2013 À LUZ DA FÉ E DA TEOLOGIA DE JESUS

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Esta pasta contém Acontecimentos comentados à luz da mesma Fé de Jesus, a única que não é religiosa, mas Política; e à luz da sua Teologia, a única que não é idolátrica, mas Maiêutica.

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Edição 93, sexta-feira 13 Dezembro 2013

Pe. Luís Mendes, vice-reitor

Culpado ou vítima?

“Culpado e condenado a 10 anos de prisão”. Eis a sentença que acaba de ditar o Tribunal do Fundão. O Pe. Luís Mendes, 38 anos a completar dia 22 deste mês de Dezembro, nega todas as 19 acusações de abuso sexual que contra ele fazem seis adolescentes, cinco dos quais, seminaristas ao seu cuidado no seminário de Fundão, e o outro, um seu aluno no Externato Nossa Senhora dos Remédios. A acusação é grave. E a condenação do Tribunal só não é de 25 anos de prisão, porque foi tido em conta o chamado “cúmulo jurídico”. O Pe. Luís Mendes, entretanto, não mostrou qualquer arrependimento em Tribunal. E declarou que, em devido tempo, certamente, depois do caso transitar em julgado, explicará tudo, tim-tim-por-tim-tim. Só não se sabe, se explica como os abusos aconteceram, ou se como foram “inventados” pelos adolescentes, como agora garante, sem, contudo, apresentar quaisquer provas. Pelo menos, que se conheçam.

A situação é deveras embaraçosa para ele, para a Diocese da Guarda e, sobretudo, para os adolescentes. Dificilmente, o futuro destes rapazes será como o dos outros seus colegas, qualquer que venha a ser a decisão do Tribunal de recurso. Serão sempre “aqueles” que foram abusados por um padre, ou aqueles que forjaram abusos, só para se vingarem do padre. E o futuro do Pe. Luís Mendes também nunca mais ficará de todo “limpo”, mesmo que o Tribunal de recurso venha, porventura, a ditar a sua absolvição, por demais improvável. Pelo que o recurso vale sobretudo como uma forma jurídica de ganhar tempo, que acabará, ao fim e ao cabo, por penalizar ainda mais os adolescentes que se dizem abusados e o próprio padre que negou todos os abusos perante o Tribunal do Fundão.

Culpado, ou vítima? A pergunta justifica-se, independentemente da decisão do Tribunal de recurso. Remete-nos para o antes dos factos em questão e ainda em fase de julgamento. Concretamente, para a existência de seminários em regime de internato e para a existência de clérigos sacerdotes, em vez de presbíteros e bispos da Igreja, simplesmente. Não houvesse clérigos sacerdotes, e também não haveria seminários com internato, para os formar/formatar. Muito menos, haveria essa perversa e sádica Lei do celibato obrigatório para os sacerdotes. Porque, só por si, a ordenação de Presbíteros e de Bispos, àqueles (as mulheres continuam impedidas de aceder a este ministério ordenado, outra aberração do cristianismo católico romano) que aceitam assumir e viver esse ministério entre os demais e com os demais, jamais os retira da sua condição de seres humanos. Pelo contrário, confirma-os mais e mais nessa sua condição. Como tal, não lhes impõe, à partida, o celibato, como a não impõe a nenhuns outros seres humanos. Só mesmo a existência de clérigos sacerdotes – coisa de todo inumana e obscena – é que retira aos Presbíteros e aos Bispos a liberdade de decidirem como querem viver a sua sexualidade, dentro da dimensão do Amor e da Liberdade, a única que nos faz verdadeiramente seres humanos.

Neste sentido, o Pe. Luís Mendes, Presbítero da Igreja da Guarda, nunca teria sido roubado da sua condição de ser humano, como foi, o que aconteceu, quando a instituição católica romana que o ordenou Presbítero, o “elevou” (na verdade, reduziu) à condição de clérigo sacerdote. E, como ser humano maduro e responsável (= Presbítero), faria as escolhas que lhe ditasse a sua própria consciência. Dificilmente, viria a ser “pedófilo”, no sentido que, hoje, o conceito passou a ter, de comportamento desviante e abusivo de menores. E, se, mesmo assim, os tivesse, não seria objecto de notícia e de escândalo, como está a ser. O seu caso seria tratado exactamente como o de outros “pedófilos” que não são clérigos sacerdotes. Casos que necessitam, sobretudo, de cuidados especiais de acompanhamento e de tratamento clínicos, mais do que de prisão. Daí a pergunta do título: Culpado ou vítima? Manifestamente, mesmo culpado, o Pe. Luís Mendes é vítima da instituição que o ordenou presbítero e, nessa mesma hora, o transformou em clérigo sacerdote, escravo da Lei do celibato obrigatório! Pelo que, com ele, deveria estar no banco dos réus, a instituição católica romana que, há séculos, produz impunemente “eunucos” clérigos sacerdotes, para os oferecer em sacrifício ao seu Deus, o Ídolo dos ídolos, o Poder Financeiro! Coisa mais que obscena!

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E que dizer deste tipo de catequese do Papa Francisco?

Condenação no «Juízo Final» vem da recusa pessoal do amor de Deus

Lê-se e não se acredita. Mas a notícia é veiculada pela Agência Ecclesia, a dos Bispos portugueses. E são, certamente, pregações deste tipo que levam a revista Time a distinguir o Papa Francisco, como a figura mundial em 2013?! Não admira. Porque, quando os grandes media enaltecem alguém, é porque vêem que as suas práticas e as suas palavras, os seus ensinamentos, lhes são favoráveis. “Ai de vós, quando todos disserem bem de vós”, adverte Jesus. E aqui está o Papa com o papão cristão do “Juízo Final”. E da condenação eterna. Vem no Credo, repetido nas missas de cada domingo? Pois vem. Ou o pai desse Credo não seja Constantino, imperador de Roma e o primeiro Papa, do qual todos os papas são sucessores. Porém, o que o que é bom para o imperador Constantino e para todos os poderosos e ricos do mundo, é mau para as populações e os povos do mundo, suas vítimas. E isso, o Papa já o não diz. Prefere o papão cristão do “juízo final”. Só para as vítimas dos grandes, porque os grandes, como o Papa e os seus cardeais, estão todos safos. O Poder e os privilégios que usufruem, atestam que eles são abençoados por Deus, o do Poder financeiro, o mesmo da Cúria romana. Afinal, os sorrisos, as palavras e os gestos espectaculares do Papa Francisco, o que escondem?! Eis o texto da Ecclesia. Uma injúria aos pobres da Terra!

«O Papa Francisco apresentou esta quarta-feira, 11 de Sezembro, no Vaticano, uma catequese sobre o ‘Juízo Final’ e o ‘regresso glorioso de Jesus’, que os católicos professam no Credo, afirmando que a condenação vem da recusa pessoal do amor de Deus. “Se nós nos fecharmos ao amor de Jesus, somos nós próprios que nos condenamos, somos condenados por nós mesmos. A salvação é abrir-se a Jesus”, declarou, perante dezenas de milhares de pessoas reunidas para a audiência pública semanal, na Praça de São Pedro.

Francisco frisou que este juízo acontece em todos os dias da existência, “em cada momento da vida”: “Como confirmação do nosso acolhimento com fé da salvação presente e actuante em Cristo ou, pelo contrário, da nossa incredulidade, com o consequente fechamento em nós mesmos”. “O amor de Jesus é misericordioso, perdoa, mas tu tens de abrir-te e abrir-se significa arrepender-se”, precisou.

Segundo o Papa, cada um é, “em certo sentido”, juiz de si próprio, “auto-condenando-se à exclusão da comunhão com Deus e com os irmãos, com a profunda solidão e tristeza que daí derivam”. “Sigamos em frente fazendo que o nosso coração esteja aberto ao amor de Jesus, à sua salvação, sigamos em frente sem medo, porque o amor de Jesus é maior, se pedirmos perdão dos nossos pecados, Ele perdoa-nos”, apelou o Papa, em conclusão. (…)

Francisco deixou uma saudação aos peregrinos de língua portuguesa presentes no Vaticano: “Sede bem-vindos! Não nos cansemos de vigiar sobre os nossos pensamentos e atitudes para podermos saborear desde já o calor e o esplendor do rosto de Deus, que havemos de contemplar em toda a sua beleza na vida eterna”. E acrescentou: “Desça, generosa, pela intercessão de Nossa Senhora de Guadalupe, imperatriz das Américas [atentem só nesta linguagem, toda Poder, toda privilégio, um insulto aos milhões e milhões de mulheres e homens que não têm onde cair mortos!], a sua bênção sobre cada um de vós e vossas famílias”, acrescentou.»

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A mais recente Carta Pastoral dos bispos portugueses

Que sabem suas excelências reverendíssimas das mulheres e dos homens de carne e osso?

“A ideologia do género contrasta frontalmente com o acervo civilizacional já adquirido. Como tal, opõe-se radicalmente à visão bíblica e cristã da pessoa e da sexualidade humanas. Com o intuito de esclarecer as diferenças entre estas duas visões, surge este documento. Move-nos o desejo de apresentar a visão mais sólida e mais fundante da pessoa, milenarmente descoberta, valorizada e seguida, e para a qual o humanismo cristão muito contribuiu. Acreditamos que este mesmo humanismo, actualmente, é chamado a dar contributo válido na redescoberta da profundidade e beleza de uma sexualidade humana correctamente entendida.”

São palavras da recém-publicada Carta Pastoral da CEP-Conferência Episcopal Portuguesa, intitulada, “A propósito da ideologia do género”. Neste documento, os bispos portugueses afundam-se ainda mais no seu próprio labirinto moralista, incapazes de perceber a realidade tal e qual ela se nos apresenta. Desconhecem que a “visão bíblica e cristã da pessoa e da sexualidade humanas”, é, ela própria, também uma ideologia. E pior que isso. É, também, uma idolatria. E, por força dela, discorrem eruditamente sobre a “pessoa humana” em abstracto, puro conceito. Engrandecem-na nos discursos, nas doutrinas, nas encíclicas, nas homilias, nos grandes documentos e nos dogmas, mas têm um horror de morte às pessoas humanas concretas, de carne e osso, de modo especial, ao outro, ao estranho, ao diferente, ao que não corresponde ao “molde” do politicamente correcto. Só por isso é que falam de “ideologia do género”, como se houvesse apenas o género masculino, o patriarcado, o chefe, o macho, o Poder, o homem assexuado, como eles próprios. Têm pavor diante das mulheres, do Feminino, do corpo, do nu, do sexo praticado, e do sexo, simplesmente. Por isso, exaltam a “virgindade”, o “celibato” e revêem-se a jeito e a gosto nas freiras e nos frades, nos padres celibatários à força, nos bispos e nos cardeais, esquecidos de que, se todas as mulheres, todos os homens fossem “virgens” e fizessem “voto de castidade”, nem eles teriam nascido!!! Tão pouco se apercebem que, com essa sua visão bíblica e cristã da pessoa humana e da sexualidade, estão constantemente a agredir as suas próprias mães, os seus próprios pais, que, segundo o dogma do “pecado original”, concebem filhas e filhos em estado de pecado. E que o próprio acto conjugal fecundo, do qual nasceram, acaba por ser responsável pela multiplicação de pecados, tantos quantos os seres humanos recém-nascidos. Aos quais, urge depois de nascidos, baptizar, para os “limpar” dessa mancha, desse pecado!!!

Se há uma visão perversa sobre os seres humanos, é a chamada “visão cristã”, fundada na doutrina de S. Paulo, que odiava as mulheres, os corpos nus, o sexo praticado. Durante séculos e séculos, as mulheres casadas foram sujeitas aos maridos, porque só eles eram “perfeitos”. As mulheres casadas, não, porque, ao aceitarem praticar o coito, perdiam a “virgindade” e, com isso, deixavam de ser “perfeitas”, “íntegras”, “imaculadas”, numa palavra, deixavam de ser como a mítica “nossa senhora” disto e daquilo, até da Conceição, que foi “mãe” sem deixar de ser “virgem”!!! Querem doutrina mais parva e mais imoral do que esta? Que sabem os bispos sobre sexualidade humana, se têm as suas mentes formatadas pela doutrina de S. Paulo e querem que as mulheres só copulem para procriar, nada mais?! Já que o prazer sexual, no seu douto entender, é pecado e afasta de Deus, o macho dos machos, que tal é o Deus do cristianismo, nos antípodas do Deus de Jesus, Abba-Mãe de todos os seres humanos, por igual, sem nenhuma espécie de discriminação, sejam eles hetero, homo, bi, transexuais.

Melhor fora que, nesta matéria, os bispos se apresentassem, humildemente, à escuta das mulheres e dos homens de carne e osso, na sua polifónica diversidade. E que começassem por pedir perdão, por tanto Mal que a ideologia cristã e a leitura cristã da Bíblia fizeram às mulheres e aos homens, a começar por eles próprios, condenados por uma lei estúpida, a viver célibes e a lutar, durante toda a vida, contra a sua própria sexualidade, com todas as consequências que a história eclesiástica regista, para sua vergonha! Em vez disso, apresentam-se, nesta Carta Pastoral, como modelos de ser humano, todos machos e proibidos de casar, de constituir família, agarrados ao Dinheiro e aos postos eclesiásticos, peritos em liturgias sem realidade histórica e política, em altares e em ritos, os mais estéreis e falhados dos filhos das mulheres!

Perante semelhante comportamento, o acolhimento da sociedade a esta Carta Pastoral foi, felizmente, o que se sabe: a mais completa indiferença. E o caixote do lixo. Quando suas excelências reverendíssimas descerem do seu pedestal, da sua cátedra, e passarem a lavar os pés às mulheres, aos homens de carne e osso e com dores, alegrias, projectos e angústias, acabarão por ter vergonha do que escrevem nesta sua Carta Pastoral, confrangedoramente vazia de entranhas de ternura, de feminino, de Ruah, a de Jesus. Pobres bispos, de mitra, anel, báculo, cruz peitoral. E altares e cátedras, a partir das quais vomitam discursos cheios da mais imoral das ideologias. São cegos, que guiam outros cegos, que os seus antecessores fizeram tais e eles reforçam ainda mais. Será que ainda conseguirão despojar-se de tudo aquilo que os descria? Quem dera!

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Obscena campanha da Caritas

1 milhão de velas, 1 milhão de €

A Caritas nacional não deixa de nos surpreender, pela negativa. À Justiça, prefere a Caridadezinha, e à Dignidade de cada ser humano, o viver todos os dias de mão estendida. É bem irmã gémea do Banco Alimentar contra a fome, que dá milhões a ganhar às grandes superfícies e ao governo do estado, neste último caso, através dos impostos cobrados sobre todos os produtos vendidos pelas grandes superfícies e que não são suspensos, nem mesmo nos recolhidos pelo chamado Banco Alimentar contra a fome, ingenuamente servido por dezenas de milhar de voluntários, elas e eles, na sua maior parte, adolescentes e jovens, muitos deles, acólitos de missa nas paróquias. Por este natal, que verdadeiramente é o natal do Solstício de inverno, não de Jesus, o de antes do cristianismo, a Caritas quer arrecadar 1 milhão de €, em troca de 1 milhão de velas, que ela própria vende por 1 €, e quer ver acesa, na noite de 24 de Dezembro, na janela de casa das famílias que aderirem a semelhante campanha de humilhação dos pobres.

Como justificação, a Caritas avança esta aleivosia: “A proposta de acendimento de uma pequena vela, na janela de casa, no dia 24 de Dezembro, também é uma denúncia da opulência de milhões de luzes que se acendem, mas que, na verdade, não iluminam nem aquecem os corações”. São palavras de Carlos Grade, um dos rostos da Caritas, na apresentação da operação “10 Milhões de Estrelas - Um Gesto pela Paz“ que, pelos vistos, se repete pela 11ª vez. Sinal de que as populações, em grande número, se deixam cair no engodo e alinham em mais esta operação de humilhação dos pobres.

Para tanto, a Caritas propõe a “crentes e não crentes” a compra de velas pelo “preço simbólico” de 1 € cada uma. Mas quem adquirir um conjunto de 4 velas por 4 €, tem direito a um presépio para pintar. À humilhação dos pobres, a Caritas junta, como se vê, o infantilismo natalício rasca. Em lugar de denunciar a opulência dos ricos e os lucros das grandes superfícies, no natal comercial de cada ano, ainda cultiva o infantilismo nas populações, formadas/formatadas pela ideologia e pelos mitos do cristianismo e das igrejas cristãs. As quais, só por isso, são levadas a pensar que Jesus, o filho de Maria, tem alguma coisa a ver com o natal do Solstício de inverno ou com o natal das grandes superfícies. Não tem. Apenas o mítico Cristo das igrejas cristãs se presta a todas estas negociatas, a par de todo o tipo de Caridadezinha, ou ele não fosse, como efectivamente é, o outro nome do grande Poder financeiro, o Senhor Dinheiro, que humilha os pobres e exalta os ricos!

Pelos vistos, há escolas que também se disponibilizaram a vender destas velas, como se fossem uma extensão laica das paróquias católicas e das dioceses. Até onde chega o despudor e o aproveitamento da pobreza e dos pobres! Este sim, um verdadeiro crime sem castigo! Obviamente, os ricos e o governo do estado que fabricam tanta pobreza e tantos pobres, rejubilam com campanhas deste calibre. E garantem-lhes todo o seu apoio institucional. Pobres de todo o País e de todo o mundo, uni-vos! Levantai-vos! Em nome da Dignidade que se alimenta com a prática da Justiça, não com a prática da Caridadezinha.

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Evangelii Gaudium, do Papa Francisco

Uma Exortação envenenada. Saiba porquê

“Escolhi propor algumas directrizes que possam encorajar e orientar, em toda a Igreja, uma nova etapa evangelizadora, cheia de ardor e dinamismo. Neste quadro e com base na doutrina da Constituição dogmática Lumen gentium, decidi, entre outros temas, deter-me amplamente sobre as seguintes questões: a) A reforma da Igreja em saída missionária. b) As tentações dos agentes pastorais. c) A Igreja vista como a totalidade do povo de Deus que evangeliza. d) A homilia e a sua preparação. e) A inclusão social dos pobres. f) A paz e o diálogo social. g) As motivações espirituais para o compromisso missionário.”

Este é um extracto da Exortação apostólica, Evangelii Guadium, a primeira do Papa Francisco, elaborada depois do Sínodo dos Bispos, realizado em 2012. Uma Exortação envenenada, para a qual importa estarmos alertados e sabermos porquê. O documento, extenso por demais, apresenta-se recheado de inúmeras citações bíblicas, todas retiradas do respectivo contexto, muito à semelhança do que criminosamente fazem as auto-designadas Testemunhas de Jeová com a Bíblia, de preferência, os Livros do Pentateuco, já que lhes interessa aterrorizar as pessoas com o seu Senhor Jeová, nome de terror, não ajudá-las, quais parteiras na sua relação com as parturientes, a libertar-se do Medo e do Terror em que vivem atormentadas e desorientadas.

Obviamente, que o Papa Francisco não é uma Testemunha de Jeová. Mas a diferença entre ele e elas não é assim tão grande, como, à primeira vista parece. Nesta Exortação, cita inúmeras vezes a Bíblia judeo-cristã e, praticamente, ignora Jesus, o de antes do cristianismo, que parece desconhecer. Ostensivamente. Em nome do qual, aliás, nunca ele poderia ser Papa! Desconhece, desde logo, que os 4 Evangelhos em 5 volumes foram escritos para denunciarem o judeo-cristianismo de Pedro e Paulo, não para o justificarem e imporem às mentes e consciências das populações e dos povos, como têm feito, nestes dois mil anos, todas as igrejas cristãs, sem excepção. Aliás, o Protestantismo, quando se institucionaliza, não tem em vista um regresso a Jesus, o de antes do cristianismo. Lutero e os outros reformadores que se lhe seguiram, viviam atolados no cristianismo de Paulo e no Evangelho de Paulo. Jesus, o de antes do cristianismo, é-lhes de todo estranho. São reformadores, dentro do cristianismo, não são revolucionários. E a prova é que, hoje, quatro séculos volvidos, tudo o que é igreja cristã evangélica, é paulinismo puro, Poder económico-financeiro, empresas religiosas de sucesso, onde a Ruah de Jesus e do Deus de Jesus não tem lugar, apenas a letra da Bíblia, manobrada e manipulada pelos respectivos Pastores, pequenos, médios ou grandes empresários do Religioso. A perversão das perversões.

Tudo, nesta Exortação do Papa, está errado, porque tudo se fundamenta no evangelho de Paulo ou S. Paulo, no dizer do próprio cristianismo. Não se fundamenta em Jesus, o de antes do cristianismo, esse mesmo que Paulo nem sequer conheceu. Por isso, nunca nos fala/testemunha dele. Ninguém pode falar do que não conhece. Do que Paulo sempre fala, é do mítico Cristo davídico´, o Poder invicto, capaz, até, diz ele, em delírio, de vencer a Morte, “o último inimigo” a ser vencido. Podem os cristólogos todos do mundo chamar-lhe “Cristo da Fé”, que nem por isso saltam fora do universo dos Mitos. Porque, real, histórico, palpável, é Jesus, crucificado pelo império romano, a exigências dos sumos-sacerdotes do judaísmo, “para se cumprirem as Escrituras”, isto é, a Bíblia do judaísmo. Mas um conjunto de Livros – é o que quer dizer o substantivo plural, Bíblia – que justifica a crucificação de Jesus, o ser humano por antonomásia, tem necessariamente por referência um Deus, que não é o Deus que se nos revela em e por Jesus. E tal é o Deus de Paulo e de Pedro, o Deus do cristianismo, o Deus dos Bispos que, em 2012, reuniram em Sínodo, o Deus do Papa Francisco que assina esta Exortação. Por isso, o Deus de que fala esta Exortação.

A “Alegria do Evangelho” – o título da primeira Exortação papal, dedicada à evangelização – é um tipo de alegria semelhante à que a dose diária de Prosac produz numa pessoa deprimida. Mais do que alegria, é alienação, é um sentimento de satisfação alienada. Não é sinónimo de plenitude humana, de crescimento de dentro para fora, até à plenitude do Humano, mas o resultado de uma droga que se mete no corpo de um doente com depressão. É a eufórica satisfação do que venceu e triunfou na vida, sem nunca olhar ao número de vítimas humanas e outras que produziu e que deixou para trás, para poder chegar aonde chegou. É a super-satisfação do Papa Francisco, agora, no topo dos topos da sua carreira eclesiástica, que meticulosamente construiu, ano após ano. Não fosse assim, e nunca ele teria sido cardeal, muito menos papa. E, se, alguma vez, o Poder cristão eclesiástico católico romano o escolhesse para fazer dele cardeal, logo aí ele teria parado, para ver em que é que se havia desviado/afastado do HUMANO. E, liminarmente, recusaria, ao mesmo tempo que desceria do degrau onde se encontrava e regressava ao HUMANO, de onde nunca havemos de sair, apenas desenvolver, de dentro para fora, até à plenitude e sempre em relação vasos-comunicantes com os demais seres humanos. Tal como faz Jesus, o de antes do cristianismo.

É por isso que a Exortação do Papa Francisco é mais um fruto envenenado, e tanto mais perigoso, quanto se apresenta embrulhado/tecido com palavras sonantes, que agradam ao ouvido, inclusive, das inúmeras vítimas. Só que, em lugar de as levantar e fazer andar pelos seus próprios pés, anestesia-as, uma e outra vez, para que suportem tudo como “redentor” e em desconto dos seus próprios pecados e dos pecados do mundo. Porém, das bandas do Poder, nunca vem libertação, salvação. Só do HUMANO cada vez mais pleno e integral. E o cristianismo é o Poder monárquico absoluto e infalível, quer dizer, é o Poder de um só, assessorado por uma Cúria-máfia sem rosto, e justificado por uma ideologia com tudo de idolatria! Alerta, pois. Só Jesus é o Caminho, a Verdade e a Vida, porque plena e integralmente HUMANO.

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E esta, hein?!

Papa confessa-se de 15 em 15 dias

Na alocução semanal, dia 20 novembro 2013, o Papa Francisco sublinhou a importância da confissão dos pecados, revelou que ele próprio se confessa de 15 em 15 dias, e apelou à compreensão da “dimensão eclesial” deste sacramento! “Também os sacerdotes têm de se confessar, também os bispos, todos somos pecadores. Também o Papa se confessa, de 15 em 15 dias, porque o Papa também é um pecador, e o confessor ouve as coisas que eu lhe digo, aconselha-me e perdoa-me, porque todos temos necessidade deste perdão”.

Numa catequese sobre a ‘remissão dos pecados’, referida no Credo, Francisco aludiu às pessoas que dizem confessar-se “directamente com Deus”. “Há muitas pessoas que talvez não percebam a dimensão eclesial [só eclesial? Porque não social?] do perdão, porque domina cada vez mais o individualismo, o subjectivismo, e também nós os cristãos nos ressentimos disso. Claro que Deus perdoa cada pecador arrependido, pessoalmente, mas o cristão está ligado a Cristo e Cristo está unido a Igreja”. Sem nunca se dar conta, o Papa fala destas coisas como se elas fossem reais, quando são apenas delírios de S. Paulo, o doutrinador n.º 1 do cristianismo e o perseguidor-mor de Jesus, o filho de Maria.

O Papa vai mais longe nos seus devaneios moralistas, pseudo-teológicos, e fala da Igreja católica romana de que é o chefe incontestado, como “depositária do poder das chaves”, o poder de perdoar. “Deus perdoa cada homem na sua misericórdia soberana, mas Ele próprio quis que quantos pertencem a Cristo e à sua Igreja recebessem o perdão através dos ministros da comunidade”.

Como se vê, o Papa sabe tudo acerca de Deus, o do cristianismo, obviamente. Não de Deus, o de Jesus, a quem nunca ninguém viu, por isso, não conhece, e que se nos dá a conhecer em Jesus, a quem o cristianismo/messianismo de Pedro e de Paulo e, depois, de Constantino imperador de Roma, baniram da História e até da memória dos povos. Porque nunca foi nestas doutrinas moralistas, a tresandar ideologia/idolatria por todos os lados. E lida com as pessoas de carne e osso, numa relação, não de Poder, de cima para baixo e de fora para dentro, mas numa relação maiêutica, de baixo para cima e de dentro para fora.

O que o Papa não disse, é de que tipo de pecados se confessa, de 15 em 15 dias. Provavelmente, daquele tipo de “pecaditos” de criança, maus pensamentos, distracções na oração, preguiça para se sorrir nas audiências. Porque o seu pecado maior, que é ele ser Papa de Roma, esse não confessa, nem pode. Porque teria, como propósito firme de emenda, de deixar a Cúria romana e regressar à sua condição de ser humano, entre os demais seres humanos, sem privilégios de nenhuma espécie!... Surpreendidas, surpreendidos?! Pois, mas o que não for assim, é hipocrisia, é farisaísmo, é pedra de tropeço para as multidões que não sabem distinguir entre Pecado e pecaditos. E ainda são levadas a pensar que ser Papa de Roma é igual a ser santo!

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Operação de pura cosmética da Cúria romana

Banco Vaticano tem novo director-geral

O Conselho de Superintendência do Instituto para as Obras de Religião (IOR), mais conhecido como Banco do Vaticano, nomeou Rolando Marranci, de 60 anos, novo director-geral da entidade financeira, na qual ocupava o cargo de subdirector interino.

De acordo com informações da Santa Sé, dadas num comunicado, Marranci já assumiu o cargo e passa a estar ao lado do presidente do IOR, Ernst von Freyberg, na gerência de uma entidade, reiteradamente, envolvida em escândalos financeiros. Ou o Deus da Cúria romana não seja o Deus-Dinheiro que tudo lava e tudo perdoa à instituição que lhe prestar culto. Antes de mais, à instituição católica romana, que tem no cristianismo a sua ideologia, graças à qual, tudo lhe é permitido, nada lhe é vedado, no que respeita a acumular riqueza sobre riqueza, e poder sobre poder.

Marranci, que desde o dia 1 de Julho, ocupava o posto de subdirector geral interino e que anteriormente havia trabalhado num banco italiano em Londres como chefe de operações, foi aprovado pela Comissão Cardinalícia que acompanha o funcionamento do banco. O financista chega à cúpula da direcção em julho, após a demissão dos seus, até então, director e subdirector, Paolo Cipriani e Massimo Tulli, respectivamente, que anunciaram sua renúncia, três dias após a prisão de três pessoas, entre elas um prelado, acusadas de fraude e corrupção no marco de uma investigação sobre irregularidades no IOR.

Estas mudanças na gerência fazem parte da nova etapa aberta no IOR promovida pelo Papa Francisco que, em 26 de junho, criou uma comissão formada por cinco personalidades para investigar e tornar mais transparente o Banco do Vaticano, reunindo informações sobre suas actividades. Nestas reformas, tem um papel principal o alemão Von Freyberg, que foi nomeado presidente do IOR em 15 de fevereiro em substituição ao italiano Ettore Gotti Tedeschi, destituído no dia 24 de maio de 2012, após ver-se salpicado por irregularidades investigadas pela Promotoria de Roma, no contexto da prevenção de lavagem de dinheiro.

O IOR, com uma única sede na Cidade do Vaticano e personalidade jurídica própria, foi fundado por Pio XII em 1942 e nele trabalham 112 pessoas. Em outubro, o Banco do Vaticano, cujos segredos o haviam levado a ser incluído na “lista negra” das instituições financeiras, publicou pela primeira vez seu balanço anual, com um lucro líquido de 86,6 milhões de euros em 2012, dos quais 54,7 milhões de euros foram parar nas arcas da Santa Sé.

Mas não se pense que todas estas alterações são para impedir novas lavagens de dinheiro sujo e outros negócios imorais. São pura cosmética, para que o Banco do Vaticano (IOR) possa prosseguir, ainda com mais eficiência, a fazer o que tem de fazer, de modo que a Cúria romana possa manter o seu fausto e todas as grandes instituições católicas espalhadas pelo mundo possam continuar a operar sem riscos de serem apanhadas. Ou o IOR não tenha personalidade jurídica própria e as malas diplomáticas dos núncios apostólicos não sejam invioláveis, como reza o direito internacional, ditado pelo grande Poder financeiro global, Cúria romana incluída!

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Congregação católica mais que horrenda

Número dois da Legião de Cristo abandona

É o número dois da chamada Legião de Cristo, Congregação católica mais que horrenda. Foi seu máximo responsável, durante anos, em Espanha. Sonhava tornar-se o líder da congregação, fundada pelo padre pedófilo, Marcial Maciel, em Janeiro 2014. Contudo, Deomar de Guedes decidiu abandonar a Congregação, para se incardinar na Arquidiocese de Brasília.

De acordo com fontes próximas dele, Deomar de Guedes decidiu renunciar, após constatar que “não há esperanças de mudança” na Legião de Cristo. “O que se está a fazer é procurar agradar a uns e a outros, para deixar tudo como antes”. Tais fontes apontam que a figura do cardeal De Paolis ficou reduzida a um segundo plano pelos superiores da congregação. Estas mesmas fontes denunciam que “70% dos que eram superiores, antes de se conhecer o escândalo do escabroso viver do fundador, continuam nos seus postos”.

Deomar de Guedes foi para Roma, em início de 2012, por intermédio do cardeal De Paolis, para ocupar o cargo de Conselheiro Geral. Com grande carisma e querido por muitos, era um dos incentivadores da renovação na congregação. Tanto assim, que seu nome era fortemente visado para o capítulo geral que ocorrerá em Janeiro 2014, para aprovar as novas constituições.

O padre Deomar, licenciado em engenharia, filosofia e teologia, desempenhou cargos de superior de casas de apostolado, provincial em Espanha, reitor de Seminário, chefe local de apostolado na Argentina. Fontes próximas dele apontam que, com o seu abandono, o Padre Deomar “procura deixar claro, antes do capítulo, que o caminho é muito obscuro e, pelo que parece, não há nenhum tipo de esperança”.

A verdade é que os Legionários de Cristo são o que há de mais escroque na Igreja católica romana, cujo fundador, Padre Marcial Maciel, foi sempre protegido pelo papa João Paulo II, inclusive, depois que se começou a saber que ele era um pedófilo compulsivo junto dos miúdos albergados pela congregação. Mas nem isso o impediu de prosseguir no seu escabroso viver, enquanto o escândalo não rebentou. E não o impediu, porque a “Legião de Cristo”, fundada por ele, garantia e garante, todos os anos, muitos milhões à Cúria romana. Por isso, tudo o que tinha a ver com o escabroso viver do padre Maciel, era secundário para o papa João Paulo II, hoje beato e, em breve, santo de altar, que estava a par de tudo e dava cobertura a tudo. Porque, aos que a servem incondicionalmente, a Cúria romana compensa-os com a beatificação/canonização, depois de morrerem. Para ela, os muito corruptos em vida são, depois de morrerem, os muito santos. Para que novos corruptos apareçam e aceitem servir incondicionalmente a Cúria romana! Não sabíamos que é assim que as coisas funcionam, ao mais alto nível das instituições do Poder, também, ao mais alto nível das instituições do Poder eclesiástico?

Ingénuos, que somos!

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Diocese de Bordeaux vende duas igrejas

É o princípio do fim do cristianismo religioso?

A diocese de Bordeaux acaba de vender por 1 milhão de €, a igreja Cristo Redentor, em Talence. E está a pedir 500.000 pela igreja Nossa Senhora de Lourdes, localizada no centro de Bordeaux. No mesmo local da igreja de Cristo Redentor, o comprador tenciona construir, agora, 16 apartamentos, mas comprometeu-se a manter a fachada. Também para memória futura, certamente, quando o cristianismo religioso e a sua cruz de tortura, mais a sua espada, já forem meros objectos de museu.

Esta venda tem o seu quê de chocante, sobretudo, para quantas, quantos insistem em identificar Jesus de Nazaré com o Cristo do cristianismo, sem terem consciência de que os dois são antípodas entre si, que o mesmo é dizer, onde está um, não pode estar o outro. Ora, depois de dois mil anos a vender o mítico Cristo às populações da Europa e de outras partes do mundo, aonde chegaram as chamadas Missões católica e protestantes, em lugar de terem tido a audácia bastante de praticarem/anunciarem aos pobres, Jesus, o Evangelho vivo de Deus Abba-Mãe entre nós e connosco, as igrejas cristãs, não jesuânicas, começam, finalmente, a ver o chão fugir-lhes de debaixo dos pés. E não é para menos. Está hoje mais do que descoberto que este tipo de igreja, em múltiplas igrejas, empresas de negócio, de idolatria e de moralismo imoral, é/são já um hoje sem amanhã. E cada dia que passa, haverá mais e mais igrejas vazias e à venda.

Neste particular, o que se terá de lamentar, não é a venda de igrejas. O que se terá de lamentar, é constarmos que o simples facto do cristianismo religioso estar em vias de extinção, não garante, só por si, que, em seu lugar, aconteça Jesus e o seu Projecto político maiêutico, o mesmo de Deus Abba-Mãe. O mais previsível é que o cristianismo prossiga, mas, a partir de agora, em roupagem secular e laica, inclusive, ateia. Concretamente, sob a forma de Poder financeiro global, o Senhor Dinheiro, o novo Cristo vencedor/invicto que veio para ficar, muito provavelmente, para sempre, ou, pelo menos, por muitas gerações mais. Até que dos escombros, num terceiro dia antropológico-teológico, não de calendário, se levante, por fim, Jesus, o de antes do cristianismo, o Projecto político de Deus Abba-Mãe entre nós e connosco, e a Humanidade esmagada/crucificada o acolha e o prossiga, de forma inculturada e actualizada, quer nas suas práticas económicas e políticas maiêuticas, vasos comunicantes, quer nos seus duelos antropológicos-teológicos desarmados.

É para aqui que nos remete a Esperança teológica, a de Jesus. Uma esperança que não se evade da história, como faz a esperança religiosa, antes, rebenta de dentro dela, como fruto da Ruah/Sopro maiêutico, essa mesma que está presente e activa na concepção de Jesus e que no ser-viver histórico dele, nunca chegou a ser trocada pelo Sopro mentiroso e assassino do Poder. Por mais que este o tentasse, inclusive, por meio do seu grupo de eleição, os Doze, com Simão Pedro à cabeça da lista, e Judas Iscariotes, a fechar. Esta é, de resto a “tese” do meu mais recente Livro, JESUS SEGUNDO JOÃO, o 4.º Evangelho traduzido e anotado como nunca o conhecemos, Outubro 2013, Seda Publicações, já em nova reimpressão. Por isso, alegremo-nos, porque está mais próxima a 25.ª Hora, a de Jesus e do seu Projecto político maiêutico, o mesmo de Deus Abba-Mãe, que nunca ninguém viu.

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Com o que se ocupa o Bispo Pio, o do Porto

Leiam e espantem-se com semelhante acto

Reza a Agência Ecclesia, a dos Bispos portugueses, que D. Pio Alves, administrador apostólico da Diocese do Porto, presidiu à celebração de consagração dos lares e das famílias da cidade ao Imaculado Coração de Maria, que agora tem um monumento na paróquia de Aldoar. A imagem do Imaculado Coração de Maria foi benzida no primeiro sábado de Dezembro, na igreja de São Martinho de Aldoar, Porto. Seguiu, depois, em procissão “em direcção ao monumento ao Imaculado Coração de Maria, junto à Igreja de Aldoar”, revela o respectivo Grupo do Imaculado num comunicado enviado àquela Agência.

D. Pio Alves benzeu o monumento e na alocução “alegrou-se por mais uma cidade se consagrar ao Imaculado Coração de Maria” e por ter a presença da imagem no monumento “onde todos a podem ver e acorrer”. Para o administrador apostólico da Diocese do Porto, estes monumentos são “despertadores” no meio dos homens e lugares de paz, que pode e deve ser levada a “tantos” quantos dela precisam. A imagem foi colocada no monumento por Nuno Ortigão, presidente da Junta de Freguesia de Aldoar, Foz e Nevogilde, Porto. Nesta cerimónia estiveram “vários sacerdotes, autoridades civis e militares” e ainda “muitos casais e muitas crianças”.

Eis, pois, com o que se ocupa um Bispo! No caso, o Bispo Pio, administrador apostólico da Diocese do Porto. Como se vê, nem o título com que o Bispo Pio é identificado, engana. “Administrador”, é o mesmo nome que se dá a um qualquer gestor de uma grande empresa de negócios, ou de grandes instituições do Estado. E grande empresa de negócios religiosos e moralistas, é cada diocese do país e do mundo católico. Acrescenta-se-lhe o adjectivo “apostólico” e, também aqui, o título não engana, porque remete para os Doze apóstolos, os tais que, em bloco, traíram Jesus e, em seu lugar, passaram a vender ao mundo um mito davídico, chamado Cristo, o Poder que há-de vencer todos os poderes e não ser vencido por nenhum! Choremos!

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Edição 92, sexta-feira, 8 Novembro 2013

“Arranjinho” político da maioria PP-PSD-PR

Veio o Relatório da OIT e “esfrangalhou-o”!

Inesperadamente, o Relatório da OIT-Organização Internacional do Trabalho, uma instituição credível e acima de toda a suspeita, veio "esfrangalhar" o “arranjinho” político da maioria PP-PSD-PR (leia-se, Partido Popular, Partido Social-democrata, Presidente da República), cujo OE 2014 tem estado a ser discutido na Assembleia da República e votado na especialidade. Com os deputados da chamada Oposição a gastarem tempo e saliva, numa ingenuidade política de todo o tamanho, já que nem sequer se dão conta de que, com a sua declarada oposição activa, estão a dar ainda mais legitimidade a um OE que atira o País e as populações que o constituem, para a miséria imerecida e para a emigração forçada, numa União Europeia completamente prisioneira do Poder financeiro global, concretamente, da toda-poderosa Alemanha de Merkel, a dama de ferro que faz ver a todos os machos. Ou o Poder, todo o Poder, não fosse macho e não odiasse o Princípio Feminino, o único capaz de dar à luz um tipo de mundo outro, onde a Vida, as Pessoas concretas, a Verdade, a Justiça, a Liberdade, a Comensalidade são estruturais, não meros conceitos vazios, ou cheios de coisa nenhuma.

Por esta “intromissão” institucional da OIT, é que a maioria PP-PSD-PR não esperava. E o PR já começou a tentar tirar a água do capote, em apressada e mal preparada cavaqueira com alguns jornalistas pés-de-microfone que se prestam a tudo e mais alguma coisa que os homens do Poder quiserem. Em vão. Porque se há alguém em Portugal mais politicamente criminoso, é o Prof. Aníbal, primeiro, como chefe de Governo (lembram-se?!), e, agora, como PR, já num segundo e derradeiro mandato. Com ele, foi o caos. A corrupção. A destruição das pescas, da agricultura, e o primado do betão e do alcatrão. Num “oásis” que tinha tudo de conto de fadas, nenhuma base de sustentabilidade, de alienação e de superficialidade, nenhuma lucidez e nenhuma criatividade. Porque, para o Prof Aníbal, as Pessoas concretas, os Poemas, as Artes, a Cultura, a Comensalidade não contam. Apenas o Euro e o Dólar!

Aumentos de salários e mais, muito mais economia e criação de riqueza equitativamente distribuída pelas populações, segundo as necessidades de cada qual, eis o que, entre outras medidas imediatas, reclama a OIT. Não é a descoberta da pólvora. É o a-é-i-ó-u da Política praticada, que tem os pés assentes na Economia, não a financeira, mas Economia cada vez mais vasos-comunicantes, por isso, direccionada para as reais necessidades das pessoas e dos povos, nunca para o Mercado, assassino dos povos e até ecocida, sempre que é deixado à solta. Não saberemos nunca o que o representante da OIT disse em privado ao primeiro-ministro em funções e ao PR, também em funções. São encontros oficiais/institucionais e, como tais, totalmente à margem das populações do País. O que constitui uma indignidade, do ponto de vista duma sociedade adulta e responsável, a única que coloca as populações primeiro, nunca depois dos Poderes institucionais.

O que sabemos – e muito é – é que o OE 2014, da maioria PP-PSD-PR, já está praticamente chumbado pela OIT, em conformidade com o que o seu porta-voz veio dizer ao País, via comunicação social. E mais chumbado ficará, quando for dada a palavra ao Tribunal Constitucional (TC). Será o caos e o desastre, com o País a pique para o abismo. Mas não acusem nem a OIT, nem o TC. Os grandes responsáveis, verdadeiros criminosos políticos à solta e cheios de prosápia e de mordomias, são os três líderes da maioria PP-PSD-PR, a direita ultra-liberal em toda a sua cegueira assassina da autonomia das pessoas e dos povos.

E não se diga que eles têm a legitimidade que lhe dão os resultados eleitorais. Porque, nas eleições, a maioria de votos que veio a dar corpo a esta maioria, não corresponde à maioria da população do País. Quase metade dos inscritos nos cadernos eleitorais, já não vota. Muitos outros, votam em branco, ou nulo. E muitos mais outros, votam nos diferentes partidos que, neste momento, são da chamada Oposição. De resto, que legitimidade para líderes partidários ou supostamente independentes que, na campanha eleitoral dizem uma coisa e, uma vez eleitos, fazem outra exactamente oposta?

Cabe às populações, estarmos atentas e vigilantes. Mais do que emigrar, como é determinação da maioria ultraliberal, havemos de ser capazes de cerrar fileiras e regressarmos a um estilo de vida simples como as aves do céu e os lírios do campo. Deixemos o grande Mercado apodrecer com os seus inúmeros produtos roubados aos produtores, porque pagos ao preço da chuva, e sempre tarde e a más horas. Deixemos as grandes cidades com os seus Shoppings desertas. Deixemos o litoral e o seu mar, como local de residência habitual. O interior do País está a chamar-nos. Não ouvimos?

Artistas de todas as Artes – Escritores, Poetas, Músicos, Pintores, Mulheres e Homens do Teatro, da Dança e da Cultura maiêutica – constituam-se em pequenas comunidades orgânicas entre as populações e com elas. Criemos, juntos, estilos de vida alternativos aos impostos e vendidos pelo grande Mercado. O Barracão de Cultura, da Associação Cultural AS FORMIGAS DE MACIEIRA, é por aí que aposta e procura ir. Ergam a vossa tenda, no espaço envolvente ao BC e façam dele a vossa OFICINA criativa. Uma ou duas gerações assim, com espaços culturais como o BC de Macieira da Lixa, em todas as aldeias do interior, e seremos definitivamente populações criativas, saudáveis, protagonistas, alegres, sororais, numa palavra, plena e integralmente humanas. Ousemos. O impossível é para ser realizado hoje. Já!

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JESUS SEGUNDO JOÃO, na Casa do Alentejo

Só um dos muitos participantes no evento fez questão de adquirir, à sua parte, 20 exemplares, para outras tantas pessoas suas conhecidas!

Já havia adquirido por correio postal e lido-escutado-estudado o Livro, JESUS SEGUNDO JOÃO. E, ao saber que o Livro ia ser apresentado na Casa do Alentejo, em Lisboa, fez questão de telefonar ao Pe. Mário, para que fosse prevenido com suficiente número de exemplares do Livro para a Sessão, porque só ele iria adquirir 20 exemplares, para outras tantas pessoas suas amigas e conhecidas, impossibilitadas de estarem presentes naquele horário. Depois, e para que este seu propósito fosse garantidamente concretizado, foi das primeiras pessoas a chegar ao local do evento e adquiriu, de imediato, os 20 exemplares, sem sequer esperar pelo final da Sessão. A maior parte das outras pessoas que só chegaram mais sobre a hora do início da Sessão, nem se puderam aperceber desta sua volumosa aquisição antecipada. Mas esta decisão  diz bem, só por si, da importância que tem este novo Livro do Pe. Mário.

A Revelação/Revolução que JESUS SEGUNDO JOÃO contém, nas suas 206 páginas, pode perturbar muitas consciências, instaladas que vivem nas rotinas e nos estudos dos mestres do Saber/Poder, o qual, por força da sua própria natureza, jamais será capaz de conhecer/praticar Jesus e o seu Projecto político maiêutico. E tal é a Revelação/Revolução de Jesus, que nos tem faltado desde o início da Humanidade, formada/formatada/dominada pelos Sacerdotes, também os laicos, e pela sua Ideologia/Idolatria, politeísta ou monoteísta, tanto faz, a mesma que sempre esteve e continua a estar na génese deste tipo de mundo do Poder e o tem justificado, apesar dele ser uma planetária e absurda fábrica de produção de pobreza estrutural e de pobres/vítimas em massa, e de sofrimento sem fim, absolutamente estúpido. Trata-se duma Revelação/Revolução antropológica-teológica, a única capaz de nos fazer nascer da Ruah/Sopro maiêutico, o mesmo de Jesus, a fragilidade humana plena e integral, por isso, bem nos antípodas do sopro infantilizador e castrador da Ideologia/Idolatria do Saber/Poder e de todos os seus agentes históricos, sagrados e laicos. 

O Escritor Joaquim Murale, ateu publicamente assumido, aceitou o desafio do Editor da Seda Publicações e apresentou o Livro, logo a abrir a Sessão. Elaborou, previamente, para o efeito, um denso e profundo Texto que nos leu, emocionado e pausado. E que, no final, deixou o espaço da Biblioteca da Casa do Alentejo inundada de Luz que, lá, onde acontece, expulsa a Treva das mentes/consciências e, com ela, o Inumano descriador que é o Saber/Poder deste tipo de mundo (ver, mais abaixo, o Texto na íntegra). À medida que escutava a leitura do Texto, o Pe. Mário estremecia interiormente de emoção – via-se-lhe no rosto – e, no final, levanta-se da mesa e corre para o prolongado abraço a Joaquim Murale, aquele abraço que só mesmo irmãos gémeos se dão, numa plena fusão, nenhuma confusão.

Naquele momento, o Pe. Mário é, sobretudo, aos olhos de quem está na sala, corpo-sopro que dança e canta, numa epifania de Paz desarmada e de Ternura que abraça e beija até com as palavras que diz e que canta. O silêncio é, pois, intenso e fecundo na sala, quando o Coordenador da Sessão, Manuel Xerepe, da Casa do Alentejo, lhe dá a palavra e ele se volta a levantar da mesa. A emoção parece embargar-lhe a voz, mas só parece. Porque, uns instantes depois, quando já só se escutava o respirar das pessoas, eis que o Pe. Mário irrompe num Canto, e todo ele é Canto e Poema que abraça e beija cada uma das muitas pessoas. “Quando todos em redor vivem só pra Futebóis/ e os grandes das Igrejas vendem os seus cultos tóxicos / faz-te Vento, faz-te Sopro, faz do viver Movimento / faz do viver Movimento, faz-te Sopro, faz-te Vento”.

“Porque o Cristo das igrejas não tem nada de Jesus / e em seu nome se comete toda a espécie de crimes / deixa os Templos, deixa os Cultos, faz-te Práticas Maiêuticas / faz-te Práticas Maiêuticas, deixa os Templos, deixa os Cultos.” “Porque vivemos em guerra, uma guerra financeira, uma guerra mundial / tudo aquilo que fazemos, tudo aquilo que dizemos / mate o grande Capital, mate o grande Capital”. E prosseguiu cada vez mais Sopro/Vento, cada vez mais beijo e abraço até final do seu Canto-Poema, com música “roubada” a Paco Ibañes.

E é quando, inopinadamente, se levanta, como uma mola, da cadeira em que se encontra sentado na primeira fila, Manuel Nemésio, octagenário cheio de energia e lucidez, digno filho do insigne Escritor Vitorino Nemésio, Autor de “Mau Tempo no Canal”, e que pela primeira vez participa numa sessão de apresentação de livros do Pe. Mário. Emocionado e arrebatado, cai nos braços do Pe. Mário, num outro abraço, que só irmãos gémeos se dão reciprocamente. E, ali mesmo, “exige” que aquele Canto-Poema acabado de interpretar pelo próprio Autor do Poema, e que tão bem diz o Livro, JESUS SEGUNDO JOÃO, seja gravado e editado em DVD, numa próxima edição que o Livro porventura venha a conhecer.

