiro-ministro, numa palavra, o cristo invicto, o rei David em cada tempo e lugar, não há vírus que ganhe ao dos animais racionais. Matar por prazer sado-masoquista, é um exclusivo do vírus dos animais racionais. Nenhum outro é tão assassino. Em lugar de matar as causas estruturais que provocam as suas desgraças quotidianas e as de milhares de milhões de outros como ele, o vírus dos animais racionais mata a própria mulher, o próprio marido, os próprios filhos, o amigo, o vizinho. Ou entra, desvairado, numa escola e atira indiscriminadamente sobre as crianças, os professores, e, por fim, sobre si próprio. Ou então faz-se mercenário do império USA ou do Estado Islâmico, e mata em directo para as tvs do mundo. Um a um, se for jhiadista. Indiscriminadamente, se for do império USA. Os bombardeamentos no Iraque e na Síria, como, há anos, na Líbia de Kadhafi, sucedem-se dia e noite, e ninguém na Europa e no Ocidente parece afligir-se. Pelo contrário. O Ocidente, acima de tudo. Ou a civilização cristã ocidental não tenha recebido directamente de Deus todo-poderoso a missão de civilizar todos os povos da terra. De resto, o seu dogma n.º 1 é claro: O Dinheiro é o único Deus, e o Ocidente é o seu profeta, o seu braço armado, o executor das suas ordens. Vejam só: andou este pequeno país a prevenir-se contra o ébola e o que veio foi o legionella, coisa mais comezinha. De repente, pudemos ver que o sistema de saúde vai nu, quanto a respostas prontas e eficazes. Somos peritos a encenar, um desastre, a prevenir. Que importa? O OE 2015 tem estado a ser debatido, ministério a ministério, na AR e era preciso desviar de lá as atenções. E resultou em cheio!

11 Novº 2014 https://www.youtube.com/watch?v=xMvGcdx5eUg

 

Crónica 66

FEZ A FESTA, 25 ANOS DEPOIS DE O DERRUBAR!

 

As atenções do Ocidente concentraram-se todas ontem na Alemanha. Completavam-se 25 anos sem o Muro de Berlim, ou da Vergonha, como lhe chamaram. O poder que o ergueu, também o derrubou e agora festejou. Estava a impedir o crescimento do muro que separa os muito ricos dos muito pobres. Caiu aquele, para que este, agora, global, possa crescer sem entraves. E ele não pára de crescer, a cada momento que passa, também neste em que escrevo/digo esta crónica, e alguém a lê/visiona/escuta. A festa dos 25 anos andou ontem pelas ruas de Berlim, com todos os figurões do poder político e financeiro, a um lado, alguns milhares de cidadãos anónimos, a outro lado; e milhares de balões de luz a iluminar os ares, por uns instantes. As festas do poder são extremamente infantiis. Revelam populações a milhares de anos-luz da própria autonomia. O poder condenou-nos a ser galinhas de capoeiro, de mercado, com brinquedos electrónicos nas mãos, mil e uma chupetas na boca, animais de hábitos e de rotinas. E nós, infantis que somos, gostamos, contanto que não nos falte a ração de cada dia. Nesses dias, vestimos a máscara da festa e dizemos que há festa. As tvs do poder instalam-se todas nos locais, para os directos. No final, apagam-se as luzes, a escuridão toma, de novo, conta das nossas mentes-consciências e, no dia seguinte, lá estamos todos, cada qual com a sua tarefa, no galinheiro. Os escravos deste início do terceiro milénio são iguais aos das pirâmides do Egipto, com algumas diferenças. Aqueles tinham consciência de ser escravos. A própria ordem estabelecida era assim que os designava. Nós, os deste início de terceiro milénio, temo-nos por mais ilustrados, e, até, dizemos que a escravatura já foi abolida. Somos ainda mais cegos que os das pirâmides do Egipto. O poder aboliu o conceito, Escravo, não aboliu a realidade, Escravatura. E, ao contrário daqueles, até, já desistimos de um mundo vasos comunicantes. Teríamos de crescer de dentro para fora, dispensar todo o tipo de messias/cristos/poder. E não estamos para maçadas dessas. Basta-nos ser galinhas ilustradas. Águias, nem pensar!

10 Novº 2014 https://www.youtube.com/watch?v=i1orAAaYO48

 

Crónica 65

HAJA DECORO, SENHORES BISPOS!

 

As dioceses católicas começam amanhã a Semana dos Seminários. A iniciativa é cíclica, como as estações do ano. Fora das rotinas, dioceses e paróquias ficam sempre aos papéis. Criatividade, inovação, não é com elas. Podem mudar a linguagem, não a qualidade do agir. Os clérigos são funcionários de Missal para as missas e de Rituais para sacramentos e funerais. Detestam o novo. Odeiam quem o protagonize. Aos não-bispos, são-lhes confiadas umas quantas empresas, chamadas paróquias. Cabe-lhes o exclusivo da gestão. Mil euro a mim, cem euro à diocese. Há os mais escrupulosos – neste universo clerical, há sempre alguns mais escrupulosos que se imaginam cercados de olhos que os vigiam, até os pensamentos – e, então, fazem chegar à empresa-mãe uma parte substantiva dos lucros, ainda muitos, por sinal, que as populações podem dizer-se não-praticantes, mas no tocante aos direitos a pagar aos párocos, não falham. Temem que o seu deus, o Dinheiro, omnisciente e vingativo, as castigue. Enquanto houver dinheiro a entrar, as rotinas eclesiásticas mantêm-se. Ora, dizem as rotinas que amanhã começa a Semana dos Seminários. A realidade bem grita que os velhos e enormes seminários tridentinos estão hoje povoados de fantasmas – as novas gerações, felizmente, já são pós-cristãs – mas os bispos diocesanos continuam a repetir os seus chavões de sempre, concretamente, “É no coração do bispo que nascem os seminários”; e, “Os seminários são o coração da diocese”. Só que a sociedade mudou. Escolas e universidades são hoje mais que muitas. Os jovens não estão mais condenados a ter de entrar no seminário, para conseguirem estudar. E, por opção pessoal, que jovens século XXI, de mentes-consciências sadias, aceitam reduzir a sua vida a clérigo celibatário, obrigado a recorrer a Missal de missas, a 10€ cada “alma”, e a Rituais para sacramentos faz-de-conta? Haja decoro, senhores bispos! Nasçam do Vento, da mesma Ruah de Jesus Nazaré e pratiquem a sua mesma Fé. Ou demitam-se!

8 Novº 2014 https://www.youtube.com/watch?v=MMRyOKHHxyU

 

Crónica 64

AI, TIMOR! AI, JUSTIÇA!

 

Quando dois ou mais poderes se guerreiam, quem se lixa são as respectivas populações dominadas por eles. No concreto caso, as populações de Timor-Leste. Sem que ninguém pareça disposto a ouvir os gemidos do seu martirizado povo. Hoje, já ninguém volta a cantar, com lágrimas, Ai, Timor! Ai, Justiça! As relações de cooperação entre os dois países, na área da Justiça, pareciam correr sobre rodas. Pelos vistos, não corriam. Sabe-se agora. O mal-estar, suportado em surdina, acaba de rebentar. O Governo de Timor, ainda sob a tutela do antigo colonizador, e não se sabe por quanto tempo mais, decide dar um prazo de 48 horas para um conjunto de magistrados portugueses deixarem o país, ainda à procura do seu próprio caminho e da sua própria identidade. Um objectivo difícil de alcançar, nestes tempos de globalização da injustiça, do saque institucional e multinacional, do nivelamento por baixo da qualidade de vida, da agressiva afirmação dos valores da Bolsa sobre os valores humanos, em que o petróleo que nos faz correr e ao planeta para a morte antes de tempo, continua a ser o rei ou o cristo das energias. Odiamos tanto a vida, na sua plenitude, que arranjamos mil e um motivos, mil e uma justificações para impedir que ela se desenvolva de dentro para fora em cada povo. A ordem de Xanana Gusmão que, outrora, foi idolatrado e quase mitificado, é vista pelo antigo colonizador como disparatada. Não tolera ver-se ao espelho dos povos que colonizou e tratou como bestas de carga. Não lhes perdoa que eles adquiram voz e vez. Menos ainda, que, em lugar de o bajular e dobrar a espinha, façam com ele o que ele, durante sucessivas gerações, fez com eles. Por enquanto, os magistrados expulsos de Timor continuam sem falar. A respectiva corporação será incapaz de reagir com equidade e isenção. A Justiça sai sempre a perder, quando é o poder político e o poder do dinheiro a exercê-la. Neste confronto, o poder mais forte é o do antigo colonizador. Temo, por isso, e muito, pelo próximo futuro de Timor. A sonhada independência está longe de ser uma realidade. Ai, Timor! Ai, Justiça!

7 Novº 2014 https://www.youtube.com/watch?v=0btKOhxgzpI

 

Crónica 63

GOVERNOS, OU BANDOS DE MAFIOSOS?

 

Os governos, constituídos pelo partido ou partidos vencedores de eleições, andam feridos de um vírus mortal. Encaram o acto de governar, como um acto de poder e de perpetuação no poder. Nunca como práticas políticas maiêuticas que estimulem as populações a crescer progressivamente de dentro para fora, para que sejam cada vez mais elas e cada vez menos eles, a terem nas próprias mãos os seus destinos e os destinos das respectivas nações. A tentação, que nem sequer chega a ser vista como tal, começa logo por reduzir a escolha dos chamados ministros e secretários de estado – até, estas designações já soam a poder, compadrio, secretismo, vaidade, privilégios, práticas mafiosas, corrupção, favores – aos membros do partido ou partidos vencedores. Como se as pessoas certas para a nobre missão de governar cada país, se confinem àquelas que integram o partido ou partidos vencedores, a começar pelos respectivos presidentes. Governos assim constituídos não olham a meios para atingirem os fins individuais e corporativos. O principal dos quais, é a perpetuação no poder. Um país não é o partido ou partidos vencedores de eleições, muito menos quando estes, para vencer, recorrem a processos, os mais ignóbeis, indignos, obscenos. As pessoas certas para a nobre missão de governar dificilmente se encontram no interior dos partidos constituídos para tomar o poder. Nem que, antes de aceitarem integrar o poder, sejam pessoas transparentes e incorruptíveis, na mesma hora em que aceitam integrá-lo, deixam de o ser. O vírus do poder é mortal. Não da pessoa que se vê – ninguém aceitaria integrar um governo, se fosse certo que morreria no acto de tomar posse e jurar o que nunca mais vai cumprir – mas da sua matriz humana, única e irrepetível, sem dúvida, o pior assassinato. Só que incruento e mascarado de sr. ministro, sr. secretário de estado, sr. presidente da República. Vejam que quem entra por essa porta, a do poder, até o seu nome humano perde! Fica só. Todas as suas decisões matam as mentes cordiais das populações. A reciprocidade. Os afectos. E tudo, com o voto das suas vítimas!

6 Novº 2014 https://www.youtube.com/watch?v=UZeXg9Z_Fx4

 

Crónica 62

A DIGNIDADE DE BRITTANY MAYNARD E O ABSURDO DA CÚRIA

 

O gliobastoma, um tipo de cancro incurável e galopantemente mortal, revela-se no seu cérebro, pouco depois do seu casamento. Todos os projectos que acalenta desfazem-se como bolas de sabão, num viver a curto prazo. O cancro veio para a matar e aos seus projectos. Ocupa o cérebro desta jovem mulher, 29 anos de idade. E Brittany, como o sujeito da sua própria vida, tem uma de duas opções: aceita submeter-se a um tratamento clínico agressivo, que apenas lhe acrescenta uns meses de vida, de atroz sofrimento, ou recorre ao direito pessoal e intransmissível de morrer com dignidade. Britany escolhe morrer com dignidade e, desse modo, mata o cancro que viera para a matar a ela. Anuncia aos familiares, amigos e ao mundo, a decisão de morrer, dia 1 de Novembro. Prepara-se para a morte como se prepararia para o parto do seu primeiro filho que não chegou sequer a ser concebido, porque o gliobastoma, assassino, não gosta da vida, menos ainda, de crianças, a vida em toda a sua transparência. A notícia corre mundo. E, dia 1 de Novembro, Bittany toma o medicamento letal e morre como quem nasce, ao som da música que escolheu para esse momento único e irrepetível. Suicídio? Não! Brittany não desiste de viver. Por amor à vida com qualidade, mata o cancro determinado a matá-la, antes que ela conceba e seja mãe. Morrer, para os seres com consciência, determinados a amar a vida com qualidade, é sempre a afirmação do primado da vida. A morte aparece-lhes como o derradeiro parto que nos faz plena e integralmente viventes. O mundo emociona-se com a decisão consumada de Brittany e curva-se em respeitoso silêncio, perante semelhante afirmação da vida com dignidade. A excepção, cínica e cruel, veio da Cúria romana, na pessoa do presidente da Pontifícia Academia para a Vida. Obtuso, até dizer chega, e já depois de tudo consumado, vem dizer que a morte digna de Brittany é um “absurdo”. É bem o carrasco que ostenta no nome, Ignacio Carrasco de Paula. Mais um tiro no pé da Cúria Romana. Esta sim, um absurdo.

5 Novº 2014 https://www.youtube.com/watch?v=Eu-sVORUvL4

 

Crónica 61

DE FACA E ALGUIDAR

 

Está de regresso, e em força, o jornalismo de faca e alguidar. Era exclusivo de um ou dois títulos, em suporte papel. Hoje, é prática generalizada na chamada comunicação social. Há canais generalistas que abrem os telejornais do almoço e do jantar, com um repórter em directo do local onde, há poucas horas, houve um crime de sangue, à facada, ou a tiro, ou ao volante de um carro desgovernado. Não pensem que o repórter está lá para nos esclarecer sobre as causas que estão por trás do crime de sangue, coisa, de resto impossível, num directo em cima do acontecimento. O que conta é o directo, quanto mais prolongado, melhor, para que as populações se habituem a almoçar e a jantar com o sangue de crimes passionais, numa orgia de canibais, e esqueçam os horrendos crimes incruentos dos sucessivos governos ao serviço dos grandes grupos financeiros mundiais, os causadores dos crimes de faca e alguidar. A juntar a todo este sadomasoquismo, os programas da manhã, dos mesmos canais de tv, não deixam os seus vampirescos gostos por mãos alheias, e têm convidados residentes em estúdio, para explicar tim-tim-por-tim-tim, como é que tudo aquilo aconteceu, e tecer rascas considerações moralistas e de direito, de causar vómitos. Nestes casos, já com uma reportagem a abrir, completada depois por uma ligação em directo ao local do crime, onde está um repórter que tagarela, tagarela, sem dizer nada de jornalisticamente relevante. Estranha-se que haja directores de programas com carteira profissional por trás deste tipo de programações nas tvs generalistas. Não passariam, de certeza, num teste profissional. E, se não são jornalistas, alerte-se as populações que diariamente consomem este lixo televisivo, para que fujam de tais canais e, em alternativa, escutem boa música, leiam um bom livro, ou visionem canais temáticos sobre história, o cosmos, os oceanos e, sobretudo, os animais. Verão como os animais, nos seus instintos, são muito mais humanos do que os que nos dizemos tais. É que o Dinheiro, quando convertido em deus, faz canibais de faca e alguidar, a multidão dos deprimidos; e canibais de horrendos crimes estruturais incruentos, as elites da governação e dos privilégios.

4 Novº 2014 https://www.youtube.com/watch?v=O4LLEzuhCak

 

Crónica 60

PERANTE A MORTE, OS FILÓSOFOS SÓ DIZEM DISPARATES

 

São os que menos entendem a morte. Porque são também os que menos entendem a vida. Os filósofos vivem amargurados e, postos a dissertar sobre a morte, só dizem disparates. De ano para ano, em cada início de Novembro, ei-los a escrever sobre a morte. Tudo o que escrevem vem atravessado de angústia, de pesadelo. Vivem com os pés num universo que não é o da realidade. Consequentemente, as suas cabeças produzem ideias, conceitos vazios, medos, angústias, morte. Lê-los, escutá-los, é ficar como eles, possessos de medos, angústias. São complicados e têm o condão de tornar complicada a vida, que é extraordinariamente simples. São filósofos, amigos do saber. Deveriam ser filóbios, amigos da vida. Compreenderiam então que a vida é a realidade maior, fora da qual todo o saber é ideologia, esterco, delírio, labirinto, fantasma, terror. É a vida que nos faz, não somos nós que a fazemos. Primeiro, viver, só depois reflectir. E viver é comprometer-se politicamente com a realidade que nos surpreende, à medida que crescemos e a acolhemos, ao modo de meninas, meninos. Somos vida consciência, por isso, alegremente responsáveis. Nela, somos, nos alimentamos, respiramos, nos surpreendemos, somos conduzidos. Dentro dela, como vida consciência, compreendemos que nada é mais real que a vida. Todas as nossas próprias limitações individuais hão-de ser vivenciadas no todo que é a vida. Em lugar de angustiados, tornamo-nos progressivamente verdade, fragilidade, relação, vasos comunicantes, numa palavra, humanos, sororais. Os filósofos, sobretudo os do mundo ocidental, são os mais atingidos pelo vírus do cristianismo, que é mentiroso e pai de mentira, ladrão, assassino, inimigo da realidade/vida. Com ele, construíram um universo de ideias, almas, corpos assexuados, estruturalmente necrófilo, gerador de medo. São homens vazios da Sabedoria, da realidade/vida, que reiteradamente nasce para nascer. E, quando, por fim, se torna definitivamente invisível, em cada uma, cada um, é quando mais é!

3 Novº 2014 https://www.youtube.com/watch?v=DJ_5wAbYvhU

 

Crónica 59

TODOS OS SANTOS? DE QUE PLANETA?

