2012 à luz da Fé e da Teologia de Jesus

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Edição 83, Dezembro 2012

 

De que estais à espera, deputados da Oposição?

Abandonai, todos, o Parlamento, já!

 

Depois da aprovação do Orçamento de Estado 2013 pela maioria CDS/PSD, de PauloPortas-PassosCoelho, não resta outra saída aos deputados da Oposição que não seja o abandono imediato do Parlamento. Cada dia mais que lá permaneçam, configura uma cumplicidade com a maioria, de todo politicamente imperdoável. Ficarão, de imediato, partidos políticos fora da Lei e fora do Estado, mas mulheres e homens organicamente próximos das populações e com elas, em tudo semelhantes a elas, sem privilégios de nenhuma espécie. Permanecer no Parlamento, com um orçamento assassino das populações, é dar legitimidade a este assassínio colectivo que a maioria CDS/PSD, de PauloPortas-PassosCoelho, uma só carne, está a praticar, graças à colaboração e aos protestos dos deputados da Oposição, totalmente vazios de conteúdo político. Na presente situação, a única palavra com conteúdo político que podem ter, é o abandono puro e simples do Parlamento. E que a maioria fique lá sozinha, se achar, mesmo assim, que continua a ter legitimidade para prosseguir. Mas que não seja mais, com a cumplicidade política dos deputados da Oposição.

Esquecei as eleições. Esquei as campanhas eleitorais. Esquecei os deveres que o estatuto de deputados do Estado vos impõe. Esquecei o Estado que vos reconhece como deputados seus. Esquecei as leis do Estado. Tudo o que, hoje, 2012-2013, é Estado em Portugal, é este Estado concreto desta maioria CDS/PSD, de PauloPortas-PassosCoelho, uma só carne. Vede como eles se riem de satisfação. Como desprezam tudo e todos. Como se riem de tudo e de todos. Até de vós! Vede como continuam a viajar todos os dias, na maior das comodidades e no maior dos confortos. Vede como decidem despojar as populações do País e como são cínicos com toda a gente. Até com o chefe deles, o presidente Aníbal-e-a-sua-Maria, a dos presépios natalícios. Ainda não destes conta de que Maquiavel, à beira deles, é um reles aprendiz?!

Sereis iguais a eles, deputados da Oposição, se, com a vossa presença no Parlamento, continuais a dar-lhes legitimidade. Eles têm em curso um golpe de Estado, do Estado que, antes deles serem Governo, ainda tinha alguns freios de ordem ética e de sensibilidade cultural e social, ainda que no âmbito da sempre humilhante caridadezinha/subsídio. Até com esses freios de ordem ética e de sensibilidade cultural, a dupla PauloPortas-PassosCoelho quer acabar. São lacaios do Poder financeiro. Não sabem de escrúpulos, só de cinismo. Sereis iguais a eles, cada dia mais, que continuais presentes no Parlamento, e a receber do Estado as mesmas mordomias que eles recebem. Tende um pingo de lucidez política: Abandonai, todos, o Parlamento, já. Antes que ele feche para férias. Acabai com este pesadelo/assassínio colectivo das populações. Ou não haverá perdão político, também para vós e para os vossos partidos!

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O Prémio Nobel da Paz pela lama da rua

Depois de Obama, o do dólar genocida, a União Europeia, a dos Estados contra as populações

 

Esta semana, 2.ª feira 10, o português Durão Barroso, na sua qualidade de presidente da Comissão da União Europeia, respirava hipocrisia por todos os poros. Há quem confunda hipocrisia com felicidade e com verdade e diga que Durão Barroso é, agora, um chefe de Poder europeu ainda mais feliz. Nunca, porém, um agente de Poder conhece a felicidade. Menos ainda, a paz. Por mais Nobeis da paz que sejam atribuídos a quantos se prestam a esse sujo serviço que, por o ser, exige de quem o exerce e personifica, que sempre se apresente vestido a rigor, no seu fato de cerimónia, camisa imaculadamente branca e gravata a condizer com as cores do fato e dos sapatos. E tal se apresentou Durão Barroso, no acto de receber o cheque do Prémio Nobel da Paz 2012. Um prémio que, de ano para ano, premeia ladrões e assassinos. Ladrões institucionais das populações e assassinos. Pois existem, aí, só para as empobrecer e matar. Nem que seja pela fome continuada, pela inactividade prolongada no tempo, pela ausência de cuidados de saúde de qualidade e a tempo e horas, pela depressão generalizada, pela tirania da incultura e da imbecilidade dos conteúdos de programas televisivos nos canais das grandes multinacionais do sector.

Atribuir o Prémio Nobel da Paz à União Europeia, só tem paralelo com o que, anteriormente, foi atribuído a Obama, o presidente do império USA, genocida institucional assumido, mas sempre, em nome da “defesa da democracia” e dos “direitos humanos”. É público e notório que a União Europeia mais não é do que a União dos Egoísmos dos Estados europeus, cujos chefes se banqueteiam e passeiam, até fartar, como bestas de colarinho branco, enquanto os seus múltiplos assessores, pagos a peso de ouro com o dinheiro extorquido às respectivas populações, via impostos e outros refinados modos, trabalham dia e noite, para eles se poderem banquetear e passear à tripa forra. Até morrerem gordos, como os porcos, com perdão, para os porcos que o são por natureza, e não nos fazem qualquer mal, até alimentam a muitas, muitos que ainda não dispensam a carne deles e de outros animais, nas suas dietas alimentares.

Bem pode dizer-se que, a continuar assim, o Prémio Nobel da Paz anda pela lama da rua e pelas ruas da amargura, a das populaçõrs. E começa a tornar-se escabroso ser-se distinguido, por parte dos senhores do Comité Nobel, também ele europeu e ocidental, pois claro. Benditas, pois, as mulheres, benditos os homens, que, de futuro, não venham a ser achados dignos do Nobel da Paz. É sinal de que as suas vidas são humanas sororais, o bastante, para não caberem nos largos e pervertidos critérios de paz, dos senhores do respectivo Comité Nobel.

Quanto a Durão Barroso e à União Europeia dos Estados, que não dos Povos, o Prémio Nobel da Paz assenta-lhes que nem uma luva, pois que, se há continente que mais guerras desencadeou na história, e mais roubos e conquistas e massacres protagonizou, e continua a desencadear e a protagonizar, é o continente europeu, que tem por pai o cristianismo, com o seu mítico Cristo, o da casa real de David/Salomão e das Cúrias cristãs, a romana e as outras, menos badaladas, mas igualmente cruéis, até no bem-fazer que apregoam fazer. Só por isso, ela, no seu agente de turno, viu-lhe atribuído e aceitou o Nobel da Paz 2012. E acaba de ir orgulhosamente recebê-lo das mãos sujas de sangue dos senhores do Comité Nobel. Para sua vergonha!

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Pasme-se! À pergunta de um jornalista, “Qual é a mulher mais importante de Portugal?”, o Pe. Anselmo Borges responde, “Nossa Senhora, Maria, a mãe de Jesus”!

 

Depois disto, o que mais virá por aí?!

 

Pasme-se! Mas a revelação é do próprio, na sua crónica de sábado, 8 de Dezembro 2012, no DN-Diário de Notícias. Depois duma confissão como a que vem em título, com tudo de idolatria, pelo menos, à luz da mesma Fé de Jesus, o filho de Maria, a mulher de Nazaré que não tem literalmente nada a ver com Nossa Senhora, nem de Fátima, nem de Lourdes, nem Aparecida do Brasil, nem de Guadalupe, no México, que mais virá aí de, teologicamente, chocante, quer da sua pena, quer da pena de outros filósofos e teólogos cristãos católicos portugueses e do resto do mundo? Reproduzem-se de seguida, com indignação e preocupação, os primeiros parágrafos do referido texto, onde, para cúmulo, esta afirmação aparece, de forma reiterada e reflectida com tempo. Eis.

Uma vez, numa entrevista na rádio, um jornalista atirou-me: "qual é a mulher mais importante de Portugal?" E eu, naquela perplexidade de quando somos apanhados de surpresa: "Penso que é Nossa Senhora, Maria, a mãe de Jesus."

À distância e mais reflectidamente, julgo que respondi bem, pois é mesmo isso: Maria, a mãe de Jesus, Nossa Senhora, é, muito provavelmente, a mulher mais importante de Portugal e, possivelmente, até a mais influente. Pergunto a mim próprio o que seria a Igreja em Portugal sem Fátima e mesmo o que seria o país sem a Nossa Senhora. Frei Bento Domingues foi quem melhor definiu Fátima: "o cais de todas as lágrimas dos portugueses."

Assim, lá está Fátima e milhões de peregrinos, as romarias em todas as cidades, vilas e aldeias, uma devoção enraizada, mesmo para lá da prática religiosa oficial. Talvez porque a Igreja é profundamente masculina - Deus é Pai, Filho e Espírito Santo; a hierarquia é masculina: papa, bispos, padres, diáconos - e porque os portugueses interiorizaram uma imagem tradicional severa do pai, Maria aparece como almofada e afago, sobretudo em tempos dramáticos de crise, de guerra, de becos sem saída. É a Mãe.

Tem mesmo direito a dois dias santos de guarda, com feriado nacional. Um deles celebra-se hoje: a Imaculada Conceição. Ninguém sabe ao certo o que é que a maioria dos portugueses, mesmo católicos praticantes, entende por isso, isto é, o que se celebra na Imaculada Conceição. Alguns pensarão na virgindade de Maria. Mas, de facto, o que se celebra tem a ver com a doutrina do pecado original, segundo a qual todos os seres humanos nascem em pecado, por causa do pecado de Adão e Eva. Maria, porém, constituiria uma excepção, pois foi concebida sem pecado.

Ora, é preciso confessar que precisamente aqui se concentra um nó de confusões. O Evangelho desconhece essa doutrina, que provém fundamentalmente de Santo Agostinho (...).

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O inesperado aconteceu dia 6 de Dezembro 2012, no Porto

E se um padre visitasse a Casa Viva?

 

O convite chegou-me via email e tlm. Acolhi e respondi logo que sim. Não muitos dias depois, já estou a bater ao batente do velho prédio de vários andares, levantado na Praça do Marquês, Porto. É ao final da tarde do dia 6 de Dezembro 2012. Comigo, vão também num saco a tiracolo, alguns exemplares de O LIVRO DOS SALMOS, também para ATEUS, o meu livro 40, que, juntamente com EVANGELHO DE JESUS, Segundo Maria, mãe de João Marcos, e Maria Madalena, que o precedeu em Março 2012, são os dois Livros com que estou a celebrar 50 anos de Presbítero da Igreja do Porto (5Agosto1962-5Agosto-2012). Presbítero da Igreja, não Sacerdote. Que a Igreja de Jesus não é uma religião. É essencialmente Ruah/Sopro/Movimento político maiêutico, mobilizador das populações para a edificação na história da Sociedade, plena e integralmente humana, vasos comunicantes, nenhum Poder.

Mal acabo de usar o batente, abre-se-me a porta da Casa Viva. O velho edifício, sem quaisquer obras de restauro, por fora e por dentro, esconde no seu espaço, uma Casa Viva. E que Casa! Gente adulta, mas na sua maioria ainda jovens. Cultos. Sábios. Mais cultos e sábios, do que sabedores/doutores. Sem muros, nem ameias. Gente igual por dentro, gente igual por fora, despojada das patetices do Mercado. Entro, como um menino. Sorridente. Braços abertos. E sou logo integrado. Há abraços e beijos. Há uma chuva perguntas daqui e dali. Querem saber que padre é este que tem lugar natural na Casa Viva, constituída dentro de um velho prédio semi-clandestino no Porto. Onde nunca qualquer dos seus frequentadores imaginou que tal facto viesse a acontecer. O impensável é agora realidade. O Pe. Mário, o tal que vive na companhia de Jesus e de Ateus, longe dos palácios e dos templos, é também Casa Viva.

O rés-do-chão do prédio é sala de entrada, de comer e de cozinhar. Está quase pronto o jantar vegetariano, confeccionado por um deles. Há muitas mulheres, jovens amadurecidas, mas é um dos homens, jovens amadurecidos, que está na confecção do jantar. O cheirinho a comida faz crescer água na boca. O arroz branco enche até cima uma grande panela. E o restante do jantar, bem condimentado, enche até cima um largo tacho. Cada qual pega num prato e serve-se directamente da panela e do tacho. Comemos e conversamos. Todo eu rejubilo. Tal como Jesus, o das comidas compartilhadas com ateus e hereges, expulsos pelas sinagogas, prostitutas e publicanos, algumas vezes, também em casa de fariseus, mas para partir a louça com os seus duelos teológicos desarmados que os deixam fora deles e a vomitar ódio pelos olhos, incapazes, porém, de lhe porem as mãos, tamanha a Verdade que brilha no olhar plena e integralmente humano deste filho de Maria, a de Nazaré. Não têm como agredi-lo. O mais que conseguem, perante ele, é baixar os olhos e falar baixinho, por entre dentes, tamanha a hipocrisia com que se vestem.

Ninguém cobra dinheiro pelo jantar. Cada qual partilha para uma caixinha, o que a sua consciência lhe diz para partilhar. A comida ou é compartilhada, ou torna-se mercadoria, veneno que nos adoece e mata lentamente. Como sucede com as missas que os sacerdotes párocos, bispos, cardeais, papas fazem nos altares dos templos, das catedrais, das basílicas. Coisa mais cínica e anti-humana. Mil vezes pior que os próprios supermercados, nos quais, em troca de dinheiro, ainda se traz para casa alimentos. Nas missas, nada se traz. Tudo nas missas se reduz a ritos, sempre os mesmos, rezas papagueadas, sempre as mesmas, e ração de uma única hóstia de farinha de trigo sem fermento, que uns fazem questão de meterem à boca, outros já não. Apenas assistem e observam em quem o faz, beatas, beatos, quase sempre os piores na sociedade que integram.

Comemos sororalmente. Uns sentados em velhos bancos e apoiados numa velha mesa, despida, a maioria de pé, com o prato de comida nas mãos. Há vinho maduro tinto para quem aprecia. Comemos e conversamos. Sem nunca se chegar a ser babel, dado que cada qual tem voz e vez, sem atropelar a voz e a vez dos demais. Sem necessidade de moderadores. Basta estarmos atentas, atentos uns aos outros. E a vida igualitária sempre acontece.

A longa e densa Conversa da noite veio a seguir, na sala de cima do velho prédio, por onde se estende a Casa Viva, e com que deparamos depois de subirmos lanços de velhas escadas, tudo ao natural. A beleza do real. Nenhuma encenação. A sala é ampla e está a abarrotar de gente. Gente da Casa Viva e gente que está ali pela primeira vez, atraída pelo evento divulgado no Facebook e boca-a-ouvido. Sem cadeiras à espera, a malta faz do velho soalho o seu assento. E a Palavra acontece. Até para lá da meia-noite. Por entre o espanto, a emoção, a perplexidade, a alegria, a interpelação. Uma coisa é certa: ninguém de quantas, quantos fomos Casa Viva naquela noite de 6 de Dezembro 2012, será mais igual ao que era antes. Os rostos de todas, todos, no final, não enganam. E os abraços e as confidências sopradas aos meus ouvidos e aos ouvidos uns dos outros, à despedida, gritam este facto. Estamos todas, todos, desde então, muito mais humanos, sororais, maiêuticos.

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Os imperdoáveis disparates do teólogo Ratzinger/Papa Bento XVI

Intitula o seu Livro, em 3 volumes, Jesus de Nazaré, mas, depois, vende-nos o mítico Cristo-da-fé do cristianismo católico romano!

 

Imperdoáveis, disparates, sim. Pois é de todo imperdoável que, neste início do terceiro milénio, com tanta investigação histórico-científica à disposição sobre Jesus, o camponês-artesão de Nazaré, o filho de Maria (cf. Marcos 6, 3), venha, agora, o teólogo alemão J. Ratzinger/Papa Bento XVI, eleito mediante processos altamente perversos que só mesmo o cristianismo romano é capaz de conceber, gerar e praticar, dar por concluída uma obra em 3 volumes – o último e o mais pequeno, e também o mais disparatado, acaba de ser apresentado estes dias – que, em título de cada volume, se diz, Jesus de Nazaré e, depois, dentro, (quase) tudo o que lá se escreve, é sobre o mítico Cristo-da-fé do cristianismo, versão católica romana; primeiro, a de Pedro-e-Tiago, respectivamente, o negador por três vezes de Jesus e o irmão de Jesus, que o tem por “louco” e quer a todo o custo prendê-lo; depois, de Paulo-e-de-Tiago; depois, de Constantino-Império-romano; e, hoje, a do Papa Bento XVI, o último, até 2012, da dinastia papal monárquica absoluta e infalível que é a Igreja católica romana, com a sua Cúria, os seus núncios apostólicos, os seus bispos diocesanos e os seus múltiplos párocos/diáconos, em cada parcela do mundo aonde já conseguiu chegar. Sem nada de nada da Igreja/movimento político maiêutico de Jesus, o de antes do cristianismo.

O que torna ainda mais imperdoáveis, aos disparates desta obra em 3 volumes, é o facto de o seu Autor ser simultaneamente o Papa de Roma. O teólogo Ratzinger bem pode dizer em cada volume que é, na sua qualidade de teólogo e não de Papa, que escreve e publica esta obra, mas a verdade é que só o facto dele ser simultaneamente o Papa de Roma, explica, por exemplo, que o Volume 3, editado estes dias, se apresente, à partida, com uma tiragem de um milhões de cópias ou exemplares. Fosse simplesmente o teólogo Ratzinger, com o percurso tão cristão católico romano e tão pouco humano ao jeito de Jesus, e teria um acolhimento maior ou menor, de acordo com a liberdade de cada mulher, homem. Mas é o Papa Bento XVI, aliás, bem explícito na capa de cada volume, o que, automaticamente, transforma todos os disparates bíblico-teológicos, contidos na obra, em doutrina (quase) de fé, dogmática, a última palavra, in saecula saeculorum, sobre Jesus e a sua Revelação/Revolução antropológica-teológica, que lhe mereceu a morte crucificada na cruz do império e fez dele, para sempre, o maldito dos malditos, o Não-existente! Já que os seus discípulos, de origem judaica, após morte tão ignominiosa, correram logo a anunciar/implantar, em seu lugar, o mítico cristo davídico, ou Jesuscristo. Até hoje.