Por fim, o Pe. Mário diz, em breves palavras, da Boa Notícia que é este seu Livro, JESUS SEGUNDO JOÃO, que, desde o ventre de sua mãe, Ti Maria do Grilo, tem andado a quer ganhar corpo no seu próprio corpo e tornar-se palavra escrita e dita, e que, finalmente, acaba de ser dado à luz. Só quem esteve presente na Sessão, poderá testemunhar o que representou para si, este final de tarde na Biblioteca da Casa do Alentejo. E porque já circula na rede Fb um desses testemunhos, aqui se transcreve, como remate desta breve Reportagem da sessão. Eis:

“Linda, linda esta secção de apresentação deste Livro maravilhoso do Padre Mário. Fico emocionada com ele, é na verdade o livro-revelação que precisava sair, para completar esta obra que fica como semente oferecida ao mundo... Acolho-o, porque quase como um dicionário, está aí para nos limpar a poeira, mostrando com toda a explicação estudada, esta revelação que é JESUS SEGUNDO JOÃO... Inteligência, estudo longo e profundo do Autor, é bem como ele nos diz, só pode já ter vindo da barriga da sua Mãe, tal Sopro, que nos toca e faz de nós, o que muito bem quer levando-nos a saltar muros, perigos, sofrimento e passando até por loucos, prosseguir caminhos, sem olhar para trás, sem amarras, sem medos, o bom nome de Abade que se lixe, e diz, Quero é fazer passar esta Boa Notícia... A salinha cheia, todos felizes, todos irmãos, afectos sem fim, abraços sem fim. Emoções ao ouvir as Palavras de JOAQUIM MURALE, que tão bem apresentou esta Obra. Como entendeu o Livro e como entendeu Jesus sendo ATEU...Confessaram-se "IRMÃOS GÉMEOS" Lendo os seus livros, depressa sentimos isso. Depois, a Casa do Alentejo, com os seus cantares Alentejanos, lindos, de gentes simples como eu, fazia toda a diferença do que se passava cá fora, restaurantes caros, boas comidas, mas, ESTÁVAMOS A COMER OUTRA COMIDA, PORQUE NEM SÓ DE PÃO VIVE O HOMEM...Depois veio o canto que o Autor cantou, tão de mansinho, não tem palavras... Todo explosão dançante, parece sair do seu corpo a Força que nos embriaga a todos...Alongo, chateio, mas que querem, gostei tanto....Abraço-vos.” (Maria Laura)

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Ainda a apresentação do novo Livro do Pe. Mário na Casa do Alentejo. Texto integral do Escritor Joaquim Murale

E que pode alguém como eu, assumidamente ateu, dizer do Evangelho de João?

Ao desprender Jesus da cruz onde a Igreja o quer manter, ao arrancá-lo dos altares da idolatria, ao devolvê-lo à vida, à realidade, para ser luz no coração dos pobres, este Livro é uma bofetada na hipocrisia da Igreja, que vive no fausto, na gestão do maior quinhão das migalhas com que o Poder faz caridade e zelando para que os pobres fiquem gratos pela miséria recebida. Pela forma como este Livro nos desperta e nos levanta contra o Poder que nos explora e nos oprime eu diria que volta a ser um acto tão revolucionário como foi o da sua publicação há quase vinte séculos!

Amigas, Amigos: Obrigado por terem vindo a este encontro a fim de celebrarmos a publicação de um Livro que nasceu pelas mãos de um Homem que deverá ser para cada um de nós um exemplo inspirador: o Padre Mário de Oliveira.

E que pode alguém como eu, assumidamente ateu, dizer do Evangelho de João? E que pode alguém como eu dizer de um Homem, ordenado presbítero da Igreja do Porto no ano de 1962, que, ainda eu era um fedelho, nos difíceis tempos do Estado Novo, já enfrentava os senhores da guerra, tendo sido expulso do cargo de capelão militar para a guerra colonial na Guiné-Bissau, para que havia sido nomeado quatro meses antes; caía nas garras da PIDE, por duas vezes, que o prendeu em Caxias e o fez julgar, por duas vezes, no Tribunal Plenário do Porto; incomodava a hierarquia da Igreja que, no mesmo dia em que é posto em liberdade, em Fevereiro de 1974, lhe comunica, pela boca do Bispo António Ferreira Gomes, que não é mais pároco de Macieira da Lixa? Fez-se então jornalista profissional para poder sobreviver e dar de graça o ministério presbiteral de evangelizar os pobres, os fracos, os simples, os humilhados. Se há qualidades que particularmente admiro no ser humano são a coerência e a humildade. Ei-las aqui, na pessoa deste Homem de cabelos brancos perante quem, respeitosamente, me curvo.

Não vos escondo a honra por que me sinto tocado neste momento. Tentarei ser merecedor desta sublime tarefa pois que Jesus Segundo João, o 4º Evangelho, traduzido e anotado como nunca o conhecemos não é apenas o seu 41º título a ver a luz mas, segundo as suas próprias palavras, numa nota que enviou ao editor, “O LIVRO de toda uma vida”, a sua vida. Jesus Segundo João, juntamente com O Livro dos Salmos e O Livro da Sabedoria constituem, segundo o seu Autor, “a trilogia que melhor nos diz como seres humanos e melhor diz Deus Abba-Mãe, o de Jesus, que nunca ninguém viu.”

Os Estados modernos são constituídos por três poderes: o Legislativo, o Executivo e o Judicial. Ao primeiro compete criar e aprovar as Leis que norteiam a sociedade, ao segundo executá-las e ao terceiro zelar para que sejam respeitadas. As Igrejas, embora não integrando oficialmente a maior parte dos Estados, têm com o Poder uma relação umbilical porque às Igrejas compete manter os povos submissos, ignorantes e afastados de ideais revolucionários.

Quando os donos financeiros do mundo assomam à janela dos seus arranha-céus em Nova Iorque, Berlim ou Shangai e vêem os portugueses prostrados de joelhos perante altares, em peregrinações a Fátima, pagando promessas com o ouro antigo da família ou contando a vida familiar e de amigos nos confessionários das igrejas, percebemos qual o papel que à Igreja cabe na manutenção da chamada ordem vigente, que é a do rico ser o dono e o pobre ser-lhe submisso.

O cristianismo promove a servidão na terra, por toda a vida, recompensada com a felicidade no céu por toda a eternidade. Este sistema de recompensas, que mantêm os pobres na expectativa da felicidade no além, enche os cofres da Igreja com parte significativa do dinheiro que circula na sociedade. Sabemos, pela História, que tem sido assim, particularmente desde Constantino, quando o cristianismo se tornou religião oficial do império romano. Mas ganhou particular realce na Idade Moderna, que viu estabelecerem-se em vários países da Europa os tribunais da Santa Inquisição que, sem qualquer pudor, se substituíram ao papel de Deus na avaliação da fé e dos pecados dos homens, espalhando terror e sofrimento em julgamentos sumários e condenando milhares de seres humanos à morte pelo fogo em espectáculos públicos que tinham por objectivo demonstrar poder e alcançar dominação pelo medo. A fortuna da Igreja aumentou exponencialmente pela apropriação dos bens daqueles que caíram nas suas garras. Este foi um dos períodos mais cruéis e negros da civilização ocidental cujo trauma ainda hoje subsiste na cultura que respiramos. A harmonia de interesses entre o Poder político e a Igreja conspirou sempre no sentido da eliminação de opositores, em muitos casos bastando a simples denúncia anónima para ceifar vidas e pilhar bens. Aliás, essa promiscuidade de interesses entre o Estado e a Igreja subsiste nos dias de hoje. Quantos antifascistas portugueses não foram parar às masmorras da PIDE através do confessionário? Não é possível enumerar mas sabe-se que foram muitos!

E nestes dias terríveis que atravessamos, quando, uma vez mais, como é recorrente na nossa História, as classes dirigentes e o poder financeiro fazem o povo pagar os seus lucros, o seu luxo, os seus erros, os seus excessos e a sua incompetência, com quem podemos contar? Quem nos fala a verdade toda? Alguém nos quer ajudar de forma desinteressada? O silêncio da Igreja é mais do que comprometedor; é um verdadeiro pacto de colaboração com os crimes do Poder!

E Jesus? Que pensará Jesus de tudo isto? Que nos diz João de Jesus? A publicação, hoje, do Evangelho de João, numa tradução em total sintonia com o texto original grego e com os dados científicos e históricos mais recentes, destes últimos 30-40 anos, sobre Jesus histórico e sobre a origem do cristianismo, revela-se nos seus 21 capítulos completamente expurgado de todos os títulos e subtítulos com que todas as traduções confessionais, católicas e protestantes, habitualmente o apresentam. Este acontecimento só se tornou possível porque, pela primeira vez, houve acesso à chave de interpretação da linguagem cifrada a que o original, escrito na clandestinidade, recorreu perante a grande repressão exercida naquele período sobre os seguidores de Jesus. Por isso, as anotações que aparecem a seguir a cada um dos capítulos, consequência das recentes descobertas, fornecem-nos dados fundamentais para podermos descobrir Jesus, tal e qual ele se nos revela, entre meados do ano 28 e Abril do ano 30 que, até agora, nunca nos haviam sido dados a conhecer.

Vejamos, a título de exemplo, o versículo 36 do 3º Capítulo: “Quem acolhe e prossegue o filho, possui vida sem ocaso; quem, porém, se recusa a acolher e prosseguir o filho, não chega a conhecer o que é viver, mas apenas o que Deus mais detesta, a ideologia/idolatria/treva/más práticas.” O sentido deste versículo é-nos aclarado na seguinte anotação: “Felizes, pois, quantas, quantos acolhemos/prosseguimos Jesus e as suas práticas maiêuticas. Cabe-nos escolher. Ou escolhemos a realidade/verdade, ou a mentira/ideologia/idolatria. A liberdade, ou a escravidão. A vida sem ocaso, ou o assassínio! Jesus, o ser humano pleno e integral, ou o mítico cristo/messias Poder invicto. Uma coisa é definitivamente certa, à luz de Jesus: Fora do humano, não há salvação. 

O 4º Evangelho, o de João, é o último evangelho da Bíblia. A maior parte dos seus relatos é inédita relativamente aos evangelhos que o precedem e dedicam-se essencialmente aos eventos da vida de Jesus e às palavras que proferiu nos seus últimos dias. Contrariamente à opinião dos biblistas académicos que apontam a sua redacção entre os anos 95 e 100, o Evangelho de João, conforme podemos ver no Prefácio desta edição, “deverá ter sido concluído na segunda metade da década de 40, antes ainda do Concílio de Jerusalém. Muito próximo, por isso, dos acontecimentos protagonizados por Jesus (…).

Face aos pressupostos anteriormente referidos, como poderemos encarar, hoje, a publicação de Jesus Segundo João? Ao desprender Jesus da cruz onde a Igreja o quer manter, ao arrancá-lo dos altares da idolatria, ao devolvê-lo à vida, à realidade, para ser luz no coração dos pobres, este Livro é uma bofetada na hipocrisia da Igreja, que vive no fausto, na gestão do maior quinhão das migalhas com que o Poder faz caridade e zelando para que os pobres fiquem gratos pela miséria recebida. Pela forma como este Livro nos desperta e nos levanta contra o Poder que nos explora e nos oprime eu diria que volta a ser um acto tão revolucionário como foi o da sua publicação há quase vinte séculos! E só não é uma edição clandestina porque os algozes que nos governam precisam de esconder o rosto debaixo das ilusórias liberdades de expressão e de pensamento.

Poderemos dizer que este Livro do Padre Mário de Oliveira é uma procura e um reencontro com as origens, com a sua Verdade. Talvez por isso a dedicatória seja a seus pais, comovente e profunda:

A

Ti Maria do Grilo, minha mãe

Ti David, meu pai

uma e outro já definitivamente

viventes e invisíveis,

que bem cedo me despertaram

para a mesma Fé de Jesus, traduzida

na entrega gratuita de mim aos demais.

Esta dedicatória celebra a fidelidade a uma herança que se recebeu no berço e se transformou num compromisso para uma vida inteira, assumido com a verticalidade que só encontramos nos homens de honra, dos que não se vendem, dos que não se dobram, naqueles em quem podemos confiar, naqueles com quem podemos contar sempre!

A clareza, a coragem e a frontalidade fazem parte deste Livro. Vejamos o que nos diz um excerto do seu Prefácio: “A revelação antropológica-teológica que é feita nesta Narrativa, é tão politicamente subversiva e conspirativa, que o sistema de Poder, no caso concreto, o judaísmo, percebe que, se Jesus e o seu Projecto polí­tico maiêutico, vingam na história, só lhe resta a ele, sistema de Poder, desaparecer, assim como ao tipo de mundo a que um e outro – Jesus e o seu Projecto político maiêutico – dão origem e desenvolvimento. À luz desta Narrativa, o sistema de Poder e o seu tipo de mundo são a Mentira e o Assassínio institucionalizados. Sem a mais pequena hipóte­se para a existência, dentro dele, de seres humanos, outros Jesus. Apenas servos, escravos, objectos, coisas, ao serviço do sistema de Poder e do seu Deus, o mesmo do templo de Jerusalém e dos sacerdotes/pastores das religiões.

E, com o mesmo desassombro, prossegue mais adiante: “A Narrativa revela, ainda, que entre os seres humanos, outros Jesus, e os sistemas de Poder, é total a incompatibilidade. Onde estiverem uns, não podem estar os outros. Revela-nos, também e ao mesmo tem­po, Deus Abba-Mãe que nunca ninguém viu, que se nos dá a conhecer nos seres humanos, outros Jesus; e que Deus Abba-Mãe é totalmente incompatível com o Deus que se nos revela nos sistemas de Poder, o único que os sacerdotes/pastores das religiões, inclusive, do judaísmo, do cristianismo, do islamismo conhecem e cultuam, de acordo com as diferentes culturas de cada povo. O conflito é, pois, total e absoluto. E não há como o evitar. Pelo que, neste tipo de mundo dos sistemas de Poder, só resta aos seres humanos, outros Jesus, nos quais Deus Abba-Mãe habita, respira, trabalha continuamente, viver e agir politicamen­te em clandestinidade, ao jeito do fermento na massa e da parteira, na relação com a parturiente. E, assim, fazerem progressivamente cair este tipo de mundo dos sistemas de Poder, à medida que, em seu lugar, cres­ce, como o grão de trigo lançado à terra, o mundo dos seres humanos.

Sem subterfúgios e sem qualquer ambiguidade nos é dito neste Livro que a tarefa que cabe aos seres humanos seguidores de Jesus é a do derrube do Poder, todo o Poder que seja contra as pessoas. A cisão, pois, com a posição da Igreja não pode ser mais clara, nem mais frontal, nem mais decisiva.

Nestes dias canalhas que os governos criminosos nos estão a fazer passar, urge reflectir, particularmente os crentes, sobre as palavras de Jesus Segundo João, o 4º Evangelho, traduzido e anotado, como nunca o conhecemos. Para mim, retenho que o maior ensinamento desta Obra consiste em tornar possível darem-se as mãos aqueles que, pela Fé de Jesus, querem viver em igualdade com aqueles que, pela Fé no Homem, querem chegar ao mesmo fim, todos, irmãmente, lutando contra o Poder, selvagem, cruel, discricionário.

Deixemo-nos, pois, surpreender, tocar, iluminar, pelas revelações que este Livro nos transmite e sejamos nós — pobres, explorados, injustiçados, crentes e ateus — capazes de nos unirmos em prol da luz, do pão, da justiça e da Liberdade numa sociedade que tenha por princípio e fim o Ser Humano.

Permitam-me ainda, minhas Amigas, meus Amigos, assinalar aqui a coragem de outro Homem, Jorge Castelo Branco, o editor, que, através da sua chancela Seda Publicações, possibilitou que este Livro admirável esteja agora nas nossas mãos. Num mundo cada vez mais formatado, mais controlado, mais uniformizado relativamente às correntes de pensamento, manter as portas abertas para autores que marcham contra a corrente é um acto de puro louvor à Liberdade. Bem-haja, Jorge, por isso!

Muito obrigado a todos vós!

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A patética reza do Papa Francisco perante a imagem de Fátima

Pode haver perdão para crimes deste jaez?!

Foi no final da Missa celebrada frente à Basílica de S. Pedro, por ocasião do Ano da Fé. O Papa Francisco dirige uma patética reza à imagem de madeira, pertença do Santuário de Fátima S.A, da nossa vergonha, transportada de avião, dentro de uma mala, de Lisboa para Roma. A esta sua patética reza, o Papa Francisco chama-lhe “Acto de Entrega a Nossa Senhora de Fátima”. O acto, transmitido para todo o mundo via tvs, perfaz a aberração das aberrações. É um acto de pura idolatria religiosa. Uma encenação carregada de Mentira e que ajuda a matar ainda mais as populações, sem que elas possam sequer reagir, de tão anestesiadas que ficam com devoções pagãs e politeístas deste teor, para cúmulo, protagonizadas por um Papa sorridente e populista. São cultos deste jaez que engordam as deusas, os deuses, e respectivos gestores sacerdotes, com o suor, o sangue e o pouco dinheiro dos pobres, e deixam que estes vegetem na miséria e na doença, na fome e na inacção, na exploração e na alienação. Um crime de lesa-humanidade, de lesa-Maria, a mãe carnal de Jesus, de lesa-Deus Abba-Mãe, o de Jesus e dos pobres/das vítimas da história. Malditas teologias e liturgias que tais crimes cometem e justificam contra os pobres do mundo. Vejam o texto integral da patética reza do Papa Francisco, lida por ele próprio, de pé, diante da imagem de madeira que tenta representar uma mulher confrangedoramente assexuada, saída das mãos de um tal Sr. Thedim, santeiro da Trofa, em 1917, e vendida por ele a um “devoto” da Mentira de Fátima, residente em VN de Ourém, o qual, por sua vez, a ofereceu ao futuro santuário. Mas que asqueroso insulto à Fé, a de Jesus! É de bradar aos céus e à terra. Pode haver perdão para crimes deste jaez?! Eis o texto: 

“Nossa Senhora de Fátima, com renovada gratidão pela tua presença materna,

unimos a nossa voz à de todas as gerações que Te proclamam bemaventurada. Em Ti celebramos as grandes obras de Deus, que nunca se cansa de inclinarse com misericórdia sobre a humanidade, afligida pelo mal e ferida pelo pecado, para a curar e salvar.

Acolhe com benevolência de Mãe o acto de entrega que hoje fazemos com confiança, diante desta tua imagem que nos é tão querida. Estamos certos que cada um de nós é precioso aos teus olhos e que nada do que se encontra nos nossos corações Te é estranho. Deixamonos alcançar pelo teu dulcíssimo olhar e recebemos a consoladora carícia do teu sorriso.

Guarda a nossa vida entre os teus braços: abençoa e robustece todo o desejo de bem; vivifica e alimenta a fé; ampara e ilumina a esperança; suscita e anima a caridade; guia a todos nós no caminho da santidade. Ensinanos o teu amor de predilecção com os pequenos e pobres, com os excluídos e sofredores, com os pecadores e os de coração perdido: reúne a todos sob a tua protecção e entrega a todos, o teu amado Filho, Jesus nosso Senhor. Amen.” (tradução: padre Manuel Morujão, SJ)

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Os títulos e os dados biográficos de um katholikos nascido em 1975, em Lisboa!

Como o texto é enorme, não é inserido aqui. Em seu lugar, divulgam-se dois “sites”. O primeiro, contém o extensíssimo e eminentíssimo texto. O segundo, mostra a matriz da igreja ortodoxa hispânica que produz todas estas aberrações. Impunemente. Divulgam-se aqui, para sua vergonha. E para vergonha de quem se presta a entrar neste jogo. Eis o começo do Texto em causa, logo seguido dos dois “sites” para abrirem e… chorarem! De vergonha. E para vomitarem, a fim de se libertarem de semelhante engrenagem! Só mesmo o cristianismo para fazer todas estas aberrações e divulgá-las como “honrarias”. É preciso ter lata! Eis:

Dom Paulo Jorge de Laureano Vieira y Saragoça

(Lisboa 1975 -). De Noviço da Província Portuguesa da Ordem Dominicana, na Igreja Católica; passa a Arquimandrita da Ordem de São Basílio, na Igreja Apostólica Católica Ortodoxa; e a Bispo da Igreja Apostólica Luso-Hispânica (Patriarcado Ortodoxo Bielorrusso Eslavo); a nível episcopal adquire os títulos de Arcebispo de Sevilla, Metropolita de Todo o Brasil e Primaz Katholikos da América Latina; a nível monástico passa a ser conhecido como  “MAR ALEXANDER I DA HISPANEA”. Os dois Sites:

http://www.igrejaortodoxahispanica.com/Katholikos/Biografia.html

http://www.igrejaortodoxahispanica.com

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O Papa Francisco, segundo a revista Forbes

O 4.º líder mais poderoso do mundo!

Numa selecção de 74 pessoas, o Papa Francisco foi considerado o quarto líder mundial “mais poderoso em 2013”, pela revista Forbes. Por isso, um dos antípodas de Jesus, o último dos últimos. E Maldito, segundo a Lei de Moisés!

"A eleição do Papa Francisco, em Março de 2013, trouxe uma nova energia para a maior religião do mundo com 1,2 milhões de seguidores”, considera a revista norte-americana Forbes. “O primeiro bispo de Roma jesuíta e latino-americano prega a compaixão para com os pobres e um maior papel para as mulheres”, explica a revista Forbes que acrescenta que o Papa pede à Igreja que se não foque apenas em "questões relacionadas com o aborto, o casamento homossexual e o uso de meios contraceptivos".

A revista norte-americana revela ainda que Francisco “abraçou” os meios de comunicação, com destaque para a conta na rede social Twitter - @Pontifex – onde “dá conselhos religiosos aos seus mais de 10 milhões de seguidores”.

Segundo a lista da Forbes, em terceiro lugar ficou Xi Jinping, “o líder político e militar” da República Popular da China e secretário-geral do Partido Comunista Chinês, e em primeiro, a chanceler alemã, Ângela Merkel, “a mulher mais poderosa do mundo e a espinha dorsal da União Europeia a 27 membros”.

Em 2012, o Papa emérito Bento XVI ficou em quinto lugar no ranking da Forbes, entre Bill Gates, o dono da empresa Microsoft, e Ben Bernanke, o presidente da reserva federal dos Estados Unidos da América, respectivamente o quarto e o sexto lugar da lista da revista Forbes.

A lista anual das pessoas mais poderosas do Mundo é escolhida pela “sabedoria” dos editores principais editores da revista que destacam uma selecção de chefes de Estado, CEOs, filantropos e organizações não-governamentais, bilionários e empresários que “realmente governam o mundo”, revela a Forbes.

N.E. A escolha diz bem quanto o Papa e o Papado navegam por águas inquinadas, as do Poder. Se, para cúmulo, ainda “prega a compaixão”, como salienta gostosamente a Forbes, é ainda mais perverso. Porque os mais poderosos do mundo fazem as vítimas e, depois, mandam tocar as trombetas, quando proferem discursos em que apelam à compaixão. São o sadomasoquismo no seu pior. De resto, aquelas vestes brancas do Papa não enganam. Escondem sob elas, muita podridão/sujeira institucional, estrutural. Por mais “delicado” e “devoto” que seja o argentino Jorge Mário Bergóglio, feito Papa chefe de Estado do Vaticano. Olhos abertos, é preciso!

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Uma mulher cardeal?

Que o Consistório de fevereiro aponte uma mulher cardeal é possível, mas não provável. Entre os canonistas é muito difundida a expectativa de participação dos leigos na eleição do Papa; mas é considerada pouco praticável, para tal fim, a via do cardinalato, cuja extensão aos leigos e às mulheres representa mais problemas do que seria possível resolver.

Para tornar uma mulher cardeal, o papa deveria mudar três disposições que estão nos cânones 350 e 351, do Código de 1983: a que reserva o cardinalato aos homens; aos homens "feito pelo menos na ordem do presbiterado" (já que são, pelo menos, sacerdotes), e uma terceira que prevê a atribuição "a cada cardeal” de "um título ou uma diaconia na Urbe" (isto é, a regência formal de uma igreja de Roma, porque os cardeais, em sua origem, eram sacerdotes romanos)

O Papa poderia derrogar essas disposições, com um reescrito de três linhas. Ou poderia constituir ao lado das três ordens cardinalícias existentes – bispos, sacerdotes e diáconos – uma quarta ordem, a dos leigos, e prever que nela poderiam entrar as mulheres. Não haveria obstáculos doutrinais, e as dificuldades jurídicas são fáceis de dissolverem-se, mas a escassa probabilidade de entrada por essa via repousa no fato de que provocaria uma avalanche de queixas, sem que se resolvesse qualquer verdadeiro problema. A chegada de uma mulher cardeal teria um valor simbólico, mas seria de pouco significado para a presença do género feminino nos “lugares das decisões”, que é o objectivo de Francisco.

Quanto à eleição do Papa, o plenário dos cardeais eleitores é hoje de 120 membros: que diferença faria, então, uma única mulher em tamanho colegiado patriarcal? Também é impensável uma “quota rosa” que, no curto prazo, dê consistência à presença feminina entre as eminências. É razoável imaginar que um dia teremos as mulheres a participar do Conclave, mas por um caminho mais longo do que seria, hoje, a simples nomeação de uma mulher cardeal. (Luigi Accattoli, vaticanista italiano IHU/JF)

N.E. Vejam só a complicação que dá buscar a igualdade de género dentro da igreja católica romana. A complicação começa logo no CDC que, na igreja católica romana, vale mais, muito mais, que o Evangelho de Deus, que é Jesus, e mais, muito mais que as pessoas, concretamente, as mulheres. A verdade é que nem sequer haveria cardeais nem Papas, sem as mulheres que os deram à luz, não para serem Poder, mas para serem humanos. Porém, esta espécie de homens eclesiásticos, todos sem mulher, prefere ser filhos do Poder, a filhos de mulher. Como tal, excluem as mulheres. Entretanto, mal avisadas andarão as próprias mulheres se, algum dia, aceitarem entrar, elas também, pela via do Poder eclesiástico. Porque deixam de o ser, para serem machos em corpos sexualmente femininos. Uma aberração ainda maior. Mulheres presbíteros e bispos, sim, mas nunca mulheres Poder clerical eclesiástico. Pelo que, mulheres em serviços de responsabilidade na Igreja, só depois que a Igreja deixe de ser a monarquia absoluta e infalível que agora é, e seja uma comunhão de iguais e de irmãs, irmãos. “Entre vós, diz Jesus, não deve ser assim, como é entre os grandes do mundo e os chefes das nações”. Alerta, mulheres!

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D. António Couto, bispo de Lamego

Rezar é para militares

“Rezar não é para beatos e beatas de trazer por casa. Rezar é para militares e militantes. Rezar é um acto de verdade e de coragem, que implica o máximo risco”, afirmou o bispo de Lamego, no dia do Exército, comemorado, este ano, naquela cidade transmontana, e que contou com a presença de mais de seiscentos militares e meios mecanizados.

D. António Couto comentou o texto do Evangelho, lido na missa de domingo, que contava a parábola do fariseu e do publicano [Lucas 18,9-14]. Para o bispo de Lamego, no publicano “sempre ao fundo da cena”, vê-se um verdadeiro e assumido pecador, algo raro, porque encara a “situação-limite que é rezar” de dizer toda a verdade e mesmo sendo um “traidor à pátria judaica”, pelas funções que desempenha, tem coração e “pede a Deus a esmola do perdão”.

O publicano “desceu justificado para sua casa”, explica Jesus na parábola e o D. António Couto assinalou aos militares que “justificar, significa transformar um pecador em justo” e que este acto é igual a “Criar ou Recriar um homem novo”, uma acção de que só “Deus é sujeito em toda a Escritura”.

Segundo o bispo de Lamego, o fariseu que existe em cada um desperdiça o tempo de rezar, julga-se o centro do mundo e “debita facturas a Deus e insultos aos outros” porque jejua mais vezes do que lei manda ou paga o dízimo de todos os seus rendimentos.

O bispo da diocese de Lamego presidiu à missa do Dia do Exército, porque o novo bispo da Diocese das Forças Armadas e de Segurança, D. Manuel Linda, nomeado a 10 de Outubro, ainda não havia tomado posse do cargo.

N.E. Sempre que o Bispo António Couto abre a boca, sai asneira. E, aqui, numa missa para militares armados, saiu asneira da grossa. Tão perito, tão perito em Exegese bíblica, que nem vê a realidade que tem diante dos olhos: 600 militares fardados com os respectivos meios mecanizados, profissionais disponíveis para missões de combate, onde não andam a distribuir beijos e abraços, a praticar a Justiça e a atacar as causas da pobreza que fabricam pobres em massa. Prefere falar de “beatas e de beatos de trazer por casa”. Nem sequer olhou por ele abaixo, nem para os seus colegas hierarcas, que passam os dias a presidir a ritos e cerimónias, como estas, do Dia do Exército, cheios de coisa nenhuma, beatice a rodos! Que infantilismo episcopal!

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“Homilias da manhã” do Papa Francisco

É sempre a facturar!!!

A Livraria Editora Vaticana vai publicar o livro, “Homilias da manhã”, do Papa Francisco, proferidas na capela da Casa de Santa Marta, entre 22 de Março a 6 Julho 2013. O facto diz bem quanto a Cúria Romana não brinca em serviço. E está sempre a facturar. Antes deste Papa, facturou com os três volumes do Livro sobre Jesuscristo, do Papa Bento XVI, e, agora, com as inúmeras peripécias deste seu novo chefe de Estado, travestido de Bispo de Roma. E parece que ninguém, mesmo entre os teólogos de libertação, quer ver esta indignidade institucional. Só porque o Papa se faz chamar de Francisco, o mesmo nome do filho do grande empresário de Assis, no século XII, que mandou às urtigas a fortuna do pai e se fez pobre com os pobres e leprosos, mas que, ao contrário de Francisco de Assis, prefere seguir o exemplo do pai do de Assis, numa espécie de herdeiro da sua fortuna que o filho de sangue evangelicamente mandou às urtigas.

“A obra – lê-se no hipócrita comunicado da Livraria Editora Vaticana – constitui um convite à reflexão, oferecendo ao leitor uma multiplicidade de ensinamentos, de conselhos e de orientações ascéticas”. Exactamente, o ópio que as populações roubadas e empobrecidas precisam para continuarem a suportar a sua pobreza cruelmente imposta pelo Poder financeiro global e sua Ordem mundial! O teólogo Inos Biffi, responsável pela introdução da publicação, destaca a originalidade do estilo de Francisco, com uma linguagem “fácil, vivaz e rica de metáforas”.

As homilias são “um precioso directório de vida espiritual” que resultam de “uma convivência lúcida com os problemas, as reacções e os sentimentos das comunidades e das pessoas em geral”, acrescenta o teólogo.

Às palavras proferidas todas as manhãs na capela da Casa de Santa Marta, juntam-se três homilias na residência do Sumaré, no Rio de Janeiro, durante a Jornada Mundial da Juventude. “As homilias tratam de inúmeros temas que dizem respeito à vida cristã, como o perdão, a salvação oferecida por Cristo, a rejeição ao carreirismo e a hipocrisia ao mistério de Cristo”, adianta a Rádio Vaticana. Como se vê, está aqui tudo. Só cristianismo. Já Jesus e o seu Evangelho, nem vê-los!

O livro “Homilias da manhã” faz parte de uma colecção “As palavras do Papa Francisco”, que compreende quatro outras obras. Tudo negócio, como se vê. É falácia sobre falácia. E sempre a facturar, que outra coisa não fazem o Poder e o seu Cristo, o Solis Invictus do império romano, cujo natal já está de novo a chegar e vai proporcionar à Cúria Romana a oportunidade de facturar mais e mais! Para lá de anestesiar as mentes e as consciências das populações fanatizadas pelo cristianismo, e sem ponta de Jesus!

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A maior Igreja luterana do mundo

Futura arcebispa sueca questiona concepção virginal de Jesus

A Igreja da Suécia, a maior Igreja luterana do mundo, acaba de escolher uma nova arcebispa, ao final de um processo democrático interno. Antje Jackelén, actualmente bispa de Lund, será, assim, a primeira mulher a dirigir essa Igreja, a partir de 15 de Junho de 2014, com a retirada do arcebispo Anders Wejryd.

Embora recém-nomeada, a futura arcebispa de Upsala já levantou um amplo debate teológico nos ambientes cristãos. Durante as audiências, antes da sua eleição, a clériga, que também é teóloga, deu a entender que estava a pôr em discussão a concepção e o nascimento virginal de Jesus. "Se compreendemos o nascimento virginal como uma questão biológica, não entendemos nada dessa história", explicou.

Ela também já sugeriu que Jesus não é o único caminho que leva a Deus, mas que pode haver outros. Para muitos luteranos suecos, muitas vezes de orientação liberal, Jackelén, compartilhou, assim, tornando-a pública, uma dúvida legítima, ao insistir na necessidade de interpretar os fenómenos sobrenaturais descritos na Bíblia.

Mas, para os cristãos apegados às verdades bíblicas tradicionais, esse discurso não está nada bem. Para eles, Jesus nasceu de uma virgem, e o facto de se questionar isso, poderia levar a duvidar da divindade do filho de Deus. Do mesmo modo, Jesus é verdadeiramente o único caminho que conduz ao Pai.

No mais difundido jornal cristão sueco, que é de origem evangélica, os editorialistas mostraram-se publicamente perturbados pela falta de clareza da futura arcebispa. Dentro da própria Igreja luterana, muitos se distanciaram de Jackelé. Como Eva Hamberg, pastora e teóloga, membro da importante Comissão de Formação (läronämnd) da Igreja. Demitiu-se de todos os seus cargos e abandonou a Igreja luterana.

"Se a nossa futura arcebispa não pode mais aceitar a confissão apostólica, isso significa que a secularização foi longe demais. Eu não quero mais fazer parte dessa evolução", declarou ela ao jornal Dagen. Segundo ela, uma grande parte da direcção da Igreja luterana "não sabe mais se Jesus apresenta uma concepção de Deus mais verdadeira do que a de Maomé".

Do mesmo modo, ela critica Jackelén pela sua interpretação "metafórica" do nascimento virginal de Jesus. Eva Hamberg está a pensar integrar uma Igreja batista ou pentecostal "ainda pouco afectada pela secularização".

Numa carta aberta, publicada no grande jornal Svenska Dagbladet, também o teólogo e pesquisador da Universidade de Lund Martin Lembke pediu que Antje Jackelén respondesse à pergunta: você acredita que Jesus nasceu de uma virgem ou não? Na resposta ao teólogo, Jackelén nega ter recusado o facto de admitir o nascimento virginal: "Eu queria ressaltar que, se reduzirmos a história a uma questão biológica, obscurecem-se as implicações teológicas de Jesus e de Maria". Ela também confirma que "não se deveria obscurecer o mistério da Encarnação e relativizar a sua unicidade". 

Mas, como Martin Lembke afirma numa nova intervenção no jornal Svenska Dagbladet do dia 28 de Outubro, a futura arcebispa não respondeu à sua pergunta. E volta a questionar: "Ou Maria teve relações sexuais antes de dar à luz Jesus, ou não. Não é uma questão subtil de interpretação, ou uma falsa dicotomia – qualquer que sejam os géneros literários de Mateus e Lucas. E o facto de dizer qual das versões seria a mais provável, a menos que se ache ambas igualmente prováveis, não significa reduzir o nascimento virginal ou a fé em Jesus à biologia".

Esse debate também está sobrecarregado num plano simbólico. Martin Lembke, o jovem crítico da bispa teóloga de Lund, também lecciona na mesma cidade universitária, um dos berços históricos do cristianismo na Suécia. Mas, ao contrário do Antje Jackelén, profundamente ligada ao luteranismo alemão (ela nasceu na Alemanha), Lembke provém do evangelismo pentecostal. Depois de passar por uma crise existencial, converteu-se ao catolicismo. É um fenómeno muito frequente entre os jovens intelectuais cristãos na Suécia. E o aceso debate com a futura arcebispa está apenas a começar.

N.D. Por aqui se vê até onde vai a aversão à sexualidade humana e à vivência na intimidade conjugal do sexo genital. Só o cristianismo luterano ou católico romano, é capaz de tanta aberração! Como pode Jesus, filho de Maria, ser um ser humano pleno e integral, em tudo igual a nós, excepto na idolatria, se não tiver sido concebido, como todas, todos nós, pelo Espírito Santo, no momento duma relação sexual fecunda entre uma mulher e um homem?! É assim tão complicado? E não é esta Boa Notícia que nos dizem os dois primeiros capítulos exclusivamente antropológicos-teológicos do Evangelho de Mateus e do Evangelho de Lucas?! Mas, se o cristianismo aceita esta Boa Notícia, implode no mesmo dia. E dele não fica senão um pesadelo arrumado no museu da história! Alegremo-nos, que esse dia, já esteve mais longe!

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Edição 91, sexta-feira, 11 Outubro 2013

Já nos faltam as palavras para classificar este Governo

O OE de 2014 é uma bomba de neutrões

 Já nos faltam as palavras, para classificar este Governo, esta maioria CDS/PP-PPD/PSD que a suporta no Parlamento, e este Presidente Aníbal que continua a dar-lhe a sua confiança institucional. É um Governo compulsivamente mentiroso, politicamente cínico e obsceno. O mais cínico e o mais obsceno deste início do terceiro milénio. Nem o famigerado José Sócrates, agora guindado a comentador político semanal, na RTP – o crime institucional compensa e é, até, premiado! – se atreveu a ir tão longe. Tudo o que é trabalhador por conta de outrem, ou pequeno empresário, em Portugal, é para abater. Tudo o que é reformada, reformado, viúva, viúvo, doente crónico, portador de deficiência, é para roubar, matar e destruir. Seremos um país europeu, finalmente, liberto da famigerada Troika, porque já sem mulheres, homens, todos tidos como excedentários. PauloPortas, PassosCoelho e AníbalCavacoSilva, quais novos Hitler ressuscitado, estão determinados a limpar o país de todos quantos teimamos em não emigrar, em continuar a fazer despesa com a saúde, com a educação e com a cultura. O Orçamento do Estado para 2014, que está a ser elaborado em sigilo, é uma bomba de neutrões, essas bombas selectivas, que só matam as velhas, os velhos, as reformadas, os reformados, as viúvas, os viúvos, as desempregadas, os desempregados, as jovens licenciadas, à excepção das acompanhantes de luxo dos executivos do Poder, os jovens licenciados, as crianças e as, os jovens com incapacidade que insistem em estar vivos.

 Quando até os Bispos portugueses, sempre tão unha e carne com a monarquia, depois, com o regime ditatorial de Salazar e com todos os Governos de direita, fazem soar o alarme e advertem publicamente este Governo tão social-democrata e tão democrata-cristão de PauloPortas-PassosCoelho e este Presidente AníbalCavacoSilva, tão sacristão de todos eles, é porque até eles começam a ver os seus privilégios de casta em risco. Sem reformadas, reformados, sem velhas, velhos, sem doentes acamados, sem desempregadas, desempregados a quem dar a sopa dos pobres, sem incapacitadas, incapacitados e portadores de deficiência e sem crianças, o que vai ser das suas inúmeras IPSS espalhadas pelo país, das suas catequeses de fim-de-semana, e das suas missas ao domingo? Deixarão de ter clientes. E terão de fechar portas e ir pregar para outras zonas do mundo onde ainda houver pobrezinhos que careçam da sua caridadezinha, ao jeito de Madre Teresa de Calcutá, a canonizada pelo maior fabricador de santos, o Papa João Paulo II, ele próprio em vésperas de ser canonizado também, mas agora pelo Papa Francisco!... Uma rebaldaria sagrada e cristã, pois então!

 Este Governo e esta Europa do Euro, o único Deus dos executivos das nações, não sabem o que são entranhas de mãe e de pai. São todos executivos aprendizes de PauloPortas, o cínico político, irrevogavelmente, cínico. Por isso, cruel. Nisso, o nosso país, pode ter orgulho. Temos um vice-primeiro ministro com poderes de primeiro-ministro, que é o mestre de todos os executivos do Poder. O próprio Maquiavel, o do “Príncipe”, à sua beira, é um mero aprendiz. ÃngelaMerckel, a mulher mais poderosa da Europa do Euro, tem no PauloPortas português, a sua referência última. Nem precisam, ela e ele, de assinar papéis, para serem uma só carne, nesta união de facto político-financeira, onde não entra sexo, que o Euro não tem sexo. E onde não entram afectos, que o Euro não tem afectos.

 Nisto estamos. Um país e uma Europa sem Amanhã, porque cada vez mais sem Hoje. Vinte séculos de cristianismo, o de S. Paulo e de S. Constantino, imperador de Roma – como é que ainda o não canonizaram?! –  conduziram-nos a este abismo. Recusamos, insensatamente, Jesus e o seu Projecto político maiêutico. E escolhemos, em seu lugar, Barrabás e o seu mítico Cristo davídico, o Poder invicto, e, agora, vemo-nos esmagados pelo Poder financeiro global e pelos seus mercados. Somos todos classificados como excedentários e temos de ser todos cremados vivos. Jesus bem nos alerta, desde há dois mil anos. “A pedra que os construtores rejeitaram, tornou-se a pedra angular”. Tudo o que edificamos, nestes dois mil anos, está, por isso, à beira de soçobrar. Falta-lhe a pedra angular, que é Jesus, com o seu Projecto político maiêutico. Falta-lhe Deus Abba-Mãe, o único que recusa sacerdotes e todo o tipo de intermediários, religiosos e laicos. Porque é mais íntimo a nós que nós próprios. Para que todos e cada uma, cada um, sejamos protagonistas da história, criadores de uma sociedade, finalmente, organizada ao modo dos vasos comunicantes.

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Apresentação no Porto do Livro Jesus Segundo João

O 4.º Evangelho, traduzido e anotado, como nunca o conhecemos

O novo Livro do Padre Mário tem tudo de clandestino. Para poder chegar às pessoas, tem de haver um cauteloso trabalho boca-a-ouvido. O Mercado não o suporta e tudo fará para o manter escondido, silenciado, retirado dos seus escaparates. O mesmo se diga das cúpulas das igrejas cristãs e das universidades, todas confessionais, já que todas fazem do cristianismo a sua ideologia, disfarçada de religioso/crente ou de laico/ateu. Todas são confessionais, ainda que se digam laicas, pois existem só para formar/formatar as novas gerações segundo os moldes do Mercado e do grande Poder financeiro. São, por isso, universidades confessionais do Senhor Dinheiro, o único Deus que elas conhecem, idolatram e divulgam.

 O Livro JESUS SEGUNDO JOÃO. O 4.º Evangelho, traduzido e anotado, como nunca o conhecemos (Seda Publicações), apresenta-se nos seus 21 capítulos, completamente expurgado de todos os títulos e subtítulos/entretítulos com que todas as traduções confessionais, católicas e protestantes, habitualmente se apresentam. Trata-se, por outro lado, de uma tradução em total sintonia com o texto original grego e com os dados científicos e históricos mais recentes, destes últimos 30-40 anos, sobre Jesus histórico e sobre a origem do cristianismo. Já as anotações que aparecem logo a seguir a cada um dos capítulos e que, no seu conjunto, são bastante mais extensas que o texto de cada capítulo, fornecem-nos dados até agora desconhecidos do grande público e que são fundamentais para podermos descobrir Jesus, tal e qual ele se nos revela, entre meados do ano 28 e Abril do ano 30. E que, até agora, nunca nos foi dado a conhecer, pelo contrário, sempre nos foi escondido e, até, substituído por um tal Cristo que mais não é do que o seu antónimo.

 Neste Livro, o Autor mostra-se consciente de que os chamados Evangelhos canónicos foram todos escritos na clandestinidade. Como tal, recorrem a uma linguagem cifrada. Só se chegará ao núcleo do seu testemunho sobre Jesus, o Maldito, segundo a Lei ou Bíblia de Moisés, se conhecermos a chamada chave de interpretação. De contrário, podemos ter acesso ao texto, mas não ao núcleo da sua mensagem. E acabaremos por tomar por Evangelho, o que diz a letra do texto, sem nunca captarmos Jesus, o seu Projecto político e o seu Sopro/Espírito maiêutico, com tudo de feminino, por isso, de fragilidade e de cuidado, de ternura e de acolhimento dos excluídos e dos diferentes, em especial, das vítimas da história.

 Felizmente, Jesus Segundo João só acontece, porque, pela primeira vez, houve acesso à chave de interpretação do Texto clandestino, elaborado por pequenas comunidades prosseguidoras de Jesus, também elas clandestinas, perseguidas, inclusive, pelos dirigentes do próprio cristianismo nascente, na altura, em fase de grande expansão pelas principais cidades do império romano, graças à adesão de Saulo/Paulo de Tarso a essa via judeo-cristã do judaísmo e às viagens ditas apostólicas, a que ele meteu ombros, contra Jesus e o seu Projecto político maiêutico. Paulo anuncia exclusivamente o Evangelho de Cristo, de resto, o único que ele conhece e diz ter recebido, não de nenhum homem, portanto, também não de Jesus, mas directamente de Deus, o dos seus antepassados. Precisamente, o Deus em nome do qual Jesus é assassinado na cruz do império. Por sentença dos sacerdotes do Templo de Jerusalém, da altura.

 Podem discordar deste Livro, mas, primeiro, têm de o conhecer. Lembrem-se de que vivemos hoje de novo no fascismo com a sua feroz ditadura do pensamento único, só que agora, é o fascismo do Mercado global. À Verdade, e à Liberdade que dela decorre, só as podemos conhecer/praticar na clandestinidade. No Mercado, dificilmente, encontrarão este Livro. Temos, por isso, de recorrer aos métodos próprios da clandestinidade, concretamente, ao cauteloso método do boca-a-ouvido, para fazermos chegar este Livro ao maior número de pessoas. Acolhamo-lo e tornemo-nos militantes da sua difusão, pessoa a pessoa. Sempre na intimidade, não vá o Poder meter-se de permeio com as suas mentiras e as suas calúnias. Contra ele. E contra o seu Autor. Fica o alerta e o desafio!

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Ainda a sessão de apresentação do Livro no Porto

A comunicação de Jorge Castelo Branco

 Dada a sua importância, aqui se partilha, na íntegra, o Texto escrito e dito na Sessão de apresentação do Livro, JESUS SEGUNDO JOÃO, pelo próprio Editor, desta vez, também na pele de Apresentador. A sugestão/pedido do próprio, tão empolgado se viu, depois de ter conhecido, em primeira-mão, o conteúdo doLivro, concretamente, a Dedicatória, o Prefácio, a tradução, as anotações a cada capítulo e a extensa bibliografia consultada pelo Autor. Eis.

 Permitam-me começar a minha intervenção, lendo o texto que figura em contracapa: “Entre todos os livros alguma vez escritos, este é, porventura, aquele que melhor nos diz/revela como seres humanos, reiteradamente tentados pelo Poder, e que, simultaneamente, melhor diz/revela Deus que nunca ninguém viu. Sem nada em comum com o Ídolo que reiteradamente se faz passar por Deus verdadeiro e que é o único que justifica/dá cobertura ao Poder e transforma todos os seus crimes em virtudes ou actos heróicos.”

 Dito isto, desta forma, confirma-se a responsabilidade de estar hoje aqui a apresentar-vos este “Jesus segundo Joao – o 4.º evangelho traduzido e anotado, como nunca o conhecemos”, mas sobre isto, mais concretamente, falarei mais adiante. Este é o meu sétimo encontro maiêutico com o Padre Mário de Oliveira: depois de “O livro da sabedoria”, 2010, 3 estórias 2011, O Gato Salomão & Enfim epicopus também de 2011, ainda de 2011, o segundo volume de O livro dos Salmos versão século XXI, do 51.º ao centésimo salmo, em 2012 O Evangelho de Jesus segundo Maria, mãe de João Marcos e Maria Madalena e de, também 2012, “O Livro dos Salmos - versão século XXI” na edição completa dos 150 salmos.

 Este é de facto o sétimo encontro materializado em comunhão, entre muitas, dezenas ou centenas, uns mais casuais outros nem tanto, como foi o de passado mês de julho, memorável partilha entre nós e Joaquim murale, escritor, ensaísta, companheiro de trincheira imprescindível, segundo o padre Mário, o próximo apresentador desta mesma obra em Lisboa, prenhe da sua humanidade e tão desalinhado e inteiro quanto longe dos templos e altares. E eu, pobre editor, abalroado pela vigorosa torrente de ideias em partilha, apenas dono da casa que os uniu, fui tomando parte das linhas de desenvolvimento deste JESUS SEGUNDO JOAO, que dias antes me havia sido entregue para publicação por este presbítero da Igreja do Porto desde 5 de Agosto de 1962.

 Umas breves notas biográficas contextualizantes: 11 anos depois de ordenado presbítero, em 1973 portanto, é mais uma vez preso em Caxias pela polícia política; desta vez, o Bispo da diocese, D. António Ferreira Gomes, retira-lhe o ofício canónico de pároco da Lixa – para o qual tinha sido nomeado em 1969 pelo mesmo D. António Ferreira Gomes. O Bispo sacrifica-o, tal cordeiro (sim como o tal cordeiro de Deus, o tal da expressão justamente do 4.º evangelho, de João baptista “Eis o cordeiro de deus que tira o pecado do mundo”). Sacrifica-o em pleno uso do arbítrio do poder: um pároco simultaneamente preso político, era profundamente inquietante para a manutenção duma Concordata entre o estado português e o estado do Vaticano. Sacrifique-se o pároco, este pároco, gritou-se nos salões do templo da Sé do Porto.

 Mário de Oliveira reage como sempre, como um menino. Esta é uma expressão muito curiosa e também muito comum no padre Mário, muito ilustrativa do seu ser-viver. Não tresleiam este “reagir como um menino”, como um agir despreocupado, desresponsabilizado, inconsequente, bem pelo contrário. Para o Padre Mário, como menino na sua acção, está reservado tudo o que é importante na vida, tudo o que é puro, natural, inteiro. Assim, Mário fez-se jornalista. Primeiro, no vespertino “Republica”, finalmente, como editor e director do jornal Fraternizar. E continua presbítero, presbítero da igreja do Porto, presbítero de graça (dai de graça o que de graça recebestes, diz Jesus), sempre em deserto, sem nada de seu, vivendo na casinha arrendada de Macieira da Lixa, freguesia de Felgueiras, onde foi pároco, experimentado por ele, como um lugar teológico de Deus outro, o de Jesus. Continua presbítero, não sacerdote, função estranha a Jesus e típica do paganismo religioso, dos templos e dos altares. Faz da Causa do Evangelho de Jesus, que anuncia, oportuna e inoportunamente, a sua permanente Eucaristia. Tem 2 sites pessoais na internet, está no facebook com mural e página, está no twitter e tem, publicados, mais de 1550 vídeos no youtube. Este Jesus segundo João, o 4.º evangelho traduzido e anotado como nunca o conhecemos, é o seu 41.º livro editado.