 

Faça chuva, ou faça sol; o país e o planeta terra estejam cada vez mais a pique em direcção ao abismo; cresça diariamente o número de assassinatos, por dá cá aquela palha; diminua, de ano para ano, o nascimento de crianças; cresça assustadoramente o número de jovens emigrantes; o país seja cada vez mais um nacional lar de idosos entregues à sua solidão; e, consequentemente, até o desemprego diminua, não por haver um aumento de oportunidades de trabalho, mas por preocupante diminuição da população em idade activa, todas as igrejas cristãs prosseguem, de pedra e cal, com os seus calendários litúrgicos, seus ritos mais do que inúteis, prejudiciais. Só assim se compreende que, ao chegar o dia 1 de Novembro, a igreja de Roma e todas as suas sucursais nos países do Ocidente e noutras partes do mundo, corram a meter-se nos templos a celebrar a festa ritual de todos os santos. É caso para perguntar, em que planeta vivem as igrejas cristãs? De que falam, quando repetem, ano após ano, que este é o dia de todos os santos? Não se dão conta os seus líderes de que estão obscenamente fora da realidade e a arrastar com eles as populações que ainda os reconheçam e frequentem seus ritos? Festa de todos os santos, num país à deriva, numa Europa a desfazer-se, num planeta cada vez mais sem condições climáticas e ambientais amigas da vida, não só da vida humana, também da vida de todos os demais seres vivos? São igrejas amigas da vida, biófilas, ou igrejas necrófilas, amigas dos mortos e das missas pelas almas dos mortos, 10 €, cada alma, 1€ cada pai-nosso? Porque não lêem os jornais, e as redes sociais, em lugar da Bíblia, para cúmulo, sempre os mesmos textos, cada ano, no que respeita ao dia de todos os santos, de três em três anos, no que respeita aos domingos comuns? Mas não se pense que o problema reside nos líderes das igrejas cristãs. O problema reside no próprio cristianismo, que é estruturalmente mórbido, inimigo do Vento, da dissidência, da maiêutica, do corpo, dos afectos, do sexo, da liberdade. O seu planeta é o do poder, não o dos afectos. É o do mítico Cristo, não o de Jesus. É o além, não o aqui. É ele que faz más as pessoas. E às que mais lhe tenham sido úteis, fá-las santas!

1 Novembro 2014 https://www.youtube.com/watch?v=mvXjLjin2A4

 

Crónica 58

CRISTIANISMO: NEM OS MORTOS SE VÊEM LIVRES DELE!

 

Nenhum outro sistema de poder conseguiu, ao longo da história, dominar tanto e em permanência a mente-consciência das populações, como o cristianismo católico romano e protestante. É o demónio n.º 1, mentiroso e pai de mentira, mas as populações são levadas a vê-lo como o Belo, o Santo, a Verdade, o próprio Deus. Lá, onde se aloja, rouba tudo às pessoas, até a alma. É bem “Aquilo” que Jesus Nazaré diz que todas, todos mais devemos temer. Pode não chegar a matar-nos o corpo, mas mata-nos sempre a alma/identidade. A começar pela dos seus principais agentes históricos. Do papa de Roma, ao mais ignorado pároco/pastor de aldeia. E todos “os fiéis leigos”, como cinicamente lhes chama o Concílio Vaticano II. O seu domínio é total, absoluto. Pode-se, por isso, dizer que já se nasce cristão, uma vez que, para lá do baptismo que nos é imposto logo ao nascer, até o casamento dos respectivos pais, para ser “válido”, tem de ser presidido, controlado por um clérigo proibido de casar. E a concepção dos filhos tem de ser segundo as regras impostas pelos clérigos celibatários. Sob pena de pecado e consequente castigo eterno. Hoje, o cristianismo está já em vias de extinção. Não nos é possível imaginar sequer a tortura que foi viver nos séculos passados. Desde a concepção até muito para lá da morte, quando todos, papa e fiéis leigos, passam a chamar-se “fiéis defuntos”. Nem depois da morte, as pessoas se vêem livres dos clérigos. Têm de os chamar e lhes pagar, para presidirem às exéquias e ás missas por eles. Até um purgatório de fogo permanente, o cristianismo inventou, onde as “almas” dos mortos têm de ser purificadas, antes de “subirem” ao céu. Com o purgatório, veio o mais que obsceno negócio das “missas pelas almas”. Um horror! Este fim-de-semana, os cemitérios enchem-se de gente enlutada de vaidade, hipocrisia. Mas o pior do cristianismo é ter gerado um filho único muito mais mentiroso, ladrão, assassino do que ele – o Dinheiro. Que já domina as mentes-consciências das pessoas. Do papa ao mais convicto ateu. Se é das, dos que, como Jesus Nazaré, lhe resiste, partilhemos juntos a mesma Mesa, a festejar-cantar os Seres Humanos livres e sororais, o que há de mais belo no Universo ainda em expansão!

31 Outº 2014 https://www.youtube.com/watch?v=4mKLqZ2nCM4

 

Crónica 57

UGT: 36 ANOS COM APLAUSOS AO CARRASCO-MOR

 

Os 36 anos da UGT, celebrados esta semana, revelam bem, a quem porventura ainda pudesse pensar o contrário, que a UGT é o grande aliado dos governos liderados, ora pelo PS, ora pelo PSD. Bem se pode dizer que é a UGT dos Governos emanados, alternadamente, do PS e do PSD. Não, como reza a sigla, a União Geral dos Trabalhadores. A máscara acaba de cair, num dos momentos mais cruciais por que estão a passar os trabalhadores portugueses por conta de outrém. Com os vampiros da troika de novo no país, a vasculhar o OE para 2015, ano de eleições, não vá o diabo tecê-las e os milhares de milhões do empréstimo com juros elevadíssimos ficarem por pagar, dentro dos prazos aprovados. Em lugar de vermos trabalhadores com trabalhadores a celebrar 36 anos de resistência e de luta, pudemos ver os seus quadros diirigentes, todos muito bem engravatados, a acolher com aplausos o grande carrasco político institucional dos trabalhadores portugueses, o primeiro-ministro Pedro Passos Coelho, e, logo depois, a botar discurso, sem qualquer contraditório. Na arrogância política que caracteriza este pequeno aprendiz de Salazar, Passos Coelho sentiu-se em casa, louvou a UGT pelos relevantes fretes reiteradamente prestados a este Governo mais troikista que a troika, e, por fim, à semelhança de Pilatos, diante de Jesus Nazaré flagelado e coroado de espinhos, lavou as mãos, não em água, mas no sangue das vítimas do seu poder político. O grande Capital é tão poderoso e exerce semelhante fascínio sobre as populações, que chega a despertar inveja entre as suas inúmeras vítimas, e estas, encandeadas, guerreiam-se entre si, na esperança de ter as graças dele e merecer um lugar de capataz nalguma das suas muitas empresas, centrais sindicais incluídas. Ou os trabalhadores por conta de outrém acordam e percebem que tudo o que fazem-dizem há-de ser para matar o Capital, antes de mais, nas suas próprias mentes, ou se negoceiam com ele, para cúmulo, através de intermediários, quando derem conta, já são todos excedentários, substituídos por robots. Centrais sindicais assim, dirigidas por elites a tempo inteiro e a negociar com os sucessivos Governos? Não, obrigado!

30 Outº 2014 https://www.youtube.com/watch?v=V-JAhJ8Tjuw

 

Crónica 56

QUE SABE O PAPA DE DEUS?

 

Se o Big-Bang “exige” a existência de Deus, como, por estes dias, parece insinuar o papa Francisco, então é melhor dizer-se ateu. À luz das práticas políticas maiêuticas de Jesus Nazaré, que não tem nada a ver com o Jesuscristo do Credo de Niceia-Constantinopla, que todos os domingos continua a ser proclamado nas missas dos católicos e nos cultos das demais igrejas cristãs, e, consequentemente, à luz da teologia que emana dessas mesmas práticas, Deus jamais pode ser invocado para explicar ou justificar seja o que for. Fazê-lo, é reduzir Deus às nossas limitadíssimas categorias e, então, incorremos em idolatria. Aliás, a Bíblia dos judeus, dos cristãos, e o Alcorão dos muçulmanos, ainda que proíbam a invocação do nome de Deus em vão, são os que mais o invocam em vão. O mesmo se diga de todas as religiões. Partem todas do pressuposto de que Deus é necessário, inclusive, para justificar a existência de todas elas e garantir que a de cada um é a única verdadeira. Não se pense que estas são questões politicamente inócuas. Pelo contrário, a questão de Deus é a mais fundamental de todas as questões, levantadas pelos seres humanos. Por trás de todo e qualquer sistema de poder político, económico-financeiro, religioso-eclesiástico, anda escondida uma teologia, inevitavelmente, deísta. Inimiga dos seres humanos, porque amiga do poder. Quanto mais afirma Deus, mais nega os seres humanos. Um Deus necessário, como é o de todas as religiões e igrejas cristãs, é o grande inimigo dos seres humanos e dos povos. Quanto mais aquele cresce, mais estes diminuem. É um Deus projectado pelas nossas próprias limitações e/ou ambições pessoais, corporativas, nacionalistas. As pessoas religiosas, papa de Roma à cabeça, são as que mais invocam o nome de Deus em vão. É um Deus que torna tolerável o que é estruturalmente intolerável: – a existência do papado e demais sistemas de poder, geradores de vítimas em série. Porque Jesus Nazaré pratica/revela Deus, como pura graça, pura dádiva, é odiado por todos os crentes religiosos e por todos os poderes. E a Humanidade vai finalmente por Jesus, seu Deus, pura dádiva, sua Fé/teologia, ou não será!

29 Out.º 2014 https://www.youtube.com/watch?v=D283EBu8UEE

 

Crónica 55

OS PIORES CANCROS DA SOCIEDADE

 

São os piores cancros da sociedade. Vêm ao mundo só para roubar, matar, destruir. Populações e planeta. São os profissionais da mentira. Do crime organizado e institucional, o pai de todos os outros crimes menores. Assassinos institucionais. De fato e gravata, bacteriologicamente limpos. Sabem-se temidos/odiados e, por isso, vivem rodeados de seguranças. Visíveis, umas. Invisíveis, a maioria, e muito mais eficazes. São os causadores das piores doenças das populações – a mediocridade, a banalidade, a desmobilização política, a incultura. Por isso, vestem de benfeitores. Ostentam títulos grandiloquentes. Ministros e banqueiros. Bispos dom-fulano-de-tal e cardeais. Sacerdotes e pastores. Ocupam grandes palácios que mais parecem mausoléus. Com inúmeras secretárias, a fazer lembrar os haréns de outros tempos, quando ainda não havia o cristianismo, com toda a sua hipocrisia moralista. Montes de motoristas e carros topo de gama. Assessores às mãos cheias, que lhes cuidam da imagem e escrevem os discursos. Das suas mãos, nada sai de útil e de bom. As suas mentes são povoadas de esterco e daqueles sons com que o poder financeiro comunica com todos os cancros como eles. Que os há em todas as nações. As populações ouvem-nos grunhir, não entendem o que dizem e têm-nos na conta de seres superiores. Sentem-se orgulhosas, quando eles vão de visita às suas aldeias e vilas. É o senhor ministro. É o senhor primeiro-ministro. É o senhor presidente da república. É o senhor bispo. É o senhor papa. É o senhor doutor. É o novo pároco. Mantêm-se distantes, por nada saberem de protocolos. Batem palmas à chegada, à saída e durante as cerimónias a que eles presidem, sempre como deuses inacessíveis. Por agora, ainda se não vislumbra o dia em que as populações os vejam como cancros. Lhes resistam. Os dispensem. Terão, primeiro, de crescer de dentro para fora, como as árvores. Mas como crescer assim, se estes cancros as condenam a viver em permanente estado terminal? Já damos um grande passo qualitativo em frente, quando conseguirmos ver que são todos estes figurões, e uns quantos CR7 mais, que nos adoecem. E matam.

28 Outº 2014 https://www.youtube.com/watch?v=uxXrT9c7-Ho

 

Crónica 54

ELEIÇÕES NO BRASIL: QUEM PERDEU?

 

A campanha eleitoral foi prolongadamente obscena. Nojenta. De causar vómitos. Primeiro, trituraram Marina da Silva e ela ficou na lama. Restaram dois candidatos ao palácio do Planalto. Cresceu a onda dos insultos recíprocos. Bocas sujas, até dizer basta. Com tudo o que é tv, revista, jornal, rádio, comício, a massacrar as populações dos múltiplos Estados do Brasil. A máquina do poder político é estrutural e mortalmente envenada/envenadora. Devora os próprios candidatos. Tira-lhes tudo. Põe-nos de rastos. No final do massacre politico, ganha o candidato que tem a máquina mais capaz de manipular-matar a mente-consciência das populações. No dia de votar, as ruas enchem-se de eleitores. O ar deles, é o de condenados. Votam maioritariamente naquele candidato, cuja máquina foi mais eficaz no acto de manipular as mentes-consciências das populações. Sobretudo, as das mais empobrecidas, desesperadas, oprimidas, sem horizontes nos seus quotidianos de desespero e de fome. A do pão. A da saúde. A da beleza. A dos afectos. Desta guerra de ataques/insultos, os mais soezes, saiu vencedora Dilma. E quem perdeu? Pensam que foi Aécio, o outro candidato? É o que dizem-escrevem hoje todos os meios de informação. Até apresentam as percentagens da vitória de Dilma e as da derrota de Aécio. São todos meios de informação deste tipo de mundo. Fazem o que os respectivos patrões lhes ordenam. Estão contratualmente proibidos, sob pena de exclusão e de condenação à morte pela fome, de quebrar as regras do jogo do poder. De dizer a verdade. E a verdade é que quem perdeu, foram as populações do Brasil. Mesmo as que votaram em Dilma. A verdadeira vitória é exclusivamente do poder, o patrão deste tipo de mundo, estruturalmente iníquo, injusto, manipulador das mentes-consciências, despótico, mentiroso, caluniador, assassino. O mesmo que produz os pobres aos milhões e a pobreza estrutural. E Dilma? Deveriam ver a amargura/solidão que a rói por dentro. É um joguete nas mãos do poder. O poder dá-lhe tudo, em troco da alma! Sim, eu sei, a história, mandada escrever pelo poder, perpetuará o seu nome. Mas para sua vergonha. E se Dilma não vê, tanto pior!

27 Outº 2014 https://www.youtube.com/watch?v=P8gIkG4pYXc

 

Crónica 53

JESUS, ESSE DESCONHECIDO

 

Durante a tarde de hoje, estou convidado pela BM de Figueiró dos Vinhos, a proferir uma conferência. Deixaram-me escolher o título da temática e eu decidi titular a intervenção, JESUS, ESSE DESCONHECIDO. Podem estranhar, pelo menos, duas coisas. 1, que eu aceite assumir-me como conferencista, 2 que tenha titulado assim a intervenção. Mas não se surpreendam. Não haverá conferência, como gostam de dizer-fazer as universidades e tudo o que é mundo da erudição. Haverá Maiêutica, Canto, Movimento, Libertação de dentro para fora, sucessivos partos, tantos, quantas as pessoas que acolham o convite e decidam estar activas no evento. Sou de todo incapaz de fazer conferências. Não está no meu ADN de Presbítero da Igreja-Movimento clandestino de Jesus, sal da terra e luz do mundo. Cujo Sopro feminino (Ruah, em hebraico) derruba todos os formalismos criados para nos distanciar uns dos outros, pois é Maiêutica em acção. Mais do que nos pôr a fazer/falar para os demais, faz cada uma, cada um fazer/falar. Mais do que exibir erudição/saber, faz sair cá para fora tudo o que de belo, de bom anda em cada pessoa, e também o que de horror e de maligno possa já estar instalado na mente-consciência de cada qual. Mas para haver o evento, as pessoas têm de fazer orelhas moucas a toda a campanha que as igrejas cristãs e demais poderes instituídos têm posto por aí a circular, para me descreditarem e ao ministério presbiteral que procuro levar por diante, totalmente alheio a interesses corporativos instalados. Desde louco para cima. Não suportam a minha liberdade, a minha audácia, o meu ser-viver de menino que não hesita em dizer que o rei, o papa, o poder vai nu. Eles sabem que, mal as populações percam os demónios do medo, do obscurantismo, assumem as suas vidas nas próprias mãos e dispensam toda a espécie de intermediários, tutores, messias, cristos. E lá se vão os sagrados covis de ladrões, os sagrados impérios financeiros, os sagrados altares. E até a sagrada Bíblia! É que Deus, o de Jesus, habita-nos mais íntimo a nós que nós próprios, num Tu-Eu-Nós inninterupto, que nos faz seres humanos, outros Jesus. Só então, Jesus deixa de ser esse desconhecido!

25 Outº 2014 https://www.youtube.com/watch?v=nGEMmCC3u_M

 

Crónica 52

MAS SERÁ QUE O PODER TEM MAIS DO QUE UM SACO?

 

Não falta por aí quem me acuse de meter todos no mesmo saco. A acusação acontece, sempre que me refiro às religiões/igrejas cristãs e aos partidos políticos com assento nos parlamentos das nações, ou que lutam por uma das suas cadeiras, muito poucas, por sinal, para tantos candidatos a ocupá-las. Mas será que o poder tem mais do que um saco? Não é da natureza do poder ser um só, com múltiplas máscaras e muitas mais submáscaras, para, desse modo, enganar até os que se têm por mais avisados? Aliás, não é essa uma das suas especialidades, a de ser estritamente um só (= monárquico!), mas apresentar-se disfarçado de múltiplos rostos, nomes, para mais facilmente enganar, instalar-se, dominar, controlar, reinar? O poder não é um polvo – um só – com múltiplas cabeças, qual delas a mais pérfida, cínica, cruel, refinada, com o mesmo denominador comum, serem todas sem entranhas de humanidade? O poder não chega, até, a disfarçar-se de bondade, de virtude, de santidade, de honestidade, para seduzir, enganar, inclusive, muitas daquelas pessoas que se dizem avessas ao poder, quando elas próprias já estão a ser poder, o mais total, mas sempre a pensar que são simplesmente servos dos servos de Deus, precisamente, o deus poder? Só seres humanos politicamente ingénuos, por sinal mais que muitos entre quantos se têm por mais ilustrados e eruditos, é que insistem em pensar e admitir que há poder bom, poder menos bom e poder mau. Custa-lhes ter de reconhecer que todo o poder é mau. Mais lhes custa ter de admitir que o poder é o mal, o pai de todo o mal. E muito mais ainda, ter de reconhecer que o poder é o Dinheiro, e o Dinheiro é o poder. Acham, por isso, insuportável, pior, intolerável, encontrar alguém, um ser humano como nós, mas radicalmente lúcido como ainda mais nenhum de nós é, que já pratica e, por isso, anuncia, como o primeiro princípio gerador da única alternativa política a este tipo de mundo do poder, a dijuntiva, “Não podeis servir a Deus (= Humanidade) e ao Dinheiro (= Poder)”. E, como o não suportam, desfazem-se reiteradamente dele. Vivem já tão possessos do demónio poder, que se tornam assassinos da Verdade, para que ela nunca os liberte e faça humanos, maiêuticos, sororais, vasos comunicantes.