O terceiro Volume, subintitulado “A infância de Jesus”, há-de estar a causar sucessivos ataques de riso à grande maioria dos biblistas e teólogos, mesmo entre os cristãos católicos romanos, e os das igrejas cristãs protestantes. Tantos e tamanhos são os disparates. Então não é que para o Papa Bento XVI, os dois primeiros capítulos do Evangelho de Mateus e do Evangelho de Lucas, são para acolher como relatos históricos, pelo menos, para-históricos, sobre Jesus, quando mais não são do que acréscimos tardios a esses dois Evangelhos canónicos, e acréscimos totalmente constituídos por narrativas antropológicas-teológicas sobre Jesus, o de antes do aparecimento do cristianismo, que estes dois Evangelhos, juntamente com os de Marcos e de João, visam, todos os quatro, denunciar/desmascarar. Por isso, os quatro são escritos e divulgados em clandestinidade e só nos testemunham Jesus, que o Cristianismo faz questão de ignorar, silenciar e fazer esquecer para sempre. Por outro lado, tudo, mas mesmo tudo, quanto é escrito, nestes dois capítulos com que abrem, actualmente, os Evangelhos de Mateus e de Lucas, é exclusivamente sobre Jesus, o camponês-artesão de Nazaré, o filho de Maria. Sobre ninguém mais. E é escrito, a partir do que foram as suas práticas económicas/políticas maiêuticas e os seus duelos teológicos desarmados com os dirigentes máximos do Poder, durante a missão que ele protagoniza entre meados do ano 28 e Abril do ano 30; o momento em que ele, traído, denunciado e entregue pelos seus discípulos de origem judaica, fanáticos do mítico messias/cristo invicto da casa real de David/Salomão, é preso, de noite, sumariamente, julgado, condenado à morte na cruz do império e executado, tudo em menos de uma semana!

Nada, absolutamente nada, nestes capítulos, é dito de Maria, a mãe carnal de Jesus. Nem das circunstâncias históricas em que acontece a fecundação/gestação/nascimento de Jesus, um judeu totalmente desconhecido longe de Nazaré, até ter saído de lá ao encontro de João, o que baptizava nas águas do Jordão, e do qual, depressa, se afasta, para sempre, porque, até, ele, não passava de um reformista mais, do Sistema, quando o que é preciso, imperioso e urgente, no entender-revelar de Jesus é uma Revolução antropológica-teológica que nos faça passar de animais racionais a seres, plena e integralmente, humanos, sororais, maiêuticos uns com os outros, nenhum Poder, e, em simultâneo nos faça mudar de Deus.

Podem, se quiserem, ler este Volume 3 da obra de Ratzinger/Papa Bento XVI, recém-editado também em português. Mas para conhecerem bem por onde não devemos ir, sob pena de irmos desaguar no não-ser, a grande especialidade do Deus mentira ou ídolo, que é o Deus do mítico cristo-da-fé do cristianismo, nos antípodas do Deus de Jesus, o filho de Maria.

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Saiba o que aconteceu, dias 1 e 2, em Amarante e Guimarães

O LIVRO DOS SALMOS TAMBÉM PARA ATEUS

 

Perante o que lhe foi dado ouvir, o Actor Hélder Costa, espantado e feliz como um menino, logo adianta, Vou começar já esta noite a ler-escutar estes Salmos. Por isso, muito provavelmente, só lá pela madrugada, terá adormecido. Vamos saber se sim, na noite deste sábado, 15 de Dezembro 2012, quando ele testemunhar sobre o Livro no CAR, em Guimarães

 

O meu fim-de-semana, 1 e 2 de Dezembro 2012, foi vivido em grande parte fora de casa. Sábado, 1, após o almoço ainda em casa, saí, para uma ACÇÃO DE RUA, nada mais, nada menos, do que apresentar O LIVRO DOS SALMOS TAMBÉM PARA ATEUS, nas ruas e cafés de Amarante. Para lá de bastantes e belas CONVERSAS, desencadeadas pelo próprio livro, houve 17 pessoas que o quiseram levar com elas para casa e fazer dele o seu Livro de mesa-de-cabeceira. Quando regressei, ao fim do dia, vinha feliz e todo dança, como um menino, mas exausto, porque andei sempre de pé e com o saco-mochila com Livros de reserva às costas, 3 exs nas mãos, para o mostrar e colocar nas mãos das pessoas que me acolhessem e aceitassem conversar comigo.

No domingo, almocei, ainda em casa, bastante mais cedo do que o habitual, o meu arroz de lentilhas, com grão de bico e muitos legumes, e fui para Guimarães. Saí de casa com a ideia de repetir a acção da véspera. Mas, à medida que conduzia o velhinho clio de 850,00€, não me sentia, interiormente, todo canto e dança, como é habitual. Até que chego ao centro da cidade e ELA, a mesma RUAH de Jesus, me sopra à consciência o nome do meu Amigo TINO FLORES. Páro o velhinho clio, e chamo o Tino Flores por tlm. Atende. Digo-lhe que estou em Guimarães e que, de repente, ele se me impôs. Responde-me que estava a acabar de almoçar num restaurante da cidade, mas que dentro de meia-hora, já estaria em casa. Chego lá a casa e encontro-o com a mulher e um dos irmãos e a respectiva mulher, a viverem ambos no Porto, e que estavam de visita.

Fui festivamente acolhido e logo integrado pelos dois casais. Disse ao que ia, quando, depois de almoçar, deixei a casinha em Macieira da Lixa; e como mudei de programa ao chegar ao centro da cidade. Alegria a rodos, em todos os 4 rostos e no meu, em comunhão com eles. Mostrei, a propósito do que me havia levado a Guimarães, o LIVRO DOS SALMOS TAMBÉM PARA ATEUS, o meu livro mais recente (ainda não tem 1 mês!) e que era para apresentar nas ruas da cidade, se, inesperadamente, não tivesse mudado de programa. E logo o Tino Flores, que se confessa AGNÓSTICO, toma o Livro nas suas mãos, atenta no título, vê o texto da contracapa, abre-o no início, e depara com o Texto sem título, vê que só pode ser a Dedicatória, antes de mais, A TODOS OS ATEUS, MULHERES E HOMENS, lê um ou outro dos 150 títulos dos Salmos que vêm logo a seguir, antes do Salmo 1, e diz, de rompante, Para já, quero 5 exs; 1, para mim e 4, para oferecer como prenda de natal do Sol a quatro Amigos agnósticos como eu. A sua mulher quis também 1 exemplar para ela (são muito autónomos, embora sejam casal) e o casal do Porto também quis 1 exemplar para ela e ele.

Conversámos durante toda a tarde sobre o Livro, sobre o nosso Hoje e Aqui, também à luz do Livro e, no decorrer da conversa, diz o Tino, Ouve lá, e se agendássemos já uma Sessão de apresentação deste Livro, ainda antes do natal, em Guimarães? Sublinhei quanto este Livro tem de CLANDESTINO e pedi que, a avançar com a sessão, tudo fosse feito de acordo com essa dimensão de clandestino do Livro. Quando todos entenderam bem o sentido dessa dimensão, logo ficou delineado o modo como seria feita a divulgação do evento, a realizar no próprio CAR-Círculo de Arte e Recreio. Prosseguiu a conversa e, quando eu menos esperava, o Tino Flores dispara-me, de chofre, uma pergunta, Vens com tempo disponível para jantares connosco? Apanhado de surpresa e feliz com o convite que a pergunta trazia subentendido, logo me lembrei que não tinha nenhum compromisso especial, mas tinha pensado regressar de Guimarães ainda a tempo de poder confeccionar o meu jantar, na casinha arrendada, onde vivo e desenvolvo muita da minha actividade de escuta e de escrita. Seria uma comida confeccionada em quantidade bastante que, cuidadosamente armazenada no frigorífico, daria para eu almoçar em cada um dos dias da nova semana. Estava, por isso, com alguma perplexidade na resposta a dar ao Tino, mas logo ele, perspicaz como poucos, ao ver-me perplexo, adianta, É que está cá em Guimarães, em trabalho de teatro, durante uns dias, o nosso Amigo comum, o Actor HÉLDER COSTA que ficará muito feliz se, de surpresa, te juntares ao nosso jantar com ele também presente. Obviamente, que fiquei emocionado com semelhante desfecho que esta tarde de MISSÃO presbiteral, também para Ateus, iria ter. E às 19h30, lá estávamos todos à mesa do restaurante. Ao todo, e comigo, 7 pessoas. Uma delas, responsável do CAR que transportou com ela o Actor Hélder Costa e também ficou para jantar.

Foi um jantar inesquecível. Uma daquelas EUCARISTIAS jesuânicas que nunca antes havia acontecido sobre a terra, e nunca mais acontecerá. Uma EUCARISTIA, também para Ateus e Agnósticos, onde Jesus, o camponês-artesão de Nazaré, esteve, umas vezes explicitamente nomeado, outras implícito, mas inteiro, sempre. A Conversa foi exaltante e libertadora. Intensa e profundamente maiêutica. O Tino Flores começou logo a discorrer sobre O LIVRO DOS SALMOS com o Actor maior HÉLDER COSTA. E ele, como um menino, bebia as suas palavras. Saco, então, de 1 exemplar e coloco-lho nas mãos. Ele extasia-se com a capa. Vira e fixa o Texto da contracapa. Abre no início e atenta no Texto sem título que, só quando se começa a ler, é que se fica a saber que é a Dedicatória (este é um Livro com Dedicatória. E que Dedicatória! “Só ela vale o Livro”, disse, espontaneamente, o meu Amigo F Assis, quando lha li, na sua casa em Orbacém). Lê, depois, o que nessa Dedicatória se diz dos Ateus e comenta, emocionado, Mas é mesmo isto! Quer logo adquirir o Livro.

Mas o melhor estava ainda para acontecer. O Tino Flores quis saber se ele, nos dias 14 ou 15 deste mês de Dezembro, estava de novo por Guimarães, em serviço de teatro. Ele esteve a ver na agenda e confirmou sim. E logo eu adianto, Então tens direito a receber 1 exemplar do livro, porque num desses dias, haverá uma sessão de apresentação em Guimarães e, se aceitares, serás tu a fazer a apresentação do Livro. Aceitou, eufórico. E assim vai acontecer. Por conveniência de agenda dele, a Sessão está definitivamente marcada para este sábado, 15 de Dezembro, depois do jantar, numa das salas do Círculo de Arte e Recreio (CAR). Haverá exemplares disponíveis do Livro, mais a minha presença, como seu autor-parteira.

Mas como, enquanto partilhávamos a mesa, a responsável do CAR tomou a liberdade de pegar no exemplar do Livro oferecido ao Hélder, e, curiosa, pôs-se a ler aqui e ali os títulos, não resistiu mais. Sem mais aquelas, começa a declamar, para surpresa e alegria de todos nós, alguns dos títulos dos 150 Salmos que o “fazem”. Ficamos todos extasiados, até os que estavam de serviço às mesas, no restaurante.

Perante o que lhe foi dado ouvir, o Actor Hélder Costa, espantado e feliz como um menino, logo adianta, Vou começar já esta noite a ler-escutar estes Salmos. Por isso, muito provavelmente, só lá pela madrugada, terá adormecido. Vamos saber se sim, na noite deste sábado, 15 de Dezembro 2012, quando ele testemunhar sobre o Livro no CAR, em Guimarães.

É caso para dizer, Quem viver em Guimarães ou nos arredores, não perca. Nem O LIVRO DOS SALMOS, TAMBÉM PARA ATEUS, nem o que sobre ele vai dizer-nos o Actor maior e Escritor de peças de teatro, carregadas de actualidade, como O INCORRUPTÍVEL, OBVIAMENTE, DEMITO-O! e VALHA-NOS DEUS!, Hélder Costa!

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Semana Social Porto 2012 canoniza Estado ladrão

Perguntas que ninguém ousou formular

 

Deste modo, quantas, quantos participaram no evento, a começar pelos conferencistas, saíram tais quais como entraram, sem qualquer mudança no seu ser-viver: os conferencistas, com os seus privilégios; os ouvintes, com as suas vidas sem causas, para lá dos rotineiros cultos nos templos e da caridadezinha nas ruas e nas IPSSs. E o pior, é que para o ano, há mais. Do mesmo!

 

Uma sociedade verdadeiramente solidária, ao jeito de vasos comunicantes, ainda precisa do Estado, mesmo que este, mentirosamente, se diga Estado Social? Alguma vez o Estado pode ser Social? Não é, por sua natureza, um estranho, pior, um inimigo das populações e da sociedade? E pode haver sociedade solidária, ao jeito de vasos comunicantes, enquanto houver Estado, por mais Social que se diga? A existência do Estado não pressupõe um sistema cientificamente concebido, organizado e gerido – é a Ciência ao serviço do Perverso – para sugar as populações, secundarizá-las, roubar-lhes a autonomia, a iniciativa, o protagonismo? As populações não são todas coercivamente obrigadas a financiar o Estado, nem que, para ele se poder manter e perpetuar, nos seus luxos e na sua opulência, elas tenham de adoecer, de ficar culturalmente subdesenvolvidas, até analfabetas, morrer antes do tempo, à fome ou, pior ainda, morrer para o defender? Não é em nome do Estado que as Polícias de choque, por exemplo, semeiam bastonadas indiscriminadamente sobre as populações, quando elas muito legitimamente, ainda que nem sempre legalmente – o que mais há por aí hoje são legalidades ilegítimas! – protestam contra os absurdos e obscenos aumentos de impostos e contra a negação dos direitos humanos mais elementares? Não é em nome do Estado que também os Exércitos armados saem à rua, com blindados, coletes e capacetes à prova de bala, e atiram sobre tudo que mexer, depois de estar em vigor o que ele chama “recolher obrigatório”, discricionariamente, promulgado por ele, sempre que se vê ameaçado por populações desarmadas que apenas reclamam o pão e a dignidade, a vez e a voz, a que têm direito?

Estas e muitas outras perguntas na mesma linha de pensamento, nascido de práticas políticas maiêuticas, deveriam ter sido formuladas durante os dias 22, 23, 24 e 25 de Novembro último, na Casa Diocesana de Vilar, Porto, os mesmos dias em que lá se concretizou a Semana Social 2012, uma iniciativa da Igreja católica romana em Portugal. Mas não foram. Pelo contrário. Tudo aconteceu com a pompa e a circunstância dos grandes eventos, com um leque de renomados convidados, tidos na conta de especialistas no uso do ilustrado verbo, que lhes garante um estatuto social de privilégio, em tudo semelhante ao dos grandes agentes do Estado, nos antípodas da condição de penúria em que tem de viver o grosso das populações sem voz nem vez, vítimas do Estado. As quais, neste tipo de eventos, semanas sociais que se chamem, nunca são tidas nem achadas, ainda que os renomados conferencistas se lhes refiram nos seus discursos vazios de substância maiêutica, como se todas elas não passassem de meras estatísticas.

No final dos 4 dias de conferências ditas e escutadas, e de alguns “grupos de trabalho” bem controlados por moderadores que, desde logo, condicionam e inibem os participantes politicamente menos correctos, a Semana Social 2012 redigiu e aprovou um Comunicado final, cheio de boas intenções, nenhuma interpelação, nenhuma acção política concreta a fazer acontecer no terreno, destinada a pôr em causa o Estado, concretamente, o Estado português 2012, gritantemente ladrão e assassino, como nem no tempo do ditador Salazar. Muito pelo contrário, o Comunicado consegue, até, deixar nos participantes a convicção de que Estado e populações são sinónimos, quando são antónimos. O que, só por si, perfaz uma perversão ideológica sem perdão, um pecado de idolatria de bradar aos céus e à terra.

A abrir a Semana Social, e porque o evento foi na Diocese do Porto e na Casa de Vilar, a conferência primeira só podia caber ao Bispo D. Manuel Clemente que, como é bem de ver, não deixou, como nunca deixa, os seus créditos de bispo altamente ilustrado, por mãos alheias. Contudo, e como é da praxe académica, todo o seu dizer é sempre e só mais do mesmo, por isso, um discurso mais do que previsível. Basta ver que, na sua conferência, começa por se apoiar, não nas suas próprias práticas políticas maiêuticas, que as não tem nem pode ter – seria destituído do trono e da cátedra episcopais do Porto – mas no Dicionário da Academia que citou por mais de uma vez e, sobretudo, na encíclica do Papa de turno, no Estado do Vaticano, Bento XVI, Caritas in Veritate, a qual, no seu subserviente dizer de Bispo da Diocese do Porto, “constitui como que a última sistematização quase geral da Doutrina Social da Igreja, no que ao «desenvolvimento humano integral» diz respeito.”

Deste modo, bem pode dizer-se que o convidado especial da Semana Social 2012 foi o próprio Papa Bento XVI, que se fez representar pelo seu alter ego, na Diocese do Porto – uma coisa é a Diocese do Porto e o Bispo da diocese do Porto, outra, muito outra, é a Igreja do Porto e o Bispo da Igreja do Porto! – uma vez que o grosso da conferência de abertura mais não é do que uma colectânea de transcrições daquela encíclica. Por isso, uma conferência vazia de realidade e de actualidade, e cheia de doutrina abstracta, intemporal, incapaz de comover seja quem for e de mudar seja o que for.