 Falemos sobre este Livro. O Livro vem dedicado a seus pais: Ti Maria do Grilo e Ti David, viventes e invisíveis, ao que se segue um belíssimo e elucidativo tríptico

que bem cedo me despertaram / para a mesma Fé de Jesus, traduzida / na entrega gratuita de mim aos demais

 Historicamente o 4.º evangelho, conhecido como o Evangelho de João, é o quarto e último evangelho da Bíblia, após o Evangelho de Lucas e os Actos dos Apóstolos, atribuído a João, irmão de Tiago, e que dizem, foi escrito entre os anos 95 e 100. Cronologicamente, foi o último a ser escrito. A maior parte dos seus relatos, é inédita em relação aos outros três evangelhos, o que sugere que o autor tivesse conhecimento do conteúdo deles ao escrever o seu livro. Mais da metade desse evangelho é dedicado a eventos da vida de Jesus e dá ênfase à total dependência humana em relação a Deus para a salvação.

 Isto, historicamente, ou seja, na perspectiva da esmagadora maioria dos grandes biblistas académicos que passam a vida a citar-se uns aos outros – pois quem conhece o pensar de um, conhece o pensar de todos, observa o padre Mário. Em boa verdade, o chamado Evangelho de João deverá ter sido concluído na segunda metade da década de 40, antes ainda do Concílio de Jerusalém, no ano de 49. Isto projecta a sua actualidade para bem próximo dos anos 28 e 30, e dos acontecimentos protagonizados por Jesus, um camponês artesão de Nazaré, o filho de Maria, na Galileia.

 Esta ênfase é nota dominante na interpretação histórica do 4.ºEvangelho. Não se trata de uma interpretação de tradução do aramaico ou do grego, como sugere o sub-título da obra. Trata-se sobretudo duma questão de interpretação, face aos novos desenvolvimentos históricos que têm por base toda a mensagem que o Padre Mário de Oliveira nos tem vindo a transmitir: nunca houve identidade entre Jesus e Cristo. Não são sinónimos. São antónimos, sublinhando o desvio, a traição histórica a Jesus, que é o cristianismo.

 Da primeira vez que o padre Mário me enviou por correspondência electrónica o trabalho hoje apresentado fez questão de referir e cito-o, “Entrego-lhe, nas mãos, o meu Livro de eleição. O LIVRO de toda uma vida. Já o trago comigo, em gérmen, desde menino. Porventura, desde o ventre de minha mãe. Todos os livros que escrevi e editei, é sempre para este que apontam. E todos têm de ser lidos à luz deste. Peço-lhe que, durante um ou dois dias, se retire para um local de silêncio e ESCUTE este Livro, da Dedicatória, no início, à Bibliografia, no final. E, depois, faça deste Livro, o LIVRO 1 DA EDITORA. Por favor, não deixe nada ao acaso. Nem nada para o fim. Tire todo o partido possível à edição deste Livro. Surpreenda-me.”

 Não sei se estarei à altura do o fazer, estimado amigo. A ressonância das minhas publicações ecoam leves aos ouvidos do mundo. Lamentavelmente assim é, mas fica a mensagem para os muitos poucos que a querem ouvir. Estes poucos que partilham a sua perplexidade em ver o nome do ser humano Jesus, filho de Maria, confundido com o mítico Jesuscristo ou Cristo. Bem sabemos que é isso o que tem feito e continua a fazer o cristianismo, precisamente, para que a humanidade nunca chegue a conhecer/ praticar/ prosseguir Jesus, o camponês/artesão de Nazaré, o filho de Maria, crucificado pelo templo e pelo império. Esta é a outra face da realidade histórica que muitos de nós desconhecemos, todos nós e muitos dos intelectuais formados neste ambiente de cristandade que tem sido o nosso, desde o imperador Constantino.

 Mas voltemos a este Jesus segundo João. Estruturalmente, apresenta-se em 21 capítulos, tantos quantos o original, sendo cada capítulo dividido em versículos. Apresenta-se, primeiro, em caracter regular, a tradução do Padre Mário que se distancia por exemplo da tradução clássica, a título de exemplo, a tradução dos Capuchinhos. Vejamos: CAP I, versículo 1:

1 No começo a Palavra já existia: a

Palavra estava voltada para Deus, e a

Palavra era Deus.

 Que, na tradução de Padre Mário, fica: 1 Ao princípio, é o Projecto político maiêutico, e o Projecto político maiêutico é com Deus Abba-Mãe, e o Projecto político maiêutico é Deus.

 Adiante, nas anotações que se seguem, findo o primeiro capítulo, temos a explicação, no caso, e cito: 1 a) Projecto político maiêutico, correspondente ao original grego logos, em vez da habitual tradução, Verbo/Palavra. Porquê? Porque, hoje, o substantivo Verbo/Palavra é um mero conceito vazio. Mais ideologia que realidade. Por isso, associado ao Poder dominador e discriminador, mais do que a Deus Abba-Mãe. Projecto político maiêutico, indica, de imediato, não só um Projecto (o Poder também tem o seu), mas também o tipo de Projecto que urge realizar na história. Político maiêutico, porquê? Porque tem tudo a ver com o planeta terra, pequeníssima parcela do universo ainda em expansão. Não com o Poder. Portanto, tem tudo a ver connosco, povos do planeta terra, acontecidos no decurso da evolução, por pura graça!

 E todo este Jesus segundo João se segue neste desenvolvimento até ao capítulo 21, todos os seus versículos; a tradução objectiva seguida da devida explicação, finda a qual, ficamos com uma absoluta e surpreendente nova perspectiva. Citando o autor na sua nota introdutória à obra: “Havia que denunciar este duplo crime antropológico-teológico, o do judaísmo/império romano, e o do cristianismo nascente. Sem dúvida que a melhor maneira de o fazer, seria conceber e dar corpo a uma Narrativa antropológica-teológica, como esta, na qual Jesus nos é apresentado, como o ser humano pleno e integral, o paradigma de todos os seres humanos, que a humanidade, antes dele ter acontecido, nunca havia conhecido. Ao mesmo tempo, é-nos dado também a conhecer, neste mesmo ser humano pleno e integral, Deus Abba-Mãe que nunca ninguém viu. E a verdade é que nem antes, nem depois desta Narrativa, o ser humano, mulher e homem ao mesmo tempo, nos é tão profundamente revelado. E também, nem antes nem depois desta Narrativa, Deus Abba-Mãe que nunca ninguém viu, se nos dá a conhecer como nela se nos dá a conhecer.” E, mais adiante: “À luz desta Narrativa, tomamos consciência de que, como seres humanos, vimos de Deus Abba-Mãe, e que Deus Abba-Mãe e nós, seres humanos, somos um só. Total fusão, nenhuma confusão”.

 “Deixemo-nos surpreender por esta Narrativa. Concretamente, com a sua tradução despojada de floreados e de «milagres». E com as Anotações a cada capítulo, que aparecem em itálico, no final de cada um deles. Quando concluirmos/praticarmos a sua leitura-escuta, podemos dizer com Jesus, que tudo está consumado/desvendado! Cairão progressivamente os sistemas de Poder. E, em seu lugar, levantam-se os seres humanos, mulheres e homens, outros Jesus. Com Deus Abba-Mãe que nunca ninguém viu, a habitar-nos, um só connosco, em toda a terra. Toda ela sem templos, sem sacerdotes, sem intermediários.”

 Nesta perspectiva é perfeitamente legítima a importância que o padre Mário confere a este livro. Insisto em citá-lo, para V/ testemunho, para V/ comunhão: “Entrego-lhe, nas mãos, o meu Livro de eleição. O LIVRO de toda uma vida.

Já o trago comigo, em gérmen, desde menino. Porventura, desde o ventre de minha mãe.” Façamos luz sobre esta invisibilidade, escutemos esta realidade que nos alimenta. Ressoem as palavras da verdade, a interpretação deste Jesus/homem/cada um de nós, criminosamente transformado no mítico Cristo-Poder invicto. Denunciemos este duplo crime antropológico-teológico, o do judaísmo/império romano, e o do cristianismo nascente. “Jesus é o ser humano e o ser humano é Jesus.”

 Desvendemos, pois, neste livro Deus Abba-Mãe que nunca ninguém viu, a habitar-nos, um só connosco, em toda a terra, toda ela sem templos, sem sacerdotes, sem intermediários. Revejamo-nos nestas palavras. Entreguemo-nos na fé de Jesus, nesta prática maiêutica, neste parto, nesta Luz, que o Padre Mário nos aponta e tenhamos a coragem de derrubar a verdade institucional.

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Da entrevista do Papa Francisco ao jornal La Republica

“Não é possível ser-se um cristão consciente sem São Paulo”

O Papa Francisco deu uma entrevista ao Director do La República, ateu assumido. Nem o Papa quis converter o ateu, nem o Director ateu quis fazer do Papa, um ateu. Tudo hipocrisia, de parte a parte. Estilo, Eu sou o Papa, ponto final; e tu és o Director de La República, ponto final. Mais um show mediático, em que está cada vez mais convertido o Papa Francisco. Entretanto, o Poder financeiro continua, aí, impune e devorador, na sua trajectória. Os sucessivos apelos do Papa são tigres de papel. E um estímulo mais, ao Poder financeiro. Porque, enquanto ficamos deslumbrados com as afirmações deste Papa, nem vemos os crimes em crescendo do Poder financeiro. A comprová-lo, fica aqui o registo de um pequeno extracto da referida entrevista, cheia de hipócrita cortesia, de um e de outro lado. E a rasgada afirmação do Papa de que o cristianismo tem tudo de S. Paulo. Portanto, não tem nada de Jesus, que, de resto, o próprio S. Paulo nunca conheceu, como nunca conheceu o seu Evangelho. Por isso, 20 séculos de cristianismo = a 20 séculos sem Jesus e sem o seu Evangelho! Sem querer, o Papa Francisco disse tudo: – O cristianismo não tem nada de Jesus! Eis.

 Director - Santidade, permite-me dizer também algo sobre a minha formação cultural? Fui educado por uma mãe muito católica. Aos 12 anos venci até um concurso de catequese entre todas as paróquias de Roma e tive um prémio do Vicariato. Comungava todas as primeiras sextas-feiras de cada mês, frequentava a liturgia e acreditava. Mas tudo mudou quando entrei no liceu. Li, entre os textos de filosofia que estudávamos, o “Discurso sobre o Método” de Descartes, e fiquei marcado pela frase, tornada um ícone, “Penso, logo existo”. O eu torna-se assim a base da existência humana, a sede autónoma do pensamento.

Papa - “Descartes todavia nunca renegou a fé no Deus transcendente.”

Director - É verdade, mas pôs o fundamento de uma visão totalmente diversa e a mim aconteceu-me ter-me encaminhado por aquele caminho que depois, corroborado por outras leituras, me conduziu a um ponto totalmente diferente.

Papa - “Mas o senhor, pelo que percebi, é um não crente, mas não um anticlerical. São duas coisas muito diferentes.” [!!!]

Director - Posso perguntar-lhe, Santidade, quais são os santos que sente mais próximos da sua alma e sobre os quais se formou a sua experiência religiosa?

Papa - “São Paulo foi aquele que colocou as bases da nossa religião e do nosso credo. Não é possível ser-se um cristão consciente sem São Paulo. Traduziu a pregação de Cristo numa estrutura doutrinal que, ainda que com as actualizações de uma imensa quantidade de pensadores, teólogos, de pastores de almas, resistiu e resiste ao fim de dois mil anos. E a seguir, Agostinho, Bento e Tomás e Inácio. E naturalmente Francisco. Devo explicar-lhe o porquê?” 

Director - Os cristãos são neste momento uma minoria. Até em Itália, que é definida como o jardim do Papa, os católicos praticantes serão, segundo algumas sondagens, entre os 8% e os 15%. Os católicos que dizem sê-lo, mas que de facto o são pouco, representam 20%. No mundo existem cerca de mil milhões de católicos e, se juntarmos as outras Igrejas cristãs, superam o os mil milhões e meio, mas o planeta é povoado por 6 a 7 mil milhões de pessoas. Vocês serão muitos, especialmente em África e na América Latina mas, ainda assim, uma minoria.

Papa - “Nós sempre fomos uma minoria mas o tema de hoje não é esse. Pessoalmente, penso que ser uma minoria seja até uma força. Devemos ser uma semente de vida e de amor e a semente é uma quantidade infinitamente mais pequena do que a massa de frutos, de flores e de árvores que dela nascem. Penso já ter dito que o nosso objectivo não é o proselitismo mas a escuta das necessidades, dos desejos, das desilusões, dos desesperos, da esperança. Devemos devolver a esperança aos jovens, ajudar os velhos, abrir para o futuro, difundir o amor. Pobres entre os pobres. Devemos incluir os excluídos e anunciar a paz. O Vaticano II, inspirado pelo Papa João e por Paulo VI, decidiu olhar o futuro com um espírito moderno e abrir-se à cultura moderna. Os padres conciliares sabiam que abrir-se à cultura moderna significava um ecumenismo religioso e o diálogo com os não-crentes. Depois disso foi feito muito pouco nessa direcção. Eu tenho a humildade e a ambição de o querer fazer.”

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“Despedida em três palavras” de um investigador universitário

A Páscoa de José Dias da Silva

O investigador universitário, Dr. José Dias da Silva, responsável durante vários anos pela rubrica “Sinais”, na Revista Além-Mar, teve a sua derradeira Páscoa em 15 de Julho. A Edição de Setembro da Revista dá a notícia e publica, nessa “sua” rubrica, um Texto que ele, já com a morte anunciada – o tipo de cancro que, inopinadamente, se manifestou no seu corpo, como um ladrão que aponta a arma à cabeça de quem decidiu assaltar, não perdoa e leva a melhor à Medicina, apesar dela – havia escrito e feito publicar no Correio de Coimbra.

O facto é aqui Notícia, porque esse seu Texto derradeiro e, nessa edição de Setembro 2013, também póstumo, revela bem quanto as mentes da generalidade das pessoas, investigadores que sejam, andam formadas/formatadas pela ideologia do cristianismo, quando deveriam andar embebidas do Sopro maiêutico de Jesus, de modo que as nossas vidas na história sejam outras tantas epifanias nas quais se dá a conhecer a essência do Ser humano e, simultaneamente, Deus que nunca ninguém viu.

As três palavras com que esta “Despedida” se tece não podem ser mais eloquentes deste generalizado estado das nossas mentes. Elas seguem, até, o ritmo habitual das leituras bíblicas das missas de cada domingo. A primeira, é extraída do Livro de Job (2, 21); a segunda, da Segunda Carta a Timóteo (4, 7), que o Autor do Texto diz explicitamente ser de S. Paulo; e a terceira, é extraída do Evangelho de Mateus (26, 39). Vê-se, assim, que nem na situação de máxima fragilidade, José, investigador universitário, saltou fora das categorias do cristianismo, todo baseado no “evangelho”, não de Jesus, mas de S. Paulo, que ele próprio confessa que o não recebeu de homem algum, mas directamente de Deus (de que Deus? Só pode ter sido o Deus dos seus antepassados, não o Deus Abba-Mãe que se nos deu a conhecer no “Homem” Jesus, o carpinteiro-artesão de Nazaré, o filho de Maria).

No seu Texto, que, na Edição da Revista, acaba por ser “póstumo”, José confessa, “Não pedi a Deus que me curasse, mas que me desse forças para aceitar sem revolta a sua vontade.” Escrito assim, parece uma saudável postura. E é, mas dentro da doutrina do cristianismo. Ao contrário, no âmbito de Jesus e do seu Sopro/Espírito maiêutico, nunca havemos de ver na doença, concretamente, num cancro incurável, a “vontade de Deus”. Se Deus, o de Jesus, não dá uma pedra em lugar de pão às suas filhas, seus filhos, como pode querer que alguém de nós chegue a padecer de um cancro, ou de uma qualquer outra doença, de um qualquer sofrimento?

É para este tipo “perversão cristã” que esta Notícia Jornal Fraternizar quer chamar a atenção de todas, todos nós. Porque a postura de Jesus, o de antes do cristianismo, perante o mal, e que é manifestação da postura de Deus Abba-Mãe que nunca ninguém viu, é apenas uma: a luta martirial contra o mal, nomeadamente, contra as múltiplas causas do mal. Porque o Mal nunca é “vontade de Deus”, é, ele próprio, o anti-Deus, cujas causas têm de ser buscadas dentro da história, nunca fora dela. Ora, da história, somos nós, seres humanos, os responsáveis, não Deus que nos habita, mais íntimo a nós que nós próprios, precisamente, para nos levantar contra o Mal e suas causas históricas. Certamente que José, investigador universitário, já depois de ter escrito o referido Texto, ainda terá visto que a realidade é assim e não como ele a escreveu e fez publicar no Correio de Coimbra. Só que já não terá tido forças nem oportunidade de nos dar esta Boa Notícia, ou Evangelho de Jesus, não de S. Paulo. Graças ao seu Sopro, fundido, sem confusão, com o de Jesus, esta Boa Notícia aqui fica. Em seu nome e por sua inspiração.

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A morte saiu à rua num dia assim

Só este ano, foram já assinadas 26 mulheres

Oficialmente, os assassinos destas mulheres são os ex-maridos. Mas a depressão nacional em que sobrevive mergulhado o país e a Europa é bem capaz de ser ainda mais assassina. Só homens desmoralizados e deprimidos, sem horizontes, apenas um gigantesco muro intransponível à sua frente, é que os leva a matar a mulher com quem, um dia, casaram pelo civil, pela igreja, ou pela simples união de facto. Porém, o Código Penal e a Opinião Pública condenam mais depressa os homens deprimidos e desmoralizados que matam as mulheres que os deixaram, por razões que a razão muitas vezes desconhece, do que o Governo do Estado e da União Europeia que estão ao serviço do grande Poder financeiro, a Mentira e o Assassínio que nunca se reconhece como tal, nem é acusado como tal pelas populações, suas vítimas. Os vitimados podem, num instante, transformar-se em vitimadores e, depois, no instante seguinte, suicidas. E cada vez em maior número, como se fosse mais um “acidente”, como os assassinados nas estradas, que sempre são classificados como “acidentes”.

Não há Psicólogos que nos valham, quando o Poder financeiro encontra Governos das nações, incondicionalmente, ao seu serviço. Quando muito, resta-lhes o papel – triste papel – de chorarem sobre o leite derramado, junto das vítimas. É alguma coisa, é verdade, mas muito pouco. Porque não vão às causas do Mal e, por isso, a morte continua a sair à rua, num dia assim, que são, cada vez mais os dias sem horizontes que hoje estamos a viver em Portugal e noutros países da União Europeia.

Existem, no nosso país, serviços chamados de “Apoio à Vítima”. Não existem serviços que impeçam a criação de vítimas. Cada vez mais, criação de vítimas em série. Ora, estes, ainda mais do que aqueles, é que estão a fazer falta. Mas quem está deveras interessado em ajudar a criar serviços que impeçam a criação de vítimas? As universidades? As igrejas? As IPPSS? Os partidos políticos? O Estado? O Governo do Estado?

As 26 mulheres assinadas este ano, até esta data, desafiam-nos a todas, todos, a concebermos um serviço assim. Que tem de passar, inevitavelmente, pela Política praticada, não pelo tipo de especialistas formados pelo grande Poder financeiro. Estes, o mais que conseguem realizar, é distribuir aos familiares das vítimas as doses de ópio que o Poder financeiro, fabricador de vítimas em série, lhes fornece para esse fim. De modo que ele possa prosseguir cada vez mais aí impune, a matar, roubar e destruir. Já que é o ódio cientificamente organizado. E, até, sufragado em sucessivas eleições!!! Porque não queremos ver?

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Movimento Internacional Nós Somos Igreja

Nem todo o Povo de Deus concorda com a canonização de João Paulo II

 Para escândalo de muitas, muitos, o Papa Francisco – Cúria romana obriga! – acaba de anunciar, no último Consistório, a canonização do Papa João Paulo II, em Abril 2014. Para tentar atenuar o escândalo, canonizará na mesma ocasião o Papa João XXIII. Dois papas antónimos. De modo que canonizar um é descanonizar o outro. E qual dos dois é o descanonizado? Obviamente, João XXIII, o do Concílio Vaticano II, que o Papa João Paulo II tudo fez para meter no Museu do Vaticano, de modo que nunca venha a ser conhecido/praticado pela Igreja Povo de Deus. Eis a perversão eclesial no seu pior. E ver o Papa Francisco, a protagonizar actos deste calibre, ainda maior é o escândalo. Porque canonizar o Papa João Paulo II é igual a canonizar o Crime e o Criminoso. Que se levantem e gritem as muitas vítimas, teólogas e teólogos incluídos, do seu prolongado pontificado! De contrário, gritarão as pedras da calçada! Eis, a seguir, o Texto integral de “Nós somos Igreja” internacional.

 O Papa Francisco anunciou no [último] Consistório o dia da canonização do Papa João Paulo II, 27 de Abril de 2014 - juntamente com o Papa João XXIII. A decisão relativa ao Papa João Paulo II não é consensual na Igreja Católica. O Movimento Internacional Nós Somos Igreja já exprimiu a sua opinião num comunicado à imprensa no dia 16 de Janeiro de 2011.

O Papa João Paulo II foi um papa muito controverso. A sua fatalidade reside na discrepância entre o seu compromisso em reformar e em dialogar com o mundo e o seu regresso ao autoritarismo dentro da Igreja. Foi o seu pendor para o autoritarismo espiritual que contribuiu para a maior tragédia do seu papado: o abuso sexual de milhares de crianças em todo o mundo. Ao manter a hierarquia da igreja numa posição superior à das necessidades do povo, João Paulo II perpetuou um ambiente tóxico no qual era permitido aos presbíteros, muitas vezes repetidamente, abusar sexualmente de crianças, desde que o comportamento criminoso fosse mantido em segredo, preservando a imagem pública de uma liderança impoluta.

Talvez um dos melhores reflexos deste comportamento se revele na sólida ligação de João Paulo II à Legião de Cristo e ao seu fundador, Marcial Maciel. Maciel é acusado de décadas de abusos graves contra mulheres e jovens, muitos dos quais foram parcialmente branqueados, graças à legislação que João Paulo II aprovou, em 1983, para a congregação religiosa de Maciel, a qual exigia secretismo e proibição de criticar o seu fundador.

Foi igualmente esta necessidade de João Paulo II em manter o controlo hierárquico que conduziu ao decréscimo da Teologia, com um impacto muito negativo na vida das pessoas. A sua tentativa de desacreditar a Teologia da Libertação deixou milhares de pessoas empenhadas na libertação sem o pleno apoio teológico e eclesial que mereciam, enquanto padeciam sob regimes políticos brutais.

O autoritarismo espiritual de João Paulo II revelou-se, igualmente, na sua tentativa de suprimir as conversas sobre a igualdade de género, a qual, por sua vez, privou o mundo católico dos dons naturais que as mulheres trariam à liderança da Igreja. A sua posição contra as pessoas lésbicas, homossexuais, bissexuais e transexuais (LGBT) torna-o cúmplice de igrejas e governos locais, que continuam a negar igualdade civil e moral às pessoas LGBT. Além do mais, a sua denúncia repetida da utilização do preservativo dificultou as escolhas morais de milhões de pessoas de todo o mundo que tentavam impedir o alastramento do VIH/SIDA e promover a saúde sexual.

O Movimento Internacional Nós Somos Igreja está convicto de que a beatificação e inevitável canonização não deveriam ser avaliadas pelo facto de um "milagre" poder ser atribuído a determinada pessoa, mas antes pelo facto de a vida de alguém encarnar verdadeiramente os valores de Cristo [valores de Jesus, deveria dizer, NE, já que Cristo é o Poder], que buscou não o poder, mas o bem-estar do povo de Deus.

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O Papa obriga arcebispo de Camarões a renunciar

 Em finais de Julho, o Papa Francisco “aceitou a renúncia” que o chefe da Igreja de Camarões foi obrigado a apresentar, como estabelece o Código de Direito Canónico, quando existem “razões graves”. A Santa Sé não explicou oficialmente as razões da renúncia forçada do alto prelado africano.

Dias antes, o Papa havia feito “renunciar” os principais arcebispos da Eslovénia, de Liubliana e Maribor, após um longo escândalo pelas manobras na diocese de Maribor, que terminou em bancarrota devido a um “crack” financeiro estimado em quase um bilião de dólares.

No caso camaronês, o semanário Jeune Afrique, editado em Paris, assinalou que a arquidiocese da capital, Yaoundé, possui “o maior património imobiliário do país, depois do Estado, mas também tem grandes problemas de endividamento. A Igreja de Camarões possui terras e imóveis fora da capital. 53% de seus 20 milhões de habitantes são cristãos e 38% são católicos. No país da África Equatorial, que obteve certo progresso económico e social, existem mais de 200 etnias. Os conflitos étnicos colocaram em apuros o arcebispo Tonyé Bakot, que, segundo muitos fiéis e uma parte do clero, havia exasperado os enfrentamentos com suas posições taxativas nas questões étnicas.

Mas o arcebispo tornou-se incómodo para a Igreja católica, também por ser abertamente homofóbico. “O sexo gay é a causa do desemprego dos jovens, já que os jovens que se negam a ter relações homossexuais com funcionários do governo não conseguem trabalho”, garantia o então arcebispo Victor Bakot. E acrescenta: “Os homossexuais são um perigo para a unidade da família e uma afronta à família; são o inimigo das mulheres e da criação”. Religión Digital/JF

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Fiéis católicos alemães rebelam-se contra o seu bispo

De há um ano para cá, Franz-Peter Tebartz-van Elst, bispo de Limburg (Alemanha), tem andado nas bocas do mundo. Pelas piores razões Primeiro viajou de avião para a Índia em primeira classe. Perguntado como justificava isso, negou que tivesse viajado em primeira classe. Houve grande confusão e, no fim, ele teve que confessar que realmente viajou em primeira classe. Isto em Agosto de 2012. Depois foi acusado de fazer vida de luxo e de ser mentiroso. Juntou-se-lhe ainda um escândalo sobre uns imóveis que ele teria vendido ao seu próprio bispado. OS fiéis acusam também o bispo de estilo autoritário e de esbanjar o dinheiro. Nesta altura, está a construir um palácio para ele, sem que ninguém saiba por quanto vai ficar. O próprio declarou, há algum tempo, que custaria 200.000 Euros, mas, entretanto, teve de confessar que custará mais de 10 milhões Parece que o bispo perdeu a relação com a realidade.

Praticamente, cada semana, há uma outra queixa e até os padres mais velhos estão saturados. “Amo a igreja católica, há nela muitas pessoas maravilhosas, mas estou abismado, decepcionado e nauseado com o que nos é dado viver neste momento. A culpa não é de uma pessoa só, é das estruturas corrompidas da Igreja católica; têm que ser finalmente mudadas”, confessa um deles. Em Roma, procura-se desesperadamente um lugar alternativo para ele, mas ainda não encontraram. O povo não aguenta mais o seu bispo.

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Mensagem do 33º Congresso de Teologia

Existem recursos suficientes para alimentar o dobro da população mundial

Mas morrem diariamente de fome entre 40.000 e 50.000 pessoas devido às guerras e à fome

 Decorreu de 5 a 8 de Setembro 2013, em Madrid, o 33º Congresso de Teologia, promovido pela Associação de Teólogos/as Juan XXIII. Tema em debate: "A Teologia da Libertação hoje”. Participaram cerca de mil pessoas de diferentes países e continentes, num clima de reflexão, convivência fraterno-sororal e de diálogo inter-religioso, intercultural e interétnico. Vale a pena ler o texto integral da Mensagem final, em 12 pontos:

1. Vivemos num mundo gravemente doente, injusto e cruel, no qual a riqueza se concentra cada vez mais em menos mãos e crescem as desigualdades e a pobreza. Entre 40.000 e 50.000 pessoas morrem diariamente devido as guerras e à fome, quando existem recursos suficientes para alimentar o dobro da população mundial. Portanto, o problema não é a escassez, mas a competitividade, a acumulação desmesurada e a injusta distribuição, geradas pelo modelo neoliberal. Os governantes deixam que os poderes financeiros governem e a democracia não chegou à economia. A crise europeia actual tem como efeito o desmantelamento da democracia.

2. A crise económica converteu-se numa crise dos direitos humanos. Os, eufemisticamente chamados, "cortes” em educação e saúde são, na realidade, violações sistemáticas dos direitos individuais, sociais e políticos, que havíamos conseguido com tanto esforço, ao longo dos séculos precedentes.

3. Porém, esta situação não é fatal, nem natural, nem obedece à vontade divina. Podem romper-se as inércias, e mudar o nosso modo de viver, de produzir, de consumir, de governar, de legislar e de fazer justiça, e buscar modelos alternativos de desenvolvimento na direcção proposta e praticada por muitas organizações, hoje, no mundo.

4. Nestes dias, escutamos os testemunhos e as vozes plurais das diferentes teologias da libertação, cultivadas em todos os continentes e que tentam colaborar na resposta aos mais graves problemas da humanidade acima descritos: na América Latina, em sintonia com o novo cenário político e religioso e com as experiências do socialismo do século XXI; na Ásia; em diálogo com as cosmovisões orientais, descobrimos nelas a sua dimensão libertadora, e também na África, em comunicação com as religiões e culturas originárias, em busca das fontes da vida na natureza.

5. Comprovamos que a Teologia da Libertação continua viva e activa frente às tentativas do pensamento conservador e da teologia tradicional de a condenar e dá-la como morta. A TdL é histórica e contextual e reformula-se nos novos processos de libertação, através dos sujeitos emergentes da transformação: mulheres discriminadas que tomam consciência de seu potencial revolucionário; culturas outrora destruídas, que reivindicam sua identidade; comunidades camponesas que se mobilizam contra os Tratados de Livre Comércio; jovens indignados, aos que se nega o presente e a quem se fecha as portas do futuro; natureza depredada, que grita, sofre, se rebela e exige respeito; migrantes maltratados, que lutam por melhores condições de vida; religiões indígenas e afrodescendentes, que renascem após séculos de silenciamento.

6. A TdL é teologia da vida, que defende com especial intensidade a vida mais ameaçada, a dos empobrecidos, que morrem antes do tempo. Torna realidade as palavras de Jesus de Nazaré: "Eu vim para que todos tenham vida e vida em abundância”. Chama a descobrir Deus nos excluídos e crucificados da terra: essa é a missão fundamental das Igrejas cristãs, da qual têm estado muito distanciadas.

7. Os reformadores religiosos abriram e continuam a abrir caminhos de compaixão e libertação integral, que devem ser traduzidos política, social e economicamente em cada momento histórico, de maneira especial, Sidarta Gautama, o Buda, e Jesus de Nazaré, o Cristo (tema da última conferência do Congresso).

8. Denunciamos a falta de ética nas políticas governamentais que apresentam os cortes como reformas necessárias para a recuperação económica. Nossa denúncia estende-se aos bancos, às multinacionais e aos poderes financeiros como verdadeiros causadores da actual crise em conivência com os governos que o permitem. Optamos por outro modelo económico, cujos critérios sejam o princípio do bem comum, a defesa dos bens da terra, a justiça social e o partilhar comunitário.

9. Denunciamos o uso da violência, o militarismo, o armamentismo e a guerra como formas irracionais e destrutivas de solução dos conflitos locais e internacionais, às vezes justificados religiosamente. Optamos por um mundo de paz, sem armas, onde os conflitos sejam resolvidos pela via do diálogo e pela negociação política. Apoiamos todas as iniciativas pacíficas que vão nessa direcção, como a jornada de jejum e oração proposta pelo Papa Francisco. Rejeitamos a teologia da guerra justa e comprometemo-nos a elaborar uma teologia da paz. 

10. Denunciamos o racismo e a xenofobia que se manifestam de maneira especial nas leis discriminatórias, na negação dos direitos dos imigrantes, no trato vexatório a que são submetidos por parte das autoridades e na falta de respeito pelo seu estilo de vida, cultura, língua e costumes. Optamos por um mundo sem fronteiras, guiado pela solidariedade, pela hospitalidade, pelo reconhecimento dos direitos humanos, sem discriminação alguma e da cidadania-mundo frente à cidadania restritiva vinculada à pertença a uma nação.

11. Denunciamos a negação dos direitos sexuais e reprodutivos e a sistemática violência contra as mulheres: física, simbólica, religiosa, trabalhista exercida pela aliança dos diferentes poderes: leis trabalhistas, publicidade, meios de comunicação, governos, empresas etc. Dita aliança fomenta e reforça o patriarcado como sistema de opressão de género. As instituições religiosas têm uma grande responsabilidade na discriminação e no mau trato das mulheres. A teologia feminista da libertação tenta responder a essa situação, ao reconhecer as mulheres como sujeitos políticos, morais, religiosos e teológicos.

12. Pedimos a imediata suspensão das sanções e a reabilitação de todas/os as/os teólogas/os punidos (cujas obras foram proibidas, condenadas ou submetidas á censura; dos que foram expulsos de suas cátedras; daqueles a quem foi retirado o reconhecimento de "teólogos/as católicos/as”; dos suspensos a divinis etc.), sobretudo durante os pontificados de João Paulo II e Bento XVI, que foram especialmente repressores em questões de teologia moral e dogmática, na maioria dos casos por sua vinculação com a Teologia da Libertação e, inclusive, por seguir as orientações do Concílio Vaticano II. Dita reabilitação é exigência de justiça, condição necessária da tão esperada reforma da Igreja e prova da autenticidade da mesma. Reivindicamos, no interior das Igrejas, o exercício dos direitos e liberdades de pensamento, de reunião, de expressão, de cátedra, de publicações, não respeitados com frequência; e o reconhecimento da opção pelos pobres como critério teológico fundamental. Com Dom Pedro Casaldáliga, afirmamos que tudo é relativo, inclusive a teologia, e que somente Deus, a fome e a libertação são absolutos.

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Edição 90, sexta-feira 12 Julho 2013

E agora, Portugal?

Depois de tantos crimes políticos, ainda vamos continuar a ter de suportar este trio político da nossa vergonha/desgraça?

 Quantos crimes políticos mais, são precisos para que o Ministério Público intervenha, acuse e envie para julgamento em Tribunal o trio de Poder político em funções, AníbalCavacoSilva, PauloPortas, PedroPassosCoelho, da nossa vergonha/desgraça, a perfídia, a incompetência, a ambição do Poder, a subserviência ao Dinheiro-Poder financeiro da União Europeia, ela própria, a grande inimiga das populações e dos povos do velho continente? Não são já demasiados os crimes políticos cometidos por este trio, ao longo destes dois longos e dolorosos anos? Os três, cada qual metido na concha da sua ambição e da sua vaidade, não são, neste momento, o problema maior do país, com a agravante de que, reiteradamente, se apresentam às respectivas populações com direito a votar em eleições legislativas, presidenciais e autárquicas, como a solução política, fora da qual o país vai directo ao abismo, de onde nunca mais sairá?! É tolerável esta situação? Prolongá-la no tempo, não é uma crueldade, um sadismo, um horror, um interminável pesadelo que temos de suportar, acordadas, acordados?

O Presidente Aníbal acaba de falar ao País, depois de receber e ouvir, durante dias, no seu climatizado palácio de Belém, todo um conjunto de corporações, partidárias, sindicais e empresariais, cada qual, a puxar a brasa para a sua sardinha, como quem diz, para a sua bolsa, ou para a sua quota parte do Poder. Todas elas, postas perante jornalistas pés-de-microfone, juram a pés juntos – quem mais jura, mais mente, diz a sabedoria das vítimas – que é o interesse do país que as move. Na verdade, são os interesses corporativos de cada uma delas, nomeadamente, dos respectivos dirigentes, que as move. As populações não foram, nunca são, tidas e achadas, neste tipo de audiências presidenciais. Só existem para sustentar, até com a sua fome e o seu desemprego, todas estas minorias bem falantes, que, nos últimos meses, parece que não têm mais nada que fazer, senão participar em reuniões, às quais vão debater leis e decisões que o governo pretende impor e impõe, graças à maioria politicamente assassina que o suporta no Parlamento. Pela aragem, nenhum dos integrantes destas minorias, passa mal. E sentem-se, até, como peixe na água, sempre que esbarram com uma, um jornalista-pé-de-microfone. Vê-se que gostam, sentem-se importantes, por saberem que vão entrar-nos casa dentro, à hora dos telejornais…

Na sua comunicação ao País, o Presidente Aníbal entalou/esmagou PauloPortas, sem nunca precisar sequer de pronunciar o seu nome, tamanho o ódio político que por ele nutre. E PauloPortas que, depois da sua “irrevogável” demissão, não aceite por PedroPassosSoelho, já se preparava para ser empossado pelo Presidente Aníbal como vice-primeiro ministro e outros poderes mais, de um governo recauchutado, em que seria uma espécie de Rei Luís XIV, o Rei Sol, monarca absoluto, com todos os outros, no governo e no CDS-PP como seus capachos, viu-se, de repente, sem tapete e sem chão. Resta-lhe, agora, a tumba política que ele próprio abriu e desaparecer para sempre de cena. Talvez, fazer-se clérigo do novo Patriarca de Lisboa, D. Manuel III, o Clemente, arcebispo, a caminho de cardeal e, quem sabe, até, de papa chefe de estado do Vaticano. Não foi ele um dos primeiros a correr ao Mosteiro dos Jerónimos, para, ostensiva e hipocritamente, lhe beijar o anel, como Judas? Por sua vez, PedroPassosCoelho que faz sem VítorGaspar e sem PauloPortas? Não era, PauloPortas, o seu Maquiavel e, por isso, recusou o seu pedido de demissão? Mas pode haver governo, a prazo que se diga, liderado por PauloPortas-PedroPassosCoelho?! Não é para, com ele, juntar novos crimes políticos a inúmeros crimes políticos já cometidos e todos ainda impunes?!

Por fim, a pergunta: E agora, Portugal? E agora, populações deste País, com tudo para ser um paraíso à beira mar plantado, e está condenado a ser um inferno, por não sei quantas gerações mais? Vamos continuar a confiar os nossos destinos a este trio político, ou a outros trios políticos semelhantes? Quando decidimos sermos nós o País e assumimos os nossos destinos nas próprias mãos? Tutores, para quê? Intermediários, para quê? Porventura, temos tutores nas nossas casas? Porque havemos de os ter no País que somos? Acordemos! Há muito que esta é a nossa hora. A hora dos Povos. Nem que tenhamos de viver e pão e água, a pão e sopa, assumamos os nossos destinos nas próprias mãos. Sem intermediários. Sem tutores. Eia, irmãs, irmãos!

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Tomada de posse de D. Manuel III, Patriarca de Lisboa

Tudo o que é ladrão e bandido político da direita encheu o Mosteiro dos Jerónimos

 Até palmas houve à chegada, domingo, 7 de Junho 2013, do novo Arcebispo e Patriarca de Lisboa! E mais palmas, quando chegou o primeiro-ministro ainda em funções, PedroPassosCoelho e, depois, o presidente AníbalCavacoSilva, com a sua impagável cortesã-esposa, MariaCavacoSilva. O indigitado chefe de governo, PauloPortas, que terá por seu Sancho Pança, o actual primeiro-ministro PassosCoelho, foi dos primeiros a chegar e a garantir um lugar junto da coxia central, para poder cumprimentar, efusiva e hipocritamente, o novo Patriarca que fez saber, na tomada de posse, realizada na véspera, de que quer ser tratado por D. Manuel III. Tal como os reis. Quanto a reis, Portugal não foi além de D. Manuel II, que praticamente não governou, porque veio logo depois a República que hoje o é, só de nome, já que, na prática, continua a ser uma monarquia, entenda-se, o Poder de um só partido/secretário-geral, ou de vários como-como-um-só, ao serviço do grande Poder Financeiro global.

Tudo o que é ladrão e bandido político da direita encheu o Mosteiro dos Jerónimos, o local que D. Manuel III escolheu para a sua primeira missa. Bem longe dos mal-cheirosos e degradados bairros de Lisboa. Depois, ao ver-se assim, o primeiro dos primeiros, com tudo o que é ladrão e bandido político de colarinho banco a seus pés e a beijar-lhe o anel, o Arcebispo Patriarca e, brevemente, cardeal de Lisboa, mal cabia nas pesadas e apertadas roupas ou paramentos litúrgicos que ele, como actor eclesiástico, não dispensa, de tão visivelmente inchado que estava na sua vaidade. Para isso nasceu e veio ao mundo: para ser bispo, arcebispo, patriarca, cardeal e, quem sabe, papa da Igreja católica romana, a maior e mais perversa máfia sobre a terra, o grande dinossauro em vias de acelerada extinção, porque as novas gerações já descobriram quanto ela é demónio, ladrão, mentira, assassínio, e não estão dispostas a dar-lhe corpo. Fogem dela a sete pés. Têm-na até como coisa do passado, impossível de reciclar. Por mais que, a partir de agora, em Lisboa, ela se disfarce D. Manuel III. E, depois, desta missa patriarcal, com todos aqueles figurões a dizer amen com ele, o divórcio das novas gerações é ainda mais irreversível. As imagens das tvs no Mosteiro dos Jerónimos, não enganam e valeram mais do que tudo o que D. Manuel III agora possa vir a dizer e a fazer. Esta sua primeira missa como Patriarca, liga-o para sempre aos figurões, revelou-o como o sumo-sacerdote deles. Já o era na Diocese do Porto. Sê-lo-á agora no Patriarcado de Lisboa, juntamente com o Núncio Apostólico de Sua Santidade o Papa Francisco, sempre com os pobres na boca, mas com o pensamento e o coração no IOR, Banco do Vaticano, e no Poder que ele próprio, como papa, tem urbi et orbi.

Pior primeira missa patriarcal era impossível. E tudo, D. Manuel III aceitou, sem nenhum constrangimento, todo sorrisos e gestos de cumplicidade. A homilia que proferiu não trouxe qualquer notícia, boa notícia, porque quem chega, como ele acaba de chegar ao topo da pirâmide da Igreja católica em Portugal – não esquecer que ele é simultaneamente o presidente da CEP-Conferência Episcopal de Portugal – não tem outro evangelho para praticar/anunciar que não seja o do status quo, o da subserviência ao Poder financeiro, na vertente da acção social, vulgo, caridadezinha, ao jeito da Madre Teresa de Calcutá e do Banco Alimentar contra a fome, que não contra as causas que a provocam.

Os seis anos que o agora D. Manuel III esteve como bispo do Porto, não da Igreja do Porto (se o próprio não capta a diferença entre ser bispo do Porto e Bispo da Igreja do Porto, tanto pior, para ele e para a Igreja de Jesus), foram a  tarimba para, finalmente, ele poder assaltar o Patriarcado. Sabe-se hoje que nem olhou a meios para obter estes seus fins. E tudo fez para que potenciais pretendentes ao lugar fossem afastados, um a um, numa cumplicidade que envolveu o Cardeal Patriarca cessante, D. José Policarpo, o Bispo das Forças Armadas e de Segurança, D. Januário Torgal Ferreira e, obviamente, o Núncio Apostólico em Lisboa. Está finalmente nas suas quintas. Sem opositores. Uma espécie de rei David bíblico, Século XXI. Dói ter de escrever isto. Mas dói muito mais ver a realidade que é ainda pior que o aqui fica escrito.

Quando entrou no Seminário – reconhece – estavam outros a abandoná-lo. Deveria ter-se deixado interpelar pelo facto e também afastar-se de tudo aquilo a que o seminário o iria conduzir. Optou por avançar. Na sua intuição de fome de glória e de poder, terá percebido que, avançar por aí, o sucesso era garantido, no meio de tanto cinzentismo mental eclesiástico. Seria rei em terra de cegos. E agora tudo acaba de ser confirmado. É rei, o rei eclesiástico, em terra/igreja de cegos. Daí, o título por que quer ser chamado e passar à história: D. Manuel III. Na sua borracheira de poder, nem sequer vê que essa é a pior coisa que lhe podia ter acontecido. Tinha tudo para ser outro Jesus, Século XXI. É o seu antípoda, o Cristo = o Poder monárquico, em Lisboa, olhos postos, na Cúria Romana, que já lhe impôs o pálio de arcebispo, vai impor-lhe o barrete cardinalício e, com isso, passa a integrar o Consistório, de onde, quando o Papa Francisco renunciar, pode muito bem ser escolhido para lhe suceder, com o nome de João XXIV, a poucos anos de se tornar santo de altar, como João XXIII e João Paulo II.

Eis para que uma mãe dá um filho ao mundo. Melhor fora que tal mãe tivesse sido estéril!

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Papa Francisco em Lampedusa

Três horas, uma missa e pouco mais

O Papa Francisco saiu do Estado do Vaticano, para uma visita de pouco mais de três horas a Lampedusa. O gesto transparece bondade, solidariedade, simpatia, proximidade. Os grandes media foram atrás e fizeram-se eco das suas palavras que assim correram mundo. Como bolas de sabão, muito belas, nas suas cores, mas que depressa se desfazem. Puderam fazê-lo, sem problemas, porque a aparente denúncia papal não foi mais do que isso – aparente denúncia. Porque o Papa Francisco que a proferiu, de viva voz, no decurso do rito da missa da sua vaidade, roubou a voz e a vez às, aos sobreviventes das arriscadas viagens no oceano e que constituem, hoje, a ostracizada ilha de Lampedusa. Deveria ter-lhes dado voz e vez. Não deu. Roubou-lhas. Foi ele o centro das atenções, não as, os sobreviventes.

Se pretendia chamar a atenção do mundo para os sobreviventes de Lampedusa, a viverem em precárias e pungentes condições, nos antípodas das condições de luxo em que ele próprio vive no seu Estado do Vaticano, com Guarda Suíça e tudo, saiu-lhe tudo ao contrário. Os grandes media só tiveram olhos para ele, não para os sobreviventes de Lampedusa. E isto perfaz um crime de silenciamento. Porque, após a retirada do Papa Francisco, de regresso ao seu Vaticano, Lampedusa ficou ainda mais às escuras e ainda mais no esquecimento. Os não-europeus que emigram para países da Europa, podem continuar a morrer afogados nas arriscadas travessias, sem o mínimo de condições de segurança. O Papa Francisco pode passar a dormir descansado, porque já fez o seu brilharete de solidariedade. Com tudo de fariseu hipócrita.

Não se fez um de Lampedusa. Não mudou para lá a sua residência. Tão pouco, foi capaz de chegar lá e despojar-se das suas vestes papais. Até o pálio de arcebispo continua sobre a casula papal com que presidiu ao rito da missa, porventura, o momento mais alto da sua hipocrisia. (A que Deus é que o rito da missa se dirige? Só mesmo ao Deus do Papa, nos antípodas do Deus de Jesus!). Quando é que vemos a realidade por trás do manto da ideologia e da publicidade?

Os problemas dos sobreviventes de Lampedusa continuam todos lá. E os privilégios do Papa Francisco continuam todos no Vaticano. O fosso entre o Papa Francisco e os sobreviventes de Lampedusa ficou ainda maior depois desta visita. É para o que serve este tipo de visitas pastorais do Bispo de Roma. São ostentação de Poder e de vaidade, uma mão cheia de palavras comoventes totalmente vazias de conteúdos e de práticas consequentes. No final, o Papa fica mais próximo de vir um dia a ser santo de altar, canonizado como dois dos seus predecessores já falecidos vão ser ainda este ano por ele, e os sobreviventes de Lampedusa ficam ainda mais desamparados e entregues à sua sorte. Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas, que vos aproximais dos pobres que ajudastes a fabricar, não para os resgatardes da sua imerecida pobreza, mas para melhor serdes vistos e louvados pelos outros grandes do mundo como vós.

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Lésbicas, Gay, Bissexuais, Transsexuais (LGBT)

Debate em Braga incluiu o Pe. Mário

Quando aceitei o convite que me foi formulado, disse que iria sobretudo para escutar, mais do que para falar. Talvez por isso, o moderador do debate deu-me a palavra no final das três intervenções de abertura, por sinal, todas proferidas por mulheres. O feminino, ou, se preferirem, a feminilidade, andou por ali à solta, naquela acalorada noite de 4 de Julho 2013, no Estaleiro Cultural, junto ao Largo Senhora-a-Branca, em Braga. Quando me foi dada a palavra, comecei por pedir perdão. Integro o conjunto dos heterossexuais e tenho consciência dos crimes sem conta que cometemos, ao pretendermos reduzir a humanidade aos heterossexuais, como se toda ela não fosse humanidade ao jeito do arco-íris, onde cada ser humano tem o seu brilho e a sua graça. Simultaneamente, sou presbítero da Igreja que, historicamente, se tem apresentado como Igreja católica romana e, nessa condição, tem tido ao longo dos séculos e ainda hoje, posturas criminosamente homofóbicas, não só ao nível sexual, mas também ao nível de género. E, se a homofobia, ao nível sexual, tem feito estragos incalculáveis, destruído vidas sem conta, a homofobia ao nível de género, é ainda mil vezes pior. E hoje, felizmente, também o Movimento LGBT está atento a este tipo de homofobia, embora, ainda timidamente. O acento tónico continua a ser posto na luta pelo fim da homofobia de sexo, uma vez que Deus, ao criar-nos, criou-nos, basicamente, mulheres e homens, igualmente, heterossexuais, homossexuais, lésbicas, bissexuais, transsexuais, sem nenhumã discriminação.