24 Outº 2014 https://www.youtube.com/watch?v=vYDM22BJpFg

 

Crónica 51

A MORTE POLÍTICA DE PASSOS COELHO

 

Só o próprio é que ainda não percebeu que já está politicamente morto. A sua total ausência de explicações sobre o que efectivamente se pessou na Tecnoforma, quando era deputado em regime de exclusividade no Parlamento, agravada com o desaparecimento de registos que “falem” sobre como os dinheiros da ONG por ele criada entravam e saíam, constitui a sua morte política. Para cúmulo, Passos Coelho passou de deputado em regime de exclusividade a primeiro-ministro. E já leva quase 4 anos de mandato, a fazer crer, contra ventos e marés, que é um governante impoluto e acima de qualquer suspeita. Apesar de ter passado toda a campanha eleitoral que lhe deu a vitória nas últimas legislativas e, com ela, o lugar de primeiro-ministro de um Governo de maioria, em coligação com o maquiavélico Paulo Portas – ou será que já se não lembra?! – a prometer umas coisas e, logo depois, a fazer outras. Passos Coelho bem pode alegar que a denúncia foi anónima e que as provas avançadas pelos órgãos de informação são inconclusivas. A verdade é que, na medida do tecnicamente possível, são fundamentadas. Quem nada diz, por já se não lembrar – mas que memória política tão selectiva, a sua, senhor primeiro-ministro! – é o próprio visado. Por muito menos, o secretário de Estado da Educação acaba de deixar o lugar, depois de se ver acusado de plágio por um matutino, tido como um dos mais bem fundamentados. Não quis, ao que disse, na hora da saída, manchar ainda mais o já mais que manchado, desacreditado, cansado, desmotivado, derrotado Governo, que só mesmo o solitário Passos Coelho parece apostado em levar ao fim da legislatura, num sadomasoquismo político sem precedentes. Seria bom que alguém lhe recordasse que o seu vice primeiro-ministro já foi jornalista e, quando director de “O Independente”, quase todas as semanas abatia um membro do Governo do agora PR, Aníbal. Cá se fazem, cá se pagam. Ah! E que lhe recordassem também que, no poder político, quem faz um cesto, faz um cento. Só que agora o alvo político a abater é ele, o primeiro-ministro. Ou será que também já se não lembra de que o ressentimento político não perdoa, não esquece e mata?!

23 Outº 2014 https://www.youtube.com/watch?v=GVx1AQJI-Ug

 

Crónica 50

O OE 2015 AINDA AGORA VAI NO ADRO!

 

O OE, por agora, ainda só vai no adro. A doer, e de que maneira, é em 2015. Não é por acaso que o futebol dos milhões já está aí em força, a desviar as atenções das populações, suas reiteradas vítimas. Trata-se de um OE concebido e preparado ao milímetro para esconder da Comissão Europeia e do país, os truques e as armadilhas com que o Governo PP-PC tem conseguido enganar uma e outro. Quem já está a rir baixinho, é o dr. Paulo Portas, o derrotado vitorioso. Tudo é encenado para nos distrair do essencial. Até comentadores, economistas, deputados embarcam como patinhos naquele emaranhado de números, e passam horas e semanas a debatê-lo, como se o que lá está correspondesse à realidade. A realidade, senhores, é o dia-a-dia das populações. Contra as quais este OE foi concebido e vai ser aprovado pela maioria no Parlamento, com o inútil voto contra dos partidos da Oposição. Tudo em conformidade com a Lei! Todos parecem ignorar que este Governo é virtual, desde o primeiro dia. Ter Governo e ter um conjunto de robots é a mesma coisa. Desde o 1.º primeiro-ministro aos outros ministros e secretários de estado, todos estão lá como se não estivessem. Vivem completamente desfazados da realidade, do país, das populações. O mesmo se diga dos deputados. Uns e outros são homens e algumas mulheres acomodados às suas rotinas, aos seus privilégios, de todo estranhos às populações. Enchem os telejornais com suas mentiras, seus delírios, seus previsíveis protestos. Dizem uma coisa, mas a realidade é outra. São apupados ou tolerados nas ruas e elogiados nas sessões e comícios onde vão botar discurso, perante salas cheias de eunucos com cara de figurantes, como os dos programas da manhã e da tarde das tvs, da nossa vergonha. Entre estes ministros/deputados, e os clérigos/pastores de igrejas cristãs, venha o diabo e escolha. Uns e outros só se dão bem com os conceitos. Todos odeiam a realidade, sem nunca se fazerem próximos dela, mão-na-mão. Nem o diabo quer nada com este tipo de seres, de tão repelentes que são. Ou as populações acordam, auto-organizam-se e tomam em mãos os seus próprios destinos, ou acabam piores que eles!

22 Outº 2014 https://www.youtube.com/watch?v=pDmvmhNwFqU

 

Crónica 49

AINDA O SÍNODO SOBRE A FAMÍLIA.

O QUE DISSERAM OS BISPOS E O PAPA?

 

Acabo de ter acesso ao Documento integral do Sínodo e ao discurso integral do papa, na sessão de encerramento. E mais se confirma o que já tenho dito: Estamos perante uma grande encenação mediática que deixará tudo na mesma, por isso, pior. As expectativas criadas redundarão numa planetária decepção. Os dois textos são reveladores do que pensam os bispos e o papa. Desiludam-se, pois, os Gays, os divorciados recasados, os que vivem em união de facto e quantos co-habitam antes de casarem canonicamente. O texto dos bispos apresenta-se cheio de frases sonantes, nenhum reconhecimento das novas situações concretas. O papa é ainda mais hábil no uso do verbo, mas totalmente fechado a mudanças substantivas. Nem por uma vez, os bispos e o papa se referem ao primado da consciência dos casais sobre as leis canónicas criadas/impostas pela hierarquia celibatária à força. Vejam só como o papa inicia o seu discurso: “Queridas Eminências, Beatitudes, Excelências, irmãos e irmãs”. Um escrever/falar em total oposição a Jesus, o do Evangelho, que rebenta com todo o tipo de hierarquia e de pirâmide, ao sublinhar que quem quiser ser o maior faça-se o servo de todos e quem quiser ser o primeiro faça-se o último de todos; e, ainda, Vós sois todos irmãos”. Para o papa Francisco, primeiro, estão as Eminências, depois, as Beatitudes, depois as Excelências, só depois, os irmãos e, por fim, as irmãs! Para cúmulo, no Sínodo não participa nenhum casal recasado, muito menos, um casal gay e um casal jovem em co-habitação. São os bispos e o papa, canonicamente, impedidos de constituir família, que debatem/decidem questões que lhes são de todo estranhas. Os frutos serão nenhuns. O mais aonde podem ir, é dispor-se a acolher com “misericórdia” os “pecadores”, os “perdidos”, os “feridos”. É assim que os bispos e o papa rotulam quantos vivem em situação que eles têm como canonicamente irregular. De resto, o papa é categórico, ao garantir que “nunca se coloca em discussão as verdades fundamentais do Sacramento do Matrimónio: a indissolubilidade, a unidade, a fidelidade e a ‘procriatividade’, ou seja, a abertura à vida”. Que mudança, então?!

21 Outº 2014 https://www.youtube.com/watch?v=mNu6DdnV_NM

 

Crónica 48

PAULO VI: DE SUA SANTIDADE MISÓGINO A BEATO DE ALTAR

 

Em vida, foi Sua Santidade, o papa. Depois de morto, acaba de passar a simples beato de altar. Que é como quem diz, a uma ridícula estátua, posta à “adoração” pública de gente sem audácia bastante, para se assumir na história, e destinada a render chorudos lucros ao sacrílego Estado do Vaticano, o mais mafioso dos Estados do mundo. A Cúria romana continua a comportar-se, neste início do terceiro milénio, como se os povos ainda vivessem na famigerada Idade Média. O papa Francisco é pau para toda a colher. Dá algumas no cravo, muitas mais na ferradura. Ora, parece que quer fazer implodir a Cúria, de que, contraditoriamente, aceita figurar como o n.º 1, ora, toma decisões como a deste último domingo, que visam solidificá-la eternamente. Esta beatificação do misógino papa Paulo VI, copresidida por Bento XVI, é uma daquelas decisões que desacredita por completo a instituição igreja católica romana. É o cúmulo do narcisismo institucional. E da vaidade. Agravado pelo facto de a cerimónia ter valido como o encerramento da primeira de duas sessões do Sínodo dos bispos sobre a família. E ter sido transmitida em directo pelas tvs do mundo. Aqueles monstros eclesiásticos sagrados, canonicamente proibidos de constituir família, apresentaram-se, mais uma vez, urbi et orbi, em toda aquela sua onstentação imperial, que perfaz a mais sádica afronta aos milhões e milhões de empobrecidos do mundo. Com gestos destes, o papa Franccisco revela-se um figurante sem um pingo de pudor, inclusive, diante dos seus concidadãos latino-americanos. Todos lhe pedem pão, o da cultura e da dignidade, da mesa e da justiça, e ele dá-lhes overdoses de ritos carregados de vaidade e de narcisismo. E ainda há seres humanos que insistem em continuar a achar que, para viverem os seus afectos e poderem constituir família, precisam do reconhecimento do Estado do Vaticano. Preferem a bênção do ladrão institucional que lhes ocupa/manipula a mente-consciência, em lugar de o expulsarem dela e assumirem-se, por inteiro, na história. De acordo com a sua conseciência. E sem nenhuma espécie de tutores.

20 Outº 2014 https://www.youtube.com/watch?v=z4swDCQgrV8

 

Crónica 47

COMPLETA INUTILIDADE DAS IGREJAS CRISTÃS E DO CRISTIANISMO!

 

A primeira sessão do Sínodo dos bispos sobre a família, uma grande operação mediática do papa Francisco, veio pôr a nu que o cristianismo e as igrejas cristãs todas chegaram a um beco sem saída. O que perfaz uma boa notícia para a humanidade. O que o papa pretendia como um novo fôlego para a igreja de Roma e o cristianismo em geral é, afinal, a grande revelação da completa inutilidade das igrejas cristãs e do cristianismo. Felizmente, o terceiro milénio é já pós-cristão. Falta-lhe ser jesuânico, isto é, plena e integralmente humano. O desaparecimento das igrejas cristãs é imperioso, para que a Humanidade possa ser-crescer de dentro para fora e assumir os próprios destinos e os destinos do planeta, nossa casa comum. Há uma total incompatibilidade entre as igrejas cristãs e a Humanidade. O crescimento daquelas impediu o crescimento desta. E, dois mil anos depois, é manifesto que o cristianismo e as igrejas cristãs nunca deveriam ter existido. São a ocultação/negação de Jesus, o filho de Maria, o ser humano por antomásia, e do seu Projecto político maiêutico, a maior boa notícia que a Humanidade, em lugar de acolher, correu logo a matar, como o maldito dos malditos. Não a Humanidade, propriamente, mas as elites do poder e dos privilégios, que vêem em Jesus e no seu Projecto político, o fim de todas elas. O sopro do cristianismo e das igrejas cristãs é o do poder, por isso, a mentira e o assassínio organizados. Impediu a Humanidade de ser-crescer de dentro para fora, a partir da sua matriz original, irrepetível e única. Dois mil anos de cristianismo são dois mil anos sem Jesus. Sem o seu Projecto político maiêutico. Sem a Humanidade como protagonista. São dois mil anos de obscurantismo, o mais perigoso, porque disfarçado de luz. Conduziram-nos a um beco sem saída. Não nos deixaram crescer de dentro para fora. Reprimiram-nos e mantiveram-nos no infantil. Impediram-nos de ver que as soluções de que carecemos, estão dentro de nós, não nas igrejas cristãs. Sem o querer, o Sínodo veio pôr isto a nu. Libertemo-nos, pois, do cristianismo, das igrejas cristãs. E regressemos a Jesus. Ousemos ser o que somos: fragilidade humana relacional, geradora de paz e de vida com afectos!

18 Outº 2014 https://www.youtube.com/watch?v=IrIbl1ahbJw

 

Crónica 46

"INDIGNO, VERGONHOSO, COMPLETAMENTE EQUIVOCADO”

 

O pronunciamento do cardeal Müller, da Alemanha, sobre o Relatório provisório divulgado no início desta semana pelo cardeal húngaro, Péter Erdö, na presença do papa Francisco, sobre a família, é uma montanha de gelo que deixa em cacos a grande encenação mediática levada a cabo pela ala mais liberal do Sínodo, com o aval do próprio papa. "Um Relatório indigno, vergonhoso, completamente equivocado”, diz o cardeal, na sua intervenção numa das Comissões do Sínodo. Para lá de alemão, como Bento XVI, o papa que mexe todos os cordelinhos da Cúria, Müller é o todo-poderoso Prefeito para a Congregação da Doutrina da Fé (ex-Santo Ofício), a quem cabe a última palavra, em questões de Fé católica e de Moral. Os grandes media ignoraram este seu pronunciamento. O mesmo não pode fazer a ala mais liberal do Sínodo que, agora, dificilmente, pode levar por diante a grande encenação, tendente a deixar a impressão na opinião pública mundial, de que tudo vai mudar na doutrina da igreja, no tocante às questões dos divorciados recasados, das co-habitações pré-matrimoniais, dos homossexuais e respectivas uniões de facto. Como operação de cosmética, a iniciativa do papa, de abrir o debate na igreja, pode ter sido bem pensada. Já os resultados alcançados serão nenhuns. A igreja católica é o poder absoluto e infalível de um só. Na prática, mais ninguém, a não ser o papa de turno, qualquer que seja nome que adopte, é igreja. O papa é a igreja. A igreja é o papa. Os próprios bispos diocesanos só o são por delegação do papa. Tal como os párocos só o são por delegação dos respectivos bispos. Os chamados fiéis leigos nem sequer entram nesta pirâmide, à excepção daqueles poucos que os bispos ou o papa entenderem chamar a participar ém órgãos institucionais das dioceses ou da Cúria romana. No dia em que esta pirâmide eclesiástica abrisse uma brecha, cairia como um baralho de cartas! Nunca o fará. Resta, pois, às populações crentes do terceiro milénio viver responsavelmente os seus afectos e as suas vidas familiares, de acordo com a sua própria consciência. Só assim são Igreja católica, a daqueles dois ou três reunidos em nome de Jesus. E o papa? Deixemo-lo a falar sozinho!

17 Outº 2014 https://www.youtube.com/watch?v=lWFn-EIDqec

 

Crónica 45

PIOR QUE O VÍRUS ÉBOLA

 

Pior que o vírus ébola, é toda a histeria que os grandes media, os diários e os semanários, propriedade de grandes grupos financeiros, promovem junto das populações cada vez mais desprovidas de meios culturais e espirituais de defesa contra tantos e tão sofisticados ataques às suas mentes/consciências. São órgãos de propaganda, servidos por profissionais disfarçados de jornalistas, que confundem a realidade dos factos com o devorador apetite dos grandes grupos financeiros que lhes pagam. Deveriam investigar em profundidade e denunciar os seus crimes. Em vez disso, servem-se do rótulo de jornalistas, de grandes repórteres, para melhor esconderem o que realimente são – escribas, contratados para infectarem com o vírus do medo, minuto a minuto, as mentes/consciências das populações. As quais, assim, geração após geração, não chegam nunca a conhecer a liberdade. Apenas o medo. Desde que o mundo é mundo, e o ser racional puro e duro, incapaz de desenvolver de dentro para fora, até à plenitude da relação e da comunhão gratuitas, toda a capacidade sexual erótico-afectiva do corpo animado pelo Sopro feminino, que somos, estupidamente insiste em ser poder, o medo é cada vez mais medonho, generalizado. As populações vêem-se, então, reduzidas a bestas de carga, carne para canhão/impostos, servos da gleba, hoje, sob a refinada forma de compulsivos consumidores de todo o tipo de lixo tóxico do mercado, que dá pelo pomposo nome de dieta alimentar e de moderno estilo de vida. Nunca como neste início de terceiro milénio, as populações foram tão cientificamente infectadas pelo vírus do medo. Consequentemente, jazem, paralisadas, quando deveriam ser-viver de pé. As suas casas são outros tantos bunkers, onde se escondem e morrem de medo, desconfiadas de tudo e de todos. Já nem nos próprios filhos e vizinhos confiam. Têm-nos como estranhos, inimigos. Sem nunca perceberem que é o medo, com que andam possessas, que as leva a ver nos outros, inimigos, quando, afinal, o inimigo de todas elas, são os grandes grupos financeiros e seus mercenários, mascarados de jornalistas, de ministros, de deputados, de clérigos, de pastores de igreja, sexualmente eunucos à força, por isso, poder, em lugar de afectos, de relação maiêutica.

16 Outº 2014 https://www.youtube.com/watch?v=-CLyrSIR4tY

 

Crónica 44

A MALDIÇÃO DE NASCER MULHER

 

Nascer mulher é maldição. O poder, macho, odeia as mulheres. Não suporta a sua fecunda fragilidade. A sua indescritível beleza. O seu arrebatador fascínio. A sua imensa capacidade de resistir, nas condições-limite. E a prova é que os assassinatos de mulheres, casadas ou não, prosseguem, hoje aí, a um ritmo devastador. Coisa banal, simples fait-divers. As mulheres são o útero da vida. Mas o poder, nos três poderes, odeia a vida. Odeia os afectos. Odeia a fecundidade. É assassino. Antípoda das mulheres. Os primeiros nove meses de todos os seres humanos são vividos no útero das mulheres. O facto, só por si, deveria despertar em nós e fazer de nós emoção, ternura, comoção, encantamento, afectos mil. Desperta e desencadeia sobretudo ódios, ciúmes, cobiça, posse, assassínio. São as mulheres, o útero da vida. Nada do que é humano acontece sem elas. O facto é mais do que elementar. Não são precisos doutoramentos para vermos que é assim. Só que o poder não consegue ver, nem o elementar. É cego e bruto. Nega sistematicamente a realidade. Poder e mulheres são duas realidades incompatíveis. Tal como Deus e Dinheiro. E quem diz Deus, diz Feminino, a fonte da vida em relação de afectos. Não diz Dinheiro. Não diz poder. No princípio, é o Feminino. Mas as tecnologias, vazias de fecundidade, estão aí apostadas em dispensar o útero das mulheres. O ódio do poder contra elas vai a tais extremos. Prefere os robots aos seres humanos. E, enquanto não chega lá, faz tudo para esterilizar as mulheres. Convertê-las em poder, de sua natureza, estéril. Só produz espinhos e abrolhos. Como quem diz, refinados instrumentos de tortura, cruzes, guilhotinas, fogueiras, inquisiões, excomunhões, guerras, bombardeiros, bombas nucleares. O terceiro milénio é feminino, ou não será. Uma epopeia hoje quase impossível, depois de milénios e milénios com o poder ao leme do mundo. Com destaque para as chamadas religiões do Livro, o judaísmo, o cristianismo, o islamismo, que vêem no poder, Deus, e nas mulheres, concubinas, prostitutas, de usar e deitar fora. As três são hoje o pecado e o crime organizados do mundo. Esta é, pois, a hora é das mulheres. Do Feminino!