O dramático é que todos os demais oradores limitaram-se a prosseguir o caminho aberto pelo Bispo anfitrião, a começar no arcebispo primaz de Braga, no Dr. Guilherme d’Oliveira Martins, Alfredo Bruto da Costa, Eugénio Fonseca e a acabar em Joaquim Azevedo, o coordenador da Semana Social 2012. E, deste modo, quantas, quantos participaram no evento, a começar pelos conferencistas, saíram tais quais como entraram, sem qualquer mudança no seu ser-viver: os conferencistas, com os seus privilégios; os ouvintes, com as suas vidas sem causas, para lá dos rotineiros cultos nos templos e da caridadezinha nas ruas e nas IPSSs. E o pior, é que para o ano, há mais. Do mesmo!

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S. Vicente, Sta. Eulália, Sta. Engrácia, S. Félix e outros mais

Os velhos santos do cristianismo estão de volta!

 

Mas por aqui se vê a hipocrisia e o nefasto que são iniciativas sonantes como esta, em que a Igreja católica romana é perita! É caso, pois, para dizermos, com o humor dos Gato Fedorento, Valha-nos Sta. Engrácia!...

 

Preparem-se que, até 2015, vem aí uma grande fornada dos velhos santos do cristianismo, numa iniciativa de todo insólita de uma equipa de professores do Centro de Estudos Clássicos da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Ao todo, serão publicados 12 volumes, sob o título geral, Santos e Milagres da Idade Média em Portugal. Não! Os professores da Faculdade de Letras da Universidade Clássica de Lisboa não escrevem, de raiz, os 12 volumes. O que exigiria deles uma isenta investigação histórico-científica, bem capaz de chegar à louvável conclusão de que todas estas coisas de santos, de mártires e de milagres, pouco mais são do que lendas, crendices, cultos sem cultura, promotores e alimentadores de beatismos, de moralismos, de medos dos castigos de Deus e do inferno, de ignorância a rodos, de “piedosas” mentiras, em que é especialista o cristianismo e, por consequência, as igrejas cristãs.

O que aqueles catedráticos estão já a fazer é outra coisa. É a tradução do latim para português, de textos da Idade Média, que registam nomes e supostas vidas de mártires e de santos, mais os seus múltiplos milagres prontos a servir a todo tempo, pelos vistos, também ainda neste início do terceiro milénio. E cujo culto esteve muito em voga na antiguidade e na alta Idade Média, se bem que, estes séculos depois, todos tiveram de ceder o seu lugar a outros, nomeadamente àqueles muitos beatos e santos que o Papa João Paulo II fabricou a toda a velocidade, como uma fábrica de automóveis fabrica carros em série…

A iniciativa tem tudo de insólito, se atentarmos bem de onde ela parte e quem é que aparece envolvido nela e com ela. Para lá de alguma curiosidade académica interessada, certamente, em conhecer e dar a conhecer como é que, naqueles anos e séculos de cristianismo de chumbo, se chegava a santo e a mártir e se fabricavam milagres à lista, pouco mais haverá que justifique semelhante esforço por parte de professores de uma universidade, para mais, não confessional.

A Igreja católica em Portugal é que não ficou alheia a semelhante iniciativa e, ao tomar conhecimento dela, logo a agarrou com as mãos ambas. Tanto mais, quanto os três primeiros volumes – S. Vicente, Sta. Eulália, Sta. Engrácia & S. Félix – estão já disponíveis nas livrarias e acabam, até, de ser apresentados neste início de Dezembro, no auditório do Paço episcopal do Porto, por D. Manuel Clemente – sempre ele! – neste, que é também o início do Ano da Fé. Os próximos três volumes – Sta. Justa & S. Cucufate (mas que nome para uma mãe devota dar a um dos seus filhos!), S. Sebastião, S. Lourenço – serão editados em 2013. Os restantes volumes – S. Julião, Sto. Estêvão, Sto. Adrião & S. Mancos; S. Mamede & S. Jorge, S. Veríssimo, Máximo & Júlia; S. Cristóvão, S. Nicolau, Santiago – serão editados até final de 2015.

Para a Igreja católica romana, esta inesperada iniciativa editorial da Universidade Clássica de Lisboa sabe melhor do que o mel, nomeadamente, neste que, para ela, é o Ano da Fé, de acordo com mais uma campanha imposta de cima para baixo, pelo Papa Bento XVI, ele só, a Igreja! Mas só sabe melhor do que o mel, porque a fé cristã religiosa que ela segue/pratica/impõe, é o que se conhece: crendices, beatices, idolatrias rascas, devocionismos, rezas de terços, doutrinas decoradas, procissões de imagens de caco ou de madeira, trezes de Maio, missas em série e bem pagas, que os Sacerdotes, é, também com isso, que vivem e enriquecem, e os Bispos que os nomeiam párocos podem continuar a viver nos seus palácios, mesmo em tempos de Guerra mundial financeira, como estes nossos. Até ver! Que a fome e a mesma Fé de Jesus não conhecem propriedade privada e dão aos famintos toda a legitimidade – inclusive, o imperativo ético – de a invadir, ocupar, nela viver e com ela se alimentar. Por sinal, um direito, e mais do que direito, um imperativo ético que o Ano da Fé não é sequer capaz de despertar/aflorar na consciência das populações.

Pudera!... Mas por aqui se vê a hipocrisia e o nefasto que são iniciativas sonantes como esta, em que a Igreja católica romana é perita! É caso, pois, para dizermos, com o humor dos Gato Fedorento, Valha-nos Sta. Engrácia!...

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Revista Fátima Missionária, de Dezembro 2012, dixit

“Formar um missionário custa 10 mil euros por ano”

 

Ou compreendemos/praticamos a Missão, como Jesus a compreende/pratica e, nesse caso, os fabricadores de pobres não só não a financiam, como, até, a perseguem, furiosamente, ou acabamos mais ou menos comidos pelo Deus-tubarão, que, como todos os ídolos, tem de fabricar pobres em massa, porque só se alimenta de gente, também da gente que a missão ad gentes baptiza e faz cristã, súbdita do Papa de Roma e do seu Cristo!

A informação é do próprio administrador geral do Instituto Missionário da Consolata. Tem um tom dramático, mas vale, sobretudo, como alerta-publicitário para que os muitos”amigos das Missões”, deste Instituto-empresa e de todos os outros, bastantes, por sinal (cada instituto ou Sociedade missionária, uma empresa lucrativa), tomem conhecimento e se cheguem mais à frente com os seus donativos. Surpreendente, porém, é a foto do referido administrador geral do Instituto que acompanha, destacada, ainda antes do título, a informação em texto. Apresenta-nos um administrador super-satisfeito, com todo o ar de conforto e de bem-estar. Distracção do novo Director da Revista, o Pe. Darci Vilarinho? (um grande abraço, daqui, do JF online, ao ex-Director, Pe. Elísio Assunção!). Distracção ou não, a verdade é que, também aqui, uma imagem/foto vale mais do que mil palavras. Neste caso, todas elas provavelmente desmobilizadoras do objectivo em vista com o tom dramático do alerta publicitário. Coisas de jornalismo, também do jornalismo missionário.

Com a Primeira Grande Guerra Mundial financeira em curso, “as ajudas diminuíram e em muitos países os governos estão a deixar de reconhecer a dimensão social do serviço religioso”. Perante este facto, sublinhado pela Revista, Rinaldo Cogliati, administrador geral do Instituto – não estranhem ser um italiano, porque o Instituto Missionário da Consolata é uma empresa missionária multinacional, sediada em Itália – sublinha, na entrevista, que é preciso fazer “uma missão inteligente e atenta às gentes mais pobres”. Pelos vistos, será esta a melhor receita para se obter os tais 10 mil euros/ano, necessários para “formar um missionário”.

Para quem estranhe esta associação de “missão inteligente e atenta às gentes mais pobres” com angariação de mais fundos para as Missões, é preciso esclarecer que, quanto mais pobres o Poder financeiro global fabricar no planeta terra, mais necessidade tem de missionários benfeitores que deixem tudo, e partam em missão ad gentes, isto é, o mais longe possível da sua terra natal, do seu país, do seu continente, a fazer caridadezinha com os chorudos donativos que esse mesmo Poder financeiro lhes faz chegar, para que, desse modo, os pobres nunca descubram que todos os bens produzidos sobre a terra são, por direito, de todos, sem excepção. Daí, quanto mais Missões, caritativamente, inteligentes e atentas às gentes mais pobres, mais garantida fica a entrada de euros oferecidos pelos fabricadores de pobres aos respectivos Institutos, para que eles possam continuar a investir, cada ano, na formação de mais e mais missionários ao serviço do Cristo/Cristianismo.

O problema é que os jovens deste início de terceiro milénio já não estão disponíveis, como os das gerações anteriores, para contribuir com as suas vidas para esse peditório, que os institutos missionários pretendem continuar a levar a cabo. O que é de saudar. De modo que, ou compreendemos/praticamos a Missão, como Jesus a compreende/pratica e, nesse caso, os fabricadores de pobres não só não a financiam, como, até, a perseguem, furiosamente, ou acabamos mais ou menos comidos pelo Deus-tubarão, que, como todos os ídolos, tem de fabricar pobres em massa, porque só se alimenta de gente, também da gente que a missão ad gentes baptiza e faz cristã, súbdita do Papa de Roma e do seu Cristo.

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Polícia esconde Bispo Casaldáliga, 84 anos, em casa de amigo

Em risco de assassínio, a qualquer momento

 

O bispo Pedro Casaldáliga, de 84 anos, foi forçado a deixar sua casa em São Félix do Araguaia e ir para uma casa de um amigo, a mais de 1.000 quilómetros de distância, por indicação da Polícia Federal do Brasil. A causa é a intensificação nos últimos dias das ameaças de morte que ele tem recebido por causa do seu trabalho durante mais de 40 anos em defesa dos direitos dos índios Xavante.

Casaldáliga tornou-se o objetivo dos chamados "invasores" que fraudulentamente se apropriaram das terras em Maráiwatsédé dos Xavantes. O bispo, que sofre de Parkinson, trabalha há anos em favor dos indígenas e dos seus direitos fundamentais na Prelazia de São Félix tornou-se, a nível internacional, no rosto visível daquela causa maior.

Os proprietários de terra e os colonos que ocuparam fraudulentamente e com violência as terras, serão despejados em breve pela ordem ministerial que, há 20 anos, espera pelo seu cumprimento.

Conforme informou num texto a Associação Araguaia com Casaldáliga, o bispo teve que tomar um avião escoltado pela polícia e encontra-se na casa de um amigo, cujas identidade e localização são clandestinas, por razões de segurança.

"Sentimo-nos plenamente identificados com a defesa que, desde sempre, o bispo Pedro e a Prelazia de São Félix têm feito da causa indígena", diz o comunicado da associação, que exige que a comunidade internacional vele pela segurança de Casaldáliga e pelos direitos dos índios Xavante.

 

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Edição 82, Novembro 2012

 

 

As pérfidas encenações do Governo, sob a cumplicidade da AR

Já está em curso, com precisão científica, o extermínio das populações

 

Já está em curso, com precisão científica, o extermínio das populações portuguesas que este Governo, que já foi da dupla PP/PauloPortas-PC/PassosCoelho e, agora, é cada vez mais da tripla VG/VítorGaspar-PP/PauloPortas-PC/PassosCoelho, exactamente, por esta ordem (PC/PassosCoelho é apenas o bobo da corte, pau-mandado dos outros dois “parceiros”, ambos mestres, não discípulos, do próprio Maquiavel, autor de “O Príncipe”) tem por populações excedentárias e uma fonte, não de receita financeira para o Estado gastador, mas de despesa. E não é apenas um terço das populações, como já se escreveu algures. É mais de metade.

Pelo que, de duas, uma: ou as populações excedentárias emigram, ou o Governo mata-as à fome, ou, o que é ainda mais indigno, mata-as com “a sopa dos pobres”, mediaticamente servida em numerosas IPSSs das igrejas cristãs, com destaque para a igreja cristã católica romana do Cardeal Cerejeira, perdão, do Cardeal José Policarpo, e para as recém-restauradas Cantinas do Estado ladrão, gastador, e assassino. As populações mais novas, emigram em catadupa. E as mais velhas, em particular as que engrossam o vagão dos Reformados, elas e eles, vão já a caminho dos fornos crematórios, distraídas, na viagem, por overdoses de novelas e de futebol das SADs dos milhões, e por overdoses de rezas do terço, de nossas senhoras de fátimas, de missas pelas almas, de procissões, de peregrinações e outras devoções que o grande narcotráfico religioso habilmente promove e garante em tudo quanto é chão no país, desde a capital do Cardeal patriarca José Policarpo, à mais ignota aldeia do interior.

Aquelas infindáveis reuniões de conselho de ministros, em dias e noites de semana e de domingo, com o politicamente cínico PP/PauloPortas a fingir de incomodado/furioso com as alíneas do Orçamento para 2013, e com os seus deputados-cães-de-fila, rabo entre as patas, a botar faladura nos diversos canais de notícias ao minuto, com que estamos constantemente a ser esmagados e deprimidos, mais não foram do que pérfidas encenações que deveriam fazer-nos corar de vergonha, tamanha a humilhação que elas representam para as populações do nosso país. Tratam-nas abaixo de caixotes de lixo e de canos de esgoto. Porque, com essas encenações/dramatizações do Poder político, conseguiram pôr todos os “Comentadores de serviço”, pagos por eles a peso de ouro para fazerem esse papel, a convencer as populações condenadas ao extermínio, que o pior para elas, nesta altura, seria abrir uma “crise” na maioria parlamentar, da qual resultasse, inevitável, a queda do Governo. E porquê? Ora, porquê?! Porque este Governo, embora mau – até o admitem! – é o Governo com que a Troika se entende e que se entende com a Troika. E, sem ele – isto, já eles não dizem, obviamente! – as populações, nesta altura, já no vagão a caminho dos fornos crematórios, onde serão sacrificadas/imoladas ao Deus Dinheiro ou Poder financeiro, finalmente, livres dele, voltariam a poder respirar e a comer e a conviver e a sair de casa e a rebolar-se pelas montanhas e a festejar nas ruas a liberdade, o que, para eles, comentadores de serviço, representaria uma pesadíssima derrota para o Poder financeiro e para o Estado português, seu vassalo atento e reverente e gastador compulsivo.

Mas o mais politicamente chocante, em tudo isto, é que nem os deputados da Assembleia da República (AR) que votam contra a maioria que suporta o Governo e, até, muitos dos que integram a maioria que suporta o Governo e estão interiormente em desacordo com ele e com o seu Orçamento para 2013, mantêm-se, de pedra e cal, nas funções que lhes foram confiadas, não pelas populações, como eles gostam de dizer, mas pelo Poder financeiro que lhes paga a horas; e que, depois de anos de subserviência na AR, lhes garante reformas a condizer.

A verdade é que, para espanto/escândalo das populações já a caminho do extermínio puro e simples, ainda nenhuma bancada da AR, da esquerda e da oposição que se diga, se encontra vazia, por falta de deputados. E, se calha de algum deputado de alguma das bancadas se afastar definitivamente daquela fábrica de palavrosos discursos, que é a AR, logo a sua cadeira é ocupada por outro, ela ou ele, tanto faz, porque a música que cantam ou tocam, é sempre a mesma, tudo pimba político, com sotaque de esquerda ou de direita. Pior, é ópio político puro, com o qual todos eles anestesiam as populações, já a caminho do extermínio, nenhumas práticas políticas que as promovam a sujeitos dos próprios destinos.

Nem sequer os chamados partidos de esquerda largam a cadeira e as mordomias que o Poder financeiro lhes garante, em pé de igualdade, com os da direita. Os seus deputados, alguns super-devotados à causa do partido que representam, queimam, naquele hemiciclo, os melhores anos da sua vida, quando deveriam ser anos de vida militante, organicamente militante, e, assim, redundam numa tragicomédia política, com final trágico para as populações, mais que garantido.

São todos cúmplices do Governo, ladrão e assassino, por mais que esbracejem e vociferem contra ele. Eunucos que se devoram a si mesmos. E vampiros que bebem o sangue das populações, grande parte delas, já a caminho dos fornos crematórios, onde estão a ser diariamente sacrificadas/imoladas ao Poder financeiro global, que ninguém conhece, nem sequer eles, deputados, porque, embora ladrão, assassino e mentiroso, é um Ídolo que, como todos os ídolos, sempre se alimenta de gente!

Até quando vamos ter de suportar o Poder, nos três Poderes, e os seus agentes históricos? Quando nos decidimos, como populações, a crescer de dentro para fora, e assumimos, duma vez por todas, os nossos próprios destinos, sem mais necessidade de intermediários/messias/cristos religiosos ou laicos?!

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Pe. Mário na Casa da Achada/Centro Mário Dionísio, em Lisboa

Desde 21 de Março de 1973, que eu sou um homem morto, não-existente

 

De mim, pelo contrário – e com que alegria o digo/confesso! – sempre se há-de dizer, Eis aqui um ser humano, na peugada de Jesus, que o Poder nunca conseguiu dobrar e, por isso, o seu ser-viver na história é o de um homem morto que sempre vive, de um homem não-existente, que sempre está aí a intervir conspirativamente, sem que o Poder e os seus agentes de turno tenham como impedi-lo!