 Negar esta realidade plural e afirmar que nos criou todos heterossexuais, é negar Deus Criador, um pecado que a Igreja católica romana e todas ou quase todas as Igrejas protestantes cometem, com a mais tranquila das consciências. Por isso, são Igrejas que têm de desaparecer, assim como o Judaísmo que as precedeu e o Islamismo que se lhes juntou, a partir do século VI, desta nossa era comum. Só depois de se ver livre destas três “religiões do livro” (Bíblia + Alcorão), é que a humanidade pode, finalmente, tornar-se progressivamente autónoma, sem nenhum tipo de discriminação sexual e de género. Então, mulheres e homens, com as suas capacidades partilhadas ao jeito de vasos comunicantes, constituirão um mundo humano, cujo fruto primeiro e mais essencial é a paz desarmada, fundada no amor e na justiça, inseparáveis da verdade, que é a total conformidade com a realidade. Ao invés, o que hoje temos, aí, é uma Ordem mundial estruturalmente perversa, imoral, hipócrita, fundada na discriminação e no Poder, cujo fruto primeiro é a guerra permanente, ou a paz armada, pronta a destruir nuclearmente, a qualquer momento, o planeta e a vida, também a vida humana.

A propósito deste debate o respectivo moderador, Carlos, acaba de me fazer chegar uma Nota, que aqui faço questão de divulgar. Eis: 

Rumo à «1ª. Marcha pelos Direitos LGBT – Braga» (amanhã, sábado)

Decorreu dia 4 de Julho 2013, às 21.30 no Estaleiro Cultural Velha-a-Branca, a 2ª. Sessão do Ciclo de Debates, enquadrado na agenda de actividades da «1ª. Marcha pelos Direitos LGBT – Braga». Não pouparei esforços a exprimir – grifadamente – a mais sincera gratidão por tod@s aqueles/as que se mostraram presentes: quer integrando o painel de palestrantes, quer integrando uma muito atenta e particip’ativa audiência.

Pessoalmente, trago em confissão as palavras douradas do poeta David Mourão-Ferreira: "Precisamos tanto de conversar. Precisávamos de fazer uma viagem de comboio, daquelas que se faziam antigamente, muito longas, em que se gastavam treze horas num percurso de trezentos quilómetros. Mas nem isso chegava... Precisávamos, sim, era de ir de comboio através de toda a Europa, de toda a Ásia, até Pequim ou Vladivostok". Porque pessoalmente gosto de pensar nas relações como extensas e prazenteiras viagens para o au delà da vida, fontes torrenciais da nossa mais persistente Minerva enquanto seres humanos. É certo que a magia de uma relação não está em ti nem em mim, mas neste espaço que nos funde e nos separa. Li algures que cada um que passa pela nossa vida, passa sozinho, pois cada pessoa é única e nenhuma substitui outra – mas não vai só nem nos deixa sós: leva sempre um pouco, deixa sempre um pouco. Essa, tenho-o por certo, é a maior responsabilidade da nossa vida, e a prova de que nada há de impremeditado nos encontros que nos aproximam e nos separam. 

À contundente intervenção da Dra. Daniela Freitas sobre discriminação e parentalidade não-normativa, seguiu-se a da ativista Luísa Reis, subordinada ao tema dos direitos conquistados pela comunidade transexual e principais reivindicações. Posteriormente, foi dada palavra à Dra. Liliana Rodrigues que se pronunciou sobre a cidadania sexual das mulheres lésbicas em Portugal e, por último, ao Padre Mário da Lixa, insurrecto «indistinguidor» de amor(es) e humor(es), incentivador de audácias e desformalizações, que nos deixou com um comovente testemunho sobre a importância de viver em transparência connosco e com os demais, independentemente da orientação sexual, da identidade de género e da afiliação religiosa.

Como moderador, perpétuo estudante e work in progress, este desafio foi, para mim, particularmente prazenteiro pois assinala outro dos muitos pontos de viragem da minha vida. Como tive oportunidade de caricaturar em anedota, foi há mais de 120 anos, nas suas «Notas de Viagem», que um dos meus escritores preferidos, Ramalho Ortigão, escreveu: «no que toca a certos assuntos da realidade cívica, há quem não se coloque em ponto de vista algum – coloca-se, sim, pura e simplesmente, numa cadeira». Li esta frase há cerca de 12 anos atrás, no conforto de uma cadeira muito parada, admirando a estética e o beletrismo da ideia, alheio ao dedo acusatório que estas linhas apontavam à minha própria passividade. Foi com prazer e orgulho que ontem, 12 anos mais tarde, embora acarretando muita mais responsabilidade (e, talvez, por isso mesmo), estive capaz de dizer que a cadeira onde me sentava, e a cadeira onde vos convidámos a sentar, me pareceu ainda mais confortável: uma cadeira activa, uma cadeira-voz-própria. Queria agradecer, portanto, a tod@s aqueles/as que depositaram em mim este voto de confiança. 

Sem dúvida alguma foi esta a expressão que mais relevo assumiu no decurso do debate: uma fome imensa de viver a democracia como lugar de conversa, de comunicação, de debate de múltiplos e diversos pontos de vista, consonantes e não consonantes, na busca de soluções, caminhos e alternativas para o bem comum – um precisar de conversar, um precisar de ser ouvido. Lutamos precisamente por isso: um espaço que não nos ignora, que não nos imbeciliza, que não nos desapropria do que temos de próprio, que não nos eclipsa do que temos de cheio, um espaço que nos ausculta, que nos ouve, que nos questiona, que nos pergunta o que pensamos, o que sentimos, o que queremos; um espaço em relação ao qual não sejamos remissos em poder dizer que é nosso – um espaço-casa, um espaço-contentor. Assim queremos o Minho, assim queremos Portugal, assim queremos o mundo: uma sala-de-estar, mas acima de tudo, uma sala-de-ser. De ser(-se) bem.

Fica então o pensamento: se nos atrevemos a mudar o mundo que não criamos (a natureza), por que não será possível mudar o que criámos? (a sociedade).

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Papa Francisco faz sua, encíclica de Bento XVI

Uma Fé sem mãos nem pés, e sem afectos. Um desastre em toda a linha

Por isso, para lá de um desastre em toda a linha, esta encíclica é um pecado contra Fé de Jesus, por isso, contra o Espírito Santo. O Papa Francisco nunca a deveria ter assinado e publicado como encíclica sua. E só se redime deste pecado, se a mandar retirar de circulação e escrever outra, sua, em que a Fé que apresente, seja a de Jesus, aquela que sempre nos interpela/pergunta, Onde está a tua irmã, o teu irmão? Que fizeste da tua irmã, do teu irmão?

 Lumen Fidei = Luz da Fé, a primeira carta encíclica do Papa Francisco, mas da autoria do Papa emérito Bento XVI, é um desastre em toda a linha. Na medida em que não consegue dizer nada de nada que responda às mais pungentes perguntas das mulheres e dos homens deste início do terceiro milénio. É, por isso, uma oportunidade perdida. Criou expectativas às quais agora não corresponde minimamente. Deixa toda a gente defraudada, inclusive aquelas, aqueles a quem expressamente se dirige, a saber, os bispos, os presbíteros, os diáconos, as pessoas consagradas, os fiéis leigos, assim, mesmo por esta ordem hierárquica. Até as fiéis leigas são ignoradas. Para o Papa Bento XVI, assinado aqui pelo Papa Francisco, as mulheres não existem. Pelo menos, não são explicitamente referidas, nos destinatários da Encíclica. Muito menos existe a maior parte da Humanidade que não inclui nenhuma destas categorias de gente eclesiástica.

Tão pouco, alguma teóloga é citada nesta encíclica sobre a Fé. Só teólogos e praticamente todos dos primeiros séculos, os chamados Padres da Igreja. Até parece que, depois de Agostinho, Bispo de Hipona e depois de todos os estragos que a sua teoria do “pecado original” causou, nomeadamente, às mulheres, é de bom tom, explorá-las em toda a linha, não apenas sexualmente, como prostitutas, inclusive, dos clérigos, como aconteceu nos concílios de Niceia e Constantinopla, os “pais” do Credo, ou proclamação da Fé católica, mas também nas tarefas de limpeza e de adorno dos templos e dos altares, de catequistas e outros serviços menores, nunca olhar para elas como sujeitos activos e responsáveis da Igreja. Pode a Igreja correr e saltar, desdobrar-se em viagens pastorais pelo mundo, na pessoa do Papa, monarca absoluto, que será sempre uma Igreja em estado de pecado e não um pecado qualquer, mas um pecado contra o Espírito Santo, o de Jesus. A exclusão das mulheres dos ministérios ordenados é um pecado contra o Espírito Santo, o de Jesus.

Custa a crer, depois dos cem dias do Papa Francisco, que ele assine um texto tão doutrinalmente pesado quanto o desta sua primeira encíclica e, logo, sobre a Fé. Ela vem totalmente à revelia do que ele próprio tem dito informalmente e praticado. É uma espécie de negação do seu ministério de Bispo de Roma. Impossível que ele próprio se reveja nesta doutrina. E que a Fé, para ele, seja o que esta encíclica apresenta, puro conceito abstracto, sem nada de realidade, de histórico, um texto intemporal, todo exclusivamente racional(ista) europeu.

É difícil levar a leitura até ao final, de tão fora do tempo ela se apresenta. Só mesmo por dever de ofício, como o que me impus, para poder aqui pronunciar-me fundadamente sobre ela. Quem já procura viver a mesma Fé de Jesus e lê esta encíclica, sente-se estrangulado e até com problemas digestivos, porque o texto dá vómitos, de tão cruel, inumano, vazio de afectos, de relação, de perguntas, as grandes perguntas das mulheres e dos homens deste início do terceiro milénio, essas mesmas que já estão todas em Jesus de Nazaré, nomeadamente, naquela sua Pergunta, já com ele crucificado na cruz do império de Roma, onde a Igreja católica romana mantém a sua sede, e a poucos instantes de expirar = dar-nos o seu Sopro, a sua Ruah maiêutica, Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste? E por resposta, apenas o silêncio, que já dura há dois mil anos.

Depois, que é dos milhares de milhões de vítimas, produzidas também em nome do cristianismo, sempre que, ao longo destes dois mil anos, os sucessivos papas de Roma quiseram espalhar a fé e o império, a espada numa mão, a cruz e a Bíblia na outra mão? Desapareceram todas? Uma obscenidade histórica que as populações não esquecem e que, embora continuem a baptizar as filhas, os filhos – felizmente, hoje, cada vez menos – depois vivem uma vida de acordo com as suas velhas crenças, com as suas deusas e os seus deuses, por mais que a Igreja católica romana lhes imponha nomes seus e lhes promova festas litúrgicas suas. Os conteúdos continuam a ser os mesmos dos seus ancestrais, porque essas populações nunca foram verdadeiramente evangelizadas, apenas catequizadas/formatadas, à força do medo das represálias clericais.

O grande homem de Fé que é Jesus, é o grande ausente nesta encíclica do Papa Francisco, escrita pelo Papa emérito Bento XVI. Bento XVI nunca suportou Jesus, mesmo quando, de vez em quando escreve o seu nome e até escreveu uma extensa obra em três volumes, intitulada Jesus de Nazaré. Como Paulo de Tarso, ou S. Paulo, também ele nunca conheceu Jesus, no sentido de o praticar, apenas conhece Cristo, porque ele próprio, como Papa, se vê como outro Cristo, Poder monárquico absoluto. Ora, entre Jesus e Cristo, o abismo é total. Jesus e Cristo são como duas linhas paralelas que nunca se encontram. 

A Fé de que fala esta encíclica é para este mítico Cristo e seu Deus que remete, não para a Fé de Jesus e seu Deus Abba-Mãe. Por isso, para lá de um desastre em toda a linha, esta encíclica é um pecado contra Fé de Jesus, por isso, contra o Espírito Santo. O Papa Francisco nunca a deveria ter assinado e publicado como encíclica sua. E só se redime deste pecado, se a mandar retirar de circulação e escrever outra, sua, em que a Fé que apresente, seja a de Jesus, aquela que sempre nos interpela/pergunta, Onde está a tua irmã, o teu irmão? Que fizeste da tua irmã, do teu irmão?

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Encíclica Lúmen Fidei, vista por L. Boff

Não aborda as crises da fé do homem de hoje, suas dúvidas, suas perguntas

Constata-se na Encíclia uma dolorosa lacuna que lhe subtrai grande parte da relevância: não aborda as crises da fé do homem de hoje, suas dúvidas, suas perguntas, que nem a fé pode responder: Onde estava Deus no tsunami que dizimou milhares de vidas ou em Fukushima?

 A Carta Encíclica Lumen Fidei vem como autoria do Papa Francisco. Mas notoriamente foi escrita pelo Papa anterior, agora emérito, Bento XVI. Confessa-o claramente o Papa Francisco.

A Encíclica não traz nenhuma novidade espectacular que chame a atenção da comunidade teológica, do conjunto  dos fiéis e do grande publico. É um texto de alta teologia, rebuscado no estilo e carregado de citações bíblicas e dos Santos Padres. Curiosamente cita autores da cultura ocidental como Dante, Buber, Dostoiewsky, Nietzsche, Wittgensstein, Romano Guardini e o poeta Thomas Eliot. Vê-se claramente a mão de Bento XVI, especialmente, em discussões refinadas de difícil compreensão até para os teólogos, manejando expressões gregas e hebraicas, com costuma fazer um doutor e mestre. 

É um texto dirigido para dentro da Igreja. Fala da luz da fé para quem já se encontra dentro no mundo iluminado pela fé. Nesse sentido é uma reflexão intrasistémica.        

Possui, além disso, uma dicção tipicamente ocidental e europeia. No texto só falam autoridades europeias. Não se toma em consideração o magistério das igrejas continentais com suas tradições, teologias, santos e testemunhos da fé. Ora, na Europa vivem apenas 24% dos católicos; a esmagadora maioria encontra-se fora, 62% dos quais no assim chamado Terceiro e Quarto Mundos.

O fio teológico que perpassa a argumentação é típico do pensamento de Joseph Ratzinger como teólogo: a preponderância do tema da verdade, diria, de forma quase obsessiva. Em nome desta verdade, contrapõe-se frontalmente com a modernidade. Tem dificuldade em aceitar um dos temas mais caros do pensamento moderno: a autonomia do sujeito e o uso que faz da luz da razão. J. Ratzinger vê a razão como uma forma de substituir a luz da fé. 

Não demonstra aquela atitude tão aconselhada pelo Concílio Vaticano II que seria: nos confrontos com as tendências culturais, filosóficas e ideológicas contemporâneas, cabe primeiramente identificar a pepitas de verdade que nelas existem e, a partir daí, organizar o diálogo, a crítica e a complementaridade. Seria blasfemar contra o Espírito Santo imaginar que os modernos somente pensaram falsidades e inverdades.

Para Ratzinger o próprio amor vem submetido à verdade, sem a qual não superaria o isolamento do “eu” (n.27). Contudo sabemos que o amor tem suas próprias razões e obedece a outra lógica, diversa, sem ser contrária, àquela da verdade. O amor pode não ver claramente, mas vê com mais profundidade a realidade. Já Agostinho, na esteira de Platão, dizia que só compreendemos verdadeiramente o que amamos. Para Ratzinger, o “amor é a experiência da verdade” (n.27) e “sem a verdade a fé não salva”(n.24).

Esta afirmação é problemática em termos teológicos, pois toda a Tradição, especialmente, os Concílios têm afirmado que somente salva “aquela verdade, informada pela caridade” (fides caritate informata). Sem o amor, a verdade é insuficiente para alcançar a salvação. Numa linguagem pedestre diria: o que salva não são prédicas verdadeiras mas práticas efectivas.

Constata-se na Encíclica uma dolorosa lacuna que lhe subtrai grande parte da relevância: não aborda as crises da fé do homem de hoje, suas dúvidas, suas perguntas, que nem a fé pode responder: Onde estava Deus no tsunami que dizimou milhares de vidas ou em Fukushima? Como crer depois dos massacres de milhares de indígenas feitos por cristãos ao longo de nossa história, dos milhares de torturados e assassinados pelas ditaduras militares dos anos 70-80? Como ainda ter fé, depois dos milhões de mortos nos campos nazistas de extermínio? A encíclica não oferece nenhum elemento para respondermos a estas angústias. Crer é sempre crer, apesar de… A fé não elimina as dúvidas e as angústias de um Jesus que grita na cruz:”Pai, por que me abandonaste”? A fé tem que passar por este inferno e transformar-se em esperança de que para tudo existe um sentido, mas escondido em Deus. Quando se revelará?

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O teólogo José Ignacio González Faus lê Lumen Fidei

Nem um só parágrafo que sirva de fundamento teológico a muitas posturas de Francisco

“Nestes meses de pontificado, Francisco teve uma série de gestos positivos, muito carregados, aliás, por simbologias e significados; na encíclica, não consegui notar um só parágrafo que pudesse ser visto como fundamento teológico de todos esses gestos”!

 O que segue são brevíssimas observações, fruto de uma rápida primeira leitura da encíclica. Que isto fique muito claro, inicialmente, pois aparecem coisas que numa leitura mais lenta podem ser ponderadas.

Nestes meses de pontificado, Francisco teve uma série de gestos positivos, muito carregados, aliás, por simbologias e significados; na encíclica, não consegui notar um só parágrafo que pudesse ser visto como fundamento teológico de todos esses gestos. Do texto atual, não brotará um grande desejo de “uma Igreja pobre e para os pobres”, a não ser, no máximo, uma Igreja que pode se gloriar por ter uma Madre Teresa. Sem perceber (pois, a falta de conhecimento de nosso mundo me parece outro traço da encíclica), até que ponto, Madre Teresa, por mais exemplar e admirável que fosse sua caridade, se converteu no ópio das classes altas.

É muito surpreendente que na breve história da fé traçada pelo texto, começando em Abraão, apresente o chamamento feito a Moisés como se Deus tivesse quisesse apenas ter um povo que o cultuasse, e não porque “ouviu o clamor de seu povo”. Uma afirmação assim nasce de uma opção prévia (consciente ou inconsciente), mas não do texto bíblico. Parece-me que é típica do medo de Ratzinger às consequências políticas da fé e da teologia.

Outros três traços muito ratzingerianos parece que banham o texto pontifício. O primeiro, é a obsessão pela síntese greco-judaica como harmonia definitiva entre a razão e a fé. Ratzinger polemiza contra os muitos que, hoje, afirmam que a relação com o Deus bíblico se orienta pela linha da escuta (o Deus que chama), ao passo que a Grécia segue pela linha de visão que é mais possessiva. A encíclica demonstra que não existe tal diferença; e embora seja verdade que a luz bíblica se orienta na linha do amor (como a encíclica afirma muito bem), o amor é sempre um chamamento.

Pessoalmente, também acredito que a Grécia é desfigurada, quando é reduzida ao “logos”, esquecendo-se que tão gregos como Platão ou Aristóteles, são todos os mitos (Prometeu, Ariadne, Sísifo, Orfeu...), cuja riqueza Nietzsche havia captado muito bem.

Outro traço muito ratzingeriano é a proposta contra a ditadura do relativismo. A encíclica repete tons já muito conhecidos nos escritos de Ratzinger, sem ter chegado a perceber, na minha modesta opinião, nem as razões dessa ditadura (entre as quais estaria uma inegável absolutização sufocante de muitas coisas relativas, por parte da Igreja), nem o que essa ditadura pode ter de válida, como o chamamento à humildade e desinstalação do seguidor que não tem onde reclinar a cabeça, assim como não percebe como essa ditadura acaba por se contradizer a si mesma, porque a absolutização de Mamon [dinheiro] cabe perfeitamente nesse relativismo ocidental.

Nesta linha, outro traço ratzingeriano é a defesa diante da acusação feita ao monoteísmo, como intrinsecamente intolerante. Eu também não compartilho dessa acusação, mas acredito que nós, os crentes, mais do que refutá-la, somos chamados a compreender e a combater as inclinações indubitáveis que no monoteísmo podem levar a essa intolerância absolutista, justamente para nos protegermos contra elas e para colocarmos em relevo o Deus a que se faz referência quando falamos de monoteísmo.

Finalmente, há um último detalhe que gostaria de elucidar: a encíclica começa com texto muito sério de Nietzsche, numa carta para sua irmã, que diz: se o que você quer é a paz cómoda e fácil, mantenha a fé, se o que quer é a aventura da vida, deixe sua fé. Inicialmente, pensei que o introdutor desta citação era Ratzinger e que isto é um acto inegável de coragem. Agora, duvido que seja assim (e preferiria que não fosse) porque, na realidade, tenho a sensação de que a encíclica não consegue responder a este desafio. Num primeiro momento, parece que sim, porque aponta o amor como fundamento da fé, e a tudo o que o amor e a confiança no amor possuem de aventura vital. No entanto, pouco a pouco, parece que o texto vai para paragens ratzingerianas: a verdade cristã é o amor (expressão muito bíblica e literal da Carta aos Efésios), mas, em seguida, acrescenta-se que o amor cristão também inclui a verdade (caritas in veritate acima de veritas in caritate), estabelecendo um equilíbrio paritário entre ambos que, em minha opinião, o autor da primeira Carta de São João não aceitaria. Por fim, com isto, o que parece ser solicitado ao crente é apenas uma adesão à Igreja, aos sacramentos e ao Magistério.

Aventuras “libertadoras” ou que “conhecer a Javé é praticar a justiça” (Jr 22,16) ou que ainda temos que “aprender o que significa quero misericórdia e não culto”, ficam fora da óptica deste texto. Assim, acaba por ser uma encíclica para dar boa consciência ilustrada aos sectores mais conservadores, sem exigir-lhes nenhuma mudança de rumo como a de Zaqueu. Boníssima consciência, pois o texto é intelectualmente muito rico, claro e erudito (até com algumas discussões semânticas, que parecem mais próprias de um livro do que de uma carta-encíclica). E, sem sair da citação dessa carta de Nietzsche, tenho a impressão de que se esta imbuísse o autor da encíclica, não deveria ser respondida por uma exposição teórica da fé, mas por uma análise mais existencial das duas aventuras: a do crente e a do que se atreveu a “passar uma esponja para apagar o céu”, como o louco de gaia ciência.

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Balanço apresentado ao conselho de cardeais

Vaticano com lucros de 25 milhões de euros

IOR ofereceu ao Papa 50 milhões de euros, “para o sustento do seu ministério apostólico e da caridade”

 O Vaticano revelou, há dias, o balanço financeiro consolidado, dos organismos da Santa Sé e do governo do Estado, com um lucro conjunto superior a 25 milhões de euros em 2012. O documento foi tornado público, após a reunião anual do conselho de cardeais para o estudo dos problemas organizacionais e económicos da Santa Sé, que teve lugar no Vaticano entre terça e quarta-feira, da semana passada, sob a presidência do secretário de Estado, cardeal Tarcisio Bertone. O Papa Francisco esteve reunido com os participantes.

O balanço da Santa Sé, órgão central de governo da Igreja Católica, fechou em 2012 com um lucro cerca de 2 milhões e 200 mil euros, “graças, sobretudo, à boa gestão financeira”. Entre os gastos mais salientes, encontram-se os relativos às despesas com os 2823 funcionários, os meios de comunicação social e as novas taxas sobre os imóveis.

Quanto ao Estado da Cidade do Vaticano, apresentou um lucro de 23 milhões de euros em 2012, mais um milhão do que em 2011, “apesar do clima económico global”. Esta administração independente tem 1936 empregados ligados à gestão estatal. Já o Instituto para as Obras de Religião (IOR), conhecido como ‘Banco do Vaticano’, ofereceu ao Papa um montante de 50 milhões de euros, “para o sustento do seu ministério apostólico e da caridade”.

Os donativos ao Papa, no chamado 'Óbolo de São Pedro', desceram 11,91 por cento, de 69,7 para 65,9 milhões de dólares (50 milhões de euros), a comprovar claramente, que nem Deus lhes vale. Por mais preces que lhe dirijam. (Agência Ecclesia/JF)

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Ainda o escândalo da pedofilia na Igreja dos Estados Unidos

Prioridade à protecção de 57 milhões de dólares

A Arquidiocese de Milwaukee, em Wisconsin (que esteve sob a condução do agora purpurado, Timothy Dolan, de 2002 a 2009), publicou novos documentos que apontam que, em 2007, o prelado teria pedido e obtido do Vaticano a permissão para transferir 57 milhões de dólares de um fundo fiduciário para “proteger melhor estes fundos – como escreveu o próprio Dolan – de eventuais acções legais e pedidos de indemnização” apresentadas pelas vítimas de abusos sexuais.

 O cardeal Dolan, que também é o presidente da Conferência Episcopal dos Estados Unidos, sempre negou estas acusações e continua a negar, a pretexto de que não passam de “velhos ataques que pretendem desacreditar” a sua imagem. O certo é que o Vaticano – segundo o que revelam os documentos publicados por ordem da magistratura – actuou com muita rapidez para aceitar a solicitação do então, ainda só arcebispo. Já para a suspensão dos sacerdotes responsáveis por abusos sexuais contra menores, muitas vezes, foi preciso esperar anos.

Nos arquivos publicados está o perfil de 42 sacerdotes que, com suas acções, teriam feito com que, em 2011, a diocese entrasse em falência. Entre estes sacerdotes, está o padre Lawrence Murphy, que teria abusado de 200 menores surdos-mudos, e Sigfried Widera, que se suicidou no México e foi acusado de 42 casos de abusos, entre Wisconsin e Califórnia.

Segundo Jeff Anderson, o advogado que representa a maior parte das mais de 500 vítimas, a novidade destes arquivos é a demonstração da lentidão com que a Igreja actuou para realizar a limpeza, em contraste com a velocidade com a qual o Vaticano deu o seu “ok” para garantir que os fundos eclesiásticos estivessem num lugar seguro.

A solicitação de Dolan partiu dos Estados Unidos no dia 4 de junho e foi aprovada no dia 18 de junho do mesmo ano de 2007. “Ao contrário, foi necessário passar 7 anos, entre as acusações – comentou Anderson –, para que o padre John Wagner, que confessou ter abusado de 10 menores, fosse afastado da Igreja. Também o ex-sacerdote John O’Brien continuou exercendo a função por cinco anos, embora já tivesse sido condenado pelo estupro de um adolescente”. (http://goo.gl/VWmLC /JF)

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Aconteceu no Brasil, mas também acontece em Portugal

Montar uma Igreja é sinónimo de  fazer um bom negócio

"Procuro 2 pessoas para juntos abrirmos uma igreja”

 Se abrir uma empresa é sonho de consumo de todo empreendedor, montar a sua própria igreja é hoje sinónimo de fazer um bom negócio. No último fim de semana de Junho 2013, a secção de classificados de um jornal de Brasília tornou público o desejo de um certo Francisco. "Procuro 2 pessoas para juntos abrirmos uma igreja", diz a curta mensagem na área destinada a recados, logo abaixo de outros anúncios em que homens e mulheres procuram parceiros para relacionamentos sinceros.

A mensagem de Francisco vem acompanhada do número do telemóvel para contacto. Quem se atreve a ligar para o telefone indicado, é rapidamente esclarecido sobre o motivo do negócio. Quando liguei, o autor do anúncio, que se apresenta como Francisco, foi directo ao assunto:

- Eu não sei qual é o seu objetivo. O meu, eu sei. É espiritual e financeiro. Sou bastante objetivo nos meus negócios - avisa.

Diz que prefere ser franco, porque não quer perder tempo com discussões sobre ortodoxia religiosa. Sem qualquer contestação do outro lado da linha, Francisco sente-se à vontade para expor seus planos. Quer fundar uma igreja pentecostal, como muitas outras que existem por aí e ganhar muito, muito dinheiro. Basta usar técnicas de hipnose coletiva, simular milagres e recolher dízimo. “Não tem limite. É muita grana. Dois milhões. Dez milhões. Ou até mais. O negócio é um rio correndo para o mar”, profetiza.

Francisco tem como espelho pastores de outras igrejas que surgiram no nada e, de repente, se tornaram um império. Diz que não quer ser propriamente uma estrela de TV. Não é um grande orador e nem faz questão de demonstrar conhecimento profundo de textos sagrados. Basta-lhe uma sala num barraco qualquer, de preferência numa área bem pobre e algumas cadeiras de plástico.

“As igrejas, hoje, não estão mais à procura pastores. Querem sujeitos que tenham umas noções de hipnose. Que é uma coisa muito mais rápida. Chegas a uma sessão e hipnotizas. A pessoa fica hipnotizada. Vai dar-te 10% hoje. Amanhã dá mais 10% e, entretanto, conta um milagre para os outros ouvirem.”

Segundo Francisco, as pessoas mais simples querem milagres e estão dispostas acreditar em qualquer situação que pareça extraordinária. O futuro pastor diz ainda que os riscos do negócio são mínimos. O aluguer de uma sala num bairro pobre fica em torno de 150€. As cadeiras de plástico podem ser compradas à medida que o número de fiéis aumenta. Sugere, até, um lugar para começar: a Vila Estrutural, uma das favelas mais pobres do Distrito Federal. Não importa se outras igrejas chegaram primeiro. “Quanto mais, melhor” - diz.

Em seguida convida o interlocutor para uma conversa particular, para acertar os detalhes do negócio. No primeiro contacto, não pediu investimento inicial dos sócios, nem disse como o negócio será repartido.

Em seu entender, a fé pode render muito. Exemplos, não faltam. Começa então a citar nomes de outros aventureiros que se tornaram ricos, muito ricos, a vender ilusões. Francisco é de uma sinceridade/ingenuidade quase religiosa. (Jailton de Carvalho, O Globo/JF)

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VIII Clericus Cup de futesal reuniu 12 equipas de padres

Arquidiocese de Braga/SAD é bi-campeã

Já que as missas têm cada vez menos consumidores das hóstias e das homilias sem tom nem som…

 A Arquidiocese de Braga conquistou, a semana passada, a VIII Clericus Cup, torneio de futsal para padres católicos. A iniciativa reuniu 12 equipas, representativas de várias dioceses portuguesas e duma Congregação religiosa, os Vicentinos. A equipa anfitriã foi a vencedora do torneio, pela segunda vez consecutiva, ao vencer na final a Diocese de Vila Real. Já que as missas têm cada vez menos consumidores das hóstias e das homilias sem tom nem som, nada melhor que estimular os padres mais jovens a dedicar-se ao futsal, em torneios nacionais e europeus, em tudo semelhante ao que fazem os clubes/SAD do futebol dos milhões.

Depois do empate no período regulamentar, a duas bolas, a Arquidiocese de Braga venceu por 3-2 no prolongamento. A equipa vencedora ganhou ainda o prémio pelo melhor ataque, com 34 golos marcados, e pela melhor defesa, com apenas três golos sofridos. No caminho percorrido até à final da VIII Clericus Cup, a equipa anfitriã venceu na fase de grupos as representações de Leiria/Coimbra (6-0), Funchal (8-0), Patriarcado de Lisboa (6-0), Viseu (3-1) e Vila Real (2-0). Nas meias-finais a equipa da arquidiocese bracarense venceu a equipa da Diocese de Lamego por 6-0.

Para que conste, são estas as 12 equipas diocesanas que participaram no torneio: Braga; Viana do Castelo; Porto; Vila Real; Viseu; Lamego; Leiria/Coimbra; Guarda; Lisboa: Funchal; Évora/Beja/Algarve e uma congregação religiosa, os Vicentinos. É caso para rematar: Valha-nos Deus!

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Edição 89, sexta-feira 14 Junho 2013

Aníbal, PauloPortas, PassosCoelho

Ou prendemos esta trindade de Poder político, ou perecemos

 Já não basta derrubar o Governo. É preciso derrubar o presidente Aníbal. Ele diz-se o presidente de todos os portugueses, mas é politicamente mentiroso, porque a maioria da população portuguesa com direito a votar, ou se absteve de votar, ou não votou nele. Pelo menos, neste segundo mandato. Um agravo que ele politicamente não perdoa. E, mesmo, da minoria que votou e o elegeu, muito poucos, hoje, se revêem nele. O homem nunca teve perfil para chefe de estado. Nem para chefe de governo do país. O país, com ele ao leme, como primeiro-ministro, foi seduzido a desfazer-se, e desfez-se, da sua agricultura e a abandonar, e abandonou, o mar. Encheu-se de asfalto e de carros a correr sobre ele. Os milhões de euros que, durante anos e anos, vieram “oferecidos” da União Europeia foram desviados para tudo o que era de mais estéril, mas que dava nas vistas. Como gostam de fazer os novos-ricos, completamente incultos. E Aníbal não é homem de cultura. Detesta o Poema, a Arte, a Sabedoria, a Política e a Teologia praticadas. Percebe de números, os da alta finança. E, mesmo nesta área, não vai além de simples criado de libré. Nem falar, com elevação e coração, é capaz. Por isso, é que foi escolhido pelo grande Poder financeiro, como o homem certo para destruir este país e, a partir de Portugal, toda a Europa dos povos. Primeiro, como chefe de governo. Agora, como chefe de estado e, por inerência, comandante supremo das Forças Armadas. As quais têm sido praticamente inexistentes, desde que deixaram de estar ao lado e com as populações, nas suas lutas desarmadas por pão e justiça, e recolheram aos quartéis. São Forças Armadas domesticadas. Pagas para protegerem o Poder, em lugar de arriscarem a própria segurança, o próprio bem-estar e até a própria vida, na protecção e defesa das populações contra o Poder.

Nenhum Poder é legítimo, quando prejudica as populações. E o Poder sempre as prejudica. Nenhumas Forças Armadas são dignas, se existem para proteger e defender o Poder que sempre prejudica as populações. Voz e vez, só as populações do país as devem ter. Nunca o Poder. Não é, porém, o que se ensina e incute nos candidatos a integrar as Forças Armadas, criadas pelo Poder, para que os respectivos executivos estejam protegidos e defendidos das legítimas iras desarmadas das populações. Mas, quando há (inevitável) conflito entre Poder e Populações, as Forças Armadas têm de colocar-se, se quiserem ser dignas, na posição de proteger e defender as populações. E deixar o Poder sozinho, para que ele desapareça. O Poder é o inimigo. Vive à custa das populações. Gasta que se farta, banqueteia-se que se farta, viaja que se farta, tem privilégios que se farta e tudo à custa das populações que, depois de tudo, ainda têm de sair à rua a aplaudir os seus agentes históricos, outros tantos verdugos e algozes.

Basta, de pouca-vergonha política. Basta, de destruição política do nosso País. Esta trindade de Poder político, Aníbal, PauloPortas, PassosCoelho, tem de ser apeada. Ela é o Poder concentrado e absoluto que se dá ao luxo de rir do contraditório, a privilegiada oposição parlamentar e a das ruas, mais pé-descalço. O intolerável, porque sem qualquer freio e sem quaisquer escrúpulos. Se as Forças Armadas não se colocam ao lado das populações e com elas contra o Poder concentrado e absoluto – e não precisam de recorrer às armas, sempre perversas, basta que se coloquem ao lado das populações e com elas, para que esta e qualquer outra trindade do Poder político vá ao fundo – então só resta às populações fazer parar o País indefinidamente. E, se necessário, viver apenas a pão e água, até que ela caia.

E depois dela cair, perguntaremos? Não! Não vamos a correr eleger outra, mais do mesmo. No âmbito do Poder, não há saída que nos dignifique. Urge concebermos e darmos à luz uma via política em que nós, populações, sejamos os sujeitos e os protagonistas. É hora de um novo começo, no nosso País e no mundo. Não de insistirmos em mais do mesmo. Dissolvam-se os Partidos políticos, como instituição de Poder político que são e que aspiram a ser cada vez mais, para que as populações, sem quaisquer messias e sem quaisquer tutores, se auto-organizem e adquiram voz e vez. Numa grande unidade política praticada que nos envolva a todos. O nosso futuro só se garante, se hoje concebermos e dermos à luz esta via política alternativa à perversa via do Poder político, ladrão e assassino das populações. Seja então esse, o primeiro dia do resto das nossas vidas.

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Depois de “excelentes” provas dadas durante 6 anos no Porto

Bispo Manuel Clemente desce a Lisboa para subir a patriarca/cardeal e, porventura, a futuro Bispo de Roma/Papa

 Duas procissões, uma com a imagem da senhora de fátima, no seu andor, que a pobre coitada, se a não transportarem aos ombros ou nos braços, nunca sai do sítio, assim como não come nem bebe, não respira nem fala, e a outra, com uma custódia de ouro, transportada pelo próprio Bispo, onde se escondia uma minúscula hóstia branca, por sinal, duas imagens de marca do tipo de pastoral que Manuel Clemente, nos seis anos em que foi Bispo do Porto incentivou, promoveu e presidiu, são igualmente os dois últimos actos de paganismo cristão religioso a que ele presidiu, pela Avenida dos Aliados e outras ruas do centro da cidade, já na sua dupla qualidade de patriarca da diocese de Lisboa e de Administrador Apostólico da Diocese do Porto.

Como a acumulação dos dois títulos indica, o Bispo Manuel Clemente está de regresso a Lisboa, de onde veio, há uns seis anos para o Porto, fazer tarimba como bispo titular e dar provas se tinha ou não perfil, política e eclesiasticamente correcto, para poder suceder ao cardeal patriarca de Lisboa, D. José Policarpo, então, já com a resignação compulsória no horizonte. Pelos vistos, passou, summa cum laude, ainda que sem unanimidade, nos testes que duraram seis anos, mais dois do que o inicialmente previsto, já que, entretanto, houve conveniência eclesiástica que o titular de Lisboa permanecesse dois anos mais, para lá dos 75.

Foram seis anos de total paz de cemitério na diocese, com o bispo a correr de um lado para o outro, a distribuir sorrisos e palavras sem substância profética, o que lhe valeram o Prémio Pessoa, sem que ele próprio tenha suspeitado porquê, uma vez que, tanto quanto se sabe, o Poema escrito ou praticado está longe de ser o seu forte. Aliás, o Poema, lá, em quem acontece e se fiaz carne e sangue, práticas económicas e políticas maiêuticas, duelos teológicos desarmados, como em Jesus, o de antes do cristianismo, adeus paz dos cemitérios, adeus cumplicidades com os grandes do Poder político, do Dinheiro e da Religião.

Com esse objectivo, no seu horizonte de bispo do Porto, Manuel Clemente cumpriu à perfeição o que os Poderes instituídos esperavam dele. E, como estes sabiam, de fonte suja, que esse era o objectivo do Bispo Manuel Clemente, nunca lhe regatearam ajudas. Os convites para discursar em variadíssimos ambientes culturalmente fúteis e participar em debates sobre tudo e coisa nenhuma, foram mais que muitos, e ele não se fez rogado. O próprio Prémio Pessoa 2009 faz parte destas ajudas (não estivéssemos em vésperas de comemorar os cem anos de República no país, e o prémio ter-lhe-ia sido atribuído?!) e ele, obviamente, não deixou os seus créditos por mãos alheias e aceitou-o, sinal inequívoco de que a missão de Evangelizar os pobres e os povos, primeiro e único dever de um bispo da Igreja que se reclama de Jesus, não era com ele, como não é com nenhum dos clérigos, cujos sonhos maiores, se eles tiverem unhas para tocar guitarra, são sobretudo fazer carreira eclesiástica.

Mas, para melhor dar a impressão de que evangelizar era o que o Bispo Manuel Clemente mais fazia, correu a diocese de lés a lés, mais do que uma vez, presidiu a missas sem conta e sempre usou da palavra, durante elas, sem qualquer contraditório. Pelo contrário, sempre com o submisso silêncio dos presentes, condenados ao papel de seus eternos ouvintes. E toda aquela sua vontade de congregar multidões em seu redor, como faz o papa, em Roma e fora de Roma, quando sai de viagem de chefe de estado do Vaticano?! Este foi um outro trunfo do Bispo que, agora, deixa tudo e vai-se embora, atraído pelo íman do título de patriarca de Lisboa e de cardeal, no próximo consistório que vier a ter lugar em Roma.

Ora, para arrastar e congregar multidões, nada mais eficaz do que pôr a imagem da senhora de fátima no seu andor, pelas ruas do Porto e pelos caminhos das aldeias que são também paróquias da diocese do Porto. Um ano de Missão foi um ano de passeatas da imagem da senhora de fátima, de reza de terços, de missas a granel, Evangelho de Jesus, nenhum. A festa litúrgica do corpo de deus, foi outro “coelho” que ele tirou da cartola e era vê-lo radiante com as multidões a seus pés. Tal como na chamada “bênção das pastas”, com missa, na Avenida dos Aliados, a fazer lembrar o Papa Bento XVI, quando esteve em Portugal e prolongou a sua visita por mais um dia, para vir presidir à missa nesta Avenida central do Porto.

Entretanto, que se saiba, o Bispo, com todo este frenesim, não chegou a “tocar” o coração de ninguém e, agora, manda tudo às urtigas, ao deixar, inopinadamente, a diocese do Porto, numa frustrante sensação de “orfandade”, porque ele, durante estes seis anos, não foi capaz ou não quis suscitar lideranças, não foi capaz ou não quis ser presença maiêutica, geradora de saudáveis conflitos e polémicas, o que sempre quis foi fazer carreira para patriarca e cardeal de Lisboa e, daí, quem sabe, subir a papa de Roma. Foi sempre ele, o protagonista, ao ponto de deixar estiolar nas rotineiras visitas pastorais pelas respectivas regiões pastorais, até os seus próprios Bispos auxiliares.

Decididamente, o patriarca Manuel Clemente nasceu e veio ao mundo, para subir, subir, subir na carreira eclesiástica. A sua mãe não se terá agradado da ideia deste seu filho querer ser padre. Desconhecia, nessa altura, que, para ele, esse seria apenas o primeiro degrau de uma carreira eclesiástica fulgurante. Hoje, orgulha-se dele, assim como os seus conterrâneos. E, quando, depois de tomar posse como patriarca de Lisboa e cardeal, conseguir achar tempo para ir de visita à sua aldeia natal, tem toda a população a seus pés a aplaudi-lo. Exactamente, o oposto do que sucede a Jesus, quando, algum tempo depois de ter iniciado a Missão de Evangelizar os pobres e começar a praticar/edificar o Reino/Reinado de Deus entre nós e connosco, foi a Nazaré, onde se tinha criado. Depois do que lhes disse, na sinagoga do lugar, em lugar de ser ovacionado, foi insultado e escorraçado pelos vizinhos e familiares, que, ofensivamente, diziam uns aos outros, Não é este o camponês-artesão de Nazaré, o filho de Maria?!, duas designações que, na cultura social da época e do país, eram o que de mais insultuoso se podia dizer de um homem judeu!

Meu querido irmão Bispo Manuel Clemente. Sei que serás um vencedor, porque tudo tens feito para isso. Mas não te louvo. Choro. Como Jesus chorou sobre a cidade de Jerusalém, a do grande templo e dos sumos-sacerdotes. Sabe, entretanto, que a minha alegria será ver-te descer, fazer-te o mais pequeno de todos, o último de todos. Longe de todo esse mundo do Poder e dos poderosos, intrinsecamente perverso, mentiroso, ladrão e assassino. Se um dia vieres a dar este fecundo passo, na linha do grão de trigo que desce à terra para dar fruto, tens-me aqui, nesta casinha arrendada onde vivo, entre o povo de Macieira da Lixa e com ele, como um pequenino sinal de contradição. Os meus braços estão sempre abertos para te acolher. E conversaremos, horas, dias, semanas, meses, sem fim. Fico à tua espera. Vem!

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Ainda o Bispo Manuel Clemente, na hora da saída

Que dizer das palavras do Pe. Almiro Mendes?!

 No relatar de VP-Voz Portucalense, de 5 de Junho 2013, o Padre Almiro Mendes, teve direito, estranhamente, a usar da palavra, no encerramento do mês de Maio, o das rosas ou do rosário da mãe terra, não da “boneca” senhora de fátima, puro mito divinizado e fonte de alienação das populações. Aconteceu no final da “grandiosa procissão na «cidade da Virgem»”, como titula o mesmo semanário oficioso da Diocese do Porto, por sinal, mais uma das iniciativas lançadas pelo Bispo Manuel Clemente na cidade onde se ergue o Paço episcopal e a Sé com a sua cátedra, e que promete continuar, mesmo depois dele regressar a Lisboa, como seu patriarca, caso o Bispo que lhe suceder na Diocese do Porto, esteja pelos ajustes. E o Padre Almiro usou da palavra, para dizer o quê?

JF transcreve, aqui, com vénia, o semanário VP. Para que conste, também longe dos bafientos ambientes das sacristias, dos templos paroquiais e da catedral do Porto, pelos quais não pode passar a Ruah/Sopro de Jesus, a não ser como chicote no templo, tal como em Abril no ano 30, no templo de Jerusalém, na pessoa de Jesus. Leiam as suas palavras e vejam o nível rasca de uma das mentes “proeminentes” do clero, na cidade do Porto:

“Fizestes muito bem em vir fazer pública manifestação da vossa devoção a Maria e da vossa fé em Cristo. [Estamos, como se vê, no domínio do puro mito, não no da realidade histórica, a de Deus, o de Jesus!]

Decerto compreendeis que seja nosso dever dizer um muito obrigado à Câmara Municipal do Porto… sem a sua colaboração esta procissão não teria sido possível. [Querem mais concubinato pastoral? Pode haver profecia, Igreja jesuânica, quando tudo se passa no âmbito dos Poderes?]

Gostaria de vos recordar que esta procissão aconteceu porque alguém um dia manifestou vontade de que os padres da cidade se unissem na realização de uma procissão à Virgem da cidade, por ser o Porto a cidade da Virgem. Essa pessoa foi o senhor D. Manuel Clemente. [Vêem? Não inventei nada. O Bispo Manuel Clemente, Prémio Pessoa, é que introduziu esta “procissão à Virgem da cidade”. Este falar não é da idade média, pior, do Paganismo religioso mais primitivo?!]

Por isso, nesta hora em que nos vai deixar, impõe-se-nos dizer-lhe o quanto lhe estamos gratos por tudo quanto fez pela diocese do Porto, e pela nossa cidade em particular e por esta ideia tão feliz de uma procissão em honra da Padroeira do Porto. [Afinal, a “Virgem” é padroeira de Portugal, ou só do Porto?! E que tem esta “Virgem” a ver com Maria, mãe de Jesus, uma mulher em tudo igual às nossas mães e irmãs?!]

Queremos dizer-lhe, senhor D. Manuel, que esta procissão que pensou e começou é da nossa inteira vontade fazer que continue. Sabemos que Deus a deseja, Maria a merece e nós, povo de Deus, dela precisamos. [Mas como sabem os párocos da cidade do Porto que Deus deseja esta procissão? Será que confundem o desejo do Bispo que se vai para patriarca de Lisboa, e os deles próprios, com os desejos do próprio Deus? Nesse caso, de que Deus é que estão a falar?!]

Decerto o senhor D. Manuel adivinha que por um lado estamos tristes, pois perdemos o nosso bom pastor, mas por outro estamos jubilosos por ser o escolhido para uma missão que sabemos vai desempenhar com vantagem para a Igreja e para Portugal. [“O nosso bom pastor”? Mas então o Bom Pastor não é Jesus, o do Evangelho de João? Os outros que se arrogam desse título, não são, antes, mercenários de carreira?]

Apenas não concordamos com uma coisa: em vez de ser patriarca de Lisboa e ir residir para lá, preferíamos que fosse patriarca de Portugal e ficasse a morar cá, porque é para nós um sorriso de Deus que gostaríamos de ter sempre connosco. [Vêem todo o pueril deste pensar e deste dizer clericais? Ainda são homens, estes clérigos que assim são levados a falar?]

Por isso embalamos no peito dores secretas, são dolentes os nossos murmúrios e sangram já, em nós as benévolas recordações da vida e da fé partilhada; gememos mesmo, comovidos, o mal da partida do nosso bispo, mas queremos que saiba que, mesmo deixando o Porto, reviverá numa saudade que sempre teremos, porque de si guardamos sempre a mais grata memória”. [Ó Padre Almiro, bajulação ao Bispo-patrão, mas nem tanto, homem! Querem melhor prova de que o Bispo Manuel Clemente, nestes seis anos de Bispo do Porto, não despertou/promoveu lideranças? Só mentes pequenas e bajuladoras, que, no momento da sua (in)esperada saída, se confessam publicamente às aranhas?! Uma vergonha!].

Mas as coisas não se ficaram por aqui. Reza a reportagem da VP, que também “o Cónego Fernando Milheiro, em nome da vigararia da região nascente, reforçou as palavras do seu companheiro, acrescentando um tópico já referido, mas agora acentuado: prometemos continuar esta iniciativa e cada ano promover a realização desta manifestação de fé e louvor a Maria.”

E, perante tanto infantilismo e disparate junto, como reage o Bispo Manuel Clemente, que a tudo presidiu? “Dessa última parte gostei particularmente – afirmou D. Manuel Clemente, antes de algumas palavras de despedida, acolhidas com aclamação dos presentes.”

Mas não pensem que já acabou o disparate. Acrescenta VP: “Veio ainda a bênção, e veio o tradicional hino do adeus: «Uma prece final / ao deixar-vos, Mãe de Deus», com os tradicionais lenços brancos, gesto sempre emotivo.” E, conclui, com mais este mimo: “Que a cidade da Virgem se sinta abençoada pela Padroeira.” [Querem mais?! Só para o ano, se, à falta de mulher, a mítica virgem continuar a povoar as mentes de clérigos condenados por Lei eclesiástica, ao celibato. Uma dor de alma!!!]

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“Igreja pobre, para os pobres”?! Haja modos, Papa Francisco!

Visita do Papa Francisco ao Brasil custará 118 milhões de reais

 Os governos federal, estadual e a prefeitura do Rio terão um gasto milionário com a visita do Papa Francisco, durante a 26ª Jornada Mundial da Juventude, que acontecerá de 23 a 28 de julho, no Rio. Somados, União, estado e município gastarão 118 milhões de reais, durante a passagem do Papa pelo país. Só o governo federal desembolsará 62 milhões, sendo 30 milhões com ações de segurança e defesa. Estado e município darão 28 milhões cada um.

Enquanto o Papa estiver em território brasileiro, a segurança terá um efetivo de 10.700 homens, sendo 9 mil das Forças Armadas e 1.700 da Força Nacional. Só em Guaratiba, onde acontecerá uma vigília e a missa campal, haverá 1.500 homens da Força Nacional. A própria Igreja vai entrar com a contratação de 2 mil seguranças privados.