15 Outº 2014 https://www.youtube.com/watch?v=OqNvp2N5XIw

 

Crónica 43

UM GOVERNO-CADÁVER, NUM PAÍS À DERIVA

 

Foram precisas 18 horas, para que o conselho de ministros se pusesse de acordo, no passado fim-de-semana, na descida virtual da sobretaxa no IRS que nunca deveria ter sido criada. Com todas essas horas a partir pedra ou a contar anedotas uns aos outros, o vice-primeiro ministro, PP, e o primeiro-ministro, PC, quiseram dar a imagem de que são um Governo esforçado, que faz o que pode e o que não pode para nos aliviar nos impostos que eles próprios sadicamente criaram e impuseram. A verdade é que este é um Governo cruel e sádico, até consigo próprio, escandalosamente incompetente. Depois de 18 horas de reunião, já completamente toldados pelo cansaço e pela cafeína, a juntar à agressividade e aos ódios de estimação com que se tratam, à porta fechada, não foram capazes de ir além de uma minúscula descida virtual da sobretaxa no IRS. Uma descida que, se chegar a passar de virtual a real, coisa altamente improvável, dada a incompetência de todo este Governo bicéfalo, em que o vice é mais primeiro do que o primeiro, e os dois são o exemplo acabado de profissionais de mentira, peritos em teatralização e em malabarismos, total incapacidade em cumprir a palavra dada, só em 2016, já depois de passadas as eleições para o Parlamento em 2015, é que as populações virão a beneficiar dela. Tudo neste Governo é virtual, faz-de-conta, encenação. Tudo se reduz a um jogo de palavras. A tragédia maior é que um Governo incompetente e virtual, como este, torna estéreis, apáticas as populações que o suportam. Somos, de dia para dia, populações cada vez menos activas, participativas. Definhamos, à míngua de afectos, de causas que valham a pena, de sonhos, de relações de proximidade, de cultura. Para cúmulo, estamos a ser, estes dias, furiosamente atacados, via grandes media, pela histeria do vírus ébola, e nem nos apercebemos que mil vezes pior que o vírus ébola, é este Governo sem princípios, sem ética, sem competência, sem rumo, sem palavra, por isso, sem honra. E ainda há quem insista em exigir a demissão da ministra da Justiça e do ministro da Educação. Quando todo este Governo é, há muito, um cadáver insepulto. E já nem coveiros políticos há com forças para o enterrarem de vez!

14 Outº 2014 https://www.youtube.com/watch?v=LH3jDY-_8eM

 

Crónica 42

FÁTIMA: QUANDO POMOS FIM A ESTE LOCAL NACIONAL DE TORTURA A CÉU ABERTO?

 

O crime e a mentira de Fátima só aparentemente compensam. Na realidade, estão a ser o cancro mais demolidor da igreja católica e da humanidade, sobretudo, a partir do dia em que as tvs passaram a transmitir tudo em directo, e a entrevistar pagadores de promessas que carregam pelas estradas do País o instrumento da sua própria tortura, a cruz do cristianismo. Se há momentos em que é notória a escandalosa divisão entre clérigos e leigos, entre privilegiados e humilhados/condenados da terra, é nas transmissões dos dias 12 e 13 de Maio e de Outubro. Fátima é a montra mais gritante e mais desgraçada desta divisão. No topo da esplanada, e todos paramentados a rigor com as respectivas vestes e insígnias, os clérigos. No topo dos topos, os bispos patrões das dioceses. Uns degraus, abaixo, os párocos, seus contratados a prazo nas paróquias. Lá ao fundo, separados dos clérigos e à intempérie, a multidão dos humilhados/condenados/pagadores de promessas, corrpos cosidos de dores, de ilusões, de doenças, de desesperos, de medos, muitos medos. Aquelas, aqueles que rastejam, ou vão de joelhos, desde a maldita cruz alta, instrumento de tortura do império que Jesus Nazaré fez implodir, mas que o Cristo imperial do cristianismo católico e protestante recuperou e converteu em sádico instrumento de redenção dos humilhados/condenados da terra, os únicos pecadores no entender das cúpulas das igrejas cristãs, são todos parte daquela multidão de pagadores de promessas. Nenhum bispo, nenhum pároco, nenhum frade, nenhuma freira. Só os humilhados/condenados/roubados da sua dignidade são levados a pensar que são merecedores de todos os sofrimentos/castigos, precisamente, porque são pobres, igual a pecadores. Fossem ricos, e teriam as atenções dos bispos, dos párocos, dos pastores protestantes. Pois bem. É toda esta mais do que abominável teologia do cristianismo que subjaz a toda a fé religiosa, a mesma que transforma as vítimas das minorias priveligiadas, em pecadores e pagadores de promessas, a vida inteira. Quando pomos fim às causas do sofrimento, e, consequentemente, este local nacional de tortura a céu aberto?! Quando?

13 Outº 2014 https://www.youtube.com/watch?v=iQ0hGU-vWF8

 

Crónica 41

QUE PAZ, A DO PRÉMIO NOBEL?

 

Decididamente, a Academia sueca que atribui os prémios Nobel vai de mal a pior. Os prémios podem ser muito cobiçados pelas quantias em dinheiro envolvidas e pela efémera projecção mundial dos laureados que, para sua vergonha, aceitam entrar neste jogo. Tudo o mais é lixo, que é o que etimologicamente signfifica o substantivo vaidade. Está, então, na hora de mudarmos de postura, frente a esta perversão instituída, onde o inimigo Dinheiro é rei e senhor, e os membros da Academia, um conjunto de individualidades estéreis, eunucos, plantados lá em cima, num suposto limbo, de onde olham para os povos das nações, como manadas e manadas de imbecis, à excepção de uns quantos, muito poucos, precisamente, os laureados por eles. Os povos saem sempre a perder, quando uns poucos são aclamados vencedores, heróis, santos, génios. É como se, de repente, acontecesse um apagão, à escala planetária e os seres humanos, como um todo, desaparecessem. Os prémios Nobel têm este letal condão. Por momentos, deixa de haver milhares de milhões de vítimas, de empobrecidos, de meninas, meninos da rua, de exploração do trabalho infantil, de sem-terra e sem-tecto, de desalojados e assassinados pelas guerras. O prémio Nobel da paz 2014 é o exemplo mais acabado do que acabo de escrever. Os grandes meios de informação/alienação das populações, propriedade dos grandes grupos financeiros que, dia e noite, fabricam pobreza e pobres em massa, desigualdades sociais inomináveis, sofisticadas armas de destruição maciça, sucessivas guerras, novos vírus e novas doenças, destruição do ambiente e das mentes humanas, pegam numa prendada adolescente do Paquistão, vítima de um talibã, como tantas outras muito mais empobrecidas do que ela, enchem-na de prémios e de donativos em dinheiro destinados a uma fundação com fins caritativos e, por fim, atribuem-lhe o Nobel da paz. E assim, os grandes grupos financeiros, donos desses grandes meios de informação, podem continuar a produzir mais e mais armas, mais e mais guerras, mais e mais pobreza e pobres em massa, que ainda passam por benfeitores, quando são os maiores criminosos e os maiores pecadores do planeta. Alerta! Se não vemos assim as coisas, é porque eles já nos cegaram de vez!

11 Out.º 2014 https://www.youtube.com/watch?v=i5Y1rMECbU8

 

Crónica 40

PRÉMIO NOBEL? NÃO, OBRIGADO!

 

Já nem os prémios Nobel se aproveitam. Afinal, tudo se reduz a um cheque, e quanto mais chorudo, melhor. Que os senhores da Academia não são incorruptíveis, nem insubornáveis. Lidam com Dinheiro. E o Dinheiro tem esse perverso condão de tornar pequenas, as almas das pessoas. Pior, de comer as almas das pessoas, que simplesmente deixam de ser. Fica, em seu lugar, o Dinheiro. Razão tem Jesus Nazaré, quando adverte, sem que a voz lhe trema, Ninguém pode servir a dois senhores. E, para que não restassem dúvidas em ninguém, logo esclarece quais são esses dois senhores incompatíveis entre si: Não podeis servir a Deus e ao Dinheiro. Veio depois o cristianismo, mai-lo seu mítico Cristo, com o firme propósito de desmentir/negar/matar Jesus, junto das populações e dos povos. E, lá, onde Jesus coloca a dijuntiva ou, Deus ou o Dinheiro, o cristianismo coloca a copulativa e, Deus e o Dinheiro. Tanto bastou, para, dois mil anos depois, estarmos caídos na mais crassa idolatria. Hoje, o Dinheiro é Deus, Deus é o Dinheiro. Fora do Dinheiro, é o nada. Quando até os Prémios Nobel se reduzem a um cheque, convertível em Dinheiro, e as pessoas valem pelo que têm, não pelo que são, não há mais espaço para os seres humanos, as abelhas, as árvores, as flores, as fontes, os rios, a vida. Depois de dois mil anos de cristianismo, a impor Cristo e a sua copulativa e, Deus e o Dinheiro, contra Jesus e a sua dijuntiva ou, Deus ou o Dinheiro, nunca mais a humanidade se encontrou. É uma humanidade cada vez mais perdida de si própria, aceleradamente reduzida a coisa, a verme rastejante. O seu muito saber é todo de destruição e de morte. Quanto mais cresce em saber, mais a vida, a humanidade, está em perigo. É perito em crueldade. Tem como ideal, matar, matar, matar; roubar, roubar, roubar; destruir, destruir, destruir. Não é que Deus, na dijuntiva de Jesus, Deus ou o Dinheiro, seja necessário. Deus, para Jesus, ao contrário do Dinheiro, é da ordem da gratuidade, da dádiva, da intimidade, não da necessidade. Por isso, é vida, o sopro que faz acontecer a vida. Enquanto o Dinheiro é o inimigo, o assassino da vida. Ou regressamos a Jesus e à sua dijuntiva, ou, Deus ou o Dinheiro, ou perdemo-nos. Para sempre!

10 Outº 2014 https://www.youtube.com/watch?v=wi1VhHq8im8

 

Crónica 39

PORQUÊ CATÓLICOS, E NÃO APENAS GAYS?

 

Denominam-se “gays católicos” e acabam de realizar o seu primeiro congresso mundial em Portimão, no Algarve. Cerca de 4 dezenas, oriundos de Espanha, EUA, México, Costa Rica, Argentina, Brasil e Portugal. Entre as deliberações saídas do congresso, figura a da constituição da Organização Mundial das Associações de Homossexuais Católicas, cuja comissão instaladora é constituída por representantes de Portugal, EUA e Brasil. Outra, é escrever e fazer chegar ao papa um documento, juntamente com um pedido, para que os bispos católicos “actualizem a forma de pensar”. Devo dizer que acompanho com afecto, desde há anos, a causa gay e LGBT em geral. Participo em debates, sempre que convidado. A minha orientação pessoal é heterossexual, mas reconheço que, embora maioritária, não é a única orientação sexual dos seres humanos. Há uma só humanidade, múltiplas orientações sexuais. Entendo que qualquer discriminação, baseada na orientação sexual, constitui um grave atentado à igualdade dos seres humanos e bato-me pela sua superação, inclusive, ao nível das leis. Não estive no congresso em Portimão, porque não fui convidado. Se tivesse estado, ter-lhes-ia lembrado que o nosso único denominador comum, independentemente da orientação sexual de cada qual, é o humano. As igrejas cristãs e outras religiões têm-se sobreposto, abusivamente, a este único denominador comum. Atentam, com esse seu agir, contra a unidade da humanidade, que é de sua natureza indissolúvel. São instituições estranhas que, com suas ideologias demoníacas, visam ocupar as mentes-consciências das populações. Fazem-se passar pelo que há de melhor. São o que há de pior. Lá, onde chegam, assediam dia e noite as populações, até se instalarem nas suas mentes. A partir daí, dividem-nas para reinar e fazer delas, escravos seus. Passam as semanas e os anos a vender-lhes ritos e a roubar-lhes Deus. Perante tantos e tamanhos horrores, temos de concluir que todas elas são más. Por isso, vos digo, meus irmãos LGBT: sede simplesmente o que sois e deixai os bispos/pastores das igrejas a falar sozinhos. Que deixem de brincar aos bispos/pastores e sejam seres humanos, simplesmente! Ah! E sabei, por fim, que Deus, o de Jesus, não tem nada a ver com eles!

9 Outº 2014 https://www.youtube.com/watch?v=l-b4S8BhFIU

 

Crónica 38

DEMISSÃO DE NUNO CRATO, E DEPOIS?

 

Sindicatos de profs e partidos políticos fora da maioria PP/PSD, não do actual Parlamento que, como um todo, está a destruir o país e a condenar as populações a um estado de depressão colectiva, com a bacoca cumplicidade institucional do PR, um Aníbal sem o mínimo de apetência para a Política praticada, apenas para viagens de Estado e para ler, mal, discursos institucionais que os respectivos assessores lhe escrevem, não se cansam de exigir, dia sim, dia sim, a queda de Nuno Crato que, de ministro de Educação, não tem nada. E de professor da Universidade tão pouco, a avaliar pela obscena incompetência com que, há mais de três anos, tem gerido a pasta envenenada que aceitou. É manifestamente um aborto político. Só que não está sozinho nesta azelhice/mediocridade. Acompanham-no todo o governo da maioria, desde o primeiro-ministro PC e vice primeiro-ministro PP, ao mais desconhecido dos muitos secretários de estado e a acabar no mais desconhecido da montanha de motoristas contratados para conduzirem toda esta fauna governativa que, pelos vistos, nem sequer sabe conduzir os carros de luxo em que passeiam a sua vaidade. A pretensão dos sindicatos e dos partidos políticos fora da maioria PP/PSD, tem toda a razão de ser, mas, politicamente, é tão caricata como a continuidade do ministro. A grande questão é esta: Demissão de Nuno Crato, e depois? É que o ministro Nuno Crato só existe, porque existe este governo. Porque existe este Parlamento, com todos os deputados à direita e à esquerda, que o legitimam. Porque existe este PR, Aníbal. E porque, finalmente, existe o sistema de poder, o pai de todo este genocídio/ecocídio nacional, europeu e mundial. O poder nunca é a solução. É o problema. Aquilo que é intrinsecamente ladrão, assassino, jamais pode ser a via de saúde/salvação dos povos. Política praticada quero, não poder, anda a dizer-nos o Vento/Sopro fonte da vida, desde antes do big-bang. Há já 2 mil anos que vemos esta via ou caminho em Jesus Nazaré, mas insistimos em crucificá-lo como o maldito. Pois bem. Se teimamos em não arrepiar caminho, acabamos todos reduzidos a outras tantas estátuas de sal.

8 Outº 2014 https://www.youtube.com/watch?v=cCeoSRk9Dm4

 

Crónica 37

O QUE É MAU PARA A EUROPA, PODE SER BOM PARA ÁFRICA

 

O vírus ébola acaba de entrar na Europa. Uma enfermeira espanhola foi infectada. O alarme está hoje em tudo quanto é órgão de informação. E, com ele, o desassossego. Mas o que é mau para a Europa, pode ser bom para as populações dos países africanos, condenadas, há séculos, a ter de viver em desumanas condições de insalubridade. Que faz doer o coração, até, do mais insensível entre os humanos que as visitem. Mas não o dos grandes financeiros do mundo, que é movido exclusivamente pelo amor ao Dinheiro. Os quais sempre sonharam um continente africano livre de populações, para poderem esventrá-lo sem quaisquer escrúpulos. Onde humanos vêem outros humanos como nós, os grandes grupos financeiros cristãos laicos vêem as riquezas que o continente africano guarda no seu chão. E agem em conformidade. Mas eis que o vírus ébola, que eles mesmos, directa ou indirectamente, ajudaram a nascer e a propagar-se como arma letal de extinção das populações empobrecidas, emigra agora para a Europa e ameaça invadir as suas cidades, as suas grandes superfícies, os seus palácios, as suas catedrais, os seus grandes santuários. A criatura vira-se contra os seus criadores. E agora, Europa/Ocidente? Em verdade, em verdade vos digo: Pior do que todos os terrorismos do mundo, os do Estado Islâmico, dos Estados Unidos da América, da União Europeia, é o vírus da miséria/pobreza mundial, cientificamente provocada pelos grandes grupos financeiros, os mesmos que fabricam as bombas nucleares e de neutrões e, depois, ainda se apresentam aos povos da terra como os messias/cristos/salvadores. Decididamente, o Ocidente com o seu Cristo vencedor, reinador, imperador – em latim, Christus vincit, Christus regnat, Christus imperat – é o pai de todos os males que assolam hoje o mundo. Absorveu o que de pior tinham as antigas civilizações e tornou-se o sistema de poder global mais refinadamente cruel e sádico da história. O vírus ébola é só um exemplo mais! Dos menos letais. Sobretudo, a partir do momento em que deixou de estar confinado às populações de África, condenadas a ter de viver em desumanas condições de insalubridade.

7 Outº 2014 https://www.youtube.com/watch?v=7IjGJ1x5rMg

 

Crónica 36

O SUICÍDIO POLÍTICO DE MARINHO E PINTO

 

O ex-basstonário da Ordem dos Advogados e deputado em funções no PE, Marinho e Pinto, acaba de se suicidar politicamente. Foi ontem, dia da República – em boa verdade, já não há República, por força dos 48 anos de Estado Novo que a reduziram a um cadáver político em putrefação, onde cabem personagens do calibre amoral de um Aníbal, de um PP, de um PC, e de uns quantos partidos políticos mais, que sonham ser poder político, no todo ou em parte, sem nunca chegarem a perceber que ele mata a Política praticada – ao apresentar em Coimbra o seu próprio partido, PDR-Partido Democrático Republicano. No meio de tanto “striptease” político que se propõe fazer contra os outros e a favor do seu próprio, graças ao chorudo salário de deputado do PE e do qual não abre mão, Marinho e Pinto ainda não conseguiu ver o óbvio, concretamente, que todo o poder, também o poder político, é intrinsecamente assassino. Servi-lo, num partido já existente, ou noutro criado por ele e mais uns quantos chico-espertos que gostam de comer à mesa de messias/cristos bem-falantes e aparentemente destemidos contra os demais, sem nunca olharem por eles abaixo, é igual a suicidar-se. Nunca o poder é porta de entrada para os seres humanos fragilidade-consciência que o queiram ser de dentro para fora, até à plenitude. Sempre é o assassínio de quantos a franquearem. Quem ontem viu-ouviu, via tvs, Marinho e Pinto a discursar durante quase uma hora, na sessão de apresentação do seu próprio partido, pôde ver-ouvir um indivíduo, sem o brilhozinho nos olhos, próprio dos seres humanos fragilidade-consciência, homens-menino. O que viu/ouviu, foi um homem-poder, só, agressivo, rosto pesado, zangado com todo o mundo, carregado de chaimites nas palavras, nenhum afecto, nenhuma alegria, nenhuma ternura, nenhuma maiêutica. Uma espécie de S. Paulo do judeo-cristianismo primitivo, que veio a superar em poder sobre as mentes-consciências das populações, os respectivos fundadores, Pedro e Tiago. Ou uma espécie de papa Francisco puro e duro, porque sem nada daquele seu enganador sorriso, com que o poder monárquico absoluto da igreja católica romana hoje se apresenta, urbi et orbi, à cidade e ao mundo.