 

Foi na tarde de sábado, 27 de Outubro 2012. O Pe. Mário é o convidado para partilhar o seu itinerário que o faz passar pelo tem passado e o faz chegar aonde hoje se encontra. Precisamente, nas fecundas margens, distante dos perversos tronos do Poder, no caso, do Poder eclesiástico, homem presbítero da Igreja do Porto, simplesmente, todo liberdade e autonomia, ao jeito das aves do céu, dos lírios do campo, e do grão de trigo sob a terra. Quantas, quantos acorreram, naquela tarde, àquele espaço, só podem crescer de espanto, à medida que o Pe. Mário partilha o seu Itinerário. No final, um denso e fecundo silêncio enche por completo a sala, que, entretanto, será palavra à solta, lá, onde cada uma daquelas mulheres, cada um daqueles homens, estimuladas, estimulados pelo Itinerário do Pe. Mário, continuem teimosamente a levar por diante o seu próprio Itinerário de vida humana, nenhum Poder. Cada uma, cada um, tem o seu. E o que mais se pode desejar é que sejam Itinerários sem quaisquer cedências ao Poder, coisa rara e difícil – todas, todos os reconhecemos naquela tarde, na Casa da Achada – nestes tempos que são os nossos. Do Itinerário partilhado pelo Pe. Mário, fica aqui o Texto-espinha dorsal, que ele próprio redige, nesse mesmo dia, enquanto viaja no IC, de Campanhã e St.ª Apolónia. Acolha-o quem for capaz. E digira com tempo estas palavras, vida vivida e testemunhada, como sempre fazemos com o pão de cada dia. Se bem que este é pão outro, que quer fazer-se carne no itinerário vivo que cada uma, cada um de nós é. Eis.

 

1 Desde 21 de Março de 1973, que eu sou um homem morto. Se preferirem, um homem não-existente. Um homem institucionalmente morto. Ou, se preferirem, um homem institucionalmente não-existente. Não-existente, é ainda pior que homem morto. Nascido de mulher, em 8 de Março de 1937, todo fragilidade humana, pobre, de mãe jornaleira e de pai operário numa fábrica de serração de madeira, e ordenado presbítero da Igreja do Porto, em 5 de Agosto de 1962 – estou, por isso, a celebrar, respectivamente, 75 e 50 anos – torno-me, aos 25 anos de idade, homem maduro, adulto, todo fragilidade desarmada, liberdade, maiêutica, então, ainda só em semente e, progressivamente, arbusto, árvore, sinal vivo levantado do chão. Quando institucionalmente me matam, ou me fazem não-existente, é quando, quando sem quererem, mais me levantam vivo do chão e, desde então para cá, não sabem o que hão-de fazer comigo. Porque, depois de me terem morto, não-existente, já não podem fazer mais nada, de relevante. Matar fisicamente, já não se usa e, por isso, não o farão. De resto, semelhante postura resultaria contra eles. E eles sabem. Por isso, preferem manter-me na condição de não-existente. Institucionalmente, não-existente.

2 Quereis, por certo, saber o que/quem me matou, tornou não-existente. A revelação vai deixar-vos chocadas, chocados. Mas só porque ainda continuamos a ter por bom e amigo nosso, o que/quem, ao matar-me, fazer-me não-existente, no meu ser-viver todo fragilidade humana desarmada, todo liberdade, afecto, maiêutica, revela, mesmo sem querer, a sua verdadeira face, a face de assassino, mentiroso e de pai de mentira. Pois bem, o que/quem, em concreto, me mata, me faz não-existente, é… o cristianismo! Nomeadamente, a sua ideologia/idolatria que não suporta a fragilidade humana desarmada maiêutica, nem a liberdade. Mas como a ideologia/idolatria só é eficaz, se tiver agentes de carne e osso ao seu incondicional serviço – e, no caso do cristianismo, tem-nos tido e continua a tê-los, aos milhões, dedicados e a tempo integral, sem terem sequer de se repartir pela família, já que todos os clérigos católicos romanos estão proibidos de a constituir, porque todos proibidos de casar – fiquem, então, a saber que o agente de carne e osso concreto que me dá o golpe de misericórdia institucional, é o Bispo do Porto, D. António Ferreira Gomes, de quem, por sinal, enquanto Bispo da Igreja do Porto, nenhum poder episcopal, sou profundamente amigo, companheiro, confidente, e irmão. Fá-lo – nem ele terá tido consciência disso – sob a máscara (= pessoa) de Bispo do Porto, ou Bispo da diocese/empresa eclesiástica do Porto, que se continua a ter, e toda a gente com ele continua também a ter, como o Bispo da Igreja do Porto, mas que em verdade já não é, desde o momento que aceita ser Poder sobre os demais. Pois bem, quando, posto entre a espada e a parede, de ter de escolher entre mim – este ser humano desarmado concreto, constituído Presbítero da Igreja do Porto que, liminarmente, se recusa ser Poder ou funcionário do Poder – e a Concordata que vem já desde 1940 (= o Poder casado com outro Poder), o Bispo da Igreja do Porto, sob a máscara de Bispo da empresa/Diocese do Porto que se sobrepõe ao seu ministério de Bispo da Igreja do Porto, escolhe, obviamente, a Concordata.

 

3 Seria expectável que eu, desde então, assumisse a condição de morto, de não-existente. Porém, o que o Poder, no caso, o cristianismo, com todos seus agentes/funcionários de carne e osso desconhece, é que ele pode matar, fazer não-existente quantos recusam reconhecê-lo, servi-lo, adorá-lo, mas nada pode contra o ser humano que, conscientemente, lhe resiste, o enfrenta desarmado e o obriga a mostrar a sua verdadeira natureza/face, sempre muito bem disfarçada. Desconhece, também, o cristianismo/Poder, que a um ser humano, assim, quando ele institucionalmente o mata, o faz não-existente, este, num qualquer “terceiro dia”, inesperadamente, se levanta do chão, torna-se palavra praticada, sopro/vento, corpo invisível aos mais sofisticados aparelhos electrónicos, clandestinidade viva, odiado por muitos, até pelos pobres que o são à força, não por opção, por isso, pobres furiosamente possessos do desejo e da ambição de serem ricos; e até pelas inúmeras vítimas do cristianismo/Poder, que o são à força, e não em consequência da sua opção de serem simplesmente humanos por toda a vida e, nessa condição desarmada, sempre o enfrentarem e o desmascararem. Mas também amado, muito amado, por outros seus iguais, poucos, por sinal, aqueles dois ou três de que fala Jesus, o ser humano pleno e integral, os quais, geralmente, nem se conhecem entre si, mas cujo vento/sopro se faz reciprocamente próximo de cada um e o encoraja.

 

4 Os meus livros – é lançado este mês de Novembro 2012, o meu livro 40 – deixam transparecer este meu percurso ou itinerário. São, progressivamente, Evangelho ou Boa Notícia, em dois modos complementares. Primeiro, revelam/anunciam que o Poder, todo o Poder, pior, se divino e sagrado, é assassino, ladrão, mentiroso e pai de mentira, gerador, por isso, de mentirosos compulsivos. Segundo, revelam/anunciam que a única alternativa real e fecunda ao Poder, são os seres humanos, fragilidade desarmada, consciência ética, por isso, relação, reciprocidade maiêutica, vasos comunicantes, clandestinidade. Nos meus livros, únicos, no seu género, no país e, provavelmente, no mundo, já que todos se apresentam tecidos pelas duas dimensões do ser humano, a antropológica e a teológica, e testemunham o perverso que é, depois de mal termos acabado de nascer de mulher, sermos logo “apanhados” – quem no Ocidente não é?! – pelo cristianismo (noutras paragens, pelo islamismo) que, como está aí bem à vista desarmada, faz tudo para ser a nossa única língua - língua paterna/patriarcal/poder, na condição de chefe ou de súbdito – em substituição da nossa língua materna que, no meu caso pessoal, é a língua da Ti Maria do Grilo, minha mãe. Vejam que, no meu caso, ele até no seu seminário me faz entrar e viver, durante consecutivos 12 anos, longe da realidade e dos afectos. Forma-me superiormente, nos seus conteúdos doutrinais (= ideologia/idolatria) e na sua língua paterna, a do Podee. E, no final, faz-me desaguar na catedral do Porto, onde, no dia 5 de Agosto de 1962, me ordena Presbítero da Igreja do Porto, mas que ele, na mesma hora e no mesmo local, perversamente, transmuta logo em Sacerdote, na expectativa, de que, a partir desse dia, eu serei seu incondicional servidor/agente histórico de carne e osso, porventura, com uma brilhante carreira eclesiástica, se eu, prostrado, o adorar/reconhecer/servir. Não contou, nunca conta, que a mesma Ruah/Sopro maiêutico que, entre meados do ano 28 e Abril do ano 30, se faz ser humano pleno e integral, de seu nome, Jesus, o camponês-artesão de Nazaré, o filho de Maria, sempre atravessa clandestinamente todos os muros, por mais grossos que sejam, e sempre derruba todos os tronos e altares, nas mentes/consciências que A/O acolhem. Muito menos contou que, precisamente, nesse mesmo dia, hora e local, essa mesma Ruah passa pela catedral do Porto e a derruba, pelo menos, dentro de mim, da minha mente/consciência. A verdade é que, quando eu, todo fragilidade humana desarmada, me levanto do chão da catedral, depois de uns longos minutos totalmente prostrado de bruços sobre ele, me vejo, todo eu, não sacerdote/funcionário eclesiástico, mas ser humano adulto, por isso, nenhum Poder, nenhum cristo/cristianismo. Presbítero da Igreja, é a palavra que, neste nosso contexto cultural, melhor diz esta realidade que eu sou, desde então. Até, pela conflitualidade, sempre salutar e fecunda, ainda que dolorosa, que inevitavelmente desencadeia em redor.

 

5 Os meus livros dizem o percurso/itinerário deste ser humano adulto que eu sou, então, ainda em semente, e que, com o viver dos dias e dos anos, se torna progressivamente arbusto, árvore. O livro que melhor diz/testemunha a minha libertação da língua paterna/poder – dos conteúdos doutrinais, fico logo liberto, ao levantar-me do lajedo da catedral do Porto – e testemunha o meu regresso à língua materna, a única verdadeiramente antropológica-teológica, da qual o cristianismo me havia tentado retirar para sempre (felizmente, e como se vê, não conseguiu!), é o “Novo Livro do Apocalipse ou da Revelação” (2009), escrito em forma de diário político-teológico, e que eu tenho como o meu “livro póstumo”, inclusive, já com o meu Testamento. E o primeiro Livro, todo escrito já com a língua materna, a do ser humano adulto, nenhum Poder, é “O Livro da Sabedoria” (2010). Por sua vez, o livro da consolidação em mim desta língua materna e, simultaneamente, o arauto desta Boa Notícia a todo o mundo, chama-se “Evangelho de Jesus, Segundo Maria, mãe de João Marcos, e Maria Madalena”, apresentado sob a frágil forma de “Livro dos Provérbios” (2012). E o livro, a ver a luz, nestes dias de Novembro 2012 – “O Livro dos Salmos, Versão Terceiro Milénio, também para Ateus” – procura dizer/revelar a fecunda e profunda espiritualidade que me anima e me faz ser-viver humano adulto, simplesmente, Presbítero da Igreja do Porto, nenhum Poder, pobre por opção, sempre habitado, nunca só, todo paz desarmada, braços abertos, acolhimento, relação, afecto, entrega.

 

5 O Presbítero da Igreja do Porto que sou há 50 anos, todos eles de intensa e variada actividade maiêutica, nas mais diversas e inesperadas trincheiras – Paróquia das Antas, Liceus do Porto, Mansoa (Guiné-Bissau, no coração da Guerra Colonial), Paredes de Viadores, Macieira da Lixa, Cadeia política de Caxias, Tribunal Plenário do Porto, vespertino República, onde adquiro a carteira profissional de jornalista, Página Um, Correio do Minho, S. Pedro da Cova, Jornal Fraternizar e, vai para 9 anos, de novo, Macieira da Lixa, e, daqui, para todo o mundo, via internet, Youtube, Facebook, correio electrónico, presença acutilante, em diversos canais de televisão, em inúmeros encontros ao vivo, com tudo de clandestinidade, realizados um pouco por todo o País – revela um dos Itinerários possíveis que um ser humano que o queira ser, na fidelidade à sua matriz original, pode ter de vir a percorrer. Ao contrário dos itinerários do Poder e seus agentes, que são todos mais do que previsíveis, todos mais do mesmo, os Itinerários de seres humanos, que o são por toda a vida, são sempre imprevisíveis, tal como a Ruah/Sopro maiêutico que os habita e faz crescer de dentro para fora em fragilidade desarmada. Testemunho-vos o meu, certamente, único e irrepetível. Só o Poder tem percursos/itinerários repetíveis, todos, mais do mesmo, mudam apenas os figurantes e os contextos.

 

6 Hoje, 75 anos depois de ter nascido de mulher, e 50 anos depois de ter sido ordenado Presbítero da Igreja do Porto, aqui estou no máximo da minha fragilidade maiêutica activa, e a sobreviver com a reforma de jornalista, 660,00 euros/mês, porque Presbítero de graça, como exige Jesus, o alfa e o ômega do Humano. A braços, juntamente com todos os povos da Terra, com a Primeira Grande Guerra Mundial Financeira, declarada e conduzida contra todos os povos do planeta, pelo Poder financeiro global, o perverso filho unigénito do cristianismo, um misto de judaísmo reciclado, de paganismo/politeísmo religioso e de império romano. Uma guerra/genocídio/geocidio/ecocídio, que só acabará, quando deixar de haver pais, mães, filhas, filhos que a alimentem, que a sirvam, nalgum dos três Poderes em que o Cristo/Deus/Poder monárquico, absoluto, infalível e invicto, subsiste. Se as nossas filhas, os nossos filhos que damos ao mundo, em lugar de permanecerem teimosamente humanos-consciência ética, vasos comunicantes, continuarem, como até aqui, a correr entregar-se demencialmente ao Poder, ele continuará aí a roubar, matar, destruir e mentir, porque é de sua natureza, ladrão, assassino, mentiroso e pai de mentira, gerador de mentirosos e de corruptos. De mim, pelo contrário – e com que alegria o digo/confesso! – sempre se há-de dizer, Eis aqui um ser humano, na peugada de Jesus, que o Poder nunca conseguiu dobrar e, por isso, o seu ser-viver na história é o de um homem morto que sempre vive, de um homem não-existente, que sempre está aí a intervir conspirativamente, sem que o Poder e os seus agentes de turno tenham como impedi-lo!

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Pe. Marcelo Rossi abre em S. Paulo maior templo católico do Brasil

O comerciante de Deus soma e segue

 

"A igreja precisa disto. O povo precisa de um lugar onde se possa concentrar em oração", diz o padre Marcelo, o exemplo acabado do clérigo católico com faro para o negócio religioso, à custa da indignidade de manipular as multidões, carregadas de frustrações e de carências

Inaugurado há uma semana, se bem que ainda incompleto, após sete anos em construção, o novo templo é, a partir de agora, o novo palco das missas-show do sacerdote-cantor e comerciante de Deus, Marcelo Rossi. Com capacidade para abrigar 100 mil fiéis, quando estiver totalmente pronto, é, sem dúvida, o maior templo da Igreja Católica no Brasil, em capacidade de público. O novo espaço dispõe de uma nave de 8.500 m2, onde fica o altar. Na área coberta, 6.000 fiéis podem assistir à missa sentados e 14 mil de pé. Após o término da obra, que continuará nos dias em que não houver missa, 80 mil pessoas poderão ocupar a área externa, de onde também vêem o altar, já que as 14 pilastras que sustentam a estrutura foram dispostas de modo a permitirem a visão.

"A igreja precisa disto. O povo precisa de um lugar onde se possa concentrar em oração", diz o padre Marcelo, o exemplo acabado do clérigo católico com faro para o negócio religioso, à custa da indignidade de manipular as multidões, carregadas de frustrações, de carências e que, à falta de respostas económicas e políticas concretas, para os seus problemas quotidianos, não dispensam o ópio religioso que ele lhes vende, sem um pingo de escrúpulo.

O espaço funcionará como a nova catedral da Diocese de Santo Amaro. Segundo o respectivo bispo, D. Fernando Figueiredo, a igreja matriz atual, no Largo 13 de Maio, tem capacidade para 400 pessoas e é insuficiente para abrigar eventos como crismas, que agora irão para o Santuário. "Um único setor de Santo Amaro tem 1.500 jovens em cada crisma, mais os padrinhos", informa o Pe. Rossi, unha e carne com o Bispo e só eles sabem o que os une, quase uma só carne. O Dinheiro, como o Deus único, é sem dúvida, um dos motivos que explica semelhante “casamento” entre o bispo da diocese, e o padre cantor. Ambos esperam que o templo se venha a tornar um novo ponto turístico na cidade. "Mesmo quem não for católico vai querer passar para ver", afirma o padre. O projeto, do arquiteto Ruy Ohtake, tem tecto azul em forma de onda e uma cruz de 42 metros de altura. Para que as multidões que, em grande número, como em Fátima S. A. lá forem deixar-se depenar, até do último cêntimo, achem normal viver toda a sua vida crucificadas. Um crime!

Outros pontos de atração, segundo o sacerdote, são as pinturas de Nossa Senhora e uma reprodução da "Pietà", de Michelangelo, na cripta abaixo do altar. Rossi pretende ser sepultado no local, que só poderá receber padres e bispos da Diocese de Santo Amaro. "Senão, até padre de Pernambuco iria querer ser enterrado aqui", diz.

O clérigo cantor nega que esteja a tentar contrapor-se aos megatemplos que igrejas evangélicas rivais, como a Assembleia de Deus e a Universal do Reino de Deus, estão, nestes dias, a construir em São Paulo. "Não pensei nos evangélicos. Tenho enorme respeito por eles, mas há igrejas, como a Assembleia de Deus, que têm doutrina, e há seitas", diz o clérigo, sem nunca nomear as que ele tem como “seitas”.