O governo trabalha com a estimativa de que a Igreja arrecadará 140 milhões de reais, com a taxa de inscrição dos participantes do evento, contando que entre 350 mil e 450 mil pessoas se inscrevam. Mas o Vaticano espera um público bem maior: 800 mil. Caberá à Igreja cuidar/financiar a estrutura do evento e a hospedagem dos peregrinos.

Quem trabalha na organização do evento pelo governo justifica os gastos, lembrando o caso de Madrid, sede da jornada em 2011, quando 2 milhões de peregrinos se reuniram na capital espanhola. Os gastos do governo também ultrapassaram os100 milhões, mas a arrecadação gerada pelos jovens no país superou as despesas em 200%, a mostrar que é tudo negócio. E que negócio! O único Deus deles é o Dinheiro! As viagens papais têm de ser super-lucrativas. A Cúria romana e o Banco do Vaticano não brincam em serviço. São antípodas de Jesus!

Dois papamóveis!

O Vaticano vai mandar ao Brasil dois papamóveis, para a eventualidade de um deles quebrar. Os dois veículos têm que acompanhar o Papa em todos os lugares. Para transportá-los do Rio para Aparecida, onde o Papa celebrará uma missa no Santuário Nossa Senhora da Conceição de Aparecida, será usado um avião Hércules, operação que custará à União 1 milhão de reais.

Funcionários que trabalham na organização da visita contam que um dos principais desafios é a questão da mobilidade. Para garantir a segurança do Papa, a prefeitura do Rio teve que negar um desejo do Vaticano, que queria que ele seguisse de papamóvel do Galeão até o Palácio Guanabara. Para viabilizar isso, seria preciso fechar a Linha Amarela, mas a prefeitura explicou para a equipa do Papa ser impossível.

Da parte do governo brasileiro, ainda há dúvidas sobre a presença da presidente Dilma Rousseff na cerimónia de despedida do Papa na Base Aérea do Galeão, no domingo (28 de Julho). Mas já está confirmada a presença de Dilma na chegada do pontífice ao Rio, na tarde de 22 de Julho, e um encontro privado dos dois, logo depois, no Palácio Guanabara. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, também prestigiará o Papa no dia 24, durante a visita dele ao Hospital de São Francisco de Assis na Providência de Deus, na Tijuca. Lá o Papa fará um discurso.

Socialites de Francisco

Acostumada a ser reconhecida como a mulher do empresário da noite, Ricardo Amaral, a socialite Gisella Amaral, 72, vem se dedicando a um evento que foge à ideia comum de badalação. Nos últimos meses, ela tem mobilizado a alta sociedade carioca em torno da vinda do papa Francisco para a Jornada Mundial da Juventude, encontro internacional de jovens católicos que será realizado no Rio. Na função de conselheira do comité organizador, Gisella define sua participação como "um esquema SOS" para auxiliar a produção católica.

Aposta nas suas boas relações para cumprir as tarefas que encontra pelo caminho. Já providenciou, por exemplo, um aparelho de louça com o brasão da arquidiocese do Rio para as refeições da comitiva do Vaticano. E tem mais: conseguiu o apoio dos cartolas de clubes cariocas para abrigar peregrinos em ginásios desportivos. Recorreu a sobrenomes tradicionais, como Nabuco e Almeida Braga, em busca de hospedagem para bispos e cardeais.

"Conversei com algumas amigas, mas os endereços ainda não estão definidos". E sublinha que, nesse caso, beleza não é tudo. "Algumas casas são lindas, mas talvez estejam em áreas de difícil acesso para os hóspedes da Jornada", explica.

Embora o comitê organizador já tenha anunciado que o uso de helicóptero ficará restrito ao papa e seus assessores diretos, Gisella antecipou-se e já disponibilizou 17 helicópteros emprestados de empresários cariocas. "Acho que eles não serão usados. Mas, se for necessário, os helicópteros estão à disposição", acrescenta. "Pus até os meus filhos a trabalhar. Eles ajudam-me a fazer contatos".

 

Por outro lado, ao tomar conhecimento da precariedade do pátio interno da casa onde o papa Francisco ficará hospedado, no morro do Sumaré, Gisella pediu ajuda à paisagista Maritza de Orleans e Bragança, da família imperial brasileira. Com 36 metros quadrados, a área será transformada nas próximas semanas num espaço de meditação, com um banco de pedra cercado por flores e plantas em vários tons de cores. "O banco é bem simples, todo em pedra e nos moldes daqueles encontrados nas antigas igrejas do interior de Minas Gerais", explica Maritza, que vai instalar também uma pequena fonte num dos cantos do jardim.

Na mesma propriedade da arquidiocese no Sumaré, um prédio anexo, com 42 quartos, vai abrigar os integrantes da comitiva do Vaticano, que acompanha o pontífice. Gisella ficou encarregada de trocar as cortinas em todos os dormitórios. Ligou para a amiga e empresária Guida Sève, sócia da loja de tecidos Ipanema Kravet, que se comprometeu a ajudar.

Depois, soube que as cortinas do Palácio São Joaquim, na Glória (zona sul), também estavam deterioradas pelo tempo. O endereço concentra uma série de compromissos do papa Francisco na sua passagem pela cidade. Será também uma opção de descanso entre os compromissos agendados pelo pontífice.

Tudo somado, Guida vai “doar” aproximadamente 500 metros de tecidos para a confecção das novas cortinas. "Juntando forças, damos nossa contribuição para a estadia do papa aqui no Rio", diz Idinha Seabra Veiga, que assumiu a conta do serviço de louça brasonada. (Fonte: Catarina Alencastro/O Globo)

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Senhora de fátima em operação científica de restauro

Antes que o caruncho a leve de vez

 Alguns media têm falado no caso, sem se rirem, quando deveriam rir a bom rir. Parece que têm medo de fazer humor com o caso. Mas, se há caso digno de humor, é este. Eis. Como desde sempre se sabe, a milagreira senhora de fátima nem dela própria cuida. Como há-de então cuidar de quem está aflito e corre para lá a pé ou de carro, faz promessas e arrasta por lá os joelhos até sangrarem? Depois de quase cem anos de ter sido fabricada pelo senhor José Thedim, santeiro artesão de S. Mamede do Coronado, Trofa, e comprada, em 1920, por 220 escudos (era dinheiro, na altura) por um dos inventores/criadores das “aparições” de fátima, um tal Gilberto Fernandes dos Santos, está, agora, em risco de se desfazer em pó de serrim, minada pelo caruncho! É um pedaço de madeira de cedro do Brasil, por sinal, das mais resistentes às alterações climáticas. A partir de um desses pedaços de madeira, Thedim fez uma estátua em forma de mulher, daquelas que gelam até os homens sexualmente mais “quentes”, tão sem formas eroticamente femininas, ela se apresenta. Baptizou-a de senhora de fátima. E vendeu-a, logo que apareceu comprador. De então para cá, tem ssido um tal fartar de fazer dinheiro com outros tantos pedaços de madeira, com aquele mesmo formato de senhora de fátima. Hoje, a empresa Thedim têm senhoras de fátima em tudo quanto é sítio, até na China!

Cerca de cem anos depois da invenção de fátima, os gestores do respectivo Santuário S. A. estão aflitos, ao perceberem que há o risco de perderem esta sua “galinha de ovos d’oiro”, e vá de a despachar para restauro, num laboratório da especialidade. E para que os infelizes devotos, mais elas do que eles, não dêem pela falta dela, na capelinha das “aparições” – e anda a Igreja metida nesta anedota sem pés nem cabeça, até à raiz dos cabelos! – colocaram uma outra parecida e em melhor estado de conservação, no lugar deixado vazio. E assim enganam os “peregrinos”, elas e eles. Tal como se enganam os tolos, com papas e bolos.

Explicam os técnicos do restauro, que a madeira com que é fabricada a senhora de fátima, que as populações mais sofridas e mais tolhidas adoram e diante da qual fazem preces, na ilusão de que ela as escuta, ao estar exposta às condições climatéricas do frio e do calor e à humidade das noites, durante a “procissão das velas”, deteriora-se. O exame científico àquele pedaço de madeira, quase com cem anos, vai dizer se ele ainda é recuperável ou não. E, se for, será mais um “milagre” que a senhora de fátima realiza, graças, não a ela, mas aos conhecimentos e às novas tecnologias que hoje estão aí disponíveis e ao nosso serviço.

Os devotos da senhora de fátima deveriam ser todos informados de que a madeira santa da sua devoção/adoração está gravemente doente. E que corre o risco de ter de ser substituída de vez por outra. Provavelmente, se soubessem, correriam logo a fazer promessas e a pedir à senhora de fátima que cure aquele pedaço de madeira. Haveria de ter piada. Mas acreditem que os devotos são bem capazes disso. Porque quem pede à senhora de fátima a cura para si ou para familiares seus, de certas doenças, sem, entretanto, deixar de consultar o médico, submeter-se a intervenções cirúrgicas e tomar a respectiva medicação, e depois, em lugar de correrem a beijar as mãos dos médicos e enfermeiros, correm a dizer que foi “milagre” da senhora de fátima, também é bem capaz de pedir à mesma senhora de fátima que cure a senhora de fátima que está em risco de ficar reduzida a pó de serrim, como sucede a qualquer outro pedaço de madeira.

Será que nem, depois disto, vamos abrir os olhos e compreendermos, duma vez por todas, que “milagres”, só mesmo os que nós fazemos, com o nosso esforço e o nosso empenho e o nosso desenvolvimento científico posto ao serviço da vida, em vez de ao serviço do Poder e dos poderosos?! Lembrem-se daquele velho ditado popular, muito anterior à invenção da senhora de fátima: “Fia-te na virgem e não corras; verás o tombo que levas”. E quanto aos gestores do Santuário, S. A., ou mudam de Deus e de vida, do deus-ídolo da senhora de fátima, para o Deus de Jesus e de Maria, e abandonam tudo aquilo, ou não têm perdão!

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E a já esperada boa notícia chegou, mas com lágrimas

Jesús Ruiz Cayola (Madrid) definitivamente vivente, por isso, invisível aos olhos

 Um Amigo de peito. Juntamente com Viky, sua mulher e companheira, e seus filhos. Durante anos e anos, o Congresso de Teologia de Madrid, juntou-nos. A Comunidade de base de Canillejas, um Bairro periférico de Madrid, sempre nos acolheu nas casas de membros seus. Jesús Ruiz, com toda a sua casa, é então um dos mais entusiastas com a nossa presença, juntamente, com Amparo e Antonio, Dori e Pepe, Pilar e Júlio, Laura, Júlio Alonso. Todas casas Eucaristia viva, que me/nos dispensam dos ritos ditos litúrgicos das missas, uma estopada sem Ruah, a de Jesus, o alfa e o ómega do Humano. Pois bem, Jesús Ruiz acaba de conhecer a sua derradeira Páscoa. Fica aqui o registo da boa notícia, tal e qual como nos chegou por email. Segue-se-lhe a minha pronta reacção, também por email. Em espanhol e em português, respectivamente.

Queridos Mario, Laura y Belmira: Os damos una noticia muy triste, Jesús murió el sábado día 18 [de Maio 2013] y lo hemos incinerado ayer día de su cumpleaños.

Estamos todos muy tristes. Somos adultos y lo aceptamos pero no lo acabamos de asimilar. No le correspondía. Aún le quedaba mucha vida por delante. Llevaba ya cuatro años soportando la terrible enfermedad del cáncer, cáncer de colon, y al final pudo con su vida.

Dos días antes, el oncólogo le comunicó que no había ya esperanza de vida y el pidió que le retiraran todo para morir dignamente sin prolongar más el sufrimiento. Nos llamó a todos y se fue despidiendo de cada uno de nosotros en una comunión-confesión pidiendo perdón por sus posibles faltas y diciendo que nos quería, que nos quisiéramos y nos apoyáramos que ya se retiraba a descansar. Yo le felicité y le dije que me alegraba esa valentía y fortaleza que tenía. Le dije en ese momento tu Jesús eres ya santo porque te vas libre de toda atadura.

En el tanatorio, estando su cuerpo aún con nosotros, casi caliente, le hicimos una celebración de la palabra preparada por Paco y yo, sus hermanos, y con el apoyo de la comunidad. Al día siguiente, día de Pentecostés, Pepe preparó otra pequeña oración. Nos ofrecieron un cura pero nosotros lo rechazamos. Celebraciones muy sentidas y llenas de esperanza, vida, rebeldía y cariño, mucho cariño hacia él, Viki y sus hijos.

Posteriormente en el tanatorio, ayer, tuvimos también unas lecturas "La samaritana" y "Emaús", elegidas por nosotros por ser muy significativas. Borja su hijo tocó el Ave María de Schubert con la flauta travesera y nos acabó partiendo el alma. Allí mismo Le proclamamos "Santo" porque su vida ha sido y será un ejemplo para todos nosotros. Pedimos que toda la asamblea reunida ratificara nuestra propuesta con un aplauso y así ocurrió. Por eso dijimos que a partir de ahora, la iglesia popular tiene un nuevo santo que es Jesús Ruiz Cayola. No puedo seguir más. Os lo comunico porque os queremos y se que también vosotros nos queréis. Un beso.

Vibro de emoção e de comunhão

Meus queridos Companheiros e irmãos Amparo, António, Vicki e seus filhos, e toda a Cdd de Canillejas. A emoção foi ao rubro, à medida que acolhia, com a minha mente cordial, o Evangelho da Páscoa do nosso querido Jesús Ruiz Cayola! Um Texto só possível, porque o ser-viver histórico de Jesús Ruiz o inspira e faz escrever.

Nunca mais esquecemos aquelas Férias em comunidade, ainda os filhos deste espantoso Casal eram meninos. Ainda hoje, vivo do Pão substancial que essas Férias produziram e nos deixaram.

A boa notícia que agora nos chega é uma boa notícia já anunciada e esperada. O cancro no cólon não perdoa. Mas acaba de sair derrotado neste duelo que o nosso Jesus Ruiz travou com ele. Visivelmente, parece que o cancro é o vencedor. Em verdade, é o grande derrotado. Porque a Morte não é o papão que S. Paulo e o cristianismo eclesiástico que ele estruturou e o império de Constantino consolidou e impôs urbi et orbi, nos têm dito que é. O acto de morrer é tão naturalmente espantoso como o acto de nascer. Um Mistério que se nos revela, à medida que nos tornamos progressivamente invisíveis aos olhos dos demais, até nos tornarmos definitivamente viventes no vivente Jesus e em Deus Abba-Mãe, o de Jesus e nosso.

Vibro de emoção e de comunhão. Na ininterrupta companhia de Jesús Ruiz que proclamais santo da Igreja popular. Por mim, a essas designações, prefiro viver, de ora em diante, à escuta do que ele nos diz, em e com Jesus de Nazaré, o vivente por antonomásia.

Sei que, a partir de agora, tenho um companheiro, mais, comigo. Ininterruptamente. E que, juntos, produziremos muitos frutos de vida, a da liberdade e da paz desarmada. Serei ainda mais Política praticada, graças ao nosso Jesús Ruiz, um só comigo, connosco.

Amemo-nos, irmãs, irmãos, companheiras, companheiros. Na Política praticada, todos os dias, até que chegue também a nossa Páscoa. Dou-Vos o meu colo. E o meu viver na trincheira, longe dos templos e dos altares.

Vosso e convosco, Mário

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A última sujeira pastoral do Patriarca José Policarpo

Consagração a Nossa Senhora de Fátima do ministério do Papa Francisco

 Fátima, 13 Maio 2013. D. José Policarpo, cardeal-patriarca de Lisboa e presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, protagoniza um acto teologicamente obsceno e que constitui a sua última sujeira pastoral, antes de ceder o lugar a D. Manuel Clemente que, abruptamente, troca a diocese do Porto pelo patriarcado de Lisboa e respectivo cardinalato. Eis a Igreja católica em todo o seu esplendor de vaidade e de carreirismo eclesiástico. E que acto é esse? Presente em Fátima, volta-se para o pedaço de madeira, baptizado de senhora de fátima, e diz esta patética fórmula de oração cristã/pagã. O absurdo dos absurdos. Eis:

“Virgem Santíssima,

1. Estamos a Vossos pés, os Bispos de Portugal e esta multidão de peregrinos, no 96.° aniversário da Vossa Aparição aos Pastorinhos, nesta Cova da Iria, para dar cumprimento ao desejo do Papa Francisco, claramente expresso, de Vos consagrar a Vós, Virgem de Fátima, o seu Ministério de Bispo de Roma e de Pastor Universal. Assim Vos consagramos Senhora, Vós que sois Mãe da Igreja, o Ministério do novo Papa: enchei o seu coração da ternura de Deus, que Vós experimentastes como ninguém, para que ele possa abraçar todos os homens e mulheres deste tempo com o amor do Vosso Filho Jesus Cristo. A humanidade contemporânea precisa de sentir-se amada, por Deus e pela Igreja. Só sentindo-se amada vencerá a tentação da violência, do materialismo, do esquecimento de Deus, da perda do rumo que a conduzirá a um mundo novo, onde o amor reinará. Dai-lhe o dom do discernimento para saber identificar os caminhos da renovação da Igreja; dai-lhe coragem para não hesitar em seguir os caminhos sugeridos pelo Espírito Santo; amparai-o nas horas duras de sofrimento, a vencer, na caridade, as provações que a renovação da Igreja lhe trará. Estai sempre a seu lado, pronunciando com ele aquelas palavras que bem conheceis: "Eu sou a Serva do Senhor, cumpra-se em Mim a Tua Palavra".

2. Os caminhos de renovação da Igreja levam-nos a redescobrir a atualidade da Mensagem que deixastes aos Pastorinhos: a exigência da conversão a Deus que tem sido tão ofendido, porque tão esquecido. A conversão e sempre um regresso ao amor de Deus. Deus perdoa porque nos ama. É por isso que o Seu amor se chama misericórdia. A Igreja, protegida pela Vossa solicitude maternal e guiada por este Pastor, tem de se afirmar, sempre mais, como Lugar da conversão e do perdão, porque nela a verdade exprime-se sempre na caridade.

Vós indicastes a oração como o caminho decisivo da conversão. Ensinai a Igreja, de que Sois membro e modelo, a ser, cada vez mais, um povo orante, em comunhão com o Santo Padre, o primeiro orante deste povo e também em comunhão silenciosa com o anterior Papa, Sua Santidade Bento XVI, que escolheu o caminho do orante silencioso, desafiando a Igreja para os caminhos da oração.

3. Na Vossa Mensagem aos Pastorinhos, aqui na Cova da Iria, pusestes em relevo o Ministério do Papa, "o Homem vestido de branco”. Três dos últimos Papas fizeram-se peregrinos do Vosso Santuário. Só Vós, Senhora, no Vosso amor maternal a toda a Igreja, podeis pôr no coração do Papa Francisco o desejo de ser peregrino deste Santuário. Não é algo que se lhe possa pedir por outras razões; só a cumplicidade silenciosa entre Vós e Ele o levara a sentir-se atraído por esta peregrinação na certeza de que será acompanhado por milhões de crentes, dispostos a ouvir de novo a Vossa Mensagem.

Aqui, neste Altar do mundo, ele poderá abençoar a humanidade, fazer sentir ao mundo de hoje que Deus ama todos os homens e mulheres do nosso tempo, que a Igreja os ama e que Vós, Mãe do Redentor, os conduzis com ternura aos caminhos da salvação.” [Como é possível uma postura destas, neste início do terceiro milénio?! Não perfaz um atentado à inteligência humana? Ah, é verdade! E a esta “oração/prece”, sua e de todos os outros Bispos portugueses, o que disse a senhora de fátima?! Diga-nos, Senhor Cardeal Patriarca, ex-Reitor da Universidade Católica em Portugal! Nada? E então como foi capaz de semelhante sujeira pastoral, em final de mandato eclesiástico?!]

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As 4 dioceses beneficiadas não congregam alunos bastantes

Instituto Superior de Teologia encerra portas

 O Instituto Superior de Teologia que benefiicia as dioceses de Bragança, Guarda, Lamego e Viseu, em ligação com a Universidade Católica Portuguesa, vai fechar por causa da falta de alunos. O Bispo de Viseu, em recente entrevista à Agência ECCLESIA, garante que os 26 estudantes inscritos para o próximo ano “são insuficientes” para dar continuidade ao projeto, segundo os parâmetros definidos pela Congregação para a Educação Católica. O Bispo Ilídio Leandro garante, também, que aquelas quatro dioceses debatem-se com uma quebra “acentuada” na população e “a maior parte das freguesias estão desertificadas de gente nova”.

Perante estes dados, fruto também duma população envelhecida e cada vez mais reduzida, as quatro dioceses, em lugar de pararem para reflectir e darem corpo a uma Igreja outra, sem clérigos e sem celibato imposto por uma absurda Lei canónica, preferem enterrar a cabeça na areia e dizem-se decididas a prosseguir com esta formação em conjunto.

A solução poderá então passar pela criação de uma parceria com a Faculdade de Teologia do Porto ou a de Braga. “De certeza – garante o Bispo – que para o ano, em Braga ou no Porto, conforme as condições que nos forem apresentadas, continuaremos a fazer a formação dos candidatos”. Resta saber, se para o ano, os actuais 26 candidatos ainda estão dispostos a enveredar por um modelo de Igreja tão nos antípodas do jeito jesuânico de sermos Igreja. Tanto mais que, pelos vistos, a nova estrutura funcionará sempre num “Seminário próximo da Faculdade”, não próximo das populações e entre elas, e contará com “uma equipa constituída por um sacerdote de cada uma das quatro dioceses”. Ou seja, num pequeno mundo à parte, que proporcione a transformação de homens jovens em clérigos.

Felizmente, as mulheres jovens estão livres desta sedução/tentação clerical. Pena é que algumas delas ainda continuem a cooperar com uma estrutura eclesiástica que, arbitrariamente, as impede de aceder aos ministérios ordenados, na Igreja. Quando todas as mulheres abrirem os olhos, que vai ser dos bispos clérigos e celibatários à força?

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Bélgica: A Igreja em risco de falência financeira

 A Igreja Católica belga está a passar por uma crise profunda: os seminários estão vazios, os fiéis praticantes estão reduzidos até o osso, o bispos já não gozam mais do prestígio e do controlo sobre a vida pública do país que tinham antigamente. Também como resultado de investimentos equivocados, o financiamento público de 75 milhões de euros por ano não é suficiente para equilibrar as contas. A diocese da Antuérpia, por exemplo, está com um déficit de 2 milhões de euros.

A Igreja belga já pagou 303 mil euros para ressarcir as vítimas de abuso sexual. E o Centro de Arbitragem sobre os abusos sexuais examinou até agora 67 dos 621 processos apresentados.

Os pedidos vêm principalmente do Flandres (mais de 72%) e de homens (80%) nascidos nos anos 1950 e 1960. "Alguns falaram pela primeira vez", comentou Karine Lalieux, presidente da Comissão Parlamentar sobre os Abusos: "Não houve nenhuma contestação e nunca foi levantado o problema do ónus da prova. As palavras das vítimas são consideradas legítimas". Ainda restam a ser examinados 552 dossiês. Serão necessários mais dois anos.

O que agrava o colapso económico das dioceses é também a rápida transformação da sociedade belga. Segundo o estudo L'Iris et le Croissant, feito pelo professor Felice Dassetto, da Universidade Católica de Leuven, problemas de coexistência poderiam surgir devido ao tecido social cada vez mais multicultural em muitas cidades da Bélgica.

Segundo o relatório ACS, 25% dos residentes em Bruxelas (ou seja, 250 a 300 mil pessoas) são de origem muçulmana, e 10-15% deles praticam a sua religião no âmbito de associações religiosas e culturais, e nas 77 mesquitas da capital belga.

Sobre os ataques contra alguns responsáveis da Igreja Católica e as infundadas acusações pendentes de negligência ao lidar com casos de abuso de crianças por parte de sacerdotes e de não ter oferecido ajuda às pessoas em perigo, há investigações em andamento.

Também se multiplicam os episódios de violência contra estruturas religiosas, por exemplo o incêndio na igreja paroquial de Santa Lúcia em Begijnendijk e, em Couvin, na diocese de Namur, os estragos em sete igrejas.

Há poucos dias, o arcebispo de Malines-Bruxelas, Dom André-Joseph Léonard, foi vítima de um acto de provocação por parte dos quatro ativistas do Femen, que invadiram o lugar aos gritos de "Stop homophobia", enquanto o bispo proferia uma conferência dedicada ao tema da liberdade de expressão na universidade pública de Bruxelas.

Os bispos belgas solidarizaram-se com Léonard, afirmando também que as provocações do Femen "são totalmente isentas de credibilidade e senso cívico e estão em total contradição com o tema do debate e com o estilo com o qual a Igreja Católica se põe em diálogo em um contexto pluralista".

O episcopado entrou em campo para dizer não ao projeto de lei apresentado pelo Partido Socialista de ampliar a possibilidade de recorrer à eutanásia (introduzida em 2002) aos menores de 15 anos e às pessoas com o mal de Alzheimer: "Queremos honrar tanto a nossa democracia quanto a dignidade humana, queremos lembrar a ligação de carne e sangue que, unindo todos os seres humanos entre si, os convida a evitar qualquer violência e qualquer forma de pressão nas suas relações recíprocas". (Fonte: Giacomo Galeazzi/Vatican Insider)

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Segundo as associações de vítimas, apenas em Victoria, o número dos que sofreram abusos pode ultrapassar os 6.000

Igreja Católica australiana admite que encobriu milhares de casos de abusos sexuais

 “A principal motivação era manter a reputação da Igreja (...) temia-se um escândalo”, manifestou Pell, durante a sessão final da comissão no Parlamento do estado de Victoria, que investiga os casos de pedofilia cometidos nas diferentes ordens religiosas.

Durante mais de quatro horas, o cardeal explicou qual foi seu papel durante sua etapa na direção do Arcebispado de Melbourne, entre 1996 e 2001, quando deu encaminhamento aos protocolos para tratar as queixas de vítimas de abusos.

Pell negou ter atuado como Pôncio Pilatos, no caso de lavar as mãos diante das reclamações, e rejeitou as acusações de deputados, que garantem que ele declarou que a Igreja se arruinaria com o pagamento das compensações. “Na minha cabeça, isso era uma consideração secundária, a contrapartida económica. Independentemente do que for o que o legislador decidir que é apropriado, iremos pagar”, assegurou.

Em setembro do ano passado, a Igreja Católica confirmou a existência de 620 casos de abusos sexuais contra menores, incluindo crianças de 7 e 8 anos, cometidos por sacerdotes na Austrália, desde a década de 1930. A maioria dos abusos ocorreu entre os anos de 1960 e os de 1980, ao passo que somente 13 dos abusos foram registados depois de 1990, segundo um relatório eclesial.

O clérigo admitiu que as transferências de sacerdotes pedófilos para outras paróquias, para esconder seus crimes, foram de consequências desastrosas.

“Não há dúvida de que muitas vidas foram arruinadas”, insistiu o arcebispo, ao destacar que muitos destes crimes contribuíram para o “suicídio” de vítimas.

Além da comissão investigadora no estado Victoria, que prevê oferecer suas conclusões no final do ano, também está aberta uma investigação a nível nacional e comissões especiais para Nova Gales do Sul e em Hunter Valley, ao norte de Sidney.

Segundo as associações de vítimas, apenas em Victoria, o número dos que sofreram abusos pode ultrapassar os 6.000.

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Edição 88, Sexta-feira 10 Maio 2013

São balas de matar e vão até 2017

Os cortes de PauloPortas, anunciados por PassosCoelho

 Está visto que Maquiavel, o autor de O PRÍNCIPE, ou, em tradução actualizada e politicamente correcta, COMO SE FAZ UM CANALHA, comparado com o politicamente maquiavélico PauloPortas, o do CDS/PP e membro do governo presidido por PassosCoelho do PPD/PSD, não passa de um aprendiz. Os malabarismos que, nestes últimos dias de Abril e primeiros de Maio, ele protagonizou, perante o desaparecimento total do CDS/PP, revelam um político profissional com tudo o que há de mais perverso. Solteirão, no BI, é efectivamente casado com o Poder. Ele e o Poder são uma só coisa. E essa coisa é hedionda. Dele, nunca uma mulher dirá como uma mulher diz de Jesus, em plena missão política ao serviço do Reino/Reinado de Deus, “Felizes as entranhas que te trouxeram e os seios que te amamentaram” (cf. Lc 11,27). Dele, sempre se há-de dizer, Infeliz mãe que tal filho-poder pariu. Inteligente e arguto como poucos, coloca todas as suas capacidades ao serviço do Poder, pelo que, vê-lo em acção, é ver o Poder e todo o hediondo que o Poder é.

Não há coligação onde ele esteja, que não se torne intrinsecamente perversa. Desde que se ligou ao PPD/PSD e, juntos, constituíram governo, está a minar por dentro o próprio PPD/PSD e a tornar cínico e cruel, o politicamente anjinho, ainda que suficientemente vaidoso e ambicioso, PassosCoelho que, cada dia que passa, está cada vez mais igual a PauloPortas, cínico e cruel, ainda que sempre naquela estudada pose de presidente do conselho de ministros que nunca se irrita, nem nunca se ri. Com ele na coligação PPD/PSD-CDS/PP, os dois partidos que suportam este governo sadomasoquista, simplesmente pulverizaram-se. Não existe ninguém mais para lá dele. Paulo Portas é o chefe em exercício, ainda que o titular oficial seja PassosCoelho. Nem os funcionários da Troika se safam com ele. Tudo ele pulveriza, porque ele é o Poder, o Poder é ele, e os dois são um só.

Mas como mestre do próprio Maquiavel, quem o vê e ouve, admira-lhe a inteligência e a argúcia, e pode concluir erradamente que, graças a ele, as coisas, embora más, não estão tão más quanto estariam, se ele não estivesse no governo. A verdade é que o País está em vias de extinção. O Poder é assassino e torna estéreis as populações em que entrar. Basta ver que cada ano que passa, há menos crianças a nascer no nosso País e na Europa em geral, e as que ainda nascem e sobrevivem, vêem um muro de chumbo à sua frente. Resistem os velhos, elas e eles, mas porque já não se reproduzem, em breve, já nem velhos haverá.

Ora, PauloPortas é o cérebro com que o Poder conta para levar o nosso País à extinção. Ou o travamos a tempo, e ao governo que ele fez/mantém à sua imagem e semelhança, ou desaparecemos. Com ele ao leme, via PassosCoelho, a extinção do País está próxima. Ficará apenas o Poder. E todos os que sobreviverem, como seus vassalos e lacaios. Eternos condenados pagadores de promessas, a ter de calcorrear quilómetros e quilómetros até Fátima, onde o clero católico implantou a imagem feminina do Poder que, embora macho, como PauloPortas, sempre que lhe convém, traveste-se de fêmea, no caso, numa nossa senhora qualquer, pouco importa o nome.

A verdade é que os recentes cortes anunciados pelo governo até 2017 são outras tantas balas de matar disparadas contra as populações, em particular, as mais indefesas. E, ao contrário do que se pensa e diz por aí, todos esses cortes têm a marca de PauloPortas. Se nos guiarmos só pelos discursos, diremos que eles têm a marca de VítorGaspar e PassosCoelho. Mas se nos guiarmos pelo cérebro que as concebeu e pariu, percebemos que eles têm a marca de PauloPortas, casado com o Poder, os dois um só. Graças a este malabarismo político, mantém-se a coligação e o seu governo, apresentado como “mal menor”. E em 2015 é bem capaz de voltar a receber um voto de confiança das populações. Graças ao mestre de Maquiavel, o Dr.PauloPortas.

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Dois papas no Vaticano, para quê?!

Um, reza; e o outro… pede que rezem por ele

 O Papa emérito Bento XVI está de novo ao Vaticano. Instalado num edifício de 4 pisos. Num mosteiro de clausura. A recebê-lo, à chegada ao mosteiro, o seu sucessor, Francisco. O tal que insiste em falar numa igreja pobre e para os pobres! Agora, com 2 papas no Vaticano, ninguém pode dizer que há crise de vocações para papa, na igreja católica romana. Porém, se um papa no Estado do Vaticano já atrapalha, que dizer de dois papas e tão antagónicos entre si?

O Papa alemão, de avançada idade, viajou de helicóptero desde o palácio apostólico de Castel Gandolfo, arredores de Roma. À chegada ao heliporto do Vaticano, tinha a recebê-lo – é claro, pois então! – uma delegação de cardeais e bispos, presidida pelo decano do Colégio Cardinalício, D. Angelo Sodano, com a presença do secretário de Estado do Vaticano, cardeal Tarcisio Bertone. O Papa Francisco deu as boas-vindas ao seu predecessor, à entreda no mosteiro, "com grande e fraterna cordialidade", num momento que não teve transmissão televisiva, por parte do Vaticano. Refere o comunicado do Vaticano que “os dois, entraram, juntos na capela do mosteiro para um breve momento de oração".

Até parece que esta gente não sabe fazer outra coisa, que rezar. O que têm assim de tão grave, que precisem de esconder com tantas rezas, juntos? O papa Francisco, pelos vistos, é o que mais gosta de fazer: rezar E, como se isso não bastasse, ainda pede às pessoas, desde o primeiro dia de papa, que rezem por ele. Falta saber se, quando, há dias, recebeu em audiência o chefe de Estado (assassino) de Israel, também lhe pediu que rezasse por ele. É caso para se perguntar: Que Deus crê o papa Francisco? Se se agrada assim tanto de rezas, não é, não pode ser, o mesmo Deus que se nos revela em Jesus, o anti-papa e o anti-poder e o anti-rezas.

Realce-se, entretanto, que o edifício que acolhe agora o papa emérito Bento XVI tem, como já se disse, 4 pisos e sofreu obras de remodelação nos últimos meses, após a partida das religiosas que ali residiam. Realce-se também que Joseph Ratzinger continua a estar acompanhado pelas quatro leigas consagradas que o serviram durante o pontificado, bem como pelo seu secretário particular, D. Georg Gänswein, o atual prefeito da Casa Pontifícia. Realce-se, por fim, que a casa tem ainda um quarto de hóspedes para receber as visitas do irmão mais velho do Papa emérito, monsenhor Georg Ratzinger.

Como se vê, é o exemplo acabado de uma igreja pobre e para os pobres! Os pobres que se cuidem, ou até a pele e o osso os clérigos e os pastores de igrejas lhes levam. Manter os luxos de dois papas, um, emérito, que promete ocupar o tempo a rezar pela igreja e o outro, no activo, que pede a toda a gente que reze por ele, fica caro. Mas o Banco do Vaticano lá está para suportar todos estes luxos. Nem que seja com a lavagem de dinheiro sujo, em que, segundo está provado, é perito.

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Em Vizela, Fundação Jorge Antunes

O Livro Dos Salmos, um fecundo tsunami!

Pela mão de um Amigo, Pedro Marques, O Livro dos Salmos foi um fecundo tsunami em Vizela, a partir das instalações da Fundação Jorge Antunes. A sessão decorreu na noite de 26 de Abril e o espaço estava a abarrotar. O Livro dos Salmos e a presença do Autor foram pretexto para um pedaço de noite cultural, em que outros grupos culturais do Concelho capricharam em estar presentes e actuaram, ao nível instrumental, como ao nível vocal. E, pelo menos, duas adolescentes surpreenderam tudo e todos. Uma, a dizer com convicção um Poema relacionado com Abril 25, e a outra, com uma canção, interpretada em tom quase profissional. De “O Livro dos Salmos, também para ateus”, quase se não falou, explicitamente, embora toda a Sessão mais não tivesse feito do que falar dele. Por outras palavras.

Vieram também pessoas responsáveis de outras Igrejas e muitas outras que frequentam as actividades de uma quase Universidade sénior no concelho. E que, nesta Sessão, tiveram uma das aulas mais fecundamente violentas e interpeladoras das suas vidas. A Ruah/Sopro maiêutico de Jesus andou por ali à solta. Ainda houve quem, a dada altura, tentasse levar a Sessão para o campo da religião e da Bíblia, mas o Autor de O Livro dos Salmos, atento, não deixou as coisas resvalarem para esses terrenos, por demais estéreis, alienadores e idolátricos.

Ao contrário dos Salmos da Bíblia, os deste Livro dos Salmos também para ateus, não são mais do mesmo. Tiram o sono ao mais indiferente e ao mais insensível. Todo ele se diz nos antípodas dos 150 Salmos da Bíblia, cujo Deus é o do Poder davídico e do Poder sacerdotal, Tentador/Diabo dos seres humanos. Os sacerdotes e pastores de Igreja que acolham os Salmos deste Livro têm de mudar, necessariamente, de Deus e de ser.

Vizela nunca mais será a mesma, depois desta Sessão com tudo de fecundo tsunami, em que a presença do Pe. Mário tirou o véu ao cristianismo e ao eclesiástico canónico, para fazer resplandecer Jesus, o de antes do cristianismo, em toda a sua originalidade de ser humano pleno e integral. Os párocos que se cuidem, porque o seu domínio clerical de séculos e séculos, já foi chão que deu uvas. Agora, foge-lhes a toda a velocidade de debaixo dos pés. Os mais velhos no ofício paroquial, ao qual anda acoplado um benefício material e de prestígio que corrompe quem o aceita, encolhem os ombros e deixam para lá. E os mais novos, condenados a um desgraçado corre-corre, de paróquia em paróquia, são autênticos suicidas que ganham muito dinheiro, mas que acabam sem tempo para o poderem gastar. São os mais desgraçados funcionários públicos, não do Estado, mas do sistema eclesiástico. Condenados à solidão mais estéril e mais inumana. Melhor fora não tivessem nascido, do que terem nascido para serem clérigos, funcionários eclesiásticos, corre-corre, paróquia aqui, paróquia ali. Sem tempo para afectos. Nem para escutarem um Poema. Muito menos, serem Poemas vivos, outros Jesus!

A concluir, ficam aqui dois versículos do Salmo 105, também para ateus: 20 Todos os cultos que os sacerdotes promovem, todos os ritos a que presidem, são mentira. Estéreis e vazias, todas as suas fórmulas de oração. Negócio religioso, todas as suas liturgias. Passam por homens de Deus. São do Ídolo. Açambarcadores e estéreis mercenários e hipócritas, quanto ele. 21 Deus Abba-Mae não necessita de sacerdotes, não se agrada de ritos nem de cultos. Muito menos vive em templos erguidos pela mão dos animais racionais. É mais íntimo a nós do que nós próprios, pura dádiva, pura maiêutica. Não uma necessidade.”

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Crianças em exames da “4.ªclasse”

Regresso ao Estado Novo de Salazar

 Cerca de 107 mil crianças do ensino básico têm esta semana em que sai a edição mensal de Maio do JF, o seu primeiro exame de escolaridade, o da “4.ª classe”. Não na própria escola, mas fora dela. Num espaço estranho. E com professores a orientar e vigiar também estranhos. O facto representa o regresso aos métodos do Estado Novo de Salazar, tão caro ao Governo da dupla PauloPortas-PassosCoelho. Com uma substantiva diferença. No Estado Novo, o Poder monárquico era do Presidente do Conselho de ministros, Salazar, o da Pide e da Guerra Colonial. E, agora, o Poder monárquico é de PauloPortas que, desde o início da coligação, converteu o Presidente do Conselho de ministros, PassosCoelho, numa espécie de seu Sancho Pança dele. O cúmulo do ridículo político e da incompetência governativa.

Este episódio é sintomático de como anda a prática da Educação em Portugal. Cada novo governo que toma posse e cada ministro da Educação que é escolhido e nomeado por ele, fazem como muito bem lhes dá na real gana. As mães e os pais, até as professoras, os professores, praticamente nunca são tidos nem achados. A não ser para dizerem ámen às deliberações que eles tomam e impõem. Acabamos por ser um país sem educação digna deste nome. As escolas reduzem-se a um campo de concentração de alunos, quase sempre, à torre e à massa uns contra os outros, num ambiente agressivamente competitivo e em que os mais fortes e os mais chico-espertos são os reis.

Há cada vez menos crianças a nascer em Portugal. E com um tipo de educação sem educação, como a que nos é imposta por cada governo e respectivo ministro da educação, quando um dia acordarmos, descobriremos que sobrevivemos num chão que nos serviu de mátria/pátria, mas onde somos estranhos aos nossos próprios olhos e uns para os outros, dominados por outros estranhos, com tudo de financeiros, estilo senhores da Troika, prontos a devorarmo-nos uns aos outros. Totalmente vazios de afectos e de relações sororais maiêuticas.

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A aparecer por Outono 2013

1.ª carta encíclica do papa Francisco pode ter por base um texto do papa Bento XVI

 Assim como Ratzinger escreveu a sua primeira encíclica, Deus caritas est, com base num texto deixado pelo seu antecessor, João Paulo II, também o Papa Francisco poderá vir a entregar à imprensa, no próximo outono europeu, a sua primeira carta encíclica, com base num texto, dedicado ao tema da fé, que Bento XVI lhe entregou, pessoalmente, durante o seu último encontro ocorrido ainda em Castel Gandolfo, no dia 23 de março. Se a publicação ocorrer, poderá ser o início de uma colaboração, ainda que discreta, também sobre outras questões. Ratzinger, no mosteiro Mater Ecclesiae (= Mãe da Igreja), estará bem preparado para dar conselhos até mesmo teológicos ao seu sucessor.

Como é sabido, em outubro 2012, Bento XVI abriu um ano dedicado à fé e pediu ao ex-Santo Ofício que elaborasse um primeiro esboço de texto de uma carta-encíclica, que tivesse no centro o tema da fé, à luz das suas intervenções a esse respeito, não somente os textos papais, mas também os livros, acima de tudo o livro de 1968 Introdução ao Cristianismo.

Os teólogos que lá trabalham, depois de algumas semanas, enviaram-lhe um texto que ele de imediato rejeitou e devolveu à procedência, para aprofundamento. O segundo esboço foi-lhe entregue cerca de um mês antes do anúncio da sua renúncia. Ratzinger manteve-o consigo, e veio depois a entregá-lo em mão ao seu sucessor. Dizem os vaticanistas que “o texto sobre a Fé está completo e que, doutrinariamente, é impecável e bem feito".

Recorde-se que a fé foi o tema principal do pontificado de Ratzinger. "Onde Deus está, lá há futuro", foi o título que ele deu à sua terceira visita à Alemanha em 2011. O programa do pontificado tinha como centro a tentativa de reaproximar as pessoas a Deus. Só não diz a que Deus. E, quando não é o mesmo Deus de Jesus, é inevitavelmente, o deus Dinheiro. Mas o desafio dizia e diz respeito também à Igreja, mergulhada numa profunda “crise de fé". Mas que tipo de fé, conviria, também aqui, dizer. Porque se não é a mesma Fé de Jesus, é inevitavelmente fé religiosa, por isso, idolátrica.

Neste particular, bem se pode dizer que a Igreja perdeu a bússola, pois quase não conhece mais que o ABC da fé. E fé religiosa. Por isso um ano, ainda em curso, dedicado ao tema. E também por isso um Texto sobre a Fé que poderá ser o miolo da primeira Carta-encíclica do papa Francisco. Dificilmente, será da mesma Fé de Jesus que ela reflectirá, incompatível com a existência do papado. Uma coisa fica a nu: como nascem as cartas encíclicas dos papas. Outros trabalham, na elaboração dos textos e eles apropriam-se desse trabalho e fazem-no seu.

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Padres casados portugueses da Fraternitas reunidos em Fátima

A sua derradeira esperança, o papa Francisco!

 São padres casados. Organizados numa associação, chamada Fraternitas, palavra latina que significa Fraternidade. Sonham poder regressar ao ministério sacerdotal, segundo palavras dos próprios. São presbíteros ordenados que, um dia, decidiram casar e viram-se obrigados a ter de abandonar o ministério. O Código do Direito Canónico, com tudo de anti-Evangelho de Jesus, assim o determina e exige. E eles acataram esses cânones anti-Evangelho de Jesus.

Nestes últimos dias de Abril 2013 voltaram a encontrar-se – imaginem onde?! – em Fátima, a da nossa vergonha. E de lá, num fim-de-semana mais ou menos beato, disseram que a derradeira esperança de ainda poderem regressar ao exercício do ministério ordenado, reside, agora, no papa Francisco. Querem voltar a ser sacerdotes, não presbíteros. Como se o papa Francisco alguma vez se atrevesse a rasgar o Código do Direito Canónico! Como papa que é e a viver no Estado do Vaticano de que é o chefe máximo, mais depressa rasgaria o Evangelho, no qual não encontra nenhuma base para ser papa, chefe da todo-poderosa Cúria Romana, a negação pura e simples de Jesus e de Deus, o de Jesus.

Deixam-se levar pelos sorrisos do papa Francisco e esquecem que ele foi escolhido a dedo, para, com esse seu jeito, ajudar a fazer esquecer os grandes escândalos que rebentaram nas mãos do seu antecessor, ainda vivo e agora papa emérito, particularmente, os relacionados com o Banco do Vaticano e com a pedofilia do clero católico romano, sempre praticada, mas sempre silenciada e, finalmente, revelada, numa pequeníssima parte, mas o bastante para deixar estarrecidas as populações do mundo!

A reivindicação dos padres casados, da Fraternitas, tem o seu quê de patético. Em vez de se meterem em cheio no mundo, como padres casados que são, para a sua transformação, a parir de dentro, ainda sonham com o regresso aos templos e aos altares, de onde o Código de Direito Canónico, não o casamento que consumaram, os afastou. Há nesta sua pretensão algo de indignidade pessoal. Primeiro, porque na Igreja-Movimento de Jesus não há, não pode haver, sacerdotes, nem sacerdócio. O cristianismo diz que sim, mas Jesus, o de antes do cristianismo, diz que não. Ele próprio é leigo e acaba crucificado por decisão primeira dos sacerdotes do templo de Jerusalém. Como pode, então, haver quem aceite ser sacerdote, depois de saber que os sacerdotes foram os assassinos do ser humano pleno e integral e da Verdade praticada, que é Jesus?!

Só mesmo os ventos grávidos de idolatria que se fazem sentir dia e noite em Fátima podem transtornar as mentes humanas e levá-las a manifestar semelhantes desejos e a alimentar semelhantes expectativas. Bem avisado andará quem evitar aquelas paragens, onde a mentira e o crime andam casados. Impunemente. Haja quem, na Associação Fraternitas, alerte os seus confrades. Porque não é de religião nem de sacerdotes que Deus, o de Jesus, gosta, mas de economia/política praticada e de mulheres e homens outros Jesus, que a pratiquem e, desse modo, tornem progressivamente mais humano e sororal este nosso mundo.

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Pe. António Vieira, pároco de Figueiró e Lamoso

Um testemunho sobre as jornadas da Fé

 É um testemunho corajoso. Ao mesmo tempo, desgraçado. De um pároco em exercício, da diocese do Porto. Sobre as Jornadas vicariais da Fé. Concretamente, as do Concelho de Paços de Ferreira onde se integram as suas paróquias. VP, o Semanário da diocese do Porto, divulga, na sua primeira edição de Maio 2013, o testemunho crítico deste pároco. O testemunho põe bem a nu o inócuo espectáculo religioso a que se resumem as sucessivas Jornadas vicariais da Fé, a realizar ao longo de todo um ano. Às quais preside, impreterivelmente, o Bispo titular, Manuel Clemente, acompanhado de um dos seus bispos auxiliares, mais o Vigário-geral. De fé, a mesma de Jesus, as Jornadas não têm nada de nada. São um desastre completo. Os jovens, à excepção dos que entram no espectáculo cénico, ao sábado à noite, e dos que são recrutados pelos párocos para acólitos da Missa concelebrada na tarde do domingo, primam todos ou quase todos pela ausência. E os que são “forçados” a estar presentes, é mesmo só como actores do espectáculo. Fé? Mas o que é isso e que nos faz/traz de novo? Nem esses que lá vão, fazem ideia! O Bispo Manuel Clemente já podia ter concluído que Jornadas vicariais de Fé assim, como estas a que ele preside, cada fim-de-semana, não têm nada de Evangelho, nem nada da missão episcopal e presbiteral de Evangelizar os pobres e os povos. Mas não quer concluir. Está nitidamente aos papéis, como, de resto, estão todos os Bispos residenciais. O cristianismo que insistem em fazer e alimentar, faliu por completo. Mas se o bispo Manuel Clemente não quer ver, vê o pároco de Figueiró e Lamoso. Ainda que o seu testemunho nunca chegue a falar de Jesus, o de antes do cristianismo, só do mítico Cristo. Desse seu testemunho “cristão”, corajoso, porque diz o que o Bispo esconde, e desgraçado, porque é um testemunho sem fé, a de Jesus, e sem Jesus, aqui fica a parte mais substantiva, toda seguida. Vale como um retrato da Igreja cristã católica, em vias de extinção, também na diocese do Porto. Para que, em seu lugar e por fim, possa acontecer a Igreja-Movimento político maiêutico de Jesus, que o pároco em causa e a Diocese do Porto manifestamente ainda desconhecem e por isso, nem ele nem ela alguma vez se lhes referem. Eis:

“Ora é precisamente neste ponto que todos temos de bater no peito. A Fé é um encontro com Cristo, que nos chama a segui-Lo, pelos mais diversos caminhos da vida; não se pode parar, tendo sempre em vista a meta final: a Pátria da Luz eterna, a Casa do Pai, em que Deus será tudo em todos, nessa admirável e sublime comunhão dos bens celestes. Os nossos cristãos, recebida a Fé pelo Batismo, têm recebido boa formação religiosa, dada sobretudo pela catequese de adultos? Que vemos? Os pais e catequistas são bons educadores, pelo seu exemplo e competência?

Custa muito verificar o que se passa, ao perto e ao longe: os nossos jovens – que andaram dez ou mais anos na catequese – feito o Crisma, desaparecem quase em massa; depois já não precisam de casar na Igreja, vão ao civil, ou nem isso: amigam-se; e aqueles que casam no civil ou na Igreja e depois se separam por tudo e por nada, se divorciam e até tentam casar outra vez?

É assim que se formam boas famílias, base indispensável da sociedade bem estruturada? Já não se veem filhos, como era de esperar, e esses poucos garantem um futuro melhor?