6 Outº 2014 https://www.youtube.com/watch?v=y63Ejj0HMQs

 

Crónica 35

Que sabem os bispos cristãos católicos das famílias de hoje?

 

Os bispos cristãos católicos são hoje uma espécie em vias de extinção. Melhor ainda: O próprio cristianismo, que está na origem da existência dos bispos cristãos católicos, é um sistema que nunca deveria ter nascido e que tem de ser defintivamente extinto, para que os seres humanos possam ser-viver-crescer de dentro para fora, até serem, pelo menos, outros Jesus, mulheres e homens indissoluvelmente unidos entre si, que cristo/messias/poder algum jamais possa separar. O problema é que o cristianismo, fundado sobre o mito cristo/messias, leva já dois mil anos de infantilização das populações, e as suas elites privilegiadas, mais do que muitas, em outras tantas igrejas-empresa, não se mostram dispostas a abrir mão do poder e dos privilégios que este lhes garante. São tão cegos, a começar no bispo de Roma, o poder dos poderes, e a acabar no mais humilde cura de aldeia, que, no seu narcisismo corporativo, se pensam inquestionáveis e se têm na conta de insubstituíveis. Tão pouco olham a meios para se perpetuarem no poder, nos privilégios, no inumano institucional. Chegam a meter dó, de tão vaidosos e pavões que são e se apresentam perante a plebe. Nem sequer se apercebem de que já vamos terceiro milénio adiante, e que a Idade Média está lá muito para trás, tanto, que as novas gerações têm grande dificuldade em dar por ela, tão centradas que vivem neste nosso hoje carregado de futuro. O Sínodo dos bispos que amanhã começa em Roma e que se propõe debater as novas e prementes questões com que estão confrontadas as famílias da actualidade, é a prova acabada do que aqui acabo de escrever. São todos homens celibatários à força, oriundos de múltiplas partes do mundo, que se atrevem a abordar uma realidade que não conhecem de todo, a não ser dos livros, e que está a milhas de distância do universo clerical de conceitos a que vão ter de recorrer para se entenderem entre si, mas se desentenderam, completa e definitivamente, da realidade. Mal vão as famílias de carne e osso, se se deixarem guiar por estas elites cristãs católicas romanas. São guias cegos que as conduzirão para o pior dos infernos, o da inumanidade disfarçada de virtude e de santidade. O horror dos horrores!

4 Outubro 2014 https://www.youtube.com/watch?v=DQXNVqztj-U

 

Crónica 34

ALERTA, CRIANÇAS-ADOLESCENTES!

URGE MUDAR DE SER, MUDAR DE DEUS

 

Cada nova geração que vem ao mundo é sempre uma esperança em potência. As crianças-adolescentes representam, à partida, a possibilidade real de um novo começo na história da humanidade. Os poderes sabem-no e fazem tudo para abortar essa possibilidade. São outros tantos reis herodes, em cada tempo e lugar. E meios para o conseguirem, não lhes faltam. Cabe às crianças-adolescentes, com ou sem a ajuda maiêutica dos respectivos pais e outras pessoas adultas que recusam viver à sombra dos privilégios, fintar os poderes e blindar-se a todas as suas ciladas, hoje, mais do que muitas. Fundamentais, para um novo começo, são a lucidez e a audácia de abrir caminhos, em lugar de percorrer os caminhos já abertos e andados. A presente geração de crianças-adolescentes e todas as que se lhe seguirem, têm, à partida, uma vantagem única a seu favor. São todas gerações pós-cristãs. A ideologia/ teologia do cristianismo, intrinsecamente assassina do Humano, já não atinge mortalmente as suas mentes-consciências. Se bem que ela continue aí, super-activa, em versão laica, agnóstica ou ateia. O descarado culto do deus Dinheiro quase não conhece ateus nem agnósticos. E de nada adianta às novas gerações serem pós-cristãs, se o são apenas do cristianismo religioso das igrejas dos sacerdotes e dos pastores. É alguma coisa, mas muito pouco. O culto do deus Dinheiro, é muito mais sedutor e muito mais assassino do Humano do que o culto religioso das igrejas, a católica romana, as protestantes tradicionais e as mais recentes. A ruptura com o passado só é consumada, se crianças-adolescentes ousarem mudar de ser, mudar de Deus. Urge, por isso, nascer do Vento intrinsecamente liberador e humanizador que sopra, fecundo e inerpelador, da banda das vítimas da história. Trata-se de nos deixarmos fazer por esse sopro que atravessa e dá sonoridade aos gritos das vítimas. Fazermo-nos próximos delas e erguermos a nossa tenda entre elas, é fundamental, para mudarmos de ser, mudarmos de Deus. Tornarmo-nos Eu-sou, de dentro para fora, outros Jesus, terceiro milénio adiante. Cabe a cada nova geração de crianças-adolescentes esta responsabilidade. E esta alegria maior.

3 Outº 2014 https://www.youtube.com/watch?v=YCHci1nBPbI

 

 

Crónica 33

ESQUECEMOS QUE AS VÍTIMAS DA HISTÓRIA SÃO OS NOSSOS UÍZES?

Os deputados da direita e da esquerda – mas em que se distinguem uns dos outros, no tocante a estilos de vida, salários, mordomias e outro tipo de privilégios? – escorregaram ingenuamente em certos bustos de presidentes da República, expostos, a partir de ontem, no interior daquele palácio do poder. O episódio tem tudo de folhetim político rasca. Os senhores deputados da esquerda não suportam a afronta de terem de olhar, concretamente, para os bustos de Carmona, Craveiro Lopes, Américo Tomás. Parecem virgens pudicas que não podem ver-se, nuas, ao espelho, ao saírem do banho. Não vêem sequer o ridículo dos seus protestos. Se a presença destes e outros bustos naquele palácio do poder é uma afronta, o que dizer da regular presença ao vivo do actual presidente Aníbal, do vice-primeiro ministro PP, do primeiro-ministro PC, do cardeal patriarca de Lisboa, quando calha de lá ter de se sentar, mudo e quedo, num cadeirão? Tais bustos remetem-nos para presidentes de república, paus-mandados do ditador Salazar. E quem o nega? Expôs-los lá, não é uma afronta que se lhes faz? Ou desconhecemos que, lá, onde há bustos dos carrascos do poder político, financeiro, religioso-eclesiástico, há também os ensurdecedores gritos das suas inumeras vítimas? Esquecemos que, em última instância, são as vítimas da história os nossos juízes? E quem de nós, se não incluI as inúmeras vítimas de algum dos três poderes, pode dizer que não é, pelo menos, cúmplice dos carrascos institucionais que as produzem, e, hoje, aos milhões e em ritmo cada vez mais acelerado? “Não se pode apagar a história”, defenderam-se, de atabalhoado modo, os deputados da maioria. Mas manda a verdade que se diga que a história é feita pelas vítimas dos carrascos do poder, muito mais do que por estes. As vítimas só não figuram lá, porque a história é mandada escrever pelos carrascos vencedores, onde todos eles figuram como heróis. Para sua vergonha. O trágico de todo este folhetim político, é que até o sujo negócio dos submarinos e dos pandur, de novo aí a arder, está a deixar o antigo ministro dos negócios estrangeiros, PP, ganhar tempo, para poder sair oficialmente incólume de toda essa pouca-vergonha!
2 Outº 2014 https://www.youtube.com/watch?v=oY-1aOtuCYA

 

 

Crónica 32

CORROMPAM OS ADOLESCENTES E JOVENS E DEPOIS QUEIXEM-SE!

 

Vejo, sem espanto, que adolescentes e jovens europeus e ocidentais, elas e eles, cada vez em maior número, deixam mães, pais, amigos, respectivos países, e correm a integrar-se no chamado Estado Islâmico, tão odiado e bombardeado pelos EUA e outros Estados. Não! Não são as decapitações de A, B e C, transmitidas em directo ou quase, por tudo quanto é canal de tv e redes sociais, que atraem estes adolescentes e jovens, ainda mais elas que eles. Que horrores desse calibre, não atraem gente a despontar para a vida e para a consciência crítica. O que atrai estes adolescentes e jovens, em número cada vez maior e num rítmo imparável, são as arriscadas causas que movem as gerações mais novas daquele Estado. Enquanto que os adolescentes e jovens dos Estados europeus e ocidentais estão para aí a ser reiteradamente assassinados por novelas, futebóis, overdoses de concertos pimba, manhãs, tardes e noites de tvs rascas, escolas e universidades sem valores e sem dignas saídas profissionais alternativas às do Mercado, igrejas cristãs convertidas em empresas covis de ladrões, noites e noites encharcadas de álcool e outras drogas, orgias de sexo, corpos que se agitam e se prostituem sem um pingo de pudor e de mistério, desemprego galopante, partidos políticos domesticados pelo sistema que tem no Dinheiro acumulado e concentrado o seu deus. Depois de dois mil anos de cristianismo e suas igrejas, com a sua cruz e a sua bíblia, mai-lo seu clero celibatário e os seus pastores, acabamos países sem causas, sem projectos, pelos quais valha a pena dar a própria vida. Ora, para semelhante peditório, os adolescentes e jovens terceiro milénio, todos já pós-cristãos, não estão dispostos a dar, como sempre deram os seus antepassados. E rebelam-se, com carradas de razão. Rompem com os mitos dos antepassados que os fazem jazer/apodrecer em quotidianos de chumbo, subjugados por minorias políticas e financeiras corruptas, sem alma, sem valores, sem causas que nos galvanizem e dignifiquem. Deixam tudo e partem, quais profetas que gritam, Mudai radicalmente de ser-viver e de Deus, ou acabais feitos robots, mercadorias, coisas, menos ainda que minhocas!

1 Outº 2014 https://www.youtube.com/watch?v=92T__56LUCA

 

Crónica 31

SUPLÍCIO DE TÂNTALO

 

A cara de vingativo alívio/satisfação com que o ex-secretário-geral do PS saiu de cena diz bem quanto o poder – todo o poder – é uma dourada prisão/tortura e, ao mesmo tempo, uma irresistível sedução. A sedução dura apenas, até a seduzida, o seduzido lhe cair nas garras. Logo depois, vêm as agruras de toda a ordem, em devorador crescendo. Os aplausos ao novo vencedor são um misto de inveja e de vingança. Apagados os holofotes da vitória/entronização, todos regressam a suas casas, e o vencedor fica só. O dia da vitória/ entronização é o primeiro dia da sua completa solidão. Nunca mais conhecerá amigos, nem familiares, que o poder é, de sua natureza, estéril e, mais do que estéril, assassino. Viverá rodeado de cortesãos e acompanhantes de luxo, elas ou eles, conforme as suas tendências sexuais. A luta pelo poder só é arrebatadora, enquanto dura. O vencedor é o maior dos desgraçados que, para seu mal, nunca chega a reconhecer-se. A cara de vingativo alívio/satisfação com que António José Seguro deixou, às pressas, o cargo de secretário-geral do PS para o seu rival António Costa, é duma cruel e sádica eloquência. Pudemos vê-lo, depois, regressar a casa, teatralmente, acompanhado da mulher e das filhas. Só quando se viu derrotado e, face à inequívoca expressão dos resultados das primárias, finalmente, percebeu que até muitos daqueles que andaram com ele, de comício em comício e de jantar em jantar, correram, depois, a votar no seu rival de partido – é por isso que o voto é secreto – é que viu o ninho de víboras em que havia vivido até àquela noite. Faltou-lhe, porém, nesta hora de saída, dar um passo mais, para garantir o seu definitivo regresso à condição de simples ser humano feliz: deixar definitivamente o PS e, com ele, o planeta poder. Manter-se como “militante de base”, significa que vai apenas gozar umas curtas férias com a família. O poder mantém-se dentro dele, como um demónio, a devorar-lhe a alma. Continuará, por isso, na penumbra, a liderar uma corrente segurista contra Costa. E o que deveria ser para ele definitiva libertação do poder, é o seu suplício de Tântalo. Maldito poder!

30 Setº 2014 https://www.youtube.com/watch?v=hndFWqKT0gE

 

Crónica 30

FIA-TE NOS MESSIAS E NÃO CORRAS, VERÁS O TOMBO QUE LEVAS

 

A euforia dos militantes socialistas e dos muitos simpatizantes do PS, logo após a estrondosa derrota de António José Seguro e da folgadíssima vitória de António Costa, deixa perceber, com preocupação, que as populações, na sua generalidade, ainda se não libertaram dos messias/cristos/intermediários. Nem parecem dispostas a libertar-se. São já muitos milhares de anos e muitas mais gerações de populações, a insistir nesta via política messiânica/cristã. Deveria ser uma razão mais que suficiente, para desistirmos de uma vez por todas desta via política, tamanhos os tombos/desastres, tantos e tão inomináveis os crimes cometidos até ao presente e que prosseguem, aí, imparáveis. Pais, tutores (messias/cristos/intermediários), só na infância. Quando crescemos, descolamos dos pais, tutores. A chamada crise da adolescência tem a sua quota-parte de dor, mas é benéfica para filhos e pais. É uma crise de crescimento. Deveria ser também assim no plano colectivo, comunitário. Quando não é, a humanidade cai mortalmente doente. Sempre que o período da infância se prolonga para lá do necessário, deixa de ser infância, para ser infantil. Os messias/cristos/intermediários só aparentemente são via política de salvação/saúde das respectivas sociedades. Nada pior para as populações, quando elas, como um todo, recusam crescer de dentro para fora, até se tornarem sujeitos dos seus próprios destinos, dos destinos umas das outras e do planeta. Por outras palavras, quando recusam ser Política praticada. Trocam o que há de mais belo no planeta – a Política praticada – pelo que há de mais medonho – o Poder. Urge percebermos, de uma vez por todas, que os messianismos/cristianismos, com seus messias/cristos/intermediários, são a doença infantil da humanidade. Uma doença mortal. Franqueia a porta ao poder, nos três poderes, consequentemente, à mentira, ao secretismo, à corrupção, à violência, à exploração, à manipulação das mentes/consciências, aos chico-espertos, quando deveria fazê-la implodir. A esta luz, percebemos ainda melhor porque Jesus Nazaré recusa ser o messias/cristo! Antes a morte crucificada, que tal sorte – a de contribuir para manter a humanidade no infantil!

29 Setº 2014 https://www.youtube.com/watch?v=VGWPhVtibbg

 

Crónica 29

FOI ABERTA A CAIXA DE PANDORA

 

Hoje, sábado, bem se pode escrever que esta semana que foi aberta a Caixa de Pandora. As máscaras dos agentes do poder político partiram-se. Restam os cacos. O poder político vai nu, e toda a gente pode ver, agora, quão horrendo, ele é, à direita e à esquerda. Não! Não digam que meto tudo no mesmo saco, porque, efectivamente, o poder político é só um. As populações podem, para seu mal, enterrar ainda mais a cabeça na areia e viver cada vez mais focadas nos futebóis das SADs, nas novelas, no euromilhões, nas chamadas telefónicas para aquele número mágico das tvs que garante mil euro a quem ligar, e quanto mais vezes ligar, mais hipóteses tem de ganhar. Não as acuso. Seria cínico e cruel se o fizesse. São vítimas do poder até esse grau de degradação. Acuso os seus carrascos, com destaque para os agentes do poder político, que estão todos aí ao serviço do poder financeiro e do poder religioso/eclesiástico, mas fingem que estão ao serviço das populações. São eles, os novos sacerdotes do templo, ungidos pelo deus Dinheiro, omnipotente, omnisciente, omnipresente, para executarem nos múltiplos altares de cada Estado, as populações do respectivo país, quais ovelhas levadas ao matadouro. Esta semana é obscenamente esclarecedora. Partiram-se as máscaras e todos os agentes do poder político estão nus. As populações puderam ver, finalmente, quão horrendos, hipócritas, mentirosos, oportunistas, troca-tintas, cínicos, malabaristas, corporativos, eles são. Tudo lhes é permitido, até fazer de conta que são transparentes, abnegados, puros, remediados, pobrezinhos, altruístas. Abriu-se a Caixa de Pandora. E nem que, agora, corram a tentar fechá-la, já não conseguem prender a luz que se fez nas mentes das suas vítimas, as populações. Cabe a estas abandonar a preguiça política e deixar-se mobilizar pelo sopro/vento político maiêutico, sistematicamente reprimido dentro delas. Nunca o poder é parte da solução. É o problema n.º 1. A solução reside nas populações maieuticamente organizadas e tem de vir de dentro delas para fora. Intermediários, nunca mais! Política praticada quero, diz a Sabedoria, não intermediários, que vivem só para roubar, sacrificar, matar as populações, nos altares sagrados do poder financeiro, o deus Dinheiro!

27 Setº 2014 https://www.youtube.com/watch?v=nLm1E3zAJTg

 

Crónica 28

E DEPOIS DIGAM QUE A JUSTIÇA NÃO FUNCIONA!

 

Então é assim. O padeiro Manuel Carneiro, residente no lugar de Carquejeiro, freguesia de Rechousa, VN de Gaia, acaba de ser absolvido pelo Tribunal da Relação do Porto do suposto crime de roubo de 70 cêntimos feito ao dono e patrão da padaria. A acusação é de Janeiro 2013. O Tribunal de Gaia apressou-se a confirmar o roubo e condenou, de forma exemplar, o trabalhador a uma multa de 315 €, por furto simples. Manuel Carneiro, convicto da sua inocência, e mais ainda de que os juízes do Tribunal das comarcas também se enganam e se deixam subornar por donos e patrões de padarias e quejandos, recorreu para o Tribunal da Relação do Porto. E o Tribunal da Relação do Porto absolveu-o esta semana. Precisamente, a mesma semana em que um tal Passos Coelho, primeiro-ministro, é acusado em tudo quanto é órgão de comunicação, de suposto crime grave. E depois digam que a Justiça não funciona, não é célere, não é capaz de absolver trabalhadores contra patrões e donos das empresas. Como se vê, basta que os trabalhadores não se conformem com as decisões dos tribunais, paredes meias com os donos e patrões, e recorram aos tribunais da relação, numa outra cidade. Ah! E que o suposto roubo envolva quantias inferiores a um euro. Porque, quando envolver muitos milhões, e os supostos acusados forem grandes administradores de empresas multinacionais, grandes banqueiros, grandes dirigentes do poder político, primeiros-ministros, presidentes da República, altos funcionários eclesiásticos, já as coisas funcionam de outra maneira. Em tais casos, entra de imediato em acção toda a artilharia pesada das Sociedades de Advogados, a própria Procuradoria-Geral da República, os grandes Juízes, e, então, as malhas da Justiça acabam tão estreitas, tão estreitas, que só mesmo o peixe muito miúdo é apanhado, enquanto os graúdos, que se fartam de enganar, mentir, legislar, agir contra os miúdos e comê-los a toda a hora, vêm os seus supostos crimes prescreverem e os respectivos acusados saírem pela porta grande! Onde os esperam montes de jornalistas pés-de-microfone das tvs, servilmente, ao seu dispor!