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A indizível violência contra os Índios Guarani-Kaiowá

 

Como não lembrar a inquietante afirmação do kaiowá Guarani Anastácio? "Aqui o boi vale mais do que uma criança guarani". A situação dos índios no Mato Grosso do Sul já foi definida pela vice-procuradora-geral da República, Deborah Duprat como "a maior tragédia indígena do mundo"

 

A carta da comunidade de 170 índios Guarani-Kaiowá (50 homens, 50 mulheres e 70 crianças) que vivem confinados numa pequena área em Iguatemi/MS, Brasil, ecoou como um grito de desespero que impressionou até mesmo indigenistas experientes como Egon Heck: “Ao ler o teor do comunicado, fico estarrecido e me junto ao grito dos condenados - que país é esse?". Afirma a carta: “Sabemos que seremos expulsas daqui da margem do rio, pela justiça, porém, não vamos sair da margem do rio. Como um povo nativo/indígena histórico, decidimos meramente ser morto coletivamente aqui. Não temos outra opção, esta é a nossa última decisão unânime diante do despacho da Justiça Federal de Navirai-MS”.

A comunidade que integra a comunidade Pyelito Kue/Mbarakay - que quer dizer terra dos ancestrais – diante da ameaça de despejo, pediu ao governo para ser enterrada ali mesmo junto aos antepassados: “Solicitamos para decretar a nossa morte coletiva e para enterrar nós todos aqui. Pedimos, de uma vez por todas, para decretar a nossa dizimação/extinção total, além de enviar vários tratores para cavar um grande buraco, para jogar e enterrar os nossos corpos”, afirma o texto.

A carta-manifesto da comunidade de Iguatemi/MS espalhou-se rapidamente entre ativistas e ganhou as redes sociais – muitos mudaram o seu perfil no facebook, assumindo identidade Guarani-Kaiowá – e repercutiu internacionalmente. A carta foi interpretada como ameaça de suicídio coletivo e criou comoção.

O CIMI preocupado com interpretações equivocadas, esclareceu que a expressão “morte coletiva” precisa ser contextualizada na cultura guarani. O CIMI esclarece que, quando os Guarani-Kaiowá “usaram a expressão ‘morte-coletiva’, diferente de suicídio coletivo, referiam-se ao contexto da luta pela terra. Isto é, se eles forem forçados a sair de suas terras pela Justiça, ou por pistoleiros contratados por fazendeiros, estariam dispostos a morrer todos nela, sem jamais abandoná-la, pois vivos não sairiam do chão de seus antepassados”.

Por outro lado, diante do estupor nacional, de que índios no Mato Grosso do Sul ameaçam se matar, o CIMI esclarece "que o suicídio entre os índios Kaiowá e Guarani ocorre, já há algum tempo, sobretudo entre os jovens. Entre 2003 e 2010, foram 555, motivados porém, por situações de confinamento, falta de perspectiva, violência, afastamento das terras tradicionais e vida de acampamento às margens de estradas. Nenhum dos referidos suicídios ocorreu de maneira coletiva, organizada ou anunciada”.

A carta da comunidade de Pyelito Kue na verdade é mais um capítulo da crónica de violência étnica em Mato Grosso do Sul que vem vitimando indígenas. Há um ano, a violenta, dolorosa e desumana morte do cacique Nísio Gomes dava conta dessa infindável história de atrocidades, assim como o assassinato dos professores guarani Rolindo Véra e Genivaldo Véra.

Há muito tempo que os indígenas afirmam, “quase não temos mais chance de sobreviver neste Brasil". Como não lembrar a inquietante afirmação do kaiowá Guarani Anastácio? "Aqui o boi vale mais do que uma criança guarani". A situação dos índios no Mato Grosso do Sul já foi definida pela vice-procuradora-geral da República, Deborah Duprat como "a maior tragédia indígena do mundo".

Desaldeamento, intimidações, destruição de plantações, queima de barracos, humilhação, fome, doenças, perseguições, sequestros e assassinatos seguidos da crueldade do desaparecimento de corpos fazem parte da vida quotidiana da comunidade indígena Guarani-Kaiowá.

A carta-denúncia da comunidade Pyelito Kue, escancarou a verdadeira guerra contra os indígenas na capital do agronegócio – o Mato Grosso do Sul. No modelo plantation, da soja, do milho, da cana de açúcar e das pastagens não cabem os Guarani-Kaiowá.

Os grupos indígenas representam um empecilho ao agronegócio. A pesquisadora Iara Tatiana Bonin, afirma que são vistos como “ervas daninhas que devem ser erradicadas dos jardins do latifúndio para deixaram o caminho livre para os planos dos ‘jardineiros do progresso’”.

O indigenista Antonio Brand (falecido recentemente), em entrevista à Revista IHU On-Line – Os Guarani. Palavra e Caminho, alertava para o facto de que “o assédio às terras ocupadas por povos indígenas sempre foi enorme. Terras remanescentes e ricas foram alvo de mineradoras, depois de fazendeiros para a expansão do agronegócio – soja, arroz, cana-de-açúcar, eucalipto – e da pecuária. Por fim, também de obras de infra-estrutura – como estradas ou hidrovias – e de produção de etanol, com enormes impactos ambientais e sociais. Não raro essa dinâmica exploratória contam com recursos públicos provenientes do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC)".

A arbitrariedade é tamanha, que segundo Heck, “o gado dispõe de 3 a 5 hectares de terra por cabeça, enquanto os índios Guarani-Kaiowá não chegam a ocupar um hectare por índio. Assim, com falta de terra, centenas de sem terras indígenas são obrigados a deslocar-se para a beira das estradas. Essa é uma situação calamitosa para essas populações, além de gritante em termos de injustiça para com os povos indígenas e os trabalhadores sem-terras”, enfatiza o indigenista.

A situação calamitosa atinge a todos nas comunidades indígenas, mas vale destacar o drama da mulher indígena, pois antes “ocupava um lugar de grande prestigio no interior da sociedade guarani (...) Hoje, as mulheres guarani, em muitos casos, acabam isoladas e confinadas, em casas e quintais cada vez mais reduzidos e precários e, como consequência, mais dependentes dos homens e do dinheiro que estes trazem dos contratos nas empresas de produção de açúcar e álcool. “Como educar seus filhos nesse contexto?”, pergunta a pesquisadora Paz Grünberg.

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Convocado por Bento XVI, nos 50 anos do Vaticano II

De que falamos, quando falamos de Ano da Fé?

 

Desconhecem, a hierarquia e os clérigos que a servem, que uma Fé que dignifique e faça ainda mais humanos, os seres humanos, só mesmo a de Jesus, toda ela constituída, não de práticas religiosas e rituais, como a Fé religiosa, mas de práticas económicas e políticas

 

Dificilmente, alguém saberá do que está a falar, quando, durante um ano, de 11 de Outubro 2012 a Novembro 2013, se falar de Ano da Fé. A convocatória a toda a Igreja católica é do Papa Bento XVI e cabe a cada Diocese do mundo católico romano preencher, da maneira que melhor entender, os 365 dias que estão à sua frente. A convocatória faz algum sentido, mas está visto que as dioceses estão longe de ser capazes de tirar partido da iniciativa. De resto, uma iniciativa já ferida de morte, à nascença, uma vez que vem exclusivamente da cúpula da pirâmide eclesiástica, não nasce da base. Dá mais poder à cúpula e debilita ainda mais a base, condenada a ser mero cliente dos clérigos que lhe são impostos, nunca eleitos por ela. Tudo terá, por isso, a marca e o protagonismo clericais, e ao chamado Povo de Deus apenas restará, no inspirador falar do Concílio Vaticano II, o papel de figurante neste grande circo católico romano de péssima qualidade artística, que é hoje a Igreja do Papa, sucessor do imperador de Roma.

Enquanto a Igreja for a hierarquia, servida por clérigos, por sinal, em número cada vez mais reduzido, não há Ano da Fé que valha. Tudo nasce torto e doente e nunca chega a endireitar-se. Desde logo, porque para a hierarquia e os clérigos que a servem, falar de Fé é igual a falar de religião, missas com mais pompa e circunstância, ritos para tvs e rádios locais transmitirem, particularmente, quando meter bispo a presidir ou papa.

Exemplo confrangedor que confirma sobejamente o que acaba de ser referido, é o dado pela diocese de Portalegre-Castelo Branco, cujo Bispo, D. Antonino Dias, na abertura local do Ano da Fé, convocou uma assembleia diocesana que encerrou com mais uma missa presidida por ele (e por quem mais haveria de ser, se ele estava presente?!), onde foi decidido mandar distribuir Círios de vários tamanhos pela diocese! Deste modo, cada arciprestado, recebe um círio grande que deverá percorrer cada uma das respectivas paróquias; e um círio mais pequeno, destinado a pôr “as famílias a rezar e a professar a sua ligação a Deus”.

Toma-se conhecimento deste modo de iniciar o Ano da Fé, numa diocese em concreto, a de Portalegre-Castelo Branco, e não se acredita. É “foleiro” de mais, para ser verdade. Mas a verdade é que já aconteceu e está em curso. Só não se revela se a fábrica de produção círios é propriedade da Diocese, ou não. Pelo que se conclui, a partir deste caso concreto, dizer Fé, no Ano da dita, é dizer rezas, fazer ritos, vender missas, comprar e carregar círios, recitar fórmulas esteriotipadas de oração, terços e mais terços, repetir até à náusea as diferentes versões do Credo, com destaque, para o Credo aprovado no concílio de Niceia-Constantinopla, convocado, presidido e aprovado pelo imperador Constantino, então, simultaneamente Papa! E tudo, à mistura, com algumas conferências proferidas por peritos em teologia/teodiceia mais ou menos deísta, que ajudarão a passar o tempo e deixam as populações ainda mais abandonadas à sua sorte e ao seu infantilismo.

Desconhecem, a hierarquia e os clérigos que a servem, que uma Fé que dignifique e faça ainda mais humanos, os seres humanos, só mesmo a de Jesus, toda ela constituída, não de práticas religiosas e rituais, como a Fé religiosa, mas de práticas económicas e políticas que respondam, com dignidade – por isso, sem o recurso à caridadezinha – às grandes aspirações das populações, com destaque para a sua fome de pão e de justiça, de liberdade e de autonomia, de beleza e de criatividade. Só que apresentar e praticar uma Fé assim, a mesma de Jesus, parece falar chinês para as dioceses católicas da Europa e do Ocidente. A verdade é que, à luz de Jesus, só aquela Fé que brota do coração de Deus Abba-Mãe, e que a sua Ruah/Espírito maiêutico faz acontecer/rebentar, no coração/consciência de cada mulher, cada homem, como fonte de práticas económicas e políticas que neutralizem as assassinas e mentirosas práticas do Poder político ao serviço do Poder financeiro, é verdadeira Fé teológica, nos antípodas da Fé religiosa, fonte de alienação e de anestesia das populações. Por isso, a pergunta, mais do que justificada: Ano da Fé, ou Ano de alienação e de manipulação das populações que ainda insistam em frequentar os templos e os santuários da sua humilhação e da nossa vergonha?!

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Um Texto em forma de pergunta-resposta

O que Você tem de saber sobre o BCE

 

É claro que alguns mais comprometidos, como Raymond McDaniel, que era o presidente da Moody's, uma dessas agências de rating que classificaram a credibilidade de Portugal para pagar a dívida como lixo e atiraram com o país ao tapete, foram... passados à reforma. E como McDaniel é uma pessoa importante, levou uma indemnização de 10 milhões de dólares, a que tinha direito

 

O que é o BCE?

- O BCE é o banco central dos Estados da UE que pertencem à zona euro, como é o caso de Portugal.

E donde veio o dinheiro do BCE?

- O dinheiro do BCE, ou seja o capital social, é dinheiro de nós todos, cidadãos da UE, na proporção da riqueza de cada país. Assim, à Alemanha correspondeu 20% do total. Os 17 países da UE que aderiram ao euro entraram no conjunto com 70% do capital social e os restantes 10 dos 27 Estados da UE contribuíram com 30%.

E é muito, esse dinheiro?

- O capital social era 5,8 mil milhões de euros, mas no fim do ano passado foi decidido fazer o 1º aumento de capital desde que há cerca de 12 anos o BCE foi criado, em três fases. No fim de 2010, no fim de 2011 e no fim de 2012 até elevar a 10,6 mil milhões o capital do banco.

Então, se o BCE é o banco destes estados pode emprestar dinheiro a Portugal, ou não? Como qualquer banco pode emprestar dinheiro a um ou outro dos seus accionistas?

- Não, não pode.

Porquê?!

- Porquê? Porque... porque, bem... são as regras.

Então, a quem pode o BCE emprestar dinheiro?

- Pode emprestar a outros bancos, bancos alemães, bancos franceses ou portugueses.

Ah percebo, então Portugal, ou Alemanha, quando precisa de dinheiro emprestado não vai ao BCE, vai aos outros bancos que, por sua vez, vão ao BCE.

- Pois.

Mas para quê complicar? Não era melhor Portugal ou a Grécia ou a Alemanha irem directamente ao BCE?

- Bom... sim... quer dizer... em certo sentido... mas assim os banqueiros não ganhavam nada nesse negócio!

Agora não percebi!!..

- Sim, os bancos precisam de ganhar alguma coisinha. O BCE de Maio a Dezembro de 2010 emprestou cerca de 72 mil milhões de euros a países do euro, a chamada dívida soberana, através de um conjunto de bancos, a 1%, e esse conjunto de bancos emprestaram ao Estado português e a outros Estados a 6 ou 7%.

Mas isso assim é um "negócio da china"! Só para irem a Bruxelas buscar o dinheiro!

- Não têm sequer de se deslocar a Bruxelas. A sede do BCE é na Alemanha, em Frankfurt. Neste exemplo, ganharam com o empréstimo a Portugal uns 3 ou 4 mil milhões de euros.

Isso é um verdadeiro roubo... com esse dinheiro escusava-se até de cortar nas pensões, no subsídio de desemprego ou de nos tirarem parte do 13º mês.

- As pessoas têm de perceber que os bancos têm de ganhar bem, senão como é que podiam pagar os dividendos aos accionistas e aqueles ordenados aos administradores que são gente muito especializada.

Mas quem é que manda no BCE e permite um escândalo destes?

- Mandam os governos dos países da zona euro. A Alemanha em primeiro lugar que é o país mais rico, a França, Portugal e os outros países.

Então, os governos dão o nosso dinheiro ao BCE para ele emprestar aos bancos a 1%, para depois estes emprestarem a 5 e a 7% aos governos que são donos do BCE?

- Bom, não é bem assim. Como a Alemanha é rica e pode pagar bem as dívidas, os bancos levam só uns 3%. A nós ou à Grécia ou à Irlanda que estamos de corda na garganta e a quem é mais arriscado emprestar, é que levam juros a 6, a 7% ou mais.

Então nós somos os donos do dinheiro e não podemos pedir ao nosso próprio banco!...

- Nós, qual nós?! O país, Portugal ou a Alemanha, não é só composto por gente vulgar como nós. Não se queira comparar um borra-botas qualquer que ganha 400 ou 600 euros por mês ou um calaceiro que anda para aí desempregado, com um grande accionista que recebe 5 ou 10 milhões de dividendos por ano, ou com um administrador duma grande empresa ou de um banco que ganha, com os prémios a que tem direito, uns 50, 100, ou 200 mil euros por mês. Não se pode comparar.

Mas, e os nossos governos aceitam uma coisa dessas?

- Os nossos Governos... Por um lado, são, na maior parte, amigos dos banqueiros ou estão à espera dos seus favores, de um empregozito razoável quando lhes faltarem os votos.

Mas então eles não estão lá eleitos por nós?

- Em certo sentido, sim, é claro, mas depois... quem tem a massa é quem manda. É o que se vê nesta actual crise mundial, a maior de há um século, para cá. Essa coisa a que chamam sistema financeiro transformou o mundo da finança num casino mundial, como os casinos nunca tinham visto nem suspeitavam, e levou os EUA e a Europa à beira da ruína. É claro, essas pessoas importantes levaram o dinheiro para casa e deixaram a gente como nós, que tinha metido o dinheiro nos bancos e nos fundos, a ver navios. Os governos, então, nos EUA e na Europa, para evitar a ruína dos bancos tiveram de repor o dinheiro.

E onde o foram buscar?

- Onde havia de ser!? Aos impostos, aos ordenados, às pensões. De onde havia de vir o dinheiro do Estado?...

Mas meteram os responsáveis na cadeia?

- Na cadeia? Que disparate! Então, se eles são os que fizeram a coisa, engenharias financeiras sofisticadíssimas, só eles sabem aplicar o remédio, só eles podem arrumar a casa. É claro que alguns mais comprometidos, como Raymond McDaniel, que era o presidente da Moody's, uma dessas agências de rating que classificaram a credibilidade de Portugal para pagar a dívida como lixo e atiraram com o país ao tapete, foram... passados à reforma. Como McDaniel é uma pessoa importante, levou uma indemnização de 10 milhões de dólares a que tinha direito.

E então como é? Comemos e calamos?

- Isso já não é comigo, eu só estou a explicar...

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Hans Küng: uma ''sublevação de baixo''

 

Küng não alimenta nenhuma confiança nas capacidades da hierarquia católica de se reformar a si mesma e à Igreja

Confia, sim, numa sublevação "de baixo"

 

No jornal britânico The Guardian, do dia 5 de outubro, apareceu uma entrevista com Hans Küng, renomado teólogo católico, fortemente em discordância com vários aspectos da doutrina da sua Igreja. Nesta entrevista, o teólogo suíço, a quem em 1979 foi revogada a autorização ao ensino da teologia católica, convida clérigos e leigos católicos à sublevação contra a atual organização institucional e doutrinal católica. Sobre a hierarquia, fala dela como uma realidade corrompida, sem credibilidade, insensível às verdadeiras necessidades dos fiéis.