Vimos aquela multidão no Pavilhão concelhio, mas as nossas igrejas vão-se esvaziando... E como não se pode viver sem Religião, as seitas aparecem, explorando a ignorância dos nossos cristãos, com as consequências que todos nós conhecemos. Já passou o tempo da cristandade: todos se “convertiam” seguindo o exemplo dos seus maiores, ainda que depois cometessem as maiores atropelias sociais, de que hoje nos envergonhamos: Cruzadas, Inquisição... (mas atenção: era outra a mentalidade, e nós faríamos como eles; não os julguemos culpados...).

Hoje, vivendo num mundo tão complexo, se queremos ser cristãos a sério, imitando verdadeiramente a Cristo, o Homem novo, a nova Humanidade, temos de ter boa formação religiosa, a única arma que nos pode defender nesta luta que travamos, em defesa da Beleza, da Verdade e do Bem; temos de ser apaixonados pelo Mestre Divino, como dizia alguém: “hoje já não basta ser católico praticante: é indispensável ser enamorado por Cristo”. Eu, como todos os que estiveram nessa memorável concentração de fiéis, gostaria de pensar que aqueles cristãos fossem a expressão real do catolicismo deste concelho: era apenas uma pálida imagem, embora significativa e importante, que merece toda a atenção.

Como eu gostava de ver lá jovens, além dos cantores, que tanto brilho deram àquela assembleia! Também distribuí a sagrada Comunhão e verifiquei: eram quase só senhoras de idade; essas, também lá, é que dominavam; são mais religiosas que os homens, justiça lhes seja feita.

Era esta reflexão que eu acho ser útil para mim, e porventura sê-lo-á também para aqueles que não estiveram lá. Não basta dizer: aquilo foi lindo, é preciso, é urgente extrair conclusões realistas, a bem de todos.”

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J. González Guadalix (Padre diocesano de Madrid) denuncia

Os jesuítas vão deixar Pozo do tio Raimundo, na periferia de Madrid

 Os jesuítas da Espanha, segundo carta do provincial, Juan Antonio Guerrero, tomaram a decisão “de fechar, no final deste ano, a comunidade de Santa María del Pozo e entregar à diocese a gestão da Paróquia de São Raimundo de Peñafort”. Triste notícia, porque, como bem diz o provincial, é uma “decisão particularmente dolorosa e significativa”. Sim. Ambas as coisas.

O Pe. Llanos chegou a Pozo em 1955 para compartilhar a sua vida com os mais pobres. E desde 1962 ali existiu uma comunidade de jesuítas sob o título de "Santa María del Pozo". Uma presença, como agora se diz, “emblemática”, “ícone da preocupação pelos pobres” e que se mostrou ao mundo como sinal de presença entre os desfavorecidos e contrapeso quando se jogava na cara dos filhos de Santo Inácio sua aparente exclusiva dedicação entre os mais ricos, mais que com os mais pobres. Uma presença especial que recolhia o tesouro de entrega e fé do Pe. Llanos. Mas isso acabou. Triste realidade.

Não deveria ser notícia o facto de que uma congregação religiosa abandone uma paróquia e a entregue à diocese. Os efetivos são cada vez são menos e os provinciais fazem das tripas coração e o cobertor está cada vez menor para atender a tantas necessidades. Mas, neste caso, é notícia, porque se trata de Pozo, e são jesuítas, os irmãos do Pe. Llanos, que abandonam este lugar. E isso é, em primeiro lugar, doloroso.

Mas além de dolorosa, o provincial qualifica a decisão de “significativa”. E, de facto, é muito significativa. É significativa da escassez de irmãos para atender tantas obras institucionais. Mas também é significativo saber, quando as forças escasseiam, que casas se mantêm e quais se decidem fechar.

O provincial explica. Permanecem em Madrid com quatro núcleos: Maldonado (que compreende a paróquia de São Francisco de Borja, no melhor de Madrid), Comillas (com o campus de Cantoblanco e Alberto Aguilera, ICAI, ICADE), Charmartín (enorme colégio do Recuerdo) e La Ventilla. Pois bem, muito significativo. Porque se andam mal de pessoal, em vez de entregar à diocese a paróquia de Pozo, poderiam entregar a São Francisco de Borja, pois ambas são paróquias da Companhia.

Gostaria de saber – e JF que esta notícia divulga, também – a opinião, por exemplo, de González Faus, Masiá ou Estrada, que tanto nos recordam que o lugar do discípulo de Jesus é entre os pobres. Ou do próprio Castillo, que foi da Companhia e agora goza de maior liberdade. Quisera saber a opinião dos seguidores de Sobrino, dos amigos da UCA de El Salvador. A opinião de Forcades ou Caram, o que pensam tantos amantes dos pobres. Uma paróquia tão querida pelos jesuítas, nascida entre os pobres, regada com o amor e a entrega do Pe. Llanos, a viver hoje entre os simples e os humildes, e vão entregá-la ao cardeal Rouco, que não quer saber dos pobres e ainda poderá nomear pároco um padre conservador ou mesmo um kiko. Mas, é claro, da paróquia rica de São Francisco de Borja, na rua Serrano, os jesuítas não se vão desfazer. Pura questão de logística?!...

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Edição 87, Sexta-feira 12 Abril 2013

A vingança do Estado ao chumbo do OE será feroz

Ai das populações proletarizadas e subproletarizadas!

 Como se previa, uma boa parte da Lei do OE acaba de ser chumbada pelo Tribunal Constitucional (TC). Com efeitos imediatos e retroactivos a 1 de Janeiro de 2013. O Presidente Aníbal publicou-a, embora tivesse dúvidas sobre a constitucionalidade de algumas das suas medidas. Tanto assim que, depois de assinar e fazer publicar a lei do OE, pediu ao TC que dissesse da sua justiça sobre essas suas dúvidas. A este crime político do Presidente, somam-se mais dois outros crimes políticos, cometidos imediatamente antes do dele: o do Governo que, pelo segundo ano consecutivo, elaborou um OE contra a letra e o espírito da Constituição; e o da maioria política parlamentar CDS/PP de PauloPortas-PSD/PPD de PassosCoelho, que apoia o Governo no Parlamento e, embora engolisse sapos vivos, aprovou a lei do OE manifestamente inconstitucional (ai se esses mesmos deputados fossem da Oposição, o que de cobras e lagartos, não teriam dito, durante o debate e nos seus enfadonhos comentários em canais de tv!!!).

Com estes três crimes políticos, todos completamente impunes, cujas consequências perfazem uma tragédia nacional, no presente e no próximo futuro, o País de cerca de 10 milhões de cidadãos, continua, como se nada de errado e de criminoso tivesse sucedido, à mercê desta pseudo elite presidencial, parlamentar e governativa de todo incompetente, arrogante, meros fantoches de um teatro dos ditos, manipulados por outra minoria, a do Dinheiro europeu e mundial, materializados pela Troika da nossa humilhação e da nossa miséria. Bem se pode dizer, sem faltar à verdade, que somos, neste momento, um País com séculos de história, mas com um Estado falido. Um Estado que tem mais olhos que barriga e mete-se em luxos e em aventuras eleitoralistas, que as populações, depois, são obrigadas a ter de pagar, nem que seja com a perda das próprias vidas.

Contudo, nem a reposição da constitucionalidade do OE, exigida pelo TC, sem possibilidade de recurso a outra qualquer instância, salva as populações da humilhação e da miséria, porventura, até, da morte antes de tempo. A decisão, objectivamente positiva, chega tarde demais e, com o tipo de elite presidencial, parlamentar e governativa que, em bloco, faz questão de permanecer à frente do Estado, a vingança sobre as populações será ainda mais cruel. Ou esta elite, toda CDS/PP de PauloPortas-PSD/PPD de PassosCoelho, não seja uma elite politicamente incompetente, impreparada, odienta, colonialista, inimiga da liberdade dos povos, vingativa. E, como não se pode vingar nos juízes do TC, destilará, enquanto durar o seu mandato, todo seu ódio político e toda a sua vingança política sobre as populações, o elo mais fraco, em todo este pesadelo de morte antes de tempo, que é o nosso País em 2012-2013-2014-2015 e uns quantos anos mais.

Desengane-se, porém, quem, nestas circunstâncias, pensa que a saída deste pesadelo de morte, pelo menos, para grande parte das populações, nesta altura, já proletarizadas ou, mesmo, subproletarizadas, passa pelos partidos parlamentares que integram o Estado, mas no cada vez mais desprestigiado estatuto de Oposição. Os seus deputados de serviço, com regalias e mordomias iguais às dos deputados da maioria política que apoia o Governo, pensam e apregoam a toda a hora que sim. São demagogos q. b. em fratricida luta pela conquista do Poder. Não suportam integrar por mais tempo o Poder político, no estatuto de Oposição. Querem, a todo o custo, ter o Poder político de legislar, de governar e de representar o Estado fora de portas. Por outras palavras, querem ocupar o lugar que, há pouco mais de dois anos, é ocupado pela pseudo elite política, dirigida por PauloPortas e PassosCoelho.

À distância, a saída deste pesadelo de morte em que o País se vê caído, está na abolição do Estado. O que só acontecerá, quando as populações se decidirem a crescer de dentro para fora, ao ponto de assumirem nas próprias mãos os seus destinos, os destinos do País e do planeta, sem nunca mais necessitarem de recorrer a intermediários, em cujas mãos têm sucessivamente delegado o melhor delas próprias, concretamente, a liberdade/autoridade de decidir e de conduzir as suas próprias vidas. Aliàs, nunca esse bendito Hoje sócio-político chegará, enquanto as chamadas elites mais escolarizadas e mais habilitadas não se converterem em outras tantas parteiras políticas das populações, numa ligação com elas ao modo dos vasos comunicantes, por isso, feita por baixo, a partir dos últimos da base, nunca por cima, a partir das cúpulas. Porque, a partir das cúpulas, está mais do que provado pela história que os saudados como libertadores das populações, hoje, são os seus novos opressores, amanhã.

Por isso, seremos politicamente inteligentes, se, em vez de corrermos a exigir do Estado, neste momento, todo nas mãos da elite política CDS/PP-PSD/PPD, eleições antecipadas, corrermos a trabalhar politicamente com as populações, ao modo da parteira, para que elas abram, progressivamente, os olhos da mente, desenvolvam a sua consciência crítica e a sua capacidade de resistência a todo o tipo de publicidade enganosa, também a publicidade política partidária de direita e de esquerda, e sejam cada vez mais donas dos seu próprios destinos, dos destinos do País e do planeta. Neste último caso, em ininterrupta ligação/comunhão com as populações de todas as nações da Europa e do resto do mundo.

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Comunicado do Reitor da Universidade de Lisboa

O despacho do ministro das Finanças é um gesto insensato e inaceitável

 1. Por despacho do ministro das Finanças, de 8 de Abril de 2013, o Governo decidiu fechar o país e bloquear o funcionamento das instituições públicas: ministérios, autarquias, universidades, etc. O despacho é uma forma de reacção contra o acórdão do Tribunal Constitucional, como se explica logo na primeira linha. O Governo adopta a política do “quanto pior, melhor”. Quem, num quadro de grande contenção e dificuldade, tem procurado assegurar o normal funcionamento das instituições, sente-se enganado com esta medida cega e contrária aos interesses do país.

2. Todos sabemos que estamos perante uma situação de crise gravíssima. Mas é justamente nestas situações que se exige clareza nas políticas e nas orientações, cortando o máximo possível em todas as despesas, mas procurando, até ao limite, que as instituições continuem a funcionar sem grandes perturbações. O despacho do ministro das Finanças provoca o efeito contrário, lançando a perturbação e o caos sem qualquer resultado prático.

3. É um gesto insensato e inaceitável, que não resolve qualquer problema e que põe em causa, seriamente, o futuro de Portugal e das suas instituições. O Governo utiliza o pior da autoridade para interromper o Estado de Direito e para instaurar um Estado de excepção. Levado à letra, o despacho do ministro das Finanças bloqueia a mais simples das despesas, seja ela qual for. Apenas três exemplos, entre milhares de outros. Ficamos impedidos de comprar produtos correntes para os nossos laboratórios, de adquirir bens alimentares para as nossas cantinas ou de comprar papel para os diplomas dos nossos alunos. É assim que se resolvem os problemas de Portugal?

4. No caso da universidade, estão também em causa importantes compromissos, nomeadamente internacionais e com projectos de investigação, que ficarão bloqueados, sem qualquer poupança para o Estado, mas com enormes prejuízos no plano institucional, científico e financeiro.

Na Universidade de Lisboa saberemos estar à altura deste momento e resistir a medidas intoleráveis, sem norte e sem sentido. Não há pior política do que a política do pior.

Universidade de Lisboa, 9 de Abril de 2013

António Sampaio da Nóvoa, Reitor.

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O “show” do cardeal Jorge Mario Bergoglio

Chamem-me Francisco

- ordena o novo Bispo de Roma, Papa

 Durante as últimas semanas, o novo Papa, de seu nome Francisco, deu pano para mangas aos profissionais dos grandes media de todo o mundo. Veio da Argentina, um país da América Latina, com cuja presidente da República andava de candeias às avessas – podem sossegar, que os dois já fizeram as pazes, uma vez que a presidente veio à sua tomada de posse, e, como agora, ambos são chefes de estado, ele o mais poderoso do mundo, ela não teve outro remédio senão prestar-lhe a devida vassalagem. E vassalagem é, também, a postura dos grandes media do mundo, relativamente ao novo Papa. Não fosse ele o novo chefe do mais poderoso estado do mundo e eles pura e simplesmente ignoravam a sua eleição e a sua tomada de posse e todos os gestos mais ou menos inesperados e beatos com que ele, habilmente, os soube distrair, durante a sua prolongada “lua de mel”. Uma “lua de mel” que já se foi e que, agora, pode vir a transformar-se num horrível pontificado de fel.

A verdade é que toda a gente anda por aí entusiasmada com o novo Papa. Até os teólogos latino-americanos, sempre tão saudavelmente críticos do Papado, parecem render-se ao Papa Francisco, antes, arcebispo emérito de Buenos Aires, e cardeal, por isso, ele próprio latino-americano. Tomam a nuvem por Juno. Ingenuamente, pensam que uma andorinha, só por si, faz a primavera. E chegam, até, a falar em “primavera na Igreja católica romana” (ver vários textos de colaboradores graciosos, nesta mesma Edição). De repente, esquecem que um institucional perverso, como é o Papado com a sua Cúria romana, nunca pode dar bons frutos. Por mais que o novo Papa se faça chamar Francisco, como o de Assis, a verdade é que, antes de ser eleito e aceitar ser Papa, já era arcebispo emérito da capital do seu país e cardeal. Ao contrário de Francisco de Assis, a quem foi roubar o nome, que é um leigo, filho do maior empresário da região, e que se fez pobre por opção, contra a faustosa Cúria Romana de então. E nunca se fez clérigo, muito menos Papa!

Entretanto, o nosso século já não é mais o século de Francisco de Assis. E hoje sabemos, inequivocamente, que, à luz do Evangelho de Jesus e do próprio Jesus, o de antes do cristianismo, a simples existência do Papado é uma aberração de todo o tamanho. Como, de resto, é uma aberração de todo o tamanho, a existência do próprio cristianismo que o gerou. Francisco de Assis terá intuído este facto, quando, no início, se faz pobre por opção e com essa sua opção acaba posto fora do sistema instituído. Com a sua conversão ao Evangelho, aponta o caminho a ter de ser trilhado pela Igreja e pela Sociedade. Mas não é escutado nem pela Igreja, nem pela Sociedade, muito menos, é seguido e prosseguido. Que o Poder nunca se converte. Enquanto existir (e existe, enquanto tiver quem aceite dar-lhe corpo na história, coisa que Francisco de Assis não aceitou, mas que o Papa Francisco aceita, com mais ou menos ademanes!) sempre será mentiroso, ladrão e assassino. O próprio Francisco de Assis vem, anos depois da sua radical opção, a dar um passo atrás, ao procurar o reconhecimento do Papado para a sua Ordem Mendicante. Deitou tudo a perder e, só por isso, é que foi canonizado e, todos estes séculos depois, há, em 2013, um cardeal, arcebispo emérito de Buenos Aires, Argentina, que, ao saber-se eleito Bispo de Roma, por isso, Papa, escolhe o nome dele para seu próprio nome. Não escolhe o Francisco de Assis do início, o do Evangelho, pobre por opção, mas o Francisco do final, súbdito do Papa de Roma, o mesmo que lhe reconhece a sua Ordem Mendicante 

A verdade é que, enquanto não formos capazes de liberdade/autoridade, até sermos excluídos e mortos, simbolicamente que seja, pelo Poder institucional de turno, por mais extravagantes que sejam os nossos comportamentos, sempre ajudarão a dar-mais força ao Poder institucional de turno. Foi assim com Francisco de Assis, hoje canonizado e não maldito, como Jesus. E é assim com o Papa Francisco. A Liberdade, onde acontece, é de todo incompatível com o Poder. E, se jamais o reconhece, pelo contrário, mantém-se Liberdade até ao fim, sempre acabará crucificada. Nunca Papa!

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O caso de Chipre

O suicídio da União Europeia

A oportunidade que os povos não podem desperdiçar

 A União Europeia suicidou-se em directo para todo o mundo em Chipre, com aquele tiro que deu no coração do sistema financeiro, ao decidir o que decidiu sobre os depósitos dos cidadãos nos bancos. Não a União Europeia dos povos, mas a União Europeia do Dinheiro, contra os seus próprios povos, tal como a conhecemos e sofremos, todos os dias. Desde que se fundou, a União Europeia nunca teve em mente os povos, mas o Poder financeiro e o domínio dos seus povos e do resto do mundo. Os povos sempre constituemm um problema para ela, nunca são olhados como uma mais-valia. O Dinheiro não conhece ninguém, nem sequer os que o servem. Serve-se de quem se presta a servi-lo e, logo que este começa a causar-lhe algum sarilho, desfaz-se dele, na hora. Nem que seja, mediante uma inesperada promoção individual envenenada.

Perante este suicídio em directo da União Europeia, a partir de Chipre, coisa impensável, há alguns meses, os povos da Europa e do resto do mundo têm de perceber, duma vez por todas, que uma coisa são os Estados e os seus governos, e outra coisa são eles próprios, os povos da Europa e do resto do planeta. A própria existência de nações – e a cada nação, o seu Estado – é uma criação do Dinheiro ou Poder financeiro. Como tal, uma realidade com tudo de perverso. Contra os próprios povos. As coisas são assim, desde o princípio, mas os povos teimam em não dar por nada. Cada geração acontece em poucos anos e, quando, finalmente, começamos a dar pela “marosca”, já é tarde demais e assim sucessivamente, com cada geração.

Hoje, felizmente, os povos do planeta, dispomos de meios que nos permitem ver/perceber, pouco depois de termos nascido, o que se está a passar no nosso mundo. Cumpre-nos, por isso, uma postura política, outra. E esta passa por uma compreensão correcta da realidade de que somos parte e parte consciente. Desta compreensão correcta, faz parte estarmos permanentemente conscientes de que da parte dos Estados e respectivos governos, nunca podemos esperar nada de favorável para os povos, enquanto tais. Estados e nações são sempre mercenários que se alimentam dos povos. Mesmo que se disfarcem de “pastores”, efectivamente, são mercenários. Existem, organizados e com elites escolarizadas ao seu serviço, só para roubar, matar e destruir os povos. Mesmo quando os contratam e lhes pagam. Procedem como donos, como mercenários. Sem afectos. Usam e deitam fora, quando os contratados deixam de lhes ser úteis. Todos somos descartáveis para eles!

Pois bem. Perante o suicídio em directo da União Europeia do Dinheiro, em Chipre, os povos da Europa e do resto do mundo podem e devem experimentar um frémito de esperança e de comoção. O mais que previsível fim próximo da União Europeia do Dinheiro pode estar já a anunciar o crescer da Europa dos povos e do planeta. Assim, nós, os povos estejamos atentos aos sinais dos tempos e nos disponhamos, inequivocamente, a ser povos que crescem de dentro para fora, por isso, povos livres, autónomos, sujeitos, protagonistas.

Contudo, não esperemos que os Estados das nações e respectivos governos orientem a história nesta direcção. O mercenário é sempre mercenário. Se esperamos que uns estranhos nos venham salvar, nunca deixaremos a condição de escravos e de súbditos. O tiro no coração da União Europeia do Dinheiro, é a grande oportunidade que os povos da Europa e do resto do planeta não podem desperdiçar. Apressemo-nos, pois, a nascer de novo, de fora do sistema do Dinheiro. Deixemos, duma vez por todas, de esperar dos estranhos a nossa própria salvação. Porque ninguém salva ninguém. Ninguém se salva sozinho. Salvamo-nos em comunhão, vasos comunicantes. Desde que vivamos determinados a crescer continuamente de dentro para fora, nunca mais termos necessidade de “messias” ou “cristos”, de “salvadores”, de intermediários. Salvamo-nos em comunhão, vasos comunicantes, em permanência.

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Revelações numa Carta ao Director do JF

“A última vez que entrei numa missa foi por alma da minha sogra (e de mais algumas 20 almas)”

 “Ando a ler livros seus. E com os seus livros saltaram mais alto as minhas ideias: as missas são uma chatice, só servem meia dúzia de beatas”. “Se todos lessem a bula das indulgências do Papa Leão X, batiam em retirada”. “E quem lê a biografia dos Papas, do primeiro ao último, que, raras as excepções, deixam uma pessoa maluca, a pensar se aquilo é que eram os nomeados por Deus, os infalíveis!...”

As afirmações são parte de uma carta endereçada ao Director do JF. Vem de Castanheira do Ribatejo. De um leitor devidamente identificado. Para lá destas frases, a carta traz dentro certas informações que justificam este destaque na Coluna Central. Aqui vai uma: “A última vez que entrei numa missa foi por alma da minha sogra (e de mais algumas 20 almas). No final de ler a lista dos defuntos (pagantes), parou, olhou a assistência e repetiu algumas vezes: «Há mais alguém interessado? Ainda está a tempo!» Escandaloso.

Aqui vai outra: “O padre da minha terra natal, agora «dono» de não sei quantas freguesias (porque agora há poucos e estão «aquartelados» para irem aqui e ali apagar fogos = receber missas). Começa a dar a volta e, quando está perto da próxima freguesia, carrega no botão do aparelho que traz no bolso, o sino toca, e assim por aí adiante, para não perder tempo, nem ter de pagar ao sacristão que, coitado, se cansou de o aturar, porque só lhe dava uns tostõezitos, de tempos a tempos, ou simplesmente os restos das hóstias. No final da «ronda», arrebanha uma porrada de envelopes! Uma vez, reparei que demorou apenas 7 minutos a dizer a missa (sai da sacristia, já vai a começar, sem chegar ao altar). Eu disse-lho na cara e ele retorquiu se eu estava a controlar as horas. Outra vez perguntei-lhe se sabia quem estava doente nas freguesias, para ele os ir visitar, e não me respondeu.”

Esta carta poderia ser multiplicada por milhares de cartas semelhantes. Na sua simplicidade, põe a nu o tipo de igreja católica que está literalmente a definhar no nosso país. É um modelo de igreja completamente esgotado, clericalizado, em que os chamados “fiéis” são meros pagantes e quase sempre muito maltratados pelos poucos clérigos no activo, meros funcionários eclesiásticos, sem tempo para escutarem as populações, também elas, em vias de extinção, por essas aldeias do interior. Mesmo como simples igreja-estação-de-serviços religiosos, é um desastre. Mas quem pode dizer que uma igreja-estação-de-serviços religiosos é, alguma vez, sacramento/sinal de Jesus e da sua missão ao serviço do Reino/Reinado de Deus na história? Será que os bispos da igreja que está em Portugal não têm olhos nem ouvidos? E, se têm, não são então os mais frustrados dos seres humanos?!

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Cumpriu-se mais uma Páscoa de calendário

E os párocos-mercenários sempre a facturarem!

 Aconteceu mais uma Páscoa de calendário. Com chuvas torrenciais. A natureza não suporta tantos maus-tratos. E vinga-se. Não uma vingança ditada pelo ódio, mas uma vingança com tudo de pedagógico. Visa alertar os seres humanos que, a continuarem assim, a tratá-la tão mal, ficarão, a breve prazo, sem chão onde viver e sem ar para respirar e sem água potável para renascerem, cada dia. Mas nem as chuvas torrenciais detiveram uns quantos leigos, domesticados pelos respectivos párocos-mercenários que estão à frente de várias paróquias ao mesmo tempo, de saírem para as ruas e os caminhos das aldeias, com o chamado compasso, ou visita pascal, por entre foguetório de arromba, que o juiz da cruz, completamente esvaziado de juízo, não quer ficar atrás dos que o precederam nos anos anteriores. É verdade. O juiz da cruz não sabe nada de nada do que se propõe fazer e realmente faz nesse dia dito de Páscoa – o calendário assim assinala e assim é! – mas, que querem?, é o juiz da cruz, o maior naquele dia, na sua aldeia. Um vassalo do pároco-mercenário que, na espaçosa residência paroquial, aguarda o final do dia, para contar o dinheiro do “folar” que os paroquianos assustados e infantilizados de cada uma das suas paróquias à sua abastança, ainda possessos dos demónios da idade média, fazem questão de tirar à sua boca e à educação dos filhos para o senhor abade. Ele próprio, um sem-vergonha. Um sem-entranhas de humanidade. Um mercenário, disfarçado de pastor. Um comerciante de Deus, o do cristianismo, com tudo de vampiro.

Onde já se viu saírem, manhã cedo, vestidos com opas ou saiotes brancos, uma cruz de ferro ou de prata nas mãos, com a representação de um corpo humano pregado nela, a anunciarem, “Cristo ressuscitou, aleluia, aleluia!?! Mas como ressuscitou, se continua pregado na cruz, reduzido a um pedaço de ferro ou de prata em forma humana, uma afronta e uma humilhação aos seres humanos de carne e osso, que lutam pelo pão, o da Liberdade e o da Educação e o de comer todos os dias? E que Cristo é esse que não sai da cruz, mesmo que as respectivas igrejas insistam em anunciar que ele ressuscitou dos mortos? O que é ressuscitar? É ficar eternamente pregado na cruz?

Decididamente, o cristianismo, as igrejas cristãs e o seu Cristo não têm um pingo de dignidade e de bom senso. Não lhes basta, demencialmente, fazerem nascer e morrer todos os anos o seu Cristo – é um mito e com os mitos tudo é possível! – como ainda, no dia em que saem para as ruas e caminhos a anunciar que ele ressuscitou e venceu a morte, fazem-no mediante o instrumento de tortura que o império romano inventou para castigar os seus opositores, a cruz, para cúmulo, com a representação do seu mítico Cristo ainda pregado nela. Querem mais demência que esta? Mais indignidade que esta? Mais humilhação humana que esta? 

Como é que ainda há gente, neste início do terceiro milénio, que se presta a monstruosidades e aberrações deste calibre? Se os párocos-mercenários não têm emenda e não põem termo a esta manifestação de barbaridade e de incultura e de insanidade mental pública, levantem-se as populações e digam NÃO a tão degradante intervenção eclesiástica pública. Haja modos. E, se não os houver, pois que intervenha a Polícia e a ASAE. Porque nem os princípios da mais elementar higiene estão salvaguardados neste tipo de Páscoas cristãs católicas. O mais trágico de tudo isto, é que os bispos e os párocos sabem bem o que fazem. E insistem, ano após ano no mesmo. Porque é dessa roubalheira, permitida por lei, e desse sujo negócio religioso, que eles vivem e sustentam os seus luxos. Resta às populações levantar-se e dizer NÃO a semelhante corrupção!

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São duas as Coreias, a do norte e a do Sul

O Império norte-americano quer a guerra!

 São duas as Coreias. A do Norte e a do Sul. Lá longe, muito longe da Europa e do Ocidente. Ainda que muito próximas do Império norte-americano que está com mais ou menos incidência e poder ofensivo em toda a parte. Até na China! A Coreia do Norte, diz-se por aqui no Ocidente, é uma ditadura, por isso, a negação total da democracia. A Coreia do Sul, pelo contrário, diz-se que é uma democracia, que conta com a “protecção” do Império, que é, como se sabe, a negação total da Liberdade. À excepção da do Mercado. No dizer dos grandes media ocidentais, a Coreia do Norte é o inferno, comandado por um presidente com tudo de Diabo. A Coreia do Sul é o paraíso, comandado pelo Pentágono, perdão, por um presidente saído de eleições, vassalo dos EUA. Como sucede nos países da União Europeia, a do Dinheiro, não a dos povos, que essa está ainda para nascer. E só nasce, quando as populações decidirem deixar de confiar os seus destinos a messias/cristos, intermediários, e meterem-se a crescer de dentro para fora, ao ponto de acabarem donas dos seus próprios destinos e dos destinos do planeta.

São duas Coreias. Em risco de desaparecerem, uma e outra. Para tanto, basta a Coreia do Norte atacar a do Sul ou, o que é considerado ainda mais grave, o seu “protector”, o império norte-americano, nalguma das suas incontáveis bases militares espalhadas pelo globo. A Coreia do Norte tem razões que a Coreia do Sul não entende, nem reconhece. E a Coreia do Sul tem razões que a Coreia do Norte entende, mas não reconhece. O Império, “protector” da Coreia do Sul, é o inimigo da Coreia do Norte, mais, muito mais, que a Coreia do Sul. Porque é uma ditadura política assumida e que resiste a evoluir para uma democracia como a da Coreia do Sul. Prefere a fome à abundância, na vassalagem. Sabe pela História recente, destes nossos dias, que a democracia é, neste momento, o melhor regime para o Império norte-americano com a sua Nato e a sua União Europeia, a do Dinheiro contra os povos, proliferar e se implantar. Entra num país, como a Líbia, a pretexto de ajudar a implantar a democracia, e instala-se com armas e bagagens. Todos os países vizinhos, ou se aliançam com ele, ou são declarados inimigos e ditaduras a abater.

Até ver, a guerra é só de palavras. E de provocações, feitas gestos, mais propagandeados que realizados. Mas se a guerra passar de palavras ao lançamento de mísseis, mesmo que o primeiro míssil seja disparado pela Coreia do Norte, saiba o Mundo que o culpado n.º 1 da Guerra entre as duas Coreias, que pode redundar numa guerra nuclear, é o Império norte-americano. Não há pior ditadura que aquela que se veste de democracia para, desse modo, mais depressa se tornar império global. E essa é a grande especialidade dos EUA, neste momento, do Obama, o Império que mais rouba, mente, destrói, mata no planeta. E tudo em nome da democracia! Alerta, povos da Terra!

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Encontro dos responsáveis pastorais universitários da Europa

Reabrir a questão de Deus, ou praticar Deus?

 “Reabrir a questão de Deus”. O propósito, assim sem mais, é dos responsáveis pela Pastoral universitária nos países da Europa. Num encontro de três dias, concluído no domingo, 7 de Abril 2013, em França, a “questão de Deus” voltou a estar na ordem do dia. Mas as conclusões a que o encontro chegou são mais do mesmo. Porque os seus promotores, todos cristãos, desconhecem que crer Deus é praticar Deus! É sermos outros Jesus, coisa que o cristianismo não pode sequer ouvir falar.

As conferências episcopais dos diversos países da Europa estão aflitas com o avanço do ateísmo e o galopante aumento de igrejas paroquiais cada vez mais vazias. E pensam que resolvem o problema com “reabrir a questão de Deus”. E não resolvem. Porque Deus não é uma mercadoria, nem um conceito, nem uma crença, nem uma religião. Os próprios bispos deveriam começar por se questionar se crêem Deus e que Deus crêem. Uma rápida análise às suas práticas episcopais revela que o Deus deles será pouco mais do que um conceito. Tem tudo a ver com as suas catedrais e as suas cátedras, com os seus privilégios e os seus direitos canónicos. E com as suas práticas pastorais religiosas, missas, homilias, rezas do terço, reza das horas canónicas, ritos dos sacramentos, em especial o do Crisma. Mas de um Deus assim, como o dos bispos, estão os seres humanos fartos, e com razão, porque não são bispos, nem querem ser, quase todos os mais infelizes dos seres humanos.

Deus, como questão, é típico de gente religiosa e que frequenta locais onde se vendem ritos religiosos, com destaque para os grandes santuários da idolatria. E por mais encontros que multipliquem, do mesmo género deste que acabam de realizar em França, não chegam a lado nenhum e sempre acabam a dissertar sobre Deus, como mero conceito.

Neste particular, o cristianismo é perito em reduzir Deus a um conceito. O mais longe aonde chega neste conceito é à mágica fórmula do Credo, “Creio em Deus pai todo-poderoso”. O que, espremido e trocado em realidade que se toque e nos aqueça, sobretudo, nos interpele e desinstale, é igual a zero. Não é de estranhar, por isso, que cresça de forma galopante o ateísmo e o número de igrejas paroquiais cada vez mais vazias. Lá, onde não há afectos, relações de amor, de gratuidade, afirmação de Liberdade, não há Deus. O mais que há é o conceito Deus ou não-Deus.

Fora de Jesus, o de antes do cristianismo, Deus é sempre mero conceito, desvinculado dos seres humanos e da história que eles protagonizam ou padecem, como vítimas. Quem quiser descobrir Deus, a fonte dos afectos e das relações maiêuticas, comece por fazer-se pobre por opção, descobrir os outros seres humanos, seus iguais, a começar pelos últimos da base da pirâmide. Faça-se próximo deles. Caminhe com eles, mão-na-mão. Sem nunca chegar a franquear a porta do templo ou do santuário. Porque Deus é nos seres humanos que habita e respira. Nos santuários, só mesmo o conceito Deus! O mesmo que os agentes de Pastoral universitária foram encontrar em França. Melhor fossem ateus, do que crentes num Deus mero conceito, o mesmo do Credo de Niceia-Constantinopla. Já crer Deus, é praticar Deus. Por outras palavras, é sermos outros Jesus!

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Edição 86, sexta-feira, 8 Março 2013

Actual Governo PP/PSD ao fundo!

Populações ao leme das suas vidas e do país!

A alternativa, politicamente correcta, só pode ser esta: Actual Governo PP/PSD, descaradamente, vendido aos interesses da troika e do grande Poder financeiro europeu e mundial, ao fundo! Em seu lugar, as populações ao leme das suas vidas e do país! As manifs anti-troika e anti-Governo PP/PSD que se têm sucedido com intervalos cada vez mais curtos, insistem e investem muito no primeiro imperativo. E silenciam e investem quase nada no segundo. Ora, sem as populações politicamente desenvolvidas de dentro para fora e maieuticamente ligadas entre si, nenhum espaço para intermediários, messias, salvadores, o actual Governo PP/PSD pode ir ao fundo, como exigem as manifs, mas outro, semelhante ou ainda pior – “atrás de mim virá que bom de mim fará” – corre logo a ocupar-lhe o lugar. Com troika no terreno, ou sem ela. Mas sempre com o Poder financeiro ao leme das vidas das populações e do país.

É relativamente fácil atirar Governos ao fundo. Difícil, muito difícil, tem sido trabalhar, discreta e organicamente, sem descanso, com as populações, para que elas cresçam de dentro para fora, maieuticamente ligadas entre si, de modo a assumirem o leme das suas vidas e do país. Nem o 25 de Abril de 1974 se lembrou de desenvolver este trabalho político, nem sequer durante o PREC (Processo Revolucionário Em Curso), que, na prática, não passou de um arremedo de trabalho revolucionário, entre umas quecas e umas tainadas, nas aldeias do nordeste, à mistura com umas músicas e uns discursos tirados de um qualquer “livro vermelho”, muito fácil de manusear e de reproduzir, para populações que o fascismo e o cristianismo católico e o protestante mantêm, há séculos e séculos, sob seu total controlo ideológico e idolátrico.

A grande questão política que nem os chamados partidos políticos estão dispostos a encarar e a superar, tem a ver com as populações em geral. E é um trabalho político permanente, que tem de ser feito geração após geração. Ninguém nasce politicamente desenvolvido, nem se faz politicamente desenvolvido, sem um acompanhamento político cuidado e sábio, realizado ao fecundo e libertador modo da parteira. As minorias do Poder sabem que o tempo joga sempre a favor delas. E que basta ter populações politicamente subdesenvolvidas/deprimidas, para que tudo lhes corra de feição. Quando chamadas a decidir sobre as suas vidas e do país, é nessas minorias do Poder político que as populações continuam a confiar. Podem, como na Grécia e na Itália, votar, uma vez, de raiva e de protesto, mas, depressa, a raiva passa e o protesto também. E as populações lá voltam à sua “estabilidade”, às suas rotinas, às suas pequenas coisas, aos seus pequenos negócios, às suas rezas às santas e aos santos da sua devoção, às suas festas aos santos populares e do padroeiro ou da padroeira. E esquecem por completo as manifs nas ruas.

Para sermos, neste início do terceiro milénio e terceiro milénio além, populações politizadas, permanentemente, ao leme das nossas vidas e do país, exige-se-nos de todas, todos nós, muito mais do que manifs nas ruas e nas cidades, punhos erguidos, agitação de bandeiras vermelhas ou pretas, slogans repetidos até à náusea e sucessivas entoações de Grândola vila morena, para regalo das tvs e dos directos das rádios. Exige nascermos de novo todos os dias, sermos mulheres, homens novos. Ao mesmo tempo, exige-se-nos a criação duma sociedade outra, que não esta mortalmente envenenada. Uma sociedade onde se respirem ventos culturais outros, onde a dignidade e a liberdade valem mais do que o dinheiro, um poema vale mais do que um golo de futebol, o amor vale mais do que fazer sexo em qualquer esquina, as conversa com afectos e ideias valem mais do que todos os jogos de futebol que a Sport-tv ou a Benfica-tv exibam a toda a hora do dia e da noite!

Uma vez chegados aqui, sim, Governos politicamente assassinos e ladrões, como este do PP/PSD, não só vão ao fundo, como nem sequer chegam a constituir-se, porque as populações estão dia e noite ao leme das suas vidas e do país. Trabalhemos, pois, politicamente, pelo menos, a par das manifs, para que um Hoje, assim, seja realidade todos os dias. E não simplesmente mais do mesmo messianismo político, por sinal, sempre muito presente nos discursos de intelectuais não-orgânicos, e que, em vez de lixar a troika, lixa as populações, pois as deixa sistematicamente entregues ao Poder que vem só para as roubar, matar e destruir!

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O próximo será o Papa 266

Reclamam-se de “sucessores” de Pedro, o mesmo que traiu/entregou Jesus e depois ainda o negou por três vezes

Desde Pedro a Bento XVI, os historiadores afirmam que houve 265 Papas. Pelo que o próximo papa será o 266. Porém, esta informação é de todo historicamente insustentável, uma vez que Pedro nunca foi papa! Tão pouco esteve em Roma. Nenhum historiador sério arrisca dizer que esteve. E só mesmo os historiadores das múltiplas lendas inventadas e postas a circular como verdade, ao longo deste dois mil anos, sobre a igreja católica, são capazes de justificar todas as aleivosias católicas. Estes dois mil anos de romanismo/cristianismo são dois mil anos de mentira e crime. Desde logo, pelos começos. Nos começos do cristianismo/romanismo está Pedro, o chefe do grupo dos “Doze” e o primeiro da lista, que, durante a última semana de Jesus em Jerusalém, o traiu e entregou, via Judas Iscariotes, o último da lista, aos sumos-sacerdotes. E, como se isso não bastasse, ainda o nega por três vezes, precisamente, quando Jesus já está preso e está a ser sumariamente julgado e, poucas horas depois, é crucificado. Nada que o próprio Jesus já não contasse, uma vez que Pedro nunca se fez seu discípulo e sempre quis que Jesus se assumisse como o cristo/messias vencedor da casa real de David/Salomão contra os inimigos dos judeus e de Deus. Ao ponto de Jesus ter chegado a chamar-lhe “Satanás”/Tentador.

Ainda hoje, os papas e os bispos são todos lestos em citar umas palavras de Jesus, exclusivas do Evangelho de Mateus – manifesta interpolação posterior que até quebra a sequência da narrativa – “Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha igreja.”. Mas silenciam sistematicamente o que o mesmo Evangelho de Mateus, põe o mesmo Jesus a dizer ao mesmo Pedro, “Retira-te de mim Satanás/Tentador, porque os teus pensamentos não são de Deus, mas dos homens (= Poder)”.

Em que ficamos? O episódio, com duas faces antagónicas, dentro da mesma narrativa, por sinal, bastante breve, revela bem toda a tensão existente entre Jesus e Pedro, o chefe dos “Doze”, até Jesus tomar a decisão de ir a Jerusalém, não para tomar o Poder, como pretendia Pedro e os Doze, mas para desmascarar o Poder e seus agentes que, em nome de Deus, “comiam” os camponeses pobres, os órfãos e as viúvas. Ora, o que os Doze e o seu chefe Pedro vêm depois fazer a Jesus, na última semana que ele passa em Jerusalém, redunda na completa implosão do grupo dos Doze – o grupo, pura e simplesmente, desaparece! – e na negação/rejeição definitiva de Jesus, por parte de Pedro. Não é a “morte política” de Pedro, porque, graças a esta traição e rejeição, ele e o seu grupo abjuram de Jesus e do seu Projecto político do Reino/Reinado de Deus Criador Abba-Mãe de todos os povos. Regressam ao judaísmo davídico, do qual, em verdade, nunca se haviam afastado, e ficam até com autorização para fundarem uma nova corrente dentro dele, chamada judeo-cristianismo! É bom, entretanto, sublinhar que, historicamente, Pedro e Jesus nunca mais voltaram a encontrar-se, após a morte crucificada de Jesus, em nome da Lei de Moisés e só possível graças à traição/negação de Pedro! Este facto é, indubitavelmente, o mais trágico no ser-viver histórico de Pedro/Pedra/Casmurro, por outras palavras, o anti-Jesus!

Os papas que se reclamam de “sucessores de Pedro” e os bispos – hierarquia = poder sagrado – que se reclamam de “sucessores dos 12 apóstolos”, não sabem o que dizem. Esquecem, por ignorância, ou por preguiça ou por dolo, que os “Doze” implodem como grupo, na última semana de Jesus em Jerusalém e, desde então, nunca mais o voltam a ver. O último acto histórico deles com Jesus, é serem os seus delatores/traidores, para, em troca, terem garantida a sua reinserção social e política no judaísmo. Com a agravante, no que respeita a Pedro, de, a esse crime, ele ter ainda acrescentado o da sua tríplice negação/rejeição de Jesus e do seu Projecto político!

Pois bem. É sobre este crime nunca posto a nu e sempre escondido/negado pelo cristianismo, que existem, ainda hoje, a igreja católica romana e os diversos cristianismos protestantes. Todos contra Jesus, o de antes do cristianismo. Avisados andaremos, pois, se, em vez de ficarmos, de boca aberta, à espera de saber quem vai ser o Papa 266, tivermos a mesma simplicidade e a mesma audácia de Jesus, no templo de Jerusalém, de reconhecer, contra dois mil anos de mentira histórica, que a Cúria Romana é um ninho de víboras, que o Estado do Vaticano é a maior máfia do mundo e que a Igreja católica romana e as que dela têm nascido, a partir do Século XVI, são todas covis de ladrões e antros de idolatria, já que o Deus que invocam, não passa de uma máscara religiosa para esconder o único deus de todas elas, o Dinheiro! Como tal, é um imperativo ético atirá-las fora, como se faz ao sal que perde a força de salgar. Porque este tipo de Igrejas tem tudo de anti-sacramento de Jesus. E em vez de garantir a incorruptibilidade da Sociedade, são o vírus que a corrompe a toda a hora, a começar nas mentes das populações, suas súbditas.

P.S.

Já viram aberração teológica maior do que uma afirmação do ainda papa Bento XVI, minutos antes de passar a papa emérito?! Ei-la: “Prometo obediência incondicional ao novo papa!” É o cume da papolatria. Porque a nossa obediência incondicional, nem sequer é a Deus, quanto mais a um papa ou a um outro chefe de Poder. A nossa obediência incondicional é exclusivamente à nossa própria consciência.

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Oportunas palavras de Hans Küng

Dois papas no Vaticano?

 Que fique claro, eu não tenho nada contra Joseph Ratzinger. Desejo-lhe todo o bem possível. Não tenho nada contra uma vida bela, num lugar para repousar. Temos a mesma idade... Inicialmente, eu pensei: foi uma boa decisão retirar-se num convento para rezar. Mas agora vê-se que não era esse projeto. E é muito perigoso ter um ex-papa, a viver no próprio Vaticano. Não num mosteiro. A viver, não com monges, mas com freiras que estavam ao seu serviço no Vaticano como papa. Ele tem o mesmo secretário, o padre Georg. Quer manter contato com os cardeais, com o novo papa. Tenho medo de um "papa-sombra" no Vaticano. Mas é que estará para acontecer.

Proceder assim, não é, como ele havia dito, ir ao monte para rezar. É ter a possibilidade de intervenções contínuas. Uma situação perigosa. Prevejo muitos conflitos. Vivo perto do Lago de Constança, onde tivemos o concílio do cisma do Ocidente, com três papas. Era o século XV. A situação, hoje, é obviamente diferente... Mas se, por exemplo, o futuro papa disser: é necessário discutir o celibato dos padres, como o atual cardeal da Escócia propôs, quem não quiser isso, se dirigirá ao antigo papa. Além disso, é preciso levar em conta a divisão da Cúria Romana e da Igreja inteira. Por exemplo, João XXIII, com esse sistema, não poderia ter convocado o Concílio.

Trata-se de pura ingerência secreta, não controlável. Ratzinger diz: "Eu estou fora, mas estou no coração do Vaticano". O que não é admissível. Certamente, Bento XVI não terá comunicações oficiais, mas infinitas conversas privadas. Como é possível, por exemplo, que o padre George Gänswein, o mesmo secretário do antigo papa, também seja prefeito da Casa Pontifícia? Com controlo sobre a antessala, decisões sobre as audiências. Configura-se uma comunicação contínua entre palácio pontifício e o antigo papa. Isso está sendo preparado há muito tempo. É parte de uma estratégia clara. Basta pensar na nomeação de um secretário como arcebispo (em dezembro passado). Na Cúria classificaram isso de "novo nepotismo". E há o prefeito do Santo Ofício, amigo e discípulo de Ratzinger, bispo de Regensburg, menos aceite na Alemanha entre os bispos...

Do ponto de vista da teologia, é sustentável um "papa para sempre"? Como teólogo, posso dizer que o “ministério petrino”, introduzido na Idade Média, não é um sacramento. Alguém pode ser ordenado presbítero, pode ser ordenado bispo, e permanece para sempre. Mas o papa não. Não há uma ordenação para ser papa. Não há sacramento.

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D. Carlos Azevedo e o Pe. José Nuno

Por que só agora o Bispo é atacado?

 O que explica o concertado ataque ao Bispo Carlos Azevedo, para mais, por denúncia de um padre da mesma diocese do Porto, onde ambos se formaram, e que, antes de ser bispo, foi director espiritual no Seminário, ao tempo em que o Pe. José Nuno (é este o padre em questão), era estudante, portanto também director espiritual dele e, ao que o próprio testemunha, com bastante agrado, pelo menos, nos primeiros tempos de relacionamento?! No dia em que explodiu a “bomba” contra o Bispo Carlos Azevedo, todos os telejornais da noite abriram com o escândalo. E o bispo, sereno e até sorridente, tentou explicar, perante as câmaras, os factos ocorridos, há mais de 30 anos. E teve o cuidado de sublinhar, de todas as vezes, que nunca cometeu qualquer acto moralmente ilícito, até porque as pessoas, então directamente envolvidas, eram todas já de maioridade.

Mas lá está, agora, sem apelo nem agravo, na Nunciatura apostólica – o Estado do Vaticano em Lisboa – a denúncia do Pe. José Nuno, entregue recentemente ao respectivo Núncio apostólico. Cai a denúncia na Nunciatura apostólica (todos estes nomes pomposos são só para esconder o intolerável eclesiástico!), e o bispo Carlos Azevedo, em vez de ser chamado a explicar-se sobre os supostos factos denunciados, é, inopinadamente, catapultado para a Cúria Romana, onde, desde então, corre sérios riscos de se perder para sempre, tamanhos são os escândalos de toda a ordem, desde os financeiros, aos sexuais, até aos frequentes assassínios que por lá se cometem, sem deixarem qualquer rasto. E, ainda hoje, o Bispo Carlos continua sem ser ouvido. Existe uma denúncia; e não existe o respectivo contraditório. Assim se “matam”, de modo incruento, milhares, milhões de seres humanos, que se tornam incómodos, por não se venderem ao Sistema, tido como Deus!

Ao mesmo tempo e, surpreendentemente, os bispos da CEP emitem uma Nota, na qual prometem ao Bispo a esmola da “sua oração fraterna”. Assim mesmo. Como uma pedra atirada à cara do Bispo Carlos Azevedo. E como se não bastasse, vozes clericais de gabarito, no espaço mediático, entre as quais o Bispo Januário Torgal Ferreira e o Pe. Carreira das Neves, ouvidas pelas tvs, “atiram”-se, com chocante unanimidade, ao Bispo Carlos. Como a revelar que todos os clérigos católicos, do topo à base, têm alguma pedra no sapato contra ele.