26 Setº 2014  https://www.youtube.com/watch?v=Uftm3q7Kdqg

 

Crónica 27

SALÁRIO MÍNIMO, A HUMILHAÇÃO DE QUEM TRABALHA NO DURO

 

Dos míseros 485 euro brutos/mês em que se manteve alguns anos, o salário mínimo de quem trabalha no duro, 40 horas por semana ou mais, sobe em Outubro próximo para os míseros 505 euro brutos/mês. A decisão foi tomada por este governo PP/PSD, com o acordo entusiasta de uma central sindical zeladora dos interesses do grande capital explorador. Precisamente, no mesmo dia em que o novo seleccionador de futebol de Portugal, o senhor eng.º Fernando Santos, foi apresentado ao país, com honras de abertura nos telejornais nacionais, com um salário mínimo de 100 mil euro/mês, de acordo com notícia de um matutino de Lisboa, que não foi desmentida pela respectiva Federação. Façam as contas e vejam quantos anos têm de trabalhar no duro, 40 horas por semana ou mais, os trabalhadores, elas e eles, por conta de outrém, para apurarem o equivalente ao salário mínimo de um mês do seleccionador nacional de futebol. Bastaria isto para vermos quanto o aplaudido regime democrático é bem o pior de todos os regimes. Só não se percebe porque há-de acrescentar-se a esta definição, aquela frase, “à excepção de todos os outros”. Quais?! Os países da Europa e do Ocidente bem podem orgulhar-se, mas para sua vergonha, de serem países civilizados e de raízes cristãs! E depois digam que a escravatura foi extinta e que Portugal foi um dos primeiros a fazê-lo. Somos cínicos incorrigíveis e ainda nos orgulhamos. Mas por que razão há-de um profissional de futebol, jogador ou treinador, ter um salário mínimo que lhe garante num ano, o que os trabalhadores no duro das empresas não auferem em toda a sua vida laboral? Onde está a igualdade entre seres humanos? Onde a dignidade do trabalhador por conta de outrém? Pode falar-se de dignidade do trabalho, quando este está na continuidade do “tripallium”, o instrumento de tortura dos antigos escravos? Evoluímos, ou regredimos? O que nos distingue dos antepassados da idade da pedra? As tecnologias com as quais nos manipulam e oprimem? Podemos dizer-nos humanos, enquanto o nosso ser-viver colectivo não for organizado ao modo dos vasos comunicantes? Haja pudor. Tanta e tão grande degradação humana social não se extingue, só porque somos escravos com telemóvel!

25 Setº 2014 https://www.youtube.com/watch?v=R1CAdG1ynb4

 

Crónica 25

DEMOCRACIA, PARA QUE TE QUERO?

 

Continuam corporativamente a repetir-nos que a democracia é o pior dos regimes, com excepção de todos os outros. E nem nos apercebemos que, com este tipo de frases sonantes, abrimos de par em par as portas à corrupção e á opressão dos povos, as mais requintadas. A definição de Winston Churchill pode ter tido o seu valor, no contexto de então. No actual contexto, é o maior dos cinismos. Tudo o que de pior tiveram todos os regimes anteriores ao actual regime democrático, inunda hoje as nações do mundo, com destaque para as do mundo ocidental, num regabofe político que filtra os mosquitos, mas engole os camelos. Desde que o poder financeiro comeu o poder político e matou a economia, continuar a falar em democracia, como o menos mau de todos os regimes, é um crime contra os milhares de milhões de vítimas humanas que, entretanto, continuam aí a crescer de dia para dia. Podem as minorias da área dos poderes continuar a masturbar-se com as suas próprias palavras, os seus ritos, os seus cultos, os seus partidos políticos, as suas igrejas. Mas são cegas e oportunistas, incapazes de verem além dos próprios umbigos. Só porque têm sol no seu condomínio fechado, já nem vêem que o planeta, como um todo, é cada vez mais inundado por milhões de refugiados, fugidos de guerras fratricidas, chuvas torrenciais sem aviso prévio, levas de desempregados, de desesperados emigrantes, muitos dos quais morrem antes de chegarem aos países de destino. As estradas e auto-estradas matam, hoje, tanto ou mais que as guerras do passado, e nós continuamos a arrotar de satisfação, porque vivemos em democracia, com carro de marca na garagem da casa. Vejam o caso do vírus ébola. Prolifera e mata populações, condenadas a viver em condições de desumanidade, muito abaixo das de muitas pocilgas de criação de porcos. E quem cuida de mudar essas condições? Que é dos intelectuais com voz e vez? Não estão já comidos por esta democracia? Em verdade, em verdade lhes digo: Apenas o poder financeiro está a sair beneficiado com o actual regime democrático. Graças a este, tem já sob a sua pata os governos, as igrejas-religiões, as universidades, as famílias, os media, as redes sociais. Democracia, assim, que favorece o crime organizado, para que te quero?!

23 Setº 2014 https://www.youtube.com/watch?v=ZIi6fUuqv2A

 

Crónica 24

E TUDO SE RESUMIU A MAIS UMA MISSA-ESPECTÁCULO!

 

As ameaças de um atentado jihadista, durante a visita do papa Francisco, ontem, domíngo, à Albânia, não passaram duma grotesca publicidade católica romana, para tentar valorizar o que objectivamente não tem qualquer valor. Se há, hoje, actividade politicamente mais inócua e até prejudicial, é precisamente esse tipo de missas-espectáculo, cheias de lugares comuns que o papa teima em realizar. Um mais que batido teatro religioso de mau gosto, por sinal, altamente dispendioso para os países que se prestam a cooperar com encenações destas, típicas do cristianismo católico romano. Todas as religiões são da dimensão do simbólico e do maravilhoso, não do real. Para cúmulo, daquele tipo de simbólico e de maravilhoso intrinsecamente perverso, que visa esconder o Mal estrutural organizado, e manter infantis, as populações. Cabe-lhes impedir que as populações cresçam, de dentro para fora, até se tornarem sujeitos, protagonistas da história. Os grandes grupos financeiros que, neste início de terceiro milénio dominam cada vez mais o mundo, são os primeiros a financiar e a manter as religiões. Dá-lhes muito jeito que, de geração em geração, as populações permaneçam no infantil. Podem, assim, movimentar-se à vontade, sem necessidade de terem de recorrer a outros meios de repressão violenta. Têm com eles a generalidade dos governos das nações que, para isso, existem os Estados em cima dos povos, com toda a sua trituradora máquina de impostos e de leis, qual delas a mais castradora. Se aos governos, continuam a juntar-se as religiões e suas legiões de mercenários, vestidos de pastores, os os grandes grupos financeiros podem continuar a agir impunemente e manter nas suas mãos os destinos dos povos e do próprio planeta. O papa Francisco é, de momento, o chefe religioso que mais neutraliza os demais mercenários religiosos disfarçados de pastores. Dá-se até ao luxo de se insurgir contra a “idolatria do dinheiro”, mas só para que a sua Cúria romana melhor possa continuar a marcar pontos entre os demais grandes grupos! Aquelas suas vestes brancas escondem horrores que as populações não podem sequer suspeitar, pois seria o fim da Cúria e de todos os demais grupos financeiros!

22 Set.º 2014 https://www.youtube.com/watch?v=OJmDT0OU2Rk

 

Crónica 23

A FALÁCIA DO REFERENDO NA ESCÓCIA

 

Para lá do pânico que causou nos senhores que mandam na Europa do euro, o referendo na Escócia, sim ou não à independência, não passa de monumental falácia política. Ninguém o diz, assim, sem quaisquer subterfúgios, como aqui se escreve/diz. Porque aos comentadores de serviço, todos do sistema de poder, e às elites dos partidos políticos, de direita e de esquerda, umas e outras com devoradora fome de poder, nem que seja uma única cadeira no parlamento do Estado de cada país, cabe-lhes ocultar a verdade/realidade, não pô-la a descoberto. Todos intuem, uns mais, outros menos, o que Jesus, o do Evangelho de João, pratica e por isso anuncia, como boa, mas também exigente palavra de ordem pessoal e política, “Amai/praticai a verdade, que a verdade vos fará livres”. Ora, é precisamente para impedir semelhante passo qualitativo em frente, por parte da humanidade, que há o sistema de poder com as suas minorias privilegiadas, das quais fazem parte todos os comentadores de serviço nos grandes media, todas as elites dos partidos políticos, das grandes e médias empresas, dos sandicatos, dos bancos, das igrejas/religiões. A falácia política é o próprio referendo, sim ou não à independência. Ou o referendo não fosse, como é, criação do sistema de poder e suas minorias privilegiadas. Não pode haver real autonomia/independência dos seres humanos e dos povos, enquanto o sistema de poder se mantiver ao comando do mundo, para cúmulo, e, como hoje já acontece, cientificamente organizado e armado de tudo o que há de mais sofisticado, nas técnicas de domínar as mentes/consciências dos povos. Nestas condições políticas objectivas, para cúmulo, já entranhadas, como um demónio, nas mentes/consciências dos seres humanos e dos povos, resta-nos tão só a obscena possibilidade de escolhermos um, entre dois patrões/senhores, qual deles o mais refinado na perversa arte de nos envenenar, anestesiar, alienar, controlar, dominar. Enquanto não protagonizarmos na história a revolução antropológica-teológica de Jesus, não chegaremos à feliz condição de seres humanos e povos verdadeiramente autónomos, livres, em fecunda relação maiêutica uns com os outros. Havemos de ser sempre esta apagada e vil tristeza, típica dos súbditos!

20 Setº 2014 https://www.youtube.com/watch?v=4veon_IsVBc

 

Crónica 22

PELAS RUAS DA AMARGURA

 

Estão pelas ruas da amargura, as nossas escolas. As escolas são o espelho e o coração do país, também ele pelas ruas da amargura. O país, são as populações. O poder, todo o poder, é um estranho que entra sempre por outro lado, que não pela porta. A porta, são as populações, a sua alma, a sua identidade, o seu coração, as suas legítimas aspirações à felicidade, à paz, ao bem-viver, à comensalidade. O poder serve-se das populações, nunca as serve. É demoníaco. Inimigo das populações. Divide para reinar. Quando se aproxima das populações para as seduzir, as ganhar para ele, veste a máscara de humano. Uma vez vencedor, instala-se nos palácios, ocupa os seus cadeirões, rodeia-se de secretárias, acompanhantes de luxo, montes de motoristas, carros de luxo, adjuntos, secretários de estado, directores-gerais, assessores, guarda-costas. E lá do alto, definitivamente sem a máscara do humano, não mais enxerga as populações, o país de carne e osso. Não mais as escuta. Nem sequer família tem. Apenas súbditas, súbditos. O poder em que se tornou, devora-lhe a alma, os afectos. Transforma-o num demónio, num inimigo, num estranho. Cada manhã, vê-se ao espelho, enche os pulmões de veneno letal e levita de satisfação. Não! Não é mais o ser humano, frágil e em relação com os demais, que, porventura, chegou a ser em menina, menino. Agora, é o poder, rodeado de lacaios, de subservientes. Confunde bajuladores, com amigos. Alimenta-se de mentira e sonha tornar-se o senhor do mundo. Tudo o que pensa, projecta, legisla, faz, tem por único objectivo, roubar, matar, destruir as populações. Perante o crescente coro de queixas, protestos, chega a encenar pedidos de desculpa, mas já não é capaz de regressar ao humano, a única porta que verdadeiramente nos abre à plenitude da vida, da paz, da felicidade. Perde-se para sempre. O mais trágico, é que arrasta com ele as populações para o abismo/inferno. Moral da crónica: Ou matamos de vez o poder, e assumimos os nossos próprios destinos, ou jamais somos humanos com afectos!

19 Set.º 2014 https://www.youtube.com/watch?v=iUMGXNllvhM

 

Crónica 21

“POR CAUSA DE UM TERRÍVEL REGIME ATEU”

 

Ecclesia, a agência de notícias dos bispos portugueses, titula, assim, a sua reportagem de ontem sobre a catequese do papa às quartas-feiras: “Vaticano: Papa apresenta visita à Albânia como homenagem a vítimas de «terrível regime ateu».” Mas as palavras textuais do papa são bem mais contundentes: “Decidi visitar este país, porque sofreu muito por causa de um terrível regime ateu”. Onde a agência escreve “vítimas”, o papa diz “país”. Concretamente, a Albânia. A visita, é já no próximo domingo. Com a pompa e a circunstância que Sua Santidade o papa merece e a condição de chefe de estado do Vaticano exige, impõe. Tudo, por isso, nos antípodas da postura de clandestinidade que Jesus Nazaré conhece/pratica, no decurso da sua arriscadíssima missão política de Evangelizar os povos, a partir dos últimos, nunca das cúpulas. De tal maneira que Jesus só pôde ser preso, julgado, condenado à morte e executado na cruz pelos sumos-sacerdotes/império de Roma, a mesma cidade onde está implantado o estado do Vaticano, porque todo o grupo dos Doze que anda com ele, com Simão Pedro, a abrir, Judas Iscariotes, a fechar, o traiu/entregou ao pleno dos três poderes de então. Será, pois, preciso que os “ateus” dos países onde os terríveis regimes deístas cristãos católicos romanos e protestantes, judeus, muçulmanos e outros se instalaram, como outras tantas legiões de demónios, lembrem agora ao papa e seus sucessores todos os horrores que eles sempre cometeram, continuam a cometer, enquanto existirem, para que também ele e todos os que se dizem crentes, muden de ser e de Deus. É manifesto – pelos frutos se conhece – que a fé religiosa é uma fé deísta. Crê/pratica um Deus que fundamenta a existência do pleno dos três poderes e justifica todos os seus crimes. É infantil e infantilizadora, inimiga da Fé política de Jesus, que crê/pratica Deus que nunca ninguém viu/conhece, nos habita/potencia, de dentro para fora, até sermos plena e integralmente humanos, religados ao modo dos vasos comunicantes, protagonistas da história. Sempre com Deus, mas sem Deus!

18 Set.º 2014 https://www.youtube.com/watch?v=HudbgBImxTI

 

Crónica 20

O QUE VERDADEIRAMENTE SE PASSOU COM VÍTOR BENTO?

 

Alguém entende o que se está a passar com o ex-BES, o Novo Banco, o Banco bom, o Banco mau? Aliás, alguém entende um tipo de sociedade que se diz humana, civilizada, mas na qual, depois, o dinheiro vale mais, muito mais, do que as populações e os povos? Alguém entende que o dinheiro possa produzir dinheiro, sem chegar a produzir nenhuns daqueles bens essenciais que alimentam as nossas reais necessidades de ar respirável, água potável, pão, casa, beleza, poemas, música, dança, teatro, estrelas nos olhos, afectos, ternura, liberdade, paz, numa palavra, comensalidade? O que verdadeiramente se passou com Vítor Bento, apresentado, na hora da sua escolha para liderar o ex-Bes dos Espírito Santo, como o magnífico, o excelente, o salvador, o super-perito em matéria de finanças, e, poucas semanas depois, ele próprio já bateu com a porta, acompanhado duma reforma que ultrapassa os 5 mil euro/mês, coisa pouca, se comparada com as reformas de outros financeiros, seus iguais, coisa muita, se comparada com a reforma de milhões de concidadãs suas, concidadãos seus, condenados a ter de sobreviver com uma reforma muito abaixo dos míseros 500 euro/mês, quando só a farmácia, a renda de casa, a água, a luz, os transportes, lhes levam quase tudo e os deixam condenados ao triste fado de ser português, um nível de vida muito abaixo do de muitos cães, gatos de luxo? Que se está a passar com as minorias dirigentes do país, da Europa, do mundo que insistem em roubar a voz e a vez às maiorias e, depois, arrastam o país, a Europa, o mundo para o abismo, onde elas próprias também se afundarão? O que fizeram de concreto a Vítor Bento, para ele já ter batido com a porta? O dinheiro, quando passa de mero instrumento dos povos, a Deus, Senhor dos povos, não é o maior cínico, ladrão, assassino, devorador das mentes cordiais dos povos? Será que não vemos e, como a tripulação do Titanic, demencialmente, insistismos em correr para o previsível desastre colectivo?

17 Set.º 2014 https://www.youtube.com/watch?v=5VLGSmEG-aA

 

Crónica 19

“SEM CONTEMPLAÇÕES!”

 

“Sem contemplações!”. A receita para pôr fim ao estado islâmico e seu terrorismo saiu, assim, ontem à noite, da boca de um comentador de tv. Precisamente, no mesmo dia em que o presidente francês, atolado em escândalos sobre escândalos, reuniu no país os representantes mais mediáticos dos principais estados ocidentais, com o objectivo de criarem uma coligação armada contra o estado islâmico. Numa requentada versão de os bons contra os maus. Os maus, pelos vistos, são exclusivamente os jihadistas e o seu estado islâmico. Só porque, nestes últimos dias, têm insistido em executar, um a um e com requintes de crueldade, cidadãos ocidentais que, entretanto, as tvs dos respectivos países, sadicamente, transmitem em directo ou em diferido. Não vê o comentador, ou não quer ver, que, muito antes do islamismo, com as suas crueldades, o seu terrorismo, há o cristianismo-judaísmo, com as suas crueldades, o seu terrorismo, por sinal, o verdadeiro pai do Islão. Esquece também que, quando, como um todo, insistimos em manter-nos no infantil, somos miméticos ras reacções e nem sequer nos ficamos pelo contido “olho por olho, dente por dente”. Avançamos logo para a retaliação “sem contemplações”, para que o outro, diferente de nós, seja, pura e simplesmente, banido da face da terra. Ora, entre o islamismo, o cristianismo, o judaísmo, venha o diabo e escolha. A verdade é que ainda não havia redes sociais, nem tvs, e já o cristianismo fazia espectáculos públicos, com os condenados às fogueiras da Santa Inquisição, numa espécie de orgasmo colectivo, com os clérigos mais graúdos a presidir e a plebe a assistir, aos urros e aos saltos de sádica satisfação. E antes das santas fogueiras, foram as crucifixões em massa de “rebeldes” cujos cadáveres ficavam na cruz, durante vários dias, para servirem de exemplo a outros com fome de pão, de autonomia, de beleza. Quando deixamos de ser tão prímários? Ou vamos às causas do terrorismo, ou somos mais terroristas que os jihadistas do estado islâmico!

!6 Set.º 2014 https://www.youtube.com/watch?v=hv99i5W9zHA

 

Crónica 18

ESCOLAS, IGREJAS, PARA QUE VOS QUERO?!