Não usa meios-termos para denunciar a pretensão papal de absoluta obediência por parte dos bispos. Ele vê muita semelhança entre o juramento que estes pronunciam e o dos generais alemães com relação a Hitler. Por isso, os bispos são reduzidos a yes men, incapazes de defender posições avançadas como o uso dos anticoncepcionais ou a ordenação das mulheres. Küng reforça a dose, ao apresentar o atual papa como um Putin católico. O primeiro vem das fileiras do KGB, e o segundo de algo de semelhante que é chamado de Congregação para a Doutrina e a Fé. Trata-se, em palavras suas, de um "putinismo" vaticano.

Küng critica Ratzinger por ter "escondido" vários casos de crimes sexuais cometidos por padres em diversas partes do mundo. Critica também um excesso de pomposidade: "Vemo-lo frequentemente envolto em hábitos dourados", "com a coroa de um papa do século XIX" e "paramentos refeitos no modelo daqueles de Leão X Médici", o papa que escandalizava Lutero pelos luxos e pela corrupção no papado. Critica-o, ainda,  por favorecer a formação de uma multidão fanática com o único objetivo de louvá-lo.

Um "pontificado das oportunidades perdidas" é o modo pelo qual Küng chama o reino de Bento XVI: refere-se em particular ao desperdício de oportunidades na reconciliação com o protestantismo, com o judaísmo, com os ortodoxos e com os muçulmanos. No campo da ética, Küng denuncia que nada foi feito pelas populações africanas na sua luta contra a sida e impediu-se uma séria política de controlo da natalidade. Küng não alimenta nenhuma confiança nas capacidades da hierarquia católica de se reformar a si mesma e à Igreja

Confia, sim, numa sublevação "de baixo"; na atividade de fiéis que saibam dizer não e que não pretendem tolerar muito mais tempo, o estado de facto. Os seus dados dizem-lhe que na Áustria há entre 300 e 400 padres abertos à sublevação, e que na Suíça há outros 150. Especifica que a tentativa do bispo de Viena de calar os padres teve um resultado miserável por causa da simpatia de que eles gozam junto à população, por defenderem posições que, no fim das contas, são muito modestas como: admitir à comunhão os divorciados em segunda união, abrir às mulheres posições importantes na hierarquia, deixar mais espaço aos leigos. Mas até isto foi bloqueado pelo Vaticano!

Küng, que tem 84 anos, e continua a ser um padre que não deixa de se comprometer com a renovação da sua Igreja e com o diálogo entre as fés. Há 20 anos, é o animador da fundação Weltethos, que se ocupa da ética no mundo. Os seus livros, as suas solicitações e o seu empenho continuam sendo contribuições estimulantes em todos os campos e não permanecerão em silêncio, mesmo que as conveniências do momento tentem cobri-los com um verniz de hipocrisia.

 

13.ª AG ordinária do Sínodo dos Bispos em Roma

Três semanas de conferências e debates para quê?

 

O comunicado final do Sínodo não engana. Alarga-se por 14 pontos. As palavras são bem episcopais, eclesiásticas, aparentemente arejadas, muito cristãs, por isso, confrangedoramente, vazias de realidade. Não “mordem” a realidade. Como tal, não chegam a ser notícia. São 14 pontos sem qualquer notícia que interesse aos não-eclesiásticos ou leigos, que são os grandes consumidores do narcotráfico religioso-cristão

 

Desta vez, a 13.ª AG ordinária do Sínodo, participaram mais de 260 Bispos oriundos de todo o mundo católico romano. Uma pequeníssima parcela do mundo dos seres humanos, este, sim, a verdadeira realidade que havemos de ter em conta, quando vivemos animadas, animados pela mesma Fé de Jesus. Desta realidade, o mundo dos seres humanos, sempre havemos de partir e dela nunca havemos sair, mesmo quando, como Igreja de Jesus, nas pequeninas comunidades jesuânicas clandestinas, fermento na massa, luz do mundo e sal da terra, nos reunimos em nome de Jesus, o ser humano pleno e integral, em quem todos os seres humanos de cada geração, crentes e não-crentes, nos havemos de rever e ter como nossa referência última, na história, nos dias e anos em que a protagonizamos. Conscientes, sempre, de que fora dos seres humanos – a realidade mais real, juntamente com o cosmos-consciência que cada uma, cada um de nós é na Terra – não há salvação. E, se não há salvação, tão pouco pode haver verdadeira evangelização. A menos que, como reiteradamente sucede no âmbito dos cristianismos, confundamos evangelizar com a acção de divulgar uma doutrina mais ou menos esotérica e, nessa medida, absurda. Ou pior ainda, confundamos evangelizar com a acção de divulgar/implantar uma ideologia, com tudo de idolatria religiosa que, em última instância, é idolatria financeira, ainda que camuflada. Só que, neste caso, em lugar de boa notícia, há má notícia, já que a acção de evangelizar se limita a desenvolver mais e mais o narcotráfico religioso, em que todas as igrejas cristãs, sem nada de Jesus e até contra Jesus, são cada hoje vez mais peritas, a julgar pelos chorudos frutos/lucros que acumulam e concentram nas suas mãos e que lhes dão um Poder de influência que os demais Poderes temem e respeitam.

O comunicado final do Sínodo, divulgado depois de três sucessivas semanas de discursos e de debates, não engana. Alarga-se por 14 pontos, cada um com o seu título. As palavras são bem episcopais, eclesiásticas, aparentemente arejadas, muito cristãs, por isso, confrangedoramente, vazias de realidade. Não “mordem” a realidade. Como tal, não chegam a ser notícia nos órgãos que habitualmente as divulgam. São 14 pontos sem qualquer notícia que interesse aos seres humanos fora do pequeno mundo católico romano e, mesmo neste, sem qualquer notícia que interesse aos não-clérigos, aos não-eclesiásticos, ou leigos, que são os grandes consumidores do narcotráfico religioso-cristão.

O comunicado abre com uma alusão – vejam só! – ao episódio parabólico do encontro da samaritana com Jesus no poço de Jacob, onde se fala de “água viva”, que hoje, início do terceiro milénio, ninguém, mesmo os chamados cristãos ilustrados, entre os quais se incluem os Bispos presentes no Sínodo, sabem o que seja. E titula o seu último ponto, com uma afirmação com tudo de astronómico, ou de cinematográfico, “A estrela de Maria ilumina o deserto”. Um título de todo inócuo, a fazer lembrar, quando muito algum episódio de “morangos com açúcar”, onde cada qual faz o que pode e o que não pode para ser “estrela”, não no deserto, mas no Mercado.

Por outro lado, que interesse pode ter uma reunião magna da nata da Igreja católica romana no mundo, os tais mais de 260 bispos, se tudo o que se lá debitou e debateu e concluiu, não é deliberativo, muito menos, é para ser levado à prática, uma vez que o Sínodo é apenas “consultivo”, não é deliberativo?! Se as conclusões, já de si, sem pão substancial, sem sopro, sem maiêutica, vão ter agora de passar pela peneira da mafiosa Cúria Romana e pelo seu Papa monarca absoluto e infalível que é “o sucessor de Pedro”, o negador-mor de Jesus, o que se pode esperar de mais este Sínodo, que não seja uma manifestação quantitativa do grande Poder eclesiástico católico romano no mundo?

De Portugal, foram dois bispos ao Sínodo, o que se saúda. Mas já se não pode saudar a intervenção que um lá fez, para os demais bispos ouvirem. O Bispo do Porto, D. Manuel Clemente, pouco mais fez do que traçar um retrato desgraçado da Diocese e da Igreja em Portugal, uma grande empresa envelhecida e já sem capacidade de se regenerar, porque instalada nas rotinas diárias e semanais e na multiplicidade de ritos, em tudo semelhante às talhas de pedra da narrativa parabólica das ”Bodas de Canã”, que “estavam lá”, a ocupar espaço, mas completamente vazias. Por isso, não só inúteis, como ainda, um estorvo!

O Bispo de Lamego, D. António Couto, foi lá, no meio de todo aquele luxo e ostentação episcopais, convidar a Igreja ao despojamento material, com uns chavões que soam muito bem, mas, mal acabam de ser ditos, deixam o pequeno mundo católico romano ainda mais às escuras, mais aburguesado e instalado, no seu narcotráfico religioso. “Deixo a pergunta: porque é que os santos lutaram tanto, e com tanta alegria, para serem pobres e humildes, mas nós esforçamo-nos tanto para ser ricos e importantes?” Palavra do Bispo de Lamego. Mas, como assim, Bispo António Couto, meu irmão – apetece logo interpelá-lo – se o próprio facto de tu aceitares ser Bispo residencial, à frente duma Diocese-empresa especializada em narcotráfico religioso, é, só por si, uma aberração, com tudo de antípoda de Jesus? A quem dirigiste o teu ascético discurso? Aos mais de 260 bispos que estavam contigo no Sínodo? Aos cardeais da Cúria romana? Ao papa Bento XVI, o mais vaidoso no vestir e calçar dos Bispos de todo o mundo, e o mais vaidoso no vestir e no calçar dos chefes de Estado de todo o mundo? Não sabes que os pobres não contam para nada no Vaticano, pela simples razão de que são pobres e não contribuem para alimentar todo aquele luxo, todo aquele fausto clerical?

Haja modos e decência, meu irmão. Não divaguemos fora da realidade. Se quiseres falar assim, renuncia aos privilégios e aos luxos que o estatuto de bispo residencial de Lamego, automaticamente, te confere. Até por força do Direito Canónico. Experimenta ser simplesmente Bispo da Igreja que está em Lamego, a clandestina Igreja de Jesus, e verás o que te fazem! Mas, então, e só então, podes e deves formular perguntas como esta que formulaste no Sínodo. Sem isso, tudo o que digas e faças é completamente em vão!

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Dias 16 e 17, em Guimarães e Braga, respectivamente

No “Átrio”, quem, os gentios, quem, os crentes? E de que Deus?

 

Ninguém o diz, nem mesmo a Agência de notícias dos Bispos portugueses, e, por isso, é legítimo perguntar aqui, De que Deus é que, habitualmente, se fala no “Átrio dos Gentios?”. Como é uma criação da Cúria Romana, o Deus de que lá se fala, só pode ser o do Papa, nesta altura, Bento XVI, por isso, totalmente incompatível com o Deus de Jesus, e dos demais seres humanos crucificados. Sem lugar neste evento eclesiástico, a não ser como crucificado!

 

O chamado “Átrio dos Gentios” chega, pela primeira vez, ao nosso País. Em Guimarães, ainda a capital europeia da Cultura, e, no dia seguinte, em Braga, a que continua a dizer-se dos Arcebispos, mas já sem que ninguém preste qualquer atenção ao dito. À falta de católicos, na Europa, e com os templos paroquiais cada vez mais às moscas, a Cúria Romana volta-se para os gentios. Entenda-se, todos os não católicos, já que para ela, quem não for católico, é gentio, está fora da Igreja e, consequentemente, fora da salvação, porventura, fora da Humanidade. Em boa verdade, para a Cúria Romana, gentios, são todos os seres humanos, à excepção dos membros da hierarquia católica romana, já que, mesmo os baptizados, se não chegarem ao estatuto de clérigo, não têm nem voz, nem vez. Existem, mas não são!

O evento anunciado congrega à sua volta elites do pensamento, das artes, e do poder económico e político, pelos vistos, alguns dos “Gentios” com maiúscula, quanto mais politicamente correctos, melhor, de resto, os únicos considerados dignos de privarem de perto com o cardeal que vem propositadamente da Cúria Romana, Gianfranco Ravasi, actual presidente do Conselho Pontifício da Cultura. O qual, em conjunto com o neurocirurgião português, João Lobo Antunes, abordará o tema, “o valor e o sentido da vida de cada ser humano”. Tudo em abstracto, já se vê, puro jogo de palavras, que os seres humanos de carne e osso e com história própria, são um osso bem duro de roer, e um cardeal não pode sujar as suas mãos cardinalícias com gente sem qualificação social. Cresçam e apareçam, que então, sim, podem chegar, um dia, a beijar o anel cardinalício e viver, por uns instantes, à sombra do seu barrete vermelho, o do sangue das vítimas humanas do cristianismo e da cristandade, uma história demasiado cruel e obscena, só para adultos e sérias reservas.

Pelos vistos, e ao que reza a Agência eclesiástica e episcopal, nem o ensaísta Eduardo Lourenço resistiu ao fascínio da iniciativa e também vai ajudar a dar brilho ilustrado ao Átrio, não se sabe, se como Gentio, se como Agnóstico, se como Ateu, se como outra coisa qualquer, mas pensamento sempre, quanto mais descarnado e mais distante das ruelas da má fama, melhor. Com ele, alinham também a coordenadora geral da iniciativa em Portugal, Isabel Varanda, a ministra Assunção Cristas, do actual Governo assassino e ladrão da tripla PauloPortas-PassosCoelho-VítorGaspar, aos quais se juntam – é um fartar, vilanagem! – o antigo candidato presidencial Fernando Nobre, a presidente da Federação Europeia dos Bancos Alimentares, Isabel Jonet, os escritores Vasco Graça Moura e Valter Hugo Mãe, a poetisa Ana Luísa Amaral e o padre e poeta Tolentino Mendonça.

Ninguém o diz, nem mesmo a Agência de notícias dos Bispos portugueses, e, por isso, é legítimo perguntar aqui, De que Deus é que, habitualmente, se fala no “Átrio dos Gentios?”. Como é uma criação da Cúria Romana, o Deus de que lá se fala, só pode ser o do Papa, nesta altura, Bento XVI, por isso, totalmente incompatível com o Deus de Jesus, e dos demais seres humanos crucificados. Sem lugar neste evento eclesiástico, a não ser como crucificado!

 

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Edição 79 Junho 2012

 

Bashar al Assad, da Síria, e PassosCoelho, de Portugal

O que há de comum entre eles?

 

Ambos cuidam da sua imagem. Do seu corpo. Nem excessivamente gordo, nem excessivamente esquelético. Ambos causam boa impressão, a um primeiro olhar, quando se desconhece tudo acerca de cada qual. Ambos estão naquela idade biológica e política do Quero, Posso e Mando! Ambos são obedecidos pelas respectivas hostes partidárias, como se fossem deuses omnipotentes, omnipresentes, omniscientes e infalíveis. Ambos são ditadores, mas, perante as câmaras das tvs, aparentam sempre um ar suave, ternamente cínico, a raiar o Infantil. Ambos estão convencidos que vieram para ficar e durar, pelo menos, enquanto a idade e a saúde lhes permitir. Ambos mentem por princípio, mas sempre com aquele ar cândido de quem sempre fala verdade. Ambos são sado-masoquistas políticos: só conseguem atingir orgasmos, quando se vêem perante estatísticas que revelam as suas Populações desempregadas, inseguras, a serem roubadas, maltratadas pela Polícia, assassinadas por balas ou pela Humilhação, a peregrinar a pé para os santuários de nomeada, em busca de milagres do céu, a morrer ao abandono e por falta de consultas hospitalares a tempo e horas, a ter de recorrer em número cada vez maior a Bancos Alimentares contra a Fome. Ambos vestem fatos bacteriologicamente limpos, mãos sem vestígios de sangue, corpos esguios e perfilados perante as câmaras de tv, a olhar através delas as populações nos olhos, sem nunca alterarem o tom de voz e incapazes de fazerem mal a uma mosca. Ambos, finalmente, agradecem às populações subjugadas, num cúmulo de Cinismo político, a sua paciência e sua resignação, apesar de todo o sofrimento que cada um ao seu modo, lhes impõe.Embora PassosCoelho seja o chefe do Governo – em boa verdade, o chefe é PauloPortas, coadjuvado por VítorGaspar – em resultado de eleições ditas livres e democráticas, e Bashar al Assad seja ditador, filho de ditador, ambos estão seriamente empenhados em ajudar o Grande Poder Financeiro Global a levar de vencida a Primeira Grande Guerra Mundial Financeira que ele próprio desencadeou e não pode perder. Na Síria, a ajuda faz-se sob a forma de uma das mais cruéis ditaduras. Em Portugal, a ajuda faz-se sob a forma de uma das mais cruéis democracias ocidentais. Num e noutro país, os resultados são totalmente favoráveis ao Grande Poder Financeiro Global e, só por isso, é que ambos se mantêm nos cargos de topo, onde são tomadas as principais decisões.

Somos, politicamente, ingénuos e infantis – os mais sádicos, são os comentadores políticos profissionais que passam a vida a tagarelar, tagarelar, tagarelar, sem nunca dizerem nada que politicamente se aproveite – se ainda não vemos as coisas assim. É sinal de que continuamos, neste início do Terceiro Milénio, a tomar a Nuvem por Juno, a Encenação por Realidade, a Religião e o Dinheiro por Deus, a Política por Poder Político, Cristo por Jesus, a Mentira por Verdade, a Hipocrisia por Sinceridade, o Falar autoritário por Convicção, numa palavra, as mercadorias por seres humanos.

O Presidente da Síria e o Primeiro-Ministro de Portugal são ambos bons actores (com perdão para os Actores profissionais e amadores). Fazem tão bem o papel, que o Grande Poder Financeiro Global lhes atribui, que ele está mais que agradado com eles e reitera-lhes, sucessivamente, a sua confiança. Quando chegar o momento em que, também na Síria, a Ditadura tenha de dar lugar à Democracia, tipo ocidental, o Grande Poder Financeiro Global que a tem mantido em funcionamento, não hesita e, na hora, faz desaparecer Bashar al Assad, como já fez desaparecer, na hora, Hassan Hussein, no Iraque, Kadafi, na Líbia, e Mubarak, no Egipto. Já PassosCoelho poderá aguentar-se mais tempo, se continuar a dar garantias de que esta Democracia em Portugal é, de ano para ano, mais e mais cruel.