Ora, se ser homossexual e bispo não é nenhuma incompatibilidade eclesial; se os actos da vida privada de cada pessoa adulta, apenas a ela dizem respeito, desde que não haja vítimas menores pelo caminho; se o que está em questão, nestas coisas dos escândalos dos clérigos, como o da pedofilia, é sobretudo e sempre a perversa Lei do Celibato obrigatório para os ministros ordenados da igreja católica romana, uma Lei que nenhuma Conferência Episcopal se atreve a atirar ao lixo, quando é um imperativo ético fazê-lo, porque o que é perverso não pode ser moralmente imposto a ninguém; se o Pe. José Nuno, finalmente, capa da Revista Visão, precisamente, uma semana depois do Bispo Carlos o ter sido, e sobre ele, conhecidos e amigos opinam, por sinal, nem todos de modo muito favorável; se, finalmente, é público que, já depois de todas as queixas que o Pe. José Nuno diz que carrega desde 1980, ambos foram vistos, nos últimos anos, a trabalhar pastoralmente juntos em áreas pelas quais cada um era responsável, um em nome da CEP, e o outro em nome da Coordenação das Capelanias dos hospitais do país, como se explica todo este escândalo, em vésperas da sede vacante, no Estado do Vaticano, e da escolha de um novo patriarca para a diocese de Lisboa?! Assuntos relacionados com o sexo dos clérigos (mas que tema mais deprimente para abrir telejornais, senhoras, senhores jornalistas!!!), que, no caso em questão, envolvem um Bispo, ou, pelo contrário, as reiteradas denúncias, feitas por este mesmo Bispo, contra a UCP-Universidade Católica Portuguesa, a revelar que nela se insiste em ensinar às novas gerações uma economia neo-liberal, puro capitalismo selvagem, sem dúvida o mais indicado para fazer vítimas humanas aos milhões, com as quais o deus das religiões, das igrejas cristãs e dos ateísmos, se alimenta? Qual destas duas realidades estará por trás de todo este caso super-mediatizado?

Uma coisa é certa. Ai de quem se meter com a UCP e a sua orientação doutrinal idológica-idolátrica. Como ai de quem se meter com a Opus Dei, ou a riquíssima Comunidade Canção Nova, sediada no Brasil, ou o instituto pontifício Comunhão e Libertação, ou os Focolarinos! Por isso, eis aqui a minha mão presbiteral maiêutica ao Pe. José Nuno. E a minha inteira solidariedade ao Bispo Carlos Azevedo. Acompanhada, neste último caso, de um veemente apelo: vê se consegues, Bispo Carlos, sair ileso desse ninho de víboras, que é a Cúria Romana, para onde o Núncio de Lisboa, à boa maneira das máfias, te “chutou”, certamente na esperança de, com esta “promoção”, te corromper de vez, o que conseguirá se vieres a tornar-te um anafado cardeal, com tudo de palhaço de carnaval! Quando é que nós, populações, abrimos os olhos, e deixamos de confundir a realidade com a encenação, sobretudo, a encenação mediática?

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Se não pedes factura, és multado

A estupidez política no Governo do País

É pura estupidez política o que o Governo mais politicamente inábil e infantil que o país alguma vez já teve, desde o Estado Novo pretende impor por lei. Vê só. Vais ao café e não pedes factura do café que bebeste? Corres o risco de ser autuado e tens de pagar multa! Onde já se viu semelhante? O Governo mais politicamente estúpido desde o Estado Novo quer reduzir as populações a crianças aterrorizadas! Quer fazer das populações bonecos articulados! E as tvs fazem-se eco do discurso oficial e entretêm-se a dar exemplos concretos de pessoas que já foram “apanhadas”. Em lugar de desencadearem um levantamento popular contra esta estupidez política e este terrorismo político, com este seu proceder, ainda aterrorizam e estupidificam mais as populações. Onde estão, hoje, os jornalistas profissionais, elas e eles?

Desobediência política, é preciso. Quando um governo assume posturas como as que este Governo PP/PSD está a assumir, desobediência política é preciso. Em massa. E a toda a hora. Está nas nossas mãos parar o país. Sem ponta de violência. Sem pegar sequer numa pedra. As próprias forças de segurança – PSP e GNR – têm o dever moral de desobedecer a ordens do Governo, reveladoras de estupidez política. A demência não pode estar ao leme de um país. Por mais que se reclame de legitimidade eleitoral para isso.

Que legitimidade tem para governar, uma maioria como a actual do PP/PSD, que fez uma campanha eleitoral com um determinado projecto e, mal se apanhou no Poder, passou logo a fazer tudo ao contrário do que diz no seu manifesto eleitoral? As populações deveriam ter parado o país, de imediato. À primeira medida oposta às anunciadas no manifesto eleitoral Em vez disso, meteram-se a resmungar/protestar, e, pior, a acatar e a fazer.

O cume da estupidez política governamental é, agora, pretender que as populações exijam factura, por qualquer compra, pequena ou grande, que realizem. Que o Governo exija a quem vende que passe factura da venda, é discutível, mas vá que não-vá, quando, obviamente, não exige que tudo seja facturado, até uma flor que se oferece ou um beijo que se dá, ou um poema que se diz/escuta/partilha. Mas nunca por nunca o Governo pode exigir ao que adquire qualquer produto no mercado que, sob pena de ser multado, tem exigir factura ao respectivo vendedor. Onde já se viu?

Perante tamanha estupidez política, a desobediência das populações tem de ser geral e total. Nenhuma pessoa, da cidade ou da aldeia, pode fazer o jogo do Governo. Assumamos, de cabeça levantada, a nossa desobediência cívica. Não se trata de acções violentas. Trata-se de dignidade política e cívica. E, se os “fiscais” – haverá quem aceite uma profissão que materializa uma estupidez política deste calibre? – insistirem e nos autuarem, façamos logo parar o país. Na hora e no local. Ocupemos os cafés, as confeitarias. Deixemos os carros nas bombas de abastecimento de combustível. Nas auto-estradas. Fiquemos sentados nas empresas. Recusemos fazer compras nos supermercados. E não haverá facturas para ninguém. À demência política, respondamos com o nosso civismo e a nossa inteligência. Ministros, garotos políticos? Que o sejam da casa deles. Não do país!

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Vendem-nos cavalo por vaca

Regressar às hortas, às cortes, aos galinheiros

Estamos à espera de quê? Quando o Mercado nos vende cavalo por vaca, será que continuamos a frequentá-lo, como se nada de errado e de grave estivesse a acontecer? Pelo andar da carruagem, pagamos comida e comemos lixo, todo o tipo de mixórdia, desde que nos seja vendida bem empacotada, embrulhada em papel celofane.

É cada vez mais manifesto que o Mercado só busca o máximo lucro. Mesmo no universo da restauração e da venda de produtos alimentares, o que move o Mercado é o lucro. E ninguém pode pedir àquilo que só busca o lucro, que nos forneça produtos alimentares de qualidade.

As populações têm de perder a ingenuidade social e política. Neste particular, chegamos a parecer criancinhas que acreditam em tudo o que diz a publicidade e em tudo o que dizem os rótulos de um qualquer produto alimentar que se encontra à venda no Mercado. O Mercado que visa em primeiro lugar o lucro, é sempre mentiroso. Sabe que pode ser “apanhado” pela fiscalização, mas sabe também que não há um fiscal para cada cidadão comprador. Por isso, vende cavalo por vaca. E cobra-se do preço da vaca, não do preço do cavalo. Interessa-lhe o lucro. Não lhe interessa a verdade.

Temos, como populações, de fugir do Mercado e regressar às hortas, aos quintais, às cortes de animais domésticos, aos galinheiros. Produção caseira de alimentos, ainda que com recurso a meios tecnológicos de hoje, é preciso. Junto à casa onde moramos, implantemos também a horta, o galinheiro, a corte das cabras, das ovelhas, do porco, dos coelhos.

Agir assim, não é regredir, mas evoluir. Regredir será confiar a nossa alimentação ao Mercado. Ele rouba, mente, vende cavalo por vaca e múltiplas mixórdias bem embrulhadas. Confiar no Mercado é que será regredir. Organizemo-nos e cuidemos da nossa própria alimentação. Regressemos aos fornos comunitários, às fornadas de pão cozido a lenha, às comidas confeccionadas com produtos das nossas hortas.

Derrotemos o Mercado. Cuidemos de nós. Dos nossos filhos e filhas. Regressemos à terra. Aos rios. Aos mares. Fora dos grandes meios industriais. E seremos mais saudáveis, mais felizes, conheceremos qualidade de vida. É que o amanhã mais saudável faz-se hoje. Longe do Mercado, mentiroso, ladrão, assassino, por natureza.

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José Golão denuncia

A NATO E OS SEUS ESCRAVOS

É um singelo telegrama da agência noticiosa portuguesa Lusa. Em pouco mais de uma dezena de linhas conta-nos que aproximadamente 100 (cem) trabalhadores portugueses da construção civil ajudam a edificar o novo e faraónico quartel general da NATO em Bruxelas, em troca de condições que, assentes em discriminação e xenofobia, entram sem rebuço pelo conceito de escravatura.

A NATO cúmplice de práticas de escravatura? Não é possível. Então a Aliança Atlântica não promove guerras em todo o mundo, por conta própria ou através regimentos mais ou menos clandestinos, para que haja liberdade, respeito pelos direitos humanos e democracia? Pois é, talvez seja em todo o mundo menos em Bruxelas, o coração da Europa Unida que parece tudo sacrificar para que se implante a austeridade.

Revela a simples informação da Lusa que passadores ilegais, replicando os sinistros tempos dos anos sessenta, se aproveitam da crise da construção civil em Portugal para encherem autocarros de desempregados necessitados que buscam sustento onde quer que alguém o disponibilize. E a NATO faculta-o em Bruxelas, parco como deve ser para não criar maus hábitos, onde constrói um novo quartel general, misto de bunker e modernices arquitectónicas cujo custo já vai em mil milhões de euros e não ficará por aqui, tendo em conta os vertiginosos antecedentes.

Sejamos objectivos. Como qualquer diplomata da Aliança explicará, a NATO apenas entregou as obras a multinacionais da construção e estas sim poderão, eventualmente – caso não haja desígnios de má vontade em todo este processo de intenções – utilizar mão de obra mais barata, para que os custos se contenham. Para evitar problemas desse tipo, susceptíveis de provocar desagrado em estruturas de decisão das 28 nações que têm de repartir em tempos de crise os custos de tão imperiais mordomias, os construtores civis procuram a mão de obra onde é mais barata e menos exigente – em países e regiões onde as bolsas de desemprego criadas pela tão famosa “liberalização dos mercados de trabalho” garantem que os passageiros dos clandestinos autocarros trabalham muito e nada exigem. Assim se reduzindo à condição primária de escravos.

Por isso, como conta a quase telegráfica notícia da Lusa, os trabalhadores portugueses edificam o lustroso quartel-general da NATO, trabalhando 14 horas por dia recebendo sete euros por hora e sem quaisquer garantias sociais. Ao seu lado, os colegas belgas, fazendo o mesmo trabalho, recebem 16 euros por hora. Ao fim da jornada de exploração, grupos de sete portugueses são encafuados em dormitórios de duas pessoas, sem espaço sequer para arrumar a roupa que em Portugal aconchegaram nas suas bagagens - e ali continuam.

Moral da história: enquanto no Afeganistão, na Líbia, no Iraque, na Síria, no Paquistão, no Iémen, a NATO distribui a liberdade, os direitos humanos e a
democracia, a bem ou a mal, directamente ou por interpostas milícias de todos os matizes, o seu quartel general em Bruxelas é construído por seres humanos recrutados nas fontes das misérias e transportados em autocarros que se diferenciam dos barcos negreiros por não navegarem e se moverem sobre rodas em estradas que dizem ser sinais de progresso.

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Manifesto de Álvaro Pereira (pai do Ricardo Araújo Pereira)

“Suspendo o meu direito de voto até 2018!"

 Não sou Funcionário Público, mas o Estado trata-me como se eu o fosse, enquanto REFORMADO. Dizem que os Reformados não têm poder de contestação, que de nada lhes serve tomar uma atitude contestatária (uma GREVE deles é inconsequente, por não afectar nada nem ninguém).

Eu não estou de acordo! E como tal, decidi tomar uma posição que traduzo no seguinte MANIFESTO:

Considerando:1, que me foram retirados o 13º e 14º mês até 2018; 2, que me reduziram a Reforma para a qual fiz descontos milionários durante uma vida de trabalho; 3, que me foram aumentados os descontos para o IRS, o IMI, no Consumo de Electricidade, da Água e do Gás, para a “Compensação aos Operadores” respectivos (EDP, Tejo Energia e Turbo Gás), nos Combustíveis, para o Investimento das Energias Renováveis, para os custos da Autoridade da Concorrência e da ERSE, na Alimentação, na taxa de Esgotos, para a Utilização do Subsolo, para a Rádio, para a Televisão, para a TNT, para a Harmonização Tarifária dos Açores e Madeira, Rendas de Passagem pelas Autarquias e Munícipes, para o auxílio social aos calões que recebem, indevida e impunemente, o RSI (Rendimento para a Inserção Social), para pagamento dos cartões de crédito de políticos, para as portagens nas SCUTS e aumento nas auto-estradas, para a recuperação de BPNs, para que os Dias Loureiros, os Duartes Limas, os Isaltinos de Morais e quejandos depositem as minhas economias em nome deles em offshores, para as novas taxas de Apoio Social, para as remodeladas Taxas de Urgência nos Hospitais Civis, para as asneiras provocadas pelas ideias megalómanas de políticos incompetentes que criaram auto-estradas sem trânsito, para as Contrapartidas e Compensações a Concessionários de diferentes estruturas, para pagamento das dívidas às Parcerias Público-Privadas durante 50 anos ou mais, etc., etc., etc., tudo recheado com 23% de IVA (por enquanto); 4, que, cada voto que um cidadão deposita nurna eleitoral, para além de pôr no poleiro os espertalhões que os (se) governam, representa um óbolo igual a 1/135 do salário mínimo nacional (actualmente em €485,00) a reverter para os seus cofres (1 voto = €3,60), a que acrescem as subvenções às campanhas e verbas para os grupos parlamentares. (Lei do Financiamento dos Partidos Políticos e das Campanhas Eleitorais: Lei n.º 19/2003, de 20 de Junho, com as alterações introduzidas pelo Decreto-lei n.º 287/2003, de 12 de Novembro (Declaração de Rectificação n.º 4/2004, de 9 de Janeiro), Lei n.º 64A/2008, de 31 de Dezembro1 e Lei n.º 55/2010, de 24 de Dezembro); 5, que esse valor é atribuído pelos quatro anos de legislatura, o que significa entregar aos partidos votados o quádruplo dessa importância (€14,40), atingindo uma despesa superior a 70 milhões de euros; 6, que, no caso dos votos em branco ou nulos, essa valia é distribuída por todos os partidos concorrentes às eleições; 7, e que, se eu me abstiver de votar, não há montante a ser distribuído pelos partidos concorrentes às eleições,

Eu, ARTUR ÁLVARO NEVES DE ALMEIDA PEREIRA, cidadão de pleno direito, com o BI e o NIF, com todos os impostos pagos e ainda credor do Estado por taxação indevida e não devolvida em sede de IRS, embora prescindindo de uma liberdade coarctada durante quase 40 anos e restituída em 25 de Abril de 1974, decido que, dependendo do cenário político-económico, meu e do meu país, entrarei em GREVE DE ELEITORADO, e SUSPENDO O MEU DIREITO DE VOTO ATÉ 2018!"

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“Ano da Fé”, ou da beatice e da rotina?

Na Diocese do Porto, pior é impossível! 

Desde que o Ano da Fé começou a ser materializado no terreno das múltiplas Vigararias da Diocese do Porto, é certo e sabido que a manchete de VP-Semanário da Diocese do Porto, é feita com uma grande foto e um título em toda a largura de página. Preocupação dominante: dar a impressão de que está muita gente envolvida, em cada vigararia, e que a Diocese está empenhada em estimular o despertar e o desenvolver da Fé nas populações católicas, portanto, já oficialmente crentes. Desconhece-se que tipo de Deus essa Fé sinaliza e em que é que as pessoas que a dizem professar se distinguem dos agnósticos, ateus ou indiferentes, hoje, cada vez mais, a maior “igreja” sobre a terra.

O Bispo titular, Manuel Clemente, preside, cada fim de semana (tarde e noite de sábado, e tarde de domingo), em cada vigararia, com pessoas provenientes das múltiplas paróquias que a constituem. Com ele, vai também o Bispo auxiliar que, ao longo do ano acompanha, pastoralmente, a vigararia; e ainda o Vigário Geral da Diocese, Pe. Américo Aguiar. Só não vão os cónegos, sabe-se lá porquê. Talvez porque a Fé já lhes não diga nada, apenas a rotina e a beatice da oração das “horas”, do “Breviário”, no coro da catedral, a eles reservado, como conselheiros do Bispo, nenhum poder de decisão. A verdade é que com as suas vestes, de cores garridas, ajudavam a dar um ar ainda mais folclórico às Jornadas da Fé, uma das mais recentes campanhas que o papa emérito Bento XVI deixou à sua igreja, em todo o mundo, até final de 2013, a menos que o novo papa que lhe irá suceder decida pôr-lhe termo e fazê-la substituir por outra menos intelectual/abstracta e mais popular.

Vale uma aposta? A julgar pelo que se faz na diocese do Porto – e estamos numa diocese modelo, paradigma, presidida pelo único Bispo Prémio Pessoa – quando o Ano da Fé encerrar, pode o balanço oficial apresentar excelentes resultados à Cúria romana, mas é certo e sabido que as populações residentes nas paróquias de cada vigararia estarão ainda mais descrentes que antes, por isso, mais beatas e carregadas de mais vícios e rotinas religiosos.

Os testemunhos de Fé que são dados/escutados cada tarde de sábado, na presença dos Bispos e do Vigário Geral e dos párocos, são um somatório de infantilidades e de banalidades, porque a isso e só a isso leva a Fé religiosa e cristã. As considerações pastorais feitas aos testemunhos, por parte dos três craques da diocese, são um improviso sem ponta por onde se lhe pegue, no respeitante ao conteúdo teológico, a revelar que nem na cúpula, a igreja diocesana do Porto faz ideia do que é viver a Fé, a mesma de Jesus.

A noite desse mesmo sábado é entregue aos jovens católicos, os poucos que ainda andam nas catequeses para o Crisma e depois se despedem solenemente da Igreja e enveredam pelo ateísmo ou pela indiferença. Apresentam, juntamente, com os que cantam nas missas de domingo, os acólitos, escuteiros e catequistas umas quantas “animações”, previamente ensaiadas, e elaboradas com base em temas bíblicos, cujos reais conteúdos, eles próprios não fazem ideia quais sejam. Já, na tarde do domingo, lá vem a inevitável missa solene presidida pelo Bispo e concelebrada pelos párocos, um número litúrgico que, até, poderia ser de encher o olho, se acontecesse uma vez na vida de alguém. Mas como é sempre a mesma peça de teatro, reproduzida, todos os domingos, vai para dois mil anos, redunda numa estopada de todo o tamanho, tanto para quem preside, como para quem assiste e, até, para Deus que, felizmente, nunca põe lá os pés, já que – revela-nos a mesma Fé de Jesus! – Ele não gosta de missas, nem de sacerdotes, nem de altares, nem de cruzes-instrumentos-de-tortura, nem de sacrifícios, muito menos, do sacrifício do seu próprio filho.

Ano da Fé? Mas que Fé? Quem interpela quem? Quem desperta quem? E que lugar para os ateus, neste rotineiro modo de “celebrar” o Ano da Fé, semana após semana? E que lugar para as irmãs, os irmãos que, por força da Fé que praticam, não sabem nem querem saber de rezas de terços, nem de missas, nem de novenas, nem de altares, nem de paróquias, nem de vigararias, nem de sacerdotes? Que Fé religiosa cristã católica é, pois, essa que não se abre a estas irmãs, a estes irmãos dissidentes, nem se deixa interpelar pelo viver delas, deles, à intempérie e nas trincheiras, no prosseguimento de Jesus?!

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Edição 85, sexta-feira, 8 de Fevereiro 2013

Oposição recusa integrá-la, e não houve Comissão Para a Reforma do Estado; vá mais longe e recuse integrar o Parlamento, e não haverá mais este Governo genocida!

A voz-e-vez às sábias/sábios do País!

Acaba de ficar bem à vista de todas os portugueses, elas e eles, que o actual Parlamento só tem tido legitimidade para arrastar o País à miséria, ao desemprego, à emigração e – desgraça das desgraças! – à perda completa da mais jovem geração que, nesta altura, deveria estar a tomar em mãos os destinos do País e vê-se obrigada a deixar tudo e todos, numa espécie de anti-Abraão bíblico, que deixou tudo para se tornar o “pai de um grande povo”, e a nossa nova geração está a deixar tudo e todos para ver se, pelo menos, não morre à fome, ainda que possa vir a morrer de saudade, de falta de afectos, de laços, de relação, de alma/identidade. E o que acaba de acontecer, assim de tão revelador e que os grandes media e todos os porta-vozes dos partidos políticos, da maioria do Governo e maioria contra o Governo, deixaram de alimentar? Eis! A tão badalada “Comissão parlamentar para a reforma do Estado” não pôde ser empossada pela respectiva presidente, Assunção Esteves, por falta de um mínimo de contraditório, na sua composição. Quer isto dizer que nenhum deputado, de nenhum partido da Oposição, com assento parlamentar, aceitou integrar essa Comissão e, perante esta não presença de contraditório, a presidente da AR não teve como dar-lhe posse!

O facto, tão simples, vem gritar ao País e à União Europeia que todos os partidos que integram o Parlamento português são todos igualmente responsáveis pela presente situação de descalabro em que presentemente nos encontramos. Todos, não do mesmo modo, mas todos responsáveis. Os votos contra o OE 2012 e o OE 2013, não impediram que um e outro fossem aprovados por maioria, depois, pelo PR e entrassem em vigor no primeiro dia do ano a que cada um deles diz respeito.

Teria bastado que os deputados da oposição, ao verem que os seus lugares no Parlamento, ao lado dos deputados que, em maioria, apoiam cegamente o Governo e todos os crimes que ele se tem proposto executar, a coberto de leis aprovadas, com o seus votos contra, tivessem decidido, todos à uma, não integrar mais aquele bando de chacais e de meretrizes políticos e, nesse mesmo dia, ou nessa mesma semana, o Presidente da República era obrigado a dissolver o Parlamento. Quando os deputados eleitos apenas contam como número de estatística, para efeitos de aprovação de leis com as quais não podem estar de acordo, porque são destruidoras do País e deixam sem Hoje, a quase totalidade das populações, têm o imperativo ético de dizer NÃO, bater com a porta e regressar à sua vida privada. Permanecer no cargo, para não perder o emprego, nem perder as mordomias que lhe estão anexadas, é uma indignidade para quem o faz, ao mesmo tempo que deita a Política profissionalizada pelo cano do esgoto.

Não houve um único deputado da Oposição que juntasse o seu nome aos nomes dos da maioria, e não houve Comissão para a Reforma do Estado, cujo primeiro objectivo era roubar às populações, mais do que roubadas, ainda mais 4 mil milhões de euros, para os seus privilegiados representantes brilharem nas Cimeiras Europeias e intercontinentais, ainda mais que própria Ângela Merckel, ou o próprio presidente Obama, dos EUA. Não tivesse havido nenhum deputado no Parlamento, a partir do momento em que a maioria dominada pelos felinos políticos PP-PauloPortas/VG-VítorGaspar/PC-PassosCoelho, sob total a complicidade política embasbacada do avôAníbal, passou a varrer o País de lés-a-lés, a mando do grande Poder financeiro europeu e mundial, e este Parlamento nacional teria ido ao fundo. Haveria eleições antecipadas, ou, porventura, uma outra saída política há muito desperdiçada, que desse vez e voz aos Sábios. Assim é este genocídio político que se vê. Com culpa de todos os deputados! Só que hoje, parece que, até os Sábios, elas e eles, perderam a Voz e a Vez, de tão ridicularizados/desprezados que têm sido.

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Lista compilada pelo Programa Mundial de Alimentos, da ONU

As 10 coisas que todas, todos temos de saber sobre a fome em 2013

As Nações Unidas publicaram, nos primeiros dias de Janeiro último, uma lista sobre as 10 coisas que todos temos de saber sobre a fome em 2013. Eis:

1. O mundo tem cerca de 870 milhões de pessoas que não têm o necessário para comer para levar uma vida saudável. Isto significa que um em cada oito habitantes do globo vai para a cama, todos os dias, com fome. (Fonte: FAO, 2012).

2. O número de pessoas a viver com fome crónica baixou para 130 milhões nas últimas duas décadas. Nos países em desenvolvimento, a prevalência da má nutrição caiu de 23,2% para 14,9% no período de 1990-2010. (Fonte: FAO, 2012)

3. O maior progresso contra a fome foi alcançado antes de 2007/2008, quando ocorreu a crise económica global. Desde então, os avanços na redução do problema foram desacelerados e estagnados. (Fonte: FAO, 2012)

4. A fome é o problema número 1, na lista dos 10 maiores riscos de saúde. Ela mata mais pessoas todos os anos que doenças como Aids/Sida, malária e tuberculose todas juntas. (Fonte: Unaids, 2010. OMS, 2011)

5. A má nutrição está ligada a um terço da morte de crianças com menos de cinco anos nos países em desenvolvimento. (Fonte: Igme, 2011).

6. Os primeiros mil dias da vida de uma criança, da gravidez aos dois anos de idade, são fundamentais para o combate à má nutrição. Uma dieta apropriada, nesta época da vida, protege os menores de nanismos físico e mental, que podem resultar da má nutrição. (Fonte: Igme, 2011).

7. Custa apenas 20 cêntimos, por dia, para garantir que uma criança tenha acesso a todas os nutrientes e vitaminas necessários ao crescimento saudável. (Fonte: Igme, 2011)

8. Se as mulheres, nas áreas rurais, tiverem o mesmo acesso à terra, à tecnologia, à educação, ao mercado e aos serviços financeiros que os homens têm, o número de pessoas com fome pode diminuir entre 100 e 150 milhões. (Fonte: FAO, 2011)

9. Até 2050, as mudanças climáticas e os padrões irregulares da temperatura terão colocado mais 24 milhões de pessoas em situação de fome. Quase metade destas pessoas estarão a viver na África Subsaariana. (Fonte: PMA, 2009)

10. A fome é o maior problema solucionável do mundo.

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Dia 26 de Janeiro, em Lisboa

Do almoço partilhado numa família em dor de luto, ao um encontro alargado no Rossio

Dia 26 de Janeiro de 2013. Esplanada da Pastelaria Suíça, no Rossio, em Lisboa. Entre as 16 e as 19 horas. O local foi proposto pelo próprio Pe. Mário, por ser um dos mais centrais e mais conhecidos de Lisboa. O anúncio do possível Encontro foi feito no seu Mural, no Facebook. E resultou. À hora anunciada, chega o Pe. Mário, já acompanhado por uma mãe, mergulhada na dor e no luto de uma viuvez de poucos dias, e por seu filho único já adulto, mas ainda a viver com ela. Antes, o Encontro começa com outro, na casa desta Mulher mãe, algures, em Lisboa. Um encontro com o seu quê de clandestino, como é timbre dos encontros marcados pela intimidade e pelos afectos partilhados. Os únicos, nos quais somos sujeitos e protagonistas, cada qual com a sua originalidade única e irrepetível. Nos antípodas de todas essas missas católicas ou protestantes, realizadas todos os dias, ou todos os sábados, todos os domingos, nos inúmeros templos ou para-templos, espalhados por todo o mundo, onde quantas, quantos que ainda suportam lá entrar, se dizem eufemísticamente irmãos. Na realidade, não passam de estranhos que não se comunicam entre si, que não se amam e, se, alguma vez, se tocam, é quando o sacerdote/pastor que preside a toda aquela encenação, dá uma ordem para que o façam. E todos se tocam, quais autómatos. Nenhum afecto. Nenhuma reciprocidade. Nenhuma sororidade. Apenas e só o rito. Sempre o mesmo. Semana após semana. Ano após ano. Do nascer ao morrer. Mudam sucessivamente os figurantes, os próprios sacerdotes/pastores e a “assembleia”. Mantém-se o rito. Um horror com tudo de inferno, por isso, descriador do humano e criador, em contrapartida, de hipocrisia e de egoísmo, que para isso serve toda aquela encenação idolátrica.

Quando Pe. Mário sai do elevador e depara com Maria José que ele vê pela primeira vez, já com a porta da sua casa aberta, pronta para o acolher, é tomado de uma intensa alegria e, como um menino, desfaz-se em quase incontido riso festivo, por isso, terapêutico. Porque, ao contrário da tristeza que nos acabrunha, deprime e, se persistente, até, mata, o riso e a festa resgatam-nos e soltam-nos. E nós, assim resgatados, soltos, voltamos a ser, o mesmo é dizer, voltamos a ver e a pisar forte a realidade do nosso quotidiano, numa palavra, voltamos a ser sujeitos, protagonistas, a conduzir os próprios destinos. O abraço e o beijo acontecem e selam uma comunhão que nos cura de todos medos e de todas as hipocrisias com que, habitualmente, tecemos os nossos quotidianos.

Segue-se, quase de imediato, a Mesa compartilhada – era a hora do almoço – e com ela a conversa progressivamente maiêutica, durante a qual cada um de nós se revela, quase sem dar por isso. E ficamos os três, intrinsecamente, unidos, um só corpo, na singularidade de cada um. Há palavra, pão, sopa de legumes, sumo de laranja, arroz de pato, salada, maçã assada. E há, sobretudo, olhos nos olhos, mãos que se tocam e se apertam, beijos que se dão e se recebem, festas nos cabelos que se fazem. E, á medida que nos abrimos, experimentamo-nos mais e mais vasos comunicantes, comunhão, corresponsáveis uns pelos outros, sorridentes, sororais. Os problemas não ficam escondidos, saltam cá para fora e ficamos mais livres deles, ainda que com eles, mas totalmente descobertos, por isso, controlados e já em vias de serem superados por quem, respectivamente, os carrega, como próprios.

À chegada ao Rossio, o Pe. Mário facilmente percebe que, por coincidência, vai decorrer, naquela mesma tarde, mais uma manif de Profs das escolas do País. Há altifalantes com música tonitroante. É do nosso Zeca Afonso, mas não o nosso Zeca Afonso. Alguém, deploravelmente, está a fazer dele, na ocasião, arma de arremesso. Sem se aperceber que toda a manipulação de alguém mata o ser humano que cada alguém é. Converte-o em coisa. Uma espécie de brinquedo que entretém, de “de forma politicamente correcta”, quem espera a chegada da manif, ou, ao mesmo tempo que incomoda quem está de passagem ou vem para um encontro de apenas dois ou três, na linha dos de Jesus, com o seu quê de clandestino e de intimidade, apesar de ir acontecer na esplanada daquela conhecida confeitaria. Porque a clandestinidade que nos faz humanos, é a da profundidade, não resulta de um disfarce, muito menos, de uma falsa identidade. A clandestinidade que nos rouba a identidade, nunca faz mais humanos os seus protagonistas. Pelo contrário, rouba-lhes o que cada um deles tem de único e irrepetível. Como é que não vemos, mesmo as, os que nos temos por revolucionárias, revolucionários?!

Chegam pessoas que já nos conhecemos de outras ocasiões e de outros encontros, cada qual irrepetível e único, não rituais, sempre os mesmos, e outras pessoas que só nos conhecemos de modo virtual, graças à internet e ao Facebook. Sucedem-se os abraços e os beijos. E as conversas, apesar do ruído dos discursos e da movimentação, ali mesmo à nossa frente. São conversas ciciadas, que não discursos. E conversas com as duas dimensões que mais nos caracterizam como seres humanos e nos distinguem dos animais racionais: as dimensões antropológica e teológica. E porque são, também, acentuadamente maiêuticas, têm de a graça de nos dizerem/revelarem, como nunca antes.

Pela primeira vez, descobrimo-nos meninas, meninos, apesar dos anos que já somamos, cada uma, cada um, os seus. Brilham os olhos nos rostos de cada qual. Saltam os sorrisos nos lábios. As mãos apertam-se com ternura. Somos um só corpo, em muitos corpos. São quentes e intensos, os afectos. Juntos, saboreamos versículos de O LIVRO DOS SALMOS. E surpreendemo-nos, quando descobrimos que aquele “Eu” que atravessa cada um deles, e que é sucessivamente interpelado por um Tu que nunca ninguém viu, mas nos habita e faz ser humanos sororais.

Qualquer que passe, dá-se conta de nós, ali, tão iguais aos demais e tão distintos dos demais. Até o homem que está de serviço àquela mesa, se dá conta de que tudo ali é novo, belo, afecto, reciprocidade. E ele próprio se vê crescer em humano, à medida que passa por junto de nós, rumo a outras mesas sem chama, sem calor, sem afectos, apenas apetite, como o dos animais racionais. E no final, já não é mais o funcionário do início. É um ser humano, com saudade destas irmãs, destes irmãos que está a ver pela primeira vez e, provavelmente, não voltará mais a ver, a não ser na sua mente/memória cordial. Por isso, nem ele será mais o mesmo. Quanto mais, cada uma, cada um de nós que, durante três horas, demos corpo a este Acontecimento de salvação/humanização, nossa e do mundo!...

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Igrejas do Brasil arrecadam R$ 20 biliões num ano. E as de Portugal?!

Basta pormos os olhos no Vaticano, ou, mais aqui por casa, em Fátima, a nossa senhora dos milhões!... Mas como pormos lá os olhos, se o cristianismo, até, os olhos de ver – concretamente os dos afectos – nos rouba?!

Num país, como o Brasil, onde só 8% da população declaram não seguir uma religião, os templos dos mais variados cultos registaram uma arrecadação bilionária nos últimos anos. Só em 2011, arrecadaram R$ 20,6 biliões, valor superior ao orçamento de 15 dos 24 ministérios da Esplanada - ou 90% do disponível, este ano, para o Bolsa Família. E quanto arrecadam as Igrejas em Portugal? Contas publicadas, precisam-se. Para mais, isentas de impostos!

A soma, que inclui igrejas católicas, evangélicas e outras, foi obtida junto à Receita Federal por meio da Lei de Acesso à Informação. Ela equivale a metade do Orçamento da cidade de São Paulo e fica próxima da receita líquida de uma empresa como a TIM.

A maior parte da arrecadação tem como origem, a fé religiosa dos brasileiros: R$ 39,1 milhões foram entregues diariamente às igrejas, totalizando R$ 14,2 biliões no ano.

Além do dinheiro recebido diretamente dos fiéis (dos quais R$ 3,47 biliões por dízimo e R$ 10,8 biliões por doações aleatórias), também estão entre as fontes de receita, a venda de bens e serviços (R$ 3 biliões) e os rendimentos com ações e aplicações (R$ 460 milhões).

"A igreja não é uma empresa, que vende produtos para adquirir recursos. Vive sobretudo da doação espontânea, que decorre da consciência de cristão", diz dom Raymundo Damasceno, presidente da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil).

Entretanto, assim como os partidos políticos e os sindicatos, os templos têm também imunidade tributária garantida pela Constituição do Brasil. "O temor é de que por meio de impostos se impeça o livre exercício das religiões", explica Luís Eduardo Schoueri, professor de direito tributário na USP. "Mas essa imunidade não afasta o poder de fiscalização do Estado."

As igrejas do Brasil têm de declarar anualmente a quantidade e a origem dos recursos à Receita, que mantém sob sigilo os dados de cada declarante; por isso, não é possível saber números, religião por religião. E, como se sabe, o secretismo faz parte do negócio.

 

Empresa rentável

De modo que, se alguém quiser criar uma empresa rentável, comece por baptizá-la de “Igreja cristã” e inscreva-a no respectivo institucional de registo. Fica logo isento de impostos. Inscreva, depois, como membros ou fiéis, de preferência, pessoas de muito Ter e que auferem chorudos salários mensais e obtêm grandes lucros, ao fim de cada ano. Obrigue-as, em nome da Bíblia, nomeadamente, o profeta Malaquias, a pagar 10% (= dízimo) por mês do salário/reforma/lucros. Ao fim de poucos anos, já nem sabe o que há-de fazer a tanto dinheiro. Porque as populações, quanto mais desprotegidas e empobrecidas, mais correm para as religiões/igrejas. Depois, é só criar uma ou outra IPSS, para garantir a estes fiéis pobres a sério ou faz-de-conta, sopa e medicamentos, e é um tal entrar de dinheiro na empresa, perdão, na igreja! Até proveniente do Estado!

“Covil de ladrões”, chama o profeta Jeremias, século VII-VI, antes de Jesus, ao templo de Jerusalém que, pouco tempo depois é destruído pelas tropas do império babilónio. “Covil de ladrões”, chama também Jesus ao templo de Jerusalém, então, já restaurado. E menos de 40 anos depois, também ele é destruído, mas, desta vez, pelas tropas do império romano. Felizmente, nunca mais voltou a ser reedificado.

Veio, entretanto, o cristianismo, com tudo de anti-Jesus, e é um ver se te avias, em templos, santuários, igrejas paroquiais, capelas, santas, santos, beatas, beatos, catedrais, basílicas, IPPS, Centros Paroquiais Sociais e outras coisas que tais, mas mais secretas, como bem sabe fazer, por exemplo, a Opus Dei (= Obra de Deus), do santo Josemaria Escrivá Balaguer. Ou o Deus do cristianismo não seja exactamente o Deus Dinheiro, ladrão e assassino, inclusive, quando promove a caridadezinha! Basta pormos os olhos no Vaticano, ou, mais aqui por casa, em Fátima, a senhora dos milhões!... Mas como pormos lá os olhos, se o cristianismo, até, os olhos de ver – concretamente os dos afectos – nos rouba?!

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O LIVRO DOS SALMOS no OLIMPO Café-Bar

E a noite se fez madrugada!

E a noite se fez madrugada, no OLIMPO Café-Bar, Rua da Alegria, Porto, com a Sessão de apresentação de O LIVRO DOS SALMOS. Não, obviamente, O LIVRO DOS SALMOS, da Bíblia judeo-cristã, escritos para exaltarem o Poder e toda a ascendência da casa real de David e da sua família/dinastia, e muito antes de Jesus ter acontecido na história, mas na “versão terceiro milénio, também para ateus”, só possível graças “heterodoxa” ousadia do Pe. Mário de Oliveira, também conhecido Editor e Director do JF online.

 

Duas Mulheres, Ana Almeida Santos e Libânia Madureira, responsabilizam-se pela apresentação do Livro e do Autor, e depois dizem, emocionadas, para as pessoas presentes alguns dos 150 Salmos com que se tece este Livro, único no seu género, em todo o mundo, e que pretende cobrir todo o terceiro milénio. Um milénio que, no entender presbiteral do Autor, será jesuânico, ou, simplesmente, não será. E dizer jesuânico, é dizer plena e integralmente humano, a fase seguinte, na evolução da vida, à da animalidade racional, nesta altura, já por demais genocida, ecocida e, até, geocida. O que perfaz uma global tragédia, sem retorno. A menos que, como pede este Livro, passemos à fase do plena e integralmente, humano.

 

O facto de se ter conseguido pôr duas Mulheres, tão femininas, como Libânia Madureira e Ana Almeida Santos, a testemunhar sobre O LIVRO DOS SALMOS e o seu autor-parteira, faz realçar ainda mais todo o feminino que atravessa todos estes 150 Salmos. Um feminino que tem tudo a ver com a Ruah, a mesma de Jesus, que sopra desde o primeiro versículo do Salmo 1 – “Bendito o ser humano que não faz seu o pensar dos grandes ricos nem dá cobertura às injustiças estruturais que eles cometem a toda a hora; muito menos aceita administrar as suas empresas multinacionais” – ao último versículo do Salmo 150 – “O planeta financeiro dos três Poderes sabe, agora, que o Hoje humano maiêutico soroal está a fazê-lo implodir, cada dia que passa. Na sua demência, cria mecanismos de terror e de domínio cada vez mais sofisticados, que os povos da terra sempre derrubam com o seu cantar/dançar. Cantai/dançai, pois, povos das terra! Cantai/dançai, sempre, sem parar. E somos humanos!”

 

Libânia Madureira cuidou sobretudo de testemunhar o autor-parteira e, logo a abrir o seu testemunho, fez suas, umas surpreendentes e arrojadas palavras de Baruch Espinosa, ou Bento de Espinosa, nascido em Amesterdão, de família judaica portuguesa, e falecido em Haia, palavras que, no entender dela, mais parecem do próprio Pe. Mário. Rezam assim:

“O homem livre, no que pensa menos é na morte, e a sua sabedoria é uma meditação, não da morte, mas da vida. É livre a pessoa, se pode avançar abertamente, sem ter de utilizar artimanhas.” E, depois:

- “Pára de ficar rezando e batendo no peito! O que eu quero que faças é que saias pelo mundo e desfrutes de tua vida. Eu quero que gozes, cantes, te divirtas e que desfrutes de tudo o que Eu fiz para ti.

- Pára de ir a esses templos lúgubres, obscuros e frios que tu mesmo construíste e que acreditas ser a minha casa. Minha casa está nas montanhas, nos bosques, nos rios, nos lagos, nas praias. Aí é onde Eu vivo e aí expresso meu amor por ti.

- Pára de ficar lendo supostas escrituras sagradas que nada têm a ver comigo.

Se não me podes ler num amanhecer, numa paisagem, no olhar de teus amigos, nos olhos de teu filho... Não me encontrarás em nenhum livro!

- Pára de ter tanto medo de mim. Eu não te julgo, nem te critico, nem me irrito, nem te incomodo, nem te castigo. Eu sou puro amor… Que tipo de Deus ególatra tu acreditas que Eu seja? (etc., etc.).”

 

Depois destas duas citações tão actuais – prosseguiu – falar do «Mário de Oliveira», o Homem, o escritor, o filho, o amigo/irmão e o Presbítero da Igreja do Porto, este último, desde dia 5 de Agosto de 1962, precisamente há 50 anos, é-me muito difícil, pois outros (as) o fariam, certamente, duma forma mais assertiva e eloquente. Posso e vou testemunhar o ser genuíno, afectuoso, consciente da sua verticalidade no pensar, no agir e no estar, com seu olhar atento e por vezes acutilante e visionário.”

Nesta Sessão, Ana e Libânia foram uma só voz, ao reconhecerem ambas que O LIVRO DOS SALMOS diz bem o homem menino – “eterno menino”, no dizer de Ana – que o seu Autor-parteira é, procura ser. Sempre à intempérie. Por isso, sem a protecção e a cobertura de nenhum institucional, nem o religioso-eclesiástico, nem o político, nem o económico-financeiro. Sempre no prosseguimento do que ele entende ser o viver histórico de Jesus, o filho de Maria, que também não tem onde reclinar a cabeça e acaba crucificado na cruz do império, com o seu cadáver lançado à vala comum.

Inexcedível, esteve também Luís Beirão, o anfitrião da Sessão, no OLIMPO Café-Bar, do qual é, de resto, o animador principal. Haviam de vê-lo a dizer, naquele seu jeito de dar expressão profundamente humana a um Poema/Texto de qualidade, um bom número de versículos de um dos 150 Salmos deste Livro. Depois do Salmo ter adquirido voz e atitude, na voz e atitude do Luís Beirão, nada está mais no seu lugar, no que respeita ao cristianismo e à sua teologia, com tudo de idolatria. Um Salmo deste Livro basta para fazer implodir dois mil anos de cristianismo, que deveriam ter sido dois mil anos na companhia de Jesus e da sua Ruah fecunda e maiêutica, nenhum Poder, fonte apenas de sororidade maiêutica universal. E não este genocídio e geocídio que só cegos que não queiram ver, é que não vêem!

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No Brasil, na Síria, no Egipto, na Sertã e em Oeiras

 

Matar humanos como quem mata moscas!

 

No Brasil, foram 231 jovens universitários de uma só vez, queimados numa discoteca, quando celebravam os bons resultados nos seus cursos académicos; na Síria, todos os dias, há dezenas de mortos e são já muitos milhares, em poucas semanas; no Egipto, a “revolução” em curso contra o Poder de turno, está a tornar-se numa trágica imolação de dezenas, centenas, milhares de egípcios, sacrificados como se fossem menos que cabritos ou cordeiros, imolados pela Páscoa das religiões do Livro, todas assassinas, na sua raiz idolátrica, bem escondida; na Sertã, foram 11 mulheres, homens, crianças que iam de passeio em dia de intensa chuva e de difícil visibilidade (nem assim desistiram dele, na hora!), cujo autocarro, desorientado, saiu da estrada em obras e voou, rabina abaixo, numa tragédia que já começa a tornar-se banal; em Oeiras, é a própria mãe que envenena mortalmente os seus dois filhos adolescentes, uma rapariga e um rapaz, e suicida-se a seguir. Há tempos, foi numa escola dos EUA, um tiroteio à americana, só que, no caso, os atingidos eram estudantes norte-americanos, não crianças e adolescentes líbios, por exemplo, no âmbito duma operação militar destinada a implantar a democratura/democracia ocidental. E quem já esqueceu o massacre de tantas dezenas de jovens estudantes na Noruega, obra de um só homem, aparentemente, em tudo igual a nós e a quantas, quantos se cruzam connosco, todos os dias em todos os locais?

 

Decididamente, este tipo de mundo, gerado e alimentado pelo cristianismo, concretamente, pela sua ideologia/teologia idolátrica, toda centrada no divino e, por isso, no desprezo/humilhação do humano; no sangue humano derramado pela remissão dos pecados e não na vida de qualidade e em abundância para todos os povos, por igual; no sangue do cordeiro de Deus que, constantemente sacrificado/imolado pela Páscoa e todos os domingos nas missas católicas romanas, sempre para “tirar o pecado do mundo”; no Poder que tem de ser respeitado e obedecido pelas populações, tratadas por ele como excedentárias, se ainda não são ou já não são fonte de produção de lucros chorudos, como as crianças, as pessoas com deficiência em grau elevado, os milhões e milhões de desempregados, os doentes e os velhos, elas e eles, é um tipo de mundo que gritantemente odeia os seres humanos e já não tem mais lugar para eles.

Todos os mortos, anteriormente referidos, à guisa de exemplo, são tudo menos “naturais”, ainda que os media digam que sim e as populações formatadas por eles e pelas religiões, afinem pelo mesmo discurso. De “naturais”, não têm nada. O que têm, a envolvê-los e a mascará-los, uma ideologia/teologia que propositadamente nos leva a descuidar a terra, a reduzir os seres humanos a estatísticas e a mercadorias, põe-nos a cuidar de Deus, para cujos santuários arrasta as populações desesperadas e destroçadas pela dor, em busca de consolo, com tudo de ópio, de cujos lábios salta, há milénios, a pergunta, Porquê, meu Deus?!, como se a responsabilidade destas e de outras tragédias semelhantes não fosse toda deste tipo de mundo que os do Poder insistem em construir e perpetuar, numa manifestação de cinismo e de crueldade, de todo, intolerável.

 

Só no âmbito de um universo religioso e cristão, que, primeiro, faz as vítimas e, depois, sai a correr com um tipo de consolo, feito de ritos e de rezas, sem a mínima humildade para reconhecer que é este tipo de mundo do Lucro, do Dinheiro, que está por detrás de todas as tragédias, inclusive, das chuvas diluvianas e dos tsunamis que levam tudo diante deles e derrubam tudo à sua passagem, numa espécie de anti-páscoa, toda ela devastadora e descriadora dos seres humanos, da vida em geral, e do próprio planeta.

Mudar de rumo, é preciso. Derrubar o Poder financeiro, é preciso. Colocar os seres humanos, a começar pelos mais indefesos e mais fragilizados, no centro da Política e da Economia, em vez do Lucro, do Dinheiro, de Deus todo-poderoso, é preciso. Cabe aos intelectuais uma palavra. Mas eles só a escutam, dizem e praticam, se, primeiro, se fizerem intelectuais orgânicos, entre as populações e com elas, sem quaisquer privilégios e lideranças, apenas e só como aqueles que, quais parteiras, as fazem crescer de dentro para fora. Com populações desenvolvidas, sábias, vasos comunicantes, a vida tem oportunidade de se afirmar sobre as tragédias e fazê-las recuar, até desaparecerem do nosso quotidiano.

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Conta secreta do IOR provoca o bloqueio de cartões

Vaticano, S. A.?!

Uma conta secreta do IOR (Instituto para as Obras de Religião), num banco alemão, provoca o bloqueio de cartões no Vaticano. A conta, pela qual circularam, em apenas um ano, 40 milhões de euros, e cuja procedência está a ser investigada, levou o Banco da Itália a bloquear o uso de cartões de crédito no Vaticano.

O bloqueio do uso de cartões de crédito internacionais no Vaticano está em curso, desde o dia 1 de Janeiro 2013, e atinge 80 estabelecimentos comerciais dentro do pequeno estado (Museus, farmácias, supermercados, lojas de lembranças, etc.), cujas vendas têm diminuído e muito, já que só se pode pagar com moeda.

Segundo a Autoridade de Informação Financeira (AIF) do Banco da Itália, todos os pagamentos feitos nos 80 pontos de vendas, confluem numa única conta aberta pelo IOR, conhecido como o Banco do Vaticano, numa agência do Deutsche Bank, alemão.

Sabe-se que o IOR nem sequer pediu autorização ao Banco da Itália para a instalação dos pontos de vendas (os dispositivos eletrónicos); e há já ano e meio, que um grupo de magistrados italianos, dirigidos pelo promotor adjunto Nello Rosi, informou essa anomalia ao Banco da Itália. Em Setembro de 2011, o IOR pediu, finalmente, essa autorização. O Banco da Itália ordenou uma inspecção e, nessa data, havia um saldo de quase 10 milhões de euros.

A documentação controlada mostrou que por essa conta circularam nos últimos 12 meses mais de 40 milhões de euros, dinheiro sobre o qual não se sabe praticamente nada. Diz quem sabe: “O problema é sempre o mesmo: não se conhece o titular efectivo do depósito e, sobretudo, quem tem poder para operar essa conta e por isso não se pode aplicar as normas contra a lavagem de dinheiro”.

De momento, desconhece-se o tempo que o bloqueio poderá durar para o uso de cartões electrónicos, que, segundo a imprensa italiana, não deverá ser curto. Podem ser usados apenas os cartões emitidos pelo IOR, utilizados pelo pessoal do Vaticano. Segundo informou há vários dias o porta-voz do Vaticano, o jesuíta Federico Lombardi, trata-se de um “problema técnico” e que se espera que a interrupção dos pagamentos com cartões de crédito seja breve.

Em 30 de Dezembro de 2010, Bento XVI aprovou uma lei para lutar contra a lavagem de dinheiro nas instituições financeiras do Vaticano, com o objectivo de entrar na chamada “lista branca” de Estados que respeitam as normas para a luta contra a lavagem de dinheiro.