 

Pelos frutos se conhecem as árvores. Também as instituições. Nomeadamente, famílias, escolas/universidades, igrejas, governos das nações, partidos políticos, empresas, sindicatos. Fixemo-nos nas escolas, igrejas, neste que é o dia 1 do arranque do novo ano lectivo e das catequeses. Os seus frutos estão aí bem à vista de toda a gente, nas actuais minorias que estão a dirigir sindicatos, empresas, partidos políticos, governos das nações, igrejas, escolas/universidades, famílias. E também nas maiorias que, de uma maneira ou de outra, são tocadas/afectadas por aquelas. Perante tais frutos, apetece dizer/perguntar, Escolas, igrejas, para que vos quero?! Manifestamente, estão a ser mais pedra de tropeço, de escândalo, do que sopro maiêutico, fonte de vida com qualidade, de valores humanos, de relações criadoras, de afectos, de desenvolvimento integral, a partir da matriz original de cada menina, cada menino. Delas se pode dizer o que Jesus diz de quem escandaliza os mais pequeninos, Melhor fora que lhes atassem a mó de um moinho ao pescoço e as lançassem ao mar. São campos de concentação de crianças, adolescentes, jovens. Com profs, pastores, catequistas formados/formatados para formar/formatar as sucessivas gerações que vêm a este mundo. Pensemos: As actuais minorias que as dirigem, como às demais instituições e, só por isso, têm, indevidamente, em mãos os destinos das maiorias, não são minorias, confrangedoramente, cínicas, cruéis, bem vestidas, bem-falantes, desprovidas de sabedoria, de afectos, de mentes cordiais? Não estão aí reiteradamente a roubar, matar, destruir a alma/identidade de cada menina, cada menino, e a fazer das populações carne para canhão, para o mercado? E, depois, ainda nos surpreendemos que jovens com fome de grandes Causas, fujam da Europa/EUA, corram a integrar o Estado Islâmico e confessem, convicta e fanaticamente, que o seu maior gosto é treinar e matar? Não foram estas Escolas, Igrejas e demais instituições que assim os fizeram? Choremos. E mudemos. De ser. De Deus!

15 Set 2014 https://www.youtube.com/watch?v=J6a69sT9DSM

 

Crónica 17

E A NOITE FOI DE FESTA E DE LUZ

 

O Meu Livro de Quadras e Outros Cantos-Poema apresentou-se ontem à noite em Lousada. Na Biblioteca Municipal. E a noite foi de festa e de luz. Graças à magia da actriz maior, Patrícia Queirós, que a conduziu e dinamizou. Graças às muitas pessoas de todas as idades que se meteram em brios e não trocaram esta Tertulia pelo jogo de futebol entre o Vitória de Setúbal-Benfica. E que, logo de entrada, se deram conta de que iriam ser também protagonistas de corpo inteiro, não meros espectadores. O Autor, por sua vez, deu tudo de si e, como é seu timbre, semeou desassossego em todas as consciências. Desde logo, porque é, procura ser, Livro praticado, vivido, com tudo de Vento, parteira, movimento, menino permanentemente habitado e levado ao colo, cujos olhos de luz vêem que vão nus, quantos insistem em ser poder, em vez de humanos, irmãos vasos comunicantes. É, por isso, permanente e fecundo desassogo e fonte de desassossego, que os grandes e pequenos senhores do mundo não suportam e matam, de mil e uma maneiras, qual delas a mais cruel. Não lhe perdoam, verem-se constantemente apanhados em flagrante pelos seus olhos de menino e, furiosos, disparam calúnias e indecências contra ele em todas as direcções, para o desacreditarem e condenarem à não-existência institucional. Porém, como revelou esta Tertúlia, só mesmo pessoas meninas, meninos por toda a vida, são humanas. A noite prolongou-se, sem que ninguém dormitasse, arredasse pé, se sentisse cansado. E muitas foram as bocas que se abriram, cantaram quadras e partes de cantos-poema do Livro, à mistura com histórias de vida pessoal que nunca, antes, haviam partilhado com ninguém. “Vim a esta tertúlia determinado a entrar mudo e a sair calado. Afinal, vejo-me tocado e acordado pelo Sopro/ Vento que está a passar aqui por todas, todos nós e não posso deixar de ser eu, inteiro” E assim aconteceu, perante o cúmplice assombro de todas, todos. É a magia deste meu novo Livro. Acham que exagero? Pois então acolham-no, cantem-no, dancem-no, pratiquem-no, e verão.

Setº 13 Setembro 2014 https://www.youtube.com/watch?v=u3ZBbZauCEA

 

Crónica 16

HÁ TERRORISMO MAU E TERRORISMO BOM?

 

Há terrorismo mau e terrorismo bom? Nestes dias em que se completam 13 anos sobre o derrube das torres altivas de Nova Iorque, o presidente Obama, prémio nobel da paz, comunicou ao país e ao mundo – é como o papa de Roma, mas sem a máscara de bondade e de devocionismo infantil do actual papa Francisco – que os ataques aos “terroristas jihadistas” no Iraque e na Síria irão prosseguir, mas, a partir de agora, com muito mais regularidade e intensidade – entenda-se, muito mais crueldade – e prolongar-se-ão até que o Estado Islâmico seja completamente desmantelado. Os americanos ouvem o medo e o pânico do seu cristo ou messias e ficam, gulosamente, à espera da espectacular quantidade de bombas que serão lançadas, dia e moite, algumas vezes, até, com direito a directos nas tvs de todo o mundo ocidental. E também com a afrodisíaca satisfação de que a sua “indústria” de armamento não conhecerá qualquer crise, nos próximos meses e anos. Se tem de haver um dono do mundo – e a generalidade dos norte-americanos e dos povos das nações é levada a pensar que sim – esse só pode ser norte-americano, o actual povo eleito de Deus todo-poderoso, com carta-branca para bombardear, matar, roubar e destruir os “infiéis”. O resto do mundo, Vaticano incluído, também ouviu o medo e o pânico do messias ou cristo Obama e calou, porque no seu entender, o Estado Islâmico jihadista não tem direito a existir, muito menos a agir com mercenários recrutados nos países ocidentais e munidos de armas produzidas nos EUA e nalguns outros países. Podem, sim senhor, matar-se uns aos outros, que para isso as armas lhes são vendidas contra-reembolso, na hora. Mas jamais podem servir-se delas para atacarem posições e interesses dos grandes grupos financeiros ocidentais, criados à sombra da “civilização cristã”, a única reconecida e mandatada por Deus todo-poderoso para impor a paz em toda a terra. A paz dos poderosos vencedores, já se vê. Digam lá: Não são de demência-demência, os tempos que vivemos? (cf O LIVRO DA SABEDORIA, Pe.Mário de Oliveira, Edium Editores 2010).

12 Setº 2014 https://www.youtube.com/watch?v=ELmfDiKCSoE

 

Crónica 15

CARLOS MOEDAS. SÓ O NOME JÁ DIZ TUDO!

 

Só o nome já diz tudo. Chamaram-lhe Carlos Moedas, quando nasceu. A família assinalou-o, assim, para vir a ser um dos poucos senhores milhões. O nome é de marca, não de ser humano. Tal como a marca CR7 que, aos 27 anos de idade, já nem sabe o que fazer a tantos milhões de euro, no meio de tantos milhões de pobres, pior, de empobrecidos. Porque os muitos milhões de euro de poucos, são a miséria de muitos milhões de habitantes do mesmo planeta, que deveria ser uma só família humana com muitos rostos e culturas, mas é cada vez mais um covil de ladrões. A injustiça é estrutural. Crime e pecado organizados. Cultura da morte, em vez de cultura da vida. Um vírus que mata muito mais do que o actual ébola da nossa pouca-vergonha, que prolifera preferencialmente nas inúmeras lixeiras populacionais e sociais da miséria e da falta de condições mínimas de higiene, criadas pela nossa crueldade, pelo nosso cinismo ocidental e cristão, católico romano ou protestante, que não olha a meios para obter fins inconfessáveis, inomináveis. Carlos Moedas volta a ser notícia, porque acaba de ser nomeado comissário para a pasta de Investigação, Ciência e Inovação da Comissão Europeia, em nome do Estado português, o mesmo que mantém a população sob a tortura do desemprego, da emigração forçada, da depressão em grande escala, das escolas sem valores. Tem uns 44 anos de idade e um percurso de vida sem nenhuns afectos, passado freneticamente em ambientes e cursos destinados a transformar seres humanos em robots. Já um robot com provas dadas, cabe-lhe, agora, gerir, durante os próximos 5 anos, 80 mil milhões de euro nesta Europa de consumidores compulsivos, cada qual no seu condomínio fechado. Insistam, então, em esperar sentados, entretidos com novelas e futebóis, e verão o que os espera. Porque só a política praticada pelas populações inverte este estado de coisas e transforma a Europa do euro na Europa dos povos, vasos comunicantes uns com os outros.

11 Setº 2014 https://www.youtube.com/watch?v=FusU431v5Kg

 

Crónica 14

DEBATES TELEVISIVOS, OU LUTA PELO PODER?

 

Chamam-lhes debates televisivos. Na verdade, estamos perante uma confrangedora guerra fratricida em directo, de luta pelo poder. Dentro do partido, primeiro, no país, a seguir. António Costa e António José Seguro são, de momento, os rostos desta guerra fratricida dentro do PS. Já na coligação PSD-CDS que criminosamente continua a dar suporte ao actual governo, os rostos da guerra fratricida são Paulo Portas e Passos Coelho. E a coligação só se mantém, porque, a dada altura, Passos Coelho repescou Paulo Portas, ao oferecer-lhe o envenenado lugar de vice-primeiro ministro. Mas as “facas” entre ambos continuam afiadas. E as populações? As populações, num tipo de sociedade assim, são o “mexilhão” que aguenta as consequências. Porque lá, onde há luta pelo poder e poder, há vítimas aos milhões. O mito bíblico, Caim e Abel, di-lo há, pelo menos, uns três mil anos. Mas também diz que é o assassino vencedor que fica ao comando da sociedade. Nunca o assassinado. Caim mata Abel e torna-se poder, que as populações passam a temer e a obedecer. Abel, assassinado por Caim, não tem lugar na história, enquanto houver instituições geridas pelo poder assassino. E sempre têm sido. Por isso, somos este aborto de mundo, esta calamidade organizada, cheia de leis e de polícias, de meios de destruição em massa e de milhões e milhões de mortes provocadas. Sem nenhum lugar para o poema, para o afecto, para a ternura, para a vida de qualidade. Quando pomos fim a este tipo de mundo? Só quando as populações virarem costas aos vencedores e assumirem elas próprias os seus destinos, e do pleneta, sempre ao modo dos vasos comunicantes e em permanente clima de comensalidade. É por isso que, desde o dia 6 deste mês, eu próprio, presidente da Mesa da AG da pequenina Associação, As Formigas de Macieira/Barracão de Cultura, decidi renunciar, até, à minha condição de sócio e ser apenas Amigo, de corpo inteiro, da Associação.

10 Set.º 2014 https://www.youtube.com/watch?v=EEp4dB3Qkns

 

Crónica 13

UM ENCONTRO EM FÁTIMA QUE OS JORNAIS E AS TVS SILENCIARAM

 

Os jornais e as tvs silenciaram-no, mas a Associação Portuguesa de Canonistas em parceria com o Instituto Superior de Direito Canónico, da Universidade Católica Portuguesa, acaba de assinalar em Fátima “o 10.º aniversário da Concordata”. A informação é da Ecclesia, a tal agência dos bispos da igreja católica em Portugal, uma espécie de estado dentro do estado, ou, melhor dito, uma espécie de estado acima do estado, com este pela trela. A Concordata aí está, desde 1940, a revelar a total subserviência deste ao estado do Vaticano, um estado ferozmente confessional e contra todas as demais confissões religiosas, como, de resto, é típico das “três religiões do Livro”, o Judaísmo, o Cristianismo, o Islamismo. Três religiões distintas, a mesma ambição, o mesmo objectivo: ter sob o seu domínio total as mentes-consciências dos seres humanos em todo o mundo. Lá, onde alguma destas três ideologias se instala, actua como um demónio. Isto é, só está satisfeita, quando o seu domínio é completo, de modo a poder fazer de cada mulher, cada homem, gato-sapato. Por isso, nenhuma das três pode ver as outras duas, por mais que se finjam de “irmãs”. Pois bem. E o que saiu deste encontro de vários dias dos canonistas? Não pensem que a montanha pariu um rato. Nada disso. Nas conclusões, fala-se dos “10 anos da Concordata”, quando esta, como é sabido, já leva 74 anos, assinada que foi em 1940, em pleno regime fascista de Salazar, o da Pide, das torturas, das prisões políticas, da censura, da guerra colonial, da barbaridade sem limites, da senhora de fátima, do medo. Com os bispos e os párocos como outros tantos braços compridos do regime. A vergonha das vergonhas. A ignomínia das ignomínias. Que os canonistas católicos, súbditos de suas excelências reverendíssimas, os senhores bispos, querem fazer esquecer, ao sublinharem apenas os “10 anos da Concordata”. Ao mesmo tempo que fazem severas críticas ao actual estado português, não porque este, sob o disfarce da democracia, é hoje um estado tão ou mais cínico que o de Salazar, mas porque não está a cumprir de forma completa e correcta tudo o que reza a Concordata de há 10 anos! Fica aqui a denúncia, já que os jornais e as tvs do país, sob a trela do grande poder financeiro, só têm olhos e barriga para futebóis e telenovelas.

9 Set.º 2014 https://www.youtube.com/watch?v=L_hvs1a-Sok

 

Crónica 12

FUTEBOL: ESPECTÁCULOS, OU SUCESSÕES DE CRIMES ORGANIZADOS?

 

A chamada Selecção nacional de futebol acaba de ser humilhada e sair de rastos do caríssimo estádio de Aveiro, naquele que foi o primeiro jogo de qualificação para o Europeu de 2016. Nem seleccionador, nem Federação, nem atletas seleccionados, sabe-se lá com que critério, saem de pé desta derrota. O País não é a selecção de futebol dos milhões. Mas é ele que a mantém e vê com bons olhos as cidadãs, os cidadãos serem arrastados para este tipo de espectáculos. Espectáculos, ou sucessões de crimes organizados? Que interesses estão por trás do chamado futebol profissional? Que máfia é esta que os governos das nações não controlam, pelo contrário, até, estimulam e apoiam às escâncaras e no segredo dos deuses? Desde que foram criadas as SADs, os clubes não são meras cortinas de fumo para ajudar a esconder grandes interesses, que nem os respectivos sócios sonham? Mas ainda há clubes neste tipo de futebol dos milhões? Às SADs, o que as move? Quem as dirige? Que objectivos inconfessáveis se propõem, para lá dos exibidos? De onde vêm tantos milhões? Quanto dinheiro sujo é lavado, enquanto as populações são embriagadas e intoxicadas, nos estádios e nas tvs, pelos espectáculos de futebol das SADs de cada país, da Europa e do Mundo? Já nos demos conta de que Portugal aguenta 3 diários de futebol, em suporte papel, múltiplos canais de tv só de futebol e que os vários outros canais de notícias em permanência, dedicam, em simultâneo, horas e horas, ao futebol e pagam a montes de comentadores em estúdio? Alguma vez, os Livros e respectivos Autores e as outras Artes e respectivos artistas mereceram semelhante atenção da parte dos media? Quando pomos fim a estas sucessões de crimes organizados e apostamos no desenvolvimento integral das populações? Não somos loucos, se insistirmos em deixar correr?!

8 Set.º 2014 https://www.youtube.com/watch?v=nh4PeXF7HbI

 

Crónica 11

O QUE SE QUIS ESCONDER COM O “FACE OCULTA”?!

 

Mais um pouco, e até a produradora-geral da República teria ontem dançado perante as câmaras das tvs, ao saber da condenação da totalidade dos 36 arguidos do processo “Face Oculta”. Tanta satisfação, o que visa esconder? Sim, esconder? Afinal, o próprio processo não foi crismado de “Face Oculta”? A quem interessou toda esta encenação judicial? Quem sai a ganhar com este tipo de procedimentos e com este tipo de justiça? As populações? Mas não são elas que acabam sempre por pagar esta e todas as outras encenações dos tribunais, típicas de um “Estado de direito” que só o é no nome, nunca nos conteúdos e nas práticas? O Sucateiro de Aveiro subornou e corrompeu com prendas, algumas relativamente, chorudas, certa gente graúda e influente junto de certos ministérios governamentais e, por isso, é condenado a 17 anos de prisão efectiva? O que tem a ver a letra com a careta? A prisão efectiva, de 17 anos, com o suborno e a corrupção? E só ele é que prevaricou? Mais ninguém suborna e corrompe, neste país de corruptos? Porque só este Sucateiro de Aveiro é “guindado” à categoria de bode expiatório do Ministério Público e dos Tribunais? Não há, nos altos e médios quadros do Estado, a começar no topo da pirâmide – a presidência da República, a assembleia da república, o governo da nação, os tribunais – quem suborne e corrompa, quem se deixe subornar e corromper tanto e muito mais que o Sucateiro de Aveiro e os outros 35 parceiros? Quem das cúpulas do poder político, do poder enconómico-financeiro, do poder religioso e eclesiástico, está isento de pecado, de crime, de mentira, de suborno, de corrupção, que possa atirar a primeira pedra? Os próprios juízes e advogados deste processo e de outros, estão todos isentos de culpa? Perante actos destes, encenações destas, quem não sente, como eu sinto, nojo e vómitos? Afinal, não são os grandes corruptos, que saem a ganhar? Só que, de tão grandes e de tão poderosos que são, jamais chegam a ser investigados, muito menos julgados e condenados!

6 Set.º 2014 https://www.youtube.com/watch?v=69NyDU0gqso

 

Crónica 10

JOTAS DOS PARTIDOS PREPARAM ASSALTO AO PODER

 

Já entrou na rotina dos finais do verão de cada ano e ninguém se mostra ralado com isso. As juventudes dos diversos partidos políticos, à esquerda e à direita, não querem deixar os créditos dos seus líderes por mãos alheias e, todos os anos, correm a participar em “universidades de verão”, para, desse modo, prepararem o assalto ao poder. Desde que seja poder político, ou outro, é o que lhes interessa. Já a Política praticada continua fora do ser e do viver da generalidade das pessoas e dos povos. Também da generalidade das, dos jovens. É a mais nobre de todas as artes de todas as actividades, e deveria mobilizar-nos a todas, todos, desde o ventre das nossas mães, mas não é o caso. Precisamente, por ser a mais nobre de todas as artes, de todas as actividades. Tudo o que é nobre, exige esforço, dedicação, humildade, muita aplicação, contemplação, espiritualidade, sabedoria, abertura ao novo e ao belo, criatividade, afecto, permanente postura de parteira na relação com os demais. E a generalidade das populações, também dos jovens deste início do terceiro milénio, prefere continuar a reger-se pela lei do menor esforço, da inércia, da rotina, do deixar-se ir na corrente. De resto, as próprias mães, os próprios pais olham para as suas filhas, os seus filhos, como coisa sua, não como outras tantas dádivas vivas à humanidade. É ver como, desde cedo, sonham para elas, para eles, futuros de estabilidade, de segurança, lugares de proa, profissões que rendam muito dinheiro, lhes garantam prestígio sobre prestígio. E é aqui que entram os partidos políticos, com as suas tentadoras propostas, estilo, Tudo isso te darei, se, prostrado, me adorares. As mães, os pais têm de perceber que a via do poder é a mais estéril e a mais prejudicial para as suas filhas, os seus filhos. Serão mães, pais à altura do terceiro milénio, se despertarem as filhas, os filhos para a Política praticada, como a expressão maior e mais fecunda do amor ao próximo. Só ela nos faz humanos e felizes. Já o poder político, pelo contrário, devora quantas, quantos o servem. Alerta!