Em conclusão. Enquanto não decapitarmos, nas nossas próprias Mentes, o Senhor Dinheiro, ou a Ambição do Senhor Dinheiro, somos o que se sabe e o que se vê: eternos pagadores de promessas a nossa senhora de fátima, S.A., cristãos de missa ao domingo ou de bíblia na mão e de porta em porta, fanáticos do Futebol das SADs dos Milhões e da Selecção Nacional dos Milhões e clientes das Caritas diocesanas, das Misericórdias, das IPSSs e dos Centros Paroquiais e Sociais. Nenhuma Actividade Criativa e Maiêutica. Nenhuma Actividade Cultural e Política. Nenhuma Dignidade Humana.

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Empresários cristãos em grande encontro /congresso

“Amor ao próximo como critério de gestão”

 

Com a cruz e a hóstia da missa dominical, recebida, de preferência das mãos do Bispo, do Cardeal, porventura, do próprio Papa, ou com a cruz e a bíblia, está provado – dizem as Igrejas cristãs – que os empresários passam a fazer do amor ao próximo, critério de gestão das suas empresas. Esqueçam a Justiça Social, a Verdade no mundo empresarial, a Expropriação da Riqueza produzida, a Partilha dos bens, o fim da divisão Capital-Trabalho, inevitável fonte geradora de exploração de quem trabalha por conta de outrém, por parte de quem possui o Capital. Afinal, a Salvação chega ao mundo empresarial e do trabalho, com empresários cristãos, que façam do amor ao próximo, critério de gestão. E o que entendem os empresários cristãos por amor ao próximo, como critério de gestão das suas empresas? Ora o que haverão de entender? Explorar os trabalhadores, elas e eles, como mandam as mais elementares regras do Capitalismo desenfreado e reinante e, depois, ajudar a Caritas do território diocesano, em que está implantada a empresa, para que disponha de suficientes subsídios que possa entregar a pessoas despedidas, ou com salários de miséria, como é o actual salário mínimo no nosso país. O Cristianismo sempre entendeu, ao longo destes dois mil anos, o amor ao próximo, como esmola, caridadezinha, sopa aos pobres, cabazes de natal, toneladas de alimentos comprados nos grandes supermercados, por determinação do Banco Alimentar contra a Fome, entregues, depois, a IPSSs, espalhadas por todo o país. Os donos dos grandes supermercados saem a ganhar balúrdios em vendas, enquanto saem a perder as populações que vão na cantilena dos párocos e dos pastores cristãos, e compram toneladas de alimentos aos supermercados que têm, em cada recolha determinada pelo Banco Alimentar contra a Fome, o seu são-miguel.

Tudo isto é humilhante e indigno, mas apresenta-se pintado de bondade e de humanitarismo. Porque o que está em jogo é o Sistema capitalista imperante, hoje totalmente à rédea solta, que manda nos governos das nações e ocupa as cúpulas das Igrejas cristãs, a católica romana e as protestantes. Como se pode falar de “amor ao próximo como critério de gestão”, dentro do sistema capitalista que tem, como único critério de gestão, o máximo Lucro, até para poder competir com as demais empresas, todas suas inimigas e concorrentes?

Só mesmo o Cristianismo que fez /faz esquecer Jesus e o seu Projecto Político Maiêutico, e fez /faz das três Tentações a que Jesus resiste até ao sangue, os três caminhos que é obrigatório seguir para uma empresa ter sucesso, pode promover encontros e congressos de empresários cristãos, com um lema como este. Mas a Cruz e a hóstia da missa dominical, bem como a Cruz e a bíblia, são a mãe de todas as Mentiras, de todas a Hipocrisias, de todas as Injustiças, de todas as Mortes, de todos os Sacrifícios, de todas as Idolatrias, numa palavra, de todos os roubos e de todas as violências.

Fora dos Seres Humanos, não há Salvação. Sempre há Exploração, a mais desenfreada. Porque fora dos Seres Humanos, só há o Dinheiro, o Grande Capital, que é, de sua natureza, mentiroso, ladrão e assassino. Não há próximo para amar, apenas para explorar, enganar, matar. Por mais água benta que os bispos, ou os párocos despejem sobre as empresas dos empresários cristãos, no dia da inauguração /bênção das instalações. Alerta, Mulheres, Homens, Populações. Com rezas e opas brancas ou vermelhas, cruzes e prédicas, se enganam os tolos! Tudo o que vem de fora dos Seres Humanos é contra os Seres Humanos. Por maior e mais sagrado que seja o disfarce!

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Jardim Gonçalves, banqueiro, irmão de Jardim Gonçalves, Padre

E, por fim, 175 mil euros de reforma!

 

Padre nenhum tem culpa de ter um irmão banqueiro. Como também não tem culpa deste irmão banqueiro, ao chegar à condição de reformado, estar a receber de reforma 175 mil euros /mês. Nenhum Padre tem culpa. Portanto, também o Padre Jardim Gonçalves, do Patriarcado de Lisboa, não tem culpa de ter um irmão, também conhecido por Jardim Gonçalves, banqueiro e a receber este montante mensal de reforma. Mas que lhe ficava bem demarcar-se publicamente desta imoralidade sem nome, ficava. Que se saiba, ainda o não terá feito. Pelo que o silêncio torna ainda mais imoral a situação. Denunciada pelo irmão Padre, poderia ser teimosamente mantida por Jardim Gonçalves, banqueiro, mas toda a Sociedade poderia sentir-se um pouco mais aliviada, ao ver o Padre dirigir-se publicamente ao próprio irmão, a pedir-lhe que seja HUMANO, não BANQUEIRO. Ao menos, agora, que se encontra na condição de reformado.

A palavra, tecida de Ternura e de Maiêutica, como a de Deus Criador, que nunca ninguém viu, e que o Padre Jardim Gonçalves há-de anunciar, a tempo e fora de tempo, poderia cair entre espinhos e não frutificar no irmão. Mas frutificaria noutro terreno humano, não sabemos qual. O Poder Financeiro sentir-se-ia abalado e perturbado. E as Populações Crucificadas por ele respirariam alguma alegria, alguma esperança. E, quem sabe, não se sentiriam impulsionadas a ser Populações politicamente Levantadas, numa Insurreição Política Desarmada nunca vista.

São Omissões eclesiais deste tamanho, que bradam aos céus e à terra. São Pecado e geradoras de Pecado. Infelizmente, já nem as Populações Crucificadas estranham. Do Patriarcado de Lisboa, presidido por um cardeal, pode sair alguma coisa boa, de Libertação e de Salvação históricas? O Patriarcado de Lisboa não é a Diocese da capital de Lisboa, como Jerusalém, em Abril do ano 30, é a capital da Judeia? E de Jerusalém, em Abril do ano 30, sai alguma coisa boa? Não é Jerusalém, a cidade santa, que Crucifica Jesus na Cruz do Império de Roma, hoje, a do Papa Bento XVI? Do Poder, sai alguma coisa boa, para as Populações Crucificadas? Não é o Poder que crucifica as Populações e, depois, para as distrair e anestesiar, oferece-lhes overdoses de jogos de Futebol, o dos Milhões, em sucessivos campeonatos nacionais, europeus e mundiais?

E, depois, o que são 175 mil euros /mês, de reforma, de Jardim Gonçalves, banqueiro, comparado com o que recebe por dia a marca futebolística, CR7 e o treinador J. Mourinho, do Real Madrid? E não é disto que gostam as Populações Crucificadas? Alguma vez se dão conta que para isto poder ganhar tanto dinheiro, é que elas têm de ser Crucificadas? E como hão-de dar-se conta, de não há quem as elucide, se as Igreja, nas múltiplas Igrejas em que historicamente subsiste, em vez de Prosseguir Jesus, o Crucificado pelo Poder fabricador de Vítimas, é, ela própria, o Poder Invicto que, reiteradamente, as crucifica e anestesia /formata?!

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Bodas matrimoniais com missa no Pavilhão Rosa Mota

Mas aos casais, Senhor Bispo, por que tem de os humilhar tanto?!

 

Foi no domingo passado. Não. Não é o começo de um fado de Amália. É a anunciada festa das Bodas matrimoniais na Diocese do Porto. Aconteceu neste primeiro domingo de Junho, dia litúrgico da chamada SS. Trindade. Não é coincidência. É opção pastoral do Bispo da Diocese e da Diocese. Já que, na linguagem clerical dos que por Lei eclesiástica estão proibidos de constituir família – se o fizerem, perdem o emprego e a condição de clérigos! – a SS. Trindade é Família-Deus, ainda que demasiado estranha para servir de modelo às famílias de carne osso, para mais, em 2012 e em Portugal. Onde viver está a tornar-se cada vez mais um pesadelo, e constituir família, uma total impossibilidade. E é estranha, porque, segundo o teologar dos clérigos católicos – saberão, ao menos, eles, o que estão a dizer, quando reproduzem, como cassetes, o que dizem os manuais de dogmática por onde estudaram?! – esta Família-Deus é constituída por um pai, um filho e um espírito santo. Ao que se pode logo observar, pelo menos neste dizer em português, que não há nela a presença do Feminino, menos ainda, duma mulher. Há, é verdade, a mítica deusa Virgem e Mãe de Deus, mas os manuais da dogmática católica, ainda não foram ao ponto de a incluir, explicitamente, na SS. Trindade, que, entretanto, logo deixaria de ser Trindade. Pois já não seriam três, mas quatro! Ah! E também só há um filho único. E tão pouco há sexo, muito menos, praticado. Por isso, mais parece uma família clerical, do que uma família, como aquelas bastantes famílias da Diocese do Porto que aceitaram ir à missa ao Palácio, celebrar as suas bodas matrimoniais, uns 10 anos de casados, outros 25 anos, outros 50 anos. À qual presidiu, obviamente, o Bispo da Diocese, clérigo maior, sem mulher, sem filhos, numa palavra, sem família.

O facto, por si só, já perfaz uma Humilhação para os casais. Revela esta coisa cruel e sádica: Nenhum deles pode ser bispo católico romano. Tão pouco, pode ser presbítero. Se se casa, nenhum homem católico pode ser bispo. A mulher, mesmo que não case, nunca pode ser bispo. Casar é bom, diz o Cristianismo de Paulo, o tal que nunca conheceu Jesus e ainda se orgulha disso. Casar é bom, mas ser bispo é melhor. Por isso, se alguém, entre os homens, acalenta o sonho de um dia ser bispo à frente duma diocese, como o Bispo D. Manuel Clemente, na Diocese do Porto, não se pode casar. Porque no Cristianismo católico romano, o sacramento do matrimónio não casa com o sacramente da Ordem. Doutrina do CIC (Catecismo da Igreja Católica); e Lei do CDC (Código do Direito Canónico). É pegar ou largar. Se és homem cristão católico romano e acalentas a esperança de um dia ser bispo, não cases.

Há em tudo isto algo que não regula bem. Os casais são convidados a celebrar as suas bodas matrimoniais. Têm de deslocar-se ao palácio, no Porto, baptizado de Pavilhão Rosa Mota. Porque o Bispo faz questão de mostrar ao país que são ainda muitos os casais católicos que se não divorciam. O viver de mulher casada pode ser um inferno, mas divorciar-se, nem pensar. Ainda hoje é assim. Divórcio, só no civil. E, se, depois volta a casar, já não pode ir à missa ao Palácio com o bispo a presidir. E receber a hóstia. Porque está em situação permanente de pecado, o de concubinato!

A Tvi mostrou numerosos casais sob a cúpula do Pavilhão Rosa Mota. Uma multidão deles. Tudo ao monte e fé em deus! Todos, aos pés do Bispo da Diocese do Porto, homem sem mulher e sem filhos. Porque o Altar, sempre que o Bispo da Diocese está presente, é um exclusivo dele. A palavra, também. A vez, também. Os párocos da Diocese trabalharam para que os casais fossem muitos, para o país ver. Mas a Tvi que tudo mostra ao País, também mostra todo o Infantilismo de umas bodas matrimoniais assim. As imagens não enganam. Tudo ao monte e fé em deus. Ora, quando aos casais é roubada a voz e a vez, a coordenação e a presidência, a Humilhação destes casais é por demais evidente e chocante! E neste caso, levanta, irreprimível, a pergunta, Mas aos casais, senhor Bispo, por que tem de os humilhar tanto?!

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Banco garante um donativo de 750 mil euros

Caritas Portuguesa lava dinheiro sujo?

 

A Caritas Portuguesa anuncia muito recentemente que receberá, ao longo dos próximos três anos um donativo de 750 mil euros, por parte do Banco Espírito Santo (BES). O protocolo – reza um Comunicado – pretende responder ao “aumento de pedidos de apoio que a instituição de solidariedade católica tem registado nos últimos meses (+41% face a 2010)”.

A parceria, designada “BES Famílias”, prevê que 75% da verba seja encaminhada para o Fundo Social Solidário, enquanto que 15% se destina ao Programa “Prioridade às Crianças” e 10% vai ser aplicada na criação de postos de trabalho.

O banco responsabiliza-se também por acções de apoio indirecto, propondo aos actuais clientes que doem à Caritas o arredondamento dos pagamentos efectuados através da internet. A instituição de apoio social vai também receber um euro por cada conta que venha a ser aberta e o BES convida os novos clientes a oferecer a mesma quantia. O convénio estipula igualmente que o banco desenvolva e colabore com campanhas que visam a angariação de fundos junto de empresas. O BES compromete-se ainda a participar em acções formativas “com o objectivo de contribuir para o aumento do nível de conhecimentos financeiros, ajudando as pessoas a aprender a gerir o orçamento no seu dia a dia, a adquirir hábitos de poupança e a desenvolver novas competências”.

Tudo facilidades, como se vê. Junta-se a fome com a vontade de comer. A fome, por parte do BES, de biliões de euros de lucro /ano. E a vontade de comer das centenas ou milhares de pessoas assistidas pela Caritas Portuguesa, e que o Grande Poder Financeiro faz tais. A Caridadezinha é um túnel por onde passam muitos milhões ou biliões de euros-dólares /ano. Uma instituição bancária nunca dá ponta sem nó. Para “oferecer” um euro, quantos tem de receber em troca? E, se não recebe em troca, quantos recebe por outros canais, que a Caridadezinha ajuda a abrir e, depois, mantém acima de toda a suspeita.

Depois, a PJ limita-se a fazer o que lhe mandam. E nunca lhe mandam acompanhar as grandes operações de Caridadezinha. Nomeadamente, das grandes instituições da Igreja Cristã católica romana, cujo Banco do Vaticano – IOR – é o primeiro a lavar dinheiro sujo. Que para isso serve o seu mítico Cristo que, no pueril catequizar das Igrejas cristãs todas, também mudou a água em vinho, enquanto o diabo esfregava um olho. Pena que foi só uma vez. E lá longe, em Caná, da Galileia. E, de outra vez, de apenas 5 pães e 2 peixes, fez milhares de pães e de peixes e, depois de todos aqueles homens comerem, sem contar mulheres e crianças, ainda sobraram doze cestos!

Há uns dois mil anos, que toda esta “música” cristã nos é cantada. Obviamente, para que também as possíveis e frequentes – rotineiras? – lavagens de dinheiro sujo, para fins de Caridadezinha, possam ser vistas, interpretadas e contadas pelas populações, como “milagres”. Quando é que nos decidimos a Prosseguir Jesus, fazer nossas as suas mesmas Práticas Económicas e Políticas Maiêuticas, fazer nossos, os seus mesmos Duelos Teológicos Desarmados, e denunciamos /desmascaramos o mítico Cristo davídico, que dá suporte ideológico ao Cristianismo, ao Ocidente cristão, e a todas as manigâncias que as Igrejas cristãs praticam, a coberto dele?!

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Como num golpe de mágica

Já nem Frei Bento Domingues se aproveita!

 

Pois é como reza o título. Já nem Frei Bento Domingues se aproveita! São muitas as vezes em que ele, nas crónicas que assina, há anos, aos domingos, no PÚBLICO, passa, como num golpe de mágica, de Jesus, o filho de Maria, para o Cristo do Cristianismo. A sua especialidade é Cristologia e, com ela na cabeça, nem ele se apercebe do golpe de mágica. Porque a Cristologia em que ele é perito, não lhe chama golpe de mágica. Prefere um dizer-escrever muito mais ilustrado, erudito, e chama-lhe “passagem de Jesus histórico ao Cristo da Fé”. E dito isto, como um primeiro princípio que não necessita de ser provado, para ser aceite por toda a gente, tudo o mais que se edificar sobre esta afirmação, está mais do que justificado e é aceite pelos seguidores, elas e eles. O problema é justificar, neste início do Terceiro Milénio, como se dá essa suposta passagem de Jesus histórico ao Cristo da Fé. O Cristianismo, do alto do seu Poder, diz que se dá. E o assunto fica encerrado para as, os que o seguem e integram. Mas o Cristianismo – sabemo-lo, hoje – é mentiroso e pai de mentira. Dele, tem de se dizer o que Jesus, o do Evangelho de João, diz do Diabo: É mentiroso, pai de mentira e assassino. Dois mil anos de história do Cristianismo são mais do que suficientes para provar que o Cristianismo é assim. Não fosse o ciclópico trabalho dos intelectuais e dos artistas, através dos séculos, que ajudaram a justificar o injustificável e a difundir, como santo, o Intolerável. Mas, até, eles acabaram formatados nesta Mentira e nesta fé cristã religiosa. E chamam bom, ao perverso, verdade, à mentira, servo dos servos de deus, ao poder papal monárquico absoluto e infalível.

Na crónica que Frei Bento Domingues assina, no domingo de Pentecostes 2012 – uma designação das Igrejas cristãs, não da Sociedade – o golpe de mágica é por demais manifesto. Depois de falar, com alguma emoção no verbo, do Jesus histórico, embora, já em tons excessivos, próprios mais dum Jesus-Cristo mítico, do que de Jesus, o filho de Maria, ser humano em tudo igual a nós, excepto no pecado do Poder (= Cristo /Cristianismo), que ele nunca comete, nem mesmo, quando, por fim, dá aquele grito na Cruz do Império onde morre, como o Maldito dos malditos, ao abrigo da Lei de Moisés, a Torah dos Judeus e do Cristianismo, Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?, Frei Bento passa a referir-se exclusivamente ao Cristo da Fé, no ponto 3 e último da sua crónica. E reproduz, empolgado, a Mentira que todo o Cristianismo é.