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Massimo Recalcat, psicalista italiano. Ao final da minha leitura de O Evangelho à Luz da Psicanálise, de Françoise Dolto, republicado 30 anos depois por uma nova pequena casa editorial de Milão, eu pensei: “eis aqui uma jóia!”

 

O Evangelho no Sofá de Freud

NE/D. O problema desta visão “psicalista”, é que enquanto o desejo for o do animal racional e não já o do ser humano – nascer de novo = passar de animal racional a ser humano com inteligência cordial/sororal – dar plena satisfação ao desejo do “lobo” com máscara de homem, resultou, dois mil anos depois, no Hoje que temos. Porque isso é o que tem feito o cristianismo, o outro nome para dizermos capitalismo. Os dois são filhos gémeos do mesmo pai-Deus, o Senhor Dinheiro, cada qual com a sua liturgia religiosa ou secular, ambas idolátricas. Não adianta disfarçar. Daí o entusiasmo do autor da notícia sobre o livro da psicanalista cristã. Não sobre Jesus, visto por ela, que esse, se fosse como esta psicanalista cristã diz, acaba teria crucificado, mas endeusado.

 

Diversas razões suscitaram o meu entusiasmo. A primeira é sua autora: Françoise Dolto. Amiga e aluna de Jacques Lacan, originalíssima psicanalista com uma propensão especial para cuidar de crianças, profundamente interessada nos processos de humanização da vida e nos principais polos desde o desenvolvimento psicológico do sujeito (infância e adolescência), até as angústias e a responsabilidade que afetam os pais, mas também atenta às transformações da vida coletiva e aos virtuosismos do desejo e à sua decadência feminina, Dolto não se refugiou jamais em uma linguagem esotérica ou especializada, mas sempre procurou fazer com que o próprio pensamento fosse transmissível. A sua originalidade no mundo da psicanálise é constituída também pelo facto de que não escondeu jamais a sua fé cristã e a sua militância católica. Facto raro para um psicanalista que recorreu aos ensinamentos de Freud, embora tomada por Lacan. Para o Pai da Psicanálise, o homem religioso está cego por uma ilusão narcisista.

 

A partir de Freud — talvez com a única exceção significativa de Lacan — a tradição psicanalítica sustentou compactamente a ideia da religião como “neurose” ou, até mesmo, como “delírio da humanidade”. O homem religioso é o homem que recusa a responsabilidade de enfrentar as asperezas reais da vida, para refugiar-se na crença ilusória de um “mundo por trás do mundo” – como diria Nietzsche —, regredindo ao estado de um menino que transfere para Deus todos esses traços de infalibilidade e de perfeição que antes atribuía ao próprio pai. Em relação a esse esquema, Dolto representa uma importante alternativa.

 

Essa é a segunda razão do meu entusiasmo de leitor. Dolto não entra jamais no mérito de uma defesa da religião contra a psicanálise. Ela pensa e raciocina como psicanalista interessada não tanto pelo fenómeno do homem religioso ou pela crença religiosa — interesse que, contrariamente, atraiu o pensamento de Freud —, mas pela leitura direta dos Evangelhos. O seu discurso vira-se, assim, para uma psicanálise do sentimento religioso, em geral, da palavra de Jesus. A leitura dos Evangelhos vem descrita como “uma onda de choque” que faz uma confusão da nossa representação comum da realidade. Dolto coloca firmemente a ênfase em Jesus como o mestre do desejo: “Jesus ensina o desejo e arrasta para ele”, para o que Dolto define provocativamente como “uma nova economia de egoísmo”. O que isso significa? Jesus ensina-nos a não ter medo de aceitar a força e a transcendência do desejo que habita em nós e que impulsiona a vida humana além do campo animal da satisfação das necessidades. O egoísta não é quem segue fielmente a chamada de seu desejo, mas aquele que pretende que os outros se conformem ao seu. Aqueles que, ao contrário, seguem firmemente o chamamento do próprio desejo, como o faz, na iminência da fraude, o feitor desonesto, contado numa parábola de Lucas, não é um egoísta no sentido depreciativo, mas alguém que sabe fazer a sua vida geradora. Por isso, Dolto vê no completamento cristão da Lei Hebraica uma subversão radical da relação entre Lei e desejo. A forma mais alta e libertadora das Leis não entra em conflito repressivo com o desejo, porque coincide, na realidade, com o próprio desejo.

 

Nesse sentido Jesus ensina o desejo, ensina a não desistir do próprio desejo. Como é libertadora essa versão da palavra de Jesus a respeito da sua redução a uma advertência moral! Eis agora a última razão – a decisiva – pela qual a leitura desse livro-jóia me entusiasmou. É o modo como Dolto derruba as interpretações mais canónicas das parábolas, aplicando a arte do analista às próprias palavras de Jesus. Tomemos como exemplo aquela passagem, conhecida por todos, a do bom samaritano. A interpretação catequista redu-la ao facto de que todos nós devemos dedicar tempo a quem jaz indefeso e ferido ao longo de nosso caminho, ao nosso próximo mais desafortunado. Dolto, ao contrário, identifica o próximo não como o desventurado que pede a ajuda, mas com quem oferece abnegadamente a sua ajuda. Surpreendente!

 

O próximo é o bom samaritano! E é por isso, e é por como nos tem socorrido e doado o seu tempo sem exigir reconhecimento algum nem fazer-nos sentir em débito que precisa amá-lo, amar o samaritano como nosso próximo. Por essa razão, o amor cristão não tem nada de consolador, não é um refúgio ilusório, não é uma negação do caráter tenso do real. O amor em Jesus é – como acontece no encontro com o Bom Samaritano – uma força que nos sacode e que traz consigo a necessidade da lágrima e da separação. Na célebre parábola do filho pródigo, entre os dois irmãos, o pecado maior – o único que conta –foi feito por aqueles que esperavam que a hereditariedade fosse simplesmente uma questão de clonagem, de fidelidade passiva ao passado. O filho que permanece ao lado do pai é o filho em pecado, porque não aceita a Lei do desejo que é a Lei da separação. Jesus é a encarnação pura dessa força separadora (“Não vim trazer a paz, mas a espada!”).

 

Muitas das parábolas comentadas por Dolto colocam o dedo na ferida, mostrando o risco que os laços familiares deslizam para um laço incestuoso que impede o desenvolvimento pleno da vida. É esse o caso dos contos de ressurreições, como o do filho da viúva de Naim, da filha de Jairo, ou do próprio Lázaro. A palavra de Jesus desperta da morte, porque arranca a vida das ligações mortíferas que não a fazem aceder à força geradora do desejo. “Vem para fora!” – o grito de Jesus dirigido a Lázaro – deve ser tomado com um novo imperativo categórico que entrega a vida humana à lei do desejo. “Vem para fora!” significa não fiques no repouso incestuoso, não evites o risco de perda, não percas a tua vocação mais singular.

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Edição 84, Sexta-feira, 11 Janeiro 2013

Já nem o cantar das Janeiras aos chefes se safa!

OE 2013: Tribunal Constitucional, para quê?

 Quando é que, ser agente de Poder, começa a ser visto pelas populações como sinónimo de ser algoz, carrasco, pior ainda, se ele veste de hipócritas falas e maneiras, como acontece, hoje, com a generalidade dos profissionais do Poder, digam-se eles, ateus ou crentes?!

Já nem o tradicional Cantar das Janeiras ao chefe de estado, Aníbal, e ao chefe de governo, Pedro, se safa. Até ele embarcou, este ano, na farsa, e desperdiçou uma belíssima ocasião para ter ficado em casa. Se não havia audácia para cantar as Janeiras e, no final, serem todos presos, ou, pelo menos, expulsos para a rua pelos seguranças, por, a cantar, dizerem a verdade em que se encontra o nosso país, ficassem, pelo menos, em casa. Não fossem aos respectivos palácios do Poder, que, desde o dia 1 de Janeiro, está a executar o Orçamento do Estado (OE), e, com ele, a empobrecer e a assassinar as populações e a dar cabo do país, fazer de bajuladores figurantes, sem um pingo de dignidade, muito aquém dos antigos bobos da corte que, a rir e a cantar, diziam as verdades mais cruas e duras aos do Poder.

Quando nem o Cantar das Janeiras tem audácia, quem a vai ter? O chefe de estado, Aníbal, que enviou o OE para o Tribunal Constitucional, para que ele o vete, porque é um péssimo OE, mas depois dele próprio, chefe de estado, o ter aprovado e feito publicar às pressas, para, assim, entrar em execução, logo no primeiro dia do ano a que diz respeito? Não nos façam de estúpidos!

A este seu incrível gesto político que empobrece e mata as populações e transforma o país num deserto sem vida, sem pão, sem escolas, sem famílias, sem cuidados de saúde, sem flores, sem sorrisos, sem festa, sem livros, sem poemas, sem danças, numa palavra, sem cultura, juntam-se-lhe sucessivamente outros gestos políticos idênticos, desde logo, da parte dos chamados partidos políticos da Oposição com cadeiras na AR, carregados de mordomias, das quais não abdicam. Uns, com mais dúvidas sobre a constitucionalidade do OE; outros, com menos dúvidas. Todos, porém, aparentemente preocupados com os seus lugares de privilégio, no actual momento, e nos momentos que se lhe seguirem. Já que o momento presente está a rebentar por todos os lados e a navegar a grande velocidade em direcção ao abismo. Parece, assim, que estão preocupados com as populações; na verdade, estão preocupados com o próximo futuro deles e das suas organizações partidárias.

Nunca um tal espectáculo se viu neste país, a abarrotar de templos e de altares, de senhoras de fátima, senhoras das vitórias, senhoras das dores e até senhoras da boa morte. Primeiro, aprovam o OE que legitima o genocídio nacional, para ele poder entrar em execução, logo no primeiro dia do novo ano, e vão, depois, todos a correr ao palácio dos juízes do Tribunal Constitucional, para que eles o declarem inconstitucional e, consequentemente, impeçam a sua execução, tal como ele está já aprovado, publicado e em execução!... Entretanto, suas excelências, os senhores deputados dos partidos da Oposição, continuam, com a sua permanência na AR, a legitimar um OE que, só formalmente, não aprovaram, mas que acabou aprovado pela maioria dessa mesma AR, depois, assinado pelo chefe de estado, Aníbal, enviado por ele para publicação no Diário da República, e está já em vigor desde o dia 1de Janeiro.

São, ou não são cúmplices da maioria parlamentar que está de cócoras, perante a alta finança europeia e mundial, mascarada de Troika, que não só executa todas as ordens que ela lhe dá, como ainda vai além das ordens que ela lhe dá? Que legitimidade tem uma AR que comete este nefando crime político, como é o da aprovação do OE 2013? Contribuir para o seu regular funcionamento, mesmo na chamada Oposição, não é o mesmo que legitimar o intolerável?

E de que serve o Tribunal Constitucional? Não é um órgão de Poder, no caso do OE, até, de Poder absoluto e definitivo? Os seus juízes não têm, também, mordomias a defender, lugares a manter, prestígio a preservar? Em 2012, não viabilizaram eles a execução, até final do ano, do OE que eles próprios declararam inconstitucional? Por que carga de água, hão-de ser diferentes este ano? E mesmo que o venham a ser, que consequências positivas para as populações sacrificadas/crucificadas ao Deus da alta finança, traz, com ela, essa sua decisão política absoluta e definitiva? A máquina devoradora do Estado não vai prosseguir, imparável, no seu apetite sem freio? Por que somos assim tão politicamente crédulos, ingénuos, messiânicos? Numa palavra, tão cristãos, religiosos, uns, laicos e ateus, outros?!

Não vemos que só seremos um País, plenamente humano, quando crescermos de dentro para fora em sabedoria e em práticas económicas e políticas maiêuticas, sem darmos quaisquer oportunidades à alta finança de interferir nas nossas vidas?

Quando é que todos quantos, elas e eles, se têm na conta de mais desenvolvidos e de mais preparados, resistem aos lugares de Poder, nalgum dos três poderes em que ele historicamente subsiste e, em alternativa, decidem tornar-se mulheres, homens orgânicos entre as populações e com elas, para que o Poder, pura e simplesmente, desapareça, por falta de servidores?

Quando é que, ser agente de Poder, começa a ser visto pelas populações como sinónimo de ser algoz, carrasco, pior ainda, se ele veste de hipócritas falas e maneiras, como acontece, hoje, com a generalidade dos profissionais do Poder, digam-se eles, ateus ou crentes?!

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Vice-reitor do Seminário do Fundão acusado de pedofilia

Como terá sido o natal do Padre em prisão domiciliária na casa dos próprios pais?

 O silêncio é de chumbo, ou a Igreja católica romana não seja, invariavelmente, a Igreja do silêncio, sempre que está em jogo o seu bom-nome institucional. Mesmo que daí resulte sofrimento para seres humanos de carne e osso, a sua postura institucional traduz-se sempre num silêncio de chumbo. A Igreja que se diz una, santa, católica, apostólica, romana, não admite falhas no seu seio. E, se falhas existem, neste e naquele membro seu, mais destacado, a regra canónica é o silêncio de chumbo e sepulcral. Nesses momentos, os seres humanos de carne e osso não existem mais. Ficam reduzidos a funcionários da instituição Igreja una, santa, católica, apostólica, romana. Nem que as portas do inferno arremetam contra ela, cabe-lhe sempre a última palavra em perfídia, habilmente, mascarada de unidade, santidade, catolicidade, apostolicidade, que isso faz o adjectivo “romano” que, por sinal, não entra no Credo, mas que determina de tudo o mais.

Daí a pertinência da pergunta que o JF formula, em título: Como terá sido o natal do Vice-reitor do Seminário do Fundão, padre de 37 anos de idade, há várias semanas, em prisão domiciliária e com pulseira electrónica na casa que é dos seus pais? E como terá sido o natal dos seus pais, passado dentro da sua própria casa, de repente, convertida em prisão domiciliária do seu filho padre muito querido? E, já agora, como terá sido o natal dos seis dos 16 adolescentes do Seminário que o terão acusado de pedofilia? A estas e outras perguntas, todas bem pertinentes, a resposta continua a ser um silêncio de chumbo. Inevitavelmente, triturador da alma/identidade dos seres humanos envolvidos por ele e sujeitos a ele. E, se triturador da alma/identidade de seres humanos concretos, então é um silêncio que perfaz um crime contra a humanidade, naqueles seres humanos concretos, que se vêem sacrificados ao bom-nome da instituição, no caso, a Igreja una, santa, católica, apostólica, romana.

Semelhante postura eclesiástica tem tudo de idolatria e faz da instituição Igreja católica romana uma das mais idolátricas, por isso, perversas, do mundo. Aos seres humanos que a servem, converte-os, de imediato, em clérigos, ou para-clérigos, na sua maioria, funcionários celibatários, por força de uma lei que ela própria criou e tiranicamente impõe, apesar de ser uma lei contra-natura. Mas é, sobretudo, com ela que consegue roubar aos seres humanos que a servem, a alma, a identidade, o coração, a sexualidade, os afectos, o direito a constituírem família, numa palavra, tudo o que neles há de genuinamente humano, único e irrepetível, e converte-os em estéreis clérigos, separados dos demais seres humanos, carreiristas de mau gosto, no reduzido âmbito da pirâmide do Poder religioso sacerdotal.

Pois bem, o que se está a passar com o Vice-reitor do Seminário do Fundão, é paradigmático e revelador do que é a Igreja católica romana. Os seres humanos desaparecem, tornam-se simplesmente não-existentes, só para que a santidade institucional da Igreja que, um dia, impunemente, os “apanhou”, formatou e converteu em propriedade sua, por toda a vida, jamais saia minimamente beliscada.

O espanto é estarmos já no século XXI e constatarmos que, mesmo assim, ninguém se rebela contra este modo institucional católico romano de agir, certamente, apanhados que andamos, todos, por ele, mesmo os que, em número cada vez maior, se dizem, hoje, ateus ou agnósticos. Sinal de que a ideologia/idolatria da Igreja católica romana se alojou de tal modo na mente e, provavelmente, até, nos genes de cada uma, cada um de nós, que todos nos confessamos católicos, mesmo que ateus ou agnósticos, mesmo que “não praticantes”, mesmo que “cristãos protestantes”. E a prova é que, em momentos como este, por que está a passar o Vice-reitor do Seminário do Fundão, somos incapazes de pôr em questão o “monstro sagrado”, só porque este se faz chamar Igreja una, santa, católica, apostólica, romana.

Passam-se os dias, as semanas, mudamos, até, de ano, e a verdade é que o padre de 37 anos, preso e com pulseira electrónica na casa dos seus pais, já não existe mais. Tão pouco, existem os adolescentes que se terão queixado dele e os outros que, como eles, frequentam o Seminário do Fundão. Nem sequer o Natal do Sol(stício) de Inverno, nem a mudança de ano deram vez e voz a estes seres humanos de carne e osso, sobre os quais caiu uma espécie de anátema, de todo intolerável. Porque, quaisquer que tenham sido os actos cometidos, nesta altura, ainda em fase de investigação, estamos perante seres humanos concretos que, com todo este silêncio de chumbo, continuam a ser queimados em lume brando, só para que a santa Igreja católica romana não saia minimamente beliscada no seu bom-nome institucional.

E o pior é que, depois de tudo consumado – dois mil anos de história do cristianismo bem no-lo revelam – o “monstro sagrado”, Igreja una, santa, católica, apostólica, romana continuará aí impunemente a fazer das suas contra os seres humanos, com a cobertura e a legitimidade que lhe dão, o seu próprio Código de Direito Canónico absolutamente inumano, o seu próprio calendário paralelo e intocável, os seus dogmas mais que obsoletos, e formulados em linguagem hermética, para que ninguém entenda, apenas acate e diga, Ámen, os seus anátemas e as suas leis, entre as quais está se destaca a estúpida lei do celibato obrigatório para os clérigos que presidem ao altar do seu Deus, com tudo de Ídolo, já que se alimenta de gente, por isso, o inimigo n.º 1 de Jesus, o camponês-artesão de Nazaré, o filho de Maria (cf. Marcos 6, 3), e do seu Deus Abba-Mãe que nunca ninguém viu, muito menos, nos templos e santuários, qual deles o mais esmagador dos seres humanos que os frequentem. E isto, há já quase dois mil anos, sem que ousemos fazer implodir semelhante “monstro sagrado”.

Acordemos e libertemo-nos deste “monstro”. E nunca mais lhe demos as nossas filhas, os nossos filhos, com as, os quais ele se alimenta dia e noite! E a quantas, quantos, hoje, ainda estão “apanhados” por ele, resgatemo-los a todos, antes que seja tarde! E, para tanto, nem sequer precisarmos de recorrer a qualquer tipo de violência. Basta recusarmo-nos a dar-lhe as nossas filhas, os nossos filhos, e ele morrerá à fome.

Só então, todos nós, os seres humanos, podemos verdadeiramente crescer em ser e em liberdade, em autonomia e em protagonismo político e também em protagonismo eclesial, mas apenas naquela maiêutica dimensão dos dois ou três, de que fala Jesus, e que vivem unidos e reunidos em seu nome, não de forma ostensiva, mas de forma discreta, clandestina, como o fermento na massa (cf. Mateus 18, 20). Por isso, um protagonismo politicamente fecundo e transformador da sociedade.

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Festa de Natal do menino RAFAEL

Ao NÃO do pároco, o SIM do Pe. Mário

 O Pe Mário foi inopinadamente convidado para a Festa de Natal do menino Rafael, realizada no passado domingo 6 de Janeiro 2013 – dia de reis – e, ao convite dos seus familiares, disse, SIM. O facto, só por si, não seria notícia. Mas a verdade é que é notícia, por culpa do pároco de uma das freguesias do concelho de Gondomar, na qual residem os pais do Rafael. São pais, na sequência do casamento civil que, em devido tempo, realizaram com toda a legitimidade e dignidade humana. Porém, a pressão da tradição cristã católica romana sobre as crianças recém-nascidas, que, desde há uns 16 séculos, esmaga as mentes/consciências das populações do nosso País, dos países do Ocidente e de muitos outros países do mundo, aonde já chegaram os missionários cristãos católicos ou protestantes, com as suas empresas multinacionais – as populações não fazem ideia de quantos lucros estas rendem por ano, mas bastaria verem, por exemplo, como cresce o património imobiliário de todas elas, tudo propriedade dos respectivos Institutos missionários – acabou por ainda levar os pais de Rafael a procurarem o respectivo pároco para o baptismo do seu filhinho. E aconteceu o que tinha de acontecer.

Já que os pais de Rafael são casados pelo civil e não pela igreja – para a igreja católica romana, só o casamento canónico presidido pelo pároco da noiva ou do noivo, ou por um outro padre em quem o pároco delegar, é que é válido; a simples união de facto ou o formal casamento civil, mais não são que pecados de “mancebia” que impedem o acesso a qualquer sacramento – e, na ocasião, não se mostraram dispostos a realizar esse casamento canónico, agora que já são pais de pleno direito, o pároco exigiu, para o baptizar, que, pelo menos, os padrinhos do menino assumissem a responsabilidade institucional pela educação cristã do seu afilhado – alguém faz ideia do que seja isso de educação cristã?! Então não basta educar bem, e ponto final?! – mas a verdade é que, também a esta sua pretensão, os padrinhos disseram, NÃO.

E o pároco, praticante, não do Evangelho de Jesus, mas dos cânones do Código de Direito Canónico, o mesmo que garante, urbi et orbi, à cidade e ao mundo, que o Papa de Roma é o monarca absoluto do mundo, infalível e invicto, recusou-se  a celebrar o baptismo do Rafael. Nem o facto da festa do menino Rafael já estar marcada e os convites concretizados o demoveu. Tal como nada demove o Código de Direito Canónico, o inimigo maior do Evangelho de Jesus e de Jesus.

Foi então que alguém, da família, sugeriu o nome do Pe. Mário, não para baptizar o menino Rafael, público e notório como é, que ele é contra essa tirânica tradição da igreja católica romana e trabalha assiduamente para que as pessoas cheguem a ser baptizadas, não num baptismo de água, como o do João Baptista, de todo inútil, mas unicamente no da mesma RUAH/Espírito maiêutico de Jesus, o filho de Maria. O convite era para que o Pe. Mário ajudasse, com a sua presença e palavra maiêuticas, os pais e demais familiares e amigos do menino Rafael, a entenderem o mais possível, o alcance e o sentido do que significa, hoje, século XXI, fazer nascer e vir ao mundo uma filha, um filho, como o Rafael, recém-nascido. E ao convite, realizado na ante-véspera do evento inadiável, o Pe. Mário disse, SIM. E a festa de natal do menino Rafael veio a tornar-se o acontecimento mais belo na vida dele, dos seus pais, avós, bisa vós, tios, primos, amigas, amigos.

Num espaço ao ar livre, com uma soberba vista panorâmica, e antes de seguirmos para as mesas onde seria partilhado o almoço de festa do natal de Rafael, o Pe. Mário, em breves e maiêuticas palavras, nenhuma ideologia cristã/eclesiástica, acompanhadas, do princípio ao fim, de intensa e fecunda proximidade, alegria, festa, criatividade, liberdade, e alguns gestos sororais, revela, sem mais aquelas, que vê no menino Rafael, outro Jesus, que todas, todos quantos participamos na sua Festa de natal, havemos de acompanhar e ajudar maieuticamente, a crescer em idade, em estatura, em sabedoria e em graça. Explica, depois, com palavras seculares e jornalísticas, as mesmas do nosso uso diário, o que significam estas quatro dimensões de um crescimento, plena e integralmente humano.

Antes, porém, começa por dar a boa notícia aos pais e demais presentes que, tal como Jesus, também o menino Rafael nasceu, não em pecado, mas em graça, uma vez que isso do “pecado original” é uma invenção do cristianismo/igrejas cristãs todas, e que perfaz o cúmulo da perfídia e da perversão institucionais. Depois, a concluir a boa notícia ou Evangelho de Jesus que, como presbítero da Igreja do Porto, lhe cumpre praticar/anunciar, de graça, o Pe. Mário toma nas suas mãos o menino Rafael, beija-o, ergue-o ao ar, num gesto simbólico de quem lhe mostra o mundo em que ele acaba de se inserir com o seu natal e vai depois com ele, nas suas mãos, apresentá-lo a cada uma das pessoas presentes, para que o olhem bem nos olhos e tenham com ele um pequenino gesto de afecto e de compromisso pessoal.

E, antes de o entregar aos seus pais, o Pe. Mário ainda vai com o menino Rafael, até junto do grupo de funcionários da empresa que iriam servir-nos o almoço às mesas, e que fizeram questão de também estarem presentes, neste momento de graça, único e irrepetível, também nas suas próprias vidas de mulheres e homens. E cada uma, cada um, comovido, tocou o menino e deu-lhe, assim, da sua própria humanidade.

Bendito menino, bendito Rafael, que nos congregou e fez crescer a todos, de dentro para fora, em humano! Benditos pais, que foram capazes de desistir o baptismo ritual da paróquia e substituí-lo por tamanho gesto de Humanidade maiêutica, feito Festa de Natal do seu filhinho! Nunca mais Rafael será um menino, um homem amordaçado. A Liberdade, fruto da mesma RUAH de Jesus, habita-o por inteiro. E o cristianismo, com o seu mítico Cristo, não conseguiu entrar nele, torná-lo possesso. Cresce, pois então, nosso menino Rafael, de dentro para fora e faz-nos crescer contigo, de dentro para fora, também!

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Diáconos casados na Igreja católica romana

Só na Diocese do Porto, são já 74!

 Os diáconos casados são de invenção recente na Igreja católica romana. Conseguida pós Concílio Vaticano II, primavera da Igreja, com o Papa João XXIII, e inverno cada vez mais gélido e bolorento, com os Papas João Paulo II e Bento XVI. Pelo que, canonicamente, lhes é incumbido fazer/dizer, bem se pode concluir que os diáconos casados são todos, ou quase todos, filhos do Concílio Vaticano II, não o da primavera de João XXIII, mas o do inverno cada vez mais gélido e bolorento de João Paulo II, já beato, e Bento XVI, a caminho de o ser, também, assim que o seu pontificado se apagar na morte (sim, na morte, porque os Papas, apesar de monarcas absolutos, infalíveis e invictos, felizmente, também morrem e, pelo menos, nesse momento, pura graça de Deus Abba-Mãe, regressam ao Humano, de onde nunca haviam de ter emigrado, quando se deixaram cair na tentação do Poder!).

Mas o que fazem/dizem, assim, de tão gélido e bolorento, os diáconos casados na Igreja católica romana, mais por culpa da Cúria romana, do que por culpa deles próprios? Sim, por culpa da Cúria Romana, que é, até, capaz de ver mosquitos em Pequim ou em Tóquio, mas já não é capaz de ver as mulheres, os homens de carne e osso que vivem neste nosso mundo, perto ou longe do seu pequeno-grande Estado do Vaticano, já que sistematicamente as, os trata como estatísticas, coisas, ou multidões de encher o olho, durante as chamadas “viagens apostólicas” do seu chefe-mor, o Papa, e durante as grandes peregrinações aos santuários ditos marianos mais famosos do seu próprio mundo. Tudo para sua vergonha. E só porque não é capaz de ver as mulheres, os homens de carne e osso, é que a Cúria romana lhes atira com sucessivas fornadas de diáconos casados, e/ou de sacerdotes celibatários à força, quando as mulheres, os homens, do que hoje mais carecem, da parte da Igreja, é de Presbíteros, mulheres ou homens, indistintamente, celibatários por opção ou casados por opção, não de sacerdotes, nem de clérigos, nem de acólitos, metidos nos templos e nos altares, a tresandar a privilégio e a casta à parte, numa arremetida do Paganismo religioso contra a própria Igreja, ao ponto de a ter convertido numa grande multinacional de serviços religiosos, vendidos em dias, horas e locais marcados. E presididos, pelo menos, alguns deles, também por diáconos casados, ou, no mínimo, “abrilhantados” por um, dois ou mais diáconos casados, os quais nunca podem passar a presbíteros, pelo simples facto de serem casados!

Nesta altura, ainda não são assim tantos os diáconos casados, em Portugal. A Diocese do Porto vai no pelotão da frente, o que, só por si, revela, não saúde eclesial, primavera eclesial, mas inverno cada vez mais gélido e bolorento, grave enfermidade e, até, cadáver há 4 dias no túmulo, como o paradigmático Lázaro da Narrativa antropológica-teológica do Evangelho de João, por isso, já a cheirar mal, apesar do brilhantismo, de encher o olho, das suas solenes liturgias e dos seus solenes pontificais, assessorados por alguns destes diáconos casados, cujo ego individual, nessas ocasiões, atinge os píncaros!

Não. Não se trata de estar para aqui a denegrir e a dizer mal da Igreja. Trata-se, sim, de tirar o véu idolátrico com que ela reiteradamente se apresenta mascarada perante o mundo, de modo que todas, todos, da Igreja e da não-Igreja, possamos concluir que, afinal, a Igreja católica romana vai nua, mesmo lá, e sobretudo lá, onde cresce o seu número de diáconos casados, uma espécie de seres, nem carne nem peixe, que já nascem tristes e mais tristes ficam, quando se vêem obrigados a ter de fazer/dizer coisas eclesiásticas e clericais sem sentido. Para cúmulo, num mundo que ansiosamente procura alguém que partilhe com ele, longe dos templos e dos altares, o Pão da Palavra maiêutica, de seu nome histórico, Jesus, o filho de Maria. E não ritos e mais ritos, e outras coisas que tais, qual delas a mais boba e estúpida.

O Volume 2 do Evangelho de Lucas, perversamente, manipulado e convertido pelo cristianismo, num Livro autónomo, chamado, Actos dos Apóstolos, fala, logo nos seus primeiros capítulos, de 7 diáconos e até regista os seus nomes. O dito-e-o-feito, aí, é uma oportuna e inteligente denúncia do judaísmo/cristianismo fundado/liderado pelo grupo dos “Doze”, todos opositores e traidores de Jesus, e auto-promovidos, após a sua morte crucificada, a “Apóstolos”, uma espécie de Bispos residenciais, antes destes existirem, como destacados funcionários do Império romano cristão. O número 7 indica uma totalidade, que inclui toda a Humanidade, em oposição ao número 12, também uma totalidade, que inclui apenas o judaísmo davídico/cristianismo dos “Doze”. E esta nova totalidade, que inclui toda a Humanidade, simbolizada no número 7, é a Igreja clandestina de Jesus, metida como fermento e sal da terra na Humanidade, que se afirma contra o judaísmo/cristianismo, primeiro, de Pedro-e-Tiago, depois, de Pedro-Tiago-e-Paulo, e, finalmente, de Constantino-Papa-império romano, até hoje. Depressa, ostracizada e perseguida até à morte pelo judaísmo/cristianismo, na pessoa de Estêvão, tal como, antes, já havia paradigmaticamente sucedido com o próprio Jesus e o seu Movimento político maiêutico. Porque o judaísmo/cristianismo é Poder, e Poder tendencialmente monárquico absoluto, invicto e infalível, sem nenhum lugar para a Igreja/Humanidade diakonia maiêutica de Jesus que vai ao limite de entregar a sua própria vida e a sua própria Ruah pela vida do mundo.

Ora, só mesmo o judaísmo/cristianismo papal-imperial é capaz de gerar aberrações como esta espécie de seres que dá pelo nome de “diáconos casados”, “sacerdotes”, “hierarquia”, “sucessores dos apóstolos”. Tudo muito cristão, sem dúvida, por isso mesmo, tudo muito privilégio, muito poder, muita ostentação, muita encenação, muito faz-de-conta, nos antípodas de Jesus, a diakonia política maiêutica praticada, cuja Ruah entregue à Humanidade, no momento dele expirar na cruz, vive e faz viver a muitas, muitos. Como o Pão outro que o terceiro milénio precisa de conhecer e de comer, em alternativa ao Mercado e à sua ideologia/idolatria, ou simplesmente não será! Porque com os judaísmos/cristianismos/islamismos, a Humanidade só sai a perder, já que toma a encenação pela realidade, o que perfaz um desastre antropológico de dimensões cósmicas. Alerta, pois!

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1968-2013: decorreu mais um dia mundial da paz

E a Primeira Guerra Mundial Financeira prossegue cada vez mais feroz e mais cínica!

 Desde o dia 1 de Janeiro de 1968, que a Igreja cristã católica romana celebra o que Paulo VI, o Papa de então, chamou “Dia Mundial da Paz”. A iniciativa causou muita comoção, na altura, inclusive, fora da Igreja católica romana. Porém, com o passar dos anos, as rotinas eclesiásticas instalaram-se e, hoje, o Dia Mundial da Paz pouco mais é do que o fastidioso Texto que o Papa de turno faz publicar por antecipação em toda a Igreja, e que cada bispo residencial e cada pároco reproduzem, uns mais, outros menos, na missa do dia 1 de cada início do novo ano. Uma data, feriado nacional, pelo menos, entre nós. E que a liturgia católica romana continua a designar, não por Dia Mundial da Paz, mas por “Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus”. Como a deixar claro que, para ela, mesmo em 2013, o mito da deusa virgem e mãe continua a ter mais importância do que a realidade, no caso, a Paz desarmada, a constituir sobre a terra, já que as populações apenas conhecem a paz armada, propagandeada pelos grandes media, todos propriedade de poderosos grupos financeiros do mundo. Com que se arrogam o direito de serem os donos de tudo e de todos, pois conseguem formatar, de modo cada vez mais científico, as mentes de quantas, quantos vimos ao mundo, todo propriedade privada deles.

Cada bispo na sua sé catedral não deixa, de ano para ano, os seus créditos por mãos alheias e são já bastantes os que se dão ao trabalho de escrever antecipadamente a homilia que, depois, lêem-dizem no decurso da missa e com a qual tentam dar uma no cravo, outra na ferradura, como quem diz, uma parte do texto fala da paz, como mero conceito abstracto, nenhuma realidade, e a outra parte do texto fala da solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus. Um desastre que se estende para lá das paredes da sé catedral, se ela é uma das escolhidas por algum canal de tv que decide começar “bem” o ano, e, vai daí, transmite em directo, de lá, a missa de solene pontifical. Que a solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus, não se fica por menos! Aos bispos das catedrais menos preferidos pelas tvs, resta-lhes, ainda assim, a sua própria agência de notícias, a Ecclesia, onde os textos episcopais são divulgados na íntegra, mesmo que o seu conteúdo seja, teológica e politicamente, rasca.

A iniciativa, de tão rotineira e inócua, de tão sem sal e sem luz, de tão sem fermento e sem nada de sentinela na cidade, faz lembrar o comportamento das multidões de judeus do tempo do profeta Jeremias, seis/sete séculos antes de Jesus, que acorriam ao templo de Jerusalém, e, uma vez lá dentro, diziam-se em paz e em segurança. Uma paz e uma segurança, sistemática e saudavelmente, perturbadas pelas inflamadas palavras do profeta que porfiava em garantir que a Paz desarmada é, de todo, incompatível com a fome generalizada, com o roubo dos pobres, por parte dos poderosos, com a opressão sobre os mais frágeis, tipificados, ao tempo, nos órfãos e nas viúvas. E é também incompatível com todos os ritos, os sacrifícios e os cultos sem cultura, sem libertação, sem humanidade, que produzem mulheres e homens com olhos da mente fechados, nenhuma consciência crítica.

Os sacerdotes que, então, oficiavam no templo, à semelhança dos bispos e dos párocos que hoje oficiam, respectivamente, nas sés catedrais e nas igrejas paroquiais, não perdoavam ao profeta Jeremias e levantavam as populações contra ele, que nunca chegou a saber o que era ser respeitado, estimado, amado, apenas excomungado, perseguido, caluniado, maltratado, ameaçado de morte, preso várias vezes, e tudo por instigação dos sacerdotes e dos reis de então.

Neste Dia Mundial da Paz 2013, nenhum pároco, nenhum Bispo se deu conta, muito menos fez as pessoas que frequentaram a sua missa da solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus, darem-se conta de que vivemos mergulhados há anos na Primeira Guerra Mundial Financeira e que, perante ela, não há dias mundiais da paz, propostos pelo Papa-chefe de Estado do Vaticano, um dos principais donos do mundo, que a desmascarem, menos ainda, que a perturbem e a façam implodir. Porque as populações do planeta, as únicas que podem realizar este feito, são, elas próprias, reféns dos clérigos, desde o pároco da aldeia ao papa de Roma, dos Pastores das igrejas cristãs aos Anciãos das Testemunhas de Jeová e sua Bíblia, dos rabinos judeus aos aytolás/imãs do islamismo, estes últimos, com o seu tenebroso Alcorão.

Ora, sem autonomia das populações, a paz que se conhece é sempre e só a paz armada, mesmo que as armas hoje sejam cada vez mais substituídas pelos grandes media, difusores, a toda a hora e momento, da ideologia/idolatria do Poder financeiro que, por sua vez, tem todos os outros Poderes menores como seus reféns e seus algozes, executores de todas as suas ordens e realizadores de todas as suas ambições.

Ironia das ironias. Em 1 de Janeiro de 1968, pela primeira vez, o Dia Mundial da Paz, o Pe. Mário, actual director do JF, não hesitou em anunciar a Paz desarmada aos militares do seu Batalhão 1912, que operava na Guiné, região de Mansoa, a 60 kms de Bissau. O desassombro e a lucidez valeram-lhe a expulsão de capelão militar e o rótulo de “padre irrecuperável”, atribuído, não pelo comandante do Batalhão, mas pelo próprio Bispo das Forças Armadas, D. António dos Reis Rodrigues. Um rótulo que, desde então, anda colado ao seu ministério presbiteral, vivido opcionalmente longe dos templos e dos altares. E que é a mais evangélica e jesuânica confirmação da autenticidade do seu ministério presbiteral, que a hierarquia da Igreja católica teima em ignorar. Sem se dar conta de que, com essa sua postura, é ela própria que se auto-penaliza, pois fica cada vez mais desacreditada, perante as mulheres e os homens deste início do terceiro milénio, o milénio da internet, das redes sociais, do Youtube e de outras tecnologias de comunicação!

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Ainda o Dia Mundial da Paz 2013

Bispos preocupados com a família

 Uma rápida análise às homilias proferidas pelos Bispos católicos romanos, a começar pelo Bispo de Roma, o Papa Bento XVI, e a acabar nos das dioceses de Portugal, revela que a família aparece no centro das suas preocupações, neste início de 2013. Nenhum deles, porém, se põe a questão de todos serem Bispos proibidos por uma estúpida lei eclesiástica de constituírem família. Não deixa de ser estranho e anómalo, semelhante comportamento. Porque, se essa lei fosse imposta a todos os homens, não haveria famílias constituídas e, em pouco tempo, desapareceria a espécie humana.

Outra coisa estranha é que, para os Bispos e os párocos católicos romanos proibidos de constituir família, a família que todos apresentam como modelo para as famílias realmente constituídas, é o que eles apelidam de “sagrada família”. “De Nazaré”, acrescentam ainda alguns. Porém, a “sagrada família” de que falam, não é exemplo para nenhuma família, pelo menos, à luz da doutrina moral(ista) que todos os bispos e párocos ensinam nas suas catequeses e dos altares para baixo. Basta ver que a mulher desta “sagrada família” está casada com um homem, mas não é bem a esposa dele, mas sim esposa do Espírito Santo, não o do banco português com o mesmo nome, mas um outro que, ao que diz a narrativa bíblica em que eles se apoiam, se adiantou ao marido e a “cobriu com a sua sombra”, do que resultou ela engravidar dele, não do marido, e dar à luz um filho, que não se parece nada nem com ela, nem com o seu marido legal, nem com nenhum dos seus antepassados, muito menos, com Moisés ou com o rei David. E a prova real é que, quando ele cresceu e saiu de casa, pôs-se a fazer tudo ao contrário do que a mãe e os seus concidadãos faziam, ao ponto dela própria sair ao encontro dele, para tentar ter mão nele (cf. Marcos 3, 31-35). Em vão o faz, porque ele, informado pelas multidões de camponeses pobres que o seguiam e escutavam as suas sábias e maiêuticas palavras, de que a sua mãe o procurava, não só não sai ao seu encontro, como ainda atrevidamente pergunta, Mas quem é a minha mãe?! E porque, de forma cada vez mais radical, continua a fazer tudo ao contrário do que a sagrada Lei de Moisés (a Bíblia) mandava, depressa acaba condenado à morte pelos dirigentes máximos do seu país e é logo executado na cruz do império romano, como um maldito.

Entretanto, numa coisa, os Bispos e os párocos católicos romanos têm razão: as famílias hoje não são mais o que sempre foram até há bem pouco tempo. O tradicional modelo de família já não existe mais. E de nada vale aos bispos e aos párocos verterem lágrimas de crocodilo sobre o leite derramado. Mudou radicalmente o modelo de sociedade e, inevitavelmente, mudou, também, o modelo de família, sua base e suporte. E aqui é que bate o ponto. Mas os Bispos e os párocos católicos romanos não é para aqui que olham. Limitam-se a falar da família, como mero conceito abstracto, e segundo um mítico modelo, a que chamam “sagrada família”, sem nunca chegarem a aterrar na realidade que têm diante dos olhos. São cegos e guias cegos.

Ora, quem é eunuco, por força duma lei eclesiástica, não por opção, e, em consequência dessa mesma lei, está condenado a ter de viver sem família e entre outros eunucos semelhantes a ele – universo totalmente desprovido de afectos e de conflitos domésticos, com o pão de cada dia mais que garantido, e casa apalaçada gratuita, para onde quer que vá – nunca poderá falar, com conhecimento de experiência feito, das famílias de carne e osso. São clérigos e basta. Como tal, a realidade passa-lhes sempre ao lado, sem nunca chegarem a pisar o chão que as famílias de carne e osso pisam. São de outro planeta, o planeta clerical, paralelo ao planeta terra, sem jamais se encontrarem um com o outro. Como sucede às linhas paralelas.

Conclusão: Tudo somado, as inúmeras homilias dos Bispos católicos romanos, a começar no de Roma, e a acabar nos respectivos párocos de cada um deles, proferidas no Dia Mundial da Paz 2013, ficaram todas tão distantes da realidade, que apenas serviram para alguns inócuos directos de televisão, num dia em que a maioria das populações estava a recuperar da ressaca de mais uma passagem de ano. De modo que o grande Poder financeiro, o único dono e patrão do mundo, pode prosseguir à vontade na sua sanha de destruição completa das famílias de carne e osso. E não está sozinho nessa sanha. Tem com ele os Bispos católicos romanos e os respectivos párocos. Cujas homilias sempre pairam acima das nuvens, mesmo quando parece, num ou noutro caso concreto, que causam alguma mossa nos Governos de turno, os grandes executores políticos, nos respectivos países, das decisões do Poder financeiro global.

Obviamente, assim, não vamos a lado nenhum de jeito. Pelo contrário, afundamo-nos ainda mais no abismo, para cúmulo, ao som de música celestial, em que são peritos os anjos, arcanjos, querubins e serafins, e também os coros das missas/cultos episcopais e paroquiais, tanto católicos romanos, como cristãos protestantes. Apre!...

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Hans Küng versus Joseph Ratzinger

Bento XVI tem uma ideia medieval do papado

 Quando se concluiu o Concílio Vaticano II, H. Küng desencadeou um movimento histórico na Igreja por um maior engajamento na vida quotidiana do povo de Deus, a chamada massa dos fiéis. Surgiu uma nova sensibilidade pela justiça e pelos direitos individuais na Igreja, que iria crescer para 1 bilião de católicos em todo o mundo, com missões de ativismo em muitos dos países mais pobres do planeta.

De volta à Universidade de Tübingen, Küng, natural da Suíça, e Ratzinger, que havia crescido na escuridão nazista da sua Alemanha natal, logo se viram em desacordo acerca das mudanças radicais na Igreja, num debate teológico que ecoaria em toda a Europa e a Igreja global.

Agora, durante o 50º aniversário do Vaticano II, Küng, um renomado académico internacional, e Ratzinger, conhecido como Papa Bento XVI, estão ainda mais em desacordo. Das muitas questões que os dividem, Küng vê a tentativa de conter a Leadership Conference of Women Religious dos EUA como um sinal de miopia, uma falha de visão. "Você não pode dizer que Joseph Ratzinger não tem fé", diz Küng. “Ele é absolutamente contra a liberdade. Só quer obediência". Faz uma pausa e acrescenta: "Ele é contra o paradigma do Vaticano II. Tem uma ideia medieval do papado". "Muitas irmãs norte-americanas, agora atacadas, são mais instruídas e mais corajosas do que inúmeros clérigos homens", sublinha, com naturalidade. “A Cúria Romana está a tentar tudo para as condenar".

A lendária batalha intelectual entre Küng e Ratzinger reflete as divisões na Igreja em geral. Sua separação começou logo após o Vaticano II. Durante as revoltas estudantis de 1968, Ratzinger ficou horrorizado, quando os estudantes irromperam na sua sala de aula. Nesse mesmo ano, a encíclica Humanae Vitae, do Papa Paulo VI, que condena o uso da pílula contraceptiva, esbarra com enormes protestos de leigos, teólogos como Küng e até mesmo bispos dispersos. Ratzinger virou para a direita, abraçando a continuidade institucional. Küng atacou a infalibilidade papal, como um acidente da história, desprovida de significado teológico genuíno.

Küng vê a crise dos abusos do clero e a repressão contra a organização das lideranças das irmãs norte-americanas como sintomas de uma estrutura patológica de poder. Na sua opinião, o impacto sobre a autoridade moral e as finanças da Igreja é uma crise que rivaliza com a Reforma Protestante.

Ao contrário de Ratzinger, Küng tornou-se um teólogo amado e altamente influente com um grande fluxo de escritos, incluindo um livro crítico sobre a infalibilidade papal. O Vaticano reagiu com uma investigação doutrinal e a suspensão da licença de Küng para ensinar teologia em 1979. Mas na Universidade de Tübingen, uma instituição pública que remonta a 1477, Küng tinha segurança no trabalho. Ainda como padre, ele se tornou um pária para os católicos ortodoxos e um herói intelectual para os fiéis em geral, enquanto continuava a publicar e a falar publicamente.

Enquanto os processos da congregação doutrinal alvejavam mais teólogos, como o norte-americano Charles Curran e o brasileiro Leonardo Boff, Küng comparava Ratzinger ao Grande Inquisidor de Os Irmãos Karamazov, de Dostoiévski – o sinistro monge que diz a Jesus que as massas devem ser subjugadas por superstição, para que a religião mantenha o seu poder.

Na edição francesa do seu novo livro, A Igreja ainda tem salvação?, Küng garante: "A Inquisição Romana continua a existir", com métodos de tortura psicológica e o uso de muitos manuais de coação nos dias de hoje". Ao mesmo tempo, anuncia sua aposentação, para este ano, 2013, quando completa 85 anos. Entretanto, a sua casa forrada de livros de Tübingen continuará a hospedar a fundação que ele lançou. Para um homem de um idealismo tão feroz, a sua presença é um retrato vivo de serenidade.

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A comunicação ao País do Prof. Aníbal

Aos quesitos políticos do País e das populações de carne e osso, disse nada!

 Noite de 1 de Janeiro 2013. O Prof. Aníbal falou ao País. Não sem, imediatamente antes e imediatamente depois, se ouvir o Hino Nacional gritar, Às armas, às armas! Contra os canhões, marchar, marchar! O discurso do Prof. Aníbal era gravado. O Hino nacional era gravado. Tudo faz de conta, como convém nestes começos de um novo ano. E a verdade é que ninguém saiu das suas casas para as ruas a gritar, Às armas, às armas! Nem ninguém marchou contra os canhões, de resto, bem acantonados e silenciados, como lixo, nos quartéis, de todo politicamente inúteis, pior, prejudiciais. À imagem e semelhança do Estado que está aí, como um chulo político institucional, sempre pronto a roubar/comer/matar as populações. O discurso gravado foi, de imediato, comentado pelos partidos políticos que têm cadeiras, regalias e mordomias no Parlamento, em Lisboa. Pelos vistos, são eles o “povo português”. Os grandes media, todos propriedade de grandes grupos financeiros, que dominam e formatam as mentes das populações, não sabem outra. Propositadamente confundem as populações, cada mulher portuguesa, cada homem português, na sua situação concreta, cada vez mais dolorosa e dramática, com os partidos políticos que têm cadeiras, regalias e mordomias no Parlamento, em Lisboa. Tal como propositadamente confundem a Igreja, em Portugal, com os bispos católicos romanos que têm cadeiras, regalias e mordomias, na Conferência Episcopal Portuguesa. As populações de carne e osso, com os seus dramas, as suas agruras e amarguras, simplesmente, não existem. Só quando chega a hora de votar em eleições, é que sim. E mesmo aí, não como mulheres/homens adultos, só como número de votos colocados nas respectivas urnas, tantos votos a favor, tantos votos contra, tantos votos em branco, tantos votos nulos. Enquanto a esmagadora maioria das mulheres, dos homens que já não vota, nem como números conta! Ah! E o que diz o discurso gravado do Prof. Aníbal, ex-primeiro ministro do governo português, durante 10 anos, ex-presidente da República portuguesa, durante cinco anos, e, de novo, Presidente da República portuguesa, em segundo mandato? Aos quesitos políticos do País e das populações de carne e osso, disse nada. O que disse foi mais do mesmo e com tudo de vómito político. Lavou, mais uma vez, as mãos como Pilatos. Fez vagos apelos, não às armas nem à marcha contra os canhões, como o Hino nacional desassombradamente escreve, mas a consensos entre os partidos políticos que têm cadeiras, regalias e mordomias no Parlamento, em Lisboa. E tudo isto, depois dele próprio já ter aprovado/promulgado o OE 2013, já em vigor, e que, a partir deste dia 1 de Janeiro 2013, vai chular ainda mais as populações desempregadas, reformadas, envelhecidas, acamadas, adoecidas, deprimidas, ou ainda a trabalhar por conta de outrem, mas regidas por um maquiavélico Código de Trabalho, aprovado/promulgado também por ele, e que transforma as empresas em outros tantos locais de tortura, nenhuma cultura, nenhuma humanidade, nenhuma dignidade, nenhuma criatividade. Haja modos, Senhor Presidente da República! Haja modos! Tanto Cinismo político é, de todo, intolerável.

http://www.youtube.com/watch?v=7niILXbFbXc

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