5 Set.º 2014  https://www.youtube.com/watch?v=oB_symtcgoA

 

Crónica 9

“DEUS O QUER!”

 

 

Andam as hostes cristãs, nomeadamente, as católicas romanas e, com elas, todo o Ocidente cristão, farisaicamente escandalizadas com as actuais posturas bélicas e terroristas dos jihadistas do Estado Islâmico, sem que ninguém, entre os muitos comentadores das tvs e dos jornais, lhes recorde que foi o papa Urbano II, um monge até então, que, ao grito de, “Deus o quer!”, lançou, no final do século XI, a primeira cruzada contra os “infiéis” (sic), no caso, muçulmanos, que então ocupavam os chamados “lugares santos”, com destaque para a cidade de Jerusalém. O apelo papal aos jovens da nobreza europeia partiu do Sínodo de Clérmont, em França, e contou com a pronta adesão de muitos milhares que se organizaram em exército santo. A guerra, objectivamente, crime horrendo, converteu-se, assim, graças ao poder cristão do papa, numa acção sagrada e santa, para maior honra e glória de Deus, o do cristianismo. Aos milhares de jovens, juntaram-se, algum tempo depois, hordas e hordas de muitos milhares de famílias inteiras de camponeses que não tinham onde cair mortas, instigadas, pela pregação de um outro monge que se tornou santo de altar, Pedro, o Eremita, um especialista, já então, nas técnicas de fanatizar as massas. Ninguém, hoje, é sequer capaz de imaginar o fervor e o ódio que moviam aqueles milhares de jovens e aquelas hordas de fanatizados camponeses cristãos. A fome e as doenças depressa se apoderaram destas famílias de camponeses, entregues ao deus-dará, e uma boa parte delas já nem sequer chegou a sair do solo europeu. E quase todas os restantes vieram a ser massacradas nos “lugares santos”. Restou-lhes o ilusório consolo de que morriam na graça de Deus, por força da indulgência plenária concedida pelo papa Urbano II. Digam lá se pode haver perdão para tamanha inumanidade cristã, sem dúvida, o que há de mais anti-Jesus, o filho de Maria. Por isso lhes digo: ou mudamos de ser e de Deus, ou somos todos iguais ou piores que o papa Urbano II, beato, e Pedro, o Eremita, santo!

4 Set.º 2014 https://www.youtube.com/watch?v=zaaPvojZcKM

 

Crónica 8

“O PRÓXIMO SERÁ BRITÂNICO!”

 

As imagens da execução pelo Estado Islâmico do segundo jornalista norte-americano continuam a ser exibidas até à exaustão. O que as torna, não simbolicamente horrendas, mas aliciantes, sobretudo, para jovens europeus, sem outras causas que não as do vazio e da frustração. Sejam portugueses, británicos, franceses, ou de qualquer outro país do Ocidente cristão, que se fez e mantém rico e poderoso, à custa do saque estrutural e do reiterado exterminínio de povos e de culturas que apenas cometeram o “crime” de se não terem especializado em armas de destruição maciça, como ele. O carrasco jihadista, vestido a rigor, de preto da cabeça aos pés, os olhos a faiscar e as mãos a vibrar com a arma branca pronta a executar o ritual do sacrifício da vítima, transfigura-se em sacerdote. De jovem, pleno de capacidades, sem qualquer oportunidade de as fazer render no seu Ocidente cristão, vê-se, de repente, integrado no Estado Islâmico e, de desempregado e excedentário, passa a herói e a sacerdote do islamismo, nascido do cristianismo que, há dois mil anos, sadicamente anima e dá sentido ao agir de todos os estados ocidentais, do Vaticano, do papa Francisco, ao da América, de Obama. O que os sacerdotes do judaísmo, primeiro, e do cristianismo, depois, fizeram, aqueles, de forma cruenta com animais sacrificados, dia e noite, no templo de Jerusalém, e estes continuam a fazer de forma incruenta, nas missas, em todos os altares, semana após semana, fazem-no, também agora e em directo nas tvs e redes sociais, os novos sacerdotes jihadistas do Estado Islâmico. “O próximo será britânico”, anunciou, com solenidade, o jovem sacerdote, no final da segunda execução/ sacrifício. O rito, liturgicamente, perfeito e limpo, promete prosseguir, enquanto o Ocidente continuar cristão, católico, protestante ou ateu, tanto faz. Mas cristão, isto é, poder invicto, estruturalmente ladrão, assassino, genocida, ecocida. Tudo para glória do seu sádico Deus, nos antípodas do de Jesus, que, desde Abril do ano 30, continuamos a crucificar. Impunemente! (3Set2014)

https://www.youtube.com/watch?v=BEbmQ42SNvQ

 

Crónica 7

MATARAM AS PROFESSORAS, OS PROFESSORES, E NINGUÉM CHORA!

 

Mal vai a sociedade, quando perde o carinho, o respeito pelas professoras, pelos professores. É uma sociedade progressivamente desumana, sem valores, sem afectos, sem causas. Vimos de um tempo em que ser professora, professor, era missão, muito mais do que profissão. Hoje, com os sucessivos governos, povoados de gente sem valores, a não ser os da Bolsa e os do FMI/ BM – o exemplo mais acabado desta vilania política é a dupla PP-PC – ser professora, professor já nem profissão é. É a via mais curta para um viver em constante instabilidade, sem possibilidade de criar família, residência continuada, relacionamentos afectivos duradouros. De missão nobre, complementar da nobre missão de educar, responsabilidade primeira das mães, dos pais, tornou-se uma profissão degradada, vilipendiada, deprimida, robotizada. Não se estranhe, então, que a Escola seja um local de gestação de futuros medíocres, gente analfabeta em valores humanos, em causas, em afectos. E que o inverno e a noite povoem as nossas vidas e as mentes-consciências das crianças, dos adolescentes, dos jovens. Quando as mães, os pais o são cada vez menos em qualidade e em quantidade, e as professoras, os professores vivem sem o mínimo de estabilidade e de planeamento da sua missão, é o que dá. Que saudades do meu Professor Paiva, a minha segunda parteira – a primeira, é a minha mãe, Ti Maria do Grilo – da primeira à quarta classe! Que saudades! Mataram as professoras, os professores e ninguém chora. Em seu lugar, puseram aí a dupla PP-PC a pavonear-se de cidade em cidade e nas tvs, travestidos de chefes de Governo. Que despudor político!...

https://www.youtube.com/watch?v=SGsFE0ApS6s

 

Crónica 6

A JUSTIÇA INJUSTA

 

Até os militares – será que já vivemos em ditadura militar?! – foram chamados a transportar milhares de processos de muitos tribunais que hoje são obrigados a fechar portas, para outros tribunais situados nos grandes centros. Manifestamente, a justiça dos tribunais é uma justiça injusta. Nunca é para todos. Desde logo, porque não é gratuita. E sai cara a quem decide recorrer aos palácios da dita. Tudo está concebido pelas elites dos privilégios, e para seu próprio proveito. Nada se faz sem advogado. E advogado de renome custa caro. O que pode pagar, é o que tem razão. Advogado, bem pago, até do vilão rico, faz cidadão exemplar. E do pobre, faz um vilão. Pobre e vilão são sinónimos. Como são sinónimos, pobre e pecador. Depois, há o problema das leis. Todas são aprovadas pela elite dos privilégios e acabam sempre a funcionar como arma de arremesso contra o pequeno e o pobre. Nenhum tribunal faz justiça ao pobre. Diz-se da justiça, que é cega. Uma estátua de olhos vendados. Nunca enxerga o pobre, apesar do pobre constituir a esmagadora maioria da população, em qualquer país do mundo. De resto, a simples existência de pobres em massa é, já por si, a maior injustiça estrutural. Não são os tribunais que fazem justiça ao pobre. Seria uma contradição. Quem quiser justiça, faça como eu. Nunca recorri ao tribunal. Nem civil, nem eclesiástico. Posso ser arrastado lá por outros, mas nunca arrastei lá ninguém. As possíveis contendas resolvem-se entre os próprios. Ou acabam a fazer ainda mais vítimas. E lá onde há vítimas, não há justiça. Pensemos nisto.

https://www.youtube.com/watch?v=KyKNtMKpih8

 

Crónica 5

BARBÁRIE, GRITAM, EM UNÍSSONO, AS ELITES OCIDENTAIS!

 

A execução do jornalista norte-americano pelos jihadistas na Síria, em retaliação – é o que dizem – pelos sucessivos bombardeamentos do império USA no Iraque, e mostrada depois ao mundo em vídeo tecnicamente bem conseguido – a fase da ingenuidade e do improviso já lá vai, inclusive, ao nível militar – deixou o império USA e as elites dos privilégios dos estados ocidentais, Vaticano do papa Francisco à cabeça, em estado de choque. Barbárie, gritam todos, em uníssono. Mais do que barbárie, acção inominável, digo eu, ao mesmo tempo que acrescento umas quantas perguntas que aquelas elites sistematicamente sufocam. Eis: Se o jornalista em questão não fosse norte-americano, a reacção daquelas elites seria a mesma? Porque não reagiram, com a mesma unanimidade, às18 execuções públicas de palestianos que o Hamas acaba de realizar, a pretexto de que eram colaboracionistas de Israel? E as elites dos privilégios que hoje gritam, Barbárie, perante aquela execução, não são as mesmas que, na pessoa dos seus antepassados cristãos, católicos romanos ou não, cometeram sucessivos genocídios, realizaram cruzadas, guerras santas com indulgência plenária papal e tudo, para os que morressem nesses confrontos pela posse de territórios e respectivas riquezas? E o que está por trás de todas estas barbáries, de uma e outra banda, as fundamenta e lhes dá cobertura ideológica e até teológica? Não são os livros sagrados, concretamente, a Bíblia e o Alcorão? E pode haver seres humanos, vasos comunicantes, de cada um segundo as suas capacidades, a cada um segundo as suas ncessidades, enquanto tais livros continuarem aí a fundamentar/ legitimar todo o tipo de barbáries? A paz, enquanto não for desarmada, nascida do coito entre a justiça e a fraternidade praticadas, não é um ininterrupto estado de guerra? Quando aceitamos ser simplesmente humanos, regidos pelos afectos, em vez de cristãos, judeus, muçulmanos, adoradores de um deus que é o pai da mentira e do assassínio institucionais?!

https://www.youtube.com/watch?v=fCgieI8omwc

 

Crónica 4

COM O MESMO À VONTADE DE QUEM CORTA A RELVA NO JARDIM

 

O actual Governo, a maioria PSD-CDS que o suporta, e a oposição que o legitima com a sua presença no Parlamento, mesmo que vote sucessivamente contra as suas propostas de lei, são uma minoria de chico-espertos sem um pingo de vergonha política na cara, cada grupo parlamentar, à sua maneira e à sua medida. As cores partidárias são diferentes, os discursos, também, mas os resultados práticos são os mesmos. As populações que ainda têm a ilusão de que o seu voto decide alguma coisa, são as suas maiores vítimas. Juntamente com a esmagadora maioria que se limita a não votar, e nada mais. O TC veta leis e decisões inconstitucionais do governo? Pois é, mas logo este avança com novos cortes salariais sobre quem trabalha. E fá-lo com o mesmo à vontade de quem corta a relva num jardim. Como se as pessoas que trabalham, o não fossem, fossem simples robots sem família, sem aspirações, sem problemas, sem doenças, sem fome de pão e de beleza, sem direitos, só deveres. Já os deste governo e os desta maioria política que o suporta, são vermes políticos, sanguessugas, vampiros bem comidos, bem vestidos, bem pagos, bem passeados. São filhos do poder, não de mulher. Capachos dos grandes grupos financeiros, sempre prontos a executar as suas sinistras ordens com a frieza de um funcionário nazi, a mando de Hitler. O país é hoje um campo de concentração. E os deputados da Oposição, em vez de abandonarem o Parlamento, ajudam a esta missa satânica que, como todas as outras missas, promove e canoniza o sacrifício e a humilhação das populações. E o que fazem os jovens que não emigram? Convocam-se uns aos outros, via internet, e, à falta de verdadeiras Causas, fazem muito barulho, umas quantas provocações e desacatos, os que calhar. Que futuro para este nosso presente?!

https://www.youtube.com/watch?v=IZxW9LmBEog

 

Crónica 3

O “CANCRO” JIHADISTA CONTRA O “CANCRO” USA. E ESTE CONTRA AQUELE!

 

Este é um tempo em que os grandes media, propriedade dos grandes grupos financeiros que dominam o mundo, nos envenenam e deprimem, nos aterrorizam e desmobilizam politicamente com as suas “notícias” ao minuto e em directo. Que para isto eles existem e contratam os melhores cérebros, entre os quais se incluem psicólogos e técnicos de comunicação/ manipulação dos factos históricos e das mentes das populações e dos povos. Ao contrário do que se diz por aí, este não é o tempo da grande comunicação social. É o tempo da grande manipulação das mentes humanas e dos factos históricos, quase sempre cientificamente provocados e apresentados, depois, como naturais. Os Estados e os governos das nações, bem como as grandes igrejas e as grandes fés religiosas são apenas outras tantas máscaras, por trás das quais os grandes grupos financeiros, adoradores do deus Dinheiro, habilmente se escondem e actuam. A guerra é entre os grandes grupos financeiros, mas as populações das nações e o próprio planeta terra é que sofrem as consequências. Como o mexilhão, quando o mar de inverno bate com violência nas rochas. Pois bem. O Estado Islâmico acaba de atirar para os grandes media um vídeo em que encena a decapitação de um jornalista norte-americano. Diz que o mata, em retalição pelos sucessivos bombardeamentos aéreos que o império USA continua a realizar, impunemente, no Iraque. E o que diz e faz Obama, o chefe do império USA? Apressa-se a garantir ao mundo que há-de erradicar da face da terra o “cancro” jihadista e, com ele, o Estado islâmico. E não é que a toda esta barbárie, a que chamamos “civilização ocidental”, até o papa Francisco já saiu a legitimar a actuação do “cancro” USA contra o “cancro” jihadista? Perante todo este horror institucional, pergunto: quando é que nós, os povos das nações, maieuticamente religados, nos pomos ao comando do mundo e extinguimos todos os grandes grupos financeiros, sem mátria/pátria, criados só para nos roubar, matar e destruir a todos?! Quando?

https://www.youtube.com/watch?v=svMlnLXKrhU

 

 

Crónica 2

E A “PRINCESA” LEONOR MORREU QUEIMADA. QUEM A MATOU?

 

Leonor, bebé de poucos meses, filha de Paula e Mário, um casal de desempregados e com rendimento de reinserção social, residente em Lisboa, morreu esta semana com água a ferver. Quem a matou? O pai? A mãe? A segurança social que o não soube ser oportunamente? O governo de Paulo Portas-Passos Coelho que já só pensa em vencer as próximas eleições legislativas em 2015, para continuar a destruir o país, a matar os velhos e a crucificar na emigração os jovens licenciados? Os vizinhos que acham, estranho, tudo o que acontecia naquele casebre onde vivia esta família miserável, mas que, entretanto, nunca foram capazes de se aproximarem dele para ver o que se passava e dar uma mão que evitasse esta tragédia? Os media nacionais que têm uma apetência cruel e sadomasquista para abordar até à náusea casos miúdos de faca e alguidar, de mortes violentas de pobres e de desempregados e fazem vista grossa frente aos grandes tubarões, seus patrões, que pagam fabolosos salários aos directores de informação que lhes permitem um estilo de vida nos antípodas do estilo de vida deste casal desempregado, Paula, 24 anos, e Mário, 30 anos? E que dizer do juiz do Tribunal que acaba de decretar prisão preventiva para Mário, pai, de Leonor, e manda o ex-patrão do BES para casa, só porque este, depois de todos os crimes financeiros cometidos, ainda pôde pagar uma caução de muitos milhões? Quando é que acordamos e percebemos que este tipo de mundo é governado por uma minoria de chico-espertos que fazem leis, criam institucionais e até um Deus que os defendem, nos seus sucessivos crimes, e castigam as maiorias, suas vítimas, sempre que um casal como este, no seu desespero e na sua humilhação, na sua vergonha e na sua fome, agride-se um ao outro e, desorientado, acaba até por deixar morrer queimada, em água a ferver, uma filha bebé, a quem ternamente chamava “a minha princesa”?! Sim, quando acordamos?

https://www.youtube.com/watch?v=dCXUUP48rlM

 

 

Crónica 1

VIRAM E OUVIRAM O PAPA FRANCISCO
À SUA CHEGADA A ROMA? E NÃO SE ESCANDALIZARAM?


O papa Francisco chegou triunfante e eufórico da sua viagem expansionista do cristianismo católico romano à Coreia do Sul. Enquanto a Coreia do Norte, atenta às viagens expansionistas do papa, assinalou a sua chegada à Coreia do Sul, com lançamentos de mísseis direccionados ao mar, a do Sul, na pessoa da sua presidente, foi recebê-lo ao aeroporto! A guerra entre as duas Coreias pode, por isso, estar iminente. Não é que se deseje. Mas pode acontecer, já que ninguém gosta de se ver assediado por uma grande potência, como é o cristianismo católico romano do papa Francisco que, até, acaba de dizer ao mundo que acha bem tudo o que se possa fazer, inclusive os sucessivos ataques aéreos dos EUA, para defender os cristãos do Iraque. Como se só os cristãos iraquianos fossem seres humanos e os outros iraquianos, não. É bem um papa cristão e jesuíta, nos antípodas de Jesus Nazaré. Para Jesus, pelo contrário, todos os seres humanos, na sua variedade de povos, são iguais. Não há os cristãos e os outros. Há seres humanos, simplesmente, em múltiplos povos, religados entre si ao modo de vasos comunicantes. Tudo o que não for assim, é ideologia e perversão institucionalizada, fonte de guerras fratricidas e de outros horrores. E outra coisa não é o cristianismo!

https://www.youtube.com/watch?v=T-KNbxAyP28