Recorre, como rezam os Textos da liturgia da missa desse domingo, ao segundo Volume do Evangelho de Lucas, todo ele escrito, do capítulo 1 ao capítulo 28, com o objectivo de denunciar /desmascarar o Cristianismo de Pedro e Tiago, depois de Pedro e Paulo, depois de Paulo e Tiago, depois do bispo da Roma imperial, e faz dele, exactamente, como o Cristianismo institucional e a Cristologia, um livro novo, chamado Actos dos Apóstolos. E, depois de consumado este golpe de mágica, é um ver se te avias. Pedro e os Doze que traem Jesus e o entregam aos sumos sacerdotes, para ser crucificado, e que, ele sozinho, nega Jesus por completo (três vezes), já não são mais os traidores de Jesus. São “os Apóstolos” de Cristo, sobre os quais vem o espírito /vento do Cristo /Poder Invicto, por isso, sob a forma de línguas de fogo destruidor, a fazer lembrar o profeta Elias, o assassino dos sacerdotes de Baal; não sob a forma de pomba, como testemunha de Jesus, o Primeiro Volume do mesmo Evangelho de Lucas. E, graças a este golpe de mágica, tudo fica consumado /justificado, até o Papado imperial de Roma, hoje, a Cúria Romana dos cardeais, o IOR que leva dinheiro sujo, as Missões cristãs, católicas e protestantes, que, onde entram e se implantam, dizimam tudo o que não é valor ocidental e impõem, a ferro e fogo, ou com falinhas mansas, medicinas e medicamentos, colégios e postos de enfermagem, muitos euros e dólares, os chamados valores cristãos, entenda-se, o Poder Vencedor e Invencível (= Cristo) e o seu Deus Todo-Poderoso, o Ídolo dos ídolos!

É caso para perguntarmos, E Jesus, Frei Bento? O que fazemos de Jesus? E do seu Projecto Político Maiêutico de Sociedade Humana, alternativa à Sociedade concebida e implantada pelo Poder?! Há alguma compatibilidade entre o Cristo do Cristianismo e Jesus, o filho de Maria? Não é total a incompatibilidade entre ambos? Mas há lugar para alguma dúvida Eis a questão!

P.S. Aconselha-se, Por isso, vivamente, a leitura mastigada e reflectida do Livro Evangelho de Jesus, Segundo Maria, mãe de João Marcos, e Maria Madalena, Edium Editores, 3.ª Edição, Maio 2012; 1.ª Edição, Março 2012.

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VP, Semanário da Diocese do Porto, em dificuldades

É difícil ser mais eclesiástico, cinzento, sem sal e voz do dono!

 

VP, Semanário da Diocese do Porto – melhor seria que fosse da Igreja do Porto – está em dificuldades. A situação é aflorada, de forma discreta, na edição de 23 de Maio 2012, p. 2, na rubrica, “Falando de nós”, e sob o título, “De uma conversa com D. Manuel Clemente. “A diminuição dos assinantes da Voz Portucalense foi um dos assuntos apresentados no encontro que a direcção da Fundação Voz Portucalense manteve com o Bispo da Diocese, D. Manuel Clemente. Também para ele constitui uma preocupação tal facto.”

Apesar desta notícia, a ficha técnica de VP continua a referir os habituais 11000 exs. de tiragem. A preocupante diminuição de assinantes de VP, tão preocupante, que já notícia, ainda que discreta, no próprio semanário diocesano, tem, certamente, múltiplas explicações. Na mesma rubrica, insinua-se, numa conversa com o actual presidente da ERC, Carlos Magno, que a razão principal será a acentuada quebra de leitoras, leitores na generalidade dos jornais diários e semanários. A existência de múltiplos canais de tv notícias, os noticiários de 30 em 30 minutos nas rádios, mais as redes sociais na internet, podem explicar em parte esta acentuada descida de assinantes de VP. Mas não é, com certeza, a principal causa.

Manda a verdade, no que diz respeito à VP, que se apontem outro tipo de explicações. O Semanário, apesar do esforço acrescido da actual Direcção /Administração, de aumentar o número de páginas, e de páginas a cores, peca – só cegos que não queiram ver é que não vêem – por ser demasiado eclesiástico, cinzento, sem sal e voz do dono. É difícil, ao semanário da Diocese do Porto, ser mais eclesiástico, cinzento, sem sal e voz do dono. Pode custar escrevê-lo. Reconhecê-lo. Mas basta fixar os conteúdos, semana após semana, edição após edição. Da primeira à última página, o Eclesiástico diocesano e papal – não confundir com Eclesial – são sempre a comida principal. Uma comida bolorenta, sem frescura, sempre mais do mesmo. Homilias do Bispo titular, divulgadas na íntegra, depois de terem sido já divulgadas na íntegra na Agência Ecclesia e no site da Diocese do Porto. Com a agravante, de serem, geralmente, Homilias que não se atrevem a “morder” a nossa actualidade, por isso, confrangedoramente vazias de profecia (pode haver profecia e profetas, elas e eles, no Cristianismo? Não são logo silenciados, excluídos, denegridos, assassinados, como no antigo Judaísmo de que o Cristianismo é uma corrente mais, inicialmente tolerada, depois, perseguida e, finalmente, inimiga?). Tais homilias do Bispo titular e, por vezes, de algum dos bispos auxiliares, são bem uma mostra dos bafientos ambientes que se respiram na catedral do Porto e na generalidade dos templos paroquiais. Os próprios textos assinados, de colaboradores residentes, alguns deles, diáconos casados, por isso, também homens do altar, apresentam-se recheados de citações do Papa, do Bispo da Diocese, e são todos muito cristãos, entenda-se, muito pouco humanos. A liturgia dominical ocupa grande espaço, em cada edição, e, também ela, apresenta-se abordada em tom de homilia, de lição de catequese, clérigo, sempre a mesma tibieza, o mesmo cizentismo, tudo muito, eclesiástica e politicamente, correcto. Até a Tribuna do Leitor ostenta quase sempre os mesmos nomes; e o que escrevem roça, por de mais, o beato, o devocionismo, o fatimismo, o dolorismo, o sacrificialismo.

Esta significativa quebra do número de assinantes leva a Direcção de VP a apelar “às paróquias, para que promovam novas assinaturas, por forma a podermos manter o equilíbrio do semanário, e sobretudo para que ele se torne útil na formação dos leitores e das comunidades”. Mas como, se as paróquias estão a ficar, de semana para semana, de mês para mês, sem consumidores dos ritos litúrgicos, presididos pelos mesmos funcionários-sacerdotes do costume, cheios de pressa, porque têm de ir a correr vender os mesmos ritos noutro altar de outro templo paroquial? A quem interessa um semanário como a actual VP, tão eclesiástico, cinzento, sem sal, voz do dono? Em cujas páginas, nunca há lugar para o contraditório, a salutar dissidência, a realidade nua e crua sem eufemismos, a crítica, o diferente, o não-eclesiástico?

Lembram-se do primeiro Director de VP, ÁLVARO MADUREIRA? Dos seus Editoriais? Da sua Abertura? Da sua Tolerância? Do seu acolhimento do Diferente e do Dissidente? Pagou caro, a sua Coerência e a sua Verticalidade. De pé diante do Poder, de joelhos, apenas junto das suas inúmeras vítimas. Mas dele não se poderá dizer que confundiu a Realidade com a Encenação, a Verdade com o Poder, a Dignidade com o beija-anel episcopal. Dele, não pode se pode dizer, felizmente, que é um grande cristão, um grande santo. Porque Álvaro Madureira é, simplesmente, um grande Homem, um grande Ser Humano, por isso, outro, Jesus. Aliás, tudo o que vai além desta dimensão do Humano, é Mentira e Vaidade. Coisas exclusivas do Poder. Por isso, absurdas. Eis.

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Sessão de apresentação do Evangelho de Jesus, Segundo Maria, mãe de João Marcos, e Maria Madalena, na BM de Amarante

Colocar Jesus no lugar dos Sacerdotes

 

Controversas e chocantes as suas [Padre Mário] palavras? Sim! Mas necessárias. Pois nelas desaguam a Verdade, a Razão, o Humano, o Sentimento, a Solidariedade. Todos estes conceitos são integrantes do eu, de seu nome Jesus, que o autor quer continuar e levar a cada pessoa. As posições convictas do Padre Mário de Oliveira são feitas “com serenidade. Em nome da liberdade. Em nome do bom senso. Em nome da sanidade mental. E, sobretudo, em nome do Evangelho de Jesus”, como o próprio afirma.

 

Sábado, 26 de Maio, Biblioteca Municipal de Amarante. O jovem professor, José Gonçalves, 27 anos, recém-formado em Ciências Políticas, faz a apresentação do Autor e do Livro. Ficam aqui, na íntegra, as suas palavras, referentes à apresentação do Livro:

O Humanismo latente nas palavras do Padre Mário de Oliveira é o pão-nosso de cada dia nas suas obras. Anoitece o dogmatismo e o metaforismo alienante dos escritos religiosos e raia a objetividade, a valorização do Homem, o descobrir do feminino e a saliência da sua importância ao longo das estórias da História dos Povos.

O Evangelho de Jesus, segundo Maria, mãe de João Marcos, e Maria Madalena é mais um pilar da missão do autor perante uma sociedade cada vez mais presa a dogmas baseados em mentiras seculares, que os alienam, acomodam, conformam e os impossibilita de desenvolver um raciocínio lógico, terreno. E é para este decadente ser do ser, de grande parte dos cristãos, que o autor quer alertar, enquanto as réstias de salvação ainda se mantém numa pequena esfera de esperança.

Através do provérbio e num discurso na primeira pessoa do singular, na voz de Maria, irmã de Jesus, que só em Comunidades Clandestinas é que sobreviveu até aos dias de hoje, o Padre Mário de Oliveira despe a cobardia, o cinismo e a ignorância que banha o seio do Cristianismo assim como da ação da Igreja, como instituição nos dias de hoje, que facilmente se integrou num conceito mercantilista, vendo nos seus fiéis uma ótima e eficaz forma de garantir o legado de luxos que salivam do consciente de vários trabalhadores da Igreja Católica, que vão deturpando os valores e princípios pregados por Jesus. Mas este, sem Cristo.

É convicto na crítica ao Poder e especificamente ao de natureza sacerdotal, considerando “o mais mentiroso e assassino” existindo para a simples promoção do Deus mecanizado pelo Poder, garantindo ainda todos os cultos Àquele. Esse Poder com ramificações económicas e mercantilistas, é visto pelo autor como um ópio, uma droga, trabalhando para que “as vítimas humanas” não descubram a Mentira/Idolatria semeada. Posto isto, o Padre Mário defende e elucida-nos para a substituição desses poderes pelos Povos, anulando a Idolatria, dando lugar cativo à Verdade, à Liberdade e à Autonomia. Nunca esquecendo a necessidade de colocar Jesus no lugar dos Sacerdotes.

O Poder Papal também é focado nesta obra aproximando as palavras Poder e Papa, tornando-as irmãs siamesas e com objetivos terrenos convergentes. Mas para este “monarca absoluto” encabeçar a pirâmide hierárquica definida pelos traidores de Jesus, “imensas carnificinas” foram materializadas. Nas palavras do autor “Roma, a cidade do Papa, é, sem dúvida, a máxima expressão do Cristianismo, como Sistema de Mentiras e de Assassínio.”

Com Cristo, Jesus viu a sua Palavra adulterada, a sua pessoa ser suprimida pela ganância do Poder, neste Mercado Global, tão citado pelo autor ao longo do livro, o qual defende que “o Mundo do século XXI não conhece Jesus” mas somente o mítico Cristo, ou Jesus-Cristo, imposto a ferro e fogo, e a base da traição feita a Jesus por aqueles que se diziam seus seguidores e fiéis à sua palavra. Uma traição com o objetivo de alcançar o Poder. Uma traição protagonizada por Pedro, Paulo e Tiago, integrantes dos dois primeiros Cristianismos, antecipando o de Constantino e o dos Papas.

Esse Cristo do Cristianismo é considerado pelo autor como o maior inimigo de Jesus e da sua revolução antropológica-teológica.

Com o Cristianismo, com esta gula, económico-financeira, vários foram os crimes hediondos que mancham as vestes da Igreja ao longo de séculos. “Esta religião (o Cristianismo) foi fundada sobre sangue, sofrimento, renúncia, sacrifício, martírio. É uma religião de horrores.” Tudo em nome de um Deus que nada disso pediu. Tudo pela imposição do seu Poder numa sociedade civil. Tudo para se bajularem em ouro e outras preciosidades, aumentando ainda mais o fosso entre aqueles que tudo têm e aqueles que vivem cada dia como se fosse o seu último suspiro.

Deste livro, assim como de outros que o Padre Mário escreveu, denota-se uma sensibilidade para com os Direitos Humanos. Tudo que os coloque em causa o autor marca posição crítica e aponta os erros cometidos. O Capital e o Poder fizeram com que se esquecesse o Humano em prol de uma valorização do Capital, do Material.

E o Cristianismo na ótica do Padre Mário de Oliveira, é um só, em uníssono com o Mercado. “As duas faces da mesma moeda. Dizer Mercado é dizer Moeda/Poder Financeiro. Dizer Cristianismo é dizer Moeda/Poder Financeiro”. E esta realidade não permite que o projeto de Jesus e a sua aproximação aos crentes sejam concretizados. É este Cristianismo que ao longo dos seus vinte séculos tem no seu historial “vinte séculos de Horrores, de Mentiras e Assassínios em série!”. Assim foi edificado e assim perdura!

Perante tal caminho, o próprio autor defende “ou mudamos radicalmente de Ser-Viver-Atuar-Pensar-Falar ou não temos Amanhã!”

A análise do autor tem um enquadramento internacional, mas também é marcada por fenómenos alimentados ao longo dos tempos pela Igreja em território lusitano. É o próprio Padre Mário de Oliveira, um “convicto militante anti-Fátima”, que nos alerta “Fia-te na Virgem e não corras, e verás o tombo que levas”. Um ditado popular que se adequa à análise feita pelo Padre Mário no que diz respeito a Fátima e ao negócio construído, para integração do Mercado Global citado pelo autor, para simples obtenção de lucro, deturpando desta forma tudo o que Jesus significa. A Mentira adorna toda essa idolatria e sacrifício onde muitas vezes o crente coloca a sua vida em constante perigo.

O sangue é a materialização da promessa, da penitência. A alienação das pessoas é tal que o fanatismo toma posse das mesmas e a intolerância face a posições como a do autor torna-se uma realidade de pesar. Mesmo para a prorrogação desta Idolatria, citada em vários livros do autor, o ser humano foi colocado em condições míseras para alimentar esta empresa multinacional em que transformaram a Igreja. Os direitos humanos foram colocados em causa. A ânsia do Poder e a necessidade político-religiosa de quem o poder detinha foram a base da construção desta mentira. Posto isto, o Padre Mário de Oliveira afirma “Fátima Nunca Mais!”.

O Princípio Feminino é outro momento da obra que nos cativa., sendo “Jesus o Princípio Feminino na História”. Ao longo dos séculos quem mais rebaixou e desprezou a Mulher foi a própria Igreja Católica, colocando-a numa posição submissa perante o seu companheiro, como se de um animal doméstico se tratasse, impossibilitando-as de emancipar as suas competências e raciocínio. Não é a primeira vez que o autor salienta esta desnutrição do eu da Mulher e dos ataques que lhe têm sido feitos. No livro “Nem Adão e Eva, nem Pecado Original” defende nos relatos existentes a mulher colocada “como auxiliar do homem, mas quase ao mesmo nível dos animais, também eles vistos como auxiliares do homem”, e ainda marcada a inferioridade dela em passagens sendo “apresentada a ser criada a partir do peito ou costela dele”.

Neste Livro de Provérbios, onde ressalta a necessidade de viver a pessoa, o homem, o humano, Jesus, o Ser-Viver-Atuar-Sentir-Falar Jesus, o autor nega o nome Cristo, mantendo somente Jesus, criticando essa imposição etimológica que tende a colocar o ser humano Jesus como um ser transcendente, quando de transcendente nada tem, mas sim de humano.

Perante toda a análise objetiva e minuciosa do Padre Mário de Oliveira, e tendo em conta que a cegueira ainda consome os idólatras e aqueles que se submetem as orientações da Igreja, é de citar o que o autor expõe neste “Evangelho de Jesus”; “É estranho, os Povos da Terra gostarem dos Poderes. Mas gostam. Gostarem dos Tiranos. Mas gostam. Gostarem dos Ditadores. Mas gostam. Gostarem dos Sacerdotes /Intermediários. Mas gostam. Gostarem da Ordem Mundial. Mas gostam. Gostarem de ser Povos de joelhos, colados ao chão, sem asas. Mas gostam.”

Controversas e chocantes as suas palavras? Sim! Mas necessárias. Pois nelas desaguam a Verdade, a Razão, o Humano, o Sentimento, a Solidariedade. Todos estes conceitos são integrantes do eu, de seu nome Jesus, que o autor quer continuar e levar a cada pessoa. As posições convictas do Padre Mário de Oliveira são feitas “com serenidade. Em nome da liberdade. Em nome do bom senso. Em nome da sanidade mental. E, sobretudo, em nome do Evangelho de Jesus”, como o próprio afirma.

Termino a minha intervenção, mas ainda muito para refletir e dizer graças à obra do Padre Mário de Oliveira, cito uma questão atribuída a um escritor português: “Como podem os homens sem Deus, serem bons?” ao qual ele respondeu “E como podem os homens com Deus, serem tão maus?”.

 